Hipernova Seguir historia

jagutheil Julio Gutheil

Em um planeta condenado, um detetive precisa enfrentar fantasmas do seu passado e mergulhar em um mundo de luzes de xenônio, templos, sacerdotes, bordeis de luxo e a angústia do fim do mundo enquanto corre contra o tempo na caçada por um serial killer muito mais próximo do que ele poderia imaginar.


Crimen Sólo para mayores de 18.

#noir #crime #drama #investigação #ficção-científica
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Um

Hipernovas são um tipo  teórico de supernova produzido quando as estrelas incrivelmente grandes  colapsam no fim de sua vida. O núcleo da estrela colapsa diretamente em  um buraco negro, o que acaba gerando dois jatos plasmáticos extremamente  energizados de ambos os seus polos rotatórios, e estes jatos emitem  radiação gama poderosa os suficiente pra causar destruição por onde  passasse.  

Como dito, tudo isso  ainda é extremamente teórico, e, por isso, tomei algumas liberdades  narrativas que possivelmente a ciência ainda desmentirá.

***********

A luz cor de âmbar do  entardecer cobria a grande cidade que era conhecida há centenas de anos  como Mahvoc. Ela já havido recebido muitos nomes antes desse, porém a  maioria deles já fora há muito esquecida pela memória das civilizações  que se sucederam naquela terra de colinas baixas e redondas, onde a  cidade brotou como uma pequena colônia humana nas primeiras décadas da  expansão, até se tornar a metrópole de prédios gigantescos de metal e  vidro. 

           Mais uma  nave subia rumo ao espaço deixando para trás uma coluna de vapor  vermelho que parecia com uma comprida cicatriz enquanto Aly-o continuava  sentado calmamente na cobertura luxuosa de Gêlg, que um dia havia sido  seu amante. Gêlg foi mais um que fugiu para as estrelas sem nem olhar  para trás, logo depois que a notícia do inevitável fim do mundo chegou. E  quem poderia culpa-lo? Se Aly-o tivesse dois dedos de juízo dentro da  cabeça já teria partido também. 

           Mas não podia, não ainda.

           A brisa que  soprava naquela hora anunciava uma noite fria, como todas vinham sendo  nesses últimos tempos estranhos. Uma centena de andares abaixo, nas  avenidas, becos e travessas, os sacerdotes acendiam suas luzes de  xenônio verde e imploravam aos seus deuses pela purificação anunciada.   Não demoraria muito e boa parte de Mahvoc estaria dominada pelo brilho  fantasmagórico e os cantos lamurientos dos sacerdotes. 

           O  comunicador de Aly-o vibrou em seu bolso, mas não precisou olhar para  saber quem era. Resmungou e deslizou o dedo com indolência na tela fosca  e riscada. 

           "Sim, capitão?"

           "Eu já  protocolei sua dispensa há semanas" a voz do outro lado do comunicador  soava mais cansada do que irritada. "Por que você ainda não foi embora?"

           "O senhor sabe que eu não nunca deixo uma investigação pela metade."

           "Deixe de  ser teimoso homem! Que maldição, quem se importa com esse caso se todo o  sistema vai virar uma nuvem gás em poucos dias?" 

           "Eu me  importo." Talvez Aly-o tivesse soado mais desafiador do que pretendia, e  por isso sentiu uma pequena pontada de culpa. Do outro lado da linha  fez-se ouvir um suspiro pesado. "Perdoe-me capitão Hunno, mas eu  realmente me sinto na obrigação de finalizar essa investigação. O  responsável por esses assassinatos ainda pode ser julgado e punido em  Dargos ou Guanthom. Quem sabe até mesmo na própria Terra."

           "Aly-o, você  não tem noção do tamanho da papelada que isso me causaria" outro  suspiro longo soou pelo alto falante do comunicador. "Mas enfim,  continue então, pelo jeito não conseguirei dobrar essa sua maldita  teimosia. Deve ser o sangue dolmasze que você          herdou da sua  querida mãe." 

