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nonna.ayanny Nonna Costa

Três coisas eram claras e certas: a primeira delas é que ninguém, nessa vida, amou mais Naruto que Uchiha Sasuke; a segunda é que seu atual amor é um fato incondicional e irrevogável, por mais que não saiba mais demonstrá-lo, e a terceira era que Naruto foi dado como morto. Naruto não me pertence, mas o enredo é meu. Tem final feliz, se não gosta, não leia. É Yaoi, se não gosta, não leia.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#yaoi #universoalternativo #drama #romance #sasunaru #naruto
Cuento corto
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Capítulo Único

Três coisas eram claras e certas: a primeira delas é que ninguém, nessa vida, amou mais Naruto que Uchiha Sasuke; a segunda é que seu atual amor é um fato incondicional e irrevogável, por mais que não saiba mais demonstrá-lo, e a terceira era que Naruto foi dado como morto.

Os dois se conheceram ainda criança, aquela típica amizade que começa com xingamentos bobos como “seu cara de meleca” ou “menino bobão”. Segundo eles, suas mães lhes obrigavam a se encontrarem para brincar no parquinho, mas eles passavam mais tempo brigando do que brincando. No entanto, quanto mais os anos passavam, mais eles sentiam que o simples ato de discutir não era mais suficiente, então no florescer dos 12 anos, Sasuke e Naruto tentaram ser amigos.

Não só deu certo depois de muito insistirem e de muito errarem, como viraram os melhores. Eles se entendiam trocando socos - afinal praticavam artes marciais para dar um jeito em toda a ânsia de bater que eles tinham - e trocando olhares. Mesmo com as discrepâncias evidentes entre eles, Sasuke e Naruto se entendiam e ninguém entendia como isso era possível, pois quem olhasse “de fora”, via dois inimigos mortais.

Os anos fizeram novamente sua mágica e algo dentro dos corações de ambos mudou, uma coisa bem pequena, a mais ínfima ideia, que faria tudo se transformar. O primeiro a perceber, obviamente, foi Naruto. Apesar de Sasuke ser o mais inteligente e perceptivo da dupla, evitava ao máximo “sentir”. Ele acreditava que sentimentos apenas lhe nublavam a vista e lhe impedia de ver tudo com mais clareza. Se tinha razão ou não, Naruto discordava, pois sabia que a partir do momento em que o ser humano vivia em sociedade, ele precisava dos sentimentos para viver como precisava do ar e da água. Discussões filosóficas a parte, para o bem ou para o mal, Naruto se apaixonou por Sasuke primeiro.

Diziam que era difícil gostar de um jovem que preferia viver num ilha isolada do mundo, munido apenas de internet e um computador, mas Naruto sempre afirmou com seu trabalho mais difícil foi provar por A+B que Uchiha Sasuke lhe amava.

Demorou, mas Uzumaki Naruto nunca foi o tipo de pessoa que desistia daquilo que era certo. Quando finalmente fez seu amor entender que tinha um coração e ele batia por si, Naruto entrou em combustão espontânea de paixão. Seu coração era como um passarinho livre no céu azul e aquilo ele chamava de felicidade.

No começo, era puramente carnal, era mais uma paixão incontrolável e desenfreada, uma loucura que obrigava-nos a se verem com mais frequência do que queriam para abrasar aquela vontade que um tinha pelo outro, por isso não era de se admirar que ao ficarem mais velhos, os dois decidissem se apartar e, no fim, passassem um tempo apenas como amigos.

Desta vez, porém, Sasuke tinha certeza que os sentimentos que nutria por Naruto, pelo menos estes sentimentos, eram bons e reais e os queria por perto. Então, Sasuke, naquela época já homem adulto e trabalhando no negócio da família, tentou reconquistar o amor de infância e de adolescência de volta para si. Naruto não demonstrou resistência para voltar o relacionamento porque os motivos que levaram ao término eram extremamente bobos para as mentes maduras dos dois. Juntos novamente, o mundo fazia sentido de novo e aquilo que eles chamaram de felicidade voltou com força total.

