Decode Seguir historia

sankdeepinside Lara Franco

Invisível aos olhos de seu amor, Yixing encontrou na provocação e na teimosia a melhor maneira de chamar a atenção de seu líder. Mas, depois de quatro anos, aquilo não era mais o suficiente. Precisava trazer Junmyeon para perto, precisava fazê-lo saber, precisava que ele decodificasse aquele sentimento no fundo do seu peito. sulay • fluffy


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#yaoi #exo #suho #sulay #lay #nonau
Cuento corto
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My thoughts you can't decode

I'm screaming "I love you so", but my thoughts you can't decode
- Decode (Paramore)

 

Percorro com o olhar aquele mar de garras, bocas, línguas e olhos famintos. Abro minhas pernas e movo o quadril lentamente, recebendo em resposta uma torrente de gritos agudos e palavras desconexas.

Minhas mãos escorrem a partir das minhas coxas rígidas até meu tórax, puxando levemente o tecido da camisa e expondo uma fração do meu corpo. Os olhos apontam predadores em minha direção, mãos se fecham tentando me alcançar à distância. A luxúria e a fome que há naquele momento fazem parte de um ritual diário. A cada vez que aquela música toca exponho um pouco do meu corpo, apenas para ver todas aquelas garotas inocentes saírem completamente da linha e ambicionarem o pecado.

Elas gritam, pedem, imploram, choram e se desesperam pelo meu corpo. Por um pedaço de carne.

Como artista, me sinto lisonjeado, de verdade. Elas me amam. Mas como pessoa, sinto apenas desprezo. Não por elas, mas por mim. Por parecer tão vazio a ponto de elas só conseguirem ver um mero homem objeto.

A parte de solo vai acabando e giro meus calcanhares para longe daqueles olhos de rapina, porém, agora são meus próprios olhos que vão à caça, esperançosos por um rosto em particular.

Ele leva o microfone à boca e canta concentrado, o suor escorre por seu rosto rosado e angelical, enquanto seu sorriso brilha mais do que qualquer coisa no palco. É como se ele fosse um ser radiante, puro, encantador e ninguém na plateia olha para ele como se fosse um pedaço de carne. Não, os olhares que ele recebe são admiração, de amor.

Ele retribui o carinho de cada um daqueles rostos e os presenteia com um sorriso doce, aquele que sempre aquece e parte meu coração, tudo ao mesmo tempo. Ele olha para todas e numa fração de segundo, aqueles olhos também passam por mim. Apenas passam, sem realmente me verem. Entretanto, eu sabia de algo que sempre me deixava no foco do seu olhar.

 

- ♦ -

 

Os olhos de Kim Junmyeon me encaravam repletos de tudo, indignação, cansaço, raiva, menos amor.

Ele aperta levemente os lábios e uma ruga se forma em sua testa pálida. Ele está furioso, mas claramente se esforçando ao máximo para não transparecer aquele sentimento. Como provocação, sorrio levemente e ergo meu queixo.

Chamar a atenção do líder do EXO não era algo que eu conseguia fazer naturalmente, exigia esforço. Imerso em meu próprio mundo, tão melancólico, cinzento e inundado de sinfonias desconexas, eu estava sempre distante, não de todos, mas dele, que era todo riso e cor. Àquele ponto, eu já estava ciente de que nossas personalidades eram o completo oposto.

Eu era um lago turvo no inverno. Ele era as ondas agitadas de um mar no verão.

Eu era sexy, exibido, simplório. Ele era tinha uma beleza sofisticada, era discreto, refinado.

Eu estava sempre fora. Ele estava sempre dentro.

Eu estava sempre em silêncio. Ele estava sempre em meio a uma gargalhada.

Eu estava completamente apaixonado por ele. Ele não estava apaixonado por ninguém. Ao menos não mais.

Parece presunçoso admitir isso, mas ele era tão fácil de ler, que cada detalhe sobre seu coração ficava claro em seu rosto. Se ele estivesse apaixonado, eu saberia. O fato de não haver ninguém em sua vida me dava forças para provocá-lo ao limite, já que era o único artifício que eu tinha para prender seu olhar sobre mim.

- Yixing... – Ouvir meu nome saindo de sua boca era o suficiente para fazer todo meu corpo se enrijecer de tensão. Ele tinha a voz tão doce. – Por que insiste em me contrariar dessa forma?

Olho por cima de seu ombro e vejo que os membros restantes na sala começam a se retirar, sem dar a menor bola para nossa discussão. Todos já sabiam o resultado dela: Ele ganharia. Eu sempre o deixava vencer, afinal, ele era o líder.

Mas não hoje, não no meu país.

- Queria saber o que há de tão horrível em Changsha para você insistir em adiantar nosso retorno para Coreia em um dia.

- Já expliquei para você, Yixing, não há nada de errado com sua cidade, mas se voltarmos amanhã cedo, teremos mais tempo para descansar em nossas casas.

- Minha casa é aqui. Nós podemos descansar aqui. O nosso manager nos deu o dia de folga amanhã justamente para que pudéssemos aproveitar um pouco da China e agora você vem me dizer que quer que eu jogue isso fora para voltar para droga da sua Coreia? Líder, acho que está sendo injusto. Sabe a quanto tempo não vejo minha família? Há quanto tempo não respiro um ar acolhedor?

