nini Claire bear

Na vida a solidão devasta, Diminui um sorriso E destrói uma alma, Mas se o amor existe As incertezas se esvaem E a paz reside.


Fanfiction Romance adulto joven Sólo para mayores de 18.

#exo #kyungsoo #kai #kaisoo
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Capítulo 1

   Os corredores da biblioteca do colégio de Faroe Islands sempre eram tão silenciosos e perfeitos para quem não gosta de ser incomodado e também para quem odiava participar das aulas ou interagir com os outros como eu. Mas o mais interessante dali era a visão que os estudantes podiam ter, da biblioteca podíamos ver uma das paisagens mais perfeitas de Faroe Islands. A biblioteca ficava no quinto e último andar da escola e possuía uma parede totalmente preenchida por enormes janelas de vidro, talvez pelo fato de que ali seja uma das melhores paisagens da ilha, podíamos ver algumas casas e portos das vilas Bøur e Gásadalur e, bem ao fundo, era possível ver o Mulafossur waterfall.

   Aquele lugar sempre me dava arrepios. O local é um dos mais lindos da ilha e encoberto de misticismo que encantavam os meus olhos. Eu poderia passar horas e horas ali sentado, observando o Mulafossur bem ao fundo daquela paisagem nórdica da ilha. Naquele momento Mulafossur estava ainda mais místico com as nuvens lhe cobrindo, juntamente com aquele clima sombrio daquela tarde chuvosa.

   Em meu ouvido tocava Kavin Kom de Eivor, uma cantora nativa. Meus pelos estavam eriçados com aquele casamento perfeito que meus olhos e ouvidos estavam presenciando. Tudo aquilo fazia eu me sentir como se finalmente estivesse em meu lar, meu lar interior onde finalmente estava protegido e em paz. Se eu pudesse moraria ali, naquele pequeno canto daquela biblioteca pouco movimentada. Eu me perdia em sonhos e pensamentos que só poderia ter ali, naquele meu lugar favorito do colégio.

   Peguei meu caderno de desenho e pela milésima vez desenhei a visão da qual estava tendo o privilégio de presenciar. Eu já tinha inúmeros desenhos de Mulafossur, alguns apenas de lápis, outros de caneta, outros em aquarela ou apenas pintados com lápis de cor, dependendo do material que tinha em minha bolsa no momento. Na real mesmo eu tinha uma pasta, que já estava ficando bem cheia com tantos desenhos daquela montanha que me encantava sempre.

   Meu amor por Mulafossur se iniciou assim que botei os pés em Gásadalur, há dois anos. A montanha era mística aos meus olhos e o melhor era que eu podia ter essa visão privilegiada do meu quarto. Mas era diferente quando se via a montanha daquele corredor pouco sombreado da biblioteca, com aquele silêncio eterno e aquela atmosfera empoeirada pelos livros velhos. Por isso, a biblioteca acabou se tornando o meu refúgio do cotidiano e me mostrou um Mulafossur por uma nova perspectiva. Era meu canto especial e eu não queria dividir com ninguém, eu agradecia sempre por aquele corredor em especial nunca ser frequentado. Era a sessão de livros religiosos e talvez por isso era pouco visitado, a única pessoa que eu via caminhar por ali, além de mim é claro, era um funcionário que raramente ia tirar a poeira dos livros. Portanto, era o lugar perfeito.

*

   Por sorte cheguei em casa antes da chuva engrossar, a verdade é que naquele dia eu preferia até mesmo ter ficado no colégio. O clima dentro de casa sempre era mais obscuro que o clima lá de fora. Minha mãe, se é que posso chamar de mãe, nos abandonou quando eu e Sehun ainda éramos muito pequenos. Sehun tinha apenas 9 anos e sofreu com o abandono, quase entrou em depressão, já eu era bastante novo e não lembro muito bem quando tudo aconteceu. Meu irmão era o outro motivo da nossa angustia, ele saiu de casa logo que terminou o colegial e raramente deu alguma noticia durante todos esses anos.

