Inverno Seguir historia

nayliras Nayra Lira

Uma jovem determinada e que se ve um dia em meio a novas experiências, onde poderá se conhecer e entender que nunca se pode controlar os caminhos do destino


Cuento Sólo para mayores de 18.

#258 #teen #conto
Cuento corto
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I

Fazia dias que o silêncio era tudo o que preenchia meus dias, eu sabia que nada me satisfazia e que ninguém poderia dizer palavras boas o suficiente para fazer com que mudasse algo em mim. Ao longo dos dia me comprometia com a organização da casa, já que meus pais passavam a maior parte do dia trabalhando e eu estou de férias e não tinha absolutamente nada para fazer. Minha melhor distração era ouvir música alta enquanto cozinhava algo ou limpava tudo. O lado bom de ser filha única era nunca ter que me preocupar em dividir nada e não ter alguém me enchendo o saco. Mas também fazia com que tudo caísse nas minhas costas, filha de jornalistas, era difícil estarem os dois em casa por muito tempo, mas era bom quando precisava fazer alguma viagem, eu sempre ia junto e isso me proporcionou conhecer muitos lugares no mundo com apenas 22 anos.

Às vezes, as tardes eram massates então eu costumava fazer uma caminhada pelo quarteirão, observar as pessoas e as vitrines das lojas até chegar numa pracinha que vendia o melhor churros da cidade, esse era meu momento preferido principalmente quando o tempo estava mais frio, e como estávamos no começo do inverno eu estava saindo quase todos os dias, as calçadas de Vitória sempre cheias de pessoas caminhando de um lado para o outro com suas caras estranhas e passos apressados, foi quando meus olhos focaram em dois olhinhos redondos e brilhantes, eu parei tão abruptamente que a pessoa que vinha atrás soltou um palavrão ao esbarrar em mim e derrubar algumas sacolas de compras, ajudei ela a recolher as coisas, não ajudou a mudar seu olhar de julgamento (as pessoas aqui realmente não eram muito simpáticas quando se tratava de perder tempo).

Depois de pedir mais uma vez desculpa enquanto a mulher mau humorada ia embora, voltei minha atenção para o que me distraiu, seus olhos estavam ainda atentos a mim, me abaixei para chegar mais perto da gaiola, seu minúsculo rabinho fazia uma curva para cima de seu corpo e balançou freneticamente quando coloquei minha mão para que ele cheirasse, ele tinha um pêlo curto cor de marfim e sua cara escura fazia dele o animalzinho mais fofo que eu já tinha visto. Eu já havia passado centenas de vezes por essa petshop porém nunca havia chamado minha atenção antes a presença de animais, eu era muito observadora então certamente essa era a primeira vez que havia um animal ali, me questionei como eles podiam colocar aquele serzinho tão minúsculo naquele frio, então decidi entrar na loja para questionar.

-Boa tarde! -disse tentando parecer simpática assim que fechei a porta atrás de mim.

-Boa tarde! -disse a mulher atrás do balcão abrindo um sorriso cheio de dente demais pra mim. Tentei não revirar os olhos.

-Gostaria de saber porque aquele cachorro está do lado de fora. -falei tentando não parecer grosseira, o que não deve ter funcionado pelo fato da cara da mulher passar de um sorriso largo para uma expressão de desdém.

-Eu só recebo ordens. -ela disse desconfiada.

-Entendo, mas duvido muito que seja lucrativo para seu chefe ter um animal doente para vender. -ela me encarou por alguns segundos antes de abrir a boca e fechar novamente, soltando um suspiro de impaciência. -Eu posso falar com o dono da loja? -digo antes que ela pense em uma resposta.

-Ele não está, mas eu vou colocar o cachorro pra dentro -ela disse passando por mim.

Enquanto ela ia buscar o cachorro, me perguntei porque só existia ele ali, e uma pontada no meu coração fez pensar em como ele deveria ficar solitário aqui dentro, provavelmente com poucos cuidados, o que me deu uma imensa vontade de chamar alguma ONG protetora de animais.

