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nonna.ayanny Nonna Costa

Algumas histórias que provam que nem toda falta realmente causa um problema, para quem convive e para quem a tem, muitas vezes é apenas uma questão de como tratam essa falta, por assim dizer, de perspectiva.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#contos #naruto #sasunaru #universoalternativo #Deficiências
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Conto 1 - Elas Não Fazem Falta - parte 1

Sasuke parou no meio da calçada embaixo de uma árvore que lhe oferecia sombra, sentindo seus braços queimarem de tanto que empurrou as rodas de sua cadeira, e respirou fundo. Passou o braço pela testa para enxugar o suor e fitou o seu relógio de pulso. Meio dia e quinze e nem estava na metade do caminho para sua casa. Maldito momento que perdeu o ônibus. O próximo adaptado só passaria às duas da tarde, só que Sasuke nem tinha dinheiro e nem condições físicas de esperar.

Tomou um gole de água enquanto esperava seus braços pararem de queimar e fitou a rua lotada de pessoas indo e vindo como se ele nem estivesse ali, claramente exausto. O mundo sendo o mundo, nada de novo sob o sol. Respirou fundo ao fitar os quarteirões intermináveis de calçadas irregulares, ajustou suas luvas de couro em suas mãos, colocou seus fones de volta nos ouvidos com sua atual música favorita tocando e sebo nos cotovelos.

Murmurava alguns trechos que aprendera enquanto desviava de pessoas mal educadas e de buracos absurdos nas calçadas. Em dado momento, Sasuke deparou-se com uma ladeira. Ao passo que colocava seus óculos escuros e abria um sorriso faceiro, repetiu a música em seu MP4 - obviamente que ele, um cadeirante, jamais andaria com um celular. Estava cansado de trabalhar para pagar as parcelas dos aparelhos levados por ladrões filhos da puta. - e empurrou sua cadeira. Nem viu que um adolescente lhe filmava descer a ladeira em alta velocidade, para um cadeirante.

Quem disse que a vida tinha que ser chata só por que não tinha mais as pernas? Este discurso de vítima não cola com Sasuke Uchiha. Ele não reclama por seus direitos de cadeirante, se querem saber, porque prefere sua vida difícil e sem comodismo do que todo o resto facilitado. Não que seja a favor das injustiças, mas não tinha saco para lutar contra ela no âmbito político. Sasuke não era um ser de palavras,mas de ações, então não se espante se vê-lo sorrindo abertamente enquanto sua cadeira desafia os próprios limites ao manter a velocidade alcançada na ladeira por alguns quarteirões. Medo de ser atropelado? Não tinha, mas isso não significava imprudência.

Usou suas mãos para fazer uma curva e grunhiu de dor ao sentir a pele do dedo queimar por causa do atrito do metal, mas sustentou a posição até que a cadeira desacelerasse e terminasse a curva sem maiores problemas. Enquanto seguia pela calçada, na velocidade normal, ele lambia e chupava seu dedo ferido, porém ainda sorria pela breve aventura. Sasuke sempre amou descer ladeiras e nem mesmo acidente que lhe tirou as pernas conseguiu lhe tirar tal prazer particular. Na verdade, ter rodas lhe foram um “motivo” há mais para descê-las.

Entrou rapidamente numa farmácia e comprou curativos para seus dedos cortados, principalmente os coitados dos polegares, além de uma garrafa de água,pois a sua acabou. Foi logo embora porque percebeu que as atendentes se incomodaram com sua presença. Talvez achassem que ele iria bater com a cadeira em algum prateleira e talvez, também, devesse ter feito aquilo, só para que tivessem um motivo real de incômodo e preocupação.

Uma vez lhe ofereceram próteses para as pernas, disseram que sua vida seria mais fácil se as usasse, mas… Sasuke ri disso até hoje. Deixaria de ter transporte para andar a pé para os cantos? Logo depois de ter se apaixonado pela adrenalina de descer ladeiras numa cadeira de rodas ou de passear em rodovias com sua cadeira motorizada? Sasuke perdeu as pernas, e provavelmente o juízo também, não sua vontade de viver sem medo.

Deu suas próteses para um amigo que tinha na academia e também era cadeirante. Os dois tinham corpos parecidos, então serviu bem. Seu irmão quase lhe comeu vivo por isso, mas depois de ver que na realidade as pernas de Sasuke eram as rodas de sua cadeira, entendeu que retirá-las seria o mesmo que aleijá-lo de novo.

