Haunted Seguir historia

pcsp P C S P

Dois acontecimentos importantes e trágicos na vida de Sasuke foram o suficiente para bagunçar completamente sua rotina e estabilidade mental. Aos vinte e um anos de idade, ele possuía plena consciência de que já não passava mais de uma sombra do que um dia fora, vivendo em um completo luto e lamentando momentos passados que jamais poderiam ser consertados. Em uma noite completamente normal e rotineira, o moreno conhece uma pessoa que pode mudar completamente o ciclo de sua existência. Não muito tempo depois, Sasuke compreende que se antigamente era o seu passado quem assombrava sua existência, agora seu presente, nomeado simplesmente Itachi, é a verdadeira personificação de todos os fantasmas de sua mente. E se antes ele achava que as coisas não poderiam ficar pior, ele estava prestes a se afogar em seu próprio pesadelo. Afinal de contas, Sasuke Uchiha não passava de um verdadeiro tolo vivendo uma mentira... [UA] *Uchihacest* *Lemons a partir do capítulo 11* STATUS DA FANFIC: Em produção. Disclaimer: Os personagens da fanfic pertencem a Masashi Kishimoto, a trama, no entanto, me pertence. Warnings: linguagem chula, violência, mortes, tortura, cenas explícitas de sexo homossexual e relações incestuosas.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

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Capítulo 1


Corria o mais rápido que suas pernas conseguiam em meio aquela chuva torrencial e completa falta de iluminação. Algo não estava bem naquele lugar, qualquer tolo seria capaz de perceber isso. Não era algo normal todas aquelas sirenes, muito menos a aglomeração de pessoas ao redor de sua casa, ainda mais debaixo de tanta água.

_ Sasuke, volte já aqui! – alguém falava as suas costas, correndo atrás da criança numa tentativa de pará-la, mas o garotinho não lhe dava a mínima atenção, respirando ofegante enquanto acelerava ainda mais os passos desesperados. Alguns policiais e curiosos tentaram pegá-lo para impedi-lo de atravessar a faixa amarela que circundava o terreno de sua casa; mas ele era, inquestionavelmente, mais rápido.

O pequeno Uchiha não era considerado uma promessa nos esportes em sua escola sem a obtenção de mérito, poucos eram capazes de correr na mesma velocidade que ele em curtas distâncias e ninguém conseguia vencê-lo quando se tratava de corrida de obstáculos. Muito menos um bando de idosos barrigudos ou policias equipados e com pouca movimentação.

A porta estava aberta e ele escorregou por baixo das pernas de um dos policias para conseguir entrar na casa; isso era moleza. Em outras circunstâncias, Sasuke se sentiria completamente cheio de si por ter driblado tantos adultos de uma só vez, mas agora tudo que lhe interessava era descobrir o que estava acontecendo. Seu tio Minato havia lhe enrolado demais no carro na volta da escola e Naruto estava quieto e apático – comportamento completamente fora do normal. Ele não era tão pequeno assim para não ter o direito de saber o que acontecia. Talvez agora eles aprendessem a nunca mais lhe esconder a verdade.

Cogitara a hipótese de sua casa ter pegado fogo ou algo assim, já que sua mãe tinha o costume de deixar a comida assando no forno elétrico programado e, ao que tudo indicava, hoje seria um dia em que ele chegaria a casa antes dos pais e desligaria o forno. Talvez houvesse acontecido um curto-circuito, isso certamente explicaria a aglomeração curiosa do lado de fora.

Ou talvez seus pais tivessem brigado... Os gritos podiam muito bem ter atraído os vizinhos e a polícia, pois isso já acontecera mais de uma vez.

De qualquer forma, em ambos os casos, sua mãe precisava de seu conforto e nem o tio Minato, muito menos os policiais, iriam impedi-lo de alcançá-la.

Havia mais policiais no andar de cima, então Sasuke concluiu que seria lá onde a confusão acontecera. Ok, primeira opção de incêndio descartada, provavelmente tinha sido a briga... Maldito Fugaku filho da puta!

_ Ei! Pirralho! Aqui não é lugar pra você! – um dos policiais falou, tentando, inutilmente, segurá-lo.

