O Pacto Seguir historia

mayonessymoon Nay MSP

Há destinos que são traçados desde muito cedo, mas há também as surpresas que mudam o rumo de tudo. Três jovens têm suas vidas reviradas quando numa perseguição escondem-se numa casa envolta de antigas histórias de terror. Às vezes o que parece ser o fim de algo na verdade é só o começo.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 21 (adultos).

#drama #mistério #sasusaku
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Ato I : Perseguidores e Perseguidos

Konoha- Japão. 02 de fevereiro de 2004


      Os três pares de pernas moviam-se rapidamente e em sincronia através do vasto mato, enquanto os pés, por vezes, esbarravam em galhos de árvores no chão terroso da densa floresta Fuuri.

-Estamos vendo vocês, faveladinhos!- Uma voz esganiçada ecoou, assim como algumas risadas maldosas.- Vamos pegá-los!

     Sasuke acelerou a corrida enquanto puxava Sakura pela mão, forçando-a a correr mais. Mas ela já se sentia exausta. Estavam nesse ritmo desde que saíram da escola estadual de konoha e cruzaram uma rua pouco movimentada em direção ao abrigo de crianças que moravam. Ali, eles encontraram um grupo de garotos que viviam perturbando ela, Sasuke e Naruto por serem órfãos. Eles os cercaram e começaram a intimidar Naruto e Sasuke, enquanto ela era encurralada por um dos meninos, Ukon, do segundo ano médio e mais conhecido como pé de prancha , apelido que os próprios amigos deram por ele não passar de um metro e setenta de altura e calçar quarenta.

     Mas naquele dia, cansado de tantas implicações e agressões que era imposta a ele e aos amigos, Naruto revidou. E um soco, que ninguém imaginava que pudesse acontecer, foi acertado com destreza no rosto do líder, Kimimaro, um estranho garoto de olhos verdes e cabelos loiros , quase brancos. O rapaz caiu para trás, enquanto um jorro de sangue era expelido pelo nariz.

Todos ficaram em choque, tanto os perseguidores quanto os perseguidos.

     Kimimaro ergueu a cabeça olhando incrédulo para Naruto, enquanto a mão direita sobre o nariz segurava o sangramento violento.

-Matem ele!- Exclamou com uma voz sombria o líder, de olhos verdes furiosos, que apontava pra Naruto.- Eu quero esse merda morto!

      Ela se sentiu paralisar, mas foi coisas de segundos, porque quando deu por si já estava sendo puxada por Sasuke, depois de Naruto empurrar Ukon, numa corrida que definiria o que seria a vida deles dali em diante.

E ali estavam os três correndo há mais de quinze minutos floresta a dentro. Enquanto Kimimaro e os seus quatro capachos vinham a alguns bons metros atrás.

     Apesar de mais novos e menos fortes ela e os amigos se sobressaiam nas corridas, pois desde muito cedo , quando foram liberados para estudar na escola pública estadual, viviam sobre a perseguição de alguém.

     Naruto chegara a ganhar alguns campeonatos de corrida da escola desde então. Ele era o mais rápido dentre eles.

-Ali !- Gritou Naruto, enquanto acelerava na frente dela e de Sasuke, apontando para uma casa de madeiras desgastadas e cuja tinta escura que a cobria já havia sumido em grande parte, dando um ar mais macabro à construção antiga.

- Mas essa casa... - Ela ofegou, sentindo o peito queimando pelo desgaste físico - Naruto!

-Não temos tempo para historinhas , Sakura!- Exclamou Sasuke, e ao olhar para trás pode ver os garotos se aproximando. Viu um canivete reluzir na mão de Kidomaru, que vinha alguns bons metros à frente dos outros, devido ao seu porte atlético.

      O moreno pulou um tronco de árvore caído e logo depois Sakura. À frente, Naruto adentrava no quintal de plantas mortas e tomado de ervas daninhas da velha casa de histórias sombrias.

    Acima, o céu tomava proporções alaranjadas, com leves toques cor-de-rosa. Anunciando mais um pôr do sol.

-Vamos, Sakura!- Gritou Sasuke, voltando a segurar na mão dela, incentivando-a a apressar as pernas.

     A boca aberta transpassava todo o ar que mal adentrava em seus pulmões. Estava cansada.

      Olhou para frente e viu Naruto subir os degraus da casa e erguer uma perna dando um chute que fez a porta de entrada arreganhar-se.

      Ela e Sasuke cruzaram o quintal, mas quando pisou o pé no primeiro degrau, sentiu os cabelos compridos serem agarrados, fazendo-a cair para trás e soltar-se do amigo.

