Todos Temos Dores Seguir historia

yuri-silva1544837801 Yuri Silva

Henry é um garoto atormentado por valentões e alguns vizinhos, para ele, sua vida escolar não passa de uma perda de tempo. Não se preocupa com ninguém além de sua família, nunca foi de se enturmar. E em um certo dia, ele conhece Daniel, um cara bastante popular e gentil, que mostra a Henry que a vida dele não precisa ser amargurada. Mas para Henry, isso é um passo muito grande e decide tentar o máximo aceitar as condições de Daniel.


Romance No para niños menores de 13.

#lgbt #boyslove #amizade #amor
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Henry


Mais um outro dia na escola, outro dia com os valentões. Por que eu sou assim? Por que eles pegam no meu pé direto? Continuo andando pelo corredor de cabeça baixa para tentar evitar outros olhares. De repente tropeço fazendo com que minhas coisas caem no pé de um garoto, olho para ele. É o Louis, o valentão que me faz de gato e sapato se eu não fizer o que ele quer.

- Ora, ora, ora - ele diz e me levanta pela gola da minha camisa. - Se não é o babaca da sala.

- O que você quer Louis? - digo com a voz trêmula.

- Nada. Apenas queria que você olhasse por onde anda.

- M-me desculpa. Por favor não me bata.

- Te bater? - ele pergunta estranhando meu pedido. - Eu não quero te bater.

Ele me larga no chão e todos ao redor começam a rir, sinto meus olhos lacrimejarem, me ajoelho e pego minhas coisas o mais rápido possível. Quando me levanto, Louis me encara com um sorriso no rosto.

- Espero que isso não se repita. - Ele fala, aproximando de mim lentamente. - Estou alegre e se você arruinar meu dia, adoraria continuar nossa brincadeira da semana passada.

Ele termina de falar e rapidamente me lembro da cena, os amigos dele me segurando e ele me esmurrando várias e várias vezes. Afasto esse pensamento da minha cabeça com um sorriso falso.

- Tudo bem, se depender de mim seu dia não será arruinado.

- Acho bom. - Ele sai batendo com força no meu ombro.

Saio andando rápido para o banheiro, quando chego, coloco minhas coisas na pia e encaro a mim mesmo no espelho. Meus olhos vermelhos e inchados, minha bochecha quase voltando ao meu tom de pele, tento chorar mas não consigo, então começo a soluçar e sinto algumas lágrimas caírem na minha bochecha, olho em volta para ver se tem alguém por perto. Mas não tem, limpo meus olhos, pego minhas coisas e saio do banheiro indo em direção a minha sala.

Chego faltando cinco minutos para a aula começar, sento no meu canto e fico encarando minhas mãos, pálidas e um pouco secas, meus dedos esguios se entrelaçando uns aos outros, começo a procurar algo na minha mochila. Pego meu caderno e meu livro de português e coloco eles em cima da minha mesa, começo a folhear as páginas do meu livro procurando alguma tirinha que eu não tenha lido, mas todas eu já li. Decido fechá-lo e procuro mais alguma coisa na minha bolsa, tem uma lancheira com sanduíche que minha mãe fez para eu melhorar minha alimentação, que de acordo com ela eu estou seco e pareço que nunca vi comida na minha frente, decido guardá-lá mais afundo da mochila e escuto a porta sendo aberta. O professor Júnior aparece na porta, dando sorrisos e bom dia para os alunos, ele se acomoda em uma cadeira e fica sentado nos encarando.

Alguns minutos se passaram e aparecem na porta Louis e sua trupe, rindo e se batendo.

- Desculpa pelo atraso professor. - Um cara alto diz, seu cabelo armado e seus olhos passando pela sala e pousando em mim, assim que ele me vê, solta um riso e cutuca o cara menor que ri ao me encarar. - Podemos entrar?

- Entre Todd, quer dizer, entre todos.

Eles entram e cada um se sentam ao meu lado, meu corpo começa a estremecer um pouco, minhas mãos continuam trêmulas e pálidas. Tento olhar para o quadro mas Todd esta sentado na minha frente me encarando.

- O que foi? Perdeu alguma coisa? - ele sorri, vejo seus dentes amarelos parecendo que nunca viu uma escova e um creme dental.

- C-com licença, eu quero prestar atenção na aula. - Digo ainda tremendo.

Eles se olham e caem na gargalhada, Todd sai da minha frente e se senta ao lado de Louis.

- Henry? - o professor me chama e aponta para uma mesa na frente dele. - Que tal você se sentar aqui?

- Acho que aqui está bom. - Falo.

Ele sai de perto do quadro e vem para onde estou sentado. Percebo todos da sala me encarando, alguns cochichando outros apenas calados.