Ele abriu um pouco mais os olhos, notei que carregavam um tom suave de vermelho, assim como seu nariz.

- Não estou sendo injusto, Yixing, de forma alguma que tenho a intenção prejudicá-lo. Todos nós sentimos falta de nossas famílias. Sei que o fato de estarmos em sua cidade natal é importante para você, mas nós estamos exaustos, acredito que se nos pouparmos de um dia exaustivo de compras e passeios desnecessários podemos descansar melhor.

- Então se tranque na droga do seu quarto e durma toda a sua folga, que diferença faz se está lá ou aqui? – Junmyeon suspirou pesadamente e apertou os olhos com os dedos. – Acho que o ponto aqui é que você não gosta de mim. Não gosta do fato de eu ser estrangeiro e nadar contra a sua corrente. Não gosta de ser contrariado pela minha natureza. Não gosta dos meus hábitos. Não gosta do meu país.

- Isso não verdade, Yixing! Está sendo dramático!

Estava sendo mesmo, mas ele não precisava saber. Cruzei os braços e permaneci impassível.

- Não vou voltar para a Coreia amanhã. Pode ir e levar todos, eu não me importo. Eu vou ficar e aproveitar minha cidade sozinho, não é como se fosse a primeira vez.

- Por favor, não aja dessa forma. Sabe o quanto é importante que nos mantenhamos unidos, especialmente agora. Você diz que eu não gosto de você, mas isso é uma mentira, eu me importo com você, Yixing. Como pode dizer algo assim depois de tantos anos?

Meu coração acelerou um pouco. Era bom ouvir aquilo, porém por que parecia tão mecânico?

- Você diz isso, mas por que há essa muralha entre nós? – Perguntei em voz baixa e contemplei a expressão de Junmyeon se transformar, mudando de raiva para surpresa. – Apenas admita que ficaria mais feliz se eu tivesse saído, ao invés de Yifan.

Ele arregalou os olhos. Yifan. A palavra mágica. O pivô de todos os seus problemas. A última pessoa que fez seus olhos brilharem antes de ele se tornar alheio a todo o resto. A última pessoa que Junmyeon amou, antes de ser completamente descartado. A pessoa que tocou seus lábios pela última vez. Tocou aquela pele macia e pálida. A pessoa que também o fez chorar pela última vez.

- I-isso... não é verdade. – Repetiu com sua confiança esvaída após ouvir aquele nome.

- Você sabe que é. Quer dizer, com quem você conversa menos? Com quem compartilha menos memórias? Quem é o último da sua lista? – Fiz uma pequena pausa e encolhi os ombros. – Sou eu.

 - Como essa conversa veio parar aqui? Eu só queria voltar para minha cidade algumas horas antes, agora você está me acusando de excluí-lo do grupo?

- Ah não, não é disso que o estou acusando. Estou acusando-o de me odiar. Me diga Junmyeon, você me odeia?

- É claro que não! De onde tirou toda essa loucura? Quer saber, eu desisto! Quer que fiquemos mais um dia, okay, vamos ficar. Me cansei disso.

Ele me deu as costas e começou a caminhar rumo à porta, pisando firme e com os punhos cerrados. Claramente furioso.

- Então quer dizer não irá fazer nada a respeito disso? – Perguntei baixo, mas alto o suficiente para ser ouvido.

- Não, faça o que quiser com a sua Changsha. – Ele acenou com a mão, sem se dar o trabalho de se voltar para mim.

- Não me refiro a isso. – Junmyeon parou. – Me refiro a nós. Não quer se aproximar de mim? – Junmyeon abaixou a cabeça e vagarosamente relaxou as mãos que fechava em punho. – Você é meu líder Junmyeon, eu o admiro e o respeito como tal, mesmo que minhas atitudes pareçam contrariar sua autoridade, eu o respeito completamente. Eu não sou uma pessoa má, pelo contrário, assim como você, eu me esforço todos os dias para dar meu melhor aos nossos fãs, eu amo cada um deles, cada um de vocês, meus companheiros. Sinto que tenho um relacionamento razoável com todos, mas você... você é tão distante. É quente com todo mundo, mas comigo é frio. Agora eu percebo que isso não faz a menor diferença para você, não é mesmo? Você choraria se eu pedisse para sair agora? Provavelmente não.

- Não diga besteiras. – Ele respondeu à distância, sua voz já não tinha o tom nervoso de antes, ele falava com doçura. – O que quer de mim?

Eu quero você.

- Amanhã. Passe o dia comigo amanhã. Me deixe mostrar a você a China que me criou.

- Não posso.

Mordi meu lábio inferior com força ao som daquela negativa. Eu estava tentando com tanta vontade, mas ainda assim ele estava fora do meu alcance.

- Entendo. – Foi tudo que pude dizer.

Junmyeon virou ou rosto e pude vê-lo de perfil. Suas feições eram tão belas, suaves, delicadas. Aquela beleza só tornava a dor daquela negativa pior. Era como estar sedento diante de um balde de água que poderia salvar completamente minha vida, mas que eu jamais poderia alcançar. Era frustrante e muito, muito doloroso.

