Apaixonados e anônimos Seguir historia

e
eder Wilker


Conta a história de quatro amigos que vivem em um cidade do interior, até que um decide postar suas histórias e romances em um blog secreto. O problema é que nem todas as histórias podem ser compartilhadas.


LGBT+ No para niños menores de 13.

#gay #adolescente #amigos #bissexual #lésbica #258
0
4687 VISITAS
En progreso - Nuevo capítulo Todos los miércoles
tiempo de lectura
AA Compartir

Santo Ágato

Acordar já me estressa. Morar na minha cidade é absolutamente ainda mais estressante. Digamos que os dezoito mil habitantes expressem mais que o seu próprio nome... Santo Ágato. Imagina a quantidade de beatas. Ter que aturar todos olhando seu estilo, sua roupa, seu cabelo, seus dentes, sua vida, corrói meus nervos. E se sentir um peixe fora d'água, já é comum.

Meu nome é Breno. Tenho dezoito anos, dois meses, oito horas, três minutos e cinco, agora seis segundos. Sou o típico nerd, mas não uso óculos e nem aparelho. Não tenho cara de bobinho e sou daqueles que na escola sentava no fundão para bagunçar, porém, tirava as melhores notas. Não tenho um trabalho remunerado, porém, meu sonho é ser um escritor, e me esforço muito para isso. Se minha mãe, Ruth, cooperasse, as coisas poderiam ser menos difíceis. Não sou um menino de chamar muita atenção no quesito beleza. Mas também, não sou de se jogar fora.

Sou moreno claro, meu corpo não é nem muito e nem pouco, digamos que normal, e meu cabelo é uma metamorfose. Já foi verde, azul, roxo, amarelo, vermelho, loiro, e agora está preto. É liso e uso franja. Você deve ter pensado, “ele é emo”, mas sinceramente, não ligo. Aqui na minha cidade todos me chamam assim em pleno 2018. Pra reforçar essa teoria, tenho um piercing no meio da boca. Namoro a Shay. Ela é basicamente da mesma altura que eu. É um pouco "magrinha" demais, mas é do tipo que eu gosto... E não estou falando de aparência, falo do comportamento mesmo. Como resistir a uma skatista, loira com californianas azul bebê e um par de alargador oito milímetros. Você deve estar se perguntando o porquê dela namorar comigo. Eu me faço essa mesma pergunta há três anos, desde quando ela nem sabia o que era all star, e eu tive que ensiná-la. Muitos me dizem que ela é a garota dos sonhos de qualquer um, às vezes me pergunto se mesmo com tantas qualidades que eu amo, ela realmente faz parte dos meus.

Tenho três melhores amigos. A Ana, que é do tipo rock'n roll fatal. Sabe aquele tipo de roqueira que combina camiseta do Cazuza com salto alto? É ela. Morena do cabelo longo e liso, chega a parecer uma índia. As pernas dela fazem qualquer um babar, independente de ser homem, mulher ou meio termo - afinal, ela é bissexual assumida desde os quinze anos. Dos olhos negros, tanto na cor quanto na maquiagem, ela seduz qualquer um com o seu olhar. Na sentença "vou beber até cair" o sujeito é ela.

O Enzo, no tipo... no tipo... como eu posso descrever? Sabe aquele menino que todas as meninas se apaixonam e quando criam coragem pra se declarar descobrem que ele é gay? Então. É ele. Loiro com mechas brancas, e branco tipo leite, tem um estilo mauricinho-rockeiro-básico e é metido. Ele é o mais velho da gente. Deve ter sido o primeiro Enzo de todos os milhões de “Enzos” existentes na atualidade. A natação fez bem ao seu corpo. Ele é um tanto preconceituoso e isso é uma grande contradição, vindo de uma classe que sofre tanto com isso. Brigamos quase sempre devido seus preconceitos. Mas ninguém é perfeito e todos podem mudar e eu acredito em sua mudança. Apesar de gay, ele não é afeminado. Talvez isso o faça ser meio heteronormativo. Às vezes o acho mais macho que eu mesmo, assumo.

E, por último, a Raissa. Ela é escorpiana, e talvez seu signo fale mais que qualquer descrição que eu possa dar. Abusa da sua beleza e do seu cabelo longo castanho-claro. Ela conquista, usa - em todos os sentidos - e depois destrói o coração de mocinhas indefesas. Fidelidade não é sua maior qualidade, talvez o mais forte dos seus defeitos. Que ela é lésbica, nem preciso falar né?

