Aprisionada Seguir historia

N
Naylton Souza


No instante em que a confirmação vem à tona, um poder que antes era impercebível invade a vida da jovem Coriane Pierce. Mudando não só a sua vida, como a de todos ao seu redor. Vivendo em uma Instituição onde só há mulheres e sendo reconhecida por um número, Coriane encontra-se em um estado difícil. Pensando apenas na sua fuga e na sua família. Mas o que ela não imagina é que uma repentina mudança faz a sua rotina se transformar em uma verdadeira tortura, fazendo-a correr contra o tempo para encontrar uma saída e sair viva dessa prisão. Uma guerra que luta para se formar, pessoas como Coriane são a arma principal. Denominados H, eles só querem o que lhe fora roubado de volta - uma vida normal.


Fantasía Medieval No para niños menores de 13.

#prisão #fantasy #rei #rainha #reinos #fantasia #poderes
1
4606 VISITAS
En progreso - Nuevo capítulo Todos los viernes
tiempo de lectura
AA Compartir

I

Retiro-me da ala hospitalar em passos lentos devido as dores espalhadas pela parte de baixo do meu corpo. Não sei o que fizeram comigo desta vez, mas sinto como se estivesse sido destroçada mais uma vez. Um pouco mais forte e insuportável dês do último exame na enfermaria.

Tenho que suportar.

Não apenas por mim, mas pela a minha família. As ameaças diárias vindas da direção da Instituição me deixam avisada sobre o que eles são capazes e o quanto possuem a família de cada pessoa desse lugar na palma da mão. Às vezes penso em gritar, mas sei que será em vão. Não que eu não tenha feito isso, eu fiz. Mas me arrependi uns minutos depois. Sou tão ridícula quando ajo sem pensar. Quando eu aprenderei?

Cruzo o último corredor antes de estar no corredor onde a minha ala está entre várias outras. Não dou atenção para os homens uniformizados de vigia a cada quadrado de cada corredor. Eles me olham com desprezo e, talvez, um pouco de medo. Eles já devem ter visto o que pessoas como eu são capazes de fazer. Algumas mulheres daqui são corajosas o suficiente para utilizar os seus poderes contra as pessoas que estão do outro lado — o lado inimigo, que trabalha contra nós e a favor de quem lá esteja no comando. Ninguém nunca apareceu dizendo que mandava em tudo e todos, aguardo por este dia. Quem sabe eu não acabo com todo esse lugar de uma só vez.

Adentro a ala G, ignorando como de costume as minhas companheiras de “dormitório”. Divido o quarto com mais três, totalizando quatro sexos femininos no mesmo lugar. É incrível como nenhuma de nós ainda não se atracou com outra. Estamos indo muito bem desde que o quarteto se formou. Os meses passam rápido por aqui, impossibilitando uma boa visão dos dias da semana. Não faço a mínima ideia do dia da semana de hoje e a hora, apenas a quantidade desde que cheguei. Não temos muitos privilégios, o máximo é um pouco de comida ruim e uma cama para descansar os músculos depois de exames pesados.

Mesmo que eles nos dopem com algo muito forte, mas muito forte mesmo, ainda consigo ficar atordoada por um terrível período de tempo dentro deste inferno. Não tenho certeza, mas gosto de pensar que já estou morta e agora estou apenas pagando por todas as besteiras que fiz durante meus dezessete anos.

Jogo todo o meu corpo em cima do colchão que cheira a poeira e mofo, todo o meu cabelo que teve um bom crescimento dês da minha chegada cai por cima, me impedindo de ver qualquer coisa. Desta mesma forma, adormeço com as dores ainda presentes, mas quase inexistentes.

— NÃO! — grito no instante que assisto o caixão do meu pai sendo queimado.

Caio da cama machucando meu braço.

— Mais que merda! — grito. Confiro se não acordei as minhas colegas de quarto: tudo parece anormal como de costume. Volto para a minha cama na intenção de dormir novamente mesmo com medo de ter outro pesadelo. Ainda estou me adaptando com eles.

Pego meu pedaço de aço que guardo embaixo do meu colchão entre as ripas de madeira da cama e risco com força a parede, dando forma a um simples traço — mais um de duzentos e treze riscos feitos.

Volto a dormir.

*

— 0347! Acorde. — desperto com a voz de uma das garotas.

— É 0547, Andressa. — a corrijo enquanto me levanto da cama aborrecida. Caminho descalça até o banheiro da nossa ala.