            "Provavelmente" disse Aly-o com um sorriso sem alegria nos lábios.  Ninguém no departamento de polícia de Mahvoc perdia a oportunidade de  mencionar aquilo. Onde quer que fosse, aquela parte alienígena dele o  faria um pária. "Mas eu pedi que me ligasse por outro motivo, capitão."

           "Sim, é verdade. Já iria me esquecer. O que é?"

           "Achei mais  um corpo em uma cobertura de um prédio no centro da cidade, estou  olhando para ele agora mesmo." O investigador havia voltado para dentro  da cobertura e estava diante de um cadáver com a garganta cortada de uma  orelha a outra. Havia sido um homem, parecia não ter mais do que  quarenta anos, tinha cabelos compridos e sujos e vestia uma túnica lilás  puída e cheia de manchas verdes luminescentes que brilhavam na meia luz  do ambiente. "É um dos sacerdotes dessa vez, e pela roupa parece ser um  dos superiores. Tem a boca toda manchada de verde daquela bebida de  neon que eles entornam aos litros."

           "Isso é  preocupante" a voz do capitão agora parecia mais tensa. "Se o assassino  começar a mirar nos superiores da ordem, nós teremos um problema sério,  mesmo com aquela estrela explodindo e varrendo tudo no caminho."

           "Eu sei, por isso liguei. Preciso de uma equipe forense aqui."

           "Vou revirar  o departamento e ver se alguém ainda está por aqui, mas não posso  prometer nada. Me envie o endereço. Nesse meio tempo faça você mesmo uma  varredura preliminar." A ligação foi cortada e Aly-o se viu outra vez  no silêncio daquele lugar abandonado. 

           Ele guardou o  comunicador no bolso e olhou em volta. Mais alguns minutos e a noite  cairia por completo e tudo ali cairia na escuridão completa. Não havia  energia, ele descobriu assim que chegara e nem água ou gás, os armários  estavam vazios, assim como a geladeira e a dispensa. Mas os quadros  continuavam nas paredes, e os tapetes finos no chão, os móveis caros  vindo de planetas exóticos fora das colônias humanas já tinham uma fina  camada de pó por cima. 

           Essa cena  deixava Aly-o melancólico, tudo continuava muito familiar, mas ao mesmo  tempo parecia um lugar estranho e pouco convidativo. Havia passado bons  momentos ali com Gêlg; longos banhos na piscina aquecida, jantares  elegantes feitos pelos cozinheiros da galáxia, festas com as pessoas  ricas e importantes da cidade. Mas agora restava apenas o silêncio. 

           Fora parar  ali quase por acaso. Ou era o que ele queria fazer a si mesmo acreditar.  Andava pela avenida lá embaixo quando olhou para cima e pensou ter  visto algo. Se de fato vira algo ou fora apenas uma desculpa  conveniente, não queria saber. Decidiu subir, até porque ainda trazia  consigo a chave no bolso de sua sobrecasaca.

           A escuridão  por fim caiu. Aly-o então apalpou sua cintura a procura da lanterna de  luz ultravioleta que sempre trazia consigo e do pequeno spray reagente  para revelar a presença de toxinas ou substâncias suspeitas em  cadáveres. Espirrou o reagente sobre a boca verde do morto e em seguida  pelo resto de seu corpo e ao redor dele. O clique da lanterna ecoou pela  cobertura silenciosa e no instante seguinte a luz ultravioleta brilhava  com força, empurrando as sombras para longe e criando formas esguias  pelas paredes próximas. 

           Os lábios do  morto ganharam vida, brilhavam em um verde fosforescente intenso que às  vezes mudava para um marrom escuro ou quase azul dependendo do ângulo  em que a luz os iluminava. Mas fora isso, o reagente não indicava nada  de anormal ali. Mas na túnica se viam marcas do que só poderia ser  sêmen, e no chão as marcas de sangue se espalhavam por vários metros em  todas as direções. Os olhos ganhavam um reflexo alaranjado sinistro com  aquela luz, como se fossem duas opalas de fogo flutuando no ar. Aly-o  nunca havia visto nada como aquilo. 

No que esses fanáticos andam se metendo? Isso não pode ser natural. 

