I'm Still Here Seguir historia

tsukimiko_san Tsuki Miko

"Como sempre quando estava com ele, Tamaki sentiu um ímpeto raro de sorrir também. Droga. Justo quando já estava se acostumando com o frio na barriga e o coração acelerado, quando estava quase se convencendo de que poderia ignorar o que sentia, seu sorriso brilhante como o sol abalava todas as suas estruturas."


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#spoilers #fluffy #one-shot #shounen-ai #bl #miritama #bnha #boku-no-hero-academia
Cuento corto
4
4.6mil VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Capítulo Único

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS DO MANGÁ, LEIA POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO


Bom dia/tarde/noite!
Eu ainda não to acreditando que eu deixei de revisar meu segundo extra de Plastic pra escrever essa MiriTama de 3k UHASUHASUAHSU eu fiquei hypada demais com meus filhos (aka Big Three) aparecendo no anime e escrevi essa one-shot pra mostrar ao mundo que EU SOU MIRITAMA SHIPPER FANÁTICAAAAA
Enfim, aproveitem!


O burburinho do refeitório deixava Tamaki nervoso. Era gente demais. O garoto podia praticamente sentir os olhares em si, mesmo sabendo que provavelmente era pura paranoia sua.

Ele só queria sair dali logo.

— Ah... — Só depois de ter comido, Amajiki percebeu que não tinha pego nada para beber. Olhou com desânimo para a máquina de bebidas mais próxima, e desistiu no ato. Nem a pau que ele iria cruzar todo o refeitório lotado para chegar até lá e depois voltar. Morreria de vergonha antes de dar o primeiro passo.

— O que foi, Tamaki? — A voz de Mirio atraiu sua atenção. Seu melhor amigo estava sentado na sua frente, e, como sempre, automaticamente percebeu que tinha algo de errado. — Você está se sentindo mal?

— Não é isso. — Negou com a cabeça. — É só... você sabe. — Olhou para a máquina, que parecia estar a quilômetros de distância, e para o seu prato vazio novamente. Como sempre, o outro entendeu seu que precisasse explicar. Ele sempre entendia.

— Eu pego. — Sorriu gentilmente e levantou da cadeira, chamando a atenção de Nejire e Yuyu, as duas únicas outras pessoas sentadas à mesa, que estiveram conversando animadamente pelos últimos minutos. — Vocês duas vão querer alguma coisa?

As duas fizeram seus pedidos e Mirio saiu da mesa, procurando moedas nos seus bolsos. Ele não precisava perguntar qual bebida Tamaki queria. Ele sabia tudo o que ele gostava decor.

Quer dizer... quase tudo.

O garoto observou o melhor amigo abrir caminho pelos estudantes, pedindo licença educadamente enquanto se aproximava da máquina. Amajiki suspirou. Queria ter essa coragem. Ele odiava ser tão ruim em lidar com pessoas. Por que ele ainda me ajuda tanto? Eu não valho a pena...

— Amajiki-kun. — A voz de Nejire o despertou de seu torpor. Tamaki piscou para a amiga. Tanto ela quanto Yuyu estavam olhando para ele com atenção.

— Sim?

— Quando você vai admitir que está apaixonado por ele?

Tamaki engasgou-se com a própria saliva e tossiu — o que, eventualmente, atraiu a atenção de algumas pessoas, fazendo-o ficar vermelho, ainda mais do que já estava, com o comentário da garota.

— Isso foi bastante direto, Nejire — disse Yuyu, com um aceno de aprovação.

— Amajiki-kun é lento demais pra algumas coisas, eu precisava ser direta, não é?

— Do que você está falando? — gaguejou, desviando o olhar.

— Você sabe do que eu estou falando. — Quando Tamaki não respondeu, Nejire suspirou. — Togata-san. Você gosta dele, não é?

O garoto encolheu os ombros.

— É tão óbvio assim?

— O único que ainda não percebeu foi ele — Yuyu comentou, levando os hashis à boca e terminando de comer seu almoço.

— Graças a Deus, eu já estava pensando que ele sabia.

