Franjinha Seguir historia

noveluas Taynara C

Uma franja mal cortada pode ser o fim do mundo, e era isso que Cecília sentia. Ela só havia esquecido que namorava Luana, a rainha das franjinhas caseiras.


LGBT+ Todo público.

#lgbt #lésbico #wlw
Cuento corto
9
1717 VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Eu tô horrível!

Luana entrou em casa perto das nove da noite, e ainda da porta conseguia ouvir os murmúrios de reclamação de Cecília. Deixou a mochila cor de rosa sobre o sofá e foi em busca do som.

— Cecí? — chamou baixinho.

— Hum... — resmungou. A voz vinda do banheiro.

Luana caminhou até o cômodo e encontrou uma Cecília vermelhinha e chorosa.

— O que foi, meu dengo? — questionou, sem perceber nada que poderia causar o choro.

— Não finja que não tá vendo! — reclamou, virando o rosto em direção ao espelho. — Eu tô horrível!

A mais velha estreitou os olhos, encarando o rostinho bonito da namorada pelo espelho e precisou de alguns segundos para realmente reparar na franja — desastrosa — que não estava ali quando ela deixou o apartamento naquela manhã.

— Meu deus, Cecília! — exclamou assustada, não entendendo o que levou a mais nova a cometer aquela loucura.

— Eu sei! Tá horrível — disse mais uma vez, recomeçando a chorar.

A mais velha percebendo que não fora nada delicada, tratou de ir até ela e agarrar o rostinho banhado em lágrimas e dar logo uns beijinhos aqui e outros acolá.

— Não, não, não! É impossível que você fique horrível, meu amor!

— Sai, Lu! Pode ir embora... — O bico nos lábios aumentando cada vez mais, mesmo que parecesse impossível.

— Embora pra onde, doida? — questionou segurando o riso.

— Não vai querer uma namorada assim! — Lançou um olhar entre o furioso e o manhoso.

— Cecí, para com isso... — começou dizendo e segurou o rosto da loirinha para que pudesse observar o estrago. — Olha, eu com meus conhecimentos em franjas caseiras, sei exatamente como arrumar!

— Sabe, é?

Luana a olhou carinhosa e apenas assentiu, vendo Cecília fungar e concordar, como se sentisse o alívio lhe tomar o corpo. A mais velha abraçou a namorada mais uma vez, e a conduziu meio cambaleante até a beirada da banheira e fez sinal para que ela se sentasse.

— Mas vai ficar muito curta, não vai? — perguntou desgostosa.

— Você não ama Amélie Poulain? Pois vai ficar como ela, só que mais bonita ainda. — Lançou uma piscadela divertida, arrancando o primeiro sorrisinho da namorada.

— Ah tá, euzinha mais bonita que Audrey Tautou... — Torceu o nariz, fazendo a mais velha rir ainda mais.

— Sh! Fica quietinha, meu denguinho — ela disse, se aproximando com uma tesoura bem maior do que uma cabeleireira usaria. —, eu preciso me concentrar!

— Ai, deus te ajude!

Luana engoliu em seco e se aproximou da menina que franzia o cenho e apertava os olhos como se fosse ser atacada. A mais velha, vendo que daquele jeito ela cortaria não só a franja, mas também a sobrancelhas e uma parte dos cílios; riu soprado e depositou um beijinho na pontinha do nariz de Cecília, sobre sua pintinha bonita e disse:

— Relaxa... sou eu, okay?

Cecília sorriu, ainda de olhos fechados e fez o que foi pedido, relaxou o rosto e posicionou o rosto novamente. Os dedinhos tortinhos de Luana ajeitaram os fios sobre a testa da menina e com a outra aproximou a tesoura. Depois de alguns segundos de tensão, os primeiros fios deveras curtinhos caíram sobre o chão e a mais velha sorriu, o primeiro passo tinha sido perfeito.

— Continue assim, Cecí.

Ajeitou novamente, se afastou um pouco e fez suas medições, analisou o rostinho perfeito e voltou a se aproximar, e já mais confiante, cortou mais uma parte dos fios desregulados. Repetiu o processo mais uma vez e disse:

— Voilà, venha dar uma olhada!

Cecília abriu os olhinhos e encarou a namorada sorridente. Se levantou e foi até o espelho, mais lentamente do que o necessário, e olhou seu reflexo. Os olhos se abriram e o sorriso quadrado tão amado por Luana estava ali, mais uma vez.

— Lu!! — gritou, enquanto se virava e agarrava o pescoço da mais velha.

— Ei, ai... — reclamou do peso adicional.

A mais nova não se importou muito e ainda pendurada, uniu-se aos lábios gordinhos e convidativos de Luana.

Os dias naquele pequeno apartamento eram sempre assim, entre uma tempestade e um arco-íris. Às vezes era a mais velha que chegava em casa pronta para aniquilar o primeiro que cruzasse seu caminho, se debulhando em lágrimas no colo da outra loirinha, que a ajudava a pensar em mais xingamentos para quem quer que os merecesse.

Em outros, eram as duas que tinham os nervos à flor da pele e por isso passavam algumas horas sem trocar um único beijinho. Mas tudo sempre acabava em sorvete de morango e mais do que selares, na cama confortável que compraram na liquidação de fim de ano, quando se mudaram para o pequeno espaço.

As duas mocinhas sabiam bem como conduzir as situações inesperadas uma da outra, e era isso que elas sempre chamavam de amor, quando alguém lhes perguntava sobre como faziam para ter tamanha felicidade numa vida tão corriqueira. Mas geralmente eles não entendiam, não podiam saber o que Cecília via nos detalhes de sua Lu e muito menos o que Luana sentia ao poder salvar a franjinha de sua denguinho.

 

 

 

12 de Enero de 2019 a las 20:24 2 Reporte Insertar 6
Fin

Conoce al autor

Taynara C Tata, 24y

Comenta algo

Publica!
Tali Uchiha Tali Uchiha
Que coisinha fofa <3 melhorou meu dia <3
23 de Enero de 2019 a las 16:26

  • Taynara C Taynara C
    aii, fico muito feliz <3 23 de Enero de 2019 a las 20:20
~