Parou diante de um prédio bem alto, desses empresariais que se encontra facilmente em Wall Street, deu de ombros e entrou pelas portas automáticas. Seguiu para o saguão e ficou lá, no costumeiro canto perto de um vaso grande de plantas, esperando. Há quase 5 anos fazia aquele trajeto ao sair do trabalho e ficava naquele cantinho, longe de transtornos, esperando pacientemente enquanto ouvia música ou tirava um cochilo, pois a fome sempre lhe dava sono. Nesta tarde, acabou dormindo.

A recepcionista, aliás, uma delas suspirou encantada ao vê-lo ali, quieto, ressonando baixo e com as mãos caídas sobre o colo, exibindo seus dedos cheios de curativos. Provavelmente ele teve que tomar o caminho da ladeira para chegar na hora, ela pensou enquanto enviava um email para o seu chefe, a fim de avisar que sua carona chegara. Queria achar alguém que se dedicasse tanto assim quanto o deficiente o fazia para o seu “eterno namorado”.

Falando nele, Naruto terminava de revisar os últimos relatórios da sua transportadora quando recebeu o email de aviso. Nem precisou dizer coisa alguma para seus assistentes: o gritinho de emoção que soltou de dentro de sua sala foi sinal o suficiente para que todos entendessem que estava de saída, pois a prioridade chegara. Naruto saiu da sala meio afobado, apareceu por trás de uma de suas secretárias para aproveitar o espelho dela para saber se não estava tão mal assim da aparência, agradeceu com um sorriso e seguiu para os elevadores. Mal continha o sorriso.

Seus dias favoritos, fora o fim de semana e os feriados, eram as sextas e as terças, pois eram os dias em que Sasuke vinha lhe buscar para almoçar. Exceto em casos de emergências, os dois cumpriam com aquela missão semanal religiosamente, pois se viam por pouco tempo ao longo da semana, haja vista o trabalho de Naruto. Ser empresário de uma transportadora não é fácil, mas Naruto dava o jeito dele para estar com Sasuke o máximo que podia.

Quando as portas se abriram, seus olhos se arregalaram ao ver o cadeirante estacionado no lugar de sempre, porém cochilando. Saiu correndo como sempre fazia, provocando risos nas recepcionistas, e se lançou sobre o colo de Sasuke, despertando-o no susto assim. Os dois se encararam: Naruto ria divertido por causa do semblante de espanto do outro, enquanto este não sabia se dava um soco naquela cara que tanto amava ou se beijava até seus lábios caírem. Optou por não fazer nada, exceto empurrar as rodas com suas mãos para saírem do prédio.

—Está suado, teme. - Naruto comentou ao sair do colo alheio depois de perceber que o pescoço de Sasuke estava um pouco pegajoso. - O que foi?

—Eu perdi o ônibus porque o motorista de hoje era aquele impaciente que me odeia. - viu o loiro ir para trás de si e empurrar a cadeira. Sasuke agradeceu se curvando para receber um beijo delicado nos lábios finos. - Tive que vir na força e na raça de lá do trabalho até aqui.

—Por isso está com as mãos machucadas? - ele assentiu e isso causou clara irritação em Naruto. - Mas que filho da… É por isso que este país só se fode. E tem é que se lascar mesmo. - resmungou. Os dois foram para o restaurante que sempre almoçavam, porque ele era um dos poucos que disponibilizava mesas do lado de fora.

Fizeram os pedidos e esperaram, observando a rua e seu movimento de pedestres e motoristas, porém Naruto não conseguiu se conter sua saudade como planejara. Havia duas semanas que não se encontrava com Sasuke porque teve que se ausentar da cidade para uma viagem de negócios e passou todo aquele tempo longe dele, só conversando pelo celular. Por isso, sua mão escorregou discretamente, por baixo da mesa visto que estavam em público, pela coxa alheia, mas Sasuke lhe impediu de ir além, segurando-a com a sua. Os dois se encararam e ali estava o bico indignado mais fofo que o cadeirante já viu.

—Em casa. - disse simplesmente e retirou a mão dali, pois o garçom chegou com os pedidos e os serviu. Os dois agradeceram e começaram a comer. - Tudo bem hoje no trabalho?

—Tudo sim, só aconteceu o de sempre, nada de interessante. - Naruto observou algumas moças passarem por eles, acenando e piscando os olhos para Sasuke, que coincidentemente erguera o rosto do prato para olhar alguma coisa aleatória na vitrine do restaurante. - Que foi?

—Que foi o quê? - Sasuke o encarou.

—Por que estava olhando para elas?

—Para quem?