-E agora, vadiazinha?- Ouviu uma voz grossa no pé do ouvido, enquanto algo pontiagudo e gelado era pressionado contra a garganta. Seus lábios tremeram.

-Sakura!- Gritou Naruto, aproximando-se das escadas. Enquanto Sasuke mirava Kidomaru de cenho franzido e punhos fechados.

-Solte-a!- Exclamou baixo o moreno, enquanto descia um degrau aproximando-se mais.

-Epa , epa, otário!- Kidomaru apontou o canivete para Sasuke e Naruto, enquanto os olhos escuros cintilavam demonstravam toda a loucura do que ele realmente poderia fazer. Naruto sentiu bem isso ao encará-lo. - Aproximem-se mais que eu picoto a garota toda e deixo a cabeça dela de presente para vocês brincarem!

     Ela viu pela visão periférica a mão com canivete de Kidomaru estendida ao lado de sua cabeça. Enquanto os sons de mais garotos se aproximando eram ouvidos floresta adentro, as risadas, os galhos quebrando-se , tudo anunciava que os outros algozes estavam perto. E foi pensando nisso que rapidamente ergueu uma mão batendo com força contra a de seu apanhador, que soltou o canivete.

      Seu reflexo rápido a fez pegar o objeto cortante e, num segundo, enquanto sentia seu cabelo ser puxado para trás novamente, Naruto e Sasuke perceberam o acontecido e colocaram-se em movimento em direção a eles. Instintivamente, ela girou o braço para trás, rasgando num corte rápido e doloroso grande parte do cabelo loiro, o que fez seu corpo inclinar para a frente desprendendo-se do enlace de Kidomaru, enquanto este, ao perceber o acontecido, foi tentar segurá-la, mas tudo que encontrou foi o joelho de Sasuke contra a boca do estômago, fazendo-o gritar e ajoelhar-se no chão com lágrimas nos olhos.

      Sasuke ia desferir outro golpe no rapaz quando foi impedido por Naruto, que o puxou em direção às escadas enquanto ela levanta-se, com o canivete em mãos e correu escada acima, vendo logo atrás o resto dos perseguidores adentrarem no quintal.

-Filhos da puta!- Gritou um deles. Enquanto Sasuke e Naruto cruzaram os degraus rapidamente- Peguem esses fodidos !

      Ao entrarem na casa, ela fechou a porta e Sasuke e Naruto empurraram um velho armário em direção a porta, que fez um barulho estrondoso quando o som de corpos se chocando contra a madeira iniciou-se. Viu a porta começar rachar, enquanto Sasuke e Naruto seguravam o armário contra a entrada do local tentando impedir qualquer invasão.

      A porta abriu-se lentamente, enquanto o rosto de dois deles era visto pelo espaço entreaberto. A mão de Kidomaru, que empurrava a porta com outro rapaz cujo nome ela não sabia, adentrou na casa, tentando fazer mais força para que o corpo passasse para dentro do local.

-Que merda!- Exclamou Naruto, com os olhos cerrados e suor pela testa devido ao esforço que fazia para manter ,o que seria a aniquilação deles, ali, do lado de fora.

      Viu os olhos vermelhos de ódio de Kidomaru através do espaço da porta antes de fechar-se novamente, mas por breves segundos, pois novamente os corpos dos garotos mais velhos estavam conseguindo abrir vantagem. E nesse momento, ela simplesmente fez o que julgaria incapaz de fazer. Num movimento rápido ergueu o braço e quando seus olhos encontraram os de Kidomaru ela aproximou-se rapidamente e desceu a mão empunhada do canivete perto da base do pescoço do rapaz, fazendo sangue espirrar em seu braço e no rosto dele. Kidomaru escorregou para o chão, ao mesmo tempo que ela tirava o braço rapidamente e a porta se fechava completamente, não a dando qualquer outra visão, além da que repassava em sua mente quando recolheu a mão ensanguentada em frente ao corpo. Sentiu os olhos arderem e a garganta fechar-se.

Ouviu gritos do lado de fora da casa, estavam furiosos. Mais ainda.

      O choro e esperneio do rapaz atingido eram ouvidos ao pé da porta, assim como os passos na escada e vozes dizendo a ele que tudo ficará bem.

      Sasuke e Naruto a olhavam com um misto de choque e medo. Continuavam firmes prensando o armário contra a porta, enquanto de suas bocas, abertas pelo cansaço e , naquele momento, pela surpresa, saia uma respiração cansada.