Sasuke conseguiu se esquivar a tempo, agarrando o corrimão da escada para subir ao segundo andar escalando-o, diferente do meio convencional de se subir as escadas. Os policiais do primeiro andar analisavam a cena estupefatos, não acreditando como um ser humano conseguia ser tão ágil e se mover com tanta maestria, que dirá uma criança que não aparentava possuir mais de dez anos.

O menino, sabendo muito bem do que era capaz de fazer, conseguiu chegar ao segundo andar e adentrar no quarto de seus pais. Seus esforços quase poderiam ser considerados em vão assim que sentiu alguém segurá-lo pelos dois braços, erguendo-o do chão. Ele certamente ficaria irritado por ter sido capturado se o aroma assustador e a visão tenebrosa não tivessem atingindo os seus sentidos antes de seu orgulho infantil.

O cheiro de sangue estava mais forte do que em qualquer outra ocasião de sua vida, nem mesmo quando quebrara sua perna há anos atrás ele fora capaz de sentir o cheiro com tamanha intensidade. Isso era explicado pelos lençóis banhados em carmesim, dos quais gotas e mais gotas pingavam em direção ao chão, formando uma poça recheada de uma quantidade assustadoramente grande do líquido vermelho escuro. E era sangue fresco. Registrou tal fato em milésimos de segundo, conseguindo olhar para a cama antes de seu corpo ser retirado com pressa daquele cômodo.

E então seus sentidos pararam de funcionar. Ele não sabia mais o que acontecia ao seu arredor; era como se tivesse travado em um único momento, como um sistema operacional de computador às vezes trava em uma tela. Tudo que conseguia registrar era a cena de sua mãe e seu pai completamente encharcados de sangue, dos pés a cabeça, ambos com cortes profundos de lâminas em cada pedaço de pele exposta, assim como por debaixo das roupas rasgadas. E ainda havia uma espada perfurando as costas de seu pai e, provavelmente, tinha outra na barriga de sua mãe. Sasuke também registrava a grande quantidade de pessoas no quarto, algumas fazendo anotações em blocos, outras tirando fotografias da cena do crime... Todas com um ar estritamente profissional, agindo como se aquilo fosse algo corriqueiro e normal para suas vidas.

_ Não... – sussurrou enquanto era levado escada à baixo, tremendo dos pés a cabeça com tanta intensidade que o próprio policial tinha dificuldade em segurá-lo. O homem que o carregava era mais novo que os demais oficiais e consideravelmente mais ágil, chegando até o lado de fora da casa em questão de instantes.

_ Quem é o responsável por essa criança? – gritou para a multidão, ainda segurando o garoto em choque nos braços.

O murmúrio entre os espectadores era crescente, mas ninguém ousou se pronunciar em voz alta, pois o policial aparentava raiva pela desatenção do suposto responsável por Sasuke. O mais velho fez um barulho de impaciência com a língua, colocando-o novamente no chão, onde permaneceu estático como uma rocha. Ele sentia que sobre seus olhos se formava uma grande quantidade de lágrimas, que eventualmente escorriam por seu rosto, sem que ele fosse capaz de piscá-las para contê-las.

O policial o olhava diretamente nos olhos, mas Sasuke não se importava. Ele deveria estar reconhecendo-o dos porta-retratos ao lado da cama de seus pais. Todos na sua família tinham olhos escuros.

_ Menino, me diga, cadê os seus pais? – o policial tentou falar com calma. Era fácil notar que ele não tinha nenhum jeito com crianças pequenas, talvez jamais precisou lidar com uma. No entanto, o mais velho percebia o choque que o garoto sentia por ter visto aquela cena de relance, embora mesmo assim parecesse irritado porque havia despistado todos aqueles adultos; Sasuke não se importava com isso. Sua mãe...

_ Okassan... – Sasuke sussurrou com a voz fraca, ainda em transe. O policial, o analisava de perto, percebendo sua semelhança com a mãe. – Okassan...

_ Sasuke! – ouviu alguém gritar dentre a multidão, espremendo-se entre as pessoas e pulando para dentro do território cercado, tentando alcançar o garoto estático metros à sua frente – Oficial, por favor! Sasuke é meu afilhado!

