Restos de Você Seguir historia

jacobino22 Zen Jacob

[ História vencedora do 3o lugar do desafio Hallowink ] Após sofrer um ataque brutal, Dani se vê reduzido a nada; profundamente ferido e sem a pessoa que mais importa em sua vida, as coisas parecem sem sentido. Tentando reorganizar os cacos de si mesmo, ele bola um plano e retorna para o ponto em que tudo começou, em busca de uma revanche contra o lobisomem que dilacerou sua existência. Capa desenhada por mim com tipografia da Yuui C. Nowill. Playlist da história: https://www.youtube.com/watch?v=yzVQkO92wNw&list=PLlwjeA099wr6ldNA7_lqzb8OwYAkCzhdz


Acción Sólo para mayores de 21 (adultos).

#drama #halloween #assassinato #gore #lgbt #original #hacking #depressão #transexualidade #homossexualidade #pedofilia #gêmeos #lobisomem #homofobia #cartel #transfobia #hallowink #violência-explícita #consumo-de-drogas #discriminação #cicatrizes
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prólogo

Notas Iniciais:

- História escrita para o desafio Hallowink usando essa imagem por Sarah:


 


- Atenção aos avisos!

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  A primeira coisa que passou pela cabeça de Dani quando ele pousou a mão no próprio ventre e sentiu o sangue negro e pegajoso das tripas poluindo os dedos não foi sobre como sua vida tinha sido mal aproveitada até aquele instante.
     Flashes da própria história não passaram diante de seus olhos como um carrossel de fotografias amareladas - muito menos uma sensação de culpa ou arrependimento se apoderou dele.
     Na verdade, o pensamento que lhe ocorreu enquanto observava as manchas grudentas debaixo das unhas curtas, o sangue sendo indissociável da terra pela qual se arrastara, foi puta merda, será que Gabriel também está sentindo esse cheiro horrível?
     A mente se voltar tão rápido para o irmão não lhe pareceu uma fuga em princípio, mas sim um reflexo.
     Pessoas externas à situação poderiam acreditar que era a famosa desculpa do “sentido gêmeo”.
     Em sua mente não era uma desculpa, e sim um fato. Afirmar que estavam juntos desde a concepção no útero era óbvio e clichê, então ele preferia pensar em outros exemplos, tão verdadeiros e fortes quanto este pelo simples fato de existirem: estavam juntos quando souberam que o pai nunca mais voltaria para casa, juntos nos trocadores de roupa quando a mãe precisava comprar vestidos novos, juntos quando tomaram a primeira surra no ensino fundamental, juntos quando rasparam a cabeça um do outro num pacto silencioso de fraternidade incondicional.
     Às vezes, Dani sentia que não era uma pessoa só, mas sim uma metade - isso lhe trazia um alívio estranho, como se assim pudesse dividir o sofrimento também, já que tinha Gabriel para aliviar aquela carga.

Agora, no entanto, sua morte parecia terrivelmente completa.

Era algo que ele não queria compartilhar com o irmão, pois, se ambos morressem seria um fim por inteiro.

Se ao menos Gabriel vivesse, Dani saberia que uma parte de si prosseguiria.A dormência no estômago logo trouxe um frio terrível até sua coluna, fazendo-o
tremer a ponto de quase convulsionar. Esticou a mão, tentando se arrastar pela estradinha, porém apenas agarrou um punhado de folhas secas, que escorregaram pelos dedos pegajosos.

Quis gritar por socorro, e foi aí que notou que o agressor tinha lhe rasgado a garganta, algo que lhe passara despercebido em meio à confusão de dor que se distribuía por seu corpo. A língua, dormente entre os dentes, carregava um gosto metálico detestável. Virou o rosto e tentou cuspir, mas não havia saliva, só sangue, que escorreu pela lateral do seu rosto até atingir a orelha.

Gabriel, ​ ele pensou de novo. Cadê você, porra?

A mente tentava reconstruir os eventos que tinham trazido-os até aquele fim de mundo, porém tudo parecia embaralhado, como se alguém tivesse lançado centenas de cartas no ar e ele precisasse, em meio a isso, procurar por um único Ás com seu nome assinado.

