Ninguém precisa saber Seguir historia

morangochan Saah AG

Após rejeitar dez pretendentes, Hinata precisa aceitar o décimo primeiro como marido a fim de não ser executada.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#casamentoarranjado #romance #samurais #japãofeudal #nejihina #hinataroudtoninja
Cuento corto
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O décimo primeiro pretendente

O baque das espadas de madeira ondulou o ar frio. A brisa úmida sacudia os cabelos dos Hyuugas ofegantes, cada qual segurando firme o cabo das respectivas espadas. Hinata sentia os ombros pesarem, as costas doerem e a garganta arder, mas não cedia por um momento sequer sob o olhar cirúrgico do primo cujos os ataques e defesas eram executados com tanta rapidez que os olhos humanos mal podiam acompanhar. Ela, porém, conseguia não só os acompanhar como também ler os movimentos do rapaz. Esta era apenas uma das várias diferenças entre o clã Hyuuga e o restante dos humanos. Por isso, as Damas do Byakugan eram cobiçadas pelos clãs aliados. Com a constante guerra entre feudos havia a busca por descendentes capazes de combinar os poderes advindos do sangue com as táticas de combate. O desejo pela produção desses guerreiros, inclusive, era um dos causadores do suor de Hinata.

— Não está na hora de parar para descansar?

Os orbes de Hinata, porém, permaneceram concentrados. Mais agressivos se tornaram os golpes com a espada, pois, Neji havia, por um segundo, baixado a guarda ao pensar que a prima o escutaria de primeira. Por qual razão imaginou isto, afinal? Ela nunca o escutava. Os dedos finos envoltos no cabo não doíam como antes, os calos tomavam conta das mãos, outrora consideradas brancas e delicadas. Neji torcia a cara para essa questão; para ele, as mãos de Hinata eram tão graciosas quanto no primeiro dia que ela tomara uma espada para si.

— Hinata-sama? – Ele insistiu.

— Vamos, Neji, não seja chato! – Hinata urrou, impaciente. No fim, ela estava ouvindo bem, apenas decidiu ignorar o chamado do primo como sempre fazia.

Ao passo que se defendia, o jovem rapaz notou a situação da Dama Byakugan. O suor excessivo e a respiração descompassada indicavam sinais de fadiga. Ela provavelmente acabaria desmaiando se mantivessem aquele ritmo por mais tempo – se duvidar, apertaria o cabo da espada mesmo inconsciente.

Neji e Hinata tinham um longo histórico de fugir do palácio Hyuga para sessões de duelos noturnos. Por ser mulher, Hinata jamais teria permissão para ser treinada, mas o primo dava-a lições há muitos anos, a medida que as aprendia durante os treinos diurnos. Ele era um gênio; incansável e insistente.

Lembrar do porquê começara a treinar Hinata o fazia querer rir e, ao mesmo tempo, chorar. Aquele era um erro que não deveria ter sido cometido. Porém, quando o Hyuuga se deu conta disso, era tarde. A prima, antes uma sementinha zangada, se tornara uma árvore de proporções estratosféricas de pura rebeldia. Nunca em toda a história do clã Hyuga uma mulher se impusera como Hinata se impôs ao patriarca da família. E por mais que pudesse soar excitante, a realidade batia à porta. Neji temia pela vida da prima, por mais que ela própria não conseguisse temer coisa alguma.

"Preciso falar sobre isso” Neji pensou consigo.

Todavia, o mais velho sabia que a única forma de conseguir conversar seria encerrando o duelo com força e astúcia, visto que as palavras do primo já não mais afetavam Hinata.

Para quem treinava poucas horas escondida com um primo inexperiente, se comparado ao general responsável pelo treinamento dos soldados do clã, Hinata tinha uma boa técnica. Insuficiente se comparada aos soldados de fato treinados, claro, mas promissora visto as condições as quais se encontrava. Nos últimos treinos, Neji, inclusive, tentava pensar em alguma solução para tornar os movimentos da prima menos previsíveis.

Recordando-se das fraquezas da garota, o jovem guerreiro sorriu ao tomá-las como modo de finalizar o duelo. Num súbito movimento, após uma defesa bem executada, Neji baixou a espada, mirando nas pernas da jovem. A moça, porém, ágil como uma lebre, além de defender o movimento, desferiu um chute nas costelas do adversário. A previsão do Hyuuga havia se concretizado, afinal. Isso poderia render um sorriso de vitória se a situação não refletisse o péssimo sensei que Neji vinha sendo.

Ao defender o golpe, Neji agarrou o membro inferior da prima, forçando-o. Os dois foram ao chão. O mais velho com uma nítida vantagem sobre a mais nova. Inconformados, os orbes de Hinata queimavam na fúria do Byakugan. Não era necessário possuir o dom único do clã para enxergar que a morena se recusaria a desistir. Mesmo assim, Neji interrogou:

— Rende-se?

— Jamais! – ela berrou como resposta.