   Todas essas mudanças deixaram meu pai perdido em meio ao sofrimento, ele passou a beber frequentemente e seu jeito havia mudado por completo. Agora ele estava muito mais rude e seco com as pessoas e até mesmo comigo. Era grosseiro e muitas vezes ele expressava opiniões preconceituosas sobre quase tudo da vida. Meu pai havia se tornado um homem amargurado.

   Era duro ter que conviver com aquilo todos os dias, ainda mais sabendo o tipo de gente com quem papai bebia. Não eram pessoas confiáveis, pelo contrário, eram pessoas bastante conhecidas por persuadir velhos desnorteados para o vicio em jogos, por isso essa sua bebedeira além de ter virado uma dor de cabeça, também me deixava constantemente preocupado. Meu pai até então só tinha um vicio, a bebida, mas meu medo era que ele adquirisse mais um vício. O jogo.

   Não éramos ricos, alias éramos bem pobres, essa era a verdade. Sobrevivíamos apenas do dinheiro do meu trabalho de meio período pela parte da manhã, como ajudante de um pescador da vila e dos raros bicos que meu pai conseguia quando estava sóbreo. A situação não era a das melhores, mas eu tinha esperança de que um dia meu pai voltasse a ser o homem responsável de antigamente. Um homem zeloso e prestativo. Um homem que não deixava as cicatrizes da vida lhe dominar por inteiro.

   Assim que entrei na casa, repousei a mochila em cima da mesa e peguei uma maçã. Poderia ser um silencio absoluto dentro daquela casa escura causada pela pouca iluminação, mas o som do vento forte passando pela fresta da porta e das janelas era assombroso, além disso, a chuva e o mar agitado começavam a ecoar um escarcéu do lado de fora. Meu pai não estava em casa naquele horário como de costume e talvez, só talvez, eu estivesse me sentindo um pouco mais aliviado por isso.

   O celular ainda estava dentro da bolsa, eu tentava resistir, mas era quase impossível. Então seguindo apenas minha vontade incontrolável peguei o celular para ligar mais uma vez para Junmyeon, mas o menino continuava a ignorar minhas ligações. Aquilo apertava meu coração e eu só conseguia sentir ódio de mim mesmo. “Se Junmyeon não tivesse visto os desenhos”, eu só conseguia pensar nisso. A cada ligação ignorada eu sentia que meu ar ia faltar, os ritmos cardíacos estavam descompensados e a vontade de chorar aumentava. Se o mundo entendesse o que eu sentia, se Junmyeon entendesse o que meu coração estava sentindo naquele momento talvez ele não me ignorasse dessa forma.

Vamos conversar?

   Mandei uma mensagem para ele e larguei o celular na mesa, caminhando em direção ao banheiro. Tirei a roupa e entrei no chuveiro, mas meu pensamento estava em Kim Junmyeon e o quão idiota eu estava sendo. Eu queria poder mandar no coração, queria poder gostar de uma garota, mas a verdade é que me apaixonei pelo ele. Não é fácil descobrir que seu primeiro amor é o seu melhor amigo e muito menos ser rejeitado quando ele descobre a verdade. O que é pior, na frente de toda a turma. Junmyeon meu único amigo, agora também era mais um que me julgava pelas costas e me abandonara por descobrir quem eu sou de verdade.

   Eu estava com ódio, ódio por ter esquecido a maldita pasta com os desenhos de Junmyeon na carteira da sala de aula, ódio do irmão de Junmyeon por ter pegado a pasta, ódio por ele ter mostrado os desenhos e ódio de mim mesmo por gostar de Junmyeon. Soquei com tanta força a parede do banheiro, que logo vi uma mistura de água e sangue no ralo do banheiro próximo aos meus pés molhados. Fiquei de cabeça baixa por um tempo, olhando aquela mistura contrastar com o piso branco. Minha cabeça girava e por vezes eu voltava a bater a parede com a outra mão. Eu só queria pedir para que Junmyeon esquecesse tudo, para que ele não se preocupasse em corresponder meus sentimentos e que voltasse a ser meu amigo. Pois, de tudo o que aconteceu, o que mais me doía era ter perdido a sua amizade.

