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jonginmyeon amanda lobato

Em 24 anos de sua vida quase medíocre, Do Kyungsoo nunca tivera tantos problemas como estava tendo desde que conhecera Byun Baekhyun. {baeksoo / abo / soulmate!au}


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Não posso escapar de você










Em vinte e quatro anos de sua vida quase medíocre, Do Kyungsoo nunca tivera tantos problemas como estava tendo no momento.

No último ano da faculdade de Biomedicina, pela qual era totalmente apaixonado e dedicado a aprender — e também conseguir um diploma —, Kyungsoo estava passando por maus bocados com uma tonelada de trabalhos para fazer, diversos projetos para apresentar e um turbilhão de pensamentos que nada condiziam com seus afazeres e que, infelizmente, lhe distraiam mais do que gostaria.

Do não era muito de acreditar em energias negativas, carma, magia negra, coisas sobrenaturais, bruxaria, ou seja lá o que fosse que permitisse que tudo desse tragicamente errado na vida de um indivíduo — já que era muito incrédulo sobre tudo —, mas desde que Byun Baekhyun apareceu indiretamente em sua vida, tudo começou a descer ladeira abaixo.

Kyungsoo se reconhecia como alfa desde que entrara na adolescência, precisamente, aos quinze anos, e sempre teve alguns probleminhas para conter seus instintos animalescos e suas vontades mais primitivas possíveis, chegando até mesmo a detestar um pouco de tudo aquilo — principalmente quando estava no cio —, mas jamais tivera um problema tão grande quanto aquele: Byun Baekhyun, beta, acadêmico de Arquitetura e Urbanismo.

Se conheceram quase sem querer nos corredores da faculdade, entre a troca de turno dos professores e vaivém dos alunos, por intermédio de um amigo em comum. Baekhyun, com seus cabelos levemente rosados, traços faciais suaves e óculos bem redondinhos, capturou imediatamente a atenção de Kyungsoo – que, ironicamente, costumava prestar atenção em quase nada – e o fez entrar em um transe que somente Kim Junmyeon conseguiu fazê-lo sair, com uma cutucada nada gentil na costela.

Do fora rapidamente cativado pela presença do Byun, pelo jeito que ele falava e sorria, pela maneira que ele conversava animadamente com Junmyeon sobre algum filme que estava passando no cinema ou algo do tipo, e principalmente pela forma que ele olhava para si, como se pudesse ver por dentro dele.

Kyungsoo nunca havia se sentido assim antes e não foi difícil perceber que alguma coisa estava tragicamente errada quando Kim os apresentou e Baekhyun lhe estendeu a mão, todo simpático, que fora apertada após longos segundos de silêncio por parte de Do, que não estava compreendendo o que diabos estava acontecendo consigo.

O simples “é um prazer te conhecer” dito por Byun foi o suficiente para fazer Kyungsoo sentir o corpo inteiro estremecer levemente, em uma reação estranha até demais para si, que raramente sentia-se afetado por algo ou alguém e que se esforçava ao máximo para ser indiferente a quase tudo.

Desde então, toda vez que Baekhyun o via, sorria e o cumprimentava todo amigável, causava-lhe reações diversas que não conseguia compreender tão bem, simplesmente porque não era natural sentir o coração pulsar mais rápido no peito apenas por vê-lo, ou perceber as bochechas esquentarem só de estar próximo, ou pior... ansiar por estar na presença dele mesmo quando ele se afastava sendo que não eram sequer amigos.

Kyungsoo não era tão denso ao ponto de não perceber que existia em si uma vontade quase incontrolável de estar perto do Byun, porém, ele não sabia explicar bem o porquê e jamais havia se sentido de tal forma, nem mesmo quando se interessou, flertou e namorou outras pessoas. Sem entender bem o que sentia, Do classificava aquelas sensações como incômodas, assustadoras e nada bem vindas.

Em suma, ele estava com problemas, dos grandes, do tipo que não sabe como resolver já que foram originados de um problema só que se transformou em uma bola de neve e que parecia crescer de tamanho com a quantidade absurda de tempo que Kyungsoo passava pensando em Byun Baekhyun e seus cabelos rosados, seus óculos redondinhos, seus olhos pequenos, seu sorriso retangular, suas bochechas fofinhas e todo o conjunto adorável que o Do daria tudo para admirar de perto e quem sabe tocar, sem querer parecer esquisito nem nada.

E se isso tudo não bastasse, seu alfa interior sentia-se ridiculamente atraído por Baekhyun também, embora ele fosse um beta e não fizesse bem o tipo ideal de Kyungsoo, que não tinha boas lembranças de antigos rolos com betas – que, geralmente, de pacíficos só tinham a cara e costumavam acertar-lhe a fuça quando não satisfeitos com alguma coisa, cheios de marra.

O fato era que tudo em Byun Baekhyun parecia atraente, mesmo que ele fosse o oposto de Kyungsoo encarnado em pessoa: falante, extrovertido, cheio de amigos e piadinhas sujas na ponta da língua... Baekhyun era simplesmente tudo o que Kyungsoo inconscientemente queria e que tentava ao máximo escapar, apesar de tudo levá-lo de volta a ele, como um imã.

Kyungsoo até mesmo procurou ajuda na internet, jogou na barrinha de pesquisa do yahoo o que poderia ter de errado com ele e a resposta foi no mínimo embaraçosa, mas não completamente equivocada, em um curto “vontade de foder”, que infelizmente não respondia a tudo, embora fosse uma meia verdade.

Do quebrou cabeça por algum tempo, entre trabalhos para fazer, contas para pagar e aborrecimentos de cada dia para passar, mas enfim chegou a uma conclusão sobre a matriz de seus problemas quando percebeu em uma de suas longas olhadas, quase ofuscada pelos cabelos rosados de Baekhyun, uma marca no pescoço dele que deveria dizer alguma coisa e que se esforçou ao máximo para enxergar com sua vista lascada pelo astigmatismo, finalmente vendo a causa das tais sensações incômodas, assustadoras e nada bem vindas.

Kyungsoo jamais dera muita importância para aquele lance de palavra. Vivendo em uma sociedade em que as pessoas se atraíam apenas pelo cheiro no intuito de transar ou, em raros casos, acasalar também, Do não dava atenção para romance e muito menos para o antigo sistema de almas gêmeas, em que cada indivíduo nascia com uma marca em alguma parte do corpo única e idêntica a apenas uma pessoa no mundo, a qual supostamente era destinado.

Ele passou a vida inteira com sua palavra tatuada no pescoço, que desapareceria somente quando seu predestinado morresse, mas sempre ignorou e nunca deu importância, o que deveria ter dado antes, principalmente ao notar que a marca de Baekhyun era exatamente igual a sua e que explicava perfeitamente bem o porquê de querer estar sempre junto a ele, como nunca quisera estar com mais ninguém.

Do quis se jogar de um precipício ao perceber a proporção do que estava acontecendo, sem saber que providências deveria tomar; e quis também que aquilo tudo não passasse de um sonho e que voltasse para sua vidinha quase medíocre em que somente estudava e reclamava no ouvido de Junmyeon. No entanto, nenhuma de suas vontades seriam realizadas e ele tinha que conviver com esse fato.

Tinha que conviver também com a voz de Baekhyun soando em sua cabeça, sempre que acordava, com o que dissera a seus amigos sobre sua marca: “Eu nunca tive ninguém. Nunca namorei. Nunca ninguém foi absoluto pra mim”, o que sinceramente surpreendia Kyungsoo, mas também o deixava com a sensação amarga de que não merecia o beta, justamente por jamais ter acreditado que iria encontrá-lo.

No fim das contas, a decisão tomada por Kyungsoo foi simplesmente ignorar, esperar tudo passar como uma tempestade: avassaladora, porém passageira, e deixar tudo exatamente como estava para evitar ainda mais problemas, habituado com comodidade e monotonia que Baekhyun tirava de si sem nem saber.