—Elas! - apontou para as tais sentadas há uma mesa de distância dos dois e só nesse momento o Uchiha percebeu que elas flertavam consigo. - Por que olhou para elas? - Naruto apertou os talheres em suas mãos de maneira irritada.

—Vai ver é porque eu achei elas bonitas. - revirou os olhos de forma cansada. - Naruto… Sério que vai começar com isso na hora do almoço? - o outro bufou indignado, inclinando-se para apoiar sua testa em seu ombro. - Sabe que não gosto de discutir com você, dobe… - afagou-lhe os cabelos com carinho. - Acha mesmo que eu olharia para elas com algum interesse quando você está bem aqui do meu lado?

Naruto negou e suspirou mais tranquilo quando recebeu um beijo em sua têmpora. Os dois soltaram-se para continuar comendo, mas o empresário ainda estava incomodado com os olhares secantes daquelas moças. Ergueu sua mão e pegou a de Sasuke com a outra para suas alianças ficassem em evidência. As moças se espantaram com a atitude, tal como o Uchiha, e se voltaram para outro lado ao perceberem a própria vergonha.

Ao fim do almoço, o casal foi para os fundos do restaurante, onde havia um lindo jardim arborizado para os clientes descansarem ou relaxarem. No caso daqueles dois, depois da crise repentina de ciúmes de Naruto, ficaram à sombra de uma árvore para namorarem enquanto ainda tinham tempo do intervalo. Sasuke deixou sua cadeira travada num determinado local, para evitar que as rodas atolem entre as pedrinhas e a terra, e abraçou o corpo de seu amado quando este lhe ocupou o colo.

—Achou aquelas mulheres gostosas? - Naruto passou uma mão pelo peitoral dele enquanto se acomodava melhor na cadeira. Sua fala seguinte foi abafada por um beijo possessivo de Sasuke, que logo se tornou possessivo de Naruto. - Sairia com elas?

—Em que contexto? - aproveitou que Naruto usava paletó, de modo que escondia boa parte do corpo, e desabotoou alguns botões inferiores da camisa, que nunca estava passada pela calça, para beliscar um dos mamilos. - No que você não existe na minha vida? Este é o único possível.

—Mas acha elas gostosas? - se contorceu um pouquinho ao sentir aquela carícia. Sempre achou Sasuke muito ousado para um cara sem as pernas. Segurou o rosto com suas mãos e lhe deu um beijo.

—Acho. - respondeu ao afastar sua mão do peito alheio e acomodá-las nas coxas cobertas pela calça social. Aquilo surpreendeu Naruto. - Eu sou aleijado das pernas, não cego. Só que existe uma grande diferença entre uma mulher ser gostosa e eu desejá-la. No momento… - beijou-o sensualmente. - A única pessoa gostosa que eu desejo está sentada no meu colo.

—Eu sou gostoso? - Naruto provocou enquanto dava mais carinhos na nuca alheia para iniciar um beijo lento. Tal ato o fez lembrar de uma certeza.

—Em casa, a gente termina essa conversa. - Sasuke cortou antes que fossem para além do permitido pelo horário.

Recordou-se da primeira certeza que constatou quando conheceu Sasuke, há muito tempo atrás quando era só um taxista sonhando em ter sua própria transportadora. Era um sonho bem soberbo, mas atualmente não importa mais, pois já realizou. Como sempre foi dado aos movimentos de inclusão, juntou um bom dinheiro para comprar um carro adaptado para deficientes físicos e visuais. Numa de suas corridas pelas ruas da cidade, viu Sasuke numa calçada dando sinal. Assim que adentrou, o cadeirante tomou seu contato para que pudesse lhe chamar sempre que necessário, já que carros adaptados eram difíceis de existir. Imagine-se taxistas.

Como era de seu costume simpático, tentava puxar conversa com o homem de cabelos negros e olhos escuros sempre sérios, porém Naruto não teve sucesso em um ano naquela “relação”. Só que ele não era de desistir de tentar tornar as vidas das pessoas mais alegres, então continuou contando histórias de taxista, perguntando sobre ele, mesmo que não houvesse respostas, levava-o para onde queria ir num bom tempo e numa noite fria de inverno, perto do Natal, estacionado numa praça para comer um lanche que comprou numa lanchonete, algo diferente aconteceu.

Sem esperar, inclusive tomou um susto, ouviu uma batida em sua porta. Olhou para lado e viu Sasuke ali, com cachecol no pescoço, casaco pesado de frio, em seu colo havia um suporte de papelão contendo alguns copos fumegantes de chocolate quente. Abaixou o vidro do seu carro e sorriu em agradecimento ao receber um dos copos. Naruto assistiu Sasuke entregar cada um dos copos a cada pessoa que estivesse ali, fosse morador de rua fosse transeunte.