- Henry, eu insisto que você se sente naquela cadeira.

- Está bem professor.

Me levanto e pego minha mochila junto com meu caderno e livro, começo a andar indo em direção a minha nova carteira. Vejo um cara me olhando sorrindo, não um sorriso que o Todd ou o Louis dá, o sorriso dele é verdadeiro, gentil.

- O que foi? - pergunto olhando para ele.

- Nada, apenas quis iniciar conversa com você.

- Por que?

- Você parece um cara legal e inteligente. Acho que seremos grandes amigos.

- Legal? Amigos? - rio do que ele disse.

- Sim, por que?

- Ninguém quer ser meu amigo, ninguém me acha legal. Acho que você deve ter se enganado.

- Eu não me engano quando o assunto são novos amigos.

- Não posso ser seu amigo.

- Por que não? Só por causa deles? - Ele aponta para o grupo do Louis que estão se esmurrando no final da sala.

- Isso mesmo, não quero que te perturbem.

- Não tem importância o que eles fazem comigo, já sei o que sou, não preciso escutar esses idiotas falando coisas contraditórias ao meu respeito. Eu sei que é mentira.

- Legal, prazer em conhecê-lo... - Digo tentando descobrir seu nome.

- Daniel. Meu nome é Daniel.

- Prazer, meu nome é...

- Henry, eu sei. Eu te conheço, sei pelo que passa.

Abaixo minha cabeça. Todos sabem? Acho que sim, depois daquele espetáculo. Olho para Daniel, me olhando com uma cara de preocupação.

- Não se preocupe, estou bem.

Ele pega minha mão e rapidamente sinto meu corpo esquentar me fazendo tremer ao seu toque. Sua mão quente transmitindo proteção e afeto.

- Espero que esteja bem mesmo. - Ele sorri, seus dentes brancos e perfeitos, levanto o rosto olhando para o dele, seus olhos castanhos brilhando e seu cabelo preto caindo fazendo uma pequena franja em sua testa.

- Eu estou - minha barriga começa a roncar. - Só estou com um pouco de fome.

Rimos da minha situação. O professor coloca um livro enorme na mesa e começa a dar aula. De acordo com ele, iremos estudar parnasianismo.

...

Depois de passar uma hora e quarenta minutos ouvindo várias e várias vezes a frase "Arte pela Arte", a aula acaba. Ficamos esperando o professor de matemática aparecer.

- O que achou da aula? - Daniel pergunta me cutucando.

- Legal, primeira vez que consigo prestar atenção completa na aula.

- Hum. - Ele tenta falar outra coisa, mas o professor Felipe aparece.

Ele me encara achando estranho eu estar na frente. Depois de estranhar aquilo tudo, ele ri e se senta fazendo a freqüência da sala. Depois que todos responderam, ele se levanta e começa a andar de um lado para o outro.

- Hoje iremos estudar matemática financeira. Espero que prestem bastante atenção nessa aula, nada de conversas paralelas nem brincadeiras sem graça. O conteúdo pode ser fácil para alguns, mas outros não acham o mesmo. Então, abram seus livros na página 60 e escutem o que eu digo.

O professor começa a falar de porcentagem e tento entender o que ele diz, mas minha cabeça não para de pensar no Daniel, seus olhos, sua boca. Por que estou pensando nisso? Assim que o professor termina de explicar o conteúdo, ele passa um exercício no quadro e pede para formamos uma dupla. Alguns alunos olham para mim esperando uma resposta minha, mas nego em silêncio virando a cabeça de um lado para o outro.

- Você quer fazer dupla comigo? - pergunto à Daniel.

Ele dá um sorriso discreto e concorda em silêncio. Junto minha carteira à dele.

- Sabe o que fazer? - pergunto sussurrando.

- Sei. - Ele fala com o tom de voz um pouco mais alto que o meu.

- Pode me dizer como responder?

Ele concorda e começa a me mostrar a fórmula certa e como devo fazer para encontrar a resposta, sigo suas instruções e consigo responder a questão que dez minutos atrás achava difícil. Tento responder as outras, porém Daniel disse que algumas questões usamos outras fórmulas, ele me diz quais são e faço terminando alguns minutos depois que ele. Nos levantamos e nos direcionamos ao professor.

- Já acabaram? - ele pergunta mexendo em seus óculos, seus olhos cansados o faz parecer que não dorme a dias.

Concordamos e entregamos nossos cadernos, ele pega e começa a corrigir eles. Mexendo a cabeça concordando que cada questão esta certa.

- Aqui está rapazes, podem se sentar e esperar o recreio, se forem conversar, conversem baixinho para não atrapalhar os colegas.