Decidida a continuar lutando, Hinata pôs a espada na horizontal para empurrar os ombros do primo, assim como encaixou o pé entre a cintura e a coxa do rapaz. Ela rangia os dentes e rosnava como um animal; por isso tantos pretendentes saíram correndo, Neji lembrou. Apesar dos modos cada vez mais rústicos, Hinata não conseguia amedrontá-lo, tampouco deixar de ser graciosa aos olhos do rapaz. Muito pelo contrário – até o sangue nos olhos da dama o deixava fascinado.

— Neste caso... – o guerreiro suspirou. – Rendo-me!

— Como, "rendo-me"?! – Hinata indagou, indignada.

Apesar do corpo estendido no chão, da mão que ainda segurava firme a espada e o bico de birra no rosto, a garota contemplava a imagem do sensei se recompondo. O modo como ele arrumava o quimono sobre o corpo parecia tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Por mais que se tratasse apenas dos movimentos naturais de Neji, a moça conseguia ver o quão ele deixava transparecer a segurança e estabilidade, tais qualidades que Hinata reconhecia não ter. E talvez nunca viria a tê-las.

Por muito tempo, a jovem Hyuuga acreditou que se tentasse copiar os feitos do primo, conseguiria uma vida igual a dele; fora da Sala das Mulheres, livre das tarefas femininas com Hanabi, a irmã mais nova. Entretanto, os sonhos rumam para dois caminhos: eles se realizam ou eles morrem. A própria Hinata matara o sonho de sair do posto de mulher submissa tentando copiar o primo. Com o decorrer dos anos, a garota amadureceu o suficiente para entender como tudo funcionava. Ela fora destinada ao posto o qual estava por nascer mulher.

Por isso a dama continuava lutando: se existia alguém capaz de nadar contra a corrente para tirá-la daquele posto, esse alguém seria Hyuuga Hinata.

— Exijo que volte aqui para que terminemos a batalha de forma digna! – ela deu o último brado que os pulmões cansados conseguiram suportar.

Neji, ao vê-la ofegar, sorriu.

— Hinata-sama, a senhorita sabe que neste lugar o sensei sou eu. – o rapaz fez questão de lembrar. – Portanto, sua autoridade sobre mim se torna nula até voltarmos ao palácio.

— Do que adianta voltarmos ao palácio se não posso desafiá-lo para um duelo? – a moça resmungou, mas o primo fingiu não ouvir.

Por um lado, o jovem Hyuuga sentia-se seduzido pela ideia de tentar apaziguar a insatisfação da senhorita, por outro, tinha ciência do quão a disciplina era necessária para o tipo de treinamento o qual os dois se submetiam. Tentando não ser rigoroso demais e nem afetuoso demais, Neji tomou a espada de Hinata com uma mão e ofereceu a outra para erguer a donzela. Com o lábio amargo, ela recusou a ajuda e ergueu-se por si mesma.

O músculo do maxilar de Neji respondeu ao momento de tensão.

— Temos de ir, não? – indagou a donzela.

— Sim, temos de ir. – ele concordou.

Com a concordância do primo, Hinata marchou até as enormes raízes da Árvore Centenária – sempre costumavam treinar próximos a esta. O quimono da donzela lá repousava, apenas esperando para ser vestido mais uma vez. Eles sempre seguiam o mais comum dos protocolos: Neji, cumprindo o papel de soldado, guardava a porta do quarto da prima. Hinata retirava o embrulho das tábuas soltas do piso e, ainda dentro do quarto, indagava num sussurro se era ou não seguro sair. Se o rapaz não respondesse, significava que ainda não era seguro. Se respondesse, os dois se esgueiravam para fora do palácio e iam para debaixo da Árvore Centenária. Hinata retirava do embrulho a roupa de treinamento e trocava-se atrás da árvore. Só assim iniciavam o treino. Antes de voltarem, porém, a moça tinha de fazer o caminho inverso com o quimono no corpo. Afinal, seria mais convincente dar uma desculpa para algum guarda se a donzela estivesse vestida como tal.

Se fossem descobertos, bem... os dois seriam condenados à morte.

— Hinata-sama?

— Sim?

— Podemos conversar?

Atrás do tronco da grandiosa planta, a moça terminou de ajustar o quimono ao corpo. Em todas as trocas de roupa, o cérebro de Hinata costumava a sabotá-la com pensamentos impróprios. O mais recorrente deles era a fantasia do primo decidir contemplá-la durante a muda de roupas, ajoelhar-se na relva úmida e declarar amor eterno. Eles teriam conjuntura carnal ali mesmo e se casariam no dia seguinte, prometendo um ao outro guardar a desonra como segredo. A moça sabia o quão era errado ter fantasias como aquela, mas não conseguia bani-las da mente. Sempre esfregava o rosto a fim de se recompor antes de dar as caras com a roupa adequada e iniciar o treinamento. Ela sentia as bochechas queimarem e evitava contato visual no início do treino, quando o primo explicava o que precisava ser melhorado na técnica da garota e quais exercícios fariam. Ele parecia nem notar o rubor. Mas isso era algo que a moça não podia afirmar com total certeza, já que os olhos do primo tudo pareciam ver, e os dela apenas contemplavam a figura enigmática do sensei.

