Memórias Póstumas de Um Amor Dependente Seguir historia

mikokira Annie Hyeshi

Era pôr do sol quando aquele buquê alaranjado saiu pela minha boca, tão belo quanto a mulher pela qual me apaixonei. Um último suspiro foi dado, levando-me a óbito de uma vez. SesshyGome!Broken —; Hanahaki Byou —; InuGome!Mention —; Angst —; Universo Original —; Sesshoumaru!Centric


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

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Cuento corto
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Buquê de Lírios


Notas: História postada também no site Spirit Fanfics com o mesmo Nickname "MikoKira".

A falas em itálico servem apenas para idicar passado.



Quando nos conhecemos pela primeira vez, a única coisa que sentia pela garota que acompanhava meu meio-irmão era o simples e puro desprezo. Não havia quaisquer chances de me entender com alguém daquela raça tão desprezível ao meu ver.

A ocasião em que a “notei” de verdade foi quando tirou a Tessaiga do túmulo de meu finado pai. Simples como uma flor que cai no chão, Kagome conseguiu retirá-la. O que me intrigou durante alguns longos minutos, até descobrir que se tratava de algo que somente seu sangue humano lhe permitia fazer.

Com isso, meu fugaz interesse desapareceu.

Conforme tinha mais encontros indesejáveis com InuYasha, Kagome mostrou-se um verdadeiro empecilho. Em todas as incontáveis vezes que estava prestes a derrotar aquele hanyou, ela intervia de uma forma ou de outra. Fosse atirando alguma flecha espiritual ou até mesmo ficando entre nós dois. O que era algo extremamente estúpido de se fazer, considerando a situação.

Não que fosse fraca naquele tempo. Para alguém que não havia tido um treinamento adequado, estava até bem avançada.

Em minha concepção, a mulher já não parecia mais tão simples assim. Seu poder era absurdo para alguém com tão pouca idade e treino. E eu estaria mentindo se dissesse que aquilo não me chamou a atenção. Talvez, aquela jovem não fosse tão fraca e inútil quanto eu achava.

Meu palpite era que, em alguns anos, Kagome estaria em um nível superior à própria sacerdotisa Midoriko, criadora da Joia de Quatro Almas.

Mesmo tendo plena consciência de que poderia sim, morrer em batalha, não se importava, desde que estivesse com InuYasha. Mesmo que aquele imprestável gritasse para os quatro ventos que ela deveria ir embora, a sacerdotisa não cedia. Fazia-se de surda ou até mesmo gritava de volta, mostrando a todos que fugir não era uma de suas opções.

Sua lealdade para com meu meio-irmão era inquestionável. Assim como sua coragem perante as dificuldades que a cercavam.

Passei a reconhecê-la um pouco mais depois de observar suas atitudes. Aquele tipo de fidelidade eu havia visto somente em Rin, que apesar de tudo escolheu permanecer comigo, seguindo-me para onde quer que fosse.

Obviamente, a pequena humana teve um grande papel na desenvoltura de meus sentimentos para com aquela raça, abrindo-me os olhos para coisas que antes não fazia a mínima questão de enxergar. E, apesar de não admitir em voz alta, eu, Sesshoumaru, estava mudado.

De repente, matar por matar não tinha mais sentido. Era quase como se eu pudesse sentir meu pai ao meu lado, perguntando-me se eu tinha alguém para proteger.

O carma tinha vindo ao meu encontro, afinal. Era extremamente constrangedor admitir tal coisa, mas a quem eu queria enganar? Mesmo que não dissesse uma palavra sequer, as pessoas a minha volta notavam minha mudança facilmente, e Kagome não foi exceção.


Seu irmão está mudado, InuYasha. Ele parece mais... humano. A ouvi cochichar para ele.

Keh! Você está louca se pensa que alguém como ele pode mudar, Kagome.

Ah é? Então me explique o fato de ele ter uma criança humana com ele. A garota insistiu.

Não me peça para explicar as coisas que o Sesshoumaru pensa, Kagome!


Em suma, ela foi um dos pilares para a tragédia que viria a seguir.

Após a fatídica luta contra Naraku e o resgate da jovem que foi mantida na terrível escuridão durante três dias inteiros, o poço Come-Ossos havia se fechado e deixado todos com uma enorme incógnita sobre o fato de ele tornar a funcionar algum dia ou não, e me lembro também de ter ouvido algo como Ela estácom sua família agora da boca de InuYasha.