O policial, suspirando em alívio por não ter que lidar com uma criança traumatizada em meio a tanto serviço, o carregou mais uma vez e o entregou para o tio Minato. Naruto segurava firmemente a mão do pai e também chorava; ele era uma réplica quase perfeita do pai.

_ Meu nome é tenente Kakashi Hatake, o senhor poderia me informar se esta criança possui alguma ligação com os moradores da casa? – perguntou o policial ao seu padrinho, que o segurava com o braço direito, ainda mantendo-o no colo.

_ Sasuke é filho dos moradores, Sr. Hatake. Eu sou padrinho de Sasuke e de casamento dos Uchiha. Me chamo Minato Namikaze. – o tio sussurrou com a voz extremamente triste.

_ Senhor Namikaze, se tinha relação com o casal preciso que compareça a delegacia para prestar informações a respeito de...

_ Pelo amor de Deus, o que aconteceu? – o tio questionou, mostrando que tentava ao máximo manter a calma, mas deixando claro que parecia estar tão desesperado quanto Sasuke.

Kakashi abriu a boca para responder, mas nesse instante Sasuke finalmente entendeu: sua mamãe estava morta. Alguém matou a sua okassan. Ele estava sozinho. E isso o fez voltar a si.

_ OKASSAN! OKASSAN! – Sasuke gritava, se esperneando no colo de Minato e tentando se soltar. O loiro desprendeu sua mão da mão de seu filho, agarrando o menino Uchiha com os dois braços e tentando mantê-lo parado em seu colo, mas o garoto tentava, a qualquer custo, livrar-se de seus braços e voltar para dentro de casa. Lágrimas de desespero se formaram nos olhos azuis do mais velho, que tentava manter a compostura e segurar o menino, mas inevitavelmente as lágrimas caíram. – ME SOLTE! ME LARGUE!


(***)


_OKASSAN!

Sasuke despertou de seu sonho abruptamente, gritando por sua mãe a plenos pulmões. Demorou alguns instantes para compreender o que acontecia e retornar ao presente, ofegando enquanto se sentava na cama. Em seguida, limpou o suor de sua testa e apertou seus olhos com força.

Odiava a intensidade de suas lembranças ao seu acordar de tais pesadelos, mesmo que essa fosse uma rotina que vivia desde os nove anos de idade: ele sempre sonhava com aquela lembrança horrível e vívida, e sempre acordaria clamando em desespero por sua mãe. Antigamente permitia-se ficar triste e lamentar no início de dia a morte de sua progenitora. Nos dias atuais, já com seus vinte e um anos, Sasuke não se permitia chorar mais pela morte de Mikoto ou qualquer outro sofrimento passado de sua vida.

Ouviu a campainha soar de maneira estridente e grunhiu em irritação, empurrando a coberta para o lado e se rastejando para abrir a porta; agora entendia porque estava acordado. Geralmente o sonho pendurava por mais alguns momentos de tortura, e por isso ele não sabia se deveria ficar irritado com sua visita inesperada ou grato por tê-lo retirado daquele mar de memórias ruins.

Ao abrir a porta, decidiu prontamente que era o caso da primeira opção.

_ O que está fazendo aqui, Usuratonkachi? – questionou enquanto o outro o empurrava para o lado, adentrava em sua quitinete e em seguida pulava sobre sua cama. Sem lhe dirigir uma única palavra, Naruto começou a vasculhar sua gaveta, agarrou uma de suas revistas pornô e a folheou. Como sempre, ele se comportava como um furacão humano; Sasuke suspirou cansado, sabendo que demoraria pelo menos duas horas para se livrar do amigo irritante. – O que diabos você está fazendo aqui?

_ Nós temos um encontro hoje, Teme. – respondeu com simplicidade, folheando até o pôster central da revista e dando um assobio longo de admiração.

_ Quem disse? – Sasuke rosnou, ignorando o comportamento irritante do colega.

_ Eu, o grande Naruto Uzumaki, disse. 'Tá bom ou quer mais? – Naruto respondeu, sorrindo de orelha à orelha, enquanto atirava a revista em cima de Sasuke, finalmente olhando para o amigo. – Cadê suas roupas? Você não pode sair só de calça de moletom!