- Certo, eu vou. – A voz dele era algo muito próximo de um sussurro, soava como um segredo, o que me fez abrir um sorriso ridículo. – A que horas pretende sair?

Por um instante eu esqueci minhas habilidades de fala e acabei ficando calado por um momento maior do que deveria.

- M-me encontre hãã, aqui. Ás seis horas.

- Seis? – Ele perguntou com leve tom de espanto. – Tão cedo?

- Seis. – Respondi de forma monossilábica, porque não confiava completamente na minha habilidade de fala naquele momento.

- Está combinado então. – Junmyeon recomeçou a caminhar e o perdi de vista assim que ele saiu pela porta.

 

- ♦ -

 

Meu relógio ainda marcava 5h30, mas eu já estava lá, esperando. Dormir fora uma tarefa árdua, não vou negar. Era difícil ter sono quando meu cérebro trabalhava de forma incansável, criando situações imaginárias que sempre resultavam em Junmyeon se entregando em meus braços.

Quando não pude mais aguentar a ansiedade, apenas me levantei. O sol sequer havia nascido ainda.

Olhei para os itens que separara para aquele dia com certa apreensão. Durante a noite eu decidira que queria fazer aquele passeio de forma independente. Sem manager, sem guardas, só eu e ele. Era algo arriscado que poderia fazer com que ele, tão correto, mudasse de ideia.

Só em imaginar ele me dando as costas novamente meu estômago ameaçava a embrulhar. Respirei fundo e me sentei no chão, cruzando os braços na altura do peito. Você precisa manter a calma Yixing.

Fechei os olhos e me esforcei para esvaziar a mente. Era uma pena que, naquele momento, aquilo era impraticável, mas consegui aliviar meus pensamentos o suficiente a ponto de cochilar por um instante.

- É, realmente acho que seis horas da manhã foi um horário exagerado da sua parte. – Abri os olhos devagar, mas logo tive um sobressalto tampouco me deparei com Kim Junmyeon diante de mim.

Ele estava agachado com dois copos de café em mãos. Agasalhado da cabeça aos pés, a única coisa visível da fisionomia de Junmyeon eram seus olhos, que estavam vermelhos e levemente inchados.

- Jun...myeon? O que houve?

- Estou meio resfriado. – Deu uma fungada como que para comprovar que o que dizia era verdade.

- Não está tão frio assim lá fora. – Me controlei para não rir. Ele era tão bobo. – Além disso, essa roupa toda não vai lhe servir de nada.

Peguei um dos cafés que ele carregava e me levantei, ele fez o mesmo.

- Como assim?

Tomei um gole do café e o encarei. O humor de Junmyeon parecia um pouco melhor e isso me deixou mais confiante sobre o que fazer a seguir. Apoiei o copo em uma cadeira e peguei o pacote que trouxera, revelando duas peças de roupa.

Como a única coisa visível de seu rosto eram os olhos, tudo que vi foi Junmyeon piscando lentamente, de incredulidade, acredito eu.

- O que isso significa? – Ele apontou para os dois macacões de funcionários da manutenção que eu agitava no ar.

- Esse é nosso passaporte de saída.

- Espera, achei que esse era um passeio oficial, com nosso manager.

- Mudei de ideia. – Por favor, não mude de ideia também.

Ele ficou estático por um momento longo demais.

- Você realmente quer fazer isso, Yixing?

Mais do que qualquer coisa.

- Sim. – Respondi.

Junmyeon suspirou pesadamente e caminhou até mim, pegando um dos macacões.

- Acho bom fazer isso aqui valer a pena. – Resmungou enquanto tirava o primeiro dos um zilhão de casacos que vestia.

- Vou fazer o melhor que puder. – Respondi.

 

- ♦ -

 

Escapamos!

Meus pés caminhavam o mais rápido que podiam, seguindo de perto por um Junmyeon que gargalhava de forma afetada, mas apenas até começar a tossir.

- Espere, espere, pare aqui. – Disse após já estarmos a uma distância considerável do hotel e em uma praça com pouco movimento.

Junmyeon parou e logo percebi os péssimos efeitos da corrida sobre seu corpo. Se apoiando sobre os joelhos, ele desatou a tossir.

- Não respire o ar gelado, hyung, onde está sua máscara?

Ele agitou a mão e endireitou a postura, seu rosto sempre branco agora tinha um tom suave de rosa pêssego. Lindo.

- Eu deixei minha máscara no hotel, esqueci de pegar depois de me trocar.

Sem sequer pensar duas vezes, tirei minha própria máscara e a ofereci.

- Tome, sei que não se deve compartilhar essas coisas, mas o ar frio irá lhe fazer um mal pior do que meus germes.

- Está tudo bem, Yixing, não precisa...

- Não seja tolo, irá ficar muito pior se não usar, sabe disso.

Junmyeon suspirou se dando por vencido e dei mais um passo para ajudá-lo a colocar a máscara. Quando dei por mim, estava a poucos centímetros de seu rosto, as pontas dos meus dedos deslizando suavemente por sua pele enquanto eu encaixava os elásticos por trás de suas orelhas. Ele tinha um cheiro incrível e por um segundo fiquei hipnotizado, levando devagar uma mecha de seu cabelo negro e macio para longe de seu rosto. Seus olhinhos procuraram os meus com uma pitada de espanto e confusão, ele não fazia menor ideia dos efeitos que sua mera proximidade causava em mim.

