Contos não tão fictícios assim. Seguir historia

E
EDSON VIANA


Série de contos baseados em histórias reais. NÃO RECOMENDADO A MENORES DE 18 ANOS.


Erótico Sólo para mayores de 18.

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A flor da Epitácio.



MAURÍCIO


Maurício era calado. Rapaz tímido. 30 anos. Tinha um jeito estranho de lidar com as pessoas. Sempre na dele. Evitava conversas mais intensas com todos os que o rodeavam. Geralmente não saía de casa. Preferia a vida solitária assistindo seriados de TV chatos e repetitivos. Passava o dia trabalhando num escritório no centro de João Pessoa e à noite se enclausurava em seu pequeno apartamento localizado num bairro conhecido como Mangabeira VII. 
Certa noite, Maurício resolve sair do marasmo e pensa em mudar de vida. Talvez viver uma vida degenerada, quem sabe. Sexo promíscuo poderia ser a solução, naquele momento, para Maurício que até então nunca tivera experimentado as delícias que o sexo pode proporcionar aos meros mortais. 
Maurício coloca sua melhor roupa, o seu melhor perfume. Olha para a sua imagem no espelho e respirando alto diz:
- Livre.


LAURINHA


Laurinha era um tipo assim. Um sonho de consumo. 24 aninhos. Delicada. Pele branquinha e suave como a neve que cai aos poucos numa noite de inverno num filme de Tarantino. Seu hálito exalava o cheiro de morangueiras prontas para a colheita. A voz de Laurinha era sedutora, mas tão sedutora que chegava a dar tesão de imediato. Mãos grandes, porém macias. Tinha o andar de uma gazela cismada, pronta para ser abatida pelo caçador. Olhos ligeiros contrastando com sua delicadeza.


O ENCONTRO


Maurício entra no carro com o intuito de apenas se libertar da rotina diária em que vivia em seu aconchegante apartamento. Resolve dirigir pelas ruas do centro de João Pessoa numa hora não tão segura para dirigir, pois já passava das onze horas da noite e em plena terça feira.
Laurinha apesar de ser doce, era da noite e já estava naquela hora em seu habitat, uma avenida muito conhecida da cidade, esperando como sempre transeuntes e desavisados que por ali passavam na sombra da noite.
E como diria Edson Gomes em uma de suas músicas: "Na sombra da noite acontecem coisas.", naquele noite uma "coisa" aconteceu. 
A primeira reação de Maurício ao ver a jovem Laurinha foi sentir seu coração palpitar, literalmente. O moço nunca imaginara encontrar uma flor tão linda num local tão triste. Parou o carro, numa coragem repentina de quem nunca foi corajoso, olhou para a jovem gazela e a convidou para entrar.


DIA A DIA


Laurinha era prática. Acordava cedo e nunca deixara Maurício trabalhar sem aquele café da manhã reforçado. Já se passara um mês desde o encontro "especial", segundo Maurício chamava: "Encontro especial." 
Laurinha, a flor de Maurício, nunca fora tão bem tratada em sua vida. À noite nunca faltava sexo. Todos os dias Laurinha concedia ao jovem rapaz o que de melhor sabia fazer: sexo.
Provido de tal dádiva, Maurício passa a ser mais comunicativo, de introvertido nada mais tem. A convivência com Laurinha realmente libertou Maurício.


UM MALANDRO NO PEDAÇO


Juca era um malandro diplomado. 30 anos de idade. Vivia às custas da velha mãe doente. Sujeito "pabuloso" como dizemos aqui na região. Tinha o dom de ludibriar pobres meninas apaixonadas e depois largá-las sem mais nem menos.
Morava no mesmo andar que Maurício. 
Numa manhã de sexta feira ao sair do seu apartamento, Juca se depara com Laurinha também de saída. Ele, impiedoso, arrisca um "bom dia.", ela responde com um sorriso singelo e provocador.
Os dias passam e geralmente o Juca avistava Laurinha muitas vezes quando saía ou muitas vezes quando chegava. Certa vez, o malandro atira: "Você é linda. Parece que foi feita no sexto dia".
Laurinha sente calafrios.
Certo dia, logo cedo, Maurício sai para o trabalho e Laurinha vai deixá-lo no portão. Quando ela volta, lá estava Juca. O malandro a puxa pelo braço e a beija. Laurinha ensaia uma resistência, mas depois se entrega em sua totalidade.


TRISTE FIM


Já se passaram 3 semanas intensas de encontro às escondidas entre Laurinha e Juca. O amor escasseava em casa. Sexo, dosado então. Maurício estranha a repentina mudança de Laurinha (que era visível) e resolve perguntar a ela se havia algo de errado, ou se ele de algum modo, a magoou por algo desconhecido dele. Laurinha, num repente inesperado, olha nos olhos do pacato Maurício e diz: "Eu amo o Juca".
Maurício mergulha num abismo maior do que o abismo ao qual já estivera antes. Seus olhos lacrimejam. Suas mãos tremem. Vira as costas e sai.
Horas depois, Mauricio volta com as mãos ensanguentadas. Laurinha já imaginava o que poderia ter acontecido e antes que a mesma gritasse de terror, as mãos de Maurício já estavam firmes em seu pescoço frágil. Maurício matara Laurinha com suas próprias mãos. 
Vinte anos depois, tendo cumprido sua pena num presídio local, Maurício volta à sua vida normal e cheio de lembranças malditas e pesadas do passado resolve visitar o túmulo do seu grande amor, Laurinha. 
Naquele dia, uma lágrima rolou no rosto de Maurício enquanto ele lia na lápide do seu grande amor: 
"Aqui jaz Rogério Rosas, Laurinha."

21 de Enero de 2019 a las 16:52 0 Reporte Insertar 0
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