Feliz Para Sempre Seguir historia

spidercristina Natalle Cristina

‘’E Yarasu? Como terminou?’’ Desta vez a anciã riu, sincera. ‘’Como icamiaba, óbvio’’ A curumim ao fundo também riu, corrigindo-se; ‘’Ela foi feliz?’’ ‘’Como o homem-branco gosta de dizer; feliz para sempre’’ (Escrita para o desafio ''Sítio do Pica-Pau Amarelo''


Cuento Todo público.

#desafio-inks-2018 #sitio-do-picapau-amarelo #pirlimpimpim
Cuento corto
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Feliz Para Sempre.

Notas;

One escrita para o desafio do inks sobre folclore brasileiro.

Eu escolhi um mito o qual eu mesmo nunca tinha ouvido falar 'Icamiabas''

É basicamente a versão brasileira das Amazonas.

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No centro da roda de crianças, de curumins, a velha anciã acomoda-se apoiada no seu cajado tão velho quando a dona, sorriu doce para as crianças.

De olhos puxadas, cega de um, mal enxergava os pequenos e travessos índios, mas sabia que estavam ali.

Seus cabelos alvos como as nuvens que um dia tivera o prazer de ver, longos como lianas* antigas em árvores antigas, tocavam o chão de terra.

Puxou o ar com certa dificuldade, dada a idade avançada e então sua voz soou;

‘’ Desta vez, contarei algo diferente. Uma lenda, uma história, um relato. Ai daquele que me interromper’’

Sua face torna-se severa, até mesmo assustadora, mas então novamente estava sorrindo.

‘’ É a história da filha do cacique Tucuradá, um líder que viveu luas atrás. Conta-se que a garota tinha atingido a mocidade quando acontecerá.

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Jaci* presenteava a tribo com sua luz, os grajaú* recolhidos em seus aity* davam lugar no céu para os andirá*.

Yarasu, acompanhou aliviada, a entrada de homens familiares na clareira de entrada da tribo.

De sorriso cativante a menina saiu da oca e correu em direção ao pai.

O homem, mesmo ferido, acolheu-a em seus braços.

Yarasu, suspirou.

Aquele abraço não encaixava, nunca o fazia.

Houve um brando, e então outros o acompanharam.

Lanças, tacapes* e arcos foram erguidos.

Yarasu, foi abraçada mais forte.

Seu desconforto cresceu, mas sorriu.

Com aquilo, ela soube que haviam vencido a guerra.

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‘’ Houve festa, por três dias e três noites, e quando jaci dava lugar a kûara, o cacique pediu atenção.’’

As crianças se entreolharam, apreendidas pelo tom misterioso da anciã.

‘’Todo guerreiro, mulher e curumim parou e deu ao chefe o que ele queria’’

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O anúncio chocou a Yarasu.

Seus olhos, realçados pela faixa vermelha, dobraram de tamanho.

Seu pai, seu cacique olhou para ela como pesar e desviou o olhar.

Queria protestar.

Muito.

Todavia conhecia seu lugar, mesmo que não o aprovasse, sabia o que poderia acontecer se abrisse a boca.

Uma anciã ao seu lado, sorri expondo seus dentes amarelos, a falta deles melhor dizendo.

‘’Sente-se honrada, não é?’’

A voz da senhora venho risonha, Yarasu sorriu forçado e concorda, engolindo em seco.

‘’Eu também me sentiria assim, afinal não é todo dia que uma índia é selecionada para firmar a paz, por meio de uma união’’

Yarasu, nada disse, como sempre.

Seu olhar se voltou para a sombra que era produzida pela grande fogueira no centro da tribo.

Tombou a cabeça de lado, encarando o crepitar das chamas.

Um sorriso estranho se formou em seus lábios.

--------

‘’O dia então deu lugar a pytuna*, e Yarasu, tinha consigo apenas uma trouxa com poucos mantimentos, um arco e uma pequena adaga quando saiu de sua oca’’

Uma criança ao fundo levantou a mão, mas a velha não viu, e se viu ignorou continuando a lenda.