Eu queria beijá-lo. Santo Deus! Como eu queria beijá-lo!

Mas então ele começou a tossir novamente.

- Me desculpe, Junmyeon. Insistir para sair com você foi tolice, não sabia que estava tão resfriado.

- Está tudo bem, eu aguento. Se isso é importante para você, eu irei até o fim. – Ele recuou minimamente ao perceber que eu ainda invadia seu espaço pessoal – Para onde vamos?

- Nosso itinerário é grande, mas antes quero conheça minha avó.

 

- ♦ -

 

- Como está o chá? Gosta?

- Está excelente, ajuma, obrigada!

- Ajuma? O que é isso? – Vovó riu com a confusão de línguas de Junmyeon, que corou levemente.

- Me desculpe, meu mandarim não é dos melhores.

- Está tudo bem, querido, já vi piores. – Ela continuou rindo – Estou feliz por Yixing finalmente ter trazido o famoso Junmyeon para minha casa, achei que isso nunca fosse acontecer.

- Sério? Eu sou famoso?

Abri a boca e tentei negar, mas quando minha avó começava, ela não parava até chegar ao fim.

- Sim! Yixing fala de você o tempo todo, do quanto ele o admira por sua dedicação ao EXO, do quanto se esforça para ser como você, do quanto você é bonit...

- VÓ! Não precisa exagerar...

- Exagerar? Estou pegando leve!

Junmyeon começou a rir e senti todo o meu sangue se acumular na minha cabeça. Escondi o rosto completamente corado entre as mãos e quase gemi ouvindo o resto da conversa.

- Estou muito feliz por estar fazendo companhia para meu neto, ele esteve solitário por tanto tempo. Você parece ser um bom rapaz.

- Yixing nunca está sozinho, ele tem todos nós, tem o EXO.

- Oh, eu sei que são muito amigos dele, sim, sim, mas me refiro a um companheiro. É bom vê-lo com um namorado, finalmente.

Não aguentei nem olhar para Junmyeon, eu estava roxo de vergonha.

- Ele não é meu namorado, nai nai, por favor, pare de dizer essas coisas! – Tentei falar com seriedade, mas acabei soando como um garotinho emburrado.

Para meu completo desespero, Junmyeon pareceu achar graça de tudo. Sua risada rouca pela gripe ecoou pela sala como se namorar comigo fosse a piada mais engraçada do mundo, não vou mentir, doeu.

Suspirei derrotado. A ideia de levá-lo até ali era para que ele conhecesse um pouco mais das minhas raízes e se sentisse mais confortável para se aproximar, mas tudo fora por água a baixo. Talvez eu estivesse insistindo demais em algo que não era para ser.

- Já acabou o chá, hyung? Acho que é melhor irmos. – Falei já com meu ânimo para aquele dia sendo reduzido pela metade.

Ele tomou seu último gole de chá de gengibre e uniu as mãos em respeito e agradecimento à minha nai nai.

- Ainda pretendem passear mais por hoje? Yixing, seu amigo está doente.

- Eu sei. Já desisti do longo itinerário. – Respondi. – Voltaremos para o hotel.

Me coloquei de pé e abracei minha avó, Junmyeon a cumprimentou educadamente e em seguida voltamos às ruas

- Sinto muito por ter estragado seus planos. – Ele falou depois de termos virado a primeira esquina.

- Tudo bem, de toda forma você nem queria vir mesmo, é um alívio.

- Não, claro que não, Yixing. – Sua mão segurou meu pulso e me obrigou a parar de caminhar – Isso é mesmo importante para você, não é? Que eu goste de você?

Respondi com um dar de ombros.

- Não importa mais.

- Não? Desistiu tão fácil? Logo você, Zhang Yixing, o maluco que treina além do limite humano? Me sinto desprezado. – Ele riu e eu ri junto, como o idiota apaixonado que eu sou.

- Não é isso é só... – Mordi o lábio, ponderando se devia mesmo me abrir e correr o risco de estragar tudo.

- É só...?

- Eu amo você... – os olhos vermelhos dele se arregalaram, mas fui rápido o suficiente para consertar o estrago – eu realmente queria que fôssemos amigos próximos.

- Oh. – Junmyeon me encarava direto nos olhos e por uma fração de segundo tive a impressão de que ele sabia que eu estava mentindo.

- Achei que se conhecesse um pouco de mim, suas muralhas comigo cairiam.

- Eu não tenho muralhas com você, Yixing. Na verdade, eu sempre achei que não precisasse de mim, você é independente, já tem a voz na sua cabeça cobrando muito de si mesmo, não precisa da minha.

Mordi o canto da boca, aquela era a real impressão que ele tinha de mim? Independente? Eu trocaria essa palavra por “isolado”.

- Por que está tentando tanto comigo? – Ele questionou em voz baixa – Não há nada de interessante sobre mim e nem sei se sou uma boa companhia agora. – Junmyeon passou a mão pelos cabelos escuros, bagunçando-os de uma forma encantadora.

