Senhor do Inferno Seguir historia

jacobino22 Zen Jacob

[ Fanfic de Persona 5 ] "Um sábio declarou uma vez: "o diabo mora nos detalhes". A frase original falava sobre Deus, mas nós dois sabemos que não há espaço para Deus nesse quarto, nessas paredes." Apenas um insight da cabeça de Shido Masayoshi. Complemento de "Você não pode falar do inferno se nunca o viveu".


Fanfiction Juegos Sólo para mayores de 21 (adultos).

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Quem vive no inferno reza pra quem?


Notas iniciais:

E ae, pessoal? Então, essa história foi escrita como um presente de aniversário (deveras atrasado) para a Yuui C. Nowill

Ela me pediu uma história de Persona 5 (que eu ainda não joguei), envolvendo Shido e Akechi. Como eu não tive contato direto com o jogo de P5, escrevi baseado na fic AU que a Yuui desenvolveu, Você não pode falar do inferno se nunca o viveu. Recomendo ler a fic dela antes de ler essa aqui, caso você se interesse.

O design da capa foi feito pela Yuui, obviamente, a melhor capista.

Aviso de gatilho: incesto vertical, abuso, estupro, violência

Caso algum desses gatilhos te traga mal estar, por favor, pelo bem da sua saúde mental, não leia, ok?


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   O botão que ele arrebentou quando puxou sua manga. A haste torta do óculos quando este atingiu o chão e foi pisoteado pelo seu sapato italiano. A cicatriz no canto da sua boca, bem onde os dentes dele se provaram mais que pequenas pérolas: tinham o corte afiado de diamantes.

Um sábio declarou uma vez: "o diabo mora nos detalhes". A frase original falava sobre Deus, mas nós dois sabemos que não há espaço para Deus nesse quarto, nessas paredes. Elas escutam e te tragam, como o copo de uísque semi-cheio no criado mudo ou como o cigarro cujo olho vermelho ainda arde no cinzeiro. Cada pequeno item conspira a seu favor. Eles se posicionam como uma platéia entediada que deseja ser entretida.

Você sabe pois sempre foi dado a espetáculos.

A pele dos olhos dele está repuxada e vermelha nos lugares em que você o espancou. O rosto está inchado, um pequeno vaso capilar por vez. O ferimento se espalha pela bochecha, escorre pelo pescoço, passa pelo pomo de adão e vai até as clavículas finas e marcadas como desenhos feitos com bico de pena. É como uma cor nova, como um experimento. Primeiro, o vermelho, depois o roxo-azulado e então o verde embrionário. Como um flor na beirada do precipício.

Poderíamos fingir que você não é esse tipo de homem. Poderíamos dizer um para o outro que uma vida ao lado de homens terríveis te tornou um homem terrível, mas isso seria igualmente uma mentira. Não foram os acordos fechados em bares dúbios, muito menos as maletas de dinheiro passadas por baixo de mesas em restaurantes de persianas fechadas.

O problema não foi a mamãe e o papai indo embora sem aviso, muito menos o "tio" Kuroda que sempre apertava suas bolas até que elas ficassem roxas pela falta de oxigenação quando você tinha apenas dez anos. O problema foi algo mais essencial, foi um fundamento na sua estrutura.

Você nasceu quebrado.

Por isso, recite comigo: a camisa dele que se arrebenta nos nós dos seus dedos. A baba que escorre pela boca conforme você aperta a nuca branca ao estocá-lo. Os pelos pubianos roçando na bunda macia, o pau que se encrava naquele buraco apertado que nunca deveria ter pertencido a outro homem - e que você vai garantir que não pertença, não importa quantos tenha de matar para preservá-lo.

- Por favor, por favor... - ele implora baixinho enquanto você se debruça e seus dentes deixam meia-luas ensanguentadas ao longo da coluna dele. - Por favor, Shido-san…

Mas parar nunca é uma opção, não até que o êxtase te alcance. Não a ele. Nunca até ele. Não faz diferença, afinal.

O gemido rouco trovejando no fundo da sua garganta, escorrendo pela sua língua áspera como a de um gato. As mãos, que estalam os ossos do quadril dele conforme impactam suas carnes. Ele não pode escapar. Como assistir o antílope sendo derrubado pelo puma no meio da neve.

O sangue dele escorrendo pelos cortes na pele sedosa, formando padrões de Rorschach no tecido de linho egípcio. Os lençóis maculados vão carregar as mágoas do pequeno anjo caído, até a próxima lavada. Então, vão voltar cheirando a amaciante floral, de novo alvos, muito diferentes da consciência que você nunca teve. O fantasma do rancor ainda vai estar lá, como uma nódoa.