— Sim, podemos conversar. – ela confirmou ao ressurgir com o quimono no corpo e o embrulho em mãos. – Sobre o que se trata?

— Seu casamento.

De repente os ombros da moça pesaram uma tonelada. Aquela era a questão que andava afligindo todos os seus dias e noites. Algo que ela pretendia esquecer por um momento nos treinos com Neji.

— Qual casamento, senhor? Nem pretendente tenho.

— Hiashi-sama trouxe ao palácio dez pretendentes e a senhorita pôs os dez para correr. – Neji lembrou-a. – O último, inclusive, fugiu da senhorita ao ser ameaçado com um jarro de flores.

— Eu não ameacei: joguei o jarro nos pés dele. – ela corrigiu. – E, a propósito, como poderia chamar homens assim de pretendentes? Se eles fogem com a ideia de ter um jarro quebrado na cabeça, como saberei que me protegerão numa situação de perigo?

— Hinata-sama, a senhorita não precisa de proteção! Sabe empunhar uma espada quase tão bem quanto eu.

A donzela não pode deixar de enrubescer com o elogio do primo, mas prosseguiu.

— Mas ninguém além do senhor sabe disso!

Então ele suspirou e passou a mão entre os enormes cabelos. Por um instante o pesar atingiu a consciência da moça; aquela era a mesma expressão que vira o pai fazer. Estaria ela aborrecendo Neji assim como fazia com o pai?

— Imagino que tenha ciência das regras do clã e o que acontece quando uma moça recusa o matrimônio.

— Sim, estou a par. – ela soltou o ar pela boca em silêncio. – Meu pai disse que me executaria caso rejeitasse mais um pretendente. Então pensei um pouco e resolvi que casarei para salvar minha vida.

Traços de um súbito alívio atingiram o rosto de Neji, todavia não perduraram por conta da próxima fala da prima.

— Porém, jurei a mim mesma jamais permitir que um homem sujo me trate como uma fera. Não servirei para dar crias por cima de crias, aberrações para lutar pela bunda do senhor feudal. – ela disse de queixo erguido, por mais que suas palavras soassem rudes demais para uma dama. – Sim, deixarei que me casem com o próximo pretendente, mas, quando chegar a noite de consumar o casamento, cortarei a garganta dele e direi que os soldados do feudo inimigo se esgueiraram pelo palácio e mataram meu marido.

O estômago de Neji revirou; ele conseguia enxergar seriedade na promessa da prima. Ela com certeza faria. E esta era a ironia maior: ele, o rapaz que tanto treinara a jovem Hinata e que tanto incentivara a rebeldia da garota, em breve estaria não só na cama dela, como também com a faca no pescoço. Literalmente.

❅❅

Chegado o dia de conhecer o novo pretendente, Hinata foi atingida pelo desespero. Neji não estava vigiando seus aposentos, muito menos a escoltando entre as portas lilases e as escadarias vermelhas do palácio. Enquanto cruzava os corredores até o salão cerimonial, as pernas da garota não paravam de tremer. E se alguém tivesse delatado sobre os treinamentos secretos com Neji? E se o chamado não fosse mesmo para conhecer um novo pretendente, e sim para forçá-la a presenciar a execução do primo? A jovem Hyuuga, delicada e sutil, usou a manga larga do quimono para enxugar a testa suada, fruto do nervosismo extremo.

Assim que chegou ao destino, Hinata se postou ao lado do patriarca, como regia a tradição. Nada na face do pai revelava raiva, rancor ou qualquer emoção negativa. Tudo o que os olhos da menina podiam ler no rosto do genitor eram linhas de cansaço e, no máximo, impaciência. Mas poderia ela confiar nos próprios olhos? Afinal, o pai, quando jovem, fora treinado com um general, assim como todos os homens da família. Ela apenas tomava algumas lições.

Hinata engoliu a seco, as mãos apertadas e as unhas beliscando as palmas. Os olhos marejados brilhavam ao passo que o peito doía por ter de prender o ar e o choro. Ela precisava manter a postura, apesar de não ter o cérebro como colaborador, já que diversas imagens do primo sendo executado não paravam de pipocar em sua mente. O lábio inferior tremia sem controle; quando pensou que não poderia mais suportar a pressão, as portas do salão se abriram.

— Bem vindo, Hyuuga Neji. – disse o patriarca Hyuuga.

Hinata libertou o ar preso nos pulmões, franzindo a testa ao fazer duas constatações ao mesmo tempo. Se o pai estava cumprimentando Neji de modo tão cordial, significava que aquela não era uma reunião para declarar uma sentença de morte, tampouco para executá-lo ali mesmo. Porém outros dez convidados à Sala Cerimonial foram cumprimentados da mesma maneira. Isso significava que Neji e os pretendentes estavam na mesma posição.