-Seus merdas!- Ouviu a voz de Kimimaro, perto da entrada do local. Olhou a porta assustada , temendo que eles entrassem de vez ali. Colocou-se atrás do armário, junto de Sasuke e Naruto- Vocês não passam de amanhã! Vou dar seus pedaços de comida para o meu cachorro, me aguardem! Principalmente você, loiro dos infernos!

Ouviu sons distantes, inclusive o grunhido doloroso de Kidomaru.

      O som das botas pesadas de Kimimaro e dos outros rapazes eram ouvidas cada vez mais longe.

-Será que foram embora mesmo? -Sussurrou Naruto, com uma respiração pesada.

-Talvez...- Respondeu Sasuke ,arfando- Mas podem estar em espreita na floresta, não podemos sair agora- Ele virou-se para ela, olhando suas mãos manchadas que pressionavam o armário, depois subiu para seus olhos, encarando-a indecifrável - Você está bem? - Perguntou sério. Ela acenou positivamente, ainda sentindo os olhos ardendo, contendo o choro.

-Você foi muito corajosa, Sakura-chan!- Naruto disse ofegante, mas com um grande sorriso que passava um estado de espírito alegre -Gostaria de ter visto a punhalada de perto, você o acertou onde?

-Perto da base do pescoço.- Sentiu um leve tremor passear pelo corpo ao reviver a cena em sua mente.

-Tomara que morra...- Sasuke disse baixo, mas não o suficiente pra ela não ouvir.

-Sasuke!- Exclamou assustada com o desejo do amigo- Não diga essas coisas! Imagina se eu sou acusada de matar alguém? Minha vida já é muito desgraçada para eu ainda ser presa...

-Isso seria encaixado em crime contra legítima defesa- Naruto tinha um sorriso faceiro e parecia concordar com o amigo moreno de olhos escuros. - Ele teve o que mereceu!

-Você diz isso no caso de alguém normal!- Ela estava nervosa , talvez mais do que quando foram cercados, ou quando corriam pela floresta, até mesmo em estar ali, naquele lugar que fazia os pelos de seu braço arrepiarem-se. Olhou a mão e o antebraço com sangue, um sangue de outra pessoa. Uma pessoa que talvez ela tenha matado. Tudo bem, ele vai ficar bem. Ele vai ir pro hospital levar alguns pontos e tudo vai ficar ótimo… Perfeito… Eu não matei ninguém!. Sua mente ressoava um mantra otimista, apesar de seu coração apertar-se constantemente, sufocado com um sentimento ruim- No meu caso...-Olhou para eles- No nosso caso... Tudo o que façamos não tem valor algum, ninguém se importa se é por defesa, por maldade, ou qualquer outra coisa! Somos filhos de ninguém! Por isso ninguém intercederá a nosso favor. Se nos metermos numa enrascada o orfanato só iria nos jogar pra quem quer que seja para não ter que arcar com custos de processos…

-Não seja pessimista Sakura!- Disse Naruto de cenho franzido- Você sabe a fama que o grupo deles tem com a polícia local… Dúvido que vão prestar uma queixa ou algo assim.

     Sasuke olhou sério para Naruto, acenando positivamente, depois mirou o chão dizendo baixo:

- Somos só nós contra eles… Sem ajuda, sem trégua, sem paz- Ele olhou-a nos olhos com um lampejo de ódio- Não temos a quem recorrer, eles também não. Estamos levando na cara pela vida, mas eles também! Essas são as consequências de sermos uns esquecidos.

-Credo!- Naruto bateu com o ombro no do moreno, que o encarou de dentes cerrados- Nós somos alguém sim! Sem história, sem passado, mas com um futuro brilhante! Pode apostar que sim! - Naruto tomou um ar sério, enquanto revezava o olhar dela pra Sasuke- Ninguém vai acabar com isso que temos, aqui, agora. Estamos marcados, se ficarmos morremos, é por isso que temos que ir embora dessa cidade o quanto antes.

-Naruto tem razão…- Ela sentiu o peito contrai-se com a certeza de que o lugar ao qual achava que pertencia já não lhe convém mais. A realidade agora era como um vaso de vidro quebrado que fora remontado com cola branca, qualquer toque ele se desmancharia em outros vários pedaços e, a cada vez recolado, tornava-se cada vez mais frágil, incerto e fragmentado.- Não temos mais tantas esperanças de adoção...Estou quase com quatorze e vocês já tem quinze, não nos queriam antes porque vão querer agora?