Do estava bem daquele jeito, com certeza, ele nem parecia um criminoso toda vez que puxava o capuz do moletom para baixo e andava como se estivesse sendo perseguido pela polícia, sequer sentia o peito doer ao ouvir a voz distante do Byun praticamente lhe chamar, apesar de não estar falando consigo. Ele estava ótimo, perfeito.

Ou pelo menos era isso que tentava se convencer quando, a cada dia que passava, só queria estar mais perto de Baekhyun, o beta de cabelos rosados, óculos redondinhos e sorriso retangular, a sua alma gêmea no meio de outras mil dentro daquela universidade, quando só queria conhecê-lo um pouco mais, ouvir sua voz e rir de suas histórias e piadas.

Kyungsoo era só um covarde que não conseguia contar nem ao seu melhor amigo que havia encontrado o seu predestinado, muito menos ao próprio.

Com a cara enfiada em um livro sobre doenças mortais, o Do ajeitava seus óculos de leitura no rosto e tentava ler, porém não conseguia se concentrar e relia a mesma linha várias vezes, refletindo sobre como tudo havia começado a sair dos trilhos desde que encontrara sua alma gêmea. Claro, não podia culpar Baekhyun por tudo, ele não era culpado por algo que estava acima da compreensão de todos, mas Kyungsoo sentia-se sem rumo e essa era a pior sensação, que o levava a pensar que o Byun era, de fato, o problema.

Suas pernas balançavam inquietamente debaixo da mesa e sua cabeça coçava como se estivesse com piolhos, deixando-o nervoso sobre nada em particular – ou talvez sobre o fato de que Baekhyun estava a pouco metros de distância, conversando e rindo animadamente com seus amigos, apesar de Kyungsoo ter prometido silenciosamente que iria ficar o mais distante possível.

Mas como poderia ficar distante se tudo o levava de volta para o Byun? Como um ímã, uma vontade incontrolável de estar na presença dele, mesmo que de longe? Kyungsoo se perguntava se Baekhyun sentia-se da mesma forma ou se pelo menos lembrava que ele existia, pois não era possível que só ele sentisse como se estivesse à beira de um colapso, com o coração todo fodido no peito e os tremeliques no corpo inteiro.

Do simplesmente desistiu de fingir que estava lendo o livro que segurava em frente ao rosto, fechando-o de vez e olhando não tão discretamente para a mesa de Baekhyun, como sempre rodeado de belas ômegas, betas e até mesmo alfas interessados. E em vez de sentir ciúmes, Kyungsoo sentia inveja de toda aquela proximidade, da facilidade com que aquelas pessoas conseguiam se relacionar com o beta que lhe era destinado.

Suspirando pela quinta vez em um pequeno intervalo de tempo, Do resolveu levantar da cadeira que ocupava, colocando o capuz na cabeça, enfiando os livros que havia pegado na biblioteca em sua mochila quase com raiva e resmungando consigo mesmo pela vontade maldita de ir falar com Baekhyun, quase mordendo a língua.

Em um de seus suspiros e resmungos frustrados, fora interrompido por um pequeno toc toc em sua mesa, que o fez virar a cabeça completamente assustado. Seu coração disparou mais rápido no peito quando viu que era Baekhyun ali, sorrindo largamente e olhando-o com uma expressão divertida, como se tivesse ouvido uma boa piada.

Kyungsoo respirou fundo para conter sua própria agitação e sorriu de volta, incerto sobre o que o Byun queria, mas já sentindo algo borbulhar dentro de si.

Maldito elo.

— Hey, Kyungsoo! — Baekhyun cumprimentou ainda sorridente. — Tudo bem?

— Hey… — Do respondeu baixo e meio lesado, sem processar bem o que estava acontecendo. — Tudo, e com você?

— Tudo bem também — Byun disse animado. — Já está indo?

Kyungsoo apenas concordou com a cabeça, sem confiar em sua própria voz para falar.

— Ah que pena — Byun disse com um muxoxo. — Eu vim te convidar para almoçar com a gente. — Apontou para a mesa de amigos, que estavam entretidos com outra coisa.

Do riu forçado, sentindo-se um tanto inquieto.

— Fica pra próxima — blefou, sem imaginar uma ocasião em que andaria com os amigos de Baekhyun e com o próprio.

— Eu não tenho mais visto você por aqui — Baekhyun continuou a conversa, mesmo que Kyungsoo não estivesse se esforçando nem um pouco para continuá-la. — Muito ocupado?

— Uhum — Do murmurou. — Muitos trabalhos, projetos, pesquisas… essas coisas. E você?

— Também, mas um pouco menos, tô procrastinando um pouco — Baekhyun admitiu com uma risadinha, parecendo subitamente lembrar de algo. — Desculpa, tô te atrapalhando né? Você já estava de saída…

Kyungsoo riu genuinamente, observando como os olhinhos de Byun se arregalaram de preocupação.

— Não atrapalha — disse antes que pudesse conter a própria língua. — Gosto de falar com você.

Merda.

Gosto de falar com você?

GOSTO DE FALAR COM VOCÊ?!

Porra, Kyungsoo!!!

Baekhyun soltou uma risada tão gostosa que soou com a música mais perfeita nos ouvidos de Kyungsoo.

— Eu também gosto de falar com você — Byun disse com indícios de um sorriso. — Você é legal.

Do tentou conter o sorriso, falhando totalmente.

— Você também é.

Os dois ficaram se olhando, com sorrisos bobos nos lábios e algo mais que apenas Kyungsoo parecia saber o que era e que o fez lentamente murchar, direcionando seu olhar para os pés.

— B-bom… eu tenho que ir.

Baekhyun assentiu com a cabeça, colocando as mãos nos bolsos do moletom e oferecendo um sorriso que não alcançou seus olhos.

— Tchau então…

Kyungsoo ajeitou a mochila nas costas e olhou mais uma vez para o beta, que acontecia de ser sua alma gêmea.

— Tchau — disse suave, vendo-o dar alguns passos para trás e virar as costas para voltar a sua mesa, logo em seguida também tomando seu rumo.

Sem surpresa nenhuma, Kyungsoo não parou de pensar naquilo pelo resto do dia.




X




E continuava pensando sempre que dava brecha entre suas ocupações.

Vira e mexe sua mente resolvia traí-lo ao lembrar de Baekhyun, seus cabelos rosados, óculos redondinhos e sorriso retangular, e ficava oscilando entre pensamentos sobre o quanto já estava encantado e sobre o quanto queria detestá-lo por isso. Byun era tão adorável que era difícil pensar nele sem dar suspiros de paixonite mal contida.

Kyungsoo não achava que pudesse gostar de alguém sem conhecer, sem ter contato mais direto e íntimo, porém, ele se via gostando cada vez mais de Baekhyun pelas suas observações e admiração à distância, como o belo covarde, medroso que era.

Para um alfa que costumava ser chamado de durão por aí, o Do estava mais para molenga, pois estava mole, mole, como gelatina. Junmyeon até mesmo havia questionado o que estava acontecendo consigo naquelas semanas, já estava mais inquieto do que costume, além de parecer mais maleável em demonstrações de afeto.

Kyungsoo estava sensível, na falta de definição melhor.

Sensível em todos os sentidos possíveis, pois até na hora do cio, não conseguia se satisfazer com qualquer coisa ou qualquer pessoa. Normalmente, Do relutava em procurar ajuda porque era contra a ideia de usar alguém apenas para satisfazê-lo e depois seguir seu caminho, com total indiferença, mas depois de descobrir sobre o elo que tinha com Baekhyun, ficou ainda pior.

Simplesmente se recusava a fazer qualquer coisa com qualquer outra pessoa porque sentia-se sujo e indigno, passando por momentos torturantes do cio que durava cerca de três dias.