Casaram, amaram-se, viveram juntos por longos e apaixonantes anos, que também foram cheios de todas as normalidades de um casal, como as sempre-presentes brigas e problemas. Mas eles se amavam acima de qualquer coisa, acima do que os outros falavam de Sasuke - geralmente as piores coisas por causa de sua personalidade introvertida, séria e vazia -, acima do que os outros falavam de Naruto - por ser simpático e gentil com todos, não era difícil ouvir especulações de traição -, eles se amavam muito mais. Os dois sabiam que o mundo era mais leve quando ambos se propunham a carregar juntos do que quando tentavam fazer as coisas sozinhos, porém sabiam que nem tudo podiam partilhar com os de fora, porque poucos entendiam como eles “funcionavam”.

Por isso, todos se assustaram quando viram Naruto desmaiar naquele natal. Foi repentino e sem sentido. Num segundo estava nos braços de Sasuke, dançando lentamente uma música perto da árvore de natal, no outro o Uchiha corria com o homem nos braços para fora da casa enquanto todos ouviam a confusão acontecer. O cantar de pneus do carro de ambos e o berro choroso que Sakura, amiga mais íntima do casal, soltou foram os sinais de que havia algo de muito errado acontecendo, algo grave. Souberam, dias depois, que por causa de um tumor no cérebro, oriundo de um câncer há anos tratado por Naruto, ele entrara em coma.

Depois de três meses, os médicos anunciaram que Naruto se encontrava em estado vegetativo e não havia nada que pudessem fazer para despertá-lo. O tumor era maligno e, mesmo depois de retirado, causou sequelas terríveis no homem, como o comprometimento de suas funções neurais e fisiológicas. Apesar de ainda haver respostas cerebrais e ele respirar sozinho, Naruto mantinha-se de olhos fechados e imóvel, como se realmente estivesse dormindo. Em palavras mais populares, davam-no como morto e só um milagre o traria de volta de seu sono funesto.

Depois de um ano naquele estado, aqueles que se disseram amigos dos dois desistiram de ver o belo azul e o sorriso radiante de Naruto. Depois de cinco anos em coma, aqueles que se disseram amigos íntimos perderam as esperanças e começaram a falar em eutanásia para os pais de Naruto. Porém, ninguém poderia tomar tal decisão, pois legalmente o responsável pelo Uzumaki era Sasuke, que lutara judicialmente pelo direito de “decidir pela vida” de seu marido. Estava em suas mãos a difícil decisão, só que elas estavam já ocupadas em segurar as de Naruto.

Foi um baque terrível lidar com o câncer de seu marido sem dizer a ninguém, exceto aos médicos. Sasuke fez cursos de cuidador e de enfermeiro em meses para dar de conta de todas as necessidades de Naruto para que a decisão de nunca se expor não fosse quebrada. E juntos superaram aquele monstro que ameaçava a felicidade de ambos, as mãos das alianças unidas eram a prova cabal de que não haveria um obstáculo alto demais que aqueles dois não dessem um jeito de passar, nem que fosse um subindo nos ombros do outro, nem que fosse um carregando o outro nos braços.

Nunca tiveram filhos porque Naruto sabia que nem era desejo de Sasuke ser pai e nem haveria espaço para uma criança uma vez que o Uzumaki tomava todas energias de seu marido para si com sua doença. Eles eram muito maduros em certos aspectos, por isso estavam bem psicologicamente quando o médico avisou que Naruto tinha um tumor maligno que poderia lhe causar convulsões, desmaios, perda de memória ou de alguns movimentos, além do coma. Se ele estivesse consciente, talvez afirmasse que foi a melhor decisão, pois imagine que terror seria uma criança crescer com o medo de perder um de seus pais e sem saber por que.

As mãos das alianças não se soltaram nem nesse momento ainda mais ameaçador que o câncer, nem quando Naruto sugeriu se divorciar para que Sasuke pudesse ter uma vida “normal”, enquanto ele voltaria para seus pais e cuidaria de tudo sozinho. Na verdade, e isso poderá soar muito estranho e mórbido, o Uchiha passou alguns dias rindo da cara de Naruto. Sempre que ele lhe aparecia, Sasuke desatinava a gargalhar dentro de casa enquanto fazia suas obrigações. Um dia ele explicou: Uzumaki Naruto desistir de algo que era certo e bom? Era a piada mais engraçada que Sasuke já tinha ouvido na vida e isso lhe faria rir até o dia de sua morte. O divórcio virou uma história engraçada e as mãos continuaram juntas, como deveria ser.

