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kuwuun minggie ee

[wonheon] "Nunca sabemos ao certo quando alguém passa a ser importante para nós, nunca sabemos dizer o quão grande é esse sentimento que mora em nossos peitos, então não pergunte quando eu comecei a amar você ou quando você passou a ser parte de cada momento do meu dia, eu só sei que você me traz uma felicidade sem igual." | xcollab • wonho!fem | | kihyun!fem • menção showhyuk e changki |


Fanfiction Bandas/Cantantes Todo público.

#wonho #wonheon #jooheon #femau #wonhofem #changki #menção-changki #changkyunfem
Cuento corto
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I just love you

Quando eu era criança e estava no ensino fundamental eu tinha muitos amigos, era uma época feliz ou ao menos eu achava que era. A minha turma era responsável por cuidar de um coelho, ele era pequeno e fofo, gostava muito das cenouras que dávamos e vivia pulando de um lado para o outro com aquele focinho curioso, mas infelizmente nossa felicidade...


— Seok venha tomar café querida, você não pode se atrasar para a feira cultural. — A voz de Minhyuk fez a jovem garota sair de seus devaneios, finalmente o pior dia do ano letivo tinha chegado, mais uma vez a semana cultural havia chego, trazendo os piores momentos que Hoseok gostaria de vivenciar.

Uma semana inteirinha sem aula, onde os alunos faziam várias barracas decorativas trazendo informações e diversão para o corpo discente e docente. — Seok você está acordada?

— Já estou descendo appa, só estou procurando minha agenda.

Assim que chegou na sala de estar estranhou ainda encontrar seu pai Hyunwoo sentado à mesa junto de Minhyuk, normalmente o mais velho já se encontrava no trabalho e quem a levava para escola era seu pai mais novo.

— Bom dia appa, ainda em casa, aconteceu algo? — Perguntou sentando-se ao lado do mesmo e depositando um beijo em sua bochecha fofa.

— Bom dia querida, eu e seu pai temos algo a conversar com você.

O modo como o homem falou deixou a garota preocupada, ela trocava o olhar entre ambos e nenhum deles esboçava alguma reação.

— Vocês estão me assustando appa.

A voz chorosa já denunciava a menina, Hoseok sentia-se sufocada naquele momento, muitas coisas passando em sua mente e o medo falando mais alto.

— Meu anjo respira, só queremos conversar sobre sua falta de amigos. — Dessa vez fora Minhyuk que se pronunciou, deixando Hoseok ainda mais desesperada.

— Não há nada para falar sobre isso.

Passou a olhar freneticamente para a mesa, trocando o olhar entre o prato com ovos e bacon para a xícara com café com leite.

— Temos sim querida, você tem sempre a mesma rotina, vive sozinha, isso não é bom para você. — O olhar suplicante que ela e Hyunwoo trocaram fez Minhyuk soltar uma risadinha. — Normalmente os pais querem que os filhos não saiam e essas coisas, mas eu quero que você seja feliz...

— Eu sou feliz. — O olhar indignado que a garota lançou para os pais era o sinal de que a conversa teria que ficar para depois. — Eu tenho que ir ok? Nós nos falamos mais tarde, quando vocês voltarem do trabalho.

E antes que alguém pudesse se manifestar, Hoseok pegou a mochila e correu para o hall de entrada, calçando os sapatos e pegando o casaco antes de partir porta a fora.

Hoseok era feliz, ou ao menos achava que era, sozinha na sua desde aquela época, mas não se importava, era muito melhor ficar na sua, ouvindo suas músicas e lendo seus tão amados romances.

Não que a Lee odiasse as pessoas e essas coisas, mas quando se está no ensino médio e os adolescentes estão descobrindo coisas estranhas, é de se esperar que coisas estranhas saiam de suas conversas. E era isso o que ela rejeitava, os diálogos e piadas bestas que eles tinham, ela não entendia e muito menos achava graça.

xx

O barulho habitual da escola parecia mil vezes pior, principalmente agora que o evento organizado pelo primeiro ano se iniciou. Era um desfile onde os alunos iriam eleger um casal de alunos como os visuais de cada ano, mas Hoseok não se importava, preferia ficar no telhado sentindo o vento balançar seus cabelos.

Por isso nesse exato momento subia as escadas do terceiro andar indo em direção ao terraço, conseguia ver os alunos correndo para a quadra, o evento estava quase se iniciando e ninguém queria perder aquele momento, mas tudo fluiria normal se ninguém tivesse a ousadia de puxar a saia que a Lee usava.

