Dr. Tempo Seguir historia

lordcave Guilherme Morato

Já imaginou ser um paradoxo? Não sabe o que é? Acompanhe a história de um humano que deixou de existir e agora vaga por diversos mundos e linhas temporais. Descubra os problemas de ser um paradoxo e viva histórias contadas por um cientista que perdeu a fé na humanidade e acompanhe sua evolução.


Ciencia ficción No para niños menores de 13.

#ficção-científica #viagem-no-tempo #Dr-Tempo #Paradoxo #tempo
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Paradoxo

Paradoxo: Substantivo Masculino

1- Pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.

2- Aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.


Me chamavam de Dr. Tempo, na época em que eu ainda estava "vivo". O mais confuso desta história é que eu ainda estou vivo, porém na verdade estou morto, porque eu causei minha morte. Em resumo: Eu me assassinei e continuo vivo. Contraditório? Exato! Por causa dessa falta de lógica, eu sou um paradoxo. Vou contar minha história de quando eu ainda era um humano comum, eventualmente isso tudo vai fazer sentido.


Eu nasci no ano de 1978, em uma cidade pobre cujo nome não faz diferença alguma para esta história. Minha família era como outra qualquer, meu pai era um homem sério, porém amável com as outras pessoas e minha mãe era uma gentil senhora que cuidava com muito amor dos menos afortunados. Eu fui feliz até os meus 9 anos, época em que descobri as terríveis guerras ocorridas no passado e as atrocidades cometidas nesse mundo caótico. Foi com a descoberta destes acontecimentos que perdi parte da minha fé na humanidade, que com o tempo foi desaparecendo cada vez mais, em virtude das notícias que iam e vinham de assassinatos, assaltos, doenças criadas por atos indevidos, atentados, suicídios, enfim, tudo aquilo que era considerado como ruim.


Com a esperança de que o mundo iria melhorar quase no fim, no auge dos meus 18 anos, decidi dar início ao projeto da minha vida: Iria criar uma máquina do tempo e impedir as atrocidades cometidas pelo ser humano. Tornar o mundo um lugar melhor mudando o passado. Ideia brilhante, não? Não! Mal sabia eu que este seria o pior erro de minha vida. Diversas vezes tentaram me avisar que mudar o passado era impossível, mas eu era ambicioso e não dava ouvidos. "São invejosos que gostam do mundo como está, só porque se beneficiam com as injustiças", eu pensava.


Depois de anos de isolamento, desenvolvi a teoria para voltar no tempo. Com 28 anos montei uma equipe, comprei um laboratório com o dinheiro da venda da pesquisa e comecei a construção do primeiro protótipo de máquina do tempo. Falhei. E quando construí um novo protótipo, falhei novamente. E isso se repetiu por anos e anos. Minha sanidade mental se esvaiu com o passar do tempo. Eu era um louco fissurado com um projeto insano. Muitos da minha equipe desistiram. Ao meu lado só haviam outros loucos que acreditavam fielmente na minha visão de mundo. Todos morreram. A fome, o isolamento, a loucura, a desidratação foram fatores que mataram meus companheiros silenciosamente. Naquela sala imunda só estavam eu e o último protótipo. Eu estava nos meus últimos momentos, mas tive forças para ligar a máquina. O tempo começou a ficar estranho ao meu redor. O portal estava ligado. Senti meu corpo flutuar enquanto desfrutava de uma sensação de juventude indefinível. Minhas funções corporais funcionavam perfeitamente, de uma maneira que há muito tempo não sentia. Aos poucos meu corpo ia em direção ao portal, enquanto eu ria histericamente, percebendo meu sucesso na pesquisa, alienado, desatento em relação às mudanças ao meu redor. Passados alguns minutos, meu corpo tocou o portal.


Uma explosão se formou, porém eu assistia à tudo como um espectador. Eu não sentia a destruição da explosão. Eu estava intacto e tudo ao meu redor estava em processos constantes de fusão e fissão. Em poucos segundos, o universo que eu conhecia não existia mais. Mas eu estava vivo. E podia ver  na linha do tempo todos os acontecimentos que eu havia vivido. Mais que isso, podia ver todas as possibilidades de acontecimentos. Eu estava diante de uma enorme cadeia de linhas temporais, mas todas acabavam no momento em que eu tocava o portal. Eu podia repetir a cena da explosão diversas vezes.


Em meio ao desespero, demorei a entender meu estado: Eu estava na posição que sempre sonhei. Controlava o tempo sem dificuldades, com a força da minha mente. A máquina do tempo me permitiu desenvolver meu cérebro para viajar no tempo como bem entendesse. Mas de que adiantaria? Tudo acabava no momento em que eu tocava a máquina. Eu não poderia continuar com o meu desejo, já que destruí a linha temporal. 


Entre a loucura e a razão, decidi fazer os mais insanos testes nos acontecimentos passados, entretanto todos levavam ao fim inevitável: A minha máquina do tempo. O meu eu nunca estava satisfeito com o mundo. Sempre encontrava algo ruim que era necessário mudar. Percebi então que, não importava o que eu fizesse, sempre o fim era o mesmo. O problema não era o mundo, o problema era eu. Depois de chegar à conclusão inegável, eu finalmente percebi o que eu devia fazer: Me impedir. Porém, algo me inibia de dar um fim ao meu eu. Eu estava com medo, medo de deixar de existir, medo da morte. 


Flutuei entre linhas temporais por muito tempo até criar coragem para evitar o meu ato descuidado. Tentei usar meus amigos para me alertar, mas meu eu passado negava as advertências. Fiz os meus companheiros de equipe desistirem. Destruí o suprimento de comida e água do laboratório, fiz todos os meus seguidores morrerem. Mas nada adiantava. Percebi que tudo o que eu havia passado antes de criar a máquina era a minha própria tentativa de me impedir. Num ato de desespero, eu entrei na linha temporal e fiz com que o meu eu do passado caísse da escada, momentos antes de ligar a máquina. Com a queda, ele morreu. O ciclo foi quebrado. Eu me matei. Estava pronto para desaparecer no vácuo, porém...  nada aconteceu.


Eu estava ali, vivo, com meus poderes de viagem no tempo, imortal. Era meu fardo. Eu iria existir para sempre entre as diversas dimensões temporais. Decidi me transformar no guardião do tempo. Evitando que qualquer um chegasse próximo da minha criação.

Até hoje eu vago entre os diversos mundos e dimensões existentes, observando os seres vivos e impedindo que qualquer um descubra a minha teoria.


Eu me chamo Tempo, o guardião da linha temporal,

E este é o livro que contém as histórias de um Paradoxo, vagando por entre dimensões e linhas temporais, impedindo que qualquer um cometa o mesmo erro que ele. 

31 de Julio de 2018 a las 09:30 3 Reporte Insertar 3
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Jp Ribeiro Jp Ribeiro
Irado demais a idia de sua estória, parabéns, muito bom...:)
7 de Agosto de 2018 a las 17:42

  • Guilherme Morato Guilherme Morato
    Muito obrigado! Que bom que gostou! Agradeço muito mesmo pelos comentários, eles me motivam muito a continuar escrevendo. 8 de Agosto de 2018 a las 07:05
  • Jp Ribeiro Jp Ribeiro
    Hehe...;) 8 de Agosto de 2018 a las 07:26
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