Ciranda do Tangará Seguir historia

linest LiNest

“Ser mãe é um presente” é o quê diz a sociedade, um sorriso em sua face e um contrato em suas mãos. |Baseado na lenda Tangará, o pássaro fandangueiro| Conto escrito para o Desafio Sitio do Pica Pau Amarelo


Drama No para niños menores de 13.

#suícidio #pirlimpimpim #lenda-brasileira #original #angst #relação-mãe-e-filho
Cuento corto
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No domingo

Notas Iniciais


Lenda usada: Tangará, o pássaro fandangueiro


Avisos: Nessa fic tem uma cena de suícidio moderadamente explicita, se isso te incomoda não leia.


Já aviso que embora tenha usado Mato Grosso do Sul e Paraná para ambientar a fic, a verdade é que nada sei sobre as cidades citadas além da pesquisa básica que fiz. Então já me desculpo antecipadamente por qualquer erro. Também essa fic é ambientada entre 1961-1963 no inicio + alguns anos depois, tecnicamente a segunda parte da fic acontece quando ocorre a ditadura, mas resolvi não entrar em detalhes. Só dou essa informação pra ajudar a imaginar o cenário.

Espero que gostem~


●〇●



Diferentemente da crença popular, nenhuma mulher nasce com o dom da maternidade. O que ensinam para as mulheres é que o papel da mãe é um dos mais importantes no mundo: “Ser mãe é um presente” é o quê diz a sociedade, um sorriso em sua face e um contrato em suas mãos.


A principal obrigação do papel feminino, para muitos, se resume à procriação e foi assim que Jucimara foi criada pela mãe, tias e primas mais velhas na vida rural São Gabriel do Oeste; acreditando que ser mãe era um sonho que ela, como mulher, deveria abraçar e caso questionasse a resposta era sempre:


Quando você for mãe, entenderá.”


Então Jucimara aprendeu a engolir suas dúvidas e seus poréns, aprendeu a imaginar como seria segurar seu bebezinho com as bonecas que a mãe, a muito custo, comprava para ela ocupar o tempo enquanto os pais trabalhavam na fazenda cuidando do sustento da família. Jucimara, como a única filha de Seu Tadeu, cresceu no privilégio de não ter que ajudar a cuidar dos porcos como seus irmãos mais velhos, pois seu pai, um homem que passou a vida lutando para ter uma situação confortável, quis para sua filha, a sua princesinha, mais do que aquilo.


"Tu vai crescer e ir pra cidade grande, filha. Ser enfermeira.” dizia, um sorriso raro no rosto marcado enquanto, sentado no velho sofá da sala, ele a assistia ler o livro barato que comprou para sua filha.


Jucimara não gostava de sangue ou mesmo queria ajudar a cuidar dos machucados dos irmãos quando um deles precisava de cuidados após um acidente na fazenda, mas a mãe sempre pedia sua ajuda e ela sempre pensava: preciso aprender para ser enfermeira, como papai diz - aprendendo a ignorar o mal estar enquanto esquentava a agulha de costura na boca do fogão.


E assim Jucimara cresceu; com bonecas e livros acadêmicos, com expectativas que não lhe pertenciam e obrigações que nunca pediu, aprendendo a engolir os protestos e a raiva.


Ela pegou o ônibus para o Paraná.





Embora Jucimara nunca tivesse desejado ir para a cidade grande, a liberdade que a mudança lhe permitiu ter era viciante.


Para uma moça criada na proteção de um lar rígido, a realidade na UFPR era como um outro universo, um universo onde algumas mulheres falavam e agiam como homens e homens, mesmo que menos comum, escutavam o que a mulher tinha para dizer, algo que no mundo de Jucimara onde o que o pai dizia era lei e a voz da mãe sempre foi abafada, nunca aconteceu. Mesmo entre seus irmão e primos existia um lugar onde ela, letrada e inteligente, se encaixava e nesse lugar nada ela tinha direito de exigir, seu gênero a separando do mundo deles e a isolando, novamente, no seu papel de mulher. Então foi inevitável para a jovem Jucimara se apaixonar pelo mundo boêmio da vida do curitibano; pelos bate-papos nas rodas literárias, pelos dias no café perto da faculdade rindo com as colegas enfermeiras e as noites no  Bar Stuart com a atenção descarada de jovens galantes. Mais do que a vida paranaense, Jucimara se apaixonou por Felipe, um dos jovens médicos da clínica onde ela fazia estágio, um bom e atencioso moço que realmente pareceu se importar com ela, não agindo com condescendência ao falar sobre sua profissão ou apenas resumindo isso a algum fetiche para as paredes do seu quarto – Felipe a tratava como uma igual mais do que outros rapazes que se consideravam tão modernos e especialmente por isso ela decidiu que aquele seria seu marido, não aceitando as dúvidas de Antônia, a melhor amiga que havia feito na cidade, a irmã que nunca teve.