— Não, não, não, Amajiki-kun, não é assim que as coisas funcionam! — Nejire ergueu o indicador. — Não guarde seus sentimentos pra você mesmo para sempre. — Seu tom assumiu um tom um pouco mais sério que o normal. — Eu digo isso porque somos amigos, e eu só quero o melhor para você. 

— Eu...

— Ei, aqui estão! — Mirio retornou à mesa e entregou as bebidas para todos. Tamaki pegou o suco de morango de caixinha — Mirio sabia que ele gostava de coisas mais doces — enfiou o canudinho e começou a beber, concentrando-se em diminuir a vergonha que sentia. — Por que o Tamaki ‘tá vermelho? Nejire, você estava constrangendo o Tamaki de novo?

— Longe disso — a menina respondeu, com uma risada, voltando ao seu tom brincalhão de sempre, e tomou um gole da sua latinha de refrigerante. Amajiki encolheu os ombros. Ela estava errada. Não precisava se confessar, e nunca o faria.

►♦◄

Tamaki só tinha mais um dia de aula normal antes de iniciar seu estágio com Fat Gum. Ele sabia que teria um kouhai dessa vez, da classe 1-A, e não estava animado para isso.

O garoto estava levando uma pilha de provas do segundo ano até a sala dos professores — a pedido do representante de classe da 2-B, que estava atrasado para uma aula prática, e acabou que Amajiki estava passando no corredor bem naquela hora. O segundanista não lhe deu tempo nem de aceitar nem de recusar, apenas empurrou os papéis nos seus braços, pediu desculpas e saiu correndo.

— Precisa de ajuda? — Era como se Tamaki tivesse um radar, e Mirio fosse capaz de encontrá-lo onde estivesse. O garoto olhou para Togata, que tinha aparecido do seu lado e acompanhava seu passo.

— Não, eu consigo. O que está fazendo aqui, Mirio? Pensei que você tinha que levar aquele primeiranista até a agência do Sir Nighteye.

— Eu ainda tenho tempo, então pensei em procurar você. — Mirio sorriu e inclinou-se na sua direção. Como sempre quando estava com ele, Tamaki sentiu um ímpeto raro de sorrir também. Droga. Justo quando já estava se acostumando com o frio na barriga e o coração acelerado, quando estava quase se convencendo de que poderia ignorar o que sentia, seu sorriso brilhante como o sol abalava todas as suas estruturas.

— Obrigado. Você sabe. Por me fazer companhia.

— Não é um favor, Tamaki. Eu sou seu amigo porque gosto, ok? — Togata abraçou seus ombros por um instante e depois soltou. Amajiki já estava acostumado com o contato físico; afinal, eles eram amigos há quase dez anos. Mas não podia deixar de sentir-se superconsciente quando aquilo acontecia.

— Eu também — murmurou em resposta. — Eu também gosto... — de você, de você, de você —...de ser seu amigo.

Enfim chegaram na sala dos professores. Tamaki entregou as provas para um professor e os dois caminharam juntos em silêncio até o dormitório. Ele tinha que arrumar suas coisas para o estágio... sua cabeça estava longe quando Mirio puxou a manga do seu uniforme e despertou-o do seu torpor.

— Olha, Tamaki! — O garoto olhou para onde o amigo apontava. Havia alguns arbustos ladeando a entrada do dormitório da classe, e algumas flores tímidas davam as caras. Em cima de uma delas, repousava uma borboleta de asas amarelas. — Você gosta de borboletas, não é?

— Uhum. — Amajiki aproximou-se timidamente do arbusto, agachou e estendeu o dedo. A borboleta bateu as asas delicadas e pousou ali. Tamaki não conseguiu segurar o sorriso. Ele sempre gostou de borboletas, desde criança. Lembrava-se perfeitamente de como costumava passar o dia no jardim de casa, observando os insetos sozinho; era sua única diversão. Até Mirio aparecer.

Tudo mudou quando eles se tornaram amigos. Amajiki sempre foi um garoto introvertido, sempre preso no próprio mundo, sempre com medo de falar com as pessoas. Desde então, Tamaki não mudou muito, mas foi capaz de se abrir e ser ele mesmo na frente do amigo. De repente, todas as coisas que estava acostumado a fazer sozinho, passaram a contar com a presença resplandecente de Mirio. E ele não podia estar mais grato por isso.