   Saí do banho e senti que o sangue continuava a escorrer. Foi apenas um corte, mas o suficiente para sair uma grande quantidade de sangue. Vesti apenas uma calça e fui até a cozinha daquela casa mórbida, peguei um pano pequeno e o enrolei contra o ferimento, pressionando para que o sangue estancasse. Voltei ao quarto para terminar de me vestir, porém antes de entrar no cômodo escutei um pequeno barulho de passos se aproximando. Nossa casa era distante das outras casas da vila e, portanto, podíamos perceber quando alguém se aproximava.

   Corri para a janela, esperava que não fosse meu pai, minha cabeça estava cheia demais para sustentar um bêbado nas costas. Não avistei ninguém, apenas o lobo de sempre, o lobo que rodeava nossa casa há quase um mês, como se estivesse à procura de sua presa. Nunca entendi esse lobo e, sinceramente, já havia desistido de entender. As primeiras vezes eu ficava com muito medo, depois arrisquei fazer alguns desenhos do animal, pois ele era realmente inspirador, mas a curiosidade deu lugar à irritabilidade por falta de respostas, então preferi simplesmente esquecer.

   Voltando para o quarto, antes de terminar de me vestir, peguei o celular novamente. Mas não havia nenhuma mensagem ou chamada perdida. Suspirei baixinho, tentando evitar demonstrar qualquer emoção sobre o assunto. Com dificuldades peguei uma camisa qualquer do armário e comecei a vesti-la de forma lenta. Assim que consegui por a camisa escutei um barulho de porta se abrindo, mas a porta não foi aberta seguida de escândalos de um bêbado, o que meu pai fazia de costume. Estranhei a movimentação sutil e caminhei em direção à entrada.

  — Pai? – Disse chegando até à sala. Não havia ninguém e a porta estava aberta e balançando bastante por conta do vento forte.

   — Seu papai tá sendo bem cuidado – Disse um homem encapuzado deferindo um soco certeiro em meu estomago. Inclinei bruscamente, levando uma das mãos ao local atingido e a outra tentando me apoiar no sofá.

  Mas para meu azar não era apenas um homem, eram dois. O outro logo deu uma joelhada no mesmo local que foi atingindo com o primeiro golpe, a joelhada foi muito pior. O sangue da mão era insignificante diante do sangue que eu cuspia. Minha cabeça girava e eu não sabia o que pensar, não sabia como me defender e nem se iria conseguir me defender. O outro homem me agarrou pelos ombros, dando outra joelhada no meio das minhas costas e me atirando no chão. Gritei de tanta dor. A dor era imensa e eu já não conseguia abrir os olhos para ver de onde partiria o próximo golpe. Os dois começaram a me chutar em todas as partes do meu corpo e eu podia perceber meus sentidos se esvaindo aos poucos. Tudo começou a girar e a visão ficava cada vez mais turva. A última coisa que consegui escutar, antes de perder por completo os sentidos, foi um uivo alto e bem nítido.

*

   Antes de abrir os olhos senti um ardor imenso em todo o corpo, era como se cada movimento que eu fizesse pesasse 10 vezes mais e me fizesse gemer de dor. Até mesmo a respiração fazia meu corpo tremer pela fraqueza dos músculos doídos. Minha mente girava e girava e girava. Todos aqueles giros estavam começando a me dar náusea e a vontade de vomitar estava aumentando. E antes que eu pudesse tentar evitar virei quase todo o tronco bruscamente para fora da cama, expelindo tudo o que havia dentro de mim. Meu corpo queria expelir mais e mais, mas não havia mais nada. Fiquei ainda alguns segundos naquela posição, esperando que meu corpo se recompor.

   Abaixei a cabeça por alguns instantes e, repentinamente, tentei me lembrar do que havia acontecido. Mas nada vinha em minha mente, o que mais me intrigava era o fato de que eu não lembrava como havia parado na cama, pois era óbvio que os dois marmanjos não seriam tão caridosos ao ponto de me bater e me pôr em cima de uma cama depois. Não fazia sentido. Minha cabeça voltou a doer mais uma vez quando tentei lembrar o que ocorreu. Respirei fundo e tentei não pensar em mais nada.