- Está certo professor - Daniel responde sorrindo.

Voltamos aos nossos lugares, minha carteira ainda colada a dele fez com que eu me atrapalhasse um pouco ao tentar colocar meu caderno na mochila. Depois de um tempo, consigo guardá-lo.

- Ainda esta com fome? - Daniel pergunta rindo da minha situação.

- Estou. - Olho para o meu relógio, ainda são 09h15m.

- Pelo menos falta poucos minutos para o recreio.

- Uhum, mas não vou comer a comida que serve na escola, tem um gosto estranho.

- Eu sei, mas se você não comer, pode passar tanto o recreio como as outras duas aulas faminto.

- Quem disse que eu não trouxe um lanche?

Mostro a ele minha lancheira com dois sanduíches, uma garrafa térmica com suco e alguns chocolates que tenho. Acho que já derreteram.

- Nossa, então você vai ter que me esperar.

- Como assim?

- Eu não trago merenda pronto de casa, eu espero na fila da cantina para poder comer.

- Hum, que tal você comer junto comigo? - pergunto corando.

- Mas esse é seu lanche.

- Eu sei, mas tem as vezes que nem como todo. Ai eu guardo, levo para casa e dou para o meu irmão, ele adora minha comida, não sei porque, a comida dele é a mesma da minha. E mesmo assim, aqui tem dois sanduíches, posso muito bem te dar um e comer o outro.

- Okay.

- Se quiser um pouco do meu suco, você vai ter que arranjar um copo.

- Qual o sabor desse suco?

- Goiaba.

- Sério?

- Sim.

- Então vou querer. Suco de goiaba é o meu favorito.

- Legal, acho que também é o meu, já que eu peço esse suco sempre que saio de casa para vir a escola.

Ele balança a cabeça e olha para o relógio, depois volta a me olhar rindo. Ele está rindo de mim? Tento procurar alguma coisa no meu corpo, mas não tem nada, olho para ele sem entender nada, mas isso faz com que ele ria mais ainda.

- O que foi? - pergunto.

- Nada.

- E por que você esta rindo?

- Desse seu jeito, você está engraçado.

O sinal toca e espero todos saírem da sala, Daniel começa a andar mas para na entrada da sala, ele se vira e fica me olhando esperando uma ação minha.

- Não vai vir comigo?

- Eu tinha me esquecido que eu sento na frente, graças ao professor júnior.

- Se não fosse por ele, não teríamos nos conhecido.

Confirmo com a cabeça e pego minha lancheira que tinha colocado na mesa. Ele me puxa pelo braço e saímos da sala, passamos pelo corredor e não deixo de notar que Louis vem na minha frente, de início achei que ele ia bater no meu ombro ou me socar, mas na verdade ele apenas parou perto de mim e sussurrou:

- Não sabia que arranjou um namorado.

Daniel chega mais perto de nós dois.

- Se ele arranjou não é do seu interesse.

Louis cerra o punho e nos encara com um olhar de raiva, mas quando uma garota passa ao nosso lado ele fica calmo e sai indo atrás dela.

- Que imbecil - Daniel disse. - Não pode ver uma garota bonita que já fica manso.

- Uhum. Mas será que ele quer realmente algo com ela?

- Se sim, ela não seria tão idiota a ponto de querer algo com alguém como o Louis.

Chris é uma garota bastante atraente, seus olhos escuros encantam qualquer um, e seus cabelos pretos caindo sobre seus ombros a deixam mais encantadora. Não vejo por que alguém como o Louis não iria gostar dela, se fosse comigo iria seguir ela com cara de besta igual à que ele anda fazendo sempre que a vê.

- Onde vamos sentar? - Daniel pergunta me cutucando.

- Que tal a quadra? - respondo. - Lá é bem calmo enquanto o resto dos alunos esperam na fila da merenda.

- Tá, me espera lá que eu vou pegar um copo.

- Okay.

Saio do corredor e vou para a quadra, me sento no final da arquibancada, tem alguns alunos jogando, eles me encaram e acenam para mim rindo, retribui o aceno e abro minha lancheira, separo os sanduíches e pego minha garrafa térmica com o suco de goiaba. Daniel aparece no meio da quadra me procurando olhando para todos os lados atrás de mim.

- Estou aqui. - Falo um pouco acima do tom que uso.
Ele me vê e corre em minha direção. Quando ele chega perto de mim, dá um sorriso torto e um aceno de leve.

- Não vai sentar?

- Estou indo.

Ele sobe as grades que separa as arquibancadas da quadra e dá um pulo, senta ao meu lado e me lança um olhar estranho.

- Não era só você ter dado a volta na grade?

- Gosto de fazer isso.