_ Eu estava dormindo, sabe o que é isso?

_ Achei que os Uchiha eram vampiros e não dormiam. – Naruto respondeu, dando de ombros. Saiu de cima da cama e marchou para o armário, escancarando a porta-dupla.

Sasuke suspirou impaciente, decidindo não contrariar o loiro: se saíssem juntos, Naruto iria se entreter com alguma garota e deixá-lo em paz, o que era um processo geralmente rápido, e assim ele teria a chance de escapar dentro de minutos. Infelizmente, caso ele não aceitasse a imposição de Naruto, demoraria no mínimo duas horas para tirá-lo de sua casa. Derrotado, se sentou novamente em sua cama, esperando as roupas que o amigo jogaria em seu colo dentro de instantes.

_ Kakashi está bravo com você, – o loiro continuou a falar depois de um breve silêncio – disse que você não liga e nem atende as ligações dele.

_ Kakashi tem que parar de agir como se fosse meu pai.

_ Ahhh Teme, você 'tá querendo o impossível, né? – Naruto respondeu, rindo escandalosamente enquanto vasculhava as gavetas do amigo.

Sasuke e Naruto se conheciam praticamente desde o nascimento, sendo que o moreno era apenas alguns meses mais velho do que o Uzumaki, já que seus pais costumavam serem amigos de faculdade e tinham a mesma idade quando se casaram e decidiram ter filhos.

Quando Minato e Kushina decidiram se casar, Mikoto e Fugaku foram os padrinhos de casamento. Nada mais natural do que acontecer a recíproca alguns messes depois, com a diferença que Mikoto aceitou de bom grado o título de senhora Uchiha, enquanto Kushina não adotara o sobrenome do marido. Sasuke se recordava bem do feminismo exacerbado da ruiva, inclusive ela obrigou Minato a registrar Naruto apenas com o sobrenome Uzumaki; seu tio, completamente apaixonado e submisso, aceitou.

A concepção e nascimento de Sasuke e Naruto demorou a acontecer, ambos suspeitam até hoje que suas mães combinaram o momento da gravidez para que as crianças fossem criadas juntas. Mulheres... Sempre tolas, com certeza desejavam que seus filhos fossem grandes amigos pelo resto da vida. Sasuke sentiria vontade de rir de tudo isso, se o fim da história não fosse tão trágico.

Os dois bebês não se deram bem e viviam brigando desde a primeira infância, apesar das tentativas desmensuradas dos genitores de criarem laços mais fortes entre os filhos. No entanto, tanto Naruto quanto Sasuke foram obrigados a conviver pacificamente com a morte da família Uchiha.

Minato e Kushina sofreram bastante com a perda dos melhores amigos, não mais do que Sasuke obviamente, o que importa é que ainda sim foram tempos difíceis. Por isso, Naruto resolveu cooperar e tentar se aproximar de Sasuke, já que o garoto fora designado judicialmente para morar com os Namikaze-Uzumaki por serem ambos seus tutores nomeados pelos pais em documento registrado em cartório.

Os primeiros anos foram um completo pesadelo. Sasuke não cooperava em nenhum instante, fazendo Naruto contar até dez mentalmente diversas vezes ao dia para não explodir. Não adiantou muito, pois sempre acabavam brigando como dois gatos de rua. A convivência entre os dois só melhorou, por mais irônico que possa parecer, com a morte de Minato e Kushina.

Eles tinham quinze anos quando tal tragédia ocorreu. Os corpos foram encontrados dentro de casa, baleados e sem qualquer indício de autoria, fazendo-os passar por mais um momento extremamente traumático. Naruto sofreu, especialmente porque foi uma situação extremamente semelhante à morte de seus padrinhos. E Sasuke também sofreu, talvez até em dobro, pois além de lamentar a morte dos padrinhos, também reviveu cada instante da morte dos pais.

No entanto, quem mais precisou de ajuda dessa vez foi Naruto. Sasuke percebeu seu papel naquele momento, parando de causar tantos problemas e ficou ao lado do loiro, oferecendo seu ombro amigo ao (tentar) entretê-lo da melhor forma possível, com brincadeiras ou horas de estudo conjunto. No orfanato, os dois sempre eram vistos juntos, de lá surgiu uma amizade muito forte e que jamais fora esquecida.