-O que está acontecendo aqui? -uma voz grossa me tirou dos meus pensamentos. Virei para notar um homem baixinho e gordinho com uma camisa de botões meio aberta. Ele parecia ter acabado de acordar e cheirava a cigarro. Tentei não tossir com a corrente de fumaça que ele trouxe com ele e me concentrar no que me motivou a estar ali, apesar de agora estar com um pouco de medo de falar alguma coisa.

-Boa tarde, meu nome é Marcela. -disse estendendo a mão para que nos cumprimentassemos, ele apertou minha mão com força até demais e em seguida fez uma cara interrogativa.

-Em que posso ajudar?

-Estava passando pela frente da sua loja e vi que o cachorrinho estava do lado de fora sozinho e está fazendo frio, então vim avisar…

-Você pretende comprar? -ele disse com ar de desafio.

-Na verdade não…. Mas…

-Então não se meta! -disse ele me interrompendo enquanto chegava mais perto de mim. Foi quando a mulher voltou trazendo o cachorro e ele a fuzilou com os olhos. -Coloque já esse bicho lá! -seu tom de voz ficou mais alto.

Eu não sabia se teria chances contra aqueles dois, mas com certeza eu sabia alguém que teria e eu não iria permitir que maltratassem aquele minúsculo ser.

                                   II

Minha cara deve ter demonstrado minha raiva, pois os dois me encararam enquanto eu os fuzilava com os olhos e saia bufando pela porta da loja, mas se eles pensavam que eu ia desistir estavam muito enganados. Eu ia voltar nem que fosse com a polícia, e apesar de considerar a possibilidade de comprar o cachorrinho só para salvá-lo, sabia que era preciso mais do que isso para evitar que outro animal fosse tratado daquele jeito. Nos poucos minutos em que estive naquela espelunca pude notar que era mal cuidada e que provavelmente havia animais na parte interna.

Eu estava furiosa, andando apressada e pisando com força, sem notar uma alma na minha frente. Enquanto caminhava de volta para casa peguei o telefone e disquei o número do meu pai, eram quase cinco horas e ele devia estar desocupado (pelo menos era o que o meu coração desesperado desejava), ele não atendeu de primeira, o que me fez sentir um aperto enorme no peito, aquele cachorrinho podia morrer!!!!!! Liguei mais duas vezes, certamente ele não estava com o celular, eu não era de insistir e combinamos desde sempre que ligar assim somente em casos importantes. E esse era um, mas ele não atendia. Pensei em ligar para minha mãe, mas ela não saberia tão bem quanto meu pai sobre como proceder nessa situação.

Só percebi que estava sem ar quando uma pessoa esbarrou em mim me fazendo voltar a atenção ao presente, meus pensamentos frenéticos me fizeram andar em modo automático e estava a um quarteirão de casa, o senhor simpático se desculpou e percebi seu olhar de preocupação quando eu inspirei fundo.

Depois de garantir que estava bem ele seguiu o seu caminho e eu pude seguir o meu, estava atordoada e sem sinal do meu pai.

Assim que entrei em casa percebi que o carro do meu pai estava em casa e então pude me sentir um pouco mais aliviada, entrei apressada e gritei por ele até encontrá-lo na cozinha tomando café, ele se virou para mim com um olhar curioso

-Preciso da sua ajuda! -minha voz saiu aguda demais, talvez por estar ser ar ainda

-O que está acontecendo Marcela? -seus olhos castanhos estavam levemente espremidos.

-Preciso salvar a vida do cachorrinho que vi num petshop próximo à praça central -disse gesticulando. Ele apenas me observou, certamente esperando que eu continuasse, então contei tudo o que aconteceu e esperei por uma resposta. E como eu esperava ele se propôs a ir até lá comigo.

Entramos no carro e seguimos até lá, para não perder tanto tempo, já era quase seis da tarde e o tempo estava cada vez mais frio e eu n fazia ideia de até que horas eles ficariam abertos, cruzei os dedos para que ainda estivessem lá. Meu pai chegou em cinco minutos e por sorte ainda estava aberto. Respiramos fundo antes de descer, sei que não é um hábito se envolverem coisas como essa ainda mais eu, mas não conseguiria conviver com o fardo da possível morte do animalzinho. Caminhamos até a loja e ao entrar na frente do meu pai, senti o olhar assustado e em seguida entediado da mulher loira atrás do balcão. Eu sabia que ela provavelmente via mais coisas aqui do que eu poderia supor e isso seria uma ótima forma de argumento para acabar com essa loja.