Kyungsoo ficou recluso por uma semana depois de seu pequeno encontro com Baekhyun e não estava nada ansioso para sair de sua casa – após um cio terrível e doloroso –, ou pelo menos era isso que tentava se convencer, pois por dentro estava quase morrendo de ansiedade para ver o Byun novamente, ouvir sua voz, sentir o seu cheiro…

Era até engraçado como o cheiro de Byun era tão agradável para o Do, já que tecnicamente betas não cheiravam a nada, mas Kyungsoo conseguia sentir a essência de Baekhyun de longe, mesmo em um cômodo cheio de gente.

E foi assim que o encontrou entre os corredores da faculdade: praticamente farejando-o como um cão. O cheiro cítrico e agradável do Byun entrava por suas narinas como se fosse a coisa mais deliciosa do mundo e o atraía para si sem grandes dificuldades ou relutâncias. Quando Kyungsoo menos percebia, já estava perto dele, mesmo que de uma distância segura, em um magnetismo invisível entre os dois.

Baekhyun não demorou para percebê-lo, desviando o olhar da pessoa com quem estava conversando e direcionando-o para o Do, que estava encostado em seu próprio armário enquanto se arrependia amargamente de tanta teimosia. Byun deu qualquer desculpa para seu colega e se aproximou ligeiramente de Kyungsoo, aparecendo na frente dele com um sorriso tão grande e branco que parecia ter vindo direto de um comercial de pasta de dentes.

Era tão lindo o jeito que ele desgraçava sua mente…

— Oi, Kyungsoo! — Baekhyun cumprimentou alegre. — Tudo bem?

Do precisou balançar a cabeça para organizar seus pensamentos, um pouco confuso.

— Sim — respondeu simplesmente. — Tudo ótimo.

Era óbvio que era mentira.

O sorriso de Byun diminuiu um pouco, fazendo Kyungsoo se tocar da própria falta de modos, nunca os tivera de verdade.

— E você? — Do resolveu perguntar hesitante. — Você parece muito bem.

— Estou perfeitamente bem! — Baekhyun riu. — Muitas coisas boas aconteceram esses dias, consegui uma bolsa para fazer pesquisa e estou bastante empolgado.

Kyungsoo sorriu genuinamente.

— Que ótimo! Fico muito feliz por você — disse sincero. — Fiquei sabendo pelo Junmyeon que você estava tentando uma vaga, isso é muito bom.

Byun assentiu todo contente, com certo orgulho de si mesmo.

— É sim — concordou com um risinho. — Mas e você? Você sumiu... não te vi mais por aqui.

Do arregalou os olhos, um pouco surpreso por ele ter percebido, e riu sem graça.

— Tô bem também, só estava... hm... em um momento difícil, se é que me entende.

Baekhyun inclinou a cabeça para o lado, um pouco confuso.

As bochechas e as orelhas de Kyungsoo imediatamente se avermelharam só de considerar a ideia de explicar ao Byun que momento difícil era aquele, que consistia em seu cio infernal no qual não conseguira pensar em mais ninguém a não ser no rapaz de cabelos rosados. Com certeza não era sua ideia mais genial e jamais diria aquilo tão explicitamente, preferia morrer.

— Certo... — Baekhyun continuou sem entender, já que não era tão sensível àqueles assuntos, nem sequer tinha cio para início de conversa. — E já tá tudo resolvido?

— Sim — Kyungsoo admitiu ainda embaraçado, encolhendo-se um pouco dentro do seu casaco quase duas vezes maior que ele. — Tudo resolvido.

Byun deu um sorriso amigável, que deixava suas bochechas ainda mais adoráveis.

— Fico feliz por isso — disse com uma sinceridade quase palpável na voz. — Tá ocupado agora? Tô indo almoçar, se quiser vir comigo... — Baekhyun sugeriu quase esperançoso, o que fez o coração de Kyungsoo comprimir dentro do peito. — Tudo bem também se não quiser. — Riu envergonhado.

— Eu quero — Do respondeu antes que pudesse pensar direito, sem controle sobre a maldita vontade que tinha de estar com Baekhyun. — Pode ir primeiro, só preciso ajeitar uns materiais aqui e depois vou lá.

Byun arqueou uma sobrancelha em dúvida.

— Tem certeza? Se quiser posso esperar...

— Tenho — Kyungsoo sorriu afetuosamente. — Não vou demorar.

— Tudo bem! — Baekhyun concordou animado, colocando uma mão na alça da mochila e aprontando-se para sair. — Te vejo daqui a pouco.

Do assentiu, observando Byun se afastar com um sorrisinho nos lábios, subitamente esquecendo da sua promessa vazia de que tentaria ficar longe dele, cada dia mais fascinado pelo beta que, por acaso, era sua alma gêmea.

Alguns minutos mais tarde, quando finalmente encontrou o Byun no refeitório, como sempre rodeado de amigos e admiradores, Kyungsoo hesitou um pouco, mas logo continuou a ir na direção dele, mesmo morrendo de medo de estar começando algo que não tinha certeza de onde iria dar, já que sequer sabia se Baekhyun sentia as mesmas coisas que ele sentia.

No entanto, não conseguiu evitar sorrir com todos os dentes quando Baekhyun puxou uma cadeira ao seu lado e gesticulou para que ficasse pertinho dele, todo sorridente e gentil. Não conseguiu evitar seu coração bater mais ligeiro no peito quando se acomodou ao lado dele, sentindo o calor do corpo bem perto do seu, em um esbarrar de ombros inofensivo, mas que o deixava estranhamente consciente dele. Não conseguiu evitar se perder mais um pouquinho naquelas sensações e sentimentos que aos poucos se tornavam mais consistentes.

Kyungsoo estava à beira de se apaixonar.

Baekhyun nem sequer sabia.




X




Gradualmente, Kyungsoo e Baekhyun foram criando certa proximidade. Em quatro meses, já poderiam se considerar quase amigos.

Embora Do quisesse se convencer que estava fazendo o possível para se manter longe de sua alma gêmea, era uma tremenda mentira que nem o mais bobo dos homens seria capaz de acreditar. Era evidente a cada almoço compartilhado, encontro descompromissado na biblioteca ou conversa fiada no corredor que Kyungsoo estava doidinho para ficar mais próximo do Byun.

Baekhyun era simplesmente impossível de ignorar, quando estava na presença dele, todo o foco de Kyungsoo se voltava para ele, para seus gostos, suas preferências, seus planos, seus sonhos... tudo sobre ele. Do ansiava por ver o Byun, conhecê-lo como a palma de sua mão e desvendar seus desejos mais profundos.

Kyungsoo se considerava bom em ler pessoas, apesar de nunca se aproximar mais do que julgava suficiente, mas quando se tratava de Baekhyun, mesmo estando perto, achava difícil lê-lo de verdade e nunca sabia o que ele realmente pensava ou queria, vivendo no escuro sobre seus possíveis sentimentos.

Mesmo sem querer, Baekhyun o deixava nervoso e acanhado, com toques cada vez mais frequentes e ousados.

Quando se conheceram, Byun evitava tocá-lo, com medo de ultrapassar um limite existente ou deixá-lo desconfortável, mas com o tempo, com a proximidade e amizade crescendo, começou a tomar liberdades que o Do ainda não conseguia decidir se amava ou simplesmente detestava.

Baekhyun era uma pessoa que, naturalmente, curtia ficar grudada, que gostava de distribuir beijinhos em sua bochecha sem nenhum motivo, de segurar em sua cintura sempre que tinha oportunidade, de abraçá-lo bem apertado – geralmente pegando-o desprevenido –, de cheirá-lo e elogiar seu perfume bem no pé de seu ouvido, e de descansar a cabeça em seu ombro quando sentia-se cansado, sem a consciência dos estragos que fazia com seu pobre coraçãozinho.

Kyungsoo não podia culpá-lo por ser assim, a culpa era inteiramente sua por não deixar claro o que ele podia ou não fazer e, sinceramente, nem sabia se queria, pois mesmo que fingisse não gostar de tanto contato físico, ficava todo molinho e entregue com os beijinhos, abraços e toques de Baekhyun, gostando até demais de tudo aquilo. O que poderia fazer se o Byun era tão macio e cheirosinho? Do não conseguia resistir.