Recordo que, depois de ouvir suas palavras, havia ficado levemente feliz com a notícia, embora não tenha demonstrado fisicamente. Entretanto, o motivo de minha alegria não se devia ao fato de a mulher ter ido (talvez) para sempre, mas por saber que estava segura do outro lado onde as mãos de InuYasha não a alcançavam.

Parece algo deveras estranho vindo de um Dai Youkai tão orgulhoso quanto eu, mas como já havia dito antes: estava mudado. Kagome, para mim, era agora uma companheira de batalha, por assim dizer. Estava contente com sua sobrevivência.


***


Três anos depois, o poço reabriu novamente e a morena de olhos azul-piscina finalmente pôde retornar. Pude vê-la enquanto sobrevoava o vilarejo, uma mera coincidência, diga-se de passagem.

Ela andava ao lado de InuYasha e, quando me viu, chamou-me de “Onii-san”. Foi tão constrangedor e irritante que não pude conter a expressão irritadiça que se formou em minha face, porém, apesar daquela “ofensa”, continuei meu caminho.

Durante os anos que a jovem sacerdotisa passou do outro lado, eu havia desenvolvido uma espécie de “ritual”, onde todas as vezes em que ia ao vilarejo de Kaede, deixava um novo kimono para Rin. E, obviamente Kagome sempre estava lá.


Olá, Sesshoumaru! Como tem passado? Ocupado demais tentando conquistar o mundo? Kagome riu. Entretanto, não me dei ao trabalho de lhe responder, pois era uma pergunta estupida.

Onde está Rin?Perguntei.

Deve estar brincando com Shippou, quer que eu a chame?

Já o deveria ter feito, humana.

Ei, não seja grosso! Não é desse jeito que se pede um favor! Ela fez uma cara irritadiça. Algo bem leve se comparar das outras vezes em que brigara com InuYasha. Peça adequadamente. insistiu.

Segundos depois, Rin já estava na entrada da pequena casa de madeira gritando meu nome e dando um fim a qualquer esperança tola que a humana pudesse ter tido de me ver pedir adequadamente.

Aaah, Rin-chan, você estragou meu plano maligno... dizia chorosa.

Hã? Como assim? a mais nova perguntou sem entender.

Nada, deixa pra lá. Está com fome? a criança concordou com a cabeça, enquanto seus olhos brilhavam por conta do novo kimono que lhe entregara.

E você, Sesshoumaru? Nos acompanha? e novamente aquele sorriso estava lá.


Mesmo que não houvéssemos tido a história mais feliz do mundo, ela sempre me recebia com um sorriso acolhedor em seu rosto. Parecia realmente não dar a mínima para todas as nossas brigas do passado. Era quase como se nunca tivessem existido.

Sim, ela tinha aquela habilidade de perdoar as pessoas. Fossem elas humanos ou Youkais.

Não que necessitasse de seu perdão, todavia, aquilo contribuiu para que um bom relacionamento surgisse entre nós. Sem dúvidas, era bem mais conveniente ser recebido com um “Olá” do que com flechas espirituais vindas em minha direção.

Passei a ir ao vilarejo com mais frequência e acabava me demorando por lá mais do que o necessário. É que, em algumas vezes, Kagome sentava ao meu lado e me contava histórias sobre os grandes fatos históricos que aconteceram nos anos seguintes. Era realmente de se admirar o vasto conhecimento que aquela garota de apenas dezoito anos possuía.

Dizia-me que gostava de conversar sobre tais coisas comigo porque InuYasha não se interessava nem um pouco em saber sobre o futuro, e eu a ouvia.


Sabe, o homem já foi à lua não pude evitar arquear uma de minhas sobrancelhas com aquela sua afirmação. É sério! No futuro haverá uma máquina... ela fez uma pausa Droga, você não tem ideia do que seja... enfim! Haverá uma máquina chamada foguete. Ela é bem grande e pode ir até o espaço! disse empolgada, apontando para o céu sobre nós.

Hm. ponderei, tentando encobrir meu claro interesse pelo assunto Impossível que vocês humanos tenham criado algo assim.

Está nos chamando de burros??

Fiquei em silêncio, fazendo assim com que Kagome chegasse a uma conclusão.

Pois fique sabendo que no meu tempo não existe mais nenhum Youkai! Vai ver que vocês se preocuparam tanto em matar uns aos outros que não sobrou nem um para contar a história. Ela empinou o nariz. Bem feito.

Novamente fez-se silêncio.

Certo, desculpe. Não devia ter dito isso.

Quase ri.