— Por favor, não use nomes aqui dentro. Você sabe que não é permitido! — diz Lily. Ela é a mais velha de todas nós, a que está a mais tempo neste lugar do cômodo.

— Não preciso de suas repreensões, “0332”. — dessa vez ela não retruca, mas expõe a sua cara emburrada. Não era isso que ela queria?

Dou de ombros. Faço tudo rapidamente e vamos, todas juntas, ao refeitório. Passamos por alguns corredores até chegar lá.

Todos os dias de minha vida eu passo por esses corredores e sempre sinto a mesma coisa — ânsia de tudo que é ruim. Eu odeio esse lugar e faria de tudo para sair daqui, mas não tem saída. Venho tentando sair daqui faz exatamente sete meses e um dia. Ontem fez sete meses que estou presa nessa ridícula “Instituição de Restauração”. Entrei aqui junto com três garotas e fui jogada na Ala G, me afastando delas. Eu não as conhecia, mas eram os únicos rostos familiares para mim, e agora, o que eu tenho de mais familiar aqui são as garotas da minha ala.

Chegamos e logo nos sentamos na “nossa” mesa, próxima a uma máquina de remédios. Nossos pratos já estão nos seus lugares como sempre. Temos a obrigação de comer ou corremos o risco de ser punidas. É assim que as coisas funcionam. Eu não sei de todas as regras e nunca me preocupei em saber, apenas as necessárias e básicas como “não tentar fugir”.

— Você não vai comer, 0547? — pergunta Andressa, a 0890.

— Vou. — respondo.

Andressa sempre foi a mais alegre de todas nós e como somos obrigadas a ficar juntas, ela sempre tenta aliviar a tensão em todos os momentos, mas não é sempre que ela consegue. Eu a entendo nesse quesito. Mesmo que tente se ajudar e nos ajudar de alguma forma, a saudade e a pressão nos fazem perder a cabeça. Eu sou a prova disto.

Posso dizer que sou a mais reservada de todas nós. Não tem como agir como se nada estivesse acontecendo, estamos presas. Gostaria de ser como ela, talvez eu tenha inveja dela por causa disso. Mas apenas disso. Nunca soube como foi que ela chegou aqui, apenas o motivo – são os mesmos posso falar. O meu e de qualquer um daqui. Temos algo em comum, algo que não são todas as pessoas que possuem. Algo que a elite tenta esconder. Eles nos chamam de H. Sim, uma simples letra, mas algo terrível para os de lá de fora. Somos iguais, mas, ao mesmo tempo, diferentes. Temos aparência humana com poderes sobrenaturais. Isso é o que nos diferencia dos outros humanos, somos mais fortes, mais velozes e mais poderosos. E é por isso que eles têm tanto medo.

Quando aparece um problema que a elite não consegue resolver, ela tenta apagar, mas somos diferentes. Somos um problema que precisa de muito esforço para ser solucionado ou tentarão até a morte.

Eles nos enxergam apenas assim. Como um problema, um terrível problema. Mas eles não conseguem entender que por trás disso tudo tem uma vida, alguém. Eles realmente não se importam. Só querem fazer exames no nosso corpo, nos fazem de ratos de laboratório para conhecer a nossa peculiaridade. Eles necessitam saber mais e não se importam com as consequências, a gente que sofre. Estou ficando cansada disso tudo.

Do outro lado da sala, duas mulheres discutem feio. Todos olham no mesmo instante quando uma delas joga o prato em direção a outra. Logo, as portas que eu não sabia que existiam ali se abrem e três homens todos de preto entram e vão em direção as afrontosas. Qual o problema delas?

— Devemos ir? — ouço Kellisha questionar.

— Por quê? — respondo. Eu não deveria ter perguntado.

— Na última vez a garota saiu com a perna sangrando.

— 0678, por favor. — Lily faz um sinal com as mãos para Kellisha parar de falar.

Por que ela sempre se intromete nas minhas conversas?

Kellisha abaixa a cabeça, mas logo volta a olhar a confusão. Olho também.

Identifico as duas mulheres que discutem: uma tem cabelo cor de fogo e a outra fios negros. Consigo perceber a raiva presente nos olhos da morena. Provavelmente, essa discussão avançará e essas duas mulheres brigarão para valer.      E assim acontece. Em um período de tempo tão pequeno que os guardas ficam incapazes de separar. Tento distinguir seus respectivos poderes: a ruiva crava suas unhas no rosto da morena, que aos poucos vai escurecendo como... como uma maçã podre.