- Isso não é verdade, você é uma pessoa brilhante. Brilha até mesmo triste. Já eu... – ri fracamente – eu sou só escuridão.

- Está exagerando.

- Será mesmo? Sempre pensei que se fosse seu amigo, eu poderia rir mais.

Junmyeon puxou a máscara até deixa-la abaixo do queixo e abriu um sorriso enorme para mim. Ele estava olhando diretamente nos meus olhos, sorrindo, era como um sonho.

- Você me acha engraçado?

- Não é isso...

- Vamos lá, você vive dizendo por aí que não sou engraçado, mas acabou de admitir de que acha que posso fazê-lo rir.

- Eu não acho que seja engraçado.

Sim, eu achava.

- Está mentindo!

Enfiei as mãos nos bolsos e me fiz de desentendido, recomeçando a caminhar.

- Ainda está tentando sustentar essa ideia maluca de que você é o membro mais engraçado do EXO? Já são quatro anos, hyung, quando irá desistir?

- Você está brincando, certo? Você sempre ri das minhas piadas! – Ele apertou o passo para me acompanhar.

- Não sei do que está falando.

E ali estávamos nós novamente, confrontando argumentos, comigo teimando contra suas suposições. De todas as nossas conversas, aquele tipo de provocação sempre parecia ser o mais confortável. Nada de sentimentos expostos, nada de inseguranças, nada de olhares significativos. A boa e velha zona de conforto do diálogo entre Suho e Lay.

Me culpei mentalmente. Havia insistido naquele passeio justamente porque estava cansado dessa distância. Desses diálogos que não tinham nada além da cordialidade de duas pessoas que não tinham nenhuma intimidade.

Ele riu e sacudiu a cabeça com uma indignação fingida, desistindo de insistir em me fazer assumir que ele era sim o membro mais engraçado do EXO. Depois disso o silêncio reinou como o pior dos meus pesadelos.

Não consegui pensar em nada para conversar. Nada, nem um assuntozinho, nem mesmo sobre o tempo.  

 - Obrigado por me dizer tudo isso, Yixing. – Ele enfim falou antes que eu entrasse em parafuso. Abri a boca, mas não consegui pensar em mais nada para dizer. – Obrigado por me tirar do hotel e me apresentar a sua avó, ela é uma pessoa encantadora. Tinha razão, fui injusto e afastei você de mim, não percebi o amigo que eu estava perdendo.

Meu sorriso foi involuntário, fazer o quê? Era o efeito dele sobre mim.

- Sou eu que preciso agradecer por ter aceitado vir comigo, mesmo quebrando as regras, mesmo estando doente, mesmo nem querendo estar no meu país.

- Você sabe que não é por causa do país.

- Então o que é? É Yifan? Algo aqui o lembra dele?

Junmyeon engoliu seco antes de abrir um pequeno sorriso entristecido.

- É difícil esquecer.

Abri a boca para perguntar sobre seus sentimentos, mas fui interrompido por um grito histérico de uma garota a poucos metros de nós dois. Oh, não!

- EXO! É O EXO!

Ela chamou atenção da rua inteira para nós e antes que pudéssemos pedir discrição uma multidão de garotas correu em nossa direção. Olhei pra Junmyeon em pânico, mas ele apenas fitava atônito a avalanche de garotas se aproximar, enquanto respirava pela boca.

- Merda! – Praguejei entre dentes e em seguida, sem esperar mais, agarrei o pulso do meu líder e saí correndo como se estivesse fugindo do apocalipse zumbi.

Corri o máximo que pude, puxando Junmyeon para qualquer lado que eu virasse ou para longe de qualquer pessoa em que ele pudesse se esbarrar. Não estávamos perto o suficiente do hotel para que aquela fosse uma corrida curta, tampouco haviam pontos de taxi naquele quarteirão. As fãs não pareciam com vontade de desistir de nos pegar e eu já começava a ponderar sobre quão longe minhas pernas ainda aguentariam antes de sermos devorados pelo pseudo The Walking Dead.

- YIXING... – Junmyeon gritou.

- HUH? – Gritei de volta sem parar de correr.

- PRECISO... – ele ofegava feito um cachorro cansado – ...RESPIRAR.

Santo Deus, esqueci que o homem estava doente!

Parei gradualmente de correr, mas antes que Junmyeon pudesse ter um segundo para recuperar o ar, eu empurrei para dentro da primeira loja que vi. Era a droga de um minimercado, pequeno demais. Perguntei ao rapaz do caixa se podíamos nos esconder no banheiro por alguns minutos e ele me encarou alarmado.

- TEM UM APOCALIPSE ATRÁS DE NÓS! – Junmyeon gritou e gesticulou desesperado e acho que foi convincente o suficiente para o rapaz nos deixar usar o banheiro por 10 minutos.

Mas o treco era um cubículo com um único vaso e sem janelas. Junmyeon e eu acabamos cara a cara, sem a menor chance de dar mais algum passo em qualquer direção. Eu estava literalmente respirando seu ar, cheio de gripe.

Junmyeon respirava tão pesado e seu peito chiava como um motor gasto. Ele havia chegado ao limite do esforço e a culpa era minha, por ter insistido em tudo aquilo.

