Lust Seguir historia

morghanah Morghanah .

Necessitavam de sua pessoa, de seu corpo, de sua mente, de sua alma e jamais lhes negaria isso, era escravo cativo desse prazer e por ele viveria até morrer.


Fanfiction Bandas/Cantantes Todo público. © Os personagens não me pertencem, assim como suas imagens, entretanto, a história é de minha total criação e propriedade pessoal

#halloween #fanfiction #fanfic #ruki #Matsumoto-Takanori #the-GazettE
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Os dedos ágeis, ávidos em transpôr aquilo que seu dono via, ouvia e sentia em sua mente, corriam famintos por sobre as teclas do notebook em cima da mesa no aposento onde um homem defronte a máquina, sentava-se, digitando avidamente tudo aquilo que lhe era ordenado.

Matsumoto Takanori, mais conhecidos por seus fãs como Ruki, era um renomado escritor de livros de romance, cujo conteúdo trazia sua lascívia literária.

As páginas escritas por ele tinham um quê muito forte daquele que as escrevia como se parte de sua alma também fosse posta ali, mas engana-se aquele que acreditava que veria muito dele. Não, seus livros eram de suas crias. Daqueles que embora criados em sua mente tinham vida própria, autonomia e faziam dela a sua moradia – o seu reino –, usando e abusando de seu corpo fazendo dele seu instrumento, pois através de suas mãos de dedos curtos e afeminados, cujas unhas estavam sempre impecavelmente bem feitas, expressavam tudo de mais profundo que sentiam.

E não, nenhum deles era plácido em suas escolhas de vocabulário ou reações. Muito pelo contrario, eram intensos e viscerais, chegando ao ponto da obscenidade de reações e desejos.

Era libidinosos.

Enquanto digitava, Takanori sentia as emoções deles como se fossem suas. Sua urgência. Seus desejos. Seu domínio. E como bom submisso que era nessa relação quase sadomasoquista onde era açoitado por eles sem dó ou piedade e pedia por mais, sempre mais. Obedecia-os cegamente e transpunha para as paginas brancas do seu editor de texto cada ação, reação, diálogo e intenção, fosse ela nobre ou escusa, sentindo o prazer lhe correr da mente para os dedos e deles para seu corpo e sexo, que no momento enrijecia-se ao sentir como se fosse tocado por suas criações de modo tão íntimo e preciso.

Via-os com nitidez, escutava as suas ordens imponentes e quase sentia as mãos algemadas de lhes tocar como gostaria em alguns momentos, enquanto ouvia-os ordenar: faça! Não se contenha, apenas faça o que mandamos, Ruki.

Nos obedeça!

E assim ele fazia.

Obedecia-os até acabarem de falar naquele momento, isso horas depois de ter começado sentindo-se fraco, letárgico após o gozo mental proporcionado por eles, deitando-se a cama para enfim adormecer. Pois fora tirado do conforto do abraço de seu edredom quando um de seus personagens surgiu e exigiu seu corpo para satisfazer-se dele a seu bel prazer, mas Takanori não se importava com isso, com tamanha urgência e dominação. Ele gostava de se sentir usado, de ter seu corpo reagindo ao que as personas em sua mente sentiam, isso lhe dava prazer e motivo para viver.

Essa era sua paixão.

Sua fonte de desejo.

Seu sonho realizado.

E nada mais lhe importava neste casamento sem alianças ou anéis de compromisso, havia apenas a sua devoção cega e fiel para com a escrita.




Acordara no dia seguinte e sozinho, ao contrário das muitas vezes em que instantes após despertar sentia a voz de alguém em sua mente trazendo aquela mesma sensação de urgência: precisava escrever. Mas hoje não, estava tranquilo, provavelmente sabiam que iria a uma sessão de autógrafos de seu mais novo livro numa livraria de grande porte em um dos shoppings centers da cidade.

Saiu da cama e no banheiro olhou-se no espelho, mas não exatamente gostou do que viu: de estatura baixa para um homem, medidas corporais adequadas e pouco peso, traços orientais típicos e cabelos negros com as pontas avermelhadas. Quase nunca gostava, no entanto, deixou de se importar fazia tempo, pois para eles tais detalhes de sua casca física eram irrelevantes.