-Onde está o dono?! -disse ao parar em frente a ela. Ela apenas suspirou e fez um sinal com a cabeça apontando a porta de onde o homem saiu mais cedo.

Caminhei até lá e bati algumas vezes até que ele finalmente aparecesse, deixando escapar um cheiro ainda mais forte de cigarro e bebidas. Ele não parecia surpreso com a minha presença lá, mas por um momento senti um arrepio de medo (e se ele for capaz de matar eu e meu pai por estarmos nos metendo?), afastei o pensamento.

                                     III

Eu sentia minha pulsação acelerada, sob aqueles olhos vermelhos quando as palavras não se formavam na minha mente

-Onde está o cachorro? -a voz grave do meu pai rompeu o silêncio que se formou.

Era meio tenso essa situação acontecer assim, do nada. Sabia que não podia ser por nada. Então se eu decidi naquela tarde de terça-feira sair de casa e andar pela calçada que eu nunca passo, olhar para lojas que nunca olho e ele estar lá, talvez era por alguma razão. Talvez eu não devesse temer.

-Onde colocou ele?! -minha voz saiu rasgada.

O homem pegou um cigarro do bolso e colocou entre os lábios, o seu bigode era tão espesso que quase cobria o buraco do nariz (talvez por isso ele não sentisse o cheiro do cigarro). Seu olhar embriagado e sua falta de pressa me pareciam propositais, então me virei para a mulher, que mais uma vez só apontou para a sala. Em um rompante de coragem empurrei o homem e entrei para a sala, que parecia um mausoléu. Uma mesa pequena com uma luminária apontada para pilhas de papéis, havia gaiolas por toda parte, algumas vazias outras com animais, o cheiro forte de fumaça e álcool se misturava ao cheiro dos animais, e ao ver aquilo meu coração se apertou

-Quem você pensa que é para se meter comigo?! -disse o homem agarrando meu braço e me empurrando para fora. Mas eu finquei os pés no chão, ele não ia me impedir de salvar aqueles animais.

Logo meu pai estava atrás de mim, arrancando o homem de cima de mim, ele era duas vezes a altura do pobre homem redondo e muito mais forte, logo segurou-o em uma chave de braço impedindo que ele reagisse

-Liga agora pra polícia! -a voz do meu pai era clara e calma. Eu nunca o vi perdendo a cabeça.

Meus dedos tremiam enquanto eu tentava achar os números, olhei para fora mas a mulher já não estava mais na loja (obviamente ela não queria ser presa também). Eu mal tinha forças para descrever como aquela situação estava me fazendo mal, pareceu infinito o tempo enquanto ouvia o telefone chamar, quando atenderam demorei um pouco para explicar a situação, estava com a cabeça a mil e ver o homem se debatendo nos braços do meu pai me deixava mais aflita, a mulher na chamada disse que logo chegaria uma viatura. E eu senti todo o meu sangue sumir.

Nem nos meus sonhos mais criativos eu poderia supor que algo desse tipo pudesse acontecer, parecia que mais cedo ou mais tarde eu acordaria e nada disso seria real, fiz questão de me beliscar algumas vezes para ver que tudo não passava de um sonho (ou melhor, um pesadelo). Enquanto meu pai mantinha o homem parado eu vistoriei sua roupa para ver se tinha alguma arma, que por sorte não tinha, pelo menos não com ele. A sala tinha apenas uma janela, mas ela não abria e era de vidro fumê (me perguntei como ele conseguia ficar naquele lugar extremamente quente e fedorento), precisei usar a lanterna do celular para poder ver onde estava pisando. O homem não parava de falar palavras extremamente ofensivas, mas isso não me ofenderia jamais. Vasculhei alguns papéis e vi que ele tinha vendas em alto valor, diversas raças de animais, e até mesmo animais proibidos de vender.

Eu estava assustada e com medo de procurar pelo pobre cachorrinho, medo também de ver animais feridos ou coisas muito chocantes. Eu sabia que ficaria com aquelas imagens na memória para sempre, mas precisava encontrá-lo. O barulho dos animais, agora em alerta não ajudava a minha mente a se concentrar, enquanto o homem também gritava e meu pai descrevia os crimes e as penas que ele teria que enfrentar pela frente, além do cheiro desagradável e o calor quase insuportável.