Ele já estava meio mole, então apenas o puxei um pouco mais para perto até sua cabeça encostar em meu peito, o mantendo em um abraço.

- Descanse um pouco. – Sussurrei e ele apenas assentiu devagar com a cabeça, se apoiando quase por completo em meu corpo. – Me desculpe por fazer isso com você, não queria machucá-lo, só queria um dia com você.

Bem devagar, ao menos mais devagar do que eu gostaria, os braços dele contornaram minha cintura, retribuindo o abraço.

- Tudo bem, Yixing. Eu adorei tudo.

 

- ♦ -

 

Naquela noite, depois do passeio, perdi algumas horas com uma pequena insônia. Ouvia Minseok ressonando na cama ao lado, enquanto eu fitava a escuridão acima de minha cabeça. Não conseguia pensar em nada, tudo que meu cérebro era capaz de fazer era formar pequenas figuras.

Figuras de lábios específicos. Figuras de um par de olhos que quase se fechavam em meio a uma risada. Figuras que se encaixavam até restar um rosto completo em minha mente. Um rosto com cabelos negros, tez pálida, dentes grandes, maçãs do rosto salientes e um pequeno corpo esguio que se encaixava perfeitamente em meus braços. Eu quase podia sentir seu perfume no ar.

Me agarrei ao travesseiro e apertei os olhos tentando me desfazer da figura de Junmyeon que assombrava minha mente, mas era impossível. Meu corpo pedia pelo dele, minha boca parecia seca, sedenta pelos pequenos lábios dele.

Era difícil amá-lo, especialmente quando ele dedicava toda sua atenção aos outros. Aos problemáticos. Como eu era uma sombra, ele não tinha muito com o que se preocupar. Oh não, eu não era mais uma sombra. Naquele dia... naquele dia ele havia permitido que eu me aproximasse. Fora algo pequeno, uma mera gota comparado ao oceano de emoções que eu sentia por ele, mas havia sido algo.

Será que eu poderia me iludir?

Não.

Ele jamais me olharia com os mesmos olhos que o vejo, era tudo parte de um desejo da minha mente. Ilusões de um coração apaixonado, esperançoso, mesmo diante do impossível.

Me encolhi sobre a cama e apertei o travesseiro contra as orelhas, na esperança de que aquilo me desse o isolamento necessário para dormir, mas como o ruído vinha de dentro de mim, aquele era um esforço em vão.

Foi então que eu ouvi aquela coisa horrível.

Uma tosse pesada, áspera e incessante. A pessoa do quarto ao lado no dormitório tossiu por quase um minuto inteiro sem parar. Parecia realmente mal. Quando parou de tossir foi ainda pior, pois pude ouvir o chiado da respiração, rouco e alto o suficiente para atravessar uma parede.

Era Junmyeon.

Tentei ignorar aquela tosse tenebrosa por quase meia hora, mas quanto mais o tempo passava pior se tornava o som, indo de uma tosse grave a algo que lembrava um miado seco. Comecei a me sentir muito culpado, ele poderia estar um pouco melhor se eu não o tivesse obrigado a se esforçar tanto e a respirar tanto ar frio e poluído.

Decidi que era meu dever ir ajudá-lo, então rapidamente me coloquei de pé e vesti uma camiseta, em seguida vasculhei em minhas coisas em busca de todo tipo de remédio para gripe e vitaminas. Enchi uma sacola como aquilo e fui direto bater no quarto ao lado.

Precisei bater mais de três vezes para que ele finalmente abrisse a porta. Junmyeon já tinha os olhos pequenos por natureza, mas quando estava gripado, eles eram reduzidos a duas linhas finas. Seu nariz estava vermelho e ele mantinha a boca aberta, aparentemente era o único modo que ainda tinha de respirar. E para meu completo azar, ele estava sem camisa. Só um pequeno detalhe que quase me fez colocar tudo a perder.

- Yixing? – Era incrivelmente atraente ouvi-lo pronunciar meu nome, mesmo que estivesse completamente fanho.

- Suho hyung, você está realmente muito mal.

Ele piscou vagarosamente e abriu um pouco mais a boca.

- Isso é verdade. – Notei que ele se esforçou para abrir um pouco mais os olhos. – Eu acordei você?

- Eu não estava dormindo, para ser sincero. – Lembrei que trazia uma sacola com medicamentos. – Trouxe alguns remédios, quer ajuda?

Ele assentiu e abriu espaço, dando permissão para que eu entrasse. Meus olhos imediatamente buscaram por Oh Sehun, que compartilhava o quarto com ele, mas senti o nervosismo começar a contaminar meu corpo assim que constatei que ele não estava ali.

Eu estava a sós com Junmyeon. Também notei que em seu criado mudo havia pelo menos cinco frascos de vitamina completamente vazios, pelo visto ele estava tentando curar sua gripe apenas com aquilo.

- Sehun não está?

- Ele foi para uma festa, deve voltar tarde. – Disse dando uma fungada logo em seguida. – O que trouxe aí? – Disse enquanto olhava com interesse para a sacola.