   Instantaneamente, como quem quer procurar alguma resposta, levantei a cabeça, ainda com parte do tronco inclinado para fora da cama, e o que mais me incomodou foi a visão que tive pela pequena fresta da janela parcialmente aberta. De longe o lobo cinzento, grande e robusto caminhava vagamente, como se estivesse cercando a casa. Eu não entendia a sua presença. Era como se ele estivesse necessitando de algo que estivesse na minha casa. O pior é que por um breve instante, por milésimos de segundos, tive a impressão de que o lobo não estava sozinho e isso sim fez que eu ficasse mais assustado ainda.

   O movimento de levantar a cabeça naquela posição e o esforço de tentar me lembrar do que realmente havia acontecido, mais as imagens que acabava de ter visto, fizeram minha mente girar mais uma vez. Mas dessa vez apenas retornei à cama, deitei o corpo novamente e repousei a cabeça no travesseiro. A dor do corpo pesava em qualquer mero esforço que fazia, em movimentos involuntários as pálpebras desciam com quase o mesmo peso que meu corpo sentia a cada movimento. E mesmo contra minha vontade, acabei por adormecer.

*

   Já fazia uma semana desde o dia em que fui espancado por dois brutamontes, mas o que mais me preocupava era a ausência de meu pai. Em nenhum momento ele apareceu na casa e eu já estava até mesmo desconfiando. Era coincidência demais que duas situações extremas acontecessem no mesmo período. “Seu papai tá sendo bem cuidado” era a frase que vinha martelando em minha mente. Fechei os olhos como forma de um suspiro, eu estava com medo. Muito medo. Meu pai já não media mais as consequências de seus atos e isso era o que realmente me assustava.

   Eu estava me sentindo sozinho, no momento em que mais precisava de sua ajuda. Eu estava tão solitário, que até mesmo a presença do lobo cinzento me servia como companhia. Por toda a semana em que estive machucado ele ficou rodeando a casa, como se estivesse preocupado e desejasse ter pernas e mãos para poder me ajudar. O lobo parecia estar sozinho a todo o instante, o que me fez pensar na visão que tive e que fosse apenas fruto de uma mente cansada. Mas, ainda assim, a presença do lobo era um mistério para mim, no entanto agora eu o agradecia por ter sido o único a não me abandonar no momento em que mais precisei. Todos que um dia amei me deixaram para trás de alguma forma. Primeiro minha mãe, depois Sehun, Junmyeon e agora meu pai, parecia até que aquele grande lobo cinzento havia me amado muito mais que os quatro juntos.

   Olhei pela janela mais uma vez e ele estava ali, deitado na grama abaixo de algumas árvores, protegendo-se da garoa que estava fazendo, ele parecia tão sozinho quanto eu. Queria poder ir até o lobo e lhe fazer carinho como forma de agradecimento ou simplesmente ficar ao seu lado para lhe mostrar que ele não estava sozinho, mas eu ainda tinha medo. No fundo eu não sabia o real motivo do lobo sempre rodear a minha casa, o que era no mínimo estranho. Além do mais, ele ainda era um enorme animal que sempre me dava arrepios e eu ainda estava me recuperando de um grande baque, se o lobo não fosse o que eu estava imaginando iria me atacar assim que eu saísse daquela casa. Então era melhor conhecê-lo dali mesmo e imaginar o melhor daquela minha única companhia.

   Afastei-me da janela e me sentei na cama com certa dificuldade. Doía muito mais na alma saber que eu estava sozinho, Junmyeon não havia respondido minha mensagem e pelo visto não notou minha ausência nessa semana de aula. Meu pai era o que mais me preocupava, eu queria poder ir atrás dele, queria poder procurá-lo, mas eu mal conseguia andar pela casa, o que dirá caminhar por uma estrada derradeira até o centro da cidade. Sehun então, nem se fale. Ele estava por ai pelo mundo e pouco se importava em dar notícias. Se um dia Sehun julgou a mulher que nos abandonou, então agora ele estava perdendo toda a sua razão, já que estava fazendo a mesma coisa. Sempre apoiei sua decisão de sair das ilhas para correr atrás de seus sonhos, mas nunca disse para que nos abandonasse.