“É um bom homem, Tonia.” Jucimara disse, os olhos brilhando com esperança. “Eu serei feliz com ele e meu pai se orgulhara de minha escolha.”


“Nenhum homem é perfeito, Juci. Eu escutei algumas coisas sobre Felipe que me faz questionar o quão sincero ele é com você.” respondeu a amiga, os lábios rosados apertados em uma linha fina e culpada. Jucimara fez uma careta, colocando a xícara de café na mesa.


“Diga-me o que ouviu, Tonia.”


“Não me julgue pela minha desconfiança, minha amiga, pois só lhe quero bem, mas escutei de Raul que Felipe é noivo de uma moça em Blumenau, onde vive sua família. Não sei se é verdade, mas caso essa moça exista, não há esperanças para vocês, querida.” declarou, estendendo os braços para segurar as mãos da amiga que a olhava atônita. Passou-se um segundo de silêncio antes de Jucimara reagir, com um puxar brusco, ela afastou as mãos do aperto carinhoso, olhando com raiva para a expressão surpresa de Antônia.


“Se você não sabe se essas acusações são verdade, então por que acreditar nas mesmas? E Raul, Tonia, Raul? Você sabe quão malicioso é esse homem, que tem uma língua mais comprida que uma velha Maria e os olhos mais esbugalhados que um sapo!” Jucimara cuspiu com desprezo. “Raul sempre teve inveja de Felipe, bem sabe disso.”


“Sim, eu sei, e pensei seriamente em ignorá-lo, mas também não pude negar que a possibilidade existe. Ele nunca te contou nada de casa não é, Juci?”


“Chega disso! Não irei escutar esse tipo de fofoca do homem que conheço melhor do que você, ou do que Raul.” retrucou chamando a atenção de alguns clientes ao redor, voz mais alta do que o aceitável para o ambiente familiar do café.


“Juci, se controle! Não precisa fazer uma cena por isso.” Antônia disse, a expressão fechada em uma careta enquanto remexia o chá com a pequena colher. Culpada, Jucimara pegou a mão da amiga e deu um aperto para chamar sua atenção, quando Antônia olhou para ela, disse, o tom suave e confiante:


“Sei que faz por bem, minha querida amiga, mas acredito que o bem é onde o coração de Felipe se encontra, Tonia. Confio nele. Só peço que confie em mim.”


E apesar de ainda hesitar, Antônia apertou de volta a mão de Jucimara e deu um sorriso em um acordo silencioso de trégua. Mas conselho de amiga, às vezes, é um aviso para aquilo que espreita por debaixo da imagem perfeccionista que criamos daqueles que nos cativa.





Foi após dois anos de namoro que Jucimara desconfiou de uma possível gravidez. Os enjoos e a falta de sangramento a assustaram, mas junto com isso nasceu a esperança de um sonho, desde sempre lapidado em sua consciência, ter sido realizado. Foi com olhos lacrimejantes que Jucimara, trêmula – por terror ou excitação, não soube dizer – contou para Felipe da sua dúvida. Com o anúncio o homem a olhou em choque.


“Eu… Amor, eu não…” Felipe se silenciou, levando a mão à boca e desviando o olhar do dela. O sorriso já difícil de manter no rosto foi diminuindo conforme o desconforto óbvio de Felipe era notado por Jucimara, ela assistiu o rapaz andar de um lado para o outro praguejando baixinho.


“Felipe?” Jucimara chamou, tentando esconder o pânico queimando em seu peito. “Felipe, o quê foi? Eu… Eu achei que você ficaria feliz. Você sempre quis uma criança, não é?”