Não importa que ele tente gravar, o pequeno celular tosco na cadeira ao lado da cabeceira da cama refletindo seu corpo definido na tela negra, o olho brilhante da câmera te engolindo, o microfone embutido avidamente registrando seus gemidos.

Não importa que organize, empilhe, catalogue e exponha fatos contra você. O seu poder está acima do desespero dele. Não há escapatória.

Não há salvação no caminho da danação que você escolheu trilhar.

Quantas vezes mais ele vai aguentar? Quantas lágrimas até que ele esteja tão vazio que não possa mais se sentir desgraçado? Quanto tempo até que ele se enforque com um cinto enquanto você vai tomar banho, esperma escorrendo pelas coxas marcadas?

Descrever um pecado como algo belo não é uma das minhas competências, eu receio. Deixo isso para os seus escritores pervertidos e cínicos. Mas enquanto te observo daqui do meu altar, os músculos das suas costas se comprimindo tão forte enquanto o gozo se espalha pela sua coluna, eu me permito admirar a poesia da sua crueldade.

Os cabelos claros dele grudam com o suor, encobrem seus traços desfigurados pela dor. Você se levanta, ainda pingando gozo, os músculos da barriga contraindo e relaxando, aproveitando os últimos resquícios do orgasmo pulsante.

O corpo dele permanece inerte, mapas de continentes esquecidos se espalhando dos ombros ao cóccix.

Estalo do isqueiro, cheiro de fumaça pungente.

Esse sentimento que encharca a pele dele, o grito mudo, a sensação dormente.


Eu queria estar morto.


Não há nada que te satisfaça mais do que isso, pois é a prova de que você venceu.

O inferno é todo seu, e o paraíso se transformou em cinzas.

Não há mais ninguém a quem se possa rezar.



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Notas finais: 

Bom, não tenho muito o que falar depois dessa história. 

Ela foi complicada de escrever e dolorosa até certo ponto, porque não tem como retratar esse nível de violência de uma forma bonita ou "limpa".

O que me sinto na obrigação de dizer: Não romantizem qualquer tipo de abuso. É ok inserir isso numa história contanto que de forma crítica (ou assumindo que isso é um guilty pleasure seu, fazer o que), mas nunca, jamais, em hipótese alguma, ache que abuso (sexual ou de qualquer outro tipo) é algo normal, porque não é, ok??? Abuso não é amor, não é preocupação, abuso é uma forma de violência.

E se você estiver sofrendo algum tipo de abuso ou conhece alguém passando por essa situação, por favor, não hesite em fazer uma denúncia pelo Disque 100. Sempre há esperança de que tudo melhore, ok? Você pode e vai conseguir escapar do inferno, não importa o que te digam.

É isso aí, meus anjos, fiquem seguros e até a próxima xoxo~

5 de Noviembre de 2018 a las 23:23 1 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Zen Jacob Zen, 22 anos, trabalho com T.I. e não sei falar de mim, I guess? Aficcionado por mangás de nicho, livros nacionais obscuros e bombom Caribe.

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Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Eu posso dizer que me senti plenamente HUMILHADA ao ler isso daqui. Você é um MESTRE do terror por conta disso. Eu entendo que suas referências todas são em cima disso, até por essa razão você tem um vocabulário e uma descrição tão palpável, porém eu ainda QUERO UM DIA CHEGAR AOS SEUS PÉS. Dizer que há beleza aqui é simplesmente alegar que o emprego de cada palavra é tão precisamente alinhado com o contexto que chega a trazer lágrimas aos meus olhos. A sensação que isso me provocou - quando li pela primeira vez, quando li agora - é inexplicável. Minha garganta seca, FECHA, meus olhos ardem, meu peito comprimi; é puramente TERROR. É puramente HORROR. E... eu não esperava MENOS de você, sinceramente. Eu não poderia esperar MENOS. Eu estou muito feliz até por você ter alocado ela dentro do universo da Inferno - porque trás um leque ainda maior de interpretações a ela, traz... uma visão ainda mais ATERRORIZANTE de toda a situação do Akechi naquele momento. E faz parecer que o paraíso que ele alcançou é tão solúvel quanto açúcar na água. Aquele agridoce. Eu... nossa eu TE AMO por isso <3 Nunca me decepcionei com nenhuma história sua que me presenteou. Desde aquelas reflexivas até as cômicas; amo todas e cada uma delas. E AMO as metáforas de Deus que você usa. Por favor me ensine a ter essa metáfora porque eu acho GENIAL. É poético da mesma forma que é assustador, desesperador. OBRIGADA DE VERDADE POR TUDO <3
5 de Noviembre de 2018 a las 20:27
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