-Não estou mais preocupado com adoção já faz um bom tempo- Naruto desencostou-se do armário e seguiu para uma janela que estava lacrada com tiras grossas de madeira.- Me preocupo mais em me manter vivo- Ele olhou por entre as fendas, observando um pouco do quintal e da floresta a frente- E vocês também- O garoto loiro olhou os companheiros, vendo-os assentir. Sakura sorriu-lhe.- Por hora só vamos nos concentrar em sair daqui vivos, já está escurecendo- Os olhos azuis viam o pouco do céu azul- acinzentado, o balançar das árvores e sentiu a melancolia assombrosa que aquele lugar trazia.

     Naruto olhou ao redor, percebendo de fato, pela primeira vez, a casa de antigas histórias de terror. A sala onde estavam tinha móveis em péssimo estado e a maioria estava coberto por lençóis encardidos e sujos. O chão de madeira possuía manchas escuras e em alguns pontos ele via o desgaste em forma de buracos ou algum desnivelamento, como um pulmão que enche de ar, mas não solta. As paredes, que um dia ele acreditava serem brancas, eram manchadas de sujeira, algumas tinham mofo, outras eram rachadas e algumas poucas com crateras que deixavam o chão imerso de restos de tijolos e muita poeira. Ali era escuro, não só pela falta de energia elétrica, constatou quando tentou ligar o interruptor, mas por todas as janelas estarem lacradas com tábuas de madeira, interrompendo qualquer luminosidade de fora que poderia entrar ali.

      O lugar tinha um ar pesado. Parecia um cemitério. O que não deixava de ser mentira, já que , pelo que as histórias contavam, uma família , há mais de cinquenta anos, foi dada como desaparecida. A única pessoa que sobrara foi o pai, mas por que ele estava servindo ao exército japonês. A mãe e os dois filhos desapareceram como se nunca tivessem existido. Desde então a casa permanecera inabitável, ninguém se aproximava dali achando que alguma maldição ou até mesmo maus espíritos rondavam o lugar.

-Onde vai? -Naruto ouviu Sakura questioná-lo. Ai se deu conta de que estava no terceiro degrau da extensa escada que levava ao segundo andar do casarão.

-Eu… Acho que só ia olhar lá em cima.- Não tinha muita certeza do porquê respondera aquilo, assim como não havia se dado conta de que ele estava preste a desbravar um lugar que uma pessoa em sã consciência não desbravaria.

-Não seja idiota ,Naruto!- Vociferou Sasuke, irritado- Já é suficientemente perturbador estarmos aqui e você está querendo dar um de caça fantasmas? Sua curiosidade as vezes é alarmante...

      Um estalo pesado rugiu através de uma porta abaixo da escada. Naruto colocou-se em posição de alerta, enquanto Sakura escondeu-se atrás de Sasuke. Ela sentiu um sopro gelado subir pelas costas e parar na nuca, enquanto o coração acelerava.

     Ela poderia dizer que o som foi ocasionado pelo vento ali fora, mas estaria se enganando. O barulho absolutamente viera de dentro da casa. Agarrou o braço de Sasuke, enquanto sua mente invocava as histórias relacionadas àquele lugar.

-O que foi isso? - Disse, esperando que Naruto e Sasuke a dissesse que estava louca e não ouvira nada. Ela queria estar louca. - Vocês ouviram?

-Sim- Sasuke encarava Naruto- Você viu a entrada lá fora no quintal, para o porão? Há alguma possibilidade deles estarem aqui embaixo?

-Pode ser que sim.- Naruto desceu os degraus ao responder, e colocou-se diante a porta que provavelmente levaria ao cômodo subterrâneo. Outro som pesado preencheu o local em um eco. Todos se assustaram. Naruto poderia dizer que o medo era mais por ser qualquer um do grupo de Kimimaro ali, do que qualquer outra coisa. Sem pensar muito ele tocou a maçaneta da porta e olhou para Sasuke: - Vamos! -Naruto indicou com a cabeça a porta. O amigo foi para perto dele e Sakura os olhou chocada, enquanto as mãos permaneciam no ar.

-Vocês estão brincando não é?

-Sakura, você fica aí, só vamos dar uma checada- Sasuke respondeu seriamente. Ele percebeu o olhar incrédulo da amiga e disse:- Não se preocupe, eu tenho certeza de que não é nada, e se for, não serão fantasmas ou qualquer coisa que pais contam a seus filhos para mantê-los longe da floresta.

