A Tal Da Paixão Seguir historia

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Tudo é belo quando ela está presente. Não existem problemas, não existem preocupações. Ela trouxe em mim o brilho de que tanto estava carente. Poderia isso ser aquela tal da paixão? Mãos trêmulas, mas calmas. Coração acelerado em meio a mil suspiros. Frio no calor de um abraço acolhedor. Como foi que ela me achou? Não sei se são borboletas, mas sinto as cócegas no estômago quando ela fala comigo. Sinto o mesmo quando ela pega minha mão. Isso é a tal da paixão? E seu olhar para as estrelas... Ela admira todas, assim como eu a admiro. Será que fui pego pela tal da paixão?


Romance Todo público.

#amor-felicidade-paixão-superação-fofo-casamento-destino
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A Tal Da Paixão


Assim que colocou os pés na minha vida, me causou um terremoto. Seu sorriso quebrou algo no meu coração, cujo até aquele momento, só tinha a simples e única função de bombear sangue. Quando segurou minha mão, num gesto casto de um cumprimento de educação, eu senti um frio amedrontado correr pela minha espinha. Me perguntava se havia morrido, pois me recusava a crer que era real. Naquela tarde com amigos, me evitei encarar. Não queria ser o estranho.

Mas me sentia estranho, apesar de tudo.

Poderia isso ser a tal da paixão?

Fiquei dias pensando sobre como falar com você novamente, pois, se bem me lembro, quando tive a oportunidade, gaguejei e perdi o rumo de minhas palavras. Não queria passar por bobo de novo, mesmo com você tendo me dito que havia sido adorável.

Na terceira vez que nos vimos, tomei coragem para chama-la para um passeio a sós. Sugeri um cinema. Era perto do centro onde estávamos, estava passando um bom filme de terror nele. Já você, sugeriu um passeio no parque. Não direi que gostei da ideia, pois o ar livre nunca me fez bem. Mas aceitei. E então você segurou minha mão e, quando percebeu meu espanto, sorriu de forma tão doce quanto o mel que minha avó costumava colocar no chá da tarde.

Senti minhas mãos começarem a suar. Mesmo por contra minha vontade, elas também tremiam. Torci tanto, e Deus sabe como, para que não notasse. 

Seria isso a tal da paixão?

Estávamos sentados no banco, perto de uma pequena árvore que havia no lugar. Eu, como um bom garoto tímido, não sabia o que falar. Te agradeço por ter dado esse primeiro passo. Assim que perguntou sobre minha vida, sobre meus gostos e desgostos, tive que ter mais cuidado com o que falar. Não queria assusta-la. A verdade é que nunca fui um garoto muito alegre, brincalhão, esperto ou ativo. Pelo contrário, passei meus primeiros quinze anos achando que o décimo sexto seria meu último ano. 

Talvez tivesse sido. Se não fosse por você.

Com calma e cautela, contei sobre meu pequeno histórico de depressão. Expliquei que, embora parecesse tolice, não havia razão comum para isso. Eu apenas me sentia preso dentro de algo que não conhecia e temia. Eu mesmo. Portanto, ainda expliquei, nunca havia vivido grandes aventuras ou feito grandes coisas que não fossem ficar em casa, escrevendo e escutando algumas músicas.

Me lembro, e que boa memória é essa, de sua compreensão. Nem sequer me julgou em parte alguma, apenas me mostrou um sorriso e me disse algo. Algo que me fez querer tê-la ao meu lado.

"Hey. Eu estou com você, okay? E vou te fazer ver que o mundo não é como vê. Vou te mostrar todas as cores que esse cinza tirou de você. Promessa de amiga."

Sim, eu havia ganhando uma amiga. A melhor que eu poderia ter arranjado.

É mesmo a tal da paixão?

A cada encontro, meu coração arranjava uma nova forma de correr até você quando te via. Achava engraçado e curioso, mas assustador. Tão assustador quanto a vontade que tinha de sorrir ao seu lado.

Uma noite, fomos a um restaurante vegano. Deus, como eu havia chego lá? Você havia me convencido que seria algo bom, mas me lembro bem como o hambúrguer de carne de soja tinha um sabor semelhante ao que eu imaginava ter uma folha de papel molhada em água salgada. Você riu da minha careta ao enfiar a comida na boca, e se rendeu dizendo que o próximo restaurante poderia ser de minha escolha. Eu soltei uma risada. Como pude rir de boca cheia? Bem deselegante.