Apontei para sua cama e pedi que ele se sentasse. Puxei a cadeira da escrivaninha e me sentei ao seu lado, em seguida comecei a tirar os medicamentos: antibióticos, antigripais, um xarope para tosse e algumas vitaminas. Junmyeon apontou para o xarope de tosse assim que o viu.

- Yixing, você vai salvar minha vida! – Comemorou e eu acabei rindo. O que saiu foi um riso nervoso, trêmulo, inseguro, mas de toda forma era um riso. Eu estava tão nervoso e nem mesmo sabia por que. Era só Junmyeon e a droga de uma gripe.

- Deite-se hyung. – Pedi e ele assim o fez.

Era incrível como ele era um homem feito, mais velho do que eu, mas ainda tinha aquela aura quase infantil. Levei minha mão à sua testa, na desculpa de atestar se ele estava com febre, mas sua pele estava suada e fria.

- Acho que já suei minha febre. – Ele comentou com um sorriso vitorioso e precisei resistir com muita força à tentação de colocá-lo no colo. Por que ele tinha que ser tão adorável?

- Isso é bom.

Tirei minha mão de seu rosto e peguei o xarope. O chacoalhei e coloquei uma pequena quantidade na tampa do frasco. Não precisei pedir que ele abrisse a boca, ele o fez de bom grado e de repente me senti muito satisfeito ao dar o remédio diretamente em seus lábios.

- Mais um pouco. – Ele pediu e enchi a tampa novamente. – Obrigado, Yixing.

- Acho que devia tomar um antibiótico.

Ele negou com a cabeça.

- É só um resfriado.

- Com essa tosse de trator? Não mesmo. Tome, tenho quase certeza de que sua garganta está inflamada. – Peguei a cartela de remédios, mas ele se virou na cama, ficando de costas para mim. – Deixe de ser bobo hyung, são só antibióticos.

- Não gosto do efeito deles no meu corpo.

- Não gosta que eles curem a sua doença?

- Eu já estou ótimo. Você acabou de me dar o xarope milagroso da cura.

Comecei a rir.

- Eu não acredito que está fazendo essa cena toda por causa de antibióticos.

Ele teve outro acesso de tosse e isso para mim foi o fim da picada. Por que se recusar a tomar algo que irá ajudá-lo a melhorar? Tirei um comprimido da cartela.

- Junmyeon, não me obrigue a obrigá-lo.

Ele virou a cabeça para mim com o olhar faiscando.

- Você não ousaria.

Ah, eu ousaria sim. Para tocar você, eu ousaria qualquer coisa.

Coloquei um joelho sobre a cama e joguei o outro por cima dele, prendendo-o entre minhas pernas. Trinquei os dentes assim que senti o calor do corpo dele debaixo do meu, colado à minha virilha.

Ok, montar nele havia sido uma má ideia, mas agora não tinha como voltar atrás. Junmyeon começou a se debater imediatamente, tapando a própria boca com as mãos. Inclinei meu tronco sobre o dele e com a mão desocupada tentei afastar as dele.

Ele então começou a virar o rosto de um lado para o outro, dificultando meu trabalho. Usei um pouco de força e enfim consegui agarrar um de seus braços, porém, como vingança, Junmyeon usou a outra mão para atacar a região sensível das minhas costelas, me fazendo cócegas.

Foi um tiro certeiro.

As cócegas me desarmaram completamente e acabei desabando sobre ele. Junmyeon gemeu quando meu peso pressionou seu corpo.

- Isso é sério? – Perguntei enquanto ria abertamente, tentando não pensar no corpo seminu dele debaixo do meu.

- Caramba, você é pesado! – Foi como um sonho. Aqueles olhos negros olhando em minha direção enquanto ele abria aquele que era meu sorriso favorito em todo o mundo.

- Junmyeon hyung?

- O quê?

Em um movimento rápido, usei uma mão para segurar suas bochechas e no mesmo segundo enfiei o comprimido na pequena cavidade entre seus lábios. Tapei sua boca assim que o comprimido caiu e o segurei com força entre minhas pernas.

- Engula! – Falei com os lábios colados em seu ouvido. – Eu sei que está com o nariz entupido, então se quiser sobreviver acho bom engolir esse remédio, Junmyeon. – Ele gemeu de tristeza e se sacudiu mais um pouco. – Engula e eu te dou um beijo. – Sussurrei.

Hã? Yixing, o que pensa que está fazendo? Não seja ridículo.

Levou cerca de cinco segundos, depois disso percebi o movimento em sua garganta.

Ele engolira.

Tirei a mão de sua boca quase no mesmo segundo e ele puxou o ar com força. Ainda ficou respirando pesadamente por um minuto inteiro, comigo ali, sobre seu corpo. Foi então que comecei a entrar em parafuso, ele tinha engolido por que estava prestes a morrer sufocado ou por que eu oferecera um beijo?

- E então? – Disse quando enfim voltou a respirar normal o suficiente para alguém com o nariz entupido.

- Então o quê?

- Quando eu vou ganhar meu beijo?

Congelei.

Eu ouvi certo? Procurei em seu rosto algum sinal de que ele estivesse caçoando de mim, porém não encontrei nada. Ele estava sorrindo suavemente, com as bochechas cheias de uma cor rosada. Isso é sério?