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Haviam, dois, três guerreiras em ronda.

Yarasu, clamou a Tupã que passasse despercebida pelos guerreiras.

Sua bênção foi concedida, passou sem dificuldades pelos homens, mas deu de cara com a anciã do dia da festa na saída da clareira.

A velha, com um cajado em mãos e sorriso blague parecia espera-la.

‘’Yarasu’’

A garota, permaneceu em sua mudez, encarando o chão envergonhada por ter sido pega em fuga.

‘’Reza a lenda’’

A senhora começou, calma, tocando o ombro da menina e a guiando para dentro da mata, para fora da clareira.

‘’Que mulheres, que fogem de seus futuros companheiros, tem um bênção ou uma maldição’’.

A garota direcionou a mulher mais velha, um olhar confuso.

A velha riu rouca.

‘’Dizem que quando acontece de moças fugirem de seus maridos, ou são pegas por Caipora* e transformadas em onça ou se tornam icamiabas*’’

A face da menina apavorada pela ideia de virar uma onça pelas mãos de Caipora, fez a mais velha gargalhar baixinho.

‘’Não se preocupe, apenas as que já são casadas são pegas por ele’’

Yarasu, soltou um suspirou aliviado.

‘’Você, certamente será icamiaba’’

‘’Como sabe?’’

A voz de Yarasu, que era rara de ser ouvida, saiu num sussurro fanho.

‘’Apenas sei minha querida’’

A velha parou e Yarasu fez o mesmo.

‘’Vamos, continue’’

Incitou, apontando a mata com seu cajado, dando um sorriso desdentado para a mais jovem.

‘’As grandes senhoras não vão esperar por muito tempo’’

‘’Como vou achá-las?’’

‘’Não vai. Elas o farão’’

A garota concordou.

Yarasu andou, sumindo na penumbra da noite.

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Outra vez a criança voltou a erguer a mão.

A anciã suspirou, pedido para que falasse.

‘’Yarasu se tornou uma icamiaba?’’

A velha anciã riu, não respondeu.

Continuou a história.

--------

Por sete dias e seis noites Yarasu, vagou perdida pela mata.

Quando kûara dava o ar de sua graça, ela caçava e colhia frutos.

Quando jaci a iluminava, dormia nas árvores altas e finas, longe de perigos.

Quando chovia, escondia-se em fissuras na terra.

Quando kûara a queimava, fazia então companhia aos peixes no rio.

Certo dia então, Yarasu, andava tranquilamente, ainda perdida, quando fora cercada.

Suas mãos num movimento rápido chegaram a sua pequena adaga esculpida numa pedra lisa.

Sua surpresa, ao notar que quem a cercavam eram apenas mulheres, foi grande.

‘’Icamiaba’’

Não sabendo como se portar, prostrou-se de joelho e de cabeça baixa, quando uma voz firme chamou seu nome;

‘’Yarasu, filha de Tacuradá, da tribo de Pacau*, coloque-se de pé’’

Seu olhar se voltou a dona da voz.

A mulher, pouco mais velha que se, segurava uma lança enfeitada com penas coloridas e sorria para a índia mais nova.

Ficando de pé, Yarasu ainda não sabia o que fazer, ainda se sentia ameaçada.

Mas então todas as outras índias lhe sorriram.

‘’Bem vinda a casa, irmã’’

Yarasu, sorriu.

E pela primeira vez, sentiu-se realmente acolhida, quando a icamiaba mais velha lhe abraçou.

Estava realmente em casa.

-------

‘’E o pai dela? Não foi atrás?’’

A criança ao fundo voltou a questionar.

‘’Não. Tacuradá, caiu em desgraça, amaldiçoado pelos deuses por usar seu bem mais precioso como moeda de troca’’

A velha respondeu.

‘’E Yarasu? Como terminou?’’

Desta vez a anciã riu, sincera.