Sua alma sim era importante.

Deixou tal sensação de lado e foi se banhar para poder sair, tinha que chegar ao local horas antes para conferir o andamento do evento.

Sob o chuveiro a água caía morna sobre sua cabeça e ombros, e como num passe de mágica, uma magia sádica a qual suas crias adoravam fazer, uma cena formou-se em sua mente. Cristalina. As falas, intenções, ações e emoções, tudo veio como um tapa na cara.

Eles queriam sair, então desligou o chuveiro, mas as palavras sumiram, apavorando-o.

"Não vão embora", pensou quando as imagens esvaíram-se como fumaça.

"Então, ligue o chuveiro e apenas sinta", escutou a ordem vinda de uma voz masculina e imponente e assim o fez, sendo mais uma vez agraciado por eles.

Seu corpo foi tomado por dois, depois três e por fim quatro personagens todos ao mesmo tempo: exigentes, incansáveis, insaciáveis. O ar quase lhe faltava e arfava sozinho ali, as mãos chegavam a latejar necessitadas de seu alívio e com os olhos fechados com certa força e os lábios comprimidos por seus dentes, gozava de mais uma experiência que apenas eles poderiam lhe proporcionar.

Ao fim da cena e a satisfação deles em lhe contar mais um segredo que não ficaria apenas entre eles, mas seria posto em palavras caso assim o permitissem, todos regressaram a seus quartos no opulento e irrequieto castelo que era e mente de Takanori. Então saiu do banheiro sorrindo largo, satisfeito, leve e em seu quarto vestiu-se, deixando sua moradia em seguida.

Tomaria café na cafeteria da livraria.

Quando chegou ao local fora esbofeteado por aquele cheiro de livros novos e conhecimento. Tudo o que mais amava, envaidecia e excitava estava ali: páginas e mais páginas repletas de palavras, de experiência, de pessoas, de sabedoria.

Um sorriso safado surgiu em seus lábios ao tocar um exemplar de sua obra. Abriu-a e levou o até próximo de suas narinas, inebriando-se com a fragrância que significava tudo em sua vida, pois era por e para ela que vivia.

Distraído em sua adoração muda e participar, escutando a felicidade daqueles em seu cerne a dizer que mais tarde se entrariam para mais uma sessão e que estivesse preparado, pois não dar-lhe-iam descanso tão cedo; Matsumoto foi surpreendido por seu agente literário.

Sakura Atsushi.

Um homem de meia idade com olhos intensos e escuros, quase perversos como seu sorriso, voz bonita, postura austera, magro e de estatura média.

— Boa tarde, vejo que já encontrou sua estante, o que acha dela? – indagou quando parado ao seu lado.

— Boa tarde, Sakurai – olhou em sua direção ao fechar o livro e focar-se na capa. — Para mim está ótimo. A iluminação mais baixa e íntima combina com o clima da obra – sorriu com certas timidez olhando ao seu redor comparando as cores e intensidades das luzes.

— Perfeito. Você prefere comer algo antes ou podemos iniciar o evento? – indagou meio que já sabendo acerca dos costumes do escritor.

Nunca fazia suas refeições corretamente.

— Comer. Estou com fome – revelou e assim seguiram para a parte onde ficava a cafeteria.

Graças a um boné e a típica máscara cirúrgica que os japoneses costumavam usar, não fora reconhecido por alguns de seus fãs que já estavam lá a sua espera. Matsumoto era capaz de ouvir o burburinho deles e de outros clientes, alguns curiosos sobre o evento do dia, já outros em busca de seus interesses próprios. Havia também os que liam silenciosamente sentados em cadeiras ou poltronas espalhadas pelo local, alguns petiscavam ou tomavam alguma bebida em meio àquela calmaria inquieta.

Enquanto a espera excitante corroía-o por dentro.

Precisava falar com seus leitores, saber o que eles achava de suas obras, coletar mais conhecimento e vida para si mesmo e suas crias.