-Isso não está certo! -Ela respondeu num fio de voz, enquanto sentia uma gota de suor escorrer na testa- Vocês já viram filmes de terror? Sabem o que acontece quando vai atrás do barulho estranho?! E pelo amor de deus! Quem fica pra trás sempre morre primeiro…

Naruto riu, enquanto pegava uma tábua de madeira largada no chão.

-Então venha com a gente- Disse o loiro, com um sorriso de canto- Eu acho que se for eles lá embaixo, deve ter, pelo menos, uns três a menos, então a chance da gente arregaçar vai ser maior- Naruto debatia com Sasuke, que concordava com um meio sorriso. - Se não for eles, então no máximo vai ser o Gasparzinho, então você joga seu charme Sakura e tudo fica numa boa- Naruto riu enquanto jogava um candelabro pra ela com dois braços, dos três, quebrados. Quase deixou o objeto cair ao chão na tentativa de segurar.

-Vocês só podem estar loucos, deveríamos ir embora daqui o quanto antes!- Ela via como nada do que dizia fazia os amigos mudarem de ideia. Suspirou pesadamente. Naruto tirou um isqueiro do bolso e se aproximou dela, acendeu o resto de vela que havia no único braço intacto - Vocês não sentem a energia desse lugar?

- Energia ruim dá pra sentir em qualquer canto. - Respondeu Sasuke, girando a maçaneta- Sakura, na época dos desaparecimentos a polícia revirou de cabo a rabo o local, não encontraram nada- Ele empurrou a porta, que fez um rangido breve e parou na metade do caminho- Tenho pra mim que o marido daquela mulher era louco, até hoje dizem que Hiruzen é, mas não pela morte da família, mas desde muito antes disso, então ela aproveitou e fugiu com as crianças... Ele que é um otário e acredita que não existiu nenhuma possibilidade da mulher ter se mandado.

-Você seria um ótimo policial, Sasuke!- O loiro bateu a mão no ombro do amigo, que revirou os olhos em desprezo.

-Deus me livre desse mal!- Sasuke resmungou e adentrou alguns passos no cômodo, viu que uma escada estendia-se a frente- Sakura, você disse que os que ficam para trás são os primeiros a morrer.- Ele apareceu na sala novamente, olhando a amiga de cabelos loiros- Venha na nossa frente, está tudo escuro ali embaixo.

       Sakura engoliu a seco e andou a passos lentos pra perto do amigo moreno. Ela ergueu o braço com o candelabro aceso em mãos.

-Deixo as honras com você- Ela disse, depois ele pegou o objeto- Os medianos são os menos propensos a morrer, Naruto, você vem atrás de mim!

      O loiro riu dela, enquanto Sasuke negativou com a cabeça, adentrando no local novamente, só que agora mais iluminado. Ele desceu a escada cautelosamente, enquanto ouvia os amigos atrás de si. A respiração alta de Sakura e o chacoalhar da corrente de prata de Naruto.

-Eu to com um cagaço da porra !- Naruto falava alto, quebrando o silêncio sepulcral do lugar. Sua voz poderia ter cruzado a casa toda em ecos- Mas tô me sentindo o Sherlock Holmes, então a sensação fica um pouco melhor…

       Quando chegaram, enfim, no espaço do porão, puderam ver , na outra ponta do local, a escada que dava para o quintal. Sasuke viu, de onde estava, que a porta estava trancada com um cadeado e correntes. Percebeu Naruto reparar também. Sakura permanecia encolhida perto de si observando tudo com os grandes olhos verdes. Ele suspirou aliviado. Isso quer dizer que não havia nenhum idiota do grupo de Kimimaro ali.

Mas o que ocasionou o barulho então?

Observou o resto do porão.

      Havia uma mesa com papéis e livros espalhados sobre. Estantes com mais livros e caixas de papelão fechadas. Além de alguns quadros empoeirados, em um canto.

      Aproximou-se mais, atravessando uma parte do local. Enquanto Sakura sussurrava seu nome em advertência.

       Inclinou-se perto das pinturas, passou a mão sobre uma, tirando a grossa camada de poeira. Observou as cores escuras que compunha a arte. Havia mulheres nuas e belas jogadas ao chão. Enquanto acima delas, uma figura com roupas escuras, de rosto indecifrável, prevalecia ereto, enquanto às suas costas a noite era tingida em preto e vermelho, com um destaque para a lua cheia amarelada.

     De certo era uma pintura estranha e um tanto quanto macabra. Mas havia certa boniteza naquilo. Principalmente nas mulheres aos pés do ser. Uma delas tinha seios realmente fantásticos.