“Eu… Eu, sim. Sim, claro! É só que…” Felipe engoliu em seco, passando a mão no cabelo diligentemente penteado, tirando alguns fios do lugar dando um sorriso que nada fez para acalmar Jucimara. “Foi tão repentino e só estou surpreso, meu bem, é tudo.”


Mesmo não acreditando totalmente no namorado, Jucimara sorriu e tocou na barriga, engolindo as milhares de perguntas que nunca fez dizendo ao invés disso: “Agora poderemos nos casar, viver juntos e fazer uma família aqui na cidade, como sempre falamos que faríamos.”


Felipe sorriu amarelo e desviou o olhar novamente, nada dizendo sobre a afirmação da mulher que dizia amar e rapidamente achou uma desculpa para fugir do pequeno apartamento de Jucimara.


“Tenho uma reunião com o doutor chefe da clínica, querida.” disse, dando um beijo na testa dela. “E talvez demore, sabe como é essas coisas, então não me espere hoje. Amanhã nos falamos, tudo bem?”


Não, não estava tudo bem, mas ela sussurrou que sim e Felipe se foi, deixando uma devastada Jucimara para trás.


Não foi surpresa então quando, quatro meses depois, Felipe foi transferido para um hospital em Santa Catarina, seu estado natal, e cortou todo contato com Jucimara e seus conhecidos. Ele sempre havia planejado deixa-lá, a moça percebeu, absorvendo a verdade com os olhos secos, o coração quebrado e a barriga já começando a aparecer. O sonho agora um prenúncio de desgraça conforme o tempo passava.


Antônia, sua querida e fiel amiga, a ajudou no que podia, mas nenhuma delas era de família abastada e Jucimara não tinha dinheiro suficiente para viver sozinha com uma criança em Curitiba, então ela se viu obrigada a voltar para a casa dos pais na pequena São Gabriel do Oeste. Desonrada e com uma boca a mais para alimentar.





Ninguém falava diretamente em sua face, mas Jucimara sabia da decepção que ela era para a família. Dos cochichos das primas, a maioria delas casadas e bem estabelecidas na cidade, e dos olhares dos moradores.


“Jucimara, a enfermeirinha. Aquela quem os pais se mataram pra criar e voltou de bucho cheio, mas sem anel no dedo.” diziam as más línguas, rindo do infortúnio que sempre era engraçado quando na vida do outro.


Seu Tadeu não olhava ou mesmo falava com a filha, ignorando sua existência assim como ignorava as formigas que pisava no chão. A mãe, Dona Carla, chorava toda a noite e cuidava da filha grávida em um misto de alegria e pena.


“Quem vai cuidar de ti, Mara? Ah quem vai?” perguntava, o olhar nublado já imaginando o destino da filha após sua morte. No mundo de Dona Carla só um homem podia ser a salvação de uma mulher.


Assim pensava seu pai também.


Foi apenas depois de dois meses desde que Jucimara voltou para casa que Seu Tadeu abriu a boca para falar com ela, a voz fria e o olhar preso no jornal, anunciou:


“Achei um homem pra ti.”


Jucimara sentiu o ar escapar dos pulmões e apertou as mãos no colo, esperando não ter ficado tão pálida quanto se sentiu – não que temesse o pai perceber, ele não a olhava mais e não se importaria se tivesse enxergado sua apreensão.


“Um homem trabalhador, sobrinho de um amigo meu. Tem uma pequena lavoura de soja e uma casa confortável, seu nome é Pedro e ele é mais velho, mas não é como se tivéssemos o luxo de escolher diante da tua… Condição.”


E era isso. Um casamento.


O ultimato para sair da casa daquele homem que chamava de pai.


A transferência de responsabilidade para o homem que chamaria de marido.


Jucimara engoliu o choro e aceitou.


Seu casamento foi em janeiro, um domingo de chuva.


Um mês depois seu filho nasceu em um domingo ameno de fevereiro.


E com cansaço que Jucimara aceitou o bêbe, seu choro tão alto que ela sentiu que a cabeça estouraria. Jucimara olhou para a pequena coisinha de aparência amassada em seu colo e sentiu alívio. Acabou, pensou, esperando agora poder voltar a viver.





