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zephirat Andre Tornado

Um momento particular e único... É preciso avançar, mas antes, antes há que encontrar a força necessária. E o apoio de uma companheira.


Cuento Sólo para mayores de 18. © História original de minha autoria.

#Brilho #estrelas #medo #Companheira #Palco #deuses #guitarra #música
Cuento corto
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Capítulo Único


Quase, quase a entrar no palco.


Havia sempre um pequeno instante de pânico prévio ao primeiro passo que o levava até à exposição irremediável da sua pessoa. Todos os seus músculos paralisavam e o sangue congelava nas veias. Os sentidos perdiam acutilância e ele perdia sensibilidade. O mundo era como se ficasse suspenso num microssegundo que não existia no Universo. Uma não-existência. Um não-tempo. Um vácuo indescritível. Zero.


Se julgavam que era fácil avançar e prestar-se à atuação, estavam todos muito mal-enganados. Era sempre difícil, de todas as vezes. Complicado. Uma sensação de roubo e de despojamento. Um cadáver consciente da sua prostração definitiva ao qual eram-lhe arrancados todos os órgãos. Uma impotência atroz que o deixava irresponsivo.


Mesmo que se passassem muitos anos, o pavor inicial que lhe drenava todas as energias haveria de existir e iria persistir. Para sempre. Até ao último regresso ao palco. Era um mecanismo de defesa, uma afirmação de si para si de que estava tudo normal. De que ele… era ele. Quando deixasse de se sentir assim, acossado e ameaçado, ele saberia, teria a certeza de que alguma coisa estaria profundamente errada e deveria proteger-se.


A sua companheira de sempre – uma guitarra. Devidamente afinada. Decorada com imagens dos ídolos, desenhos e símbolos que invocavam proteção e respeito. Sólida. Um instrumento perfeito e imaculado. A música era a manifestação divina que ele produzia com a sua guitarra. Bastava tê-la entre as mãos e o Universo regressava ao seu pulsar habitual.


Acariciava o braço da guitarra, passando pacientemente a mão pelas cordas. Apenas ao de leve, experimentando o aço de raspão, percorrendo cada centímetro com a pele da ponta dos dedos arrepiada. A outra mão repousava no corpo desta, apertando para ter a certeza de que concretamente… estava ali. A guitarra, ele. Os dois estavam ali.


A guitarra era sólida, era real. Era inegavelmente sua. A amante que nunca o iria trair – e mesmo assim… E mesmo assim havia sempre aquele instante em que a distância entre o colapso e o êxtase era tão estreita como a espessura de uma folha de papel. Bastava uma tontura, na embriaguez do sucesso, o acorde errado e era a catástrofe.


Quase, quase a enfrentar a audiência que rugia ensandecida.


O poder nascia, insinuando-se a partir de um ponto microscópico. Crescia em espiral, imparável, numa vertigem e ele via-se envolvido por toda a luz que o animava de repente. Era assombroso e ele voltava a respirar.


A guitarra cingida a si vibrava numa cadência própria que só ele entendia. A guitarra viva, como ele, a catalisar as suas extremidades nervosas. Todo ele aumentava, como uma estrela a converter-se numa supernova ofuscante. E no momento mágico em que regressava à vida e à sua consciência, ao seu autodomínio, à sua confiança, ele via as galáxias a girar por cima da sua cabeça, um céu recoberto de milhares de outras estrelas, o braço da Via Láctea brilhante e sabia que seria abençoado, mais uma vez.


Quase, quase a ser um deus.

8 de Diciembre de 2018 a las 18:18 2 Reporte Insertar 4
Fin

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Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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Lyse Darcy Lyse Darcy
Um conto maravilhoso!
9 de Diciembre de 2018 a las 09:03

  • Andre Tornado Andre Tornado
    Oi Lyse! Muito obrigado, minha amiga linda. Beijo! 9 de Diciembre de 2018 a las 10:55
~