   Meu coração parecia tão pequeno de tanto que estava apertado. Ali sentado na cama, olhando a claridade que vinha da janela, senti um aperto ainda maior no peito, como se estivesse me faltando ar e como se o lobo sentisse exatamente a minha angústia o ouvi uivando mais uma vez. Dessa vez estava longe, ele parecia querer me consolar. Era como se ele estivesse tentando me avisar de que ainda estava ali e que não me deixaria sozinho de jeito nenhum. Sorri com a coincidência, ou não, mas era um sorriso sem nenhum humor.

*

   Subi as escadas correndo como um desesperado. Era para eu estar na sala do diretor há quinze minutos, mas como eu ainda não havia me recuperado totalmente dos ferimentos acabei não tendo tanto fôlego assim para chegar até à cidade e chegar no horário combinado à escola. Abri a porta da sala bruscamente, tentando respirar o mais normal possível para mostrar casualidade e assim, quem sabe, ele não perceberia que eu estava atrasado.

   — Está atrasado Jongin – advertiu o diretor, arruinando meu plano.

   — Desculpa – abaixei a cabeça.

   — Pode se sentar – Ele fez menção para uma das enormes cadeiras à sua frente, sentei-me de imediato. A sala do diretor não era tão grande, mas era espaçosa suficiente para alojar duas enormes estantes repletas de livros, que ficavam atrás de sua mesa e muitas outras esculturas que ficavam espalhadas pela sala. O diretor tinha uma mentalidade extremamente egocêntrica o que lhe dava um ar de arrogância. – Jongin, naquele dia, apenas liguei para saber o motivo de tantas faltas – o diretor era um homem alto, de meia idade, barbudo e de cabelos grandes. Pra mim, ele parecia apenas um professor de história, mas como o antigo diretor havia falecido e ele, por ter estudado fora das ilhas e ter boa conduta, foi eleito como o mais novo diretor do colégio. – Mas antes de ligar pra você, eu tentei falar com seu pai.

   — Meu pai está viajando. – Falei de forma impulsiva. Eu sabia que esse era o motivo para que ele me chamasse em sua sala, pensei em diversas desculpas, mas nenhuma parecia ser tão convincente. Então, o melhor pretexto era alegar que meu pai era apenas um irresponsável e que teve de fazer uma viagem de emergência, deixando o filho.

O diretor elevou as duas sobrancelhas, como alguém que julga alguma atitude errada. – Bom, mas ele irá voltar quando?

   — Ainda não... – Fiz uma breve pausa sem saber o que responder exatamente – Ele não deu certeza, mas... – engoli seco tentando parecer o mais firme possível na resposta – mas ele disse que talvez semana que vem – Foi o máximo que consegui dizer como resposta.

   O senhor de meia idade apenas deu uma longa suspirada, como se tivesse sido convencido do que eu havia lhe dito, mas no fundo ambos sabíamos que visivelmente aquilo era uma mentira. O diretor parecia um pouco impaciente e aparentava não querer mais entrar naquele assunto, tentando encurtar aquele sermão. – Tudo bem. – Era o que eu queria ouvir – Como você está se recuperando do acidente de bicicleta? – Sim essa foi a outra mentira que contei. O diretor não poderia saber que meu pai estava desaparecido e muito menos que dois homens suspeitos invadiram minha casa e me espancaram. Não até eu saber se uma coisa estava ligada à outra ou até pelo menos eu descobrir o paradeiro do meu pai. Eu sabia que precisava descobrir o quanto antes, só não fazia ideia de como faria isso.

   — To me recuperando bem, obrigado – Disse torcendo para que aquela conversa terminasse logo.

   — Que bom – O senhor finalmente relaxou na cadeira. – Eu conversei com alguns professores e eles irão lhe passar o material da aula, fale com alguns colegas também pra lhe darem mais informações sobre as aulas perdidas.

   — Obrigado.

   — Pode ir, Jongin – Disse o diretor – Está liberado.

   Apertei sua mão mais uma vez como forma de agradecimento e sai da sala quase correndo, mas aliviado.

   Quando eu achava que não tinha como minha vida ficar pior, encontro Junmyeon no fim do corredor com Jongdae e Baekhyun, seus mais novos amigos. Eu não sabia se deveria ir até ele, não fazia ideia de como agir, o que falar. A única certeza que tinha era que ele iria me ignorar de qualquer forma.