Sasuke, como era de se esperar, adaptou sua vida já adaptada à nova realidade: por administrar os negócios da família, passou a fazer tudo remotamente, pois se recusava a sair do lado de Naruto. Reformou dois cômodos de sua casa para acomodar todos os aparelhos, o leito e tudo mais que fosse preciso. Aproveitou o dinheiro do seguro de vida e de saúde para contratar uma enfermeira especializada em pacientes em coma para lhe ajudar no trato de seu marido e um secretário para lhe servir de representante em alguns momentos que a vídeo-conferência não resolvesse. Curiosamente, os dois eram casados.

Mandou também adaptar a cama de Naruto para comportar os dois ali sem atrapalhar os aparelhos. Em algum momento, Sasuke lera que estímulos de afeto e os constantes contatos com o muito externo ajudavam na recuperação de pessoas em coma, então decidiu que faria o que pudesse para que Naruto entendesse, se assim fosse possível, que ele não desistiu. Sasuke dormia de mãos dadas com Naruto, conversava e desabafava sobre o trabalho, as pessoas e todo o resto, ele lia livros, narrava filmes - todos que eram no gosto do Uzumaki - e lhe atualizava dos acontecimentos do mundo. Não hesitava em demonstrar que ainda o amava com palavras e gestos carinhosos - não era difícil ver Sasuke beijando Naruto - e nem desistia da missão de cuidar dele.

Era um trabalho exaustivo e quase integral, ainda mais o Uchiha que tinha que administrar a casa, as despesas pessoais e médicas, o próprio emprego e o trabalho de Naruto - ele era dono de uma loja de jardinagem no centro, uma muito bonita e conhecida. Depois de cinco anos, as pessoas falavam que Sasuke não vivia mais, apenas existia para manter Naruto vivo, pois ele evitava sair de casa ou ir a eventos para continuar em sua vigília incondicional. Os Uzumakis acusavam os Uchihas de abandonar o filho caçula naquela situação aterradora enquanto os Uchihas acusavam de abandonar o único filho e, assim, privar Sasuke de liberdade. Este último, porém, não dava atenção nem aos pais e nem aos sogros: Naruto era sua responsabilidade, sua vida, só desistiria dele se, por ventura do destino, chegasse a óbito.

Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe, essa era a promessa e os dois eram famosos por nunca quebrarem promessas. E se enganavam aqueles que afirmavam que Sasuke deixou de viver, Naruto lhe mataria se soubesse que ele “parou a vida” por sua causa. O empresário nunca foi de festas e farras, mas adorava viajar e praticar ecoturismo, então ia a todos os lugares dizendo a si mesmo que quando Naruto acordasse, seria guia dele.

Para cada montanha, floresta, rio, praia, cidade e semelhantes que Sasuke ia, ele trazia fotos, áudios e alguma coisa - como pedras, folhas, objetos, tecidos, até mesmo terra - para por seu marido em contato. Ele narrava suas aventuras em áudio e as enviava para Naruto, a fim de que ele participasse, de alguma forma. A enfermeira e o cuidador, contratado justamente para os momentos em que Sasuke estava fora, não entendiam porque Sasuke fazia o desacordado tocar terra, deslizar os dedos por plantas, tecidos e pedras ou sentir objetos, não entendiam porque ele mandava fazer quadros em alto relevo das fotos que Sasuke tirava, mas não questionavam. Como poderiam entender que aquilo fazia parte do tratamento? Da terapia pessoal de Sasuke? Se não fizesse aquilo, era como se admitisse a sua derrota para a doença e isso jamais faria.

Não era um péssimo perdedor, na verdade ele nunca perdeu nada. Todas as batalhas que enfrentou, Sasuke venceu porque era determinado, implacável e tinha o apoio constante de Naruto. Seu marido travava a mais importantes das guerras de sua vida e aquele era o momento de manter-se ao seu lado, dar suporte, carregá-lo se preciso,pois venceria no final. Tinha fé que venceria, porque Naruto nunca desistiu dele.

Um dia, porém, durante uma faxina, Sasuke encontrou uma carta entre os exames laboratoriais de Naruto. Fora feita por seu marido, estava endereçada a si e ela mudou a perspectiva de tudo e todas as coisas em que o empresário acreditava. Itachi, o irmão mais velho de Sasuke, numa de suas visitas de rotina, achou-o sentado no chão, fora do quarto de Naruto, com a tal carta nas mãos e entregue ao desespero enquanto chorava copiosamente.