Naquele exato momento, estava sentado em uma mesa mais afastada na biblioteca para, pelo menos, tentar estudar, já que estava cheio de trabalhos acumulados para fazer, mas só conseguia pensar em Baekhyun e em sua boquinha linda que ele tanto queria beijar, desde o primeiro dia. Kyungsoo nunca pensou que se sentiria tão ligado a alguém assim antes, apesar de já ter passado por alguns relacionamentos e casinhos que não duravam mais que duas semanas, jamais sentiu-se tão envolvido, na falta de uma palavra melhor.

Byun era o primeiro cara que conseguia a proeza de deixá-lo nervoso e inseguro ao mesmo tempo em que o deixava feliz e radiante só por estar perto.

Balançando a cabeça levemente e mordendo o lápis de tanta frustração por não estar mais conseguindo compreender o próprio trabalho, Kyungsoo ajeitou seus óculos no rosto, passou os olhos pelo papel mais uma vez e se forçou a ler, colocando Baekhyun para o canto mais afastado de sua mente.

No entanto, justo no instante em que estava finalmente conseguindo entender o que lia e resolvendo o que precisava fazer, dois braços se enroscaram ao redor de seus ombros e um cheiro característico invadiu suas narinas, deixando-lhe estático por alguns segundos.

Seu coração começou a bater tão rápido que quase conseguia ouvi-lo pulsar e seu corpo naturalmente se arrepiou todo quando os lábios bonitos de Baekhyun depositaram um beijinho inocente em sua bochecha, logo em seguida sussurrando um simples “olá” que fez seu estômago se agitar.

Kyungsoo jamais iria entender como seu corpo inteiro ficava em alerta por simples beijinhos inocentes ou abraços que não deveriam significar nada, mas que significavam muito para si. Baekhyun se desvencilhou daquele pequeno abraço desajeitado e deslizou para a cadeira ao seu lado, deixando a mochila cair no chão enquanto o corpo descansava desleixadamente, todo molenga e aparentemente cansado, cheio de suspiros.

— Dia difícil? — Do perguntou após achar que estava bem o suficiente para falar, engolindo saliva e ignorando seu maldito nervosismo.

— Uhum — Baekhyun concordou sem vontade, fechando os olhos brevemente e abrindo-os para encarar Kyungsoo. — Muitas coisas acumuladas para resolver.

Do riu baixinho, entendendo bem o que se passava.

— Entendo — disse com um risinho. — Também tô assim, bem ocupado...

— Eu sei — Baekhyun murmurou com um sorriso gracioso. — Junmyeon me disse, por isso vim aqui pra gente estudar junto, espero não estar incomodando.

— Não incomoda — Kyungsoo foi rápido em negar, apesar de ele saber que não conseguiria estudar porra nenhuma com o Byun bem ali, do seu lado. — Pode ficar, não tem problema.

Baekhyun aquiesceu sorridente, ajeitando-se na cadeira e ficando tão perto quanto possível, o que Kyungsoo tentou ignorar, voltando sua atenção para seus papéis enquanto o Byun organizava o material que iria precisar usar.

Mesmo sem querer, Do sempre voltava sua atenção para Baekhyun, olhando-o pelo canto de olho, observando a maneira que ele mordia os lábios quando concentrado e adorando como a voz naturalmente bonita dele ficava ainda mais linda quando cantarolava alguma música antiga.

O jeito que suas personalidades e gostos se contrastavam sempre surpreendia Kyungsoo, enquanto conversavam, admirava-se com a maneira que Baekhyun era tão inteligente e centrado, cheio de sonhos e metas que ele tinha a certeza de que iria alcançar; com o modo que ele era engraçado sem precisar ser um otário e com a forma que ele se expressava, por meio de caretas e biquinhos que se esforçava muito para não encher de beijos.

Ria da maneira que o Byun dizia odiar pepinos e dietas que nunca surtiam efeito em si, do modo que ele demonstrava amar músicas dos anos 80, 90 e 2000 – pois segundo ele o pop havia morrido – e a forma que ele ficava todo radiante ao falar de jogos e coisas que Do não fazia ideia do que era, mas que gostava de ouvir ele passando horas discorrendo sobre.

Kyungsoo era mais do tipo espertinho que achava que sabia de tudo, mas que não tinha tantas metas e sonhos assim para alcançar; que não era tão engraçado – mais do tipo sarcástico – e preferia distância de gente em geral; e que não era muito expressivo, guardando as coisas para si.

Do amava comidas de todos os tipos, fazia algumas dietas e chás malucos que Junmyeon inventava, gostava de músicas dessa década, apesar de concordar que nem tudo era tão bom assim, e curtia falar sobre filmes e séries sobre ficção científica que Baekhyun também não entendia tanto, mas sempre se esforçava para assistir e voltar a comentar quando se viam novamente.

Eram muito diferentes e isso era fato, mas nunca faltava assunto quando estavam juntos e quando menos percebiam, já não estavam mais estudando, batendo papo sobre inutilidades enquanto seus trabalhos eram esquecidos e a supervisora da biblioteca reclamava de hora em hora sobre tanta conversa.

Naquele dia, não foi diferente, menos de dez minutos após a chegada de Baekhyun, já estavam discutindo sobre o filme que passaria de especial na TV e sobre o frio que começava a fazer lá fora, em um clima natalino quase insuportável em pleno novembro. Enquanto Baekhyun dizia amar natal encarnando a própria Mariah Carey com seu clássico, Kyungsoo já dizia desgostar um pouquinho, principalmente da ceia com toda a família reunida, que sempre rendiam momentos constrangedores e perguntas sobre quando ele encontraria um ômega para chamar de seu, o que deixou Baekhyun estranhamente consciente de si mesmo.

O tempo passou tão rápido naquela tarde que, quando menos perceberam, já estava escurecendo. A biblioteca sempre fechava às 20:00 e os dois quase sempre eram expulsos pela velha bibliotecária quando não resolviam ir embora mais cedo.

Baekhyun bocejou e coçou os olhos, tirando o celular do bolso para olhar as horas e se assustando ao constatar que já eram 19:30. Kyungsoo apenas riu da careta que ele fez e começou a organizar seus materiais para ir embora, ouvindo pacientemente os resmungos do Byun.

— Não ria, Soo — Baekhyun disse com um biquinho adorável. — Sempre perco a noção do tempo quando tô com você.

O sorriso de Kyungsoo diminuiu um pouco de embaraço e seu peito apertou levemente.

— E isso é ruim? — perguntou como quem não queria nada, pegando sua mochila e cuidadosamente enfiando suas coisas dentro.

— Depende do ponto de vista — Byun respondeu com um riso. — É um pouco preocupante já que eu sempre perco a hora de passar no supermercado, mas o fato de eu gostar de ficar com você compensa, e muito. — Mexeu as sobrancelhas sugestivamente e deu uma piscadinha.

Com aquelas palavras, o Do quase sentiu a alma sair do corpo.

— Ah, é? — sua voz falhou levemente, fazendo-o pigarrear. — Sinto muito por te fazer perder a hora.

— Sem problemas — Byun respondeu sorridente, levantando-se da cadeira e colocando a mochila nas costas. — É sempre um prazer estar contigo.

Kyungsoo não sabia se era apenas impressão sua, mas Baekhyun estava flertando consigo? Sua mente só poderia estar pregando peças, o Byun que conhecia era indiferente demais para flertar ou lhe dar qualquer sinal de interesse mútuo.

No fim, Do apenas riu baixinho, sem saber se estava imaginando coisas, levantou da cadeira em que estava e se colocou ao lado de Baekhyun, apoiando uma mão em um de seus ombros e apertando levemente.

— Vamos para casa — disse em um tom suave, olhando carinhosamente para Baekhyun, que também o olhava com um indício de sorriso nos lábios.

— Vamos.



[...]