Tudo pareceu parar, o ar ficou mais pesado, a garota estancou no mesmo lugar, fechou os olhos e quando abriu um brilho diferente irradiava das orbes escuras.

O chute foi certeiro no rosto de um dos adolescentes que se encontrava alguns degraus abaixo que a Lee, o pé da garota acertando diretamente a bochecha do rapaz que foi jogado para trás com um força assustadora.

Ninguém esperava por isso, todos os alunos que ainda se encontravam no corredor pararam para olhar a cena, o rapaz jogado no chão era um dos mais populares, Lee Jooheon ou Covinhas de Ouro - como era chamado por algumas alunas - era o agredido, ele tinha a mão direita sobre a bochecha esquerda e a canhota no chão, se apoiando, a careta de dor era evidente.

— Omo Hoseok, como você pode ser tão cruel com o oppa, claramente quem puxou sua saia foi o Changkyun oppa e não o Hooney oppa. — Um garota gritou enquanto sentava-se ao lado do Lee e encarava a menina horrorizada.

— Está tudo bem Kihyun, eu estou bem. — O doce e baixo som da voz de Jooheon fez os presentes lhe encararem tentando ter certeza do que o rapaz dizia, mas o olhar dele estava fixo em Hoseok. — Acidentes acontecem, ela não tem culpa.

Sem esperar por novos comentários ou reações exageradas, Hoseok virou-se novamente para a direção na qual ia, seguindo seu caminho normalmente.

xx

Infelizmente nada pareceu voltar ao normal depois daquele dia, na verdade tudo pareceu piorar, a Lee recebia bilhetes de ameaça e ódio gratuito por uma atitude instintiva, ela recebia apelidos idiotas por algo que não era sua culpa. Mas ninguém parecia se importar com o seu lado, apenas em como ela foi cruel e insensível com o adorável Jooheon.

Aquele assunto lhe dava dor de cabeça.

— Lee Hoseok? — A voz um tanto quanto conhecida fez a menina pular em seu lugar, olhando para trás e sem querer batendo a cabeça no armário de calçados. — Eu vim me desculpar pelo o que estão fazendo com você, não é muito nobre da parte deles fazerem "justiça" com as próprias mãos.

O riso baixo que fluiu do rapaz deixou a cabeça da garota nublada, o Lee até que era adorável, isso Hoseok não podia mentir, e a marca do chute ainda se encontrava na bochecha esquerda do menino.

— Desculpa, eu não sei o que deu em mim para chutar você daquela forma, mas, por favor, entenda o meu lado, vocês estavam tentando ver a minha... calcinha. — O rosto de ambos pegavam fogo, era constrangedor demais proferir aquela sentença de tal forma, em um corredor cheio de armários e alunos prontos para irem embora.

— Eu sei, e não te culpo pelo chute, de verdade, na verdade eu fiquei maravilhado com a força e coragem que você teve de me atacar daquela forma, e o Chang pode ser meio infantil, mas eu tenho certeza que ele fez aquilo sem pensar, nunca em hipótese alguma ele seria pervertido a esse ponto. — Nenhum dos dois acreditava naquilo, afinal estavam falando de Changkyun. — Tudo bem, ele é pervertido a esse ponto, mas pelo menos comigo ele não é assim e não sei de onde ele tirou essa ideia besta de fazer isso.

Não havia o que dizer, ao menos Hoseok achava isso, ela simplesmente acenou para o rapaz e checou o armário rapidamente, correndo para fora da escola em direção ao carro de seu pai Hyunwoo, deixando Jooheon incrédulo para trás.

Mas o que a garota não sabia era que o jovem Lee era insistente e que quando gostava de algo fazia de tudo para ser retribuído, então nos dias que se sucederam aquele, Lee Jooheon passou a perseguir — de um modo bom — a garota, sempre perguntando como ela estava, se queria companhia para o almoço, puxando assunto e tentando a todo custo ter o número de celular da jovem. Porém naquele dia ele resolveu utilizar de outra tática, em vez de pedir o telefone porque ele não passar o próprio número e torcer — muito — para que recebesse uma ligação ou mensagem da menina.

E quando finalmente o momento chegou, esperava ouvir qualquer coisa menos aquilo.

"Eu estou com problemas, por favor, eu sei que não tenho esse direito, mas você poderia me ajudar? Há um homem me seguindo e eu estou ficando com medo."

O Lee nunca correu tanto como estava correndo naquele momento, tinha sorte que a loja de CD's ficava no mesmo bairro que sua casa, mas isso não significava que era perto.