                                    IV

Respirando fundo segui de gaiola em gaiola olhando cada focinho, havia poucos mas duvido que eram bem cuidados, aparentemente limpas as gaiolas, mesmo assim os olhos assustados dos animais me partiam o coração. Demorei até encontrar finalmente aquele pelo qual meus olhos tinham sido atraídos na tarde de hoje, ele estava encolhido no fundo da gaiola, enquanto os demais demonstravam excessivamente seu desejo de sair dali. Aproximei meu rosto e estalei os dedos, ele me encarou como se estivesse em dúvida se confiava ou não em mim (nesse momento me identifiquei ainda mais com ele, eu assim como ele tinha medo de confiar nas pessoas), aproximei mais a não e ele esticou o focinho para me cheirar, foi nesse momento que percebi que ele me reconheceu. Seu corpo relaxou e um abano de rabo frenético se iniciou, mesmo no escuro, mesmo com aquele cheiro todo misturado, ele me reconheceu. Logo o peguei em meus braços e ouvi o carro da polícia parar na frente da loja.

Já era mais de sete horas e a confusão estava se instalando, quando os policiais entraram meu pai levou o homem até eles e começou a contar o que tava acontecendo, ele sabia que o crime por maltratar animais e vender animais silvestres era grave, apesar de achar que ele não ficaria muito tempo preso (se é que fosse), apesar das provas do que ele fazia. Meu pai que tinha muitos contatos tratou de ligar para uma ONG que aceitou ficar com os animais, eram 5 cachorros e algumas aves.

-Pai, vou dar o valor que usaria para comprar esse cachorrinho para a ONG. -disse mostrando a bolinha peluda que estava nos meus braços. Ele apenas assentiu, o que me fez sentir mais segura sobre minha decisão.

Demoramos mais de uma hora indo até a delegacia, descrevendo o que vimos e tudo, o que me deixou exausta. Apesar de tudo, eu não larguei mais o pobre cachorrinho. Quando finalmente saímos da delegacia, com a certeza da prisão do homem e o recolhimento dos outros animais, eu e meu pai soltamos um suspiro denso. A noite estava cada vez mais fria e eu me peguei pensando em quantos ani.animais não estariam agora nesse frio, como esse que agora está seguro entre meus braços. Meu pai me encarou por alguns segundos antes de formular uma frase, ele parecia inseguro sobre o que dizer

-Estou orgulhoso de você. -sua voz era tranquila mas ao mesmo tempo carregada de emoção, em seus olhos redondos podia ver um brilho intenso, ele passou a mão pelo meu rosto e senti que tinha feito a coisa certa pela primeira vez, sentindo crescer em meu peito a sensação de confiança. Sabia que depois daquele dia eu seria uma pessoa melhor e mais corajosa. Apenas sorri, e agradeci enquanto ele ligava o carro para finalmente irmos para nossa casa.

                                    V

Assim que desci do carro senti meu corpo completamente dolorido, parecia que eu tinha feito muitas horas de academia, tanto que meus músculos até estavam se contraindo involuntariamente. Mas é claro que havia valido completamente a pena tudo isso.

Assim que entramos na sala minha mãe deu um pulo do sofá

-O que aconteceu! -sua voz era aguda, os olhos verdes arregalados ao nos ver destruídos. -Onde vocês estavam? Eu liguei diversas vezes! Olha pra vocês, sujos e fedendo… -ela pausou e apontou para nós de cima a baixo.

Eu estava segurando o pobre cachorrinho nas costas, não querendo causar um impacto a princípio. Eu nem tinha conversado direito com meu pai sobre isso, porque sabia que minha mãe seria a pessoa a ser convencida, apesar de saber que ela aceitaria devido às condições.

-Se havia alguma dúvida que ela era sua filha foram definitivamente sanadas! -meu pai disse soltando uma gargalhada e indo abraçar minha mãe, que colocou a mão em seu peito impedindo que se aproximasse.

-Do que está falando? E nem ouse, eu estou muito bem banhada! -ela disse fazendo um bico para um beijo rápido.