— Feche a boca. – Hiashi murmurou para a filha perplexa, que juntou os dentes de cima e de baixo num estalo.

Por alguns segundos, os primos se encararam com surpresa. Hinata levou as mãos com rapidez para impedir as lágrimas solitárias de escorrerem pelo rosto alvo. Mesmo que a conclusão estivesse bem diante dos seus olhos, o âmago da jovem Hyuuga parecia não ter sentido o impacto da situação. Não conseguia acreditar que era verdade.

— Como consta no livro das leis sagradas escritas pelos antigos patriarcas e mestres feudais, a mão da dama deve ser entregue a alguém do clã caso não haja outro pretendente digno. – após uma breve pausa, o homem prosseguiu. – Salientando que, caso a mão da dama seja entregue a algum membro do clã, este deve ser o mestre da ramificação secundária, possuidor da espada sagrada. Hyuuga Neji, filho de Hyuuga Hizashi, herdou a espada do pai após a morte deste. Sendo assim, cabe a Hyuuga Neji desposar Hyuuga Hinata. – mais uma pausa cronometrada e o pai continuava com o discurso. – Porém, Hyuuga Hinata, apesar de mulher, pertence a elite da ramificação principal. Isto é, tem direito de escolher se quer ser desposada pelo pretendente que aqui se encontra.

O silêncio inundou o salão. Todas as palavras do pai pareciam ruflar ao redor dos ouvidos da moça, não adentrando o canal auditivo, muito menos o cérebro da garota. O tempo parecia ter congelado, assim como a espinha fria da jovem. Irreal, tudo tão irreal. Ela estava prestes a se beliscar para voltar à realidade, mas não sabia ao certo se era isso que queria.

— Qual é a sua resposta, Hyuuga Hinata? – o pai indagou em alto e bom tom. – Prefere ser executada ou casar-se com Hyuuga Neji?

Pela primeira vez, Hinata conseguia enxergar o nítido sentimento expresso nos olhos do primo. Expectativa, ansiedade, medo. As sobrancelhas contraídas de leve, o maxilar tenso e o crispado lábio amargo. Ele temia que ela recusasse o matrimônio mais uma vez, temia por ouvir um não e assistir a fúria do patriarca sobre a menina. Neji sabia que se isso acontecesse, ele também seria executado por tentar defendê-la. Assim como Hizashi nascera para proteger Hiashi, Neji nascera para proteger Hinata. O rapaz prometeu a si que o faria até o final de seus dias.

— Casarei com Hyuuga Neji. – respondeu a dama.

— Sendo assim, faremos a cerimônia amanhã. – ao receber um olhar de espanto, Hiashi sussurrou. – Não te darei tempo para mudar de ideia.

Ela sentiu algo queimar dentro de si. Por um segundo, Hinata se prestou a imaginar como suas ações seriam diferentes se Neji não fosse o décimo primeiro pretendente. Neste contexto, haveria grandes chances de ter sangue espalhado por todo Salão Cerimonial. Com a pressão do pai, talvez ela acabasse surtando e pegando um caco de um jarro para assassinar o futuro marido ali mesmo. Claro, ela seria executada logo em seguida, mas tinha uma vaga impressão de que, neste cenário, valeria a pena até mesmo tentar contra a vida do patriarca do clã.

Na tentativa de não transparecer o ódio escondido, espremido e acumulado no coração, Hinata apenas sorriu para o pai e encarou o agora noivo antes que este fosse retirado do salão pelos guardas do clã. Os dois pares de olhos iguais dividiram uma cumplicidade gostosa, ambos tomados pelo alívio e uma súbita vontade de sorrir. Então ele esfregou de leve o polegar no queixo duas vezes, fazendo-a assentir e baixar a cabeça. O coração de Hinata bateu como louco. Ela não sabia o que ele pretendia, mas encarou o convite como uma oportunidade única.

Por fim, os guardas do clã levaram Neji para fora do salão, assim como o guarda particular de Hinata a escoltou até a Sala das Mulheres. Hanabi estava sentada bordando alguma coisa sem importância, ela adorava todas as atividades as quais Hinata detestava do fundo do coração. Porém, aquela foi a primeira vez que a morena não revirou os olhos ao entrar no cômodo e ver a irmã com uma agulha na mão.

— Bom dia, Hinata-onee-san. – cumprimentou Hanabi como de costume. Não demorou para que os olhos Hyuuga da garota captassem algo diferente jogado ao ar. – Nossa, aconteceu algo bom hoje?

— Pode ter certeza! – um sorriso autêntico estampou o rosto da mais velha. – Hoje é um lindo dia. Lindo!