‘’Como icamiaba, óbvio’’

A curumim ao fundo também riu, corrigindo-se;

‘’Ela foi feliz?’’

‘’Como o homem-branco gosta de dizer; feliz para sempre’’



13 de Septiembre de 2018 a las 00:33 15 Reporte Insertar 7
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Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela: 1)Falta de vírgula e uso incorreto de ponto e vírgula em "dada a idade avançada e então sua voz soou;" em vez de "dada a idade avançada, e então sua voz soou:". Falta de ponto na primeira fala. Falta de vírgula em "recolhidos em seu aity davam" em vez de "recolhidos em seu aity, davam". Vírgula indevida em "Yarasu, acompanhou aliviada, a entrada" em vez de "Yarasu acompanhou aliviada a entrada"; "Yarasu, suspirou" em vez de "Yarasu suspirou"; "Yarasu, foi abraçada" em vez de "Yarasu foi abraçada"; "Houve festa, por três dias e três noites, e quando" em vez de "Houve festa por três dias e três noites e quando"; "Uma anciã ao seu lado, sorri" em vez de "Uma anciã ao seu lado sorri"; "firmar a paz, por meio" em vez de "firmar a paz por meio"; "Yarasu, nada disse" em vez de "Yarasu nada disse"; "e Yarasu, tinha conseguido" em vez de "e Yarasu, tinha conseguido". Falta de vírgula em "De sorriso cativante a menina" em vez de "De sorriso cativante, a menina". Falta de vírgula em "Seu pai, seu cacique olhou" em vez de "Seu pai, seu cacique, olhou"; "a falta deles melhor dizendo" em vez de "a falta deles, melhor dizendo" 2)Durante sua possível revisão, escolher apenas um tempo verbal para a história, já que a narração possui verbos no presente e também no pretérito, como "acomoda-se" e "enxergava". 3)Palavra grafada incorretamente em "tão velho quando" em vez de "quanto". Verbo no futuro quando devia ser pretérito-mais-que-perfeito em "quando acontecerá" em vez de "quando acontecera"; "como pesar" em vez de "com pesar". Os erros acima são apenas exemplos, há alguns outros de natureza similar. Aconselho que procure por um beta reader; é sempre muito bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que podemos melhorar e no que acertamos, assim como ajudar-nos com a gramática e ortografia. Caso se interesse, esse serviço também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Quanto à história, tenho que dizer que fiquei encantada com a forma que a construiu e como interligou os personagens, pareceu a mim bastante natural, na verdade, principalmente por causa das voltas no tempo. Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história que farei uma nova verificação.
27 de Febrero de 2019 a las 18:35
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Primeiro de tudo, queremos nos desculpar pelo atraso no comentário e garantir que faremos o possível para que isso não se repita. Você foi uma das pessoas que trouxe para nós da embaixada uma lenda nova como base. Não fazíamos ideia de que existiam amazonas no nosso folclore e foi muito legal descobrir isso. Você nos trouxe a história de uma índia que para fugir de um casamento que ela não queria fugiu para a floresta e acabou virando uma Icamiaba, mas de uma forma convencional. Ter colocado a anciã contando isso para as crianças foi algo muito interessante e ver como elas ficaram animadas com o fim da história foi muito legal. Essa não é uma daquelas lendas que te dá medo de fazer o que você deseja, mas sim te encoraja e isso é muito legal. Apesar de ser uma história curta, você desenvolveu bem a sua lenda e ambientalizou bem toda a história. A leitura flui sem problemas e foi algo gostoso de ler. Sugerimos que você dê uma revisada mais minuciosa na história, pois ela tem alguns erros de pontuação e concordância, mas não é nada que atrapalhe a leitura. Parabéns por ter cumprido e desafio e obrigada por compartilhar a sua história com a gente. Até a próxima! <3
22 de Febrero de 2019 a las 11:18
Anne P. Anne P.
Gostei como a anciã fala de Yarazu, faz parecer que ela era a anciã que a ajudou a partir, se bem que eu realmente acho que foi ela kkkk, me senti como os indiozinhos sentada no chão escutando a anciã conta a história enquanto lia e eu ri tanto quando ela falou do homens brancos kkkk. História maravilhosa, autora ta de parabéns ❤
25 de Septiembre de 2018 a las 13:59