O caminho para casa era sempre cheio de conversa, piadas idiotas e risadas, nunca faltando assunto enquanto seguiam o pequeno percurso até chegarem à estação de metrô. Em momentos como esse, Baekhyun gostava de andar no meio-fio da calçada, com a mochila bem segura nas costas e os dois braços abertos para que não perdesse o equilíbrio, como uma verdadeira criança. Kyungsoo andava ao lado, alerta para que o Byun não sofresse um pequeno acidente, ouvindo as histórias de quando ele estava no colegial.

Baekhyun contava sobre como se mudou de Bucheon para Seul assim que passou no vestibular, como sentia falta de sua avó e seus amigos de infância, como conheceu Junmyeon quando estava perdido no campus da universidade e como eles se tornaram amigos, e vários outras coisas que Kyungsoo fazia questão de ouvir atenciosamente.

Eles nunca conversavam sobre interesses amorosos ou sobre o fato de que Do era um alfa e Byun um beta, apesar de já terem admitido em conversas passadas de que não eram muito fãs da classe um do outro.

Segundo Baekhyun, ele não tinha muito interesse naquilo tudo e se um dia fosse namorar ou casar com alguém, gostaria que fosse um ômega ou um beta como ele. Nas palavras do Byun, “alfas eram problemáticos demais, raivosos demais”, acabando com as ilusões de Kyungsoo em uma questão ridícula de segundos.

Tecnicamente, eles eram incompatíveis: Baekhyun era um cara extrovertido, afetuoso e beta demais para Kyungsoo; assim como Do era um cara introvertido, bravo e alfa demais para Byun. Nunca dariam certo, jamais. Mas isso era apenas tecnicamente, já que na realidade – por mais que não falassem muito sobre aquilo – eram bastante compatíveis.

Kyungsoo pensava justamente naquilo, espremido entre o corpo de Baekhyun e de uma senhora em um dos bancos do metrô lotado, quando sentiu a mão do Byun apertar a sua suavemente. O toque foi tão sutil e repentino que jurou estar alucinando antes de olhar para a palma da própria mão e ver os dedos de Baekhyun acariciando-a com leveza.

Fazia cócegas.

Um sorriso brotou em sua face com o contato tão simples, mas que deixou seu peito quentinho. Seu olhar se direcionou para o rosto de Baekhyun, que o olhava e sorria com carinho, os olhos naturalmente gentis pareciam ainda mais afetuosos e seus lábios finos e tão beijáveis se repuxavam em um sorriso lindo. Seus cabelos rosados que se assemelhavam a algodão doce caíam sutilmente pela sua testa, deixando-o ainda mais bonito e impossível de ignorar.

Kyungsoo queria beijá-lo.

Queria tanto beijá-lo que engoliu em seco antes de descer os olhos pela boca do Byun, perguntando-se intimamente se ele o beijaria de volta. Os lábios de Baekhyun eram finos, rosados e aparentemente macios, embora ele tivesse o hábito de morder, e o Do queria constantemente beijá-los, mordê-los e chupá-los, deixá-lo louco por ele tanto quanto era por si.

Com um suspiro, Kyungsoo levantou o olhar para os olhos de Baekhyun e se surpreendeu quando percebeu que ele olhava para seus lábios também, sentindo-se subitamente quente e consciente da mão do Byun sobre a sua, apertando-a mais forte que antes.

Estavam tão perto que poderiam se beijar ali mesmo, no metrô barulhento e cheio de gente. As respirações estavam se misturando, as testas quase se encostando e os lábios a pouco centímetros de distância, só precisava de um movimento para que se beijassem e acabassem com aquela vontade que o Do agora tinha certeza que era mútua, quando o metrô deu uma guinada, assustando a ambos.

A mão de Baekhyun imediatamente soltou da sua e se prendeu na sua mochila como se fosse um bote salva vidas, fazendo-o desviar o olhar de embaraço. Estavam em público, mais próximos do que deveria ser permitido para simples amigos e quase se beijando.

O que diabos estava acontecendo, afinal de contas?

Kyungsoo olhou para os pés, subitamente envergonhado pelos seus impulsos, e se arrependeu instantaneamente de estar usando uma camisa de gola alta, pois ele estava quente, quente demais para quem estava em pleno inverno. De repente, parecia difícil demais de respirar ao lado de Baekhyun, sentindo o cheiro cítrico e delicioso dele dominar suas narinas e a presença marcante deixando-o mais nervoso ainda.

O suor começou a discretamente descer pela sua testa, molhando seu cabelo, e sua têmpora começou a ficar suada também. Logo, Kyungsoo estava precisando prender a respiração para não sentir o cheiro do Byun e não acabar pirando ou cometendo alguma loucura. Procurava não olhar para ele, tentando ignorar sua presença e acalmar seus nervos.

Aqueles sintomas não eram estranhos, eram bastante familiares, só que pareciam ainda mais atenuados e adiantados: seu cio parecia ter vindo mais cedo e numa hora bem inoportuna.

Somente Junmyeon sabia como Kyungsoo tornava-se violento e insaciável durante o cio, precisando ficar fora de casa enquanto o Do se consumia de tanta fúria e tesão não aproveitado pelo fato de não transar há séculos, e nem de longe o Do gostaria que Baekhyun visse seu lado mais animalesco, pelo menos não daquele jeito, não ainda.

Baekhyun, ainda consumido pela vergonha do quase beijo, não olhava em sua direção e apenas percebia a inquietação de suas pernas, resolvendo ignorar por achar que Kyungsoo estava, na verdade, com vergonha também. No entanto, tudo o que o lobo interior de Kyungsoo lhe dizia era para tomar o Byun para ele, cravar os dentes na carne de seu pescoço, marcá-lo, fodê-lo, fazê-lo ser todo seu para sempre, com pensamentos nada castos.

A agonia que o Do sentia era tanta que suas coxas se comprimiam no intuito de conter sua excitação, seu corpo se contorcia levemente e sua testa suava como se estivesse queimando. Precisava dar o fora dali, precisava tanto que não se importava de sair antes de chegar em sua estação, já preparando-se para ir embora na primeira oportunidade que tivesse.

E com esses pensamentos em mente, nublados de tesão e agonia de não mostrar sua parte mais assustadora para sua alma gêmea, que ele levantou abruptamente e saiu quase correndo assim que o metrô parou em uma estação que estava longe de ser a sua.

Kyungsoo nem se deu ao trabalho de olhar para trás ou dar alguma satisfação para um Baekhyun bastante confuso e estarrecido pela sua atitude, praticamente pulando quando a porta se abriu. O Do saiu com tanta pressa que, assim que colocou os pés para fora, se pôs a correr, gastando sua energia para chegar em casa e passar seu próprio inferno pessoal sozinho, sem a ajuda de seu beta, que nem sequer sabia que era seu.




X





O tempo se arrastou lentamente após a última vez que Kyungsoo viu Baekhyun.

Duas semanas inteiras trancado em casa, primeiramente por conta do cio e depois pelo sentimento de culpa que se apossara de seu peito, Do não conseguia sequer pensar no Byun sem ficar triste.

Seu melhor e talvez único amigo Junmyeon precisou intervir ao perceber que não saía do quarto a mais tempo do que deveria, e resolveu perguntar o que havia de errado com ele naqueles meses, obrigando-o a contar o que lhe afligia.

Kyungsoo resistiu bastante no começo, envergonhado demais para contar aquilo sem parecer um grandessíssimo idiota, mas acabou admitindo, por meio de balbucios e resmungos, que o problema era o fato de que Byun Baekhyun era sua alma gêmea.

Junmyeon ficou um pouco chocado no começo, tanto que achou que era uma brincadeira de mau gosto de Do, apesar de ele não costumar fazer aquilo, porém, começou a puxar várias lembranças de momentos esquisitos entre os três até chegar na conclusão de que, sim, era verdade e que agora fazia todo sentido o jeito que Kyungsoo se comportava perto do Byun, o que, a princípio, Kim julgava ser uma paixonite boba.