Um truque de mágica ruim - não havia nada que Dani detestasse mais do que truques de mágica.

Talvez, detestasse a própria mágica em si, apesar de não ter muita certeza.

“Você detesta a mágica porque quer entender o que não deveria ser entendido”, observara Gabriel um dia, ele próprio embaralhando as cartas, cortando-as sucessivamente com os dedos compridos, invejados por Dani. “Vamos lá”, insistiria o irmão, dando um tapinha amigável no seu ombro “pega uma carta, colabora comigo.”

"A mágica que você faz pode ser explicada, na verdade", retrucava Dani,
apanhando uma carta a contragosto. Sempre rejeitava ser público das mágicas de Gabriel - e o outro sempre conseguia convencê-lo no último instante a ir adiante. "Você desvia a minha atenção para um ponto qualquer e então a executa. Não tem mistério quando se sabe pra onde olhar."

Um vulto passou por trás das árvores, capturando sua atenção, fazendo-o largar a lembrança como uma criança pequena obrigada a deixar de lado um presente particularmente encantador.

Os galhos e folhas da vegetação se sacudiam com leveza ao seu redor. O lago,
intocado, parecia um espelho negro. Dani sabia que se conseguisse se arrastar até ele e mergulhar, poderia tentar se livrar do agressor, permanecer vivo.

Ou (quem ele queria enganar, afinal?) pelo menos poderia tentar morrer uma morte mais tranquila.Com a perda de sangue, sua pressão estava caindo vertiginosamente, então em breve não tardaria a desmaiar - morrer afogado seria fácil e indolor.

Certo, não necessariamente indolor, mas quanta dor poderia se sentir ao morrer sem ar comparando com uma morte por ataque de lobisomem?

Ouviu de novo sons vindos do meio das árvores e tentou girar o rosto, mas o pescoço, aberto e dolorido, o travou na mesma posição, incapaz de se movimentar. Respirar também se tornava um desafio a cada lufada de ar que expirava e inspirava, por sinal; ele sabia que, se não morresse dilacerado pelo atacante ou pela perda de sangue, a próxima opção seria "afogado no próprio sangue", o que lhe soava estúpido, pra não dizer medíocre.

Com isso em mente, reuniu todas as forças em si para escorregar a mão para o bolso da calça, apanhando o canivete que estivera guardado ali por tempo demais, esquecido durante o confronto que aparentemente lhe custava a vida. O dedão trêmulo apertou um botão no cabo negro e gasto do canivete, liberando uma lâmina longa, fina e igualmente negra.

Com a outra mão tremulamente apertando o rasgo em sua garganta, as tripas ainda vazadas do corpo, o canivete tremendo no pulso coberto de cicatrizes, o garoto morto ficou à espera, até que o verde, o lago e a terra se aquietassem, parecendo compreender, enfim, que eram um simulacro de túmulo.

Paciente, ele aguardou, como uma cobra pisada que sabe que vai ter um único segundo para o bote, a revanche, antes de ser consumida por completo pela morte.

A vingança dele não viria, no entanto.

Nem naquele dia e nem nunca mais.