—Posso devolver a gentileza com uma carona gratuita para casa? - Naruto indagou quando ele passou por si bebericando o último copo que restou. Ele hesitou por alguns segundos, mas aceitou. - Feliz Natal. - disse quando o colocou para dentro do carro e ligou o aquecedor.

—Feliz Natal, Naruto. - aquele foi o primeiro sorriso que viu no rosto sempre tão sério. O taxista sorriu de volta e, pela primeira vez antes que o ano acabasse, por sorte, aqueles dois homens tiveram uma conversa de fato. Foi agradável, inclusive.

Naquela noite, descobriram terem alguns fatos em comum como serem órfãos, viverem sozinhos, gostarem de carros e não terem formação acadêmica além da básica. Naruto descobriu que Sasuke perdeu as pernas num acidente de carro, em que ele era apenas um pedestre atravessando a rua, e Sasuke descobriu que Naruto sonhava em trabalhar com caminhões, sua grande paixão, porém não tinha dinheiro para isso. Com o passar dos dias, o taxista ficava ansioso para dirigir para ele, agora que os dois conseguiam conversar de maneira mais sociável. Poderia até chamá-lo de amigo.

Então, Sasuke passou a contar cada vez mais com aquele simpático e irreverente taxista solidário. Chegou ao ponto de contratá-lo a lhe levar na cidade seguinte, pois tinha uma consulta médica lá. Ele aceitou sem problemas, foi até agradável ter um acompanhante em sua consulta, poderia supor divertido, mas o ápice do dia se deu quando o carro pifou na viagem de retorno. Sasuke riu até perder as forças dos pitis que Naruto dava ao conversar com o carro, como se assim pudesse “restaurar o ânimo dele” e retomar a corrida.

—Você é taxista e não entende de mecânica? - Sasuke indagou ao vê-lo sentar no meio fio com as mãos na cabeça, desolado. Ele negou com lágrimas nos olhos, de maneira muito cômica para o deficiente. - Tem ferramentas aí? - Naruto franziu o cenho e foi buscar no porta-malas.

Ao voltar, viu que o capô já estava aberto e que Sasuke dera um jeito de se sentar na borda disponível para observar o motor. Retirara sua camisa social, revelando músculos bonitos demais e bem ao ponto que Naruto mais apreciava, envolveu uma das mãos com ela para mexer nas partes quentes e a outra apoiava no capô erguido. Com paciência, analisou cada detalhe que lhe saltava aos olhos e, quando preciso, mexia neles com a ferramenta que pedia ao taxista, que prontamente entregava.

—Você é o Batman, por algum acaso? - Naruto encurtou o olhar depois de entender que Sasuke não mexia aleatoriamente no motor de seu carro. O outro riu enquanto meneava a cabeça negativamente e lhe fitou com certo charme.

—Só de noite. - brincou e o outro corou de leve. - Na maioria do tempo, eu sou um ex-mecânico sem pernas que trabalha num escritório como tradutor. - observou alguns cabos. - Fluente em três línguas. - completou.

Naruto não mentiria: a única língua que tinha interesse em ter contato era a dele e, se possível, em todas as suas cavidades, mas não externalizaria seu desejo porque não sabia se Sasuke tinha tanta vontade de lhe pegar quanto ele tinha de pegar aquele cadeirante muito gostoso.

—Quer dizer que você é um faz-tudo sem pernas? - Sasuke riu ao assentir. - Posso te fazer uma pergunta?

—Já fez. - rebateu. Naruto revirou os olhos. - Me vê uma chave-estrela, por favor. - pediu e o outro observou cada ponta para saber qual a certa. Entregou.

—Você nunca comentou sobre como ficou assim… - temeu tocar no assunto.

—Isso não foi uma pergunta. - o outro atiçou mais um pouco só para vislumbrar mais uma vez o bico fofo que o taxista fazia sempre que se irritava. Como podia achar um homem adulto, de mais de 25 anos fofo? - Nunca comentei porque nunca questionou sobre. Alicate, por favor. - devolveu a chave e pegou o alicate.

—Achei que estaria sendo indelicado se lhe perguntasse sem ter o mínimo de intimidade contigo. - esclareceu, aproximando-se de onde ele se equilibrava para saber o que era feito de seu carrinho.