Agora talvez vocês me perguntem o porquê dos meus amigos serem adeptos de um estilo de vida 'alternativo', do qual eu não faço parte. No começo, foi por ser excluído igualmente a eles, e hoje, é porque acima de qualquer defeito dado por mim ou pela própria sociedade, eu os amo. E eles estão comigo para tudo. As qualidades superam qualquer coisa. Um dia eu vi em algum lugar que, a minoria geralmente assusta a sociedade, e por isso, ela acaba por repeli-la. Então decidi contar a todos, como essa 'minoria' se tornou numa 'minoria' um pouco maior.

Senti meu celular vibrando.

- Alô?
- Oi, Breno, é a Raissa. Vem em casa? Queria falar com você.
- Vou aí.
O que separa a minha casa da dela é a rua. Não sei por que ela não atravessa a rua pra falar comigo, realmente a preguiça domina.
- Raissa.
- ENTRA!
Ela e o Enzo estavam tomando sol na beira da piscina.
- Oi, Enzo.
- Oi, Breno.
- O que vocês querem comigo?
- Vocês, não! A Raissa.
- Fala, Raissa.
- Senta aí - sentei. Sabe a Helô?


Pra vocês não se perderem na história, Helô é irmã da Ana. Batalhadora, ela viaja todo dia para estudar em outra cidade, por ser a única escola na região a ter ballet e aula de dança. Ela é morena, com um corpo perfeito e hipnotiza qualquer um quando começa a dançar. Cabelos pretos e um pouco mais curto que o da Ana. Até onde eu sabia, ela era heterossexual e namorava um menino da cidade que ela estuda.


- Sei... o que tem ela?
- Me apaixonei por ela.
- O que? Você é doida Raissa? A menina é hetero!
- Não, não. Ontem eu fui numa apresentação dela com a Ana, e depois, no coquetel. Ela começou a jogar indiretas pra mim, não pude resistir. Peguei o número do celular dela e liguei depois. Passamos a madrugada conversando. Sábado a gente fica.
- Você é doida Raissa? A Ana vai te matar!
- Primeiro, para de me chamar de doida. Segundo, a Ana não vai saber, porque vocês não vão contar. É nosso segredo. OK, Enzo?
- Ok.
- OK, Breno?
- A Ana vai matar a gente quando descobrir.
- Ela não vai descobrir.
- E se descobrir?
- A culpa vai ser só minha. E aí?
- Tá, eu não vou contar.
- Isso aí.
- Já vou embora.
- Por quê?
- Tô terminando um capítulo do livro.
- Ah sim, passa aqui à noite.
- Passo sim. Aonde vamos?
- Para Lua.
- Tá - risos. Tchau, Enzo.
- Tchau, Breno.


Não disfarcei o choque com o qual saí de lá. Minha amiga vai ficar com a irmã “hetero” da minha outra amiga, e eu tenho que fingir que não sei de nada. Nessa história, não sei quem tem mais cara-de-pau.

Anoiteceu. Saí pra passar na casa da Raissa, e a Ana já estava lá na frente.


- Amei sua camisa dos Strokes, Ana.
- Valeu, Breno.
- Pra onde vamos?
- Estou esperando o Enzo e a Raissa sair pra gente decidir. A Shay não vai?
- Não, ela está doente.
- O que ela tem?

- Sei lá. – rimos.

- Seria essa minha meta de relacionamento? – rimos mais ainda.

Enzo e Raissa saíram da casa.

- Eae galera, vamos pra night?
- Vamos, Raissa. – disse Ana.


Passamos na conveniência e compramos dezesseis litros de vinho e quatro maços de cigarro. Fomos beber numa praça.


- Vamos beber isso tudo, Raissa?
- Claro, Enzo. Quatro litros para cada um. Fizemos a conta certinha.
- Ah, sim... E um maço de cigarros pra cada um?
- Esperto esse menino.


Depois dos meus primeiros dois litros, eu já nem lembrava quem era. Só sei que a Ana estava em cima da estátua da praça. E a cidade foi batizada com o nome de Santo Ágato, por causa daquela estátua.


- Me dá um beijo, Ágato?
- Para de ser boba, Ana. – Enzo falava atônito.
- Mas fala, Enzo, ele não é gatinho?
- Não Ana, isso é uma estátua velha de um homem velho e religioso.
- Upa, cavalinho!
- Desce daí, Ana.
- Deixa meu cavalinho. Ele não é lindo?

CA TIM BUM.
Só ouvi um estrondo.


- O que foi isso?
- A Ana derrubou a estátua!
- Jesus!
- CORRE CORRE CORRE!
- Levanta a Ana.
- CORRE!


Parecia uma cavalaria passando pela rua. Paramos umas dez quadras para baixo da praça.