Mas aparentemente, não pra você, já que, ao ver tal porcaria que havia feito, colocou um pedaço de carne em sua boca e começou a fazer caretas e a falar de boca cheia. Foi um belo momento íntimo, mesmo com vários casais enjoados olhando para nossa cara e sussurrando entre si.

Mas aquela altura, quem se importava?

Saímos de lá, e perguntei se queria ir para casa. Você me olhou incrédula, e logo após olhou para o céu escuro.

"Casa? Em uma noite dessas? Vem, conheço um lugar bem melhor."

E sim, mesmo com já certo tempo de convívio, ainda sentia aquela tremedeira quando segurava minha mão. Quando chegamos, fiquei confuso. Era um lugar sem graça no meio do nada. Longe, havia um vagão de trem abandonado. Eu a olhei esperando alguma instrução ou resposta. Você me respondeu apenas sorrindo e indo em direção ao vagão. Te segui, embora perdido e com medo de cair no chão. Olhei para você e te vi subindo no teto do vagão pela escada lateral. Fez um gesto para que eu a seguisse e, logo, lá estávamos os dois, sentados lado a lado. Você olhava para cima, e então pude entender o por que de gostar tanto daquele lugar.

"Não parece que estamos perto delas?"

Olhei as estrelas, e não pude discordar. Era um belo cenário. Mas não tão belo. O realmente belo ainda estava por vir.

A Lua chegou a seu ápice. Tão grande, redonda e iluminada. Ela banhava seu rosto com sua luz pálida. A admirei, como você estava admirando a redonda á frente. Seus olhos estavam tão cheios de vida. Emanavam tantos sentimentos, tantas palavras que nunca haviam sido ditas por aqueles lábios avermelhados. Como podiam passar por você sem elogia-la? Como viam suas delicadas mãos e não sentiam vontade de acaricia-las? Você apanhou minhas mãos nas suas enquanto me mantinha imerso em pensamentos. Se levantou, e me fez fazer o mesmo.

"Dança comigo?"

"Dançar? Não há música."

Você soltou uma risada baixa e olhou em meus olhos, com ternura e carinho.

"Bobo. Claro que há música. A nossa. Ela só é um pouco diferente das dos outros. Eles escutam suas músicas. Nós sentimos a nossa."

E então se aproximou de mim com o mesmo olhar. Era poético tudo o que dizia. Nossos passos eram lentos, mas eram nossos. Nossos sentimentos estavam avoados, mas eram nossos. Nosso beijo era confuso, mas era nosso.

Isso é a tal da paixão?

Com o passar do tempo, fui percebendo você mais do que nunca. Havia se tornado a protagonista de meus poemas. A melodia de minhas canções. O sorriso em meu rosto. A luz que ilumina meu cinza. Como eu era antes de você? Quem eu era, ou o que? Não me lembro de existir antes de aparecer na minha vida. Sempre a admirando e apreciando mais. Manias, costumes, histórias... O sorriso, o carinho. Seus olhos tão cheios... Por favor, me diga que eu estou neles assim como tudo que te faz feliz!

Será que fui pego pela tal da paixão?

Como o tempo voa, não é mesmo? Você, querida, me fez chegar tão longe. Me fez ser tão eu. Me fez aparecer e brilhar, me fez querer sempre ser mais e melhor. Não sei mais o que significa desistir, pois ao seu lado, apenas quero ir para frente, seguir confiante de que sou capaz de fazer mais e mais. 

Você me deu vida.

Agora, aqui estamos. Você com esse vestido branco. Nossos olhos inundados por alegria que não podemos dizer. Parentes e amigos que nunca saíram de nosso lado, apesar de algumas dificuldades. Nossos pés na areia e o Sol banhando seus cabelos negros, que contraste incrível.

Essa é a tal da paixão.

Sabe o mais engraçado? Após dezesseis anos, ainda sinto quando pega minha mão. Sinto as tais das borboletas. A tal da tremedeira nervosa. O tal do nervosismo.

E, com tudo isso, eu tenho certeza de que sou loucamente apaixonado por você.

Não, espera.

Não é isso.

É outra coisa.

Ah! Sim! 

Eu te amo.

22 de Noviembre de 2018 a las 12:15 0 Reporte Insertar 0
Fin

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