-Belo par de tetas!- Assustou-se com a voz de Naruto perto de si. Olhou para ele furiosamente, mas o loiro só encarava a tela com um meio sorriso sacana- Que porra é essa aqui- Ele apontou para a figura em pé no meio das mulheres - Deve ser o dono do cabaré… Inveja de você , meu amigo!

-Vocês são um bando de otários- Sakura disse próxima a eles, sentiu o tom azedo na voz dela. A garota girou nos calcanhares afastando-se, e então se aproximou da mesa empoeirada- Garotos só pensam nisso.- Ela espalmou um livro grosso de capa marrom, abrindo e depois folheando rapidamente as páginas escritas a mão.

-Claro , minha cara! - Naruto inclinou-se na mesa, enquanto revirava algumas folhas soltas- Um dia, quando tiver peitos, saberá a importância de pra que usá-los …

-A maior importância que um peito tem, com certeza não é pra enfiar na boca de tapados como certas pessoas!- Exclamou ela, entredentes.

      Naruto riu, enquanto tentava acalmar o humor da amiga que começa a ser substituído pela raiva.

     Sasuke observou a parede de tijolos perto dos armários antigos. Em Como alguns blocos estavam desmoronados ao chão, criando uma pequena entrada. Ele levantou o braço, iluminando aquela direção com o candelabro. Fixou os olhos no lugar.

      Sobressaltou-se quando ouviu um barulho vindo dali, de detrás das paredes de tijolos. Naruto e Sakura pararam imediatamente de discutir e olharam para o local, e depois para ele. Aproximou da entrada sorrateiramente.

-Sasuke!- Sussurrou a loira, com os olhos arregalados- O que pensa estar fazendo?

     Agachou-se, a meio metro da pequena entrada do local e ergueu o candelabro. Mentiria se não dissesse que estava sentindo um pouco de medo. O que fazia uma linha de suor escorrer em sua têmpora, enquanto observava compenetrado o pouco de espaço iluminado naquele local.

Ouviu um estalo. Assim como um palavrão de Naruto.

       Inclinou-se mais para dentro do local, sentindo algo o guiar, como se estivesse em mar aberto e ouvisse uma cantiga fatal de uma sereia. Seus olhos mal piscavam. E o coração, começava a bater descompassado. A adrenalina era maior do que a que sentiu quando atingiu um chute no estômago de Kidomaru.

-Sasuke, vamos embora, saia daí !- Ouviu Sakura falar-lhe, com tom de preocupação e medo.

       Levou a mão vazia para a entrada do local, apoiando-se, enquanto sua cabeça aproximava-se da entrada.

       Mas sua curiosidade interrompeu-se quando um vulto preto tomou conta de seus olhos e agarrou-se a ele. Ouviu gritos no local. Enquanto ele foi ao chão, assim como o candelabro. Sakura correu, mas tropeçou numa madeira elevada e caiu .

O vulto era um gato preto.

       O bichano saiu de cima de si e correu escadas acima. Enquanto ele permanecia jogado no chão, com o coração aos pulos pelo susto.

-Pura que pariu!- Exclamou Naruto, com a mão no peito e recostado na mesa. - Vocês estão bem?

Ele acenou positivamente e depois olhou para Sakura que permanecia de quatro no chão.

-Sakura?- Disse aproximando-se, assim como Naruto.

      Quando chegou perto dela, observou com olhos semicerrados, o sangue de Kidomaru, que tomava conta do antebraço e da mão direita da amiga desvencilhar-se de seu corpo, como se estivesse derretendo. O líquido carmim cruzou da mão para o chão, sendo absolvido por este.

Todo o sangue havia desaparecido, tanto do braço de Sakura, quanto do chão de madeira.

-Que merda é essa? -Disse Naruto, olhando dele para Sakura, que os olhava de boca aberta e olhos esbugalhados marejados- Isso …Aconteceu como? Você fez algo?- Naruto olhou de cenho franzido para Sakura, que fungou.

-Pelo amor de Deus! você viu! Isso… Isso saiu sozinho! - Ela levantou-se segurando o braço limpo contra o peito.- Eu não estou gostando disso! Vamos embora daqui , agora!- Dito isso ela virou-se sem olhar para trás e cruzou rapidamente as escadas acima.

     Ao chegar na sala, Sakura correu para a porta, sentia uma bile presa na garganta. Escorou-se no armário que bloqueava a entrada, tentando colocar a mente no lugar. Aquilo que acontecera não poderia ser um delírio seu, por que outros viram também.