❅❅

A brisa noturna soprava fora dos aposentos de Hinata. Sentada no assoalho, a jovem permanecia atenta e com a cabeça encostada na parede a fim de detectar a presença de Neji. Ruborizado estava o rosto, que entre as mãos pálidas se escondia ao passo que contínuas risadinhas ondulavam o ar. Durante a tarde a garota não conseguiu parar de pensar em todas as coisas que queria dizer, além do esclarecimento de que não pretendia matar Neji antes da noite de núpcias, claro. Todavia, enquanto esperava, a morena não deixou de se perguntar se o primo havia pensado nela como ela havia pensado nele.

Neji fora convocado, afinal. Apesar de homem, o rapaz pertencia a ramificação secundária. Membros da família secundária eram submissos às vontades da elite. Isto é, ele teria de casar com ela mesmo que contra a própria vontade, se essa fosse a ordem do patriarca. Após horas a fio pensando apenas em si mesma, Hinata se dera conta que não pensara na felicidade de Neji ao aceitá-lo como noivo. Claro, ela seria executada se o rejeitasse, mas Hinata preferia morrer a prendê-lo consigo numa vida infeliz.

Finalmente a moça sentiu as duas ondulações na madeira: o sinal! Hinata se pôs sobre os dois pés, em seguida executou os selos. O movimento súbito do chakra fazia a pele arder, em especial ao redor dos olhos.

— Byakugan!

Antes de executar a fuga, a jovem analisou o terreno. O responsável por dar o sinal não fora Neji, e sim outro guarda. Pelo movimento anormal do chakra, Hinata podia concluir que Neji usara a espada sagrada para manipulá-lo. Muitos guardas estavam vigiando o palácio naquela noite, talvez algum resolvesse conferir se Hinata estava de fato em seus aposentos. Mais selos foram executados.

— Kage Bunshin no Jutsu!

Uma cópia idêntica de Hinata surgiu nos aposentos.

— Se algum guarda bater na porta, atenda! Ponha a cabeça para fora e faça a maior cara de sono que puder. Caso ele fique de conversinha, diga que tem de estar bonita para o seu noivo amanhã, certo? – o clone concordou com as orientações. – Conto com você! E fecha o chão para mim quando eu sair, tá? Obrigada.

Após vestir uma capa protetora, Hinata retirou quatro tábuas do assoalho e se espremeu no minúsculo espaço entre o solo e o piso de madeira. Assim que o clone recolocou os pedaços soltos, a moça iniciou o enfadonho e desagradável processo de se arrastar como uma minhoca até o outro lado do palácio, onde Neji a esperava com outro guarda sob o domínio da espada sagrada. Sem sombra de dúvidas, Neji era um homem de planos perfeitos. Mesmo após vários anos realizando fugas para frequentar treinamentos militares clandestinos, eles nunca foram pegos. Ser treinada fora pedido de Hinata, mas todo o plano de fuga havia saído da cabeça do primo.

Do outro lado do palácio, com a espada em punho, o coração de Neji não só palpitava pelo medo de ser descoberto, como também por avistar a prima se aproximando. O discurso ensaiado fluía perfeito na memória, mas o rapaz não sabia se conseguiria ser claro no momento certo. Muito menos se conseguiria voltar vivo ao palácio. Todavia, Neji considerava como um risco que valia a pena correr. Hinata poderia ser forte, mas não o suficiente para matá-lo.

Neji engoliu a seco quando a cabeça encapuzada da prima emergiu do chão. Como um bom cavalheiro, ajudou-a a se erguer e fechou a passagem enquanto a moça retirava a capa suja de terra. Virando do avesso e formando um embrulho, Hinata repousou o tecido no colo. Uma careta fofa tomou conta do rosto da jovem. Ela não era acostumada a usar o jutsu ocular tanto quanto Neji, os olhos lacrimejavam de leve.

Som algum podia ser emitido pelos lábios dos dois quando estivessem em fuga. Era outra regra.

— Por acaso o senhor me convidou para treinar? Acabei de me dar conta que esqueci da roupa de treinamento no quarto. – ela apenas moveu os lábios.

— Quero apenas conversar. – ele respondeu com um sorriso cordial.

Curta e silenciosa foi a caminhada. Hinata pressionava o embrulho contra o peito, apreensiva. Neji tentava não encarar a prima enquanto caminhavam. O feudo deles estava em guerra, afinal. Fora do palácio, inimigos poderiam estar a espreita. O rapaz, inclusive, lamentava este fato. Hinata e ele eram muito jovens quando começaram os treinamentos secretos; Neji concordara em treiná-la sem considerar os riscos corridos por estarem fora da área de atuação dos Hyuuga. Mas, após se atentar à tal questão, ele percebeu que Hinata jamais concordaria em parar de treinar por aquele motivo. Afinal, se ela não temia o próprio pai, por que temeria combater vagabundos de outro feudo?