Suspirou aliviado quando viu que Hoseok estava bem dentro da loja, olhando incansavelmente para o outro lado da rua onde um rapaz jovem, usando um uniforme de uma outra escola, estava parado. O desconhecido olhava fixamente para a Lee que tentava a todo custo se esconder e ainda espiar arrancando uma leve risada do Lee que entrava sorrateiramente na loja e seguia até a jovem.

— Tudo bem? Eu vim o mais rápido que pude. — A voz baixa soou muito próxima, assustando Hoseok de uma forma engraçada.

— Para ser sincera eu nem esperava que você fosse aparecer, de verdade, eu fiquei com muito medo.

As bochechas coradas deixava tudo ainda mais fofo aos olhos do menino.

— Tudo bem, vamos embora ok? Eu sei uma forma de afastar ele.

E segurando firmemente no pulso de Hoseok para que ela não fugisse, Jooheon levou-a até a entrada da loja, fazendo o rapaz acompanhar cada movimento dos dois e tencionar onde estava. O Lee olhava duramente para o desconhecido, mas quando seus olhos pararam sobre Hoseok eles mudaram rapidamente para um brilho desconhecido por ambos.

— Eu te amo.

Foi tudo o que Jooheon proferiu antes de beijar a Lee.

xx

Uma semana desde o beijo e nenhum dos dois sabia como iniciar um diálogo decente com o outro, por um lado Hoseok tentava agradecer Jooheon por ter ajudado com o perseguidor e do outro lado Jooheon se encontrava tentando digerir e se desculpar por ter roubado o primeiro beijo da Lee. Não que nunca tivesse beijado também, longe disso, mas sabia que para algumas garotas — senão todas — aquele ato era especial e esperado que acontecesse com alguém especial em um momento especial, não em frente a uma loja de CD's para fazer um perseguir sair de sua cola.

E o medo de receber um olhar decepcionado ou desconfortável vindo da menina de cabelos negros deixava o coração do Lee apertado.

— Hyung, poderia prestar atenção no que eu digo? — A voz grossa e irritada de Changkyun fez o rapaz sair de suas inseguranças e encarar o rosto magro e cansado do amigo.

— Desculpe-me Chang, o que dizia mesmo?

O olhar magoado que o Im lhe lançou estava explícito que começaria o drama de todo dia. — Que hyung negligente é esse que eu tenho, vive no mundo da lua e nunca há tempo para o dongsaeng, tudo isso porque conheceu...

Antes mesmo que conseguisse terminar de falar viu o melhor amigo correndo em direção ao corredor e sumindo segundos depois, não entendia o que estava acontecendo e não gostava daquilo.

— Oppa você viu o Hooney? — A voz meiga de Kihyun soou despertando o Im de seu transe, o rapaz dirigiu suas orbes para a colega de classe e sorriu de lado, fazendo suas bochechas corarem.

— Ele estava aqui até agora e então sumiu por aquele corredor, algo que eu possa ajudar? — A voz completamente diferente de como estava conversando minutos atrás com o mais velho.

— Iremos ao karaokê depois da aula e queria que vocês fossem, levem algum amigo ou até mesmo amiga. — O tom irônico quando a palavra amiga foi pronunciada fez Changkyun segurar o riso.

— Vou falar com ele, mas conhecendo o hyung como conheço eu sei que ele irá, aquele ali nunca perde um karaokê por nada.

Ambos os adolescentes riram e Kihyun suspirou quando o sinal para a segunda aula tocou, se despediu rapidamente do amigo e correu para sua sala de aula.

"Onde aquele hyung se meteu?" Changkyun não parava de se perguntar, o professor já estava quase entrando na sala quando um ofegante Jooheon sentou-se rapidamente na carteira da frente.

xx

Hoseok estava aérea durante a aula pela primeira vez e tudo era culpa de Lee Jooheon, o dono das covinhas tinha lhe parado no corredor e se desculpado pelo acontecimento da semana anterior, fazendo assim que as dúvidas e angústias de ambos fossem sanadas e um convite para ir ao karaokê surgido.

A aula nem ao menos parecia interessante quando o sorriso de covinhas surgia na mente da menina, tudo o que lhe faltava.

Claro que não recusou o convite, adorava o karaokê mesmo que sempre fosse apenas com seus pais, que para a sua sorte não passavam nem perto de serem bons cantores, o que sempre arrancava boas risadas — e piadas — entre a família.