Eu sei que vou te amar por toda a minha vida e mais além, dizia a tal, e é por amor a você que te deixo ir. Se está lendo esta carta, Sasuke, saiba que não desisti de nós, mas não significa que desejo que me espere por todos os seus anos, privando-se de tudo o que o mundo pode lhe oferecer. Não se prenda a mim. Não faça isso conosco, Sasuke, não mate o nosso amor ao associá-lo apenas ao sofrimento de me ver num estado sem resposta e de eterna espera. Nós dois venceremos se você se libertar e viver. Apaixone-se, ame, odeie, frustre-se, caia e se erga de novo, mas viva. Os médicos me disseram que tomou para si a responsabilidade de minha vida caso eu chegue ao estado de coma. Se está lendo isso, é porque chegamos a este ponto e eu lhe tiro essa responsabilidade. Mostre a um advogado este documento e deixe que minha decisão seja realizada: eu aceito a eutanásia. Me dói escrever isso, mas me dói mais ainda imaginar o sofrimento que vou lhe causar quando eu estiver inconsciente e sem chance de acordar. Eu te amo demais para permitir que isso aconteça. Eu te amo mais que a minha própria vida e é por isso que eu vou tirá-la de livre e espontânea vontade. Prefiro morrer a te matar aos pouquinhos com o que vai acontecer. Por favor, Sasuke, seja racional e faça o que te peço, por favor. Não mantenha-se nisso em nome do nosso amor. Nosso amor é livre e vivo, como um passarinho no céu azul. Não nos mate ao manter-me vivo. Eu te amo. Ass. Naruto Uzumaki.

O que faria agora? Naruto lhe pediu pela morte e Sasuke não conseguia dizer não a ele. Sua mente dizia que era o certo - e ele sempre se guiou pela razão, por o tempo que esteve casado até os presentes dias com Naruto -, mas seu coração gritava que se desistisse agora, se arrependeria para o resto da sua vida. Itachi, bem como todos os outros a quem a carta foi mostrada, disse que era melhor realizar a última vontade Naruto, respeitá-la e se libertar, mas seu coração ainda berrava, sem parar, todos os dias.

Se ao menos tivesse um sinal para lhe orientar melhor, assim pensava o Uchiha enquanto dava banho em Naruto e lhe reclamava por escrever a maldita carta-testamento. Como podia perder as esperanças antes mesmo de que as coisas acontecerem? Como podia decidir por Sasuke sem consultá-lo? Era um idiota. Naruto sempre foi um idiota precipitado. E com lágrimas nos olhos, chorando como criança, Sasuke repetia que seu marido era um idiota por decidir sozinho aquilo.

Iria respeitá-lo. Os médicos disseram que estava morto. As pessoas também atestavam a sua morte. Agora, o próprio Naruto considerava-se morto naquela carta. Não havia nada que Sasuke pudesse fazer além de respeitar e aceitar. Daria entrada na papelada na manhã seguinte àquela noite em que teve a última conversa com Naruto. Seu único pedido, o mais humilde de todos, era de que lhe perdoasse por demorar tanto a realizar sua vontade e que lhe desse forças para ultrapassar mais este obstáculo.

Só que arrependimentos acontecem, até mesmo entre os que dormem. Exatamente às 12 horas e 37 minutos, quando Sasuke gravou um vídeo-selfie dele beijando Naruto e se despedindo, declarando-o como o único e grande amor de sua vida, no momento em que entrelaçou sua mão da aliança com a dele, a demonstração máxima dos sentimentos dos dois, Sasuke registrou a prova de que Naruto se enganou. Não como um espasmo involuntário em resposta ao estímulo, a mão de seu marido fechou ao redor da sua, muito devagar, sem força e manteve-se assim por alguns segundos, até que se abriu de novo.

Sasuke levou um tempo para sair do estado de torpor provocado pela surpresa de ver a mão se mexer. Ele observou as máquinas e, se não estivesse enganado, houve realmente uma resposta neurológica elaborada para o seu toque, ou seja, Naruto tentou segurar sua mão. Quando voltou a si, se desmanchou em lágrimas e risos de felicidade. Aquele idiota! Sempre duvidava de sua capacidade de cuidar de alguém porque era um insensível incorrigível.