Os pares de olhos iguais avistavam a Árvore Centenária. O lábio inferior de Hinata tremia, Neji sentia a pele formigar; nem um, nem outro reagia ao frio, e sim pelo conteúdo que preenchia cada coração. A dama temia que o primo fosse infeliz consigo, o rapaz temia uma série de coisas. Também temia temer.

Ao se postarem abaixo da copa da Árvore Centenária, Hinata repousou o embrulho em uma das grossas raízes. Ela aspirou o ar, e em seguida ouviu a respiração descompassada do primo. Por um minuto a garota fechou os olhos com força, desejando que Neji estivesse apenas cansado da caminhada, e não tentando conter o choro por ser obrigado a passar o resto de sua vida atado a um casamento coagido. A garganta persistia em travar as palavras, porém a dama persistiu:

— Então, e-eu...

O baque dos joelhos na terra fofa capturou a atenção de Hinata por completo. Neji havia acabado de se curvar; as mãos tocando o solo e o olhar cerrado. O tom de voz era tão alto e desesperado que a garota deu um passo para trás.

— Perdoe-me, Hinata-sama, sei que não sou digno de desposá-la! Todos esses anos venho arriscando a vida da senhorita mais do que vim protegendo-a. Poderia ter sido morta por soldados de outro feudo enquanto caminhávamos à noite, poderia ter sido executada por Hiashi-sama, pois fiz a senhorita se distanciar de todos os princípios do clã quando iniciamos este treinamento ilícito. Peço perdão! Suplico perdão!

O quadril de Hinata encontrou o solo, assim como a pálida e calejada mão encontrou a boca do primo.

— Fale mais baixo! – ela o censurou.

Neji sentiu o rosto queimar de vergonha. Nunca em toda a sua vida se sentira tão miserável, tão patético. Pedir perdão por colocá-la em risco enquanto a fazia correr riscos? Que genial, Hyuuga Neji!

— Se isso fizer com que se sinta melhor: eu o perdoo. – ela iniciou, a calma posta na voz era um atributo que a garota nem ao menos sabia que possuía. – Porém não posso permitir que continue se taxando como o culpado por tudo. Eu pedi pelo treinamento, não foi ideia do senhor.

— Mas o soldado sou eu, que deveria ter previsto todos os riscos!

— Éramos jovens demais!

— Eu poderia ter pedido para pararmos, mas não o fiz! – envergonhado demais para olhar a prima na cara, o jovem Hyuuga permaneceu cabisbaixo. Repousadas no colo estavam as mãos. – Todo os dias, quando a escoltava para a Sala das Mulheres, conseguia sentir o desgosto da senhorita. Então, quando me pediu o treinamento, não consegui recusar. E quando me dei conta dos riscos, não consegui parar. Queria deixá-la feliz de alguma forma, já que o seu odioso pai só a fazia sofrer!

Por um segundo sequer ele havia perdido o controle. Perceptível foi o ruído de espanto vindo da garota, que aspirou o ar sonoramente. Os orbes de ambos arregalados, estáticos. Neji cerrou os punhos e disse:

— Precisamos ir embora!

— Não, senhor! – exclamou Hinata ao bater as mãos nos punhos cerrados de Neji, como se tal gesto fosse dotado de força bruta para fazê-lo ficar. Ele, porém, não se moveu. – Fique aqui e continue. Diga por que o odeia.

— Hinata-sama... não sou traidor do clã, garanto!

— Bom, sobre essa questão... – a morena torceu a cara. – Está meio tarde para dizer isto. Porque nós dois nos comportamos como traidores do clã. Já infringimos tantas leis que nem uma corda gigante com inúmeros nós seria capaz de enumerar quantas vezes fomos uma desonra.

— Por isso devemos parar!

Hinata estalou a língua. O primo nunca vira algo tão vulgar, até mesmo se tratando da prima quando saía do palácio. Porém, ele não sabia o porquê de gostar daquilo.

— Ah, vamos, Neji, não seja chato! Que diferença faz o que você fala dele? Não tem mais ninguém aqui! – a jovem apontou para os arredores, onde só havia plantas e insetos sacolejando de acordo com o vento. – Somos bons em guardar segredo, lembra?

Os ombros encolhidos indicavam receio. Então, Neji lembrou do casamento no dia seguinte. Se eles seriam marido e mulher em poucas horas, talvez fosse a hora de abrir o coração.

— Eu o odeio porque... por culpa dele a senhorita quase foi entregue nas mãos de um estranho. Por isso, sempre ficava feliz quando a senhorita botava os pretendentes para correr. Eu senti ciúmes todas as vezes em que cada um dos patifes ousou olhá-la no rosto. Já tentei me conter, mas um peso saía do meu peito todas as vezes em que a senhorita quebrava um jarro fora do Salão Cerimonial bem nos pés dos covardes. Suspeito ter sentido alívio, pois, quando os via fugir, sabia que a senhorita teria alguns dias para sorrir de novo, Hinata-sama. Entretanto, os pretendentes acabaram. Quando viemos treinar há poucos dias, eu já sabia que seria convocado por Hiashi-sama. Por isso conversamos sobre o seu casamento, mas não imaginava o quão a ideia do matrimônio a deixava infeliz. Não quero deixá-la infeliz como há anos o seu pai vem fazendo.