Kakashi, o policial que retirou Sasuke da primeira cena do crime, ofereceu-se para adotar as duas crianças. O moreno sequer tinha consciência, mas aparentemente o caso mexera demais com o tenente, pois até então ele mantinha contato direto com Minato para saber da criação do garoto que driblara toda sua equipe policial. Quando soube do desastre da família Namikaze-Uzumaki, ele se apresentou a corte como o principal interessado, alegando sua amizade com a família; os dois adolescentes ficaram extremamente surpresos.

Naruto considerou o ato generoso e depôs em juízo que possuía interesse em morar com Kakashi, que dentro de poucos meses conseguiu a guarda do adolescente, com quem mora até a presente data. Com o Uchiha, no entanto, a situação foi um pouco diferente.

Apesar de Sasuke ter se mostrado uma criança aparentemente forte ao ter estabilidade emocional para ajudar Naruto no momento de crise, o próprio não saíra ileso de tantas perdas. No período em que ambos permaneceram no orfanato aguardando a decisão judicial, os psicólogos e psiquiatras constataram que Sasuke criou uma espécie de "fobia à criação de laços familiares". Primeiro por perder seus pais e, em seguida, seus tutores, o adolescente agia como se fosse mais fácil não criar essa espécie de laço com ninguém, pois possuía medo de que os mesmos fossem interrompidos abruptamente de novo. Os especialistas atuais julgavam que sua incapacidade de possuir relacionamentos longos advinha também de tal fato, mas Sasuke sabia muito bem que isso era meramente decorrente da burrice generalizada de todas as garotas tentavam se aproximar dele.

Devido a isso, o Uchiha não quis ser adotado por Kakashi e recusou os demais interessados, que não foram tantos devido a sua avançada idade. Permaneceu no orfanato por mais três anos até completar sua maioridade civil e saiu do abrigo estadual com apenas uma caixa de papelão onde continha poucos pertences. Teve acesso a sua herança naquele momento e podia, inclusive, voltar para a casa onde viveu até os nove anos de idade, porém anunciou a venda desta no mesmo dia que se tornara um adulto. Utilizando-se de todo dinheiro herdado como entrada, financiou a quitinete que hoje era seu atual lar.

Os Uchihas costumavam ser uma família extremamente rica, mas após a morte de Fugaku algumas bombas explodiram publicamente. A empresa da família sofreu danos irreparáveis pela repercussão pública da morte dos principais acionistas, pois o medo do por que desta, sem qualquer motivo plausível, fez com que os demais sócios vinculassem a morte brutal ao empreendimento em si, de maneira que as ações da empresa despencaram no mercado. Crise vai, crise vem, e o resultado disso foi a quase completa destruição do patrimônio de Sasuke, o qual estava impedido de vender suas ações devido à menoridade civil daquela época.

Já casa da família Uchiha, apesar de ser um imóvel de primeira linha, ainda não foi vendida até a presente data. Aparentemente todos a consideravam um local assombrado pela morte violenta que lá ocorrera. Sasuke, no entanto, estava decidido a conseguir vender o imóvel e se recusava a tomá-lo como lar.

Por isso, desde os dezoito anos a situação financeira do Uchiha não era das melhores: ele precisava trabalhar de manhã e a tarde para pagar as dívidas e conseguir se sustentar sem a ajuda de Kakashi (que ainda insistia em lhe mandar um cheque todo mês, apenas para ser picotado sem dó nem piedade). E Sasuke ainda frequentava o curso universitário à noite, ou seja, tinha uma rotina desgastante e extremamente cansativa.

E esse Dobe, esquecendo de todo seu sacrifício diário, estava querendo sair para um encontro duplo com Sasuke depois de praticamente treze horas de correria na sexta-feira. Faça-me o favor!

_ A amiga da Hinata é bonita Sasuke, talvez você goste dela.

_ Hinata?

_ Minha namorada, lembra? Já estou com ela há três meses, já saímos juntos várias vezes e você até...