De mais de seu alimento literário ou ficaria em abstinência.

Era um viciado e sabia disso.

Sabia que sem eles não seria ninguém, apenas um corpo seco, oco a vagar por ai como tantos outros e por mais que parecesse errado para alguns seu modo de vida mais recluso tendo suas experiências apenas através deles, não se arrependia.

O sonho de escrever não abria espaço para qualquer outra coisa em sua vida e sentimentos provindos de outros seres humanos feitos de carne e osso, não passavam de uma mera ilusão em sua humilde opinião, pois sua verdade era proporcionada pela liberdade e libertinagem de seus personagens a lhe usar sempre e do modo que quisesse.

Sempre fora deles e jamais se arrependeria de ser quem e o que era.

Ingeriu os alimentos com calma enquanto acertava os últimos detalhes com seu agente, Sakurai havia cuidado de tudo nos mínimo detalhes e a repartição na qual havia uma mesa com cadeira, uma montanha feita com seus livros – além da estante na entrada do local – , logo seria aberta.

Conforme o tempo passava Takanori se sentia mais e mais ansioso. As mãos estavam gélidas e se policiava para não morder os lábios ou a parte interna de suas bochechas, então a hora derradeira chegou e a passos calmos se direcionou a cadeira a qual ocuparia e sob uma salva de palmas.

— Eu agradeço muito a todos que puderam vir aqui me ver e prestigiar meu humilde trabalho, pois é para eles, meus amados e queridos personagens, e a vocês, meus caros leitores, que escrevo e dedico a minha vida – disse, solenemente acompanhado de uma vênia polida, antes de sentar-se e começar sua tarefa.

Matsumoto distribuía sorrisos largos e sua felicidade era tamanha que seus belos olhos escuros brilhavam como se fossem supernovas. Seus leitores viam e sentiam suas sensações, sendo arrebatados por elas, assim como a verdade em cada letrinha escrita por ele naquelas folhas brancas de papel. Perguntas eram feitas e respondidas, dedicatórias personalizadas eram dadas e fotos eram tiradas por eles ao lado de seu ídolo, que sorridente nada lhes negava.

E foi em meio de tantas pessoas que uma leitora, indagou.

— Ruki-san – chamou-o por sua alcunha literária a qual estampava todos os seus livros — por que o nome desta obra em específico é Lust?

Um sorriso tímido surgiu em seus lábios e o brilho em seu olhar era quase obsceno, pois escutava e sentia em sua mente a presença deles.

De seus filhos.

— Porque eu sou a Luxúria – respondeu convicto olhando em seus olhos e os da garota abriram-se quando entendeu o que ele quis dizer, abaixando o rosto, ruborizada, agradecendo e em seguida indo embora.




Horas depois seu compromisso chegou ao fim e pôde enfim regressar a seu lar. Estava cansado, exausto física e emocionalmente, porém, feliz e satisfeito. E mais uma vez estava sem suas vestes e embaixo de seu chuveiro, quando sentiu o cansaço do dia da lugar àquelas presenças. Fechou os olhos deixando-se ser abraçado por eles a lhe ordenar mais uma vez que os escutasse.

"Você nos pertence, Takanori, e não permitiremos que seja de mais ninguém", sentia a urgência agressiva, ciumenta e possessiva naquelas palavras. "Agora, vamos terminar o que começamos mais cedo", as intenções impudicas presentes no vocábulos eriçaram todos os pelos de seu corpo, que escravo cativo de cada um deles e de suas vontade, acatou àquela ordem.

Saiu do banho, vestiu qualquer peça de roupa e defronte a seu computador com o editor de texto aberto, mirando a linha piscante a sua frente, entregou-se total e completamente a sua orgia particular de palavras que não tardou em ser transposta para as páginas brancas e antes tão vazias, mas agora tão repletas de seu sonho libidinoso e obsceno.



Porquê separados não eram nada, mas juntos – páginas, palavras, autor e personagens –, eles são a Luxúria.

15 de Noviembre de 2018 a las 19:20 0 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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