A Voz de Meire Seguir historia

sweet-mary Mary

"Ser mãe você aprende sendo." Até o resultado de um exame de sangue lhe indicar uma já confirmada gestação, Meire das Neves nem sequer sonhava em ter um filho. Aquela mulher taciturna e de modos brutos nunca teve sua voz ouvida por ninguém, mas neste espaço e em primeira pessoa, abrirá o coração com os leitores de Simplesmente Tita que provavelmente devem ter uma pontinha de curiosidade de conhecer um pouco mais sobre o passado dela.


Drama Sólo para mayores de 18.

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P r ó l o g o

Ser mãe. No sentido literal da expressão. Com todas as escolhas e renúncias pertinentes. A satisfação de um desejo antigo ou a consequência da diversão desprotegida. Desconfiança sacramentada no resultado daquele exame de sangue. E muito mais.

Ser mãe você aprende sendo.

Os sintomas corriqueiros eram apenas um chamariz do que estava por vir. Aquela sementinha que já me deixava de cabelos em pé cresceria até se transformar num bebê robusto confiado a mim. E eu tive a intuição de que seria uma garotinha.

De que maneira?

Intuição, talvez...

Era uma emoção bastante forte por assim dizer porque o Félix, meu primeiro namorado, gostava da parte boa de namorar, manter relações com uma parceira fixa sem se preocupar com a proteção, mesmo com toda aquela preocupação sobre a propagação da AIDS que levou embora tantos amigos nossos, tantos ídolos, tantos sonhos.

Ser pai não estava nos planos de Félix Linhares. Arder no fogo da paixão era uma coisa, brincar de casinha feito gente grande era outra.

— Você pretende levar isso adiante? — quis saber ele.

— Não estava nos meus planos, mas transando quase todo dia do jeito que estamos, era quase impossível que uma hora ou outra não fosse acontecer...

— Não me leva a mal não, mas é melhor você tirar isso... Tem muito tempo já?

— Acho que umas oito semanas, por aí...

— Ainda dá pra tirar...

— É seu filho, Félix!

— Será mesmo? — Félix franziu o cenho, estreitando os olhos e levantando uma questão que feria a minha honra.

— Você está insinuando que eu saio com outros? Onde é que já se viu o atrevimento?

— Eu não quero essa criança, está entendendo? Eu não quero ser pai e ponto!

— Nem de um filho meu? Nem sabendo que essa criança é sua também?

— Escuta uma coisa, Meire, não se empolgue muito não porque primeiro trimestre de gravidez é que nem primeiro semestre de faculdade, não quer dizer nada...

Podia alguém partir o coração de quem se ama daquela maneira?

Porque foi exatamente o que Felix Linhares fez naquele instante. Duvidou das minhas palavras e me negou apoio quando eu mais precisava que seus braços fortes me amparassem e seus lábios cobrissem os meus com compaixão.

Eu carregava um pedacinho dele em meu ventre. Antes dele nunca houve outro. Eu me entreguei de corpo e alma porque amei aquele homem com todas as minhas forças, sobrepujei as nossas diferenças que compunham um abismo enorme e me concentrei em aceitar que era amada.

Amada até aquele instante.

Até a confirmação de uma gestação desestruturar o castelo construído com cartas de baralho.

Até ele partir o meu coração com tamanha insensibilidade.

Naqueles tempos eu trabalhava como datilógrafa num escritório de advocacia e estudava à noite, ambicionava cursar Psicologia e financiar um imóvel próprio nem que fosse pequenininho. Sempre fui asseada, nunca gostei de acumular tranqueira, tenho agonia disso.

Um filho se interpunha entre mim e o sonho de uma vida universitária porque desde o instante em que eu soube que seria mãe não mais pude fazer planos apenas levando em consideração meus interesses e ambições. Aquela sementinha que crescia em meu ventre sequer sabia que o próprio pai não a queria.

5 de Diciembre de 2018 a las 01:37 0 Reporte Insertar 1
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