_ Ok, ok. – o mais velho fez uma careta, vestindo uma camisa que o loiro havia jogado em seu colo sem sequer se importar com seu visual. Naruto tinha essa mania de acreditar que ele prestava atenção nas garotas do mundo. Se ele sequer prestava atenção nas garotas com quem ele se relacionava, que dirá nas namoradas de seu melhor amigo?

Sasuke nunca teve uma namorada, mas isso não significa que ele não possuía anseios carnais, enquanto o loiro namorava sempre (e, por algum motivo, seus relacionamentos nunca passavam de seis meses). O Uchiha se contentava com casos de uma única noite e isso parecia irritar profundamente Naruto, que tentava constantemente uni-lo com as amigas de suas namoradas, o que resultava nesses requentes "encontros de casal". Tch, Usuratonkachi irritante...

_ Hinata me disse que ela é loira e tem olhos azuis, assim você pode tentar transferir essa paixão platônica que sente por mim pra ela. É mais saudável, não acha? – Naruto falou casualmente, jogando um par de jeans em cima da cabeça de Sasuke. A afirmação absurda fez o colega finalmente despertar, sorrindo de canto de boca enquanto respondia.

_ Você bateu a cabeça antes de vir pra cá? Da onde tirou essa babaquice de que eu tenho paixão platônica justamente por um dobe retardado como você?

Naruto sorriu. Se Sasuke acatou a brincadeira, significava que a noite talvez não fosse um completo desastre como as outras. O Uchiha parecia estar com um humor um pouco melhor do que o habitual. Virou-se de costas para o Uchiha, balançando o traseiro e dando um tapinha provocador na nádega esquerda, enquanto este assistia a cena franzindo o cenho.

_ Ahhhh para Teme, vai dizer que você não me quer? Quem você 'tá querendo enganar, hein? Hein? Hein? – Naruto disse, começando a gargalhar no fim do discurso e da dancinha ridícula, ganhando uma travesseirada forte nas costas.

_ Pare de ser bicha! Eu sei que é difícil pra você, mas se continuar assim eu posso muito bem acabar filmando e mostrando pra... Ahn... Hinata, é esse o nome, né?

Naruto suspirou. É, sua sorte não fora tão grande, Sasuke não estava em um humor tão bom assim.

_ Você não sabe brincar. – respondeu, cruzando os braços e se sentando na cama enquanto o Uchiha, rindo de leve, foi até o pequeno banheiro para trocar suas calças.

Ele sabia que Naruto não era gay, mas ainda sim ele não iria tentar a sorte e se trocar ao lado do amigo; precaução nunca é demais.


(***)


Se o humor de Sasuke estava razoável na quitinete, Naruto não podia contar com o milagre divino por muito tempo: assim que o Uchiha pousara os olhos sobre Ino, a tal amiga de Hinata, a garota começara a agir como aquelas stalkers que o moreno tanto detestava...

A verdade era que a aparência de Sasuke sempre atraia muitas meninas desesperadas em chamar sua atenção. O Uchiha possuía cabelos negro-azulados, naturalmente espetados e bagunçados, olhos cor de ônix, pele alva, corpo esguio... Enfim, tudo que uma garota sempre pedira a Deus no quesito aparência. Entretanto, aquelas que tinham a infelicidade de se encantar por ele apenas pela a aparência adquiriam sua repudia eterna. E este, meus caros, era o caso da pobre Ino Yamanaka.

_ Hun... Sasuke... – ela falava dengosamente, tentando se aproximar cada vez mais do moreno – Me fale mais sobre você... Quais são seus passatempos favoritos?

O Uchiha se afastava mecanicamente da garota enquanto fuzilava seu amigo sentado ao outro lado da mesa com o olhar. Naruto dava um sorriso amarelo, percebendo que mais uma vez falhara em tentar encontrar uma companheira para seu amigo e que provavelmente Sasuke iria ignorá-lo por quinze dias novamente, alegando como motivo o "sacrifício" que Naruto estava fazendo-o passar. Enquanto isso, Hinata limitava-se a sorrir contidamente, tentando demonstrar a sua colega que ela não estava sendo bem sucedia em sua tentativa de sedução.

O Uchiha, ignorando completamente a pergunta da garota e o patético casal à sua frente, levantou-se da mesa, murmurando um educado "vou mijar" enquanto saia batendo o pé em direção ao banheiro.