Fácil de manipular. disse.

O quê... Você..!! Seu idiota! Não vou te contar mais nada! dito isso ela ficou de pé e saiu pisando duro.


Admito que sentia um certo prazer em irritar aquela humana. Era interessante ver como as maçãs de seu rosto ficavam avermelhadas por conta da raiva. Também era divertido a forma com que ela apertava os punhos, tentando conter-se.

Estar com Kagome havia se transformado em uma de minhas rotinas. E talvez, aquilo tenha sido um de meus grandes erros. Quem sabe, se eu simplesmente tivesse parado de conversar com ela, isso não teria terminado da forma que terminou? Quem sabe, se eu não tivesse me apegado tanto àquela sacerdotisa, ainda teria mais algum tempo?

Aquelas eram perguntas que jamais teriam respostas.

Então, ela veio: a primeira pétala de lírio.

Ocorreu quando estava caminhando por aquelas terras e, por acaso, vi Kagome sentada com a cabeça de InuYasha sobre seu colo. Ambos estavam em uma pequena colina rodeada de flores amarelas e conversavam sobre coisas aleatórias nas quais não prestei muita atenção. Exceto quando a ouvi expressar sua paixão por lírios da cor laranja.

Ela estava ridiculamente linda sorrindo daquela forma, enquanto acariciava as orelhas caninas de InuYasha e colocava uma mecha de seu próprio cabelo atrás da orelha, mostrando uma feminilidade a qual eu nunca havia reparado ou simplesmente não quis reparar.

Não podia estar acontecendo. Porque dentre todas as fêmeas existentes, tinha de ser justamente a esposa daquele hanyou?


— Estou tão feliz vivendo com você desse jeito, InuYasha. — Sorriu. — Não há mais nada que eu poderia desejar. — Disse, dando-lhe um beijo terno.

— Também não preciso desejar mais nada, Kagome. — Sorriu-lhe.


Ao ouvir tal afirmação apertei o cabo de Bakusaiga fortemente e, por pouco, não a desembainhei. Parei quando vi o rumo o qual aqueles pensamentos tomariam. O desejo de matar InuYasha mais uma vez crescia em meu interior, contudo, daquela vez o motivo era outro, completamente diferente. Se eu não pudesse controlar o que se passava em minha cabeça, minhas intenções acabariam sendo percebidas pelos dois e eu, sinceramente, não desejava aquele tipo de atenção.

Senti minha garganta arranhar e arder. Juntamente com a dor, uma ânsia da qual eu não lembrava já ter sentido alguma vez. Afastei-me o mais rápido possível do local, antes que pudessem notar minha presença até então escondida e só parei quando já estava longe o suficiente.

Tossi e não tardou muito para que ela viesse.

Em minha mão estava a primeira pétala de lírio que daria início ao terrível destino que me aguardava.

Arregalei os olhos levemente devido a surpresa e neguei repetidas vezes em pensamento. Aquilo simplesmente não podia estar acontecendo comigo, Sesshoumaru. Estava apaixonado pela mulher de meu meio-irmão. E, pior do que me dar conta disso, era saber que ela amava apenas uma única pessoa, que certamente não se tratava de mim.

Eu, o temível Senhor do Oeste, o qual todos sempre temeram por sua falta de sentimentos, imparcialidade e força, estava agora apaixonado por uma reles humana?

Pelo visto, o carma era, de todos, o mais implacável.


***


Daquele dia em diante, procurei evitar visitas frequentes ao vilarejo. Quando ia, era apenas para entregar um kimono novo a Rin, todavia não me demorava muito. Se Kagome tentava uma aproximação eu simplesmente a evitava ou cortava qualquer tipo de conversa que quisesse iniciar. Se Rin queria me contar alguma coisa, eu apenas a levava para um outro local mais afastado e ficava com a criança até que terminasse o que tinha para dizer. Jaken, de início, estranhou meu comportamento, mas quando viu que não lhe daria respostas, ele parou de perguntar.

Era obvio até mesmo para um Youkai sapo como ele que eu estava evitando a esposa de InuYasha a todo custo.


Amo, por que está agindo diferente com aquela humana agora? Vocês pareciam bem próximos.

Não tire conclusões precipitadas. Rin é a única da qual sou próximo.

Oh, sim! É claro! É do Sesshoumaru-sama que estamos falando, afinal. Após se corrigir, saímos daquelas terras.