      E a veracidade da realidade começava a chocá-la e amedrontá-la em níveis dolorosos fisicamente e incapacitantes mentalmente.

     Deu um longo suspiro e colocou-se na lateral do armário, fazendo força para empurrá-lo. Conseguiu arrastá-lo dois passos quando Sasuke tomou seu campo de visão , suado, e colocou-se ao lado dela empurrando também.

Quando enfim desbloquearam a porta ela deu por falta do amigo loiro.

-Onde está Naruto?- Perguntou, abrindo a porta e deixando um pouco do vento adentrar naquele lugar que parecia mais sufocante que antes.

-Achei que ele estava vindo logo atrás de mim...- Sasuke respondeu, aproximando-se da porta que levava ao porão- Naruto?! Vamos embora!- Gritou o moreno, sua voz ressoava por todo o local- Esse idiota só pode estar xeretando mais coisas- Disse pra si mesmo.

      Sasuke adentrou pela porta semiaberta do cômodo inferior, enquanto Sakura passou a segui-lo. Mesmo amedrontada ela não iria sair dali sem Naruto e nem ser deixada sozinha ali na sala.

-Naruto? - A voz de Sasuke ecoou pelo local escuro, e que era pouco iluminado pela luz da lua que vinha da porta de entrada da casa, agora aberta, e adentrava levemente ali, dando visão somente a alguns pontos do local.

     Ouviram um ruído estranho e algo arrastando-se. Ela estagnou no meio da escada, sentindo as mãos geladas. As pernas começavam a balançar de leve. Isso não está bom… Não está nada bom.

Sasuke desceu, aproximando-se mais.

-Naruto, pare de gracinhas e vamos logo!- Ela exclamou, apertando a mão no corrimão de ferro. Não sabia ao certo porque, mas sentia no fundo do peito um pressentimento ruim, que aumentava cada vez mais, fazendo sua têmpora suar e o ar em seus pulmões quase sufocá-la para sair.

      Um estalo ecoou, seguido de um grunhir baixo. E nesse ponto, ela sabia que algo realmente estranho estava acontecendo. Quando Sasuke voltou o olhar para ela, de cenho franzido e olhar incerto, ela sabia que ele sentia o mesmo. O barulho estranho voltou e Sasuke aproximou-se mais.

-Naruto…- Disse o moreno, forçando as vistas para o escuro.

      Quando no feixe de luz que atravessava parte do chão até a parede de tijolos um braço coberto de sangue caiu, Sasuke arregalou os olhos. Ouviu o grito espantado de Sakura, que levou as mãos à boca recostando-se na parede com os olhos tão abertos que pareciam querer pular de seu rosto.

      Ali, no canto mais escuro do local, perto dos quadros e da passagem na parede, ele viu algo. Não saberia dizer ao certo o que, já que parecia tão escuro quanto a própria noite. Mas quando aquilo.. Aquilo que parecia se alimentar de Naruto voltou o rosto sem definição para si, com a boca, de dentes encardidos tão pontiagudos como navalha, mastigando, ele soube que não era algo bom. Ele ficou estagnado por segundos, assombrado.

-Naruto! -Sakura gritou em meio a um choro.

      Sasuke viu uma mão de pele escura e enrugada , com dedos compridos e unhas afiadas prateadas , deslizar sobre o chão pouco iluminado, segurar o braço de Naruto e tão rápido quanto um projétil de bala, recolher-se com parte de seu amigo na escuridão.

       Não soube o que o levara a começar a correr dali. O medo de certo era o maior motivo existente. O medo principalmente pelo sorriso que aquilo pareceu ter dado a ele, enquanto da boca pingava sangue.Sangue do meu melhor amigo…

       Ele subiu as escadas puxando Sakura pelo braço, ela se deixou guiar enquanto gritava o nome do amigo loiro num choro impossível de guardar. Cruzaram a porta da casa. Sasuke correu praticamente a carregando, enquanto ela trombava nos galhos e pedras da floresta coberta pela escuridão.

-Não, Não, não…- Sakura desvencilhou-se de seu agarre, recostando-se numa árvore. Seu corpo escorregou até o chão terroso, em meio a grama e arbustos. - Sasuke…- Ela o olhava de olhos arregalados e mãos trêmulas- Eu não consigo…

-Sakura…- Sua voz saiu engasgada. Sentia ânsia, ao mesmo tempo que os olhos ardiam, contendo qualquer lágrima, quer fosse de desespero, medo ou perda.- Nós precisamos sair daqui! Se aquilo vier atrás de nós...- Fechou as mãos envolta do rosto avermelhado da garota- Não podemos parar, você entende? Você entende, Sakura?