Abriu a porta com brutalidade e esta bateu com tudo contra a parede, retornando seu caminho e fechando-se com força, causando um baque alto no ambiente. Sasuke se apoiou na pia, encarando os traços de seu rosto pelo espelho com extrema raiva. Rangeu os dentes e bateu os punhos no granito para tentar se controlar e não explodir naquele banheiro público.

Odiava sua aparência com todas as forças, por isso odiava aqueles que se aproximavam apenas pelo seu rosto bonito. Sasuke detestava todos os momentos em que se olhava no espelho, visualizando em cada centímetro de sua face os traços de sua mãe e sofrendo, mais uma vez, com sua perda. Sua beleza agia como uma assombração de seu passado, não permitindo que ele esquecesse ou, ao menos, virasse a página daquele livro.

_ Ótimo, a única chance de sair daqui e é um estressadinho que bate a porta. – ouviu uma grave voz ecoar suavemente às suas costas. Instantaneamente Sasuke se virou, olhando para trás e procurando quem proferira aquelas palavras.

Seus olhos triplicaram de tamanho com o que acabara de ver.

Tratava-se de um homem bem vestido: usava calça social comportada, sapatos de couro brilhantes, uma camisa branca sem gravata, segurava a parte de cima de um paletó no braço direito e um celular na mão direita. No entanto, sua posição nada condizia com as vestimentas, pois o homem estava sentado no chão, com as pernas esticadas e se apoiando despojadamente no canto da parede com um dos ombros.

Não fora nada disso que fizera Sasuke perder o fôlego: a aparência física do homem era surpreendente, como se Sasuke estivesse olhando para uma versão mais velha de si mesmo. A diferença estava nos cabelos, que eram compridos e presos em um rabo de cavalo frouxo jogado sobre um de seus ombros, além das duas marcas finas abaixo de seus olhos, provavelmente traços de nascença. De resto, era como olhar para um espelho: olhos negros e profundos, pele clara – talvez ainda mais clara do que a dele –, os cabelos negros em uma tonalidade mais amendoada. Os traços do rosto delicados, lábios médios, olhos puxados, sobrancelhas finas...

Tudo, absolutamente tudo, era semelhante as suas características físicas! Era assombroso! Sasuke liberou o ar de seus pulmões de uma só vez, ainda surpreso com a semelhança de ambos.

_ Quem é você? – perguntou incerto e sem fôlego.

O homem ergueu uma de suas finas sobrancelhas, surpreendido pelo comportamento do garoto a sua frente. Cruzou os braços enquanto pensava o quão estranho ele era, afinal de contas, caso ele encontrasse um homem sentado no chão naquela situação ele perguntaria 'o que está fazendo?' ou 'você está bem?' e não um 'quem é você?'

_ Sou Itachi, e quem é você, tolo estressadinho?


... Continua...