Talvez pudesse finalmente se abrir para amizades e deixar Jooheon entrar em sua vida. Só esperava não se decepcionar mais uma vez.

xx

O aglomerado de jovens que se encontravam no portão da escola fez Hoseok soar frio e naquele momento a garota pensou em desistir, até porque, quando Jooheon disse que ia apenas alguns amigos íntimos, não imaginou que fosse quase uma turma toda para o karaokê.

Olhou desesperadamente para os lados em busca de sua saída e quase chorou de alívio quando percebeu que um grupinho grande de garotas ia em direção ao portão, se conseguisse se esconder e escapar da escola, poderia ir para casa sem que o Lee percebesse.

Mas infelizmente nada é como queremos e Jooheon viu a menina antes que ela pudesse terminar de planejar sua fuga, tratou de correr em direção a jovem pegando em sua mão sem se importar com os olhares que recebia. Aquilo era muito novo para ambos, principalmente para Hoseok, a mão quentinha de Jooheon tocando gentilmente a sua, transmitindo uma calma descomunal para a garota, mas ao mesmo tempo um leve formigamento. Suas bochechas pegavam fogo e seu estômago estava inquieto, o que seria aquilo?

— Pessoal essa é a Hoseok, minha nova amiga, espero que a tratem bem. — O som melodioso do rapaz despertou a Lee de seus devaneios profundos.

O "oi" coletivo que recebeu fez a menina corar mais, e apenas uma reverência foi feita.

O que estava acontecendo consigo? Nunca ficava corada quando alguém lhe cumprimentava — mesmo que fosse um acontecimento raro.

A caminhada até o clube foi algo desconfortável para a garota, que via como eles se tratavam e as conversas que não compreendia. Kihyun era a única que lhe dava atenção, explicando algumas coisas e puxando assunto quando um outro acabava.

xx

— Eu quero escolher primeiro. — Uma garota que Hoseok não se recordava do nome gritou assim que entraram na salinha.

— Você sempre escolhe primeiro Xuanyi. — A voz divertida de um dos garotos soou por trás de si, arrancando uma risada de todos pelo bico infantil que a menina pôs nos lábios.

— Vamos deixar a Kihyun escolher primeiro, quando deixamos daquela vez só tocou música boa. — Changkyun se pronunciou, Hoseok se lembrava dele e de quando puxou sua saia, aquele ato infantil dele que a fez conhecer Jooheon e naquele momento um sentimento de conforto se apossou de seu coração.

A música escolhida era um clássico dos karaokês, todos se animaram na hora, inclusive Hoseok, mas a mesma permaneceu quieta na sua, cantando baixinho e rindo das palhaçadas que os garotos faziam, até a voz de Kihyun soar próxima de si perguntando se poderiam ir juntas ao banheiro.

Era estranho essa coisa de garotas sempre irem acompanhadas ao banheiro, isso era algum tipo de regra de amizade? Perguntaria para Kihyun quando se encontrassem longe da sala alugada.

O banheiro era limpo, uma coisa que agradecia aos deuses, o espelho enorme refletia uma Hoseok corada e sorridente, Kihyun era uma ótima companhia e isso era inegável, ambas riam de uma piada besta que ouviram um cara contando enquanto iam em direção ao toilette.

— Hoseok você já beijou o oppa?

A pergunta fez a Lee ficar pálida, olhando fixamente para o reflexo da Yoo.

— Co-como assim? — Se lamentou por estar gaguejando.

— Eu quero saber se você já beijou o Jooheon, dizem que toda garota que ele quer ter um relacionamento mais íntimo ele rouba um beijo dela. — O suspiro de ambas foi audível, Hoseok engolia em seco, tentando tirar da cabeça as imagens deles em frente a loja de CD. — Não que eu acredite nisso, ele é tímido e reservado demais para esse posto de garoto pegador.

Os olhares se encontraram, Hoseok corou ainda mais e a Yoo tentou entender o porquê.

— Nós nunca nos beijamos e isso não irá acontecer, então se você gosta dele, só se declare.

As palavras doces e cheias de incentivo fez Kihyun rir, ela não gostava de Jooheon, pelo contrário.

— Você é muito fofa, de verdade, Hoseok eu quero ser sua amiga, olha só você me aconselhando algo assim. — As risadas estavam deixando a menina ainda mais envergonhada, ok, hoje tiraram o dia para fazê-la corar.

— Eu não estou entendendo, desculpa. — Agora eram as duas rindo, uma cena digna de ser registrada para que pudessem se zoar no futuro.

— Eu vou usar o banheiro, melhor deixar isso de lado.