Um sorrisinho terno pintou os lábios de Hinata.

— Ter de me casar com o senhor não me faz infeliz.

— Não?!

Ela negou com a cabeça, entonando um adorável "hum-hum". Uma onda de choque cheia de felicidade acertou em cheio o peito de Neji. Ele nunca se sentira tão bem por estar enganado.

— Nossa, eu passei a tarde inteira elaborando um discurso para consolá-la e agora... bom, eu não sei o que dizer.

Com um sorriso singelo, Hinata fez uma confissão.

— Não estou numa situação tão diferente. Fiquei a tarde toda pensando em tanta coisa para dizer, mas só me recordo de avisar que não irei matá-lo enquanto dorme ou coisa parecida.

Mesmo com a lembrança da macabra promessa de Hinata, os dois riram como se fosse algo há muito tempo dito. Longínquo, sem valor. De fato, era. A garota, no momento que proferiu aquelas palavras, era como um animal ferido e ameaçado. Ela tinha de rugir se quisesse sobreviver. Porém, já não mais havia motivos para perpetuar tal comportamento. Apenas as mãos de Hinata sobre as Neji, nada mais.

Ela ainda não conseguia acreditar em seu êxito ao fugir de dez pretendentes, ele ainda não conseguia acreditar em como o treinamento fora importante para mudar o destino de ambos, eles ainda não conseguiam acreditar no quão traidores do clã eram, muito menos em como nunca foram pegos em flagrante e executados. Hinata não conseguia acreditar no quão romântico o momento soava, Neji não conseguia acreditar no que estava prestes a fazer.

— Eu te amo. – ele moveu os lábios sem som.

Por um momento o mundo ao redor parou. Analisando os recentes acontecimentos: Neji e ela estavam nas raízes da Árvore Centenária, ele se ajoelhou e havia acabado de se declarar. No dia seguinte, os dois estariam casados. Um item apenas não constava na lista do momento o qual Hinata sempre sonhou.

Sem pensar duas vezes, a jovem se debruçou sobre o primo e tomou os lábios dele; a urgência do ato compreendia-se entre a doçura e o tesão acumulado. Há quantos anos os dois se reprimiam, afinal? Quando o rapaz percebeu que a prima desfazia o laço que prendia o quimono ao corpo, segurou-a pelos ombros e a fez recuar.

— Eu também te amo. – ela disse em alto e bom som, a boca que arfava pedia por mais. – Mas não consigo mais esperar.

— Vamos infringir as regras do clã mais uma vez. – ele constatou por obrigação moral, por mais que estivesse louco para quebrar as regras.

— Não vejo problema algum nisso, pois nos casaremos amanhã, Neji. – ela lembrou ao arrastar a mão sedutora pelo rosto do primo. – Ninguém precisa saber.


❅❅

Esta fanfic está disponível no Nyah! e foi publicada pela usuária Morangochan (eu).

31 de Enero de 2019 a las 14:55 12 Reporte Insertar 9
Fin

Conoce al autor

Saah AG Nasci em Fortaleza, sou aquariana e adoro inovar. Entrei em contato com o universo fanfiction aos nove anos e passei a ser leitora e autora desse meio. Adoro tramas bem construídas, reviravoltas são incríveis, mas alguns clichês também chegam a me emocionar.

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Melinda Clemente Melinda Clemente
aaaa gente que amooooor, você não tem ideia de como eu fiquei feliz ao encontrar essa história 😆 depois de tantoooo tempo sem ler uma boa fic nejihina (naruto otp sem duvida) pude ler essa maravilha, simplesmente amei💕 não vejo a hora de ler mais histórias suas e super apoio outras (de preferencia uma que trabalhe por mais tempo a narrativa do sentimento platonico entre eles pq AMO, ms isso é só preferencia minha, faça como achar que ficará melhor é claro 😊) boa sorte em outras fics, até mais ver 😘
19 de Abril de 2019 a las 11:53

  • Saah AG Saah AG
    Pois é, comecei uma onda NejiHina depois de fazer a primeira (que foi essa) e meio que me viciei no casal. E muito obrigada pelos elogios. É muito gratificante receber comentários de estímulo como os seus; eles me animam a continuar escrevendo. Recomendo a fic "Como eu perdi dois tufos de cabelo", pois ela meio que atende o seu desejo de ver esse sentimento platônico na narrativa. E, de todo modo, mesmo que você não consiga sentir o sentimento platônico, vai acabar rindo do mesmo jeito :v Obrigada por ler e comentar 🥰 19 de Abril de 2019 a las 16:10
Marchetti ! Marchetti !
Aaaah que Kawai *-* Eu amei essa personalidade da Hinata, e esse Neji é maravilhoso! Fiquei apaixonada pelo seu conto! Me rendeu vários suspiros! Bjs
21 de Febrero de 2019 a las 18:01