Do reclamou bastante naquele dia, pediu conselhos de Junmyeon e se acomodou nas coxas dele enquanto recebia um cafuné no cabelo, que se transformava em leves tapas quando começava a choramingar sobre uma situação que ele mesmo criou e não sabia como resolver. O Kim lhe deu ótimos conselhos – que no fundo ele não estava exatamente disposto a cumprir – tais como contar tudo ao Byun antes que ficasse tarde demais e ser o mais honesto possível com ele e consigo mesmo.

Kyungsoo concordou na hora, mas assim que viu Baekhyun após vários dias de sumiço, perdeu toda a coragem que não tinha. Como poderia arriscar perdê-lo antes mesmo de tê-lo, de fato? Do não conseguia mais se imaginar ficando longe do Byun e tinha certeza que ele iria odiá-lo se descobrisse o que andava escondendo dele por cerca de quatro meses.

Por essa razão, resolveu se afastar até decidir o que realmente fazer, focando-se no seu curso e correndo atrás do prejuízo para não ficar reprovado por falta. Felizmente, não teve tantos problemas nesse quesito, já que seus professores o adoravam por ser um acadêmico tão dedicado e só precisava se esforçar mais para recuperar nota em Citologia Esfoliativa.

Assim passaram-se os dias, com Kyungsoo cuidando de seus negócios e evitando o Byun como se ele tivesse uma doença contagiosa, apesar da clara reprovação de Junmyeon e o peso na consciência por estar ignorando uma das pessoas mais importantes para si.

Do era bom em fingir que não se importava, tão bom que Baekhyun facilmente acreditou que fizera algo errado para estar sendo ignorado tão friamente e parou de procurá-lo após um tempo.

E assim ficaram por longas semanas, até completar um mês desde a última vez que trocaram mais do que simples cumprimentos.

Kyungsoo lembrava tão bem do último encontro que tiveram no metrô que ficava até constrangido pela maneira que agiu, embora não tivesse muito controle sobre seu corpo e sua natureza animalesca, ficava com vergonha pelo fato de que sequer pedira desculpas ou dera nenhuma explicação a Baekhyun.

Estava pensando exatamente nisso enquanto saía do laboratório de seu orientador de TCC, ajeitando a mochila nas costas e se encolhendo dentro do casaco. Fazia um frio característico de inverno, um pouco seco demais para seu gosto, que deixava seus lábios rachados e as pontas dos dedos congeladas.

Seus pensamentos oscilavam entre “preciso de luvas novas” e Baekhyun, Baekhyun, Baekhyun. Nem quando estava preocupado com outras coisas conseguia parar de pensar no garoto de cabelos rosados, como uma praga que não sabia se livrar.

Enquanto refletia sobre isso, acabou esbarrando em alguém, sem prestar muita atenção em quem até o momento em que suas narinas foram tomadas por um cheiro cítrico que conseguiria reconhecer a qualquer distância. Seu corpo involuntariamente se voltou para ele, como se não tivesse controle sobre os próprios pés, e ficou de frente para um Byun nem um pouco contente.

Baekhyun raramente parecia desgostar de alguma coisa, era uma pessoa muito fácil de lidar e naturalmente afetuosa, então quando ele olhou para Kyungsoo com aqueles olhos cheios de ressentimento, algo dentro de Do pareceu quebrar. Ele estava chateado, talvez até magoado.

A primeira coisa que passou na cabeça foi estender as mãos para abraçá-lo e pedir perdão por tudo que havia feito, pela indiferença que nunca sentiu de verdade e por ter sumido sem dar nenhuma explicação, como um verdadeiro idiota, mas tudo que fez foi ficar parado no lugar, com medo de chatear o beta ainda mais, medo de fazê-lo lhe odiar.

Byun cruzou os braços e ficou lhe encarando, esperando que dissesse alguma coisa, qualquer coisa, que fizesse o mínimo de sentido. Kyungsoo abriu e fechou a boca várias vezes, como um peixe fora do mar, mas não conseguiu dizer nada além de um “oi” quase incompreensível.

Baekhyun, trocando o peso de um pé para outro, o olhou com uma expressão quase entediada, respondendo um “oi” a contragosto.

E ficariam daquele jeito pelo resto dos minutos se dependesse de Kyungsoo, que simplesmente sentia a boca secar cada vez que formulava algo a dizer ao Byun, perdendo a coragem que jamais teve.

Antes de Baekhyun, o Do vivia em uma zona de conforto, não precisando sair dela para absolutamente nada. Era bom daquele jeito, só fazia as coisas do jeito que sabia e nunca teve problemas, tanto em sua vida profissional quanto pessoal. Talvez por esse motivo nunca tivesse se entregado ou amado de verdade, embora fosse experiente, talvez por esse motivo nunca tivesse permitido alguém se tornar absoluto para si, antes de Baekhyun.

Precisava sair dessa zona se quisesse que o Byun permanecesse na sua vida, precisava tomar riscos.

— Eu sinto muito — foi a primeira coisa que Kyungsoo disse após um segundo de letargia. — Ferrei tudo com você e nem tenho motivos decentes para isso, sequer sei como pedir perdão direito.

Baekhyun ficou quieto, esperando mais explicações.

— Eu precisava de um tempo pra pensar e por isso me afastei sem dizer nada — disse uma meia verdade. — Sei que fui um péssimo amigo.

— Péssimo amigo? Tsc — Baekhyun desdenhou com uma risada ressentida. — Você nem sequer explicou o que eu te fiz para que me tratasse como se eu fosse uma maldita barata nojenta.

— Não é bem assim — Kyungsoo respondeu com as sobrancelhas franzidas. — Eu precisava de um tempo.

— Ah tá — Byun riu sem humor. — E agora quer voltar a falar comigo como se nada tivesse acontecido? O que mudou nesse tempo?

— É complicado, você não entenderia...

— Por que não? Acha que não tenho capacidade pra isso?

— Claro que não, Baekhyun — Do respondeu como se ele estivesse falando absurdos. — Você simplesmente não me perdoaria.

Aquilo chamou a atenção do Byun, tanto que ele descruzou os braços e franziu o cenho, um pouco impaciente.

— Como assim não perdoaria? O que há para perdoar além do fato de que você passou a me evitar como se eu fosse um leproso? — Soltou um riso de escárnio.

Kyungsoo engoliu em seco, um pouco assustado por aquela faceta de Baekhyun.

— Algo muito pior — murmurou vagamente, sem querer realmente contar toda a verdade e ser odiado para sempre. — Não acho que queira saber.

— Como você sabe que eu não quero saber? Me conta a verdade, Kyungsoo, eu mereço saber por que você se afastou de mim — disse em um tom firme. — Mereço saber o que eu fiz.

— Você não fez nada! — Kyungsoo foi rápido em negar. — Eu que fodi tudo, eu que não te contei a verdade desde o início porque não queria sofrer, mas eu te fiz sofrer, eu tô me fazendo sofrer agora... — admitiu em um tom doloroso. — Nunca pensei que eu poderia gostar tanto de alguém assim até você aparecer.

Baekhyun ficou embasbacado.

— Você gosta de mim? — Foi a primeira coisa que conseguiu registrar.

— Sim, porra, demais... — Kyungsoo confessou sentindo um desespero interno, com o sentimento de que iria foder tudo lindamente. — Eu gosto tanto que nem sei explicar, e por essa razão eu escondi algo muito importante de você, por mais tempo do que gostaria de contar...

Byun continuou ouvindo.

— Eu sempre tive medo de me relacionar, apesar de já ter namorado algumas pessoas no passado, nunca me senti totalmente entregue ou apaixonado, nunca ninguém foi absoluto pra mim — repetiu o que havia ouvido Baekhyun contar uma vez —, pelo menos até você aparecer... — contou num surto de coragem. — No início eu achei que era só atração física infundada, mas toda vez que eu te via, sentia vontade de me aproximar, e cada vez que ficava longe, só pensava em estar perto. Tudo me atraía para você e isso nunca tinha acontecido comigo, ainda mais por um beta.