23 de Octubre de 2018 a las 03:58 7 Reporte Insertar 12
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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Nos conte como foi sua trajetória nesse desafio. A sua história nos lembrou um pouco do “Monomito” (A Jornada do Herói) de Joseph Campbell. Onde Dani inicialmente estava tranquilo com seu irmão, então passa por um trauma, que o leva a dar inicio a sua jornada. Nesse caminho, ele vai se valer de várias armas e vencer batalhas menores até chegarmos ao clímax, onde Dani é posto em uma situação de vida ou morte. Em seguida ele tem êxito e volta para casa, tendo uma nova missão: ajudar as pessoas ao seu redor em honra de alguém: Gabriel. A narrativa é intensa, e acompanhada da trilha sonora, se torna ainda melhor. Quase não se sente o tempo passar no decorrer da leitura, e quando menos se espera, a história chega ao fim, deixando em todos uma ânsia por mais. A forma como a imagem designada foi utilizada, inicialmente trazendo uma memória triste e traumática, mas, sendo renovada por algo bom, algo belo e que ficará para sempre na memória não só de Dani, mas de todos os leitores. Nossos sinceros parabéns pela narrativa incrível!
27 de Diciembre de 2018 a las 18:48
Yasu Wada Yasu Wada
Foi de tirar o fôlego! As descrições, o sangue e os cortes. Incrível e sutil!
12 de Noviembre de 2018 a las 07:29
Becca Jorge Becca Jorge
O louco de ler cenas tão bem descritas, é que você sente a falta de ar, o sangue na boca, o corte na barriga. É assustador, e ao mesmo tempo, fascinante. O conto está ótimo, bom trabalho.
9 de Noviembre de 2018 a las 14:06
BC Bruno Coutinho
Adorei esta história! Está maravilhosamente escrita! É incrível ver a subtileza com que certos detalhes são expostos, mas sempre com atenção a eles. Nota-se um esforço gigante de coerência e procura de informação para criar uma história realista e factual! Adorei tudo nesta história!
7 de Noviembre de 2018 a las 05:24
Dani Caruso Gandra Dani Caruso Gandra
Muito bom!
23 de Octubre de 2018 a las 18:08
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Eu preciso dizer todos os dias que eu A.M.O suas descrições. E não somente elas, mas a forma como você quebra o clima sem querer, mas no momento preciso. É aquele tipo de frase que, depois de uns três parágrafos INTEIROS com a respiração presa, ao invés de soltar em um choro ou grunhido de desespero, você libera em uma gargalhada, porque a tensão é tanta, mas a frase é tão irônica que você só consegue RIR da desgraça que tá acontecendo. Eu AMEI o Dani. Sério, me identifiquei muito. E, me perdoe dizer, mas ele me lembra você também de algum modo. Não sei se a referência é proposital, por isso peço perdão. Esse prólogo tá GENIAL, preciso nem dizer nada. E... o que eu queria dizer: se você desmaiar quando se jogar na água, provavelmente terá uma morte indolor, já que seus sentidos vão estar "desligados". É menos pior do que se você se afogasse conscientemente - ou se fosse perdendo a consciência enquanto se afoga, eu diria. ENFIM. Vou aguardar o resto e tu aguarde comentário em cada capítulo, safado :v
22 de Octubre de 2018 a las 23:37

  • Zen Jacob Zen Jacob
    Eu sempre acho engraçado quando você fala que eu consigo colocar momentos de alívio "cômico" na história. :v Porque na minha cabeça eu não processo comédia ou graça a maior parte do tempo, então fico na dúvida se isso é bom ou ruim? Bom, se tu gosta deve estar bom. hehe Olha, o Dani tem vários pontos em comum comigo: ele é trans, nerd, tímido, fechado e não sabe lidar com as pessoas. Quer mais eu do que isso numa história, só se eu escrevesse uma autobiografia (spoiler: não vai rolar). Acho que a principal diferença é que o Dani é aquela pessoa REALMENTE legal, que tu olha e pensa "porra, que pessoa legal", mas não porque o ser humano sai por aí ostentando coisas ou lacrando em cima dos outros, saca? Ele é um dos personagens mais gentis que eu já criei, o que é muito difícil vindo de mim, já que eu tendo a criar personagens venenosos tipo... eu. :v Cara, eu teria paranoia de morrer afogado inconsciente porque, né, vai que eu acordo num momento de adrenalina despejada erroneamente no cérebro? Sendo que eu não sei nadar??? Maluco, já me dá tremedeira só de pensar... Eu devo ir postando os próximos ao longo da semana mesmo, não vai dar pra programar pra datas muito distantes já que estamos quase no final do desafio. Enfim, agradeço do fundo do coração por todo o apoio que você me dá, não tem noção da diferença absurda que isso tem na minha vida, hime. <3 23 de Octubre de 2018 a las 00:07
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