Passeio pelas estações Seguir historia

lethwen Vanessa

Em um olhar úmido, todos podem ler a saudade que sinto. Mas vejo no meu sorriso o apego as minhas memórias agridoces de um beagle companheiro.


Cuento Todo público.

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Capítulo Único.

Passeio pelas estações

Capítulo Único



Em um olhar úmido, todos podem ler a saudade que sinto.


Mas vejo no meu sorriso o apego as minhas


memórias agridoces de um beagle companheiro.


O decorrer do tempo me fez sentir esses sentimentos estrangeiros. Dez anos atrás eu plantei uma memória de outono, quando toquei a pata quente e calorosa do meu beagle de estimação pela primeira vez. A brisa da estação gélida, silenciosa e com cores meia-cor, das folhas secas aos tons poente, se afastou pelo imenso calor e conforto que senti com aquele gesto afetuoso. Existia um sol que habitava naquele pequeno corpo felpudo que chamei de meu.


Existiram as manhãs ensolaradas de verão e os fins de tarde floridos da primavera. Recordo-me todo dia das noites mal dormidas, quando derramei lágrimas desamparadas, entorpecidas pelos olhos achocolatados dele, o resmungo memorável e o modo como chamava a minha atenção com aquele ursinho velho em sua boca.


Quando eu acariciava o pelo em tons floco, o meu sofrimento se transformava em um mel de pura comédia, doce e suave.


Lembro-me do nosso último inverno, quando o seu pelo estava tão esbranquiçado quanto a neve pura, caindo lentamente sobre nós. Aqueles olhos vívidos pareciam cansados e contentes, imersos em um companheirismo contagiante e em uma cor cinza.  Foram dez anos de um laço irrompível, um calor eterno. Aos poucos eu o vi perder a sua cor, e então chegou o momento de cantarolar baixinho para o meu beagle enquanto o mundo permanecia em silêncio ao nosso redor.


Foi uma despedida trêmula e contida. Beije-lhe a testa e o vi adormecer como a bela adormecida de um conto infantil que eu lia para ele quando criança. Em seu leito, os meus olhos vagaram por todo o imaterial. Sim, se passaram dez anos e graças a ele eu me mantive em pé.


O choro secou em um amargo silêncio. Houve a exaustão e redenção. Eu sei que parece clichê, mas eu ainda deixo a porta do quarto aberta para ele, e as vezes, ouço alguém me perguntar: Quando você irá limpar aquelas marcas de patas embarradas do muro branco?


Em uma súbita leveza, eu penso com um tímido sorriso: É uma conexão perpétua.


Assim como o céu noturno e o amanhecer, testemunhas da nossa parceria.


Hoje eu te vejo desenhado em meus álbuns ou em um rascunho que recriei. Talvez para as letras de um verso em meu diário, ou em um simples desabafo, eu possa dar ênfase a algumas memórias carregadas de promessas, como aquele passeio no parque que não conseguimos realizar a tempo.


6 de Enero de 2019 a las 01:16 0 Reporte Insertar 121
Fin

Conoce al autor

Vanessa Uma garota apaixonada por cada livro que coleciona. Viciada em romances adultos, poesias e poemas. Adoro ler frases e colecioná-las para me inspirar. Taurina gamer, preguiçosa e amante do rock. Sou protecionista dos animais desde que me conheço por gente. Uso Lethwen Rochney como pseudônimo. ❝...

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