-Mãe… Precisamos falar sobre uma coisa… -eu não sabia bem por onde começar então estendi as mãos mostrando a bolinha de pelos cor de marfim, que estava escondendo, para ela.

Vi que ela entendeu ainda menos o que estava acontecendo e que provavelmente estava tentando criar um enredo para tudo isso, mas desistiu quando levantou um dedo como se quisesse perguntar algo

-Espero que seja uma boa explicação.

Minha mãe sabia o trabalho que dava cuidar de um animal, apesar de nunca ter tido em toda sua vida, por sempre morar em condomínios que não permitiam e também por não ser muito fã. Eu tinha parado de insistir de ter um animal depois que entrei na universidade, fazer arquitetura e urbanismo me mantinha focada em algo e diminuía um pouco a solidão já que eu não tinha muito tempo livre no fim das contas. As rápidas férias acabavam sendo um momento esperado de descanso e despreocupação (pelo menos na maior parte do tempo).

Depois de contarmos toda a história para minha mãe, e meu pai focar em sua agilidade (eu tentei não enfatizar que o homem era gordo e certamente sem nenhuma flexibilidade para reagir a alguém o dobro dele, para deixá-lo satisfeito), não pude deixar de rir da forma que ele contava como tinha feito tudo e ver as feições da minha mãe prestando atenção e corando ao imaginar seu herói. Era como estar vendo um filme, com uma perspectiva um pouco engraçada e estranha da minha própria vida. Minha família apesar de ser completamente independente, era muito unida. Meus pais sempre demonstravam que a paixão de adolescência ainda ardia em seus corações (às vezes até demais), e me fazia imaginar o momento em que seria eu a viver algo como aquilo. Tínhamos o costume de sempre jantar juntos, como o único ritual sagrado que jamais poderíamos abrir mão, era quando sentávamos e conversávamos sobre nosso dia.

-Agora que sabe que foi por uma razão incrível, eu vou poder ficar com ele? -disse abrindo um sorriso largo de anjo, para ajudar a convencer.

-Claro que pode! Mas então, quando vocês vão na ONG? -disse ela com um sorriso.

-O quanto antes, quero dar o dinheiro e ver como estão os outros, o papai disse que conhece o dono

-Ele disse que o dinheiro será muito bem vindo, mas que prefere ração! -ele disse dando um sorriso largo.

Eu nunca tinha ido em uma ONG e me senti mal por isso, talvez eu devesse conhecer mais esse tipo de trabalho. Apesar de ser longe, pelo menos em um final de semana uma ajuda poderia ser bem vinda, iria perguntar sobre isso quando fosse lá.

-Muito bem, agora que está tudo resolvido, e eu espero que aquele homem pague pelas coisas que fez. É hora de vocês tomarem um banho! E comerem algo, o cachorrinho deve estar faminto. Não sei o que ele comeria… Ele é tão pequeno… -ela disse pegando ele nas mãos e levantando para olhar melhor para ele. Pela sua cara, ela estava pensando sobre o que fazer.

-Eu acho que podemos dar um pouco de leite pra ele por hoje e amanhã compramos algumas coisas que ele vai precisar -meu pai se levantou e acariciou a cabeça do minúsculo ser. -Agora eu vou tomar banho! -disse e foi em direção as escadas.

-Marcela -disse minha mãe me entregando o cachorrinho, sua voz era suave e seus olhos estavam fixos nos meus. -Eu estou orgulhosa pelo que você fez, você foi muito corajosa e eu fico feliz que seja essa pessoa. Espero que ele seja uma boa companhia, estava na hora de você ter algo para te fazer companhia! -a voz suave da minha mãe tocou meu coração. Abri meus braços e a envolvi em um abraço apertado (e ela sequer reclamou deu estar suja).

Subimos então as escadas e eu pude enfim estar no meu quarto. Coloquei a bolinha de pelos no chão e o observei enquanto ele caminhava pelo chão, cheirando e vasculhando as minhas coisas, eu sei que não seria fácil ter um cachorrinho, ainda mais sem nenhuma experiência, mas com certeza amor não iria faltar para ele aqui nessa casa. E ele precisava de um nome!!

3 de Septiembre de 2018 a las 01:09 0 Reporte Insertar 0
Continuará…

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