Ser mãe, diferentemente da crença popular, não era algo inerente da mulher. Jucimara aprendeu com dificuldade que as bonecas de sua infância nada havia lhe servido para a realidade da maternidade. No primeiro momento era tudo feito com muito cuidado, graças ao seu treinamento como enfermeira, Jucimara conseguiu passar os primeiros anos sem muita dificuldade. Pedro, seu marido, não a ajudava, mas o homem era paciente com os choros e necessidades do bebê, deixando que Jucimara tivesse um quarto separado do dele apesar das responsabilidades que uma recém casada tinha para com o homem que a desposou, mas Pedro não a procurava como um homem procura uma mulher e por isso ela era grata. Ela nunca mais viu o pai depois do casamento, mas quis agradecer pela boa escolha que havia feito, intencionalmente ou não.


Foi após o primeiro ano que começou a aventura.


Bento era uma criança enérgica, não houve dúvidas – o garoto havia nascido com pulmões fortes e a parteira, uma amiga distante de sua mãe, havia brincado, ignorante ao desconforto de Jucimara, que aquele era o sinal de um menino arteiro. Bem, a mulher não estava errada, para o descontentamento de Jucimara.


“Bento, venha já pra cá!” era o que ela mais repetia naquela casa, a raiva aumentando com o som dos pequenos pés molhados no linóleo da sala, risos e gritinhos acompanhando a corrida do pequeno.


Com um suspiro cansado, Jucimara se sentou no sofá, o rosto vermelho escondido na toalha. Ela só queria desistir de tudo e partir, mas então escutou passos hesitantes se aproximando, o quack da pele molhada no chão, e pequenas mãozinhas segurando sua saia.


“Mami?” chamou a voz infantil com preocupação e Jucimara se forçou a olhar os olhos marrom café - herança de seu pai - e sorrir, apesar de tudo.


“Oi neném.”


Bento era um garoto enérgico, sim, mas muito doce também.


A vida foi, por alguns anos, tranquila. Pedro, mesmo ausente, era um bom pai e marido, não deixando nada faltar na vida deles. Bento crescia saudável, com cinco anos já sendo um garoto forte, embora de gênio difícil.


“Que menino malcriado!” comentavam na cidade e na igreja, mas Jucimara há muito aprendera a ignorar e criava o filho do jeito que bem lhe dizia, desistindo de podar as asas de Bento.


Mas havia uma regra da qual ela sempre insistiu que o menino seguisse após a primeira vez que o pegou fazendo:


“Não dance na semana santa, Bentinho, pois é pecado.”


Jucimara duvidava que o filho entendesse completamente o conceito de pecado, mas ela esperava que com a ameaça de ser amaldiçoado por Deus, aquele pintado de forma tão terrível nos domingos de igreja, fosse ser o suficiente para assustar a criança.


Mas não foi.


No dia quinze de abril, o segundo dia da semana santa, Bento, com doze anos, desapareceu no mato. Ninguém realmente sabia o que havia acontecido, afinal o garoto sempre ia e voltava da escola pela estradinha de pedra, muito distante da área mais arborizada da cidade, mas a mochila carteiro do menino havia sido encontrada encostada na árvore na entrada da mata. Para o desespero de Jucimara, a roupa do filho foi encontrada mais à frente.


Ninguém nunca achou o assassino.





Como uma mãe deixa o filho solto desse jeito?” questionou a sociedade, dedos apontados e olhares julgadores. Fazia vinte anos desde que Jucimara perdera seu Bento e ainda assim comentavam.


Irresponsável. Degenerada. Louca.


Todos os adjetivos seguindo o nome de Jucimara agora e a mulher aprendeu a abstrair, se focando em cuidar da casa para o marido de fachada, a única companhia em sua vida sendo os cães e o pequeno tangará que sempre a visitava, pululando pela casa enquanto cantava. O pássaro havia aparecido logo após o enterro de Bento – o caixão sem corpo foi o principal assunto na cidade por um bom tempo – e desde então, para a irritação de Jucimara, nunca mais havia parado de a importunar.


“Será que nem a natureza quer me dar paz?” questionou, olhando o pequeno pássaro dançarino. Se sentiu boba então por estar falando com um animal e nada mais falou para o pássaro.