A borboleta voou de seu dedo para a ponta do seu nariz, surpreendendo-o. O garoto ficou imóvel, com medo de assustá-la. Foi quando ouviu um ruído discreto, e voltou o olhar para Togata. Ele estava com o celular erguido, com a câmera apontada na sua direção.

— Mirio! — Sua agitação fez a borboleta sair voando. Amajiki estendeu a mão, tentando pegar o aparelho, mas Mirio desviou, rindo. Tamaki sentiu-se ruborizar intensamente.

— Eu sei que você não gosta que tirem fotos sem avisar, mas a cena era fofa demais.

— Mas...

— Por favor? — Tamaki suspirou e desviou o olhar.

— Ok. Só não mostre para ninguém. Promete?

— Prometo. — Mirio levantou e estendeu a mão para o amigo, ajudando-o a se levantar. — Eu tenho que ir. Nos vemos à noite?

— Nossos quartos são um do lado do outro, é claro que vamos.

Ele apenas riu e acenou, afastando-se. Amajiki voltou-se para o dormitório, com pesar. Realmente não estava empolgado para amanhã.

►♦◄

A tensão preenchia cada célula do seu corpo. Tamaki estava com medo. É claro que estava. Mesmo estando a um passo de se tornar um herói profissional, não conseguia olhar para si mesmo e não encontrar nem um pingo de temor. E pela expressão dos outros estudantes presentes, sabia que não era o único.

— Você vai se sair bem, Suneater. — Sentiu um tapa gentil nas costas. Fat Gum. Amajiki assentiu com a cabeça, apertando o tecido da capa com as mãos. — Nós vamos conseguir. Não se preocupe.

— Obrigado, Fat — murmurou. Ele tinha que permanecer positivo. Olhou para seu kouhai. Kirishima estava sério, mas parecia muito mais corajoso que Tamaki enquanto conversava com Midoriya.

Eu sou um desastre de senpai.

Seus olhos, como sempre, foram atraídos para Mirio. Claro, sempre eram. O outro garoto estava mais sério do que se lembrava de já tê-lo visto. Quando Sir Nighteye se afastou para resolver algum assunto com os outros heróis, foi que Amajiki conseguiu ter um vislumbre de medo em seus olhos.

O mais íntimo instinto de proteção de Tamaki levou-o a tomar coragem para se adiantar, passando por entre as outras pessoas envolvidas na operação, e sem hesitar, deslizou seus dedos para a palma da mão de Togata, para depois apertá-la firmemente.

— Ta-- Suneater? — corrigiu-se, alternando o olhar entre o rosto do amigo e suas mãos unidas. Então, o garoto fez algo que não se lembrava de ter feito nenhuma vez na vida: abriu sorriso tímido e disse:

— Tudo vai dar certo. Você é o Lemillion, não é? Você vai salvar um milhão de pessoas, e definitivamente vai salvar essa garotinha. Eu sei que vai.

Aquilo parecia errado para sua mente; era sempre Mirio quem sorria e afastava seus problemas e inseguranças. Mas para seu coração, aquilo era o certo a se fazer.

Seu amigo piscou para ele algumas vezes. Então, desviou o olhar, apertou sua mão com tanta força que quase doeu e soltou. Mirio não precisava dizer. Tamaki sabia que ele estava grato. Mesmo que todos ali tivessem um motivo para estarem envolvidos no grande esquema para resgatar a criança, Togata e Midoriya eram, de longe, os mais emocionalmente engajados. Era uma pressão psicológica imensa.

Além disso... eu não quero ver aquela expressão deprimida em seu rosto de novo, nunca mais, pensou, lembrando de como ele ficou quando descobriu a verdade sobre a menina, Eri.

Tamaki voltou para a companhia de Fat Gum e Kirishima. Precisava focar nos seus objetivos, ou nunca conseguiria honrar as expectativas que seu melhor amigo tinha em si.

►♦◄

Mirio...?