Baekhyun abriu a boca para falar, mas fechou quando Kyungsoo continuou praticamente vomitando as palavras.

— Então eu descobri, em uma das minhas olhadas, que você é igual a mim — disse vagamente. — Você é minha alma gêmea.

Do disparava tantas informações que Baekhyun mal conseguia registrar.

— Você tem uma marca idêntica a minha — disse, puxando a gola da camisa para que Baekhyun visse a palavra destacada em seu pescoço. — Nós temos as almas entrelaçadas ou algo assim.

Byun o encarava incrédulo.

— Não contei primeiro porque não queria proximidade, estava com medo de me machucar, e depois porque não queria perder sua amizade e eu sabia que iria — confessou com uma expressão dolorosa. — Eu sabia que iria ficar sem você e já estava acostumado a estar perto mesmo que não tivéssemos nada — desabafou. — Na noite do metrô, eu perdi o controle porque meu cio veio mais cedo e eu não queria que você visse essa parte tão defeituosa, não queria que você visse o quão descontrolado eu fico.

Baekhyun o encarava com os olhos arregalados.

— Você não precisa me perdoar, sequer falar comigo porque sei que não mereço por ter escondido isso de você, mas não pense que fez algo errado porque quem errou fui eu quando tomei decisões por não cabiam a mim tomar.

O rosto de Kyungsoo estava vermelho de tanto falar, das palavras entaladas em sua garganta por tanto tempo, e respirar parecia uma tarefa tão difícil quando tudo que mais queria era desabar de tanto chorar... Ele simplesmente sabia que Baekhyun não iria perdoar, era uma mentira tão grande, tão feia... Uma omissão que não permitiu que eles seguissem um processo natural das coisas, que não permitiu que eles começassem uma história bonita.

Byun parecia ainda mais magoado do que quando começaram a se falar e se Kyungsoo dissesse que ficou surpreso quando viu que seus olhos começaram a marejar e que ele virava de costas, estaria mentindo.

Do já sabia que Baekhyun não iria perdoá-lo.

Só não esperava que o silêncio doesse mais do que palavras raivosas.



X



Naturalmente, a vida seguiu como sempre, apesar de dois corações estarem partidos, o mundo não pararia de girar por causa de suas vidinhas insignificantes.

Kyungsoo chorou tudo que tinha para chorar naquele dia e nos seguintes, e Junmyeon estava lá em todos eles para dizer “eu te avisei” ao mesmo tempo em que o abraçava e resmungava sobre o quão burro ele era, que tanta burrice daquele jeito não tinha como curar.

Do nunca tinha passado por uma provação tão grande quanto aquela, jamais tivera o coração partido para saber que doía tanto daquele jeito, mas sabia que merecia por ter sido um babaca medroso, que se arriscou a perder o homem de sua vida por medo de se machucar.

No fim das contas, os dois saíram machucados e nada foi resolvido.

Já era dezembro, as ruas e as casas estavam cobertas de neve, e todos estavam no clima de paz e amor, ansiando para que aquele ano horrível acabasse de uma vez e outro viesse para ser mais horrível ainda. As músicas natalinas tocavam até nas boates e se via tanto vermelho e branco nas ruas que outras cores pareciam inexistentes.

Kyungsoo felizmente já estava entrando de férias após concluir suas últimas matérias obrigatórias e só precisava defender seu trabalho de conclusão no ano seguinte, em que também ganharia seu tão merecido diploma.

A vida estava seguindo, simplesmente, tão ruim como sempre estivera.

Do não parou de viver só porque Baekhyun já nem olhava mais para sua cara e ignorava completamente sua presença sempre que tentava se aproximar dele de alguma forma, claro que não... Só parou de sair para os mesmos rolês e frequentar as mesmas festas que ele porque não estava afim mesmo, sempre foi um homem cheio de vontade, afinal.

Por esse motivo que recusava toda vez que Junmyeon o convidava para comer um lanche ou tomar um ar lá fora, porque era um homem cheio de vontade que não podia ouvir o nome de Baekhyun sem ficar bolado.

Foi praticamente um milagre o Kim ter conseguido convencê-lo a ir ao supermercado para fazer as compras para a ceia de natal e quase ouviu o coro de aleluia quando colocou os pés para fora de casa, sentindo a neve molhar seu nariz e fazer cócegas. Kyungsoo conversou bastante com a senhora do caixa enquanto Junmyeon passava as compras, já que não se viam há quase dois meses, e comprou tantos potes de sorvete que nem sabia que se caberiam em seu refrigerador.

Aquele foi um dos únicos passeios que fizera naquele período fora seus compromissos na faculdade, pois não se encontrava mais disposto a nada.

O tempo passou impiedoso e a cada dia, mesmo que procurasse negar para si próprio, sentia ainda mais falta de Baekhyun, de seus cabelos rosados, seus óculos redondinhos, seu sorriso retangular, sua risada escandalosa, suas piadas infames, sua voz, seu cheiro... dele todinho, sem tirar e nem pôr.

Kyungsoo estava tão apaixonado que chegava a ser patético.

E doía para um caralho estar longe e saber que havia lhe magoado quando poderia ter evitado tudo aquilo desde o início. Se o Do não fosse um egoísta filho da puta que se colocava na frente para não se magoar, talvez aquele sofrimento sequer existisse.

Dando suspiros demais em um curto período de tempo, Kyungsoo assistia um especial de natal que passava na televisão. Nem sequer era natal ainda, mas tudo sobre dezembro era referente ao Papai Noel, renas, roupas vermelhas, guloseimas e muita Mariah Carey.

Junmyeon havia saído com um cara que conheceu em uma festa da faculdade, um tal de Kim Minseok de Educação Física, bonito e gostosinho demais até na opinião de Do, que não costumava reparar muito, e o deixou largado a própria sorte com seu especial de natal.

Estava tão entretido cantarolando as músicas natalinas que nem se dignou a levantar quando alguém começou a bater na porta. Presumindo que fosse Junmyeon – que possuía um talento bruto de perder suas chaves pelo menos cinco vezes num dia só – apenas o mandou se virar, gritando sem cerimônias.

No entanto, as batidas continuaram insistentemente, fazendo-o levantar a bunda do sofá com uma raiva que só ele sabia ter, já pronto para xingar seu melhor amigo com seu vocabulário vasto de palavrões.

— Já disse pra andar com essa chave dentro da cueca — Kyungsoo resmungou ao destrancar a porta. — Devia é enfiar no c-

Sua voz foi morrendo assim que seus olhos capturaram a imagem de um Baekhyun, agora de cabelos vermelhos como fogo, parado na sua porta com um sorriso pequeno e hesitante.

Nunca em mil anos o Do estaria esperando uma daquelas.

— Oi? — Byun disse um pouco incerto. — Posso entrar?

Kyungsoo o olhava como se fosse uma nova espécie de monstro parado em sua porta, aparentemente assustado demais para falar alguma coisa, apenas assentindo e dando espaço.

Fazia quase três semanas que não trocavam nenhuma palavra, apesar de o Do ter tentado, e a última coisa que estava esperando era um Byun batendo em sua porta, como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se ele não tivesse arruinado a amizade e tudo entre eles.

Do piscava várias vezes, realmente sem entender.

— Falei com Junmyeon e ele disse que você estava aqui — Baekhyun respondeu à pergunta implícita no rosto de Kyungsoo. — Desculpa aparecer tão do nada, mas eu precisava falar com você.

Várias interrogações surgiram na cabeça de Do, que apenas fechou a porta atrás do Byun e gesticulou para que ele sentasse no sofá ou sei lá.

Baekhyun prontamente sentou, olhando para a televisão e abrindo um sorriso ao ver o que passava.

— Especial de natal? Mas ainda é início de mês...

Kyungsoo deu de ombros, logo em seguida cruzando os braços, um pouco embaraçado por estar de pijamas e cabelos bagunçados.

— É...