— Kihyun, antes de você fazer o que veio fazer, porque garotas sempre vão ao banheiro com alguém? Quase nunca sozinhas?

— Você é mesmo fofa Hoseok.

A Yoo entrou no box ainda rindo alto, limpando as pequenas lágrimas dos cantos dos olhos.

xx

Dizer que Hoseok não estava pilhada com o assunto que Kihyun tocou seria mentira, e se Jooheon quisesse ter algo mais profundo com ela? Talvez uma amizade mais forte? Não entendia nada desse mundo, se sentia estranha, ficava lembrando do beijo rápido e singelo que teve com o Lee, desejava sentir a sensação da mão dele sobre a sua, apertando suavemente e...

— Meu amor você está bem? — A voz de Minhyuk interrompeu os devaneios da filha — Estou te chamando faz quase dez minutos para vir jantar e nada de você responder ou aparecer, aconteceu algo na escola? Você anda tão distraída ultimamente.

O olhar preocupado do Lee fez a garota sorrir e lhe abraçar fortemente.

— Nada appa, eu só estou confusa com uns assuntos bestas.

O sorriso lançado ao mais velho fez com que ele deixasse de lado a história, por enquanto.

O jantar estava calmo como sempre, Hyunwoo reclamava do novo chefe e Minhyuk ria do marido dizendo que ele merecia por não ter tentado o cargo.

— Mais o appa gosta do que ele faz, esse novo chefe que deveria ser mais educado, não custa nada tratar seus funcionários bem.

Pela primeira vez Hoseok veio em defesa do pai mais velho que riu da carranca que o marido fez.

— Obrigado por me apoiar filha.

Era sempre assim, viviam implicando um com o outro, reclamando de algo bobo e quando as brigas de verdade vinham, era muito mais fácil se reconciliarem, principalmente entre seus pais.

— Querido eu acho que a nossa filha possa estar apaixonada, já que vive no mundo da lua e eu achei uma folha com corações desenhados em tudo quanto é parte. — A voz risonha de Minhyuk despertou ambos de seus pensamentos, Hoseok engasgou com o arroz e Hyunwoo com o suco. — Sabe que sempre que quiser conversar sobre isso ou qualquer outro assunto estaremos aqui para ouvir.

A menina parecia um pimentão, olhava fixamente para o pai.

— Meu anjo respire, está tudo bem. — Dessa vez fora Hyunwoo quem disse, olhando docemente para a filha. — Confie em nós.

Seus pais sempre lhe disseram isso e nunca se arrependeu então sabia que agora não seria diferente, respirou fundo e contou tudo o que lhe afligia.

Deixou fluir suas inseguras e dúvidas, a confusão que tudo lhe causava, até mesmo sobre a ideia de ser amiga de Kihyun deixou escapar.

Foi uma noite cheia de novidades para aquela pequena família.

xx

Kihyun tinha cada idéia, nunca que Hoseok iria se Imaginar agachada em um beco, olhando Im Changkyun e Lee Jooheon fazendo compras. Os rapazes olhavam jogos e mangás lançados naquele mês e vendo quais eram os mais vantajosos.

— Hyun tem certeza de que isso é certo? — O medo falando mais alto sempre, não era certo ficar espionando as pessoas assim.

— Mas é claro que sim, o oppa anda estranho ultimamente, o Hooney oppa disse que isso não é só quando estamos na escola, ele fica assim em casa e no trabalho.

A mais nova novidade na vida de Hoseok era a descoberta dos sentimentos nunca revelados de Kihyun para com Changkyun. E desde que o rapaz passou a ficar mais aéreo que o normal nas aulas e até mesmo em seu ciclo de amigos, a garota passava boa parte do tempo tentando descobrir o motivo.

— Porém podemos ficar em outro lugar sem ser aqui? Minhas pernas estão doendo.

Resmungar era a mais nova mania que Hoseok tinha mostrado a sua nova — e única — amiga.

— Vamos fazer assim, você aparece do nada distraindo o Hooney oppa e eu apareço depois tentando arrancar informações do Kyun oppa.

O olhar animado fez a menina rir, não era seu melhor plano passar o sábado agachada vendo dois adolescentes fazendo compras e só de saber que ficaria um pouco mais próxima de Jooheon e longe da loucura de Kihyun, Hoseok apenas sorriu saindo de seu esconderijo e indo em direção aos meninos, chamando Jooheon para que lhe ajudasse a comprar alguns mangás, deixando o mais novo sozinho para trás.

Era a chance perfeita de Kihyun atacar, se uma garota não aparecesse beijando afoitamente o jovem Im.