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Sera? Não sei, quem sabe? Ninguém. Então tenho uma curumim lendo minha estoria é? Ui, que privilegio kkk, obrigada moça 25 de Septiembre de 2018 a las 16:37
LiNest LiNest
Ok, esse conto realmente me encantou, adorei a forma como vc contou ela através de uma anciã, imaginei ela e os curumins sentados ouvindo e confesso que isso deu uma sensação tão boa, pois me lembrou quando, pequena, eu sentava perto das pernas de minha avó e escutava as histórias dela, isso só tornou tudo mais especial. Nunca havia ouvido falar da lenda das Icamiabas tmb, mas agora que sei só imagino várias aventuras kkkkk eu sempre admiro mulheres fortes e imaginar um grupo de índias independentes só me deixa mais feliz. Enfim, adorei o conto. Ótimo trabalho, parabéns <3
24 de Septiembre de 2018 a las 20:02

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Ain, que bom! Uau, não pensei que pudesse vir a acontecer algo do tipo, realmente estou surpresa, mas lisonjeada em faze-la se lembrar das historias de sua avó. Muito obrigada! 25 de Septiembre de 2018 a las 16:34
Annie Hyeshi Annie Hyeshi
Adorei! Foi muito interessante ver uma anciã contando a história e, no decorrer dela, ter as cenas do que realmente aconteceu. Meus parabéns! <3
19 de Septiembre de 2018 a las 13:59

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Foi bem dificil fazer isso sem ficar estranho, quer dizer, não dificil, só que o ''como fazer'' não tinha me vindo a cabeça ainda, mas no fim deu tudo certo. Que bom que gostou 25 de Septiembre de 2018 a las 16:32
Crytter Crytter
Adorei a história! Nunca tinha ouvido falar dessa lenda, achei maravilhoso, e a ideia de estar sendo contada dentro da própria tribo é maravilhoso! E realmente qualquer pai deveria ser amaldiçoado por usar sua filha como moeda de troca!
19 de Septiembre de 2018 a las 10:26

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Eu também não acredita? Eu escrevi muitas ones pro desafio, sobre inúmeros contos conhecidos, mas nenhuma me agradou, no fim dei de cara cm as ''Grandes Senhoras'' e me apaixonei pela historia, escrevi e quase casei com essa one! Mas, que bom que gostou, me agrada muito. 25 de Septiembre de 2018 a las 16:30
  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    E confesso; Tacuradá não teve nem fala na one, mas a gente cria ranço assim mesmo 25 de Septiembre de 2018 a las 16:34
Corporação Masrani Corporação Masrani
Oi, amei sua história... Contexto súper bem desenvolvido em tudo! Só queria lhe lembrar que na descrição você deve colocar o nome da lenda ou ser que quer escrever, pois se não você é desclassificada!
14 de Septiembre de 2018 a las 15:53

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Olá! Que bom que gostou, não foi facil, não viu? E bem... Está nas notas, acho que você não viu, mas obrigada assim mesmo 25 de Septiembre de 2018 a las 16:29
Nathalia Souza Nathalia Souza
Eu amei! Ao acompanhar a breve, mas intrigante jornada Yarasu, apeguei-me demais a ela e a senhora maravilhosa que contou a lenda para todos. Sua escrita me maravilhou, demais. Beijos!
13 de Septiembre de 2018 a las 14:19

  • Natalle Cristina Natalle Cristina
    Muito obrigada! Não foi facil chegar nesse resultado rs, devo ter escrito algumas milhares de vezes, mas fico feliz que tenha gostado do produto final! 25 de Septiembre de 2018 a las 16:28
~

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