Beijou-o demoradamente em agradecimento aquele sinal tão gentil. As pessoas podiam ter desistido dos dois, mas eles não desistiram de si mesmos. Seu amado era bobo mesmo dormindo. Disse-lhe que estava tudo bem, que não cumpriria aquele desejo tolo porque os tempos são outros e Naruto, provavelmente tomado pelo desespero e pelo medo, escreveu aquela carta esquecendo-se da promessa. Ficaria tudo bem, Sasuke prometeu, não havia nada que ele não pudesse fazer se Naruto continuasse confiando nele.

Guardou a carta para mostrar sua burrice quando despertasse, dormiu de mão entrelaçadas a Naruto e sonhou com memórias de quando seu marido estava bem de saúde. Tudo bem ter medo, mas não podia deixar o medo ser mais forte que a vontade de viver, dizia a ele no silêncio de seu coração. Sasuke tinha medo de perder Naruto para a morte, mas sua esperança de rever os olhos azuis era muito maior e mais forte, por isso suportava aquela rotina exaustiva e desgastante, para os de fora, todos os dias, sem cessar.

Os médicos mantiveram a ideia de que não havia previsão para o despertar, que se não fossem muito cuidadosos, qualquer coisa como uma infecção ou uma pneumonia poderia matar Naruto. Alguns psicólogos afirmavam que era uma batalha perdida por todo o desgaste ao qual Sasuke estava se submetendo, que poderiam provocar nele sérios danos psicológicos, por estar em constante conflito entre o desespero e a esperança. Amigos e parentes tinham medo de novamente tocar no assunto da desistência e da eutanásia, por causa da reação dele, mas eram unânimes quanto ao posicionamento de que era o fim.

Diante de tudo isso, Sasuke mantinha-se como uma rocha, uma montanha, que por mais que o vento soprasse, jamais se curvaria ante as intempéries, pois Naruto contava consigo em todos os sentidos. Não podia parar com os exercícios fisioterapêuticos para que os músculos não atrofiassem; não podia parar com estímulos sensoriais e as investidas cognitivas; não podia parar com os cuidados medicinais e nem com sua rotina. Correu o risco de perder Naruto uma vez, não passaria por isso de novo, mesmo que só tivesse apenas a chance de um milagre em seu favor para manter sua fé viva.

Milagre. Essa era a palavra que definia Naruto em sua vida. Um milagre. Naruto era o seu milagre: inexplicável, poderoso e transforma toda a sua vida para a melhor. Mesmo com todos os transtornos depressivos e introvertidos que passou durante a infância, fruto de um lar instável, com pais que brigavam bastante ao ponto de se agredirem, com um irmão que saiu cedo de casa para estudar no exterior, abandonando-o à própria sorte, Naruto trouxe luz para suas trevas. Não podia simplesmente desistir da sua luz, do seu sol, do seu milagre. Não quando o próprio Naruto não desistiu de si.

Devia sua vida a ele, então se tivesse que passar o resto dos seus anos dedicando-se ao tratamento das sequelas do tumor e da manutenção do coma, usaria cada centavo que tinha disponível para isso. Aquele aperto de mão fraco, mas cálido, era a prova de que Naruto ainda não desistiu dos dois, que o passarinho ainda estava voando, que as alianças continuariam juntas mesmo naquela situação. Não desistiria do seu amor, não o abandonaria porque ele era tudo para si, tudo, era a prova que existe um Deus e ele olha por todos.

Como todas as manhãs, Sasuke acordou cedo para se lavar e preparar o café-da-manhã. Depois de alimentado, foi iniciar sua rotina enquanto a enfermeira não chegava. Limpou cuidadosamente o corpo de Naruto, aplicando hidratante na pele para não ressecar e proteger de bactérias nocivas, trocou os lençóis por novos e cheirosos - Naruto sempre gostou do perfume que o amaciante deixava nas roupas de cama -, deixou-o na varanda, sobre um divã, tomando um pouco de banho de sol, enquanto faxinava todo o quarto e cantarolava uma das canções favoritas dos dois. A enfermeira chegou para administrar as sondas, as máquinas de manutenção e os medicamentos e esta foi a deixa para Sasuke começar a trabalhar pelo computador.