- Ai, tô morto. Não estou conseguindo respirar.
- Calma... respira, Enzo.
- E você, Ana? – perguntei.
- Você tá bem, Ana? – Raissa também estava preocupada.
- Só um pouco arranhadinha, mas tá tudo bem. E o Ágato, o que a gente faz, Raissa?
- Nada. Ninguém precisa saber que foi você. Pacto?
- PACTO! - todos falaram juntos.


Fomos para outra praça, terminar de beber os 7 litros que restavam. E após beber tudo fui embora carregado pelo Enzo e pela Raissa, que me deixaram na minha calçada. Dormi por lá mesmo.

...


Chuáá.


- Aiiii! Quem jogou água????!!
- Só assim pra você acordar. Acha bonito dormir bêbado, na calçada de casa moleque?
- Calma mãe, eu não estava bêbado. Só com preguiça de entrar.
- Não estava bêbado? Entre agora ou vou jogar todas suas roupas no meio da rua.
- Já entendi. Já estou entrando.


Enquanto me secava, ouvi a vizinha conversando com minha mãe.


- Mas Ruth, acredita que a Sônia derrubou o Santo Ágato?
- Ela é louca?
- Estão dizendo que enlouqueceu depois da morte do marido.
- Sabia que iriam acontecer isso. Meu Deus e agora?
- E agora, que ela perdeu o emprego e talvez vá perder a guarda da filha.
- Nossa, nisso que dá usar drogas, uma mulher daquela idade, devia se dar ao respeito.


Entrei correndo e liguei pra Ana para contar.


- Ana?
- Oi.
- Que voz é essa?
- Ressaca!
- Lembra o que você fez ontem?
- Aham, o que tem?
- Uma mulher chamada Sônia levou a culpa, parece que ela estava drogada e a culparam.
- E???
- Você vai deixar uma pessoa inocente levar sua culpa?
- Inocente? Se ela estava lá drogada, ela não é tão inocente assim.
- Mesmo assim, ela perdeu o emprego e vai perder a guarda da filha.
- E? Você fez uma promessa, não vai querer quebrar, né?
- Não. Não vou.
- Você sabe que meu pai me mataria se descobrisse.
- Eu sei.
- Então promete que não vai falar nada? - Silêncio. Promete?
- Prometo.
- Agora posso voltar a dormir?
- Pode.
- Depois eu vou aí, quando acordar.
- Tá.


Ela estava tão interessada nela mesmo que nem percebeu minha frieza em concordar com esse absurdo. Meu pensamento foi atrapalhado por um beijo no pescoço.


- Oi, amor.
- Oi, Shay.
- Por que você está com essa cara?
- Nada.
- Nada?
- Problemas da Ana.
- Huummmm.
- Vamos deitar um pouco?
- Vamos.


Acordei com o barulho do interfone e estava sozinho. Shay havia ido embora e minha mãe saído. Quando atendi era a Raissa, só coloquei a cabeça na janela e gritei.


- Oi.
- Sai daí, Breno.

- Vou nada.

- Anda.

- Nãããão.

- Bora logo. Tenho que te contar uma coisa.
- Tá, Raissa.


Ela sabia que eu era curioso e usava isso contra mim. Vesti uma roupa e saí.


- Oi, Raissa?
- A cidade inteira tá dizendo que a Sônia quebrou a estátua.
- Eu sei.
- E a Ana me contou que você ligou pra ela.
- E?
- Eu não acredito que você pensou em quebrar nosso pacto por causa de uma louca qualquer.
- Louca, porém um ser humano.
- Sabe por que você nunca vai conseguir nada?
- Não.
- Por que você é bonzinho demais e na vida, às vezes, é preciso ser um pouco malvado pra conseguir o que quer, sabia?
- Eu não penso assim.
- Então fica com a sua bondade e soca ela no rabo. Vamos ver até onde vai chegar com ela.


Ela virou as costas e saiu. Comecei a chorar desesperadamente, e corri pro meu quarto.

Minha mãe quis saber o que havia acontecido.


- O que foi Breno?
- A Raissa falou que eu nunca vou conseguir nada.
- Graças a Deus, alguém que pensa como eu. Ouve ela... Que nem esse sonho de escrever livro. Desiste.

- Sai do meu quarto!
- Eu que mando nessa casa e não vou sair. E você tem que encarar os fatos. Você acha que é fácil ser escritor? Você não escreve nem cartas!
- Você já leu alguma coisa que escrevo? - o choro já atropelava minhas palavras. Já leu?
- Nunca li e nunca vou ler, porque não tenho paciência... - eu chorava desesperadamente. - Agora vá dormir e pense melhor na sua vida.
Ela saiu do quarto e então sussurrei.
- Eu já sei, e sempre soube.


5 de Septiembre de 2018 a las 14:45 0 Reporte Insertar 0
Continuará… Nuevo capítulo Todos los miércoles.

Conoce al autor

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~