When You Leave Seguir historia

noveluas Taynara C

Chegamos ao nosso limite às vezes, e isso não quer dizer desistir, chorar e amaldiçoar os céus. Pelo menos nem sempre. Em alguns dias, isso só significa ficar. |história postada no Spirit, como fanfic 'yoonjin'|


LGBT+ Todo público.

#lésbico #lgbt #wlw
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I Like It Anyway

Bianca olhava o corpo perfeito sobre os lençóis da cama, enquanto fumava um cigarro perto da janela, encolhida sobre a poltrona pequena. O cabelo azul desgrenhado, pelos dedinhos da garota que dormia tranquila. Ela deveria estar minimamente feliz em poder tocar sua menina mais uma vez. Mas isso era difícil quando ela sabia que assim que despertasse, Ana lhe daria um beijo nos lábios e sairia por aquela porta, dizendo que logo voltaria. Mas seu conceito de logo, era muito diferente do dela.

Depois de dar uma última tragada, Bianca deixou o cigarro de lado e voltou até a cama. Se deitou ao lado da garota e, muito devagar, acariciou seus fios rosas, não queria acordá-la por nada no mundo. Suspirou algumas vezes e sentiu mais uma vez o nó se formar na garganta. Queria dizer muitas coisas, pedir, implorar. Mas nunca o fizera, não sabia como lidar com a necessidade de fazer um pedido como aquele.

Bianca não conseguia dizer — fica.

O quarto estava sempre mal iluminado, contando apenas com a luz dos muitos letreiros neon que decoravam Hong Kong. O lugar para onde as duas foram juntas, depois de perceberem que nada fazia sentido, e o lugar onde se está também não importa muito. Ali elas não eram filhas de ninguém, amigas de ninguém. Basicamente não existiam, eram apenas fantasmas. Mas Ana era muito melhor em ser um fantasma. Escapava pelos dedos magros de Bianca como um. Sumia de vista como um e era fria como um.

Ela não tinha lugares para ir. Diferente da Ana, que saia de casa como se sua vida dependesse do ar poluído de fora. Andava pelas ruelas lotadas, passava por entre aquelas pessoas que não a enxergavam. E Bianca achava que era disso que ela se alimentava, do poder de estar em qualquer lugar e não estar. Ana era fumaça, surgia entre todos e sem que ninguém pudesse perceber, inundava os sentidos, alucinava, intoxicava.

Mas Bianca a via, em todos os lugares possíveis. Estava há muito tempo alucinada. Seu cheiro doce demais, sua pele macia, sua voz suave. Os lábios que não falavam nada, mas que diziam tudo que ela precisava saber, de um jeito ou de outro. E ali, ao lado dela, ressonando baixinho, os olhinhos pequenos, parte da pele a mostra, ela conseguia ter o mesmo efeito. Não era o tipo de garota que se transformava. Não. Ana era sempre a mesma.

Depois de um resmungo, seus olhos se abriram, piscando lentamente, focando no rosto pequeno e nos cabelos azuis que caiam sobre ele.

— Bia...

— Você tem que ir? — perguntou.

— Acha que tenho? — Já desperta, olhava fixamente para os olhos escuros a sua frente.

Bianca desviou o olhar, sem retirar a mãos dos cabelos cor de rosa, e disse:

— Você sempre tem.

A garota não podia ver, mas havia um sorriso nos lábios de Ana. Mas era impossível para qualquer um identificar o que eles diziam. Ela se ajeitou, se encaixando no corpo seminu de Bianca. Afundou o rosto na curva do pescoço da garota e depositou um beijo úmido e demorado. O arrepio percorreu todo o corpo de Bia, que fechou os olhos e deixou-se levar. Poderia ser o último em algum tempo.

— Bianca, eu sei que você tem algo a dizer — falou.

— Sabe? Então me diz.

— Não — negou e esfregou o nariz na pele branquinha do pescoço alheio. —, me diz você.

Ela afastou Ana por um momento, se deitou de frente para ela, queria olhar em seus olhos. Passou uma das mãos por suas costas, sentindo a maciez, vendo os olhos dela se fecharem e os lábios se curvarem num sorriso. Era bom saber que ela ainda tinha algum efeito. Levou seus lábios aos dela e os uniu. Por um tempo indeterminado. Depois se separou minimamente, ainda mantendo-se perto demais para que não fosse compreendida.

— Eu te odeio quando você vai.

As palavras saíram baixinho. Ana não expressou nada, continuou ali, com o rosto colado ao da menina, e só depois de um tempo se mexeu. Aproximou mais os corpos, entrelaçando-se a Bianca. A beijou, sem muita delicadeza, queria mais, queria a língua quente na sua, os lábios finos perdidos nos seus. A deixou sem ar, sem resposta. Mas não a deixou sozinha.

Naquele dia, Ana foi mais que um fantasma, mais que fumaça. Ela ficou. Deixou-se ser conduzida pela menina dos cabelos azuis por horas a fio. Não contestou nada, não questionou uma só vontade. Ela estava ali, como há muito tempo não fazia. E Bianca não poderia saber até quando aquilo duraria. Mas não se importava, aquela noite poderia ser infinita se acreditasse o suficiente.

E ela acreditou.

12 de Enero de 2019 a las 19:39 0 Reporte Insertar 0
Fin

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Taynara C Tata, 24y

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