Ficava ali mesmo no quarto, perto da varanda, no seu escritório montado para isso, alternando em ler e digitar as coisas e fitar seu amor descansando. De vez em quando sorria, pois sentia que Naruto emanava uma espécie de energia no ambiente que definia seu estado de humor. Seus pais diziam que era loucura da sua cabeça, seu psicólogo dizia que era apenas uma expressão da forte conexão que tinha com o marido, mas Sasuke atribuía tudo aquilo à capacidade de Naruto tornar tudo melhor apenas com a sua presença.

Naquela manhã ele estava radiante. Parecia extremamente feliz por mais que seu semblante ainda fosse o mesmo de seis anos atrás. Aquilo deixou o Uchiha de muito bom humor. Conversou anedotas e histórias bobas que lembrava dos dois ou contou as bobagens que viu em sua última viagem - tinha ido a Machu Picchu e trouxe de lá uma espécie de manta que as pessoas chamavam de ponche. E repetiu, de quando em quando, que o amava.

Eu te amo e ainda te espero, ele dizia sempre que saía do quarto pelo motivo que fosse. Beijava-lhe os lábios, afagava os cabelos loiros e repetia aquelas sete palavras. Mal sabia Sasuke que aquele era o mais poderoso encantamento que se tinha notícia - ou a mais poderosa oração -, pois vinha do ponto mais profundo do coração e da alma dele. E palavras ditas com os mais verdadeiros e puros sentimentos tinham muito poder, podiam operar milagres.

Sasuke avisou que sairia para comprar papel no centro, não demoraria mais de 15 minutos, e a enfermeira verificou se houve alguma variação. Estava tudo bem. Ele ficou mais tranquilo e saiu. A mulher suspirou quase apaixonada quando viu seu patrão beijar a boca de Naruto e dizer a mesma brincadeira “É melhor estar acordado quando eu voltar”.

Ela queria que aquela brincadeira se tornasse realidade e Sasuke tivesse a maior das surpresas ao voltar para casa e se deparar com o marido desperto, mas ele repetia aquelas palavras há seis anos e elas nunca surtiram efeito.

Como dito, retornou com mais papel para sua impressora e tinta também, por uma questão de reserva. A enfermeira lhe disse que Naruto teve apenas um espasmo nos dedos dos pés, mas nenhuma outra variação significativa, estava tudo normal, o que significava que ele estava bem. Sasuke agradeceu e retomou o trabalho. Por volta do meio-dia, ele parou para fazer os exercícios fisioterapêuticos novamente antes de almoçar. Quando terminou, deu um beijo na testa alheia, deu banho em Naruto e depois foi se banhar.

-O que acha, Naruto? Estou indeciso entre comida chinesa e mexicana. Eu gosto muito de comida apimentada, como sabe, mas eu estou com vontade de comer algo diferente. - Sasuke comentou, apoiado na grade da cama com o celular em mãos, verificando as opções de restaurantes.

-Pede comida chinesa. Faz tempo que comi rámen. - Naruto respondeu com a voz meio rouca, fitando o marido.

-É, tem razão. Faz tempo mesmo. Da última vez, foi no nosso aniversário de casamento de… - Sasuke parou de falar ao perceber que pela primeira vez em seis anos, teve resposta de Naruto.

Ele demorou-se a encarar o corpo de seu marido. Seu coração batia acelerado e sua respiração tornou-se ofegante porque estava assustado. Teria ficado louco ao ponto de ouvir a voz dele? Tinha medo de fitar o travesseiro e vê-lo ainda dormindo porque já lhe aconteceu por três vezes naqueles anos. Engoliu em seco e se afastou da cama, sem olhá-lo ainda, esfregando o rosto e apertando o celular na mão.

-Sasuke? - aquela voz de novo. Lentamente, movido por um desespero de saber logo que era um maluco digno de internação, ele se voltou para o leito. Naruto estava sentado na cama e com o sorriso mais lindo que se tem notícia nos lábios, olhando-o com os braços abertos.

Os olhos do Uchiha se abriram tanto ao notar a enfermeira com igual espanto, provando que ou não era o único a ficar louco ou realmente seu amor despertara, que parecia que cairiam das órbitas. O cuidador assistente chegou afobado ao quarto ao ouvir o berro da mulher e a voz de um homem gritando “Sasuke! Sasuke!”. Assim que adentrou, viu o marido de seu patrão desperto, porém sob os cuidados da enfermeira, e seu patrão estirado no chão, de olhos abertos, convulsionando e espumando pela boca, num ataque.