— Meu deus! — ouço Kellisha falar colocando a mão na boca de tamanho espanto. Todas na mesa estão assustadas, todos aqui presentes estão.

A ruiva se vinga pelo prato jogado no seu rosto com toda a sua força enquanto que a outra grita desesperadamente pedindo por socorro. A mulher capaz de apodrecer coisas encontra um jeito de calá-la. Dando socos repetitivos no rosto da morena, os seguranças a agarram para separar toda a briga, livrando a perdedora das garras da cabelo de fogo. Neste instante, livre das mãos, mas ainda com a lateral do rosto enrugada e acinzentada, a morena se entrega a dor e cai de joelhos no chão. Mesmo assim, não deixa barato: ela foca toda a sua atenção à ruiva e a arremessa para longe junto com os seguranças diante de todas nós.

Telecinese. Capaz de mover pessoas, objetos e qualquer coisa que esteja no planeta, literalmente, através do pensamento.

Mesas, cadeiras e, por pouco, outras H’s teriam voado pelo refeitório como sacos de batata com o poder da mulher de cabelo preto. Uma grande confusão já se formou e a minha única vontade é de sair daqui. Seguro a mão de Andressa que está sobre a mesa, agarrada a um copo. Deixo que os meus olhos digam por mim e ela compreende. Assentindo com a cabeça, nós duas nos levantamos, mas paramos ao mesmo tempo. Meus olhos se arregalam e sou obrigada a tampar meus ouvidos com as duas mãos, fechando os olhos com força.

Eu não tinha medo das pessoas até entrar aqui dentro. Depois que descobri sobre os H meu medo aumentou cem por cento e depois de hoje, mais cem. Eu não conheço os poderes das pessoas daqui de dentro até porque é proibido usá-los. E é por isso que estamos aqui, pela nossa anormalidade. Não se sabe por que somos assim, por que nascemos com isso e é por isso que prendem pessoas como eu aqui. Nesse momento eu só quero desaparecer.

— Como eles vão parar elas? — não consigo identificar a voz. De repente, a resposta surge de um jeito incomodador. Um dos homens de preto revela seu rosto e começa a gritar, não gritar como qualquer um — gritar de um modo absurdamente terrível.

A resposta passa pelo meu campo de visão, me deixando chocada mesmo com a dor que vem dos gritos do segurança. Mas desde quando os seguranças são como nós? Isso é permitido? Como ele pode trabalhar para essa gente que maltrata pessoas como ele próprio? Sinto raiva.

— O que está a-acontecendo? — grita alguém. Isso é a última coisa que escuto.

*

Abro os olhos, me deparando com o teto que conheço muito bem. Olho para os arredores e tenho a confirmação de que estou na ala G. O gosto da gororoba que comi na noite anterior horas antes de ir para à enfermaria permanece na minha boca, por quanto tempo dormi?

As meninas estão dormindo em suas camas. Levanto-me e sinto uma tontura subir em minha cabeça, isso sempre acontece quando durmo demais. Não vou acordá-las. Caminho de ponta de pé e, aos poucos, abro a porta que me leva para os corredores. Eu não sei o que estou fazendo, mas algo me diz que preciso andar por aí.

Tento lembrar, mas sinto uma barreira me impedindo. O som vindo da boca daquele homem foi horrível, foi destruidor. Mas era o único jeito de parar aquelas mulheres que só parariam quando uma delas estivesse morta, dava para ver em seus olhos até onde elas chegariam.

Caminho por dois corredores, passando por diversas alas. Paro quando escuto vozes vindas da Ala N, vozes femininas — parecem que estão discutindo. De repente, um terrível silêncio toma conta daquele corredor. Minhas mãos gelam, mais do que o meu poder indecifrável.

Controle-se, Coriane.

Depois de hoje não quero ousar quebrar qualquer regra.

O rugido da porta abrindo me dá impulso para correr, mas alguém vem mais rápido. Está escuro, então as câmeras não vão captar muita coisa.

Por uma fração de segundos, saio do corredor e entro no dormitório sem mexer um membro sequer para aquela direção. Sinto mãos em minha cintura, mas logo elas se retiram. Olho ao redor e me dou conta que estou em outra Ala. Não a minha. Vejo quatro garotas sentadas no chão segurando lanternas e uma loira atrás de mim. Seus olhos azuis me hipnotizam por alguns instantes. A voz de uma das meninas me traz para a realidade. Elas já estão prontas para dormir.

— O que você quer? — uma garota branca o bastante para iluminar o corredor inteiro pergunta.