22 de Noviembre de 2018 a las 23:52 4 Reporte Insertar 5
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Anne Liberton Anne Liberton
Olá! Venho pelo Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história está Em Revisão pelos seguintes apontamentos: 1) Tempos verbais errados. Em alguns momentos, quando a história se refere ao passado, o adequado é usar o pretérito mais-que-perfeito, uma vez que a história já é contada no passado. Um exemplo é aqui “Alguém matou sua okassan”. “Matara”, porque ela já estava morta. Isso ocorreu no passado da história. Há outras ocorrências. 2) “À baixo”. O correto seria “abaixo”, no trecho “sussurrou enquanto era levado escada à baixo”. Não se usa acento grave nesse caso e vem junto mesmo. 3) Vírgulas usadas para unir frases com assuntos diferentes, que deveriam ser separadas com ponto final. Há várias ocorrências, como em “Meu nome é tenente Kakashi Hatake, o senhor poderia me informar se esta criança…”, em que a primeira frase fala o nome do personagem (um assunto) e a seguinte vem com uma pergunta para outro personagem (um assunto completamente diferente). Elas deveriam ser separadas por um ponto final. Outro exemplo: “Eu estava dormindo, sabe o que é isso?” São duas frases. 4) “O loiro”, “o mais velho” e variantes. Sei que isso é comum em fanfics, mas fica um pouco complicado de acompanhar quem é quem, principalmente nos capítulos iniciais e em cenas com muita gente, porque o leitor teria que estar a par o tempo inteiro de quem é mais velho que quem e das cores de cabelo de todo mundo, fato que nem sempre é apresentado antes de o narrador se referir a um personagem como “o loiro”, etc. Não tem problema usar “ele” ou o nome do personagem. Na verdade, isso até deixa a narração mais limpa e simples. 5) Okassan. O correto seria Okaa-san. Em japonês, não tem o hífen, na verdade, apesar de ser comum usarmos na versão romanizada. Mas escrever com “ss” implica uma grafia e uma pronúncia completamente diferentes da palavra “mãe”. Tem um prolongamento no “a”, então é “okaa” mesmo. 6) Uso inadequado de “lhe”. O pronome “lhe” deve ser usado quando o verbo pedir um objeto indireto, aqueles que precisam de preposição. Um exemplo de uso inadequado é na frase “Seu tio Minato havia lhe enrolado demais”. O verbo “enrolar” não pede preposição (havia enrolado “ele” demais. Substituindo por “ele” podemos ver que não há preposição acompanhando). O correto seria usar “o” ou o nome, etc. Além disso, o pronome deveria vir antes do verbo auxiliar ou com hífen. Recomendo checar as regras de próclise e afins. 7) Uso incorreto dos porquês, como na frase “agora entendia porque estava acordado”. Seria “por que”. Substituindo por “por que razão”, fica claro que é separado. 8) Vocativo entre vírgulas. Eles sempre devem vir entre vírgulas. Um exemplo em que isso não ocorre está na frase, “Ahhhh para Teme, vai dizer que você não me quer?” Deveria ser “Ahhhh, para, Teme, vai dizer…” (em tempo, interjeições, como o “ahhhh”, também sempre vêm entre vírgulas, por isso coloquei uma antes do “para”). Não tem nada terrivelmente grave, mas são diversos pequenos problemas, o que impede a verificação da história. Sugiro dar uma revisada, talvez passar para outra pessoa ler (um beta reader seria uma boa também). No mais, a história está excelente. Parabéns! Assim que corrigir esses detalhes e, se ainda quiser que a história seja verificada, basta responder esse comentário que avaliaremos de novo. Até mais!
15 de Diciembre de 2018 a las 13:06

  • P C S P P C S P
    Obrigada pelos apontamentos, mas a fanfic é muito antiga e tem muitos capítulos, é inviável pra mim revisar tudo isso a essa altura do campeonato, muitos dos erros pontuados eu já sei que existem, mas como essa fanfic já tem mais de 40 capítulos (e eu estou migrando pro site aos poucos), é humanamente impossível pra mim reler e corrigir tudo. Infelizmente não posso pedir para ninguém revisar pra mim no momento, e... É isso. Obrigada pela leitura, de qualquer forma. =) 15 de Diciembre de 2018 a las 15:59
Cecilia Jarske Cecilia Jarske
Oie, PC! Nossa. Esse capítulo aqui só teve "eita atrás de eita", hein? D: Sasuke me lembrou aquele caso Richthofen, e até mesmo os pais de Naruto foram mortos com semelhanças... Cara, por quê? '-' Eu até cheguei a pensar que Itachi poderia ser o assassino dos pais mas não consegui permanecer com essa linha por conta dos Namikazi-Uzumaki. Esse final me deixou com água na boca porque Itachi é lindo demais! xD HAUAHAUHAUAHUAHAUHAUA Beijos, PC :*
26 de Noviembre de 2018 a las 07:52

  • P C S P P C S P
    Oie! Decidiu ler Haunted? Vish, vai ser uma viagem longa, já te adianto isso hahaha! Pois é, muitos mistérios! Por que será que os pais do Sasuke e Naruto foram mortos, hm? Itachi também tem grandes mistérios que envolvem o personagem e o seu passado. Espero que você se envolva com a trama da fanfic e goste da leitura! Hehehehe e ele é um lindo, sempre! Um beijão, querida! Adorei te ver por aqui! o/ <3 26 de Noviembre de 2018 a las 09:37
~

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