Com o passar do tempo Jucimara estava cada vez mais exausta mentalmente, já não mais saia na rua, pagando um menino para lhe fazer compras, e tudo o que fazia da vida era cuidar daquela moradia, vivendo em um ciclo sem fim de pensamentos amargos. Havia vezes também em que Jucimara se pegava temendo o que a própria solidão faria para preencher o vazio, a fazendo escutar o som da voz de Bento no canto do tangará.


Ela só quis que tudo parasse.


Foi desejando isso que, com cansaço, Jucimara se levantou aquela manhã de semana santa, décimo quinto dia de abril, e preparou o café e os ovos de Pedro; varreu a casa, retirou as roupas do varal e alimentou os cães.


Ela saiu, após quatro anos, de casa com a bolsa apertada no peito, andando pelo caminho de pedra; não olhando para ninguém, a louca Jucimara silenciosamente se distanciou da rua principal ignorando as perguntas dos poucos que acharam seu comportamento preocupante, mas logo desistiram ao não obter respostas, a deixando seguir seu rumo.


Não foi até Jucimara desviar o caminho da estrada de pedra para a trilha de terra que o tangará apareceu, seu tinido alto e desesperado, mas dessa vez Jucimara não olhou para ele enquanto, quase em transe, entrava na mata. O pobre tangará desesperadamente sobrevoou em círculos, assistindo impotente a mulher tirar a corda da bolsa e a jogar em um galho alto, puxando para que o nó já pronto se fechasse firmemente; Jucimara puxou a corda com força duas vezes, para garantir antes de se afastar e ir atrás da árvore. O tangará, agora pulando de galho em galho, assistiu a mulher sair detrás da árvore com uma cadeira e, em pânico, soltou um assobio assustado.


“Quieto maldito pássaro!” Jucimara gritou, olhando para cima com ódio. Há muito quis que aquela criatura a deixasse em paz, mas mesmo em sua morte Deus a punia. É o que mereço, pensou, o cansaço voltando a substituir a raiva e fazendo Jucimara se sentir vazia.


Logo tudo acabaria, lembrou a si mesma enquanto subia na cadeira que posicionou abaixo da corda. Com calma concentrada, Jucimara envolveu a corda ao redor do pescoço ignorando os barulhos incessantes do tangará, com cuidado verificou a firmeza da corda e olhou para o galho para ter certeza que era forte o bastante. Satisfeita, Jucimara respirou fundo, fechando os olhos e permitindo a mente a ficar em branco.


Nada escutou, nada viu e, com um suspiro de alívio, pulou.





No topo da árvore, todo décimo quinto dia de abril, um tangará cantava, o som soluçante, muito diferente do canto alegre típico daquele pássaro.


Nenhuma criança nunca o seguiu.


●〇●


Notas Finais


Ok, quem aqui além de mim que matar a autora desse desgraçamento todo? Porque apoio 100%

Srsly nem eu sei como eu sobrevivi escrevendo isso aqui, especialmente pq sou uma filhinha de mamãe lol então me coração quebrou no final, mas mais do que isso meu coração doeu com tudo o que a Jucimara passou. Oh bem, infelizmente foi necessário já que o tangará nasceu da desgraça, então né.

Espero de verdade que tenha conseguido ambientar decentemente, como não sei NADA de ambas as cidades e estados não arrisquei entrar em detalhes (até porque nem dava) mas uma curiosidade é que o Bar Stuart é um botequo construido em 1960 e um dos antigos bares boêmios de Curitiba, ao menos em minha pesquisa, então citei ele justamente pra ajudar a datar a fic lol


Enfim, é isso, espero que tenham gostado

Comentários e criticas construtivas são sempre bem vindos

See ya~☆

24 de Septiembre de 2018 a las 02:58 5 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

LiNest Meu nome é Aline, também conhecida como Linest e eu estou realmente feliz por poder compartilhar meu trabalho com tanta gente agora!!! Você só precisa saber 3 fatos sobre mim: Amo Angst. Sou Nerd. Sou Army.