—Obrigado pela gentileza. - Sasuke disse sincero e isso fez Naruto corar de novo. - Então… Eu sofri um acidente. Fui atravessar uma rua, veio um maluco bêbado do inferno da pedra num carro e passou com tudo por cima das minhas pernas. Perdi até acima da coxa da direita e do joelho para baixo da esquerda. - esclareceu com serenidade. Não parecia ser um trauma. - Por que a curiosidade, se posso perguntar.

—Bom… É que você leva tudo tão bem que nem parece que suas pernas lhe fazem falta ou que não tem problemas por ser cadeirante. - explicou com mais calma, sentindo-se menos tenso por tocar no assunto, que geralmente é delicado.

—Problemas eu tenho como todos os cadeirantes dessa suposta nação, afinal em que país vivemos mesmo? - Naruto fez aquela cara de “Exatamente.” - Mas nem sempre eu levei numa boa, sabe? Houve uns anos que eu pensei até em me matar. - notou uma sombra cobrir os olhos azuis e não era as nuvens. - Quero dizer, num momento eu vivia a minha vida sem pensar em nada, economizando dinheiro sem motivo aparente, sem pensar em ninguém, nem mesmo em mim mesmo, e no outro, eu passei a ser dependente de todo mundo para qualquer coisa. Fiquei destruído mentalmente, mas… Uma pessoa me salvou.

—Quem? - Naruto ficou interessado em saber quem teria o salvo da morte. - Algum psicólogo ou parente? Uma namorada, talvez? - sempre foi um romântico incurável de primeira ordem.

—Stephen Hawkings.

—Aquele cara torto que falava através de um computador?

—Exato. - Sasuke mexeu em mais uns parafusos e trocou a ferramenta. - No dia que decidi cortar meus pulsos, abri o Youtube para ouvir uma das minhas músicas favoritas, mas aí eu vi o vídeo dele no feed. A aparência dele me chamou a atenção e o título era “Uma mente presa?”. Era um vídeo documentário sobre a vida dele. - parou, cruzou os braços e encarou Naruto. - Eu fiquei “Puta merda, se esse cara sofrendo dessa doença conseguiu até ter família e se tornar talvez a mente mais respeitada da moderna fez tudo isso numa cadeira de rodas, por que eu não posso mudar a minha vida? Por que eu tenho que me limitar?”, então decidi mudar tudo.

—Nossa…

—Criei sonhos e metas, coisa que eu não tinha. Peguei o que sobrou do meu dinheiro guardado, pois parte foi para as cirurgias e investi em mim: fiz cursos, malhei, estudei, tornei tradutor e dei umas adaptadas na minha cadeira e na minha casa para que eu pudesse viver sem depender de ninguém. - Sasuke apertou mais uma peça e desceu do capô, fechando-o. - Testa agora.

Naruto correu para o volante e deu a partida. Como o próprio milagre de Lázaro, o carro ressuscitou e o motor roncou forte. O taxista saiu do veículo para dar um abraço apertado de agradecimento em Sasuke, enquanto este desenrolava sua mão da camisa, que estava suja de graxa, e no processo, e lhe dar um beijo na bochecha. Só que o cadeirante virou o rosto por puro reflexo e o beijo foi em outro lugar.

Quando os dois se deram conta, suas bocas estavam conectadas e Naruto estava quase caindo sobre o outro, ao tentar lhe abraçar pela frente. Sasuke franziu o cenho enquanto o taxista engolia em seco, sem saber bem como prosseguir, porém Naruto deixou de lado sua vergonha, aproveitando que aquela era uma rodovia pouco movimentada, sentou-se no colo alheio e capturou os lábios num beijo mais profundo. Gemeu de satisfação ao sentir a língua de Sasuke enroscar-se na sua e as mãos apertarem sua cintura, correspondendo ao seu intento. Deram-se vários selinhos, bem estalados, antes de se encararem de novo.

—Tem alguma coisa programada para sábado à noite que não possa cancelar? - Naruto indagou depois de recuperar seu fôlego do beijo intenso. Ele sabia que visualmente falando, Sasuke era uma delícia, mas agora tinha plena certeza porque ele beijava exatamente como gostava.

—Tenho. - Sasuke enfiou seus dedos entre os fios dourados ao ver o semblante dele se chatear e sorriu discretamente. - Não tenho certeza, mas acho que um taxista loiro, simpático e que não entende de mecânica vai me levar para algum lugar.

Os olhos azuis cintilaram de emoção e os dois trocaram um novo beijo demorado. Voltaram logo em seguida para a cidade e combinaram o encontro do sábado. Aquela era a primeira certeza que tivera: se pudesse, beijaria Sasuke para sempre.

14 de Agosto de 2018 a las 17:06 0 Reporte Insertar 3
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