— Então quer dizer que você realmente virou amiga da Kihyun? — A voz incrédula do rapaz fez a menina rir.

— Sim, ela sempre me faz rir com as idéias absurdas e perguntas indiscretas, mas eu gostei dela de forma instantânea. — Olhava distraidamente para os livrinhos a sua frente. — Foi igual com você, uma hora eu chutava a sua cara e na outra estamos indo ao karaokê juntos.

— Na verdade, estávamos nos beijando no outro momento.

Instintivamente as bochechas de ambos coraram e quando Hoseok iria responder uma Kihyun chorosa lhe agarrou, chorando impiedosamente no meio da loja.

O que será que tinha acontecido afinal?

xx

— O que diabos você tinha na cabeça para me beijar assim Yeonjung? Você sabe de quem eu gosto e mesmo que eu não gostasse de alguém, você...

— Oppa respira por um momento, eu te beijei porque um garoto estava me incomodando. — Falou simplesmente, baixando o olhar quando viu que tinha, sem querer, estragado tudo. — Só não esperava que a minha irmã estivesse lá, te espionando.

— Eu vou tentar não enlouquecer com você, agora a Kihyun nunca vai olhar na minha cara achando que eu estou ficando com a irmã mais nova dela.

O rapaz andava de um lado para o outro, tentando pensar em algo.

Jooheon trocava mensagens com Hoseok que estava tentando acalmar uma Kihyun chorosa e depressiva.

— Deixa que com a unnie eu me entendo, só precisamos pensar em algo para que você possa explicar para ela o que sente.

Todos presentes caíram na risada, Im Changkyun não sabia como demonstrar o que sentia, sua irmã mais velha vivia reclamando de sua falta de amor no coração.

— O Chang não sabe o que é isso Yeon, mais fácil você mandar ele estragar tudo.

Mais risadas histéricas vindo da garota.

— Olha não é para tanto.

Jooheon olhou piedoso para o amigo, respirando fundo e o abraçando de lado.

— É para tanto sim amigo.

xx

— Kihyun você precisa ouvir o lado deles. — Hoseok e Minhyuk tentavam a todo custo acalmar a garota.

— Era a minha irmã e o garoto que eu gosto, não quero ouvir eles falando que se amam e que sentem muito por nunca terem percebido que eu também gostava do oppa.

A cada fungada mais o coração de Minhyuk se apertava, ele compartilhava da mesma história da menina — ou ao menos achava que sim.

— Quando eu era mais nova passei pelo mesmo que você está passando.

O olhar curioso das meninas deixou Minhyuk animado, se compartilhasse sua experiência com as meninas poderia acabar ajudando Kihyun e se sentindo mais próximo de Hoseok. — Quando eu estava no segundo ano eu achei que seu pai e meu melhor amigo estavam juntos, eu acabei entendendo uma situação errada e tentei não transparecer que eu estava mal, até porque Hyungwon era meu melhor amigo e o Hyunwoo o amor da minha vida, imaginar eles dois juntos era insuportável.

— Tenso.

A voz de Hoseok fez o Lee rir, encarando a filha que abraçava um ursinho e o braço esquerdo de Kihyun.

— Sim, então eu estava pronto para deixar todos os meus sentimentos de lado e apoiar o mais novo casal quando eu vi Hyungwon ficando com uma garota, eles estavam no telhado da escola, foi horrível saber que ele estava traindo quem eu mais amava, mas então o Hyunwoo apareceu dizendo que tinha conseguido juntar os dois e explicou tudo, o medo de perder ele novamente me fez com que falasse que o amava e bom, estamos juntos.

— Uma história digna de vocês dois. — Kihyun se pronunciou, olhando apaixonadamente para Minhyuk. — Eu acho que é realmente melhor eu ouvir eles e...

O toque de celular da garota soou alto, assustando a todos.

— É o Changkyun! O que eu faço? — A voz alarmada fez ambos os Lee rirem.

— Atenda e veja o que ele quer. — Dessa vez quem se pronunciou foi Hoseok, olhando para o pai e em um jeito mudo entendendo que deveriam sair do quarto.

xx

Um mês depois de toda a confusão entre Kihyun e Changkyun e os novos pombinhos pareciam mais felizes do que nunca, quando foi explicado o que havia acontecido, nenhum dos dois conseguia ver um motivo para permanecerem separados.

— Agora só falta o Jooheon oppa tomar coragem e pedir a Seok em namoro, imagina nós indo em encontros duplos, seria meu sonho? — A Yoo tinha cada idéia, uma mais estranha do que a outra.