  • Saah AG Saah AG
    Eu tentei um road to ninja adaptado a ocasião pra Hinata e o Neji foi o de sempre. Obrigada por ler e comentar <3 Fico feliz que tenha gostado. Eu tava um tanto quanto insegura com essa fic porque foi a primeira vez que escrevi algo de época. 24 de Febrero de 2019 a las 15:59
Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados de sua história: 1)Uso do presente do subjuntivo em uma narração escrita no pretérito, como "Por mais que possa soar excitante" em vez de "Por mais que pudesse soar excitante" 1) Falta do emprego da crase, como "a realidade batia a porta" em vez de "a realidade batia à porta", em "voltar a realidade" em vez de "voltar à realidade" e em "enquanto caminhávamos a noite" em vez de "enquanto caminhávamos à noite". Emprego incorreto de crase em "visto às condições" em vez de "visto as condições". Falta de acento em verbo com pronome obliquo em ênclise, como "desafia-lo" em vez de "desafiá-lo" e "defende-lo" em vez de "defendê-lo". Falta de acento, como em "inicio" em vez de "início", "pode em vez de "pôde". 2) Falta de concordância em "o quão ele deixava transparecer a segurança e estabilidade, tais qualidade que" em vez de "o quão ele deixava transparecer a segurança e a estabilidade, tais qualidades que". Observar a construção de "eles se realizam e eles morrem" por "eles se realizam ou eles morrem". Revisar fase "tinha ciência do quão disciplina era necessária" em vez de "tinha ciência do quão a disciplina era necessária". Falta de concordância em "o pai, quando jovem, fora treinada" em vez de "o pai, quando jovem, fora treinado". 3) Falta de vírgula em oração invertida grande, como "Com o decorrer dos anos a garota..." em vez de "Com o decorrer dos anos, a garota...". Falta de vírgula em elemento explicativo, como em "Hinata se postou ao lado do patriarca como regia a tradição" em vez de "Hinata se postou ao lado do patriarca, como regia a tradição". Vírgula depois de "porém" quando não usado em oração invertida ou intercalada, como em "Porém, os outros dez convidados" em vez de "Porém os outros dez convidados". Falta de vírgula em oração invertida; "Neji sabia que se isso acontecesse ele também seria executado" em vez de ""Neji sabia que se isso acontecesse, ele também seria executado". Aconselho que procure um beta reader; é sempre muito bom ter alguém que possa nos ajudar com a ortografia e também com uma opinião sobre nosso trabalho, e é isso que um beta faz. O Inkspired já está disponibilizando betas, então pode pedir betagem pelo Serviços de Autopublicação caso tenha interesse. Bom, devo dizer que gostei muito da sua história. Sempre gostei bastante desse casal, e a fluidez da sua escrita realmente impressiona. Os erros estão bem simples de consertar e também são poucos se considerarmos o tamanho da história. Basta responder esta mensagem quando tiver corrigido a história para que eu faça uma nova revisão; será um prazer lê-la novamente. Bjs!
20 de Febrero de 2019 a las 17:20

  • Saah AG Saah AG
    Acabei de corrigi-los. Muito obrigada por listá-los, facilitou bastante na hora da correção. Ficarei mais atenta a esses erros; a maioria foi bobo e cometido por desatenção. Enfim, obrigada por ler <3 23 de Febrero de 2019 a las 15:13
  • Karimy Karimy
    Prontinho! Ah, nem esquenta, todos erramos! Já espalhei suas histórias pras amigas! <3 23 de Febrero de 2019 a las 16:00
  • Saah AG Saah AG
    Oown, muito obrigaaada!! <3 24 de Febrero de 2019 a las 15:13
pure ether pure ether
Consegui esse tempo pra ler a sua fic! Eu estava sedenta! E ultrapassou todas as minhas expectativas! Adorei, a Hinata revolucionária, o Neji todo gentil e preocupado... ❤️ você arrasou!
3 de Febrero de 2019 a las 09:34

  • Saah AG Saah AG
    Muito obrigada por separar um tempinho para ler a fanfic, muitíssimo obrigada por ler e comentar <3 3 de Febrero de 2019 a las 09:53
Azarashi Onna Azarashi Onna
Que tiro foi esse, Saah? Escrita maravilhosa, o enredo me prendendo e eu vomitando arco-iris sempre... Adorei essa Hinata rebelde e determinada! E que sorte em Neji ser o noivo? Parabéns pela fic, bb <3
1 de Febrero de 2019 a las 19:03

  • Saah AG Saah AG
    AAAAAA, muito obrigada!! Eu senti que tinha que fazer uma personagem feminista, porque não gosto de escrever sobre mulheres submissas (a não ser que haja evolução da personagem). Muito obrigada por ler e comentar <3 3 de Febrero de 2019 a las 09:47
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