Cartas de Sangue Seguir historia

amaurifilho Amauri Filho

No ano de 1921, não é apenas o brutal processo de falência que abala a tão respeitada e outrora poderosa família Dietrich: a saúde mental de Alvin, o filho mais novo, parece estar com os dias contados quando ele passa a afirmar que pode ver Rodrik Dietrich, um antepassado morto no interior da mansão da família um século antes. Aflitos, seus pais recorrem aos serviços da enfermeira recém-formada Catherine O'Hara para uma avaliação mais criteriosa do caso. Vivendo dentro da mansão, a moça logo descobre que o menino de apenas oito anos não está tão mentalmente abalado quanto pensam os seus pais. Ao encontrar cartas de amor endereçadas a Rodrik perdidas em um porão escondido na mansão, Catherine une forças com o irmão mais velho de Alvin e com a governanta da família para montar um antigo quebra-cabeça e para revelar detalhes de um violento e não solucionado crime. Lutando contra forças sobrenaturais que desejam esconder a verdade a qualquer custo, Catherine precisará desvendar segredos escondidos há quase cem anos antes que inocentes sejam feridos e antes que ela passe a duvidar da própria sanidade.


Paranormal No para niños menores de 13.

#romance #fantasmas #casamento #conspiração #assombração
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Prólogo (1808)

Suas roupas estavam rasgadas e não havia um único centímetro de todo o seu corpo que não estivesse completamente encharcado. O ambiente era frio e escuro e, mesmo com a pouca luz da manhã que adentrava a caverna, era quase impossível ver o que estava ao seu redor. Sozinho e assustado, o menino de oito anos tremia de frio e de medo, incapaz de dar um único passo em direção à saída daquele lugar horroroso no qual passara a última madrugada inteira, implorando por uma ajuda que nunca aparecera enquanto tentava se manter firme a uma pedra para, assim, não ser arrastado pela água para uma das câmaras no fundo da caverna e, consequentemente, não morrer afogado.

            Quando os primeiros raios de sol tocaram o rosto pálido e molhado por uma mistura de água e lágrimas do filho mais novo dos Dietrich, a chuva já não mais caia e a água acumulada na região já não mais escorria para dentro da caverna, cuja entrada se localizava na parte mais baixa do acidentado terreno de uma floresta nos arredores da cidade litorânea de Firência. A aparente paz que imperava no lugar, contudo, era quebrada pelo bater de dentes do pequeno menino que, assustado e sem voz por ter gritado durante toda a noite, já não mais tinha energias para pedir por socorro. Completamente fora de si, ele apenas abraçou as próprias pernas e contentou-se em gemer e tremer de frio.

            Ele não sabia há quanto tempo estava naquele lugar. Em sua cabeça pueril, achava, inclusive, que ninguém na mansão Dietrich havia notado a sua ausência. Tinha quase certeza que seu desaparecimento só seria percebido após alguns dias e que, quando organizassem uma busca, ele já estaria morto há muito tempo. E isso apenas o assustou ainda mais. Horrorizado, o menino voltou a chorar. Mas já não havia mais lágrimas em seus olhos que pudessem sair: todas elas haviam sido eliminadas durante a madrugada em que passou acordado, lutando pela vida e suplicando para que Deus tivesse misericórdia de sua alma e o matasse de uma vez para evitar que sofresse. Apenas desejava morrer de forma rápida e indolor, mas essa graça não lhe foi concedida.

            Já haviam se passado alguns minutos desde que o seu estômago começara a manifestar os primeiros sinais de fome quando o menino ouviu passos se aproximando da entrada da caverna. Passos que abriam caminho pelas folhas úmidas e que estavam cada vez mais próximos dele. Por alguns instantes, ele quis gritar por socorro, mas sua voz não saia de sua garganta.

            – Rodrik? – chamou uma voz feminina e o menino viu uma sombra se materializar a alguns metros dele. – Ocê tá aí?

            Ele quis gritar. Quis chamar pela mulher. Quis pedir socorro. Mas não conseguia sequer se mexer. Ainda estava assustado demais. Depois de tudo o que acontecera, ele não esperava ser encontrado. Pelo menos, não tão cedo. Esperava morrer lentamente naquela caverna e ter seu corpo comido por vermes e outros animais. Ouvir aquela voz era, portanto, algo muito além das suas maiores esperanças. Seu medo, contudo, passou a ser que, diante de seu silêncio, a mulher fosse embora sem encontrá-lo. Se assim o fosse, iriam pensar que ele não estava naquela caverna e jamais iriam procurar ali de novo. Ele nunca seria encontrado.

            – Aqui... – o menino sussurrou após, tomado pelo desespero, reunir todas as forças que ainda lhe restavam.

            A reação da mulher foi imediata. Ela, que até então estava parada na entrada da caverna, avançou desesperada e velozmente para seu interior. Conforme ela se aproximava, Rodrik Dietrich conseguiu ver quem era: usando roupas sujas e rasgadas e caminhando descalça, a negra tinha os cabelos cacheados e um olhar cansado e abatido.

            – Graças a Deus! – ela disse quando chegou até ele. O alívio marcava a sua voz.

            A escrava o encarou por alguns segundos, querendo abraçá-lo por tê-lo encontrado com vida, mas temendo que o gesto pudesse agravar ainda mais os ferimentos do menino.

            – Consegue andar, sinhôzinho? – ela perguntou, tremendo de alegria por tê-lo achado vivo; sem conseguir falar mais, Rodrik apenas fez que não com a cabeça. – Não tem problema. Eu te levo pra casa grande. O sinhô e a sinhá tão desesperados atrás d’ocê, menino!

            Delicadamente, de forma muito diferente da que manuseava os instrumentos nas grandes plantações de algodão da família Dietrich (mas com toda a força adquirida com os anos de trabalho forçado), a mulher pegou o filho mais novo dos patrões em seu colo e o levou em segurança para fora da caverna, para o ar fresco e para o calor que apenas os raios do sol da manhã podiam proporcionar.

11 de Noviembre de 2018 a las 00:18 0 Reporte Insertar 1
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