Aranhas do Quartinho Seguir historia

aghaf Anna Romaike

Você sabia? Uma em cada cinco mulheres serão estupradas ao longo de suas vidas. Assustador não é? Pensar que a qualquer momento você pode ser uma delas e virar estatística. Essa poesia fala de como virei uma, ela mostra que mesmo em uma escola do maternal não estamos seguras. Mostra que nossos abusadores não serão homens desconhecidos escondidos em arbustos no meio da noite e sim monitores das escolas, padrastos, avós, pais, vizinhos, etc...


Poesía No para niños menores de 13.

#escola #tragédia #aranhas #trauma #poesia #abuso-sexual #pedofilia
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Aranhas

Cuidado com as aranhas

Elas são grandes

Do tamanho de mãos

Cada uma tem cinco patas

Elas deslizam pelo meu braço esquerdo

Caminham em direção ao meu seio direito

São tão fortes

 


Aranhas

Ele disse que há um monte delas

Estão no quarto apertado ao lado do palco

Estão em minha sopa

Estão nos cabelos da garota do lado

Nas nádegas do menino a minha frente

Na garganta da criança que chora

 


Oh mãe não diga que estou mentindo

Falar era errado, são safadezas, certo?

Nessa casa não se fala de safadezas

Eu já lhe disse, passei a infância inteira avisando.

Irmã tome cuidado com as aranhas

Seja uma boa menina e elas não apalparão suas curvas

Oh Deusa por que eu estava me culpando?

 


E na mesa de jantar onde nos juntamos

Tudo é tão delicioso

Coca com macarrão

Coma com educação

Aprenda a usar faca

Não fale inconveniências

Pesadelos?

Homem branco, alto, cabelo negro?

Nessa noite você incomodou novamente

E não me importa se há olhos na porta

Ou bolas gigantes te esmagando

Ou cama com agulhas

Insônia

Já rezamos por você

Logo acaba

Apenas não atrapalhe o jogo querida

Você sabe

Papai fica bravo quando atrapalha

 


Ah mãe como eu poderia dizer

Eram apenas aranhas

Não entendo

Não quero entender

Não quero

Como elas entraram em meu corpo

Em apenas um intervalo

E quando o sino tocou

Elas se recolheram para as estantes.

E quando acabou era um segredo

Quantas cintadas eu levaria caso vocês soubessem

Que naquele dia agarrei o pescoço de um menino

Arranhei sua garganta infantil

Para defender minha amiga

E fui para o quarto do castigo

 


Irmã você se lembra?

Apenas crianças más vão pra lá

Mas, eu não era criança má.

E mesmo se fosse nada justificaria

Nada nunca justifica

 


Não peça para ser segredo

Estou cansada deles.

Quero falar

Gritar bem alto para incomodar.

Incomodar quem?

Quem ouvir

Se eu me calar

O mundo nunca vai mudar

Eu sou estatística agora

Uma em cada cinco mulheres já foram abusadas

Não se vence nada de boca fechada

17 de Noviembre de 2018 a las 01:05 0 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

Anna Romaike Otaku, fujoshi, cartomante, bruxa, numeróloga, astróloga, umbandista, poeta. Amo livros, florence and the machine, virginia woolf, simone de beauvoir, hannah kent e muitas outras escritoras.

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