Byun se mexeu desconfortável no sofá e coçou a nuca, sem saber como enrolar mais do que já estava enrolando. Baekhyun sempre foi uma pessoa direta e não costumava se fazer de rogado quando queria alguma coisa, determinado e cheio de atitude, que contribuía bastante para que ele fosse um ótimo futuro arquiteto.

Do parecia sem saber o que fazer, então resolveu ir direto ao ponto.

— Você foi um tremendo idiota — Baekhyun quebrou o silêncio. — O maior deles, e eu fiquei tão puto que não podia nem pensar em você sem querer chorar de ódio ou matar alguém no soco.

Kyungsoo foi pego de surpresa, mas continuou ouvindo pacientemente.

— Você me deixou no escuro por tanto tempo sobre isso quando tudo que eu mais queria era saber o porquê de me sentir tão diferente perto de você, com a sensação de que nunca tinha o suficiente apesar de estarmos próximos, sempre querendo mais de você, querendo estar mais próximo ainda, de uma forma que eu nunca quis estar com mais ninguém — Byun confessou firmemente, olhando bem fundo nos olhos de Kyungsoo. — Me deixou no escuro achando que eu era só mais um beta que você não seria capaz de gostar porque betas não fazem seu tipo, assim como alfas não fazem o meu. — Ele riu, seco. — Você foi um grandíssimo filho da puta.

Do ficou catatônico com o tanto de informação.

— Mas ainda assim, eu não consegui deixar de gostar de você, mesmo depois de você ter mentido e escondido algo tão importante de mim, porque... — parou de falar por um momento, como se estivesse pensando se deveria ou não. — Porque você se tornou absoluto para mim, tão absoluto que não consigo me imaginar mais longe, apesar de você ter errado feio comigo.

O silêncio tomou conta da sala brevemente, enquanto o Byun parecia pensar.

— Não queria que você pensasse que eu te odeio ou que nunca vou te perdoar porque eu gosto de você, talvez mais do que gostaria de admitir, mas gosto, gosto tanto que só a ideia de não ficarmos juntos me deixa desolado. — Riu nervoso. — Eu gosto de você, Soo, queria que soubesse disso antes desse ano maldito acabar, para podermos começar de novo.

Kyungsoo estava chocado demais para dizer algo coerente, parecendo tão surpreso que só foi acordar do choque quando o Byun pigarreou, esperando uma resposta coerente. Do começou a gaguejar qualquer coisa antes de respirar fundo e clarear sua mente, decidindo ser mais seguro daquela vez, sem deixar sua oportunidade passar.

Byun o olhava expectante e se surpreendeu quando Kyungsoo se aproximou para ocupar o espaço ao seu lado, em uma distância respeitosa.

— Eu sinto muito — disse o que falou da primeira vez, sentindo que deveria. — Não era minha intenção te magoar ou chatear, só pensei em mim e em quão assustado eu estava por gostar tanto assim de alguém.

Baekhyun continuava olhando-o.

— Também demorei para aceitar o quão envolvido eu já estava, mesmo sem te conhecer tão bem, e fiquei morrendo com a perspectiva de você não gostar de mim também. Fui idiota, tolo, egoísta e imaturo, mas eu... — hesitou um pouco, olhando bem para o Byun e sentindo vontade de acabar com aquela conversa de uma vez só para beijá-lo. — Quero começar de novo com você, do zero, sem mentiras dessa vez e com o pé direito.

Baekhyun sorriu.

— Quero ser um cara digno pra você, um alfa que faça seu tipo — disse com um meio sorriso, achando graça. — Um cara que te mereça.

Byun sorriu mais ainda, discretamente buscando seus dedos no sofá e entrelaçando-os com força, como se aquilo fosse uma segurança.

Não disseram nada quando chegaram mais perto, nem quando a mão de Baekhyun encontrou caminho para a nuca de Kyungsoo, fazendo um carinho gostoso em seu cabelo e passando levemente os dedos na palavra dele, muito menos quando o Do estremeceu sob o toque do Byun, já ansiando pelo beijo que receberia e que selaria aquela promessa de um novo começo.

Com Baekhyun, Kyungsoo não se importava de mostrar seu lado mais sensível e entregue, já era dele mesmo, se o Byun pedisse, ele seria para sempre.

Assim que as testas se encostaram e os lábios roçaram suavemente, uma corrente elétrica passou pelos corpos, que já ansiavam um pelo outro. Baekhyun sugou o lábio inferior de Kyungsoo e enfiou a língua em sua boca com gana enquanto o Do puxava os fios recém pintados de ruivo de sua alma gêmea, puxando-o para ainda mais perto, pois nunca parecia o suficiente.

As bocas se encaixavam tão bem e os corpos se tocavam tão perfeitamente que pareciam ter sido feitos para estarem colados. Kyungsoo trazia Baekhyun para cima de si, querendo tê-lo todinho, e o Byun se derretia pela vontade que o Do demonstrava ter, sentindo-se amado, desejado e absoluto.

Se beijaram por tantos segundos, minutos, horas... Nenhum dos dois parecia ter noção do tempo enquanto estavam tão grudados, somente se afastando para respirarem e logo em seguida retomando os beijos cheios de vontade.

Kyungsoo poderia não ser o alfa ideal para Baekhyun e o Byun poderia não ser o beta dos sonhos de Do, mas enquanto se perdiam em beijos e toques, pareciam simplesmente perfeitos.

Apenas pararam de se beijar quando a porta da sala fora destrancada e praticamente escancarada por um Junmyeon bastante ocupado com a boca grudada na boca de Kim Minseok de Educação Física, que Kyungsoo fez questão de cumprimentar só para dar o troco de todas as vezes que seu melhor amigo foi mau consigo.

Largando da boca de Junmyeon apenas para ser educado, Minseok cumprimentou o casal aconchegado no sofá e se desculpou pela falta de modos.

Após constrangerem Junmyeon e ganharem um salve de Minseok, ambos finalmente pararam de se beijar tanto, resolvendo prestar atenção no especial de natal que não acabava nunca.

Com Baekhyun deitado com a cabeça em seu peito, Kyungsoo sorria à toa, sequer se importava com os gritos e gemidos vindos do quarto do amigo, sentindo-se melhor do que jamais estivera antes, acariciando a cabeleira ruiva que já começava a gostar muito e cantarolando junto com ele.

Em determinado momento da noite, All I Want For Christmas Is You começou a tocar pela milésima vez desde que o Do ligou a TV naquele dia e as orelhas de Baekhyun pareceram se animar, já que ele abriu os olhos que estavam fechados e começou a cantar junto, sabendo que Kyungsoo não era muito fã da música.

— Gato, eu não sou Mariah Carey, mas você é tudo que eu quero de natal — Baekhyun disse todo tosco, erguendo as sobrancelhas. — De preferência, pelado com um lacinho vermelho no cabelo.

Kyungsoo começou a rir pela audácia, até ficando um pouco envergonhado só pelo pensamento que passou em sua cabeça, mas acabou entrando na brincadeira do Byun.

— Só no natal? — perguntou como quem não quer nada, passeando os dedos pelas costas de Baekhyun. — Porque você pode me ter a qualquer hora.

Byun sorriu safado, erguendo um pouco o tronco para poder apoiar os dois braços aos lados de Kyungsoo, com um olhar perigoso.

— Você vai colocar o lacinho pra mim? — questionou, como se estivesse brincando com o fogo.

— Não sei... talvez eu possa abrir uma exceção — Kyungsoo brincou, agarrando firmemente a cintura de Baekhyun.

— Se for assim, eu quero... — Baekhyun afirmou convicto. — A partir de hoje para todo sempre.

Byun não precisou dizer duas vezes, Do lhe beijou com vontade, já pensando nas mil coisas maravilhosas que poderiam fazer no escurinho de seu quarto.

Baekhyun era, definitivamente, absoluto para si.




27 de Noviembre de 2018 a las 03:14 0 Reporte Insertar 8
Fin

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