Não obstante, nunca diria em voz alta o que se passava em minha mente. Jamais revelaria aqueles sentimentos a ninguém, nem mesmo para Kagome. Teria de haver algum jeito de eliminar aqueles desejos e impedir o destino que me aguardava. Eu não queria aquilo.

Ah, quão tolo eu fui naquela época.

Lembro-me de ter passado dias atrás de alguma bruxa que pudesse remover aquele feitiço de mim, até que finalmente encontrei uma. Tratava-se de uma das melhores daquela época.


O que está me pedindo é algo impossível. Não há feitiço nenhum para remover, Senhor do Oeste. Não seja tolo, você conhece a doença e sabe o que deve ser feito para erradicá-la.

Tem que haver algum outro jeito. Este Sesshoumaru não irá perecer por conta de algo tão banal quanto amor.

A velha sorriu ironicamente.

Certo, continue pesando assim e verá do que um sentimento tão banal é capaz de fazer atémesmo com um Youkai tão poderoso e orgulhoso quanto você, Sesshoumaru-sama. Mas, devo alerta-lo: o próximo estágio se aproxima e, pelo visto, não demorará muito.


Eu estava irritado o bastante para matar aquela velha, no entanto, me contive. Não achei viável matá-la apenas porque não podia resolver meu problema. Afinal, não poder e não querer eram coisas bastante distintas uma da outra.

Era noite de lua cheia quando voltei ao vilarejo de Kaede. Tinha sentido o cheiro de um Youkai enquanto sobrevoava aquelas terras, então rumei para lá o mais rápido possível, temendo pela vida de Rin, é claro.

Assim que cheguei na casa da velha sacerdotisa, Rin estava lá, sã e salva, algo que me tranquilizou. InuYasha havia saído com o monge, a fim de dar um jeito no demônio fraco que atormentava os habitantes das redondezas.

Soube por Kaede que Kagome ficara em casa, cuidando do local enquanto seu marido não retornava. Rin pediu-me para dar uma olhada na garota e verificar se a mesma estava bem.

Gostaria de ter contra argumentado, mas com a mais nova isso nunca funcionaria. Ela era difícil, quase que no mesmo nível de Kagome. Ou seja, ela não descansaria enquanto eu não fosse olhar como a outra estava. Então, rendi-me a sua vontade e fui verificar, desejando voltar o mais depressa possível, devido as circunstancias atuais que me cercavam. Ficar muito tempo próximo a ela apenas serviria para acelerar as coisas.

Ao chegar a poucos metros de sua residência, qualquer vontade de ir embora que pudesse ter passado pela minha cabeça caiu por terra quando vi aquela sacerdotisa trajando um lindo e chamativo kimono azul, com pétalas alaranjadas cuidadosamente desenhadas no tecido.


— Oh, que susto! — Disse ao notar minha presença no local — É você mesmo, Sesshoumaru? O que faz aqui a essa hora?


Seu cabelo, preso em um coque leve, que deixava apenas alguns fios soltos, com o pescoço completamente a mostra, fez-me estagnar exatamente onde estava. Obviamente, a luz da lua ajudou a ressaltar ainda mais a beleza daquela mulher.

Sua pele alva, que remetia a mim o mais caro dos tecidos; seus olhos azuis, que me faziam recordar um rio de águas cristalinas; as mãos extremamente delicadas; os lábios cor de pêssego e o corpo curvilíneo da jovem, eram detalhes que serviam apenas para torturar-me.

Meu corpo tremia de puro desejo. Queria tomá-la em meus braços e beijar-lhe os lábios como se não houvesse um amanhã.

Não era de meu interesse naquele momento, mas precisava me afastar o quanto antes ou correria o risco de ceder aos meus instintos e beijá-la ali mesmo.

Não que eu, Sesshoumaru, fosse um Youkai incapaz de controlar tais instintos, mas ela estava conseguindo me deixar no limite. O simples fato de sentir seu cheiro adocicado já havia sido motivo suficiente para que meu coração começasse a palpitar em um ritmo tão rápido que era quase doloroso. Era como se cada parte de mim pedisse por ela.


— Apenas vim ver como Rin estava. — Finalmente pude fazer com que algumas palavras saíssem de minha boca. — Então ela me pediu para que viesse ver se estava bem.


Somente o fato de desejá-la daquela forma feria meu orgulho de várias formas possíveis.

Eu não podia querer Kagome, mas eu queria.


— Isso não parece você. — Ela riu. — Está parecendo um pai superprotetor. — Direcionei-lhe uma leve carranca, intimidando-a. — Certo, certo! Não está mais aqui quem falou! Por favor, não me mate, oh, poderoso Sesshoumaru-sama! — Pude vê-la erguendo as mãos em rendição e um leve tom de ironia em sua voz.