Por sorte, aquele era o dia de revisão médica, então mal o cuidador começou os procedimentos, o quarto foi invadido por um batalhão de duas médicas responsáveis pelo caso de Naruto.

Ninguém não estava entendendo mais nada do que se passava, mas ao fim da tarde - com todos os parentes reunidos na sala de estar, extremamente ansiosos por explicações - a equipe de saúde ali chegou a duas conclusões: primeira, Naruto acordou e milagrosamente sem danos cognitivos-funcionais, pois ele respondeu a maioria das perguntas com clareza, como geralmente acontece; segundo, devido ao estresse e ao turbilhão de sentimentos que explodiram ao mesmo tempo na cabeça de homem que evita emoções, o cérebro de Sasuke “sobrecarregou” e provocou o desmaio.

Quando o empresário despertou, já era noite e sua cabeça pesava. Tivera o sonho bizarro, porém extremamente belo e emocionante, que Naruto acordava e queria comida chinesa. Sasuke desatinou a chorar copiosamente, cobrindo o rosto com as mãos. Chorava aos soluços como uma criança sem alento, tentando não fazer tanto barulho e chamar atenção das pessoas que se encontravam fora do quarto.

-Eu te amo tanto, Naruto…! Por que você não acorda?! - murmurou com a voz fanha e desesperada. - Eu jurei te esperar para sempre, mas… Eu te quero de volta…! Eu te amo, cara, acorda! Não me deixa aqui sozinho… A solidão machuca!

Talvez tenha chorado por quase dez minutos. Pelo menos uma vez por anos, ou a cada mês, Sasuke tinha aqueles acessos de lágrimas. Naruto lhe dissera que se ele não chorasse por bem, choraria por mal. O próprio corpo acharia um jeito de “obrigá-lo” a viver as próprias emoções e daí, tinha as crises de choro ao ponto de perder o controle e chorar por longos minutos.

Respirou fundo, sentindo seu corpo mais leve, e enxugou suas lágrimas com o lençol que lhe cobria o corpo. Buscando conforto, Sasuke segurou a mão de Naruto, entrelaçando seus dedos com a que geralmente ficava sobre a barriga - a mão da aliança - e suspirou. Aqueles dedos pardos apertaram os seus com firmeza e isso o surpreendeu. Era a primeira vez que via aquele tipo de reação.

-Sente-se melhor depois de chorar, amor? - Sasuke ergueu a vista e se deparou com os mais lindos olhos azuis do mundo. Eles brilhavam, cheios de amor e de lágrimas de felicidade, e pareciam ainda maiores. Naruto sorriu lentamente e trouxe a mão de Sasuke ao alcance de sua boca para beijá-la. - Eu também te amo mais que tudo.

-Na… Ruto…? - engoliu em seco e nem sentiu as lágrimas verterem novamente, quando se arrastou para mais perto dele, a fim de sentir se aquilo era real. Naruto pousou gentilmente suas mãos no rosto pálido e puxou-o para um beijo. - Seja bem-vindo, Naruto…! - disse rindo em meio às lágrimas, que lavavam o rosto de ambos.

-Estou em casa, Sasuke…! - este também chorava de pura felicidade. - Obrigado por me esperar! - os dois se abraçaram e se beijaram novamente. - Eu ainda quero comida chinesa. - Naruto brincou, rindo contra os lábios alheios.

Sasuke riu mais, finalmente parando de chorar, e o fitou com o mais puro dos sentimentos nos olhos negros.

-Eu vou sempre te esperar. - os dois juntaram as mãos das alianças para beijarem-nas simultaneamente. - Sempre.

19 de Octubre de 2018 a las 23:41 1 Reporte Insertar 16
Fin

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Machadorisos . Machadorisos .
Eu estou arrebatada, irmã. Adorei a história, a escrita, a estruturação, tudo! Quando li a sinopse pensei "ah não, angst não quero!" euheueh aí vi que tinha final feliz, e vim na fome. Gostei muito mesmo, obrigada por essa experiência.
20 de Octubre de 2018 a las 11:54
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