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Olá! Primeiro de tudo, queremos nos desculpar pelo atraso no comentário e garantir que faremos o possível para que isso não se repita. Achamos interessante o fato como você trouxe para a história citações problema que acontecem na vida de muitas mulheres, como a traição e o abandono ao descobrir uma gravidez indesejada. Você mostrou toda a dificuldade pela qual Jucimara teve que passar para ter e criar o filho e mostrou bem todo o amor que ela sentia pelo filho. Isso foi algo lindo na sua história e que nos chamou muita a atenção, com certeza algo que mostra a qualidade da sua escrita no geral. A sua ambientação foi boa e você trabalhou bem a sua lenda, mas ela ficou um pouco secundária, principalmente no início, mas, ainda assim, foi algo bem gostoso de se ler. O drama da história foi bem conduzido, não houve perda do tom, você mantém uma linha muito sóbria de desenvolvimento que prende o leitor do começo ao fim. Parabéns por ter cumprido e desafio e obrigada por compartilhar a sua história com a gente. Até a próxima <3
22 de Febrero de 2019 a las 14:57
E C E C
A vida de Jucimara retrata exatamente como a sociedade trata uma mulher. Desde o inicio, aquilo que o pai esperava dela - sei bem como é rsrs - mandar estudar fora para ter a melhor educação. Depois quando voltou com um "problema", o pai deu um jeito de se livrar desse "peso". Daí quando aconteceu a tragédia com o Bento, que ficou parecendo onça, porque é comum da região, a culparam né. Eu gostei desse caminhar na história, porque mesmo não sendo um angst, o drama tá no ponto. Faz o leitor compreender o porquê Tangará nasceu, faz aceitar melhor a dor dela. Mesmo conhecendo a cidade do interior, não conhecia a história e fiquei contente com isso. Só uma coisinha que preciso ressaltar, porque sou de Curitiba e acho que vale contar algo sobre. Eu acredito na pesquisa, mas infelizmente a parte dela ter voz na faculdade e tudo mais... Isso não acontece nem hoje. Curitiba é extremamente machista e as pessoas são despreocupadas com o próximo, então é meio que um équivoco ali. Achei é muito interessante ;)
25 de Septiembre de 2018 a las 21:04

  • LiNest LiNest
    Poisé, quis retratar bem como exatamente nossa sociedade trata a mulher e quão hipocrita realmente é, tentei transmitir o sufocamento das expectativas e quão descartavél a mulher se torna quando não consegue alcançar e ser perfeita naquilo que esperam delas sabe? Triste, mas é a vida que levamos. Então, sobre a mulher ter "voz", acho que deixei muito subentendido, mas nunca tentei fazer de Curitiba uma utopia da igualdade de gênero, especialmente na época que retrato a história, a parte onde digo "mulheres que falavam e agiam como homens" é mais pra ilustrar que as mulheres tinham, até certo ponto, liberdade para expressar suas opiniões, ao menos mais do que no interior do Mato Grosso do Sul, tanto que uso "algumas" para mostrar que não era a maioria, o mesmo é válido sobre os homens a "escutarem", digo no texto que isso é uma raridade, tanto que o que fez Jucimara se encantar com Felipe foi que ele pareceu REALMENTE querer ouvi-la diferentemente de outros rapazes que não se importavam com sua profissão e só queria a fetichizar. Talvez eu não tenha passado muito bem isso no texto, mas toda a "liberdade" de Jucimara na UFPR era frágil, um conto de fadas fadado ao fracasso. Muito obrigada por comentar <3 26 de Septiembre de 2018 a las 03:15
Anne P. Anne P.
Gente, não sei o que me deixou mais triste: a morte de Juci, o Bento se transformando em tangará ou o mito em si. Gostei da forma como desenvolveu Lucimara, uma mulher cheia de sonhos, enganada por um cafajeste, que mesmo não querendo ser mãe fico extremamente triste com o sumiço do filho. Da pra sentir a evolução da personagem como ela passou pela infância, a ida pra faculdade até se tornar mãe. Mas infelizmente é muito triste seu final :'( Beijos ❤
25 de Septiembre de 2018 a las 13:26

  • LiNest LiNest
    Awn sweet fico feliz que vc tenha gostado. Sim, infelizmente nada na vida da Jucimara foi exatamente feliz, mas pelo menos fico satisfeita que tenha conseguido passar a evolução da personagem apesar de todo o desgraçamento. Muito obrigada por comentar <3 25 de Septiembre de 2018 a las 20:09
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