Humana maldita.

Já estava prestes a dar meia volta e me retirar dali quando ela continuou.

— Desculpe, não quis ofender. Foi apenas uma brincadeira... — pediu, baixando um pouco seu próprio rosto.

Aquilo me incomodou.

Não é como se fosse matá-la por ter dito algo assim.Disse, em uma tentativa de confortá-la.

— Bom, é que… antes você faria isso mesmo… — Ela riu sem jeito. — Mas não é esse o motivo de eu estar pedindo desculpas...

Dessa vez a mirei com mais atenção.

— Você está bravo comigo, Sesshoumaru? — Arqueei uma das sobrancelhas, sem entender o motivo daquela pergunta. — Bem, é que... já tem um tempo que eu tenho notado que você está me ignorando. Antes você... quer dizer, eu sentava ao seu lado sem problemas e conversávamos bastante, mas... agora, sempre que me vê, parece que você... foge. Então, eu gostaria de saber se há algum motivo específico para isso. Eu fiz algo de errado?

Me atentei as suas palavras e só então me dei conta do laço que havíamos criado. Não era amoroso, mas algo fraternal. Exatamente o que eu não precisava naquele momento. Mas, para desviar do assunto e tirar todo o peso que aquela conversa trouxe, optei por falar exatamente o que ela gostaria de ouvir.

— Você não fez nada de errado. Apenas tenho tido muitos problemas para resolver em minhas terras.

Ela me observou atentamente como quem quer descobrir a mentira por trás das palavras, o que me fez ficar um tanto incomodado, mas, por fim, ela sorriu.

Fico feliz em saber que mudou, Sesshoumaru. Sempre tive a esperança de que um dia pudéssemos nos entender, sabe? Pode parecer bobo esperar algo assim de alguém como você, mas… eu sempre acreditei que com um pouco de esforço você poderia mostrar-me esse seu lado. O Sesshoumaru que conversa com as pessoas sem achar que todos são inferiores e devem servi-lo.


Durante muito tempo as palavras de Kagome perduraram em meus pensamentos. Aquela garota era inacreditável em vários termos. Como podia confiar tanto assim nas pessoas? Era tão patético a forma como ela podia conversar com quem quer que fosse, sem ligar para desavenças passadas como as que um dia tivemos.

Mas, mais patético ainda, era o fato de eu estar completamente apaixonado por aquela mulher tola.

Foi então que, novamente, senti minha garganta arder. Tentei não demonstrar o leve desespero que se apossou de mim, mas como era de se esperar, Kagome notou e perguntou-me do que se tratava, no entanto eu simplesmente não conseguia responder.

Já sabia o que viria a seguir.

Afastei-me o mais depressa possível, ouvindo meu nome ser chamado por ela, mas não voltaria. Não permitiria que me visse naquele estado deplorável.

Quando achei que já estava bom, “pousei” em algum lugar qualquer, onde haviam muitas árvores ao redor — o bastante para que ninguém me visse ali — e, dolorosamente, de minha boca saiu uma flor inteira. Fora algo muito mais desagradável do que a vez anterior, já que agora o lírio estava em sua forma completa, fazendo ser quase impossível cuspi-la sem quase vomitar.

Uma verdadeira maldição, a qual a única forma de interrompê-la seria algo inexplicavelmente impossível para alguém como eu. E, com toda certeza, era o que mais me irritava.

Logicamente que com as pétalas era muito mais fácil esconder, mas quando já eram flores inteiras, nem mesmo Jaken eu podia mais enganar.


Amo, o senhor está apaixonado?


Foi sua pergunta quando me viu cuspir a flor. A resposta era estupidamente óbvia, mas, para um servo como Jaken — que me seguia a tantos anos —, era um choque ver a mim, o poderoso Youkai o qual tanto venerava, morrendo por um amor não correspondido.


Amo, quem é a mulher? Como ela ousa não amar alguém como o Senhor? Eu vou

Silêncio. Vamos continuar. Dito isso, ele se calou.


***


No decorrer dos dias, mais flores eram cuspidas e Jaken insistia que eu fosse falar com a mulher pela qual nutria aquele sentimento, pois aquele seria o primeiro passo para tentar evitar que aquela doença se alastrasse.

Como se eu já não soubesse.

Todavia, meu servo nem sequer imaginava que a dita cuja era, na verdade, a esposa de meu meio-irmão.