Regulou  a lanterna para que a luz fizesse um círculo maior, e assim observou  melhor os respingos de sangue no chão e nas paredes, além de outros  sinais que ele não saberia dizer o que eram. Precisaria esperar pela  equipe forense. Se alguma vier.

            No limite  que a luz alcançava algo chamou a atenção de Aly-o. Ele se aproximou com  passos cautelosos, evitando as poças de sangue que começavam a coagular  e logo descobriu que era uma marca de sapato, com suas linhas  desenhadas em sangue. Um grande, tamanho 42 pelo menos, que deveria ser  de uma botina de couro sintético vendida nos bairros de comércio, do  tipo mais genérico. Quando espalhou mais a luz descobriu mais dessas  pegadas, indo na direção do banheiro. 

           O frio da  noite entrava por alguma janela aberta, junto a fio de luar cinzento que  se misturava à luz ultravioleta deixando o corredor que Aly-o  atravessava com uma atmosfera densa e angustiante. 

           O banheiro  estava entre aberto, e um brilho roxo se fazia notar por trás e por  baixo da porta. O investigador pegou sua pistola e soltou a trava.  Seguiu lentamente, quase sem respirar, olhar fixo na porta e tentando  escutar se algum ruído soava lá dentro. A cada passo ele sentia que  ouvia algo, mas nenhum som de verdade, era algo mais como um sussurro  muito baixo, em uma frequência que seu ouvido não captava, mas que ele  sabia que estava ali. 

           Empurrou a porta com o pé. Não houve nenhum som ou movimento.  

           Dois passos  firmes adiante e ele estava dentro do banheiro gelado que cheirava mal.  Dentro da larga banheira que um dia fora de Gêlg, três mulheres jaziam  mortas; nuas, com os pescoços abertos como o sacerdote, e cobertas por  tinta neon roxa. 

           No espelho enorme que ocupava uma parede inteira no lado oposto do banheiro, havia uma mensagem escrita com sangue. 


EU NÃO ME ESQUECI DE VOCÊ ALY-O. SUA HORA ESTÁ PRÓXIMA.

           

1 de Octubre de 2018 a las 13:12 3 Reporte Insertar 1
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Anne Liberton Anne Liberton
Olá! Eu venho com o Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi verificada, mas eu gostaria de fazer umas sugestões, porque achei o material excelente, e poderia ficar melhor ainda com alguns toques. 1) Lembre-se de colocar vocativo sempre entre vírgulas (Ex: Ei, homem, eu falei com você << "homem" seria o vocativo). 2) Como você usa aspas, o ideal seria colocar uma vírgula depois das aspas caso o verbo que venha em seguida seja de fala (ex: "Venha comigo", ele disse. << "Dizer" é verbo de fala, então a fala vem com vírgula). Se não for verbo de fala, pode colocar pontuação mesmo (ex: "Venha comigo." Ele sorriu para o homem. << Como "sorrir" não é verbo de fala, não tem relação com a fala, a fala do personagem vem com pontuação normal). 3) Coloque vírgulas para separar orações subordinadas de orações principais quando as subordinadas vierem antes (ex: Se você me ajudar, eu conto meu segredo. << "se você..." é a oração subordinada, que está vindo antes, portanto, vem acompanhada de vírgula). Creio que, vendo isso aí, a história fique ainda melhor. Parabéns pelo bom trabalho. Até mais!
6 de Febrero de 2019 a las 18:02

  • Anne Liberton Anne Liberton
    Also, esqueci de comentar, mas talvez facilitasse para conseguir mais leitores se você quebrasse um pouco o post em mais capítulos, porque é bastante coisa de uma vez. Creio que ficasse um pouco mais fácil. Até mais! 6 de Febrero de 2019 a las 18:04
  • Julio Gutheil Julio Gutheil
    Oi Anne!!! Muito obrigado mesmo pela verificação, isso significa muito para mim :^) e obrigado também pelas dicas, assim que eu puder consertar meu pc vou colocá-las em prática haha <3 11 de Febrero de 2019 a las 05:34
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