Tamaki fechou os olhos, tentando não se deixar levar pela inconsciência. O que era aquele aperto no peito? Aquelas lágrimas se acumulando no canto dos olhos? Ele sentia dor, principalmente no lado direito do rosto, mas não choraria por uma coisa tão banal quanto a dor.

O garoto ergueu-se com dificuldade, mas seus joelhos fraquejaram e ele caiu de novo. Estava completamente esgotado. Talvez devesse apenas ficar ali, desmaiar, esperar o resgate...

Mirio.

Amajiki cerrou os punhos e, ignorando a dor, levantou-se. Tentou escorar-se na parede, seguir em frente. Aquele aperto no peito que sentiu...

— Ei! É o Suneater! — Ouviu vozes atrás dele e logo alguém o ajudou a se manter de pé. Tamaki tentou focalizar a visão, e conseguiu discernir alguns policiais andando no lugar, olhando e comentando sobre os três homens derrotados no chão. Ah. Eu fiz isso.

— Você precisa de ajuda? — outro policial perguntou, a arma em punho. Devia voltar? Era a opção mais segura.

— Vamos em frente — pegou-se dizendo. O garoto aos poucos recuperava a lucidez e o movimento completo do corpo. — Eles podem precisar de ajuda.

Amajiki e os policiais adentraram mais fundo nos corredores da casa. Estava tudo uma bagunça, mas as paredes não se mexiam mais — o que significava que eles tiveram sucesso em pelo menos parte do plano. Quando já estava pensando em desistir e retornar, seus olhos captaram a figura de alguém sentado, apoiado na parede, abraçando o próprio corpo ferido.

— Mirio! — Sem se importar em chamá-lo pelo nome de herói, Tamaki correu até o amigo e ajoelhou do seu lado. — O que aconteceu?

— Eu... — Togata tossiu, e o garoto desesperou-se ao ver um pouco de sangue manchar seus lábios. — Eu perdi. Eu devia ter levado a Eri em segurança. Mas eu não consigo mover um músculo. — Ele deu uma risada amarga e fechou os olhos. — Desculpa, Tamaki.

— Mirio...? Mirio, acorda, não feche os olhos. — Tamaki sacudiu seus ombros, mas ele não abriu os olhos. — Mirio, você não pode. Não pode fazer isso comigo!

O garoto puxou a frente das suas roupas rasgadas e enterrou a cabeça em seu peito. Uma dor muito maior que a que sentia no seu rosto alastrou-se por seu corpo.

— Não ouse morrer — murmurou. — Eu não posso deixá-lo morrer. Eu ainda preciso... — Respirou fundo. — Eu ainda preciso dizer que te amo.

— Suneater? — um dos policiais chamou-o, hesitante. Aquilo despertou-o para a realidade. Ali ele era um herói profissional, e teria que trabalhar duro para salvar o dia — e a vida de seu melhor amigo.

Amajiki levantou e ergueu Mirio, passando um braço pelo seu pescoço.

Tudo vai dar certo.

— Vamos. — Encarou o corredor à frente com determinação.

►♦◄

Tamaki abriu os olhos lentamente.

Correção: abriu o olho. Seu olho direito e parte do rosto estava coberto com alguma coisa.

O garoto ergueu o tronco com dificuldade, e sentiu uma pequena picada no braço. Enquanto seus olhos se acostumavam à leve escuridão, conseguia discernir onde estava. Havia um tubo conectado à parte interna do seu cotovelo, levando a um suporte de soro ao lado de onde estava deitado, uma janela com persianas fechadas de um lado, deixando apenas frestas da luz da lua entrarem, paredes brancas, uma cama — onde estava deitado — coberta com lençóis alvos...

Estava num quarto de hospital.

Amajiki suspirou e relaxou o corpo. As lembranças voltaram. Eles tinham conseguido completar a missão. Eri estava salva e Chisaki, derrotado. O garoto lembrava-se de ter carregado Mirio até uma ambulância e, assim que viu o amigo em segurança, o nível de adrenalina baixou, toda a sua energia foi drenada de seu corpo, e ele colapsou. Os ferimentos que adquirira na luta contra os três preceitos e o abuso da sua individualidade não deixaram barato. A metade direita do seu rosto, coberta por bandagens, ainda doía um pouco, mas nada que não conseguisse suportar.