Com toda a certeza preferia mil vezes morrer em uma luta com um adversário extremamente poderoso do que daquele jeito patético. O pior tipo de morte para um Dai Youkai como eu.

Não obstante, jamais me sujeitaria ao ridículo de ter que fazer uma declaração. Em tempo algum ouviriam falar sobre isso.

Naquela época, eu me prendi à ideia de que uma doença como aquela nunca mataria a mim, Sesshoumaru, pelo simples fato de eu não ser suscetível a algo tão banal quanto o amor era, e que apenas os fracos morriam assim.

Quem dera eu tivesse deixado ao menos um pouco do meu orgulho de lado, mas, de qualquer forma, do que me adiantaria? Kagome amava InuYasha mais do que tudo no mundo e me via apenas como seu cunhado. Nunca me foi dado nem uma única investida sequer, nem um único olhar diferente que pudesse conter algo a mais ou qualquer outra coisa do gênero para que eu pudesse ter algum tipo de esperança. Sim, parte de meu orgulho foi devido aquela triste realidade a qual eu já havia aceitado há um bom tempo, antes mesmo de ser pego por aquela doença.

Foi simplesmente vergonhoso para mim ter de admitir que minha vida dependia única e exclusivamente daquela garota de olhos azuis. Mas o que mais poderia fazer além de aguardar minha morte? A única maneira de fazer com que as flores desaparecessem era contar a ela e ser correspondido da mesma forma.

Eu bem sabia que isso nunca aconteceria, mas, infelizmente, estava completamente em suas mãos.

Conforme o último estágio da doença se aproximava, pedi a Jaken que nunca contasse o real motivo para Rin. Que, caso eu morresse, ele deveria contar a ela que morri em batalha contra algum Youkai muito poderoso e que, a partir dali, iria cuidar dela até o último momento de sua vida, se assim fosse permitido.

Ele concordou com lágrimas nos olhos, algo que achei simplesmente exagerado, mas já era algo comum para meu leal servo. Permaneci impassível, como sempre. Mesmo sabendo que meu cruel destino se aproximava cada vez mais.

Demoraram alguns meses até que o último estágio se completasse, até lá, os lírios continuavam a sair.

E foi no dia em que obtive a notícia de que Kagome tivera um filho de InuYasha que o buquê finalmente veio. Eu o senti, enchendo meus pulmões e artérias, impedindo-me cada vez mais de respirar. Podia ver aqueles lírios alaranjados, saindo de minha boca, tão belos quanto a mulher que amava. Por mais que não admitisse, morrer daquela forma era um tanto quanto poético para alguém como eu.

Eu, Sesshoumaru, fui orgulhoso demais ou apenas um covarde? E o que teria mudado se eu tivesse dito os meus reais sentimentos? Ela se apaixonaria por mim ou simplesmente me pediria desculpas por não poder corresponder da mesma forma?

Já não importava mais. Ninguém além de Jaken saberia a real causa de minha morte. Acreditariam durante anos e séculos que, o grande e temido Youkai Sesshoumaru, havia sido derrotado em batalha. A mais difícil que já enfrentara. E, de certa forma, era.

Tinha perdido para o amor. O pior deles, aquele que não é correspondido.

Poderia tê-la matado, mas não o fiz. Simplesmente não conseguiria. Kagome era um lírio dos mais preciosos que já havia visto e o mundo não poderia ficar sem ela. A sacerdotisa tinha uma vida inteira pela frente e eu… bom, já tinha vivido alguns séculos. Já me era o suficiente.

Era pôr do sol quando aquele buquê alaranjado saiu pela minha boca, tão belo quanto a mulher pela qual me apaixonei. Um último suspiro foi dado, levando-me a óbito de uma vez.

Este Sesshoumaru era completamente dependente do amor daquela mulher, mas, por não aceitar tal destino, acabou sendo morto por ele.

3 de Agosto de 2018 a las 22:50 0 Reporte Insertar 1
Fin

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Annie Hyeshi 21 / Ficwriter / Ficreader / Capista do blog Animes Design Hufflepuff / Otaku / InuYashaTrash / A.R.M.Y / MooMoo / BABY / BLINK / OneOkRockFan / AllKagome, KageHina, KuroTsukki, BokuAka, BoKuro, KuroAka, DaiSuga, IwaOi Shipper / Suga Ultimate Biased / Taegi, Yoonkook, Taekook & Jihope shipper (bem encubada) Pedidos de capas somente no Animes Design.

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