   Voltei a observar os três no fim do corredor, que ainda não haviam notado minha presença na escada da outra extremidade. O medo de rejeição era sufocante, mas o medo de não arriscar era maior ainda. Mas ao mesmo tempo eu sabia que ainda não era o momento certo, Junmyeon não estava sozinho e eu tinha medo de constrangê-lo. Então, logo desviei o caminho para minha sala, em algum momento eu iria ter a oportunidade, só precisava saber aproveitá-la e não ter medo de encarar.

*

   Depois da aula corri para frente do farol de Bøur, pois o menino de quem eu gostava sempre esperava por seu pai no farol, juntamente com seu irmão. Então encontrei naquele lugar a oportunidade perfeita para conversar com Junmyeon. Não tardou muito para que ele aparecesse no horizonte com aquele seu jeitinho todo certinho de andar. A luz refletia em sua pele alva e seus cabelinhos perfeitamente alinhados esvoaçavam com o forte vento daquele dia. Ele se sentou em um banco da praça próximo ao farol e eu mordi o lábio inferior tenso, pois era a minha vez de se movimentar e ir até ele.

   Desci as escadas e caminhei em sua direção rapidamente. Eu estava com pressa, o irmão de Junmyeon era meu segundo maior medo naquele momento, perdendo apenas para meu medo de ir falar com o próprio Myeon. Assim que cheguei próximo dele toquei em seu ombro para que ele finalmente percebesse minha presença, Junmyeon levantou bruscamente voltando sua atenção unicamente para mim.

   — Oi – Disse para o menino de sobrancelhas grossas.

   — Oi – Junmyeon tentava desviar o olhar para qualquer outro canto que não fosse os meus olhos.

   — Eu... – Era visível meu nervosismo e as frases não estavam completas em minha mente. Eu não sabia como iniciar a conversa – Vo... você não respondeu minhas mensagens.

   O menino não respondeu ao comentário que fiz e ao que pareceu não pretendia se pronunciar sobre o assunto.

   —Eu só queria conversar – Tentei mais uma vez.

   — Sobre o que? – De alguma forma ele parecia decidido dessa vez.

   — Você sabe... sobre o que aconteceu.

   — Acho melhor a gente esquecer esse assunto – Junmyeon parecia ficar cada vez mais sério.

   — Myeon, desenhar é um hobby e eu desenho vários rostos, você sabe disso! – Não esperei para que ele aceitasse minhas explicações.

   — Não, eu não sei, a única coisa que sei é que todo mundo sabe desse seu amor por mim – O garoto dizia como se fosse obrigado a ter de admitir aquilo – Eu não quero que a galera pense que somos um casal.

   — Mas não somos – Afirmei veemente, mas por dentro triste por aquilo não ser verdade. Myeon olhava para todos os lados como se estivesse preocupado com a possível presença de alguém conhecido por perto. – Você está preocupado de que alguém ache alguma coisa caso nos veja juntos né?

   — Não... – Ele parecia um pouco arrependido com a atitude – Também não é assim.

   — Então como é? – Perguntei já meio impaciente.

   — E... Eu não gosto de garotos. E...

  — Eu sei – Interrompi – Sabe Myeon eu só não queria perder a sua amizade – Olhei fixamente em seus olhos, pois estava finalmente dizendo aquilo que mais queria lhe dizer.

   — Mas Jongin, se o pessoal vir a gente juntos... – Ele colocava a mão sobre os cabelos, sua expressão revelava o quão dividido ele estava.

   — Deixa – O interrompi novamente. Era doloroso escutar que eu era um motivo para envergonhar alguém, ainda mais quando esse alguém é a pessoa que eu mais gostava – Eu já entendi – Virei as costas para Junmyeon, decidido em não insistir mais no assunto e muito menos em ver o garoto novamente e sai correndo dali por puro impulso. Eu só queria fugir de Junmyeon o mais rápido possível. Se ficar longe de mim era seu desejo, então eu iria respeitar. Mas isso me doía muito, pois eu estava perdendo até mesmo sua amizade e o que eu mais temia naquele momento estava acontecendo. Eu realmente estava sozinho.

22 de Julio de 2018 a las 15:09 0 Reporte Insertar Seguir historia
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