— Kihyun você não deveria estar atrás do seu namorado? Que eu saiba ele estava conversando com a Exy perto da quadra de vôlei.

Jooheon era venenoso com a menina, adorava irritá-la quando vinha com aquelas idéias bestas para cima dos dois e também porque ver a cara vermelha de ódio que ela fazia era hilário. E como um furacão Kihyun passou a correr em direção a quadra de vôlei, arrancando risadas dos amigos deixados para trás. — Essa menina um dia nos levará a loucura.

— Você que irá levar ela a loucura, vivem implicando um com o outro, parecem duas crianças.

Os olhares se cruzaram fazendo Hoseok engolir em seco, o ar pareceu mais escasso e o mundo sumiu ao redor deles, desde o dia em que o casal se resolveu uma tensão passou a rondar eles quando ficavam sozinhos.

— Eu queria muito beijar você.

Antes mesmo que notasse o que fazia Hoseok tinha os lábios pressionados contra os semelhantes do rapaz.

A sensação de estar flutuando, as borboletas se revirando em seus estômagos, o suor nas mãos, os batimentos acelerados, tudo parecia tão certo quando era com o outro. Não que a Lee soubesse como era com outras pessoas, mas só de imaginar não sendo Lee Jooheon ali, em seus braços, tudo parecia sem graça.

Mas quando ficava se recordando do primeiro beijo, quando se imaginava beijando aqueles lábios fartos, tudo parecia tão certo, tão colorido, tão cheio de vida. Pensar em todos os sorrisos que já deu quando estava perto do moreno, os momentos que nunca imaginou que vivenciaria, os lugares que visitou com aquele garoto. Não havia coisa mais certa do que investir, do que desejar ter Lee Jooheon ao seu lado. Para sempre.

— Eu quero descobrir o que é o amor, mas eu quero fazer isso com você. — Os olhos brilhavam, as bochechas ardiam, notaram os cochichos e o amontoado de pessoas que haviam parado para presenciar o momento de intimidade entre os dois jovens.

— É o que eu mais quero também, viver tudo o que eu puder ao seu lado e te fazer sorrir de todas as formas.

E como se fosse para selar essa promessa com ainda mais afinco, Jooheon beijou Hoseok novamente, não poupando fazer uma pequena cena na frente dos curiosos que insistiam em assistir os mais novos amantes se amando.

— Você me deixou de um modo diferente, na verdade você nunca me beija da mesma forma. — Hoseok e sua mania de falar e perguntar coisas em momentos inapropriados.

— Porque há várias formas de se beijar. — O olhar incrédulo arrancou mais alguns sorrisos do Lee. — Esse daqui é o que ajuda garotas em perigo a se livrarem de perseguidores. — O beijo trocado foi semelhante ao primeiro, sendo quebrado apenas pela risada deles. — Essa apenas acontece quando eu estou beijando a garota que eu gosto. — Novamente o beijo era semelhante ao que tinha acontecido minutos atrás, mas diferente do anterior ele não parou quando o ar fez falta, logo quando as bocas se separaram com um baixo "poc" ele as grudou novamente beijando com mais intensidade a menina. — Há milhares de outras formas de beijar alguém e eu prometo te mostrar cada uma delas.

— Espero que cumpra, de verdade.

E sorrindo cúmplices ambos resolveram deixar de fazer cena em frente a todos, seguindo cada um para suas salas. Não prometo dizer que prestaram a atenção na aula ou em qualquer outra coisa que não fosse um certo alguém.

xx

O final do ano chegou como um foguete, fazendo os alunos enlouquecerem tentando estudar para as provas finais e ainda tinha o festival de fim de ano para os alunos do último ano, estava tudo uma loucura. E a vida de Hoseok estava tão corrida que ela mal tinha tempo de ver Jooheon, mas o garoto parecia três vezes mais atarefado, os treinos do time de beisebol pareciam sugar todo o tempo e disposição dos rapazes. Sim, Jooheon e Changkyun agora tinham o título de capitão e co-capitão — respectivamente — do time da escola. Claro que as meninas não gostaram nem um pouco, mas quando as vagas para o time de volêi se abriram não pensaram meia vez antes de tentarem.

Era obrigatório que os alunos participassem de algum esporte como atividade extracurricular, porém não foi esse o maior motivo que levaram eles a participarem. Os meninos foi por conta das bolsas para a faculdade que tinham o direito a concorrer e as meninas porque ficavam livres da aula de doméstica.

Mas, infelizmente, não ficavam livres da aula de culinária.