- Percebi.

Entrego a ele um sanduíche e pego o copo da mão dele e coloco um pouco de suco, coloco o copo entre meu corpo e o dele.

- Obrigado.

- De nada - digo.

Vejo ele comendo e como o meu sanduíche. Tento achar um meio de iniciar uma conversa mas nenhuma ideia surge na minha cabeça, então decido apenas observar de lado Daniel comendo. Segundos depois ele termina de comer e percebo que não cheguei nem na metade do meu, ele toma o suco e fica em silêncio me olhando.

- Você demora tanto tempo assim para comer?

- Não, já era para eu ter acabado faz um tempo.

- Eu espero. Ainda temos... - ele olha o relógio no pulso esquerdo e depois me olha - ...dezesseis minutos.

- Estou terminando.

Ele encara a mim e o pão na minha mão quase acabando e fica surpreso.

- Caraca, já está terminando.

- Uhum. - Falo de boca cheia.

Quando acabo de comer, Daniel ainda me olha surpreso.

- Que rápido.

Rio, então ele olha para quadra pensativo. O que ele está pensando? Ele volta a me encarar, sua expressão séria tentando adivinhar o que está passando na minha cabeça.

- Por quê você fica aqui? - ele pergunta.

- Aqui é calmo, e já que não pode comer na biblioteca, eu fico aqui, termino de comer e depois vou para lá e passo todo o recreio sentado olhando os livros.

- Isso parece chato, eu gosto de livros, mas isso tudo parece entediante, muito para ser exato.

- Não faço quase nada na escola. O que esperava de mim?

- Apenas algo interessante.

Ele me lança um olhar de que está gostando do rumo dessa conversa, tento lançar o mesmo olhar mas falho fazendo ele rir.

- Ah é?

- É.

- Tipo...?

- Não sei, apenas achava.

Ele se levanta e coloca as mãos nas grades.

- Vamos?

- Biblioteca?

- Não, vamos andar pela escola.

- Por que? Não tem nada de legal em ficar vendo as mesmas pessoas que vejo na sala.

- Mas e das outras salas?

- Isso não. - Me levanto e me afasto dele.

- Onde está indo?

- Longe de você.

Ele abaixa a cabeça após ouvir minha resposta. Não esperava soar rude, apenas não gosto de falar com pessoas de outras salas. Chego mais perto dele e coloco minha mão no ombro dele.

- Desculpa, não queria dizer isso.

Levantando a cabeça, ele sorri e pega minha mão acariciando os nós dos meus dedos, aquele pequeno gesto de carinho faz eu sentir um frio na barriga. Ele tira os olhos da minha mão e encara os meus. Seus olhos brilhando faz com que seu sorriso o torne mais atraente.

- Não precisa se desculpar, não me magoou. Mas você vai comigo na sala do segundo ano.

- Nós somos do segundo ano.

- Não a nossa.

O que tenho a perder? Concordo em silêncio e ele me leva para a outra sala, antes de sairmos, a quadra rapidamente se enche de alunos correndo para o centro formando vários times para jogar futebol.

...

Quando entro na sala do segundo, tem vários alunos sentados em cima de mesas, nas cadeiras ou até mesmo no chão. Daniel aponta para um pequeno grupo de quatro a cinco pessoas que estão sentados nas mesas formando um círculo.

- Aquele é meu grupo de amigos da outra sala.

- Eles parecem que são iguais aos outros.

- Vai por mim - ele fala - Você vai ver que eles não são iguais aqueles idiotas.

Caminhamos em direção ao círculo e uma menina quase da minha altura e de olhos castanhos corre e abraça Daniel.

- Finalmente apareceu - Ela olha para mim e sorrir.

- Quem é ele?

- Esse é Henry. Henry, essa é Clarissa.

- Oi - digo.

Ela acena para mim e volta a se sentar em cima da mesa. Talvez o problema seja eu, talvez seja eles. Não sei, mas não consigo me enturmar. Ele conversa com Clarisse e o resto do grupo por um tempo, olho o relógio. Falta três minutos para a aula começar, tento sair daquela sala o mais silencioso possível, mas Daniel me olha estranho e coloca o braço sobre meu ombro.

- Onde vai?

- Sala.

- Está tudo bem?

- Uhum.

- Certeza?

- Total certeza.

- E como está se sentindo?

- Bem, acho que estou feliz.

- Só por que hoje é o último dia de aula?

- Também.

- Qual o outro motivo?

- Conheci você no último dia de aula.

Ele ri e escuto o sinal para a outra aula começar.

- Vamos para sala? - Daniel pergunta.

- Está bem.

15 de Diciembre de 2018 a las 07:19 0 Reporte Insertar 0
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