- V-você... você fala sério? – Me repreendi mentalmente pela hesitação.

- Por que? Você não estava falando sério?

Demorei a acreditar, mas eu soube que era tudo real quando ele ergueu as sobrancelhas, sorrindo presunçosamente. A partir dali não me segurei mais. Envolvi seus lábios com a urgência de um garoto que beija pela primeira vez.

Deus! Como eu sonhei com o sabor daquela boca!

Nossos dentes ainda se chocaram algumas vezes até que nosso ritmo sincronizasse. Ele beijava com delicadeza, com a língua tocando a minha com cuidado, os lábios acariciando os meus. E tudo que eu sentia era um completo êxtase, como se apenas o beijo de Junmyeon pudesse pôr fim a todas as minhas dores, a todo o meu vazio, a toda a minha melancolia.

Levei minha mão ao seu rosto e senti a maciez de sua pele, a textura suave de seus cabelos e o aroma de seu corpo. Ele cheirava a remédio e a suor, mas ainda assim, parecia melhor do que o aroma de qualquer flor, qualquer perfume caro ou qualquer alimento saboroso. Parecia melhor do que tudo.

Senti os dedos dele pressionando a pele das minhas costas, me mantendo o mais colado o possível ao seu corpo.

Junmyeon empurrou levemente meus ombros pedindo pelo fim do beijo. Eu não queria que acabasse, ainda podia beijá-lo por muito mais tempo, mas então me dei conta de que estava tapando sua boca, seu único meio de respirar no momento.

Me afastei dele com relutância, mas no mesmo segundo desci meus beijos por seu pescoço, saboreando aquela pele branca, lisa e imaculada. Ele respirava com força por causa da gripe, porém não parecia se incomodar com meu toque. Pelo contrário, ele acariciava todas as partes do meu corpo ao alcance de suas mãos, me tocando com gentileza.

Meu coração batia enlouquecido dentro do meu peito, estava embebido em pura e magnífica felicidade. Encontrei o olhar de Junmyeon e achei que fosse explodir quando vi um espelho da minha própria alegria. O que aquilo significava?

Você é meu agora?

- Há quanto tempo desejava fazer isso? – Perguntou com um sorriso torto.

- Tempo demais.

- Venha aqui. – Ele me chamou para que eu voltasse a ficar na altura de seu rosto e eu o obedeci com absoluto prazer. – Por que nunca me disse nada?

Por que eu nunca disse nada? Ora, como eu podia imaginar que existia a remota possibilidade de você me querer?

- E-eu... eu não tinha como ter certeza.

A mão de Junmyeon tocou meus cabelos e o afastou de minha testa, fazendo o caminho de volta acariciando minha face.

- Yixing, você é tão reservado, sua mente parece trabalhar em códigos, é difícil se aproximar de você.

O encarei completamente perplexo. O que ele queria dizer com tudo aquilo? Por que ele me encarava com aquele sorriso tão lindo sem o menor motivo? Ele gostava de mim?

- Eu não entendo hyung, o que está tentando dizer?

Ele aproximou o rosto do meu, estava tão próximo que senti o leve aroma do xarope sabor cereja em seu hálito. Será que é possível que eu o ame ainda mais?

- Me desculpe por nunca ter deixado meu olhar cair em você, Yixing. Você parecia muito difícil. – O abracei com mais força, enterrando meu rosto na curva de seu pescoço. – Mas eu finalmente decifrei seu código.

- E qual é? – Sussurrei com os fechados, enquanto fazia pequenos nós em seu cabelo macio de tanto torcê-los entre meus dedos.

- Você me ama, estou correto?

- Sim, mas há algo mais.

- Mais? E o que seria?

- Se não consegue decifrar sozinho, não posso ajudá-lo.

Ergui o rosto para encará-lo e quase derreti com seu sorriso.

- Oh! Eu já sei o que é.

- Então diga.

- Eu sou o mais engraçado.

Gargalhei e em seguida roubei para mim toda a sua gripe com mais um beijo.

- Sim, você é mais engraçado.

Ele riu satisfeito com aquela declaração enquanto eu o aconcheguei em meus braços, esperando que ele enfim relaxasse e descansasse para se recuperar daquele resfriado todo. Junmyeon assim o fez, se deixando cair no sono colado no meu corpo, protegido por meus braços.

Eu estava feliz.

Entretanto, ele não havia descoberto o segundo código.

Sim, eu o amava, mas também dedicaria cada dia para garantir ao menos um espaço em seu coração.

21 de Noviembre de 2018 a las 23:30 1 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Lara Franco Jornalista de 23 anos de idade e ficwriter desde os 15. Completamente apaixonada por Kim Junmyeon, Moon Taeil e tudo o que os rodeiam, defensora de Zhang Yixing e Kim Dongyoung, mantém um sonho secreto de povoar o site com fanfics SuLay, 2Ho e Doil. Milita a favor do fim da guerra entre ships e sonha com o dia em que os couples flops irão dominar o mundo.

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Debbie Watson Debbie Watson
sulay sempre acabando comigo *-* Sulay ship da nação e só minha opinião importa Obrigada por escrever essa maravilha ;)
27 de Junio de 2019 a las 00:16
~