      Ela balançava a cabeça negativamente, enquanto de seus olhos verdes, lágrimas caíam incessantemente. Sentiu o braço dela passar em volta do seu pescoço, num abraço que o sufocava, enquanto soluçava palavras baixas:

-E-Ele tá morto, Sasuke!- A voz tremida e sôfrega o fez reviver em sua mente a cena de minutos atrás. Respirou fundo, sentindo que não poderia cair, não agora, não naquele lugar. - Naruto! Nosso melhor amigo…

        Da boca aberta, o ar pesado era expelido, enquanto uma mão trêmula passou pelo cabelo da amiga, num consolo que nem ele, em seu estado de controle, poderia realmente dar. Sua mente expelia imagens grotescas, enquanto a todo momento engolia o choro preso na garganta. Ouviu o leve farfalhar das folhas no solo da floresta, assim como estalar de galhos. Ele olhou a escuridão à sua volta e depois para cima, os pinheiros altos pareciam fechar-se sobre eles, mal deixando entrar alguma luminosidade dentre seus galhos repletos de folhas. Sua respiração acelerou, parecendo acompanhar o batimento rápido de seu coração. Aquilo foi suficiente para lembrá-lo que ele ainda estava vivo, mas se continuasse ali passível, talvez passasse a não estar.

       Passou um braço por baixo das pernas de Sakura, segurando-a em seu colo. E correu, em um ritmo relativamente menor do que costumava. Mas colocou todas as suas forças ali, porque sentia que sua vida e a da amiga dependeria do esforço dele de agora.

      Sakura estava mais quieta em seus braços, enquanto os ruídos da noite estavam sempre a preencher seus ouvidos. O som inquietante de corujas, o vento balançando os galhos no alto de sua cabeça, os arbustos que pareciam esconder coisas. Tudo o fazia olhar para trás, com medo de aquilo tê-los alcançado. Por vezes sentia-se fraquejar e quase cair, mas o medo de coisas ruins acontecerem era maior.

O medo lhe dava força pra continuar.

       Assim como deu para cruzar a floresta. Para atravessar algumas ruas. Para chegar ao seu lar. Para contar tudo que acontecera para a diretora do orfanato. Mas nem o medo dele e nem o de Sakura fora suficiente para que os que ouviram entendessem a situação. Nem a diretora do orfanato, nem a polícia.

      A casa da floresta fora revistada e nada encontrado. Nem sangue, nem lágrimas. Nem corpos vivos, muito menos mortos.

Ninguém acreditou no que de fato aconteceu.

      Tudo parecia encoberto com um véu de ilusão. Ninguém fora culpado ou encontrado. O máximo que puderam dar ao caso, fora uma repreensão e alguns dias na cadeia para o grupo de Kimimaru, por botar medo e serem agressivos com os três órfãos amigos. Que no caso eram dois, agora.

Um comprimido, dois.

      Um diagnóstico de alucinação baseado em depressão psicótica era o que melhor se encaixava , pela polícia e psicólogos, à mente de dois jovens perturbados pela vida sem pais. O resultado se moldava mais precisamente ainda pela fuga de um loiro, com hiperatividade, que simplesmente saiu para o mundo, atrás de realizar sonhos, construir uma família e viver feliz. Porque Naruto era assim, um cara de sonhos. E para tal, ele teria que fugir e deixar os amigos problemáticos para trás.

     Era essa a solução que se construia para o caso. Adolescentes, desde sempre, perturbados. Um amigo que caiu no mundo. E uma morte construída por medos de encarar a realidade: Que eles, Sasuke Uchiha e Sakura Haruno, foram abandonados outras vez.

-Às vezes, projetamos coisas para tentar esconder uma verdade que não nos agrada- A voz da psicóloga ecoava ao seu redor, enquanto os olhos negros fitavam o teto de madeira.Ele procurava algo em sua mente que desfocasse do que ela falava, para , simplesmente, não mandá-la ao inferno. - A incapacidade de lidarmos com certas situações faz nossa mente nos pregar peças. Temos que ter um autocontrole e, se não tivermos, trabalhar isso para que não afete nosso modo de viver. Acreditar numa coisa irreal às vezes leva a loucura. Você entende, Sasuke?

Fechou os olhos.

1 de Agosto de 2018 a las 23:50 0 Reporte Insertar 0
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