Quando Tamaki tentou se levantar, ele sentiu um peso sobre suas pernas. Ele piscou, sobressaltado, e percebeu que havia alguém sentado em uma cadeira ao lado da sua cama, debruçado sobre seu colo, dormindo em cima dos braços dobrados.

Por algum motivo, sentiu vontade de chorar.

— Mirio — sussurrou e sorriu ternamente. — Você...

Está vivo.

O garoto inclinou-se para frente, tentando não acordar o amigo, e inspecionou seu corpo. Além de algumas faixas nos braços e a roupa de hospital, Togata parecia perfeitamente bem. Amajiki sacudiu a cabeça, rindo consigo mesmo. Não imaginava algo diferente vindo de uma pessoa tão energética.

Os olhos do outro garoto se abriram lentamente.

— Ah, desculpa, eu te acordei — disse Tamaki. Mirio ergueu o tronco e espreguiçou-se.

— Não, eu acordei sozinho, não se preocupa. Eu implorei aos médicos que me deixassem ficar aqui até você acordar. Graças a Deus não demorou, se não eu seria expulso e forçado a voltar pro meu quarto. — Riu fraquinho e ficou brincando com o tecido do lençol.

Amajiki estendeu as mãos e segurou os braços de Togata. Ele o olhou, confuso.

— Você não está bem. O que aconteceu enquanto eu estava desacordado?

O outro tentou sustentar a expressão por um tempo, mas Tamaki não desviou o olhar e manteve a firmeza. Por fim, Mirio suspirou.

— Você sempre consegue ver através de mim, não é? — Ele segurou suas mãos e apertou-as nas dele. — O Sir... o Sir não resistiu. Os ferimentos foram profundos demais. E eu... Eu perdi minha individualidade. Uma daquelas balas me pegou.

O garoto ficou em silêncio, absorvendo suas palavras. Sir Nighteye estava... morto? E Mirio...?

— Eu perdi duas das coisas mais importantes da minha vida, Tamaki — Togata disse e olhou para ele. — Eu sei que consegui salvar a Eri-chan, e você não faz ideia do quanto isso me faz feliz. Eu não me arrependo de ter entrado na frente daquela bala. Mas...

Lágrimas brotaram dos seus olhos. Amajiki não hesitou e abraçou-o. Abraçou-o mais apertado que qualquer outra vez antes. As lágrimas molharam suas roupas, mas ele não podia se importar menos; apenas o apertou contra seu peito, tentando resistir ao ímpeto de chorar também. O sofrimento de Mirio, do sempre gentil e sorridente Mirio, da pessoa mais incrível que conhecia, do garoto que amava... doía muito mais que qualquer dor física.

— Desculpa por chorar... — o outro murmurou, a voz abafada, depois de certo tempo de silêncio. — Eu não devia...

— Não, você é um ser humano. — Levou uma das mãos até seus cabelos e acariciou-os gentilmente. — Você sabe que não precisa ser forte o tempo todo na minha frente. Eu...

O garoto fechou os olhos e respirou fundo.

— Eu te amo, Mirio — Tamaki confessou, baixinho, a voz embargada. Ele não fazia ideia de onde tinha tirado aquela coragem, mas repetiu: — Eu te amo. Eu só queria que você soubesse... que você não perdeu tudo. Eu estou aqui para você, e sempre estive.

Togata recuou e olhou diretamente nos olhos do garoto. Amajiki piscou, e algumas lágrimas rolaram.

— Mirio...?

— Você disse... você disse que...

O estômago de Tamaki afundou. Ele disse o que não devia. Desviou o olhar e soltou-o.

— Por favor, esqueça...

— Você pode repetir? — interrompeu-o com gentileza. As mãos de Mirio foram para seu rosto. — Diga de novo, por favor — sussurrou. Depois de alguns segundos de hesitação, o garoto disse, sentindo seu rosto avermelhar:

— Eu amo você.

Foi como se um grande peso fosse tirado de suas costas e ele se sentisse mais leve.