— Seok pega os ovos que eu vou colocando os outros ingredientes no pote, precisamos terminar esse doce ainda hoje. — O tom autoritário de Kihyun sempre a assustava, o olhar também contribuía um pouco.

— Você acha que eu também não quero? Os meninos saem do treino em duas horas, precisamos terminar de ver como anda a decoração do festival e ainda estudar para as provas da semana que vem.

A vida de um estudante nunca foi fácil, e elas estavam vivenciando a pior parte.

— Eu aceito voltar a ser criança, de verdade, olha eu não precisava me preocupar com praticamente nada que não fosse o meu desenho.

Resmungou enquanto preparava a massa para doce e Hoseok o acompanhamento.

— Eu só quero ficar deitada na minha cama abraçada com o meu namorado e vendo doramas, estamos quatro episódios atrasados e eu estou tentando de tudo para evitar os spoilers. — Uma mania que o casal adquiriu era assistir doramas juntos, Jooheon adorava os históricos assim como Hoseok, então viviam maratonando vários durante os feriados e fins de semana, mas desde que chegaram a época do demônio — forma como Changkyun nomeou os últimos dois meses de aula — não tinha tempo para fazerem nada.

— Sua viciada em ver dorama histórico, prefiro coisas atuais onde posso falar que a pessoa está sendo babaca em não mandar um mensagem para a outra.

— Só você mesmo Kihyun.

xx

Exaustas, mortas, desmotivadas e milhares de outros adjetivos poderiam descrever as duas meninas que agora se encontravam em um metrô lotado indo para suas casas. Finalmente o dia que antecede o festival tinha chegado, para a alegria de todos, as provas já haviam passado e fazendo jus aos seus lugares de honra, os quatro amigos — e namorados — estavam no top 10 de melhores notas. O segundo ano iria chegar trazendo mais responsabilidades e menos tempo para os jovens, mas o que mais importava no momento era descansarem e aproveitarem o dia que viria, afinal mereciam mais do que os veteranos que deixavam a escola.

— O que pretende fazer amanhã depois que tudo acabar? — Kihyun quebrou o silêncio enquanto guardava o celular.

— Vou sair com o Hooney, combinamos de ir comer sushi para comemorar nossas notas e a bolsa que ele está concorrendo.

— Quando foi que vocês passaram a ser assim? A se sentirem assim? — O olhar curioso de Kihyun deixou Hoseok desconcertada.

— Eu não sei e com você? Quando foi?

— Eu também não sei, apenas sei que uma hora estava numa boa conversando com meus amigos e na outra olhando loucamente e apaixonadamente para um ser chato e confuso demais. — As risadas preencheram o tão pacato e tedioso vagão. — Mas eu o amo tanto, até mesmo quando ele inventa de fazer aquelas brincadeiras bestas com a comida ou quando saí sem me avisar, eu fico muito puta com isso.

— Vocês são uma graça isso sim.

— E você e o oppa não ficam muito atrás.

E quando ia responder algo o alto falante do metrô avisou a próxima estação, fazendo as meninas se prepararem para sair.

xx

Aquele sábado foi o mais corrido de todo o ano, as gincanas que preparamos, o show de talentos que surpreendeu a todos, o correio elegante — uma atividade muito útil para os apaixonados de plantão — os choros e discursos dos nossos veteranos, foi incrível. Eu nunca tinha visto todo mundo tão unido como naquele dia, os professores orgulhosos das turmas que se despediam, vendo para onde seus pupilos estavam se metendo, encorajando os calouros. Eu vivi tudo o que achei que não viveria.

Meus planos do início daquele ano de fingir que estava doente apenas para não ir parecia tão ridículo agora. Se Jooheon souber que um dia eles se passaram pela minha mente riria de mim até o fim dos tempos e falando nele, o meu namorado se encontrava dormindo fofamente na minha cama. Óbvio que não vou contar como foi a nossa noite, é algo íntimo demais, mas garanto que foi a melhor de toda a minha vida. Eu nunca me senti tão amada e tão especial, mesmo que não tenha sido como eu imaginava foi incrível por ser com ele.

E parando para analisar tudo o que ocorreu ontem, a parte mais maravilhosa — além do fim da nossa noite — foi as declarações que trocamos, é oficial galera, eu amo Lee Jooheon como eu nunca amei ninguém em toda a minha vida.

24 de Julio de 2018 a las 04:34 0 Reporte Insertar 1
Fin

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minggie ee [yves's voice] Ill trust myself, all my life no matter what, by my life

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