— Foi ela que me trouxe para cá, eu não quero nada! — respondo friamente. Demonstrando autoridade para todas ali presente, espero que se intimidem porque eu estou nervosa com todos esses olhares focados em mim.

— Argh! Já pode ir! — a mesma responde.

— Calma, Sol. Ela pode ser útil. — uma voz doce responde entre as palavras da suposta Sol. Direciono-me a voz e encontro uma garota que aparenta ter a mesma idade que eu. Com o cabelo curto, seus olhos são verdes como os meus.

Quase não percebo o jeito que a doce garota chamou a “educada”. Parece que eu não sou a única que quebra algumas regras.

— É melhor ela ir Isa, pode ser perigosa. — outra menina, mais escondida fala. Quase não a escuto. Sua lanterna está apagada e suponho que esteja com medo de mim. Eu também ficaria depois do que vi pela manhã.

Em um piscar de olhos, a mesma garota que me arrastou para dentro desse dormitório aparece atrás da assustada. Com sua lanterna acessa consigo enxergar o rosto da menina que me chamou de perigosa. Sua pele negra e bela está coberta por duas luvas. Eu não deveria perguntar o motivo.

— Já vou indo, e eu não sou perigosa. — falo indo em direção à porta. Na verdade, eu estou bem perto dela. Antes de ir, ouso em falar: — Vocês conhecem aquelas mulheres? — a assustada se esconde mais ainda depois que pergunto. Por algum motivo sinto como se elas soubessem de tudo. Como se escondessem algo.

— Ela. — Sol aponta para a loira que se sentou ao lado da garota de cabelo afro. Ela usa seus poderes. Por quanto tempo eu dormi? As pessoas aqui não têm medo de morrer?

— Eu conhecia a morena. Seu nome era… — ela para por alguns segundos e continua: — Alice. A ruiva não era da sua ala, existia uma grande rivalidade entre a ala A e a Ala B.

Arregalo os olhos quando sua boca se fecha e os seus lábios brancos param de se movimentar. Elas são das primeiras alas! São antigas o bastante para saber de muita coisa, talvez… não Coriane. Eu não posso pedir ajuda àquelas mulheres, eu vi o que elas podem fazer e elas não parecem ser do tipo que conversa.

— Não vai dizer nada? — pergunta a mulher mal-educada. Sol.

— Onde conseguiram essas lanternas? E… — o alarme soa e todas nós nos assustamos. Percebo o choque que a morena leva ao escutá-lo. Preciso ir agora. Em apenas um minuto o alarme se silenciará como passa grande parte do dia e os guardas sairão de suas tocas para verificar se todas estão dormindo. Odeio esse toque de recolher.

O dormitório é grande, mas não dá para as cinco. Duas delas saem às pressas, tento acompanhá-las. Seus passos são ágeis e logo, uma delas some em algum corredor.

Esquerda, Coriane.

Consigo ver a garota de fios dourados uma única vez entre a escuridão antes dela desaparecer na velocidade da luz. Eu deveria fazer o mesmo. Entro no corredor onde fica minha ala e vejo quando a garota entra na sua ala. Ala I. Entro no meu dormitório, arremesso minhas sandálias debaixo da minha cama e jogo todo o meu corpo sobre o colchão fedorento. Percebo os olhos das garotas que divido a ala focados em mim antes de tudo se apagar de uma só vez. O sinal parou.

Cubro-me com o curto pedaço de pano e fecho os olhos. Alguns minutos depois, escuto passos fortes próximos a minha cama. Guardas. Verificando se todas estão aqui. Mesmo de olhos fechados consigo perceber a luz da lanterna do guarda mirando nos meus olhos. Estou aqui idiota, falo para mim mesma. Agora que desejei boa noite para ele posso dormir. Sinto-me um pouco aliviada quando a presença do guarda não é mais percebível. Ele já deve ter partido, e agora posso dormir novamente. O dia completará suas vinte e quatro horas em pouco tempo, mas ainda assim parece que durou apenas alguns minutos.

Torço para que o dia seguinte seja totalmente diferente do de hoje.

5 de Noviembre de 2018 a las 02:03 0 Reporte Insertar 1
Leer el siguiente capítulo II

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~

¿Estás disfrutando la lectura?

¡Hey! Todavía hay 3 otros capítulos en esta historia.
Para seguir leyendo, por favor regístrate o inicia sesión. ¡Gratis!

Ingresa con Facebook Ingresa con Twitter

o usa la forma tradicional de iniciar sesión