— Nada nunca vai substituir essas duas coisas na sua vida — continuou. Sua voz estava tão baixa que se não estivessem em um quarto totalmente silencioso, não seria ouvido. — Mas você ainda é Lemillion. Ainda é Togata Mirio. Ainda é o garoto incrível por quem eu me apaixonei.

Silêncio. Nervoso, Tamaki apertou os lençóis.

— Mirio...? Me perdoa, eu não sei se meus sentimentos valem de alguma coisa, mas...

— É claro que eles valem, bobo. — Eliminando a distância entre eles, Mirio uniu seus lábios delicadamente. Mesmo assim, uma corrente percorreu seu corpo, deixando-o com o coração acelerado. O beijo tinha o gosto salgado de lágrimas, mas tudo bem. O que ele significava era o mais importante.

Eu te amo e nunca vou te deixar. Nunca.

Depois de alguns segundos, seus lábios foram separados e Mirio abraçou seu corpo com força, enterrando o rosto em seu pescoço.

— Droga, Tamaki, se eu soubesse que você sentia o mesmo antes...

— Você sente...?

— Eu amo você. Sempre amei. — Ele aumentou o aperto, e Amajiki sentiu-se grato por não estar sendo observado, porque sabia que estava mais corado que nunca. — Eu consigo ouvir seu coração acelerado.

— Não zombe de mim — murmurou, ainda mais envergonhado.

— Nunca. — O garoto conseguia ouvir o sorriso na sua voz. — Obrigado, Tamaki. Por tudo.

Tamaki não precisou responder; apenas afundou o rosto em seus cabelos, desejando ficar daquele jeito para sempre.

►♦◄

O ar fúnebre preenchia o ambiente e penetrava os presentes como uma chuva fria.

O caixão adornado com flores permanecia ali com uma presença marcante. Tamaki mal conseguia respirar. Era como se a morte tivesse roubado todo o oxigênio do recinto, deixando a atmosfera densa e pesada. Olhou para o garoto ao seu lado, mas não sabia o que dizer; a verdade é que não havia nada a ser dito que preencheria aquele vazio definitivamente. A única coisa que podia fazer era ficar ali. 

Heróis profissionais, professores da U.A., policiais, alguns poucos civis e eles, os sete estudantes que participaram da operação contra Overhaul. Eram os que compunham o funeral de Sir Nighteye.

A mão de Mirio nunca deixou a sua, durante toda a cerimônia.

►♦◄

— Então há uma chance? — Tamaki perguntou. A brisa fria, fruto do fim do verão, bagunçava seus cabelos, fazendo-os atrapalharem sua visão.

— Talvez. Nós ainda não sabemos se Eri-chan consegue restaurar meu poder, mas ela vem apresentando progresso, e...

— A possibilidade existe, certo? — Amajiki virou para o melhor amigo — agora namorado — e sorriu. — Estou feliz por você.

— Obrigado, Tamaki. — O outro devolveu o sorriso. Os reflexos avermelhados do lusco-fusco em seus olhos e cabelos faziam-no brilhar como o próprio sol. — Você está com frio? — Mirio apertou sua mão fria. — Podemos voltar para os quartos...

Tamaki negou com a cabeça e apenas aconchegou-se contra a lateral do corpo de Togata, protegendo-se do vento cortante no telhado do alto prédio do dormitório.

— Eu não sinto frio com você aqui.

Quando seus lábios se encontraram timidamente antes que a luz se extinguisse no horizonte, o garoto sentiu-se completamente aquecido. Junto a ele, sentia-se acolhido, seguro, mas nervoso ao mesmo tempo. Pelas batidas do coração que sentia através das suas roupas, em sincronia com as suas, sabia que ele sentia o mesmo.

Aquele era o lugar onde Tamaki sentia que deveria estar: ao lado de Mirio. Ao lado do seu sol. E sabia que, dali, nunca sairia.



Verdadeiros soulmates de BNHA.
Beijos!
4 de Octubre de 2018 a las 19:51 0 Reporte Insertar 2
Fin

Conoce al autor

Tsuki Miko Escritora nas horas vagas, otaku em tempo integral. Ela/Dela ♀. **Eu escrevo majoritariamente fluffy, caso queira fanfics cheias de hot, aqui não é o seu lugar, perdão**

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~