(2018) Entregues Seguir historia

alicealamo Alice Alamo

Completavam-se, entendiam-se, amavam-se, como sempre havia sido, mesmo na época quando não compreendiam por completo a necessidade de estarem juntos e conectados. E estava tudo bem, ambos sabiam que, enquanto estivessem ali um pelo outro, enquanto confiassem os corações um ao outro, tudo estaria e permaneceria bem...


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Capa de Voodoo

#yaoi #incesto #lemon #itachi #shisui #shiita #un #Shisui-Itachi
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Capítulo Único


Notas iniciais: fic feita para Vanessa Morgenstern


O calor do sol em seu rosto acalmava Itachi, a brisa ali era suave bagunçava um pouco as mechas de seu cabelo, mas ele gostava. Deitado no chão, ouvia as cachoeiras que desembocavam no rio Nakano à sua volta e sorria mais relaxado. Respirou fundo, sem se preocupar com nada, a guarda baixa, o que justificou só saber que havia mais alguém consigo quando ouviu a voz já bem conhecida:

— Eu tinha certeza que te encontraria aqui. Brigou com tio Fugaku?

Franziu o cenho, não queria falar daquilo, já bastava o estresse que havia passado com seu pai. Tinha ido para ali a fim de achar paz, não queria remoer seus problemas e acabar ficando mais frustrado do que antes.

— Itachi?

Limitou-se a suspirar. Shisui, o primo mais velho, entenderia, ele sempre entendia. Ouviu a movimentação e soube que ele se sentava ao seu lado, sentiu as mãos quentes em seu rosto e então abriu os olhos.

— Vem cá — Shisui pediu, e Itachi não demorou a compreender do que ele falava.

Não se levantou muito, apenas o suficiente para apoiar a cabeça nas coxas de Shisui e fechar os olhos mais uma vez. Virou-se de lado e não protestou quando Shisui soltou o elásticos de seu cabelo e começou a correr os dedos pelas mechas. Uma sensação de plenitude o invadia em momentos como aquele, como se o cuidado e a atenção de Shisui fossem as peças que faltavam para que finalmente encontrasse paz.

O corpo relaxou, mais que antes, como se agora ele pudesse mesmo descansar sem preocupação alguma. Amava os dedos em seu cabelos, o carinho com que Shisui desembaraça os fios e voltava a acariciar sua nuca. A respiração dele era gostosa de se ouvir, era ritmada, e Itachi gostava de como seu coração se acalmava a ouvindo.

Tinha brigado com o pai mais cedo, uma discussão boba sobre Sasuke. As vozes não chegaram a se elevar em nenhum momento, o respeito dentro de casa nunca os deixaria extrapolar aquele limite, mas, mesmo assim, tinha sido o suficiente para o deixar fora de si. Era superprotetor com Sasuke, fato, mas o pai querer que parasse de treinar o irmão era o cúmulo, ainda mais porque era um dos poucos momentos que tinham juntos!

Inconscientemente, apertou o tecido da calça de Shisui com raiva, que se dissipou quando se viu abraçado pelo outro. Shisui se inclinara, abraçando Itachi enquanto lhe deixava um beijo delicado na têmpora. Não se afastou, manteve-se naquela posição até que o corpo do primo mais novo voltasse a relaxar após um profundo suspiro. Itachi tinha onze anos, mas parecia carregar o mundo nas costas, e Shisui se sentia quase na obrigação de aliviar essa carga, mesmo que tudo que pudesse fazer fosse confortar o outro.

— Vai ficar tudo bem, Tachi — sussurrou, e Itachi abriu os olhos, girando no colo do primo para deitar olhando para cima.

Shisui se afastou um pouco, o sorriso delicado e grato de Itachi fazendo seu coração aquecer.

— Obrigado, Sui.

* * *

Itachi bateu os dedos contra a testa de Sasuke antes de sair de casa, sabia que o irmão ficaria chateado por estar desmarcando o treino, mas não havia outra escolha. Mais cedo, seu tio havia ido falar com seu pai, e a curiosidade havia feito mal uso de suas habilidades avançadas para seus treze anos e permitido que ele ouvisse tudo escondido.

Colocou as mãos no bolso da calça, os pés já sabiam onde deveria ir... A mente, então, permitiu-se focar naquele pequeno sentimento de traição que o coração remoía desde que seu tio dissera que tinha discutido com Shisui por descobri-lo com o outro garoto de seu time… aos beijos.

O clã Uchiha era conservador, isso era um fato, mas era um clã unido. Uchihas se amavam, se defendiam, cuidavam uns dos outros como mais ninguém o faria! Não havia um problema real em Shisui ser ou não gay, seu tio mesmo não estava zangado por isso e aceitava bem, estando apenas surpreso por Shisui nunca lhe ter dito nada. E, se ele estava surpreso, Itachi então não podia nem falar nada…

O gosto da traição em sua boca era amargo, a expressão não mostrava raiva, apenas uma estranha melancolia que ele tentava entender e justificar. Shisui era mais velho, três anos, entendia que o primo podia ter seus segredos, que algumas coisas ele não lhe contaria mesmo que reconhecesse que ele era até maduro para a idade, mas aquilo não era “qualquer coisa”... muito menos se Shisui estava envolvido com outra pessoa!

Não era digno de confiança? Era imaturo? Por que Shisui tinha escolhido lhe esconder algo tão importante? Cada passo era uma nova tentativa de buscar na memória algum sinal, alguma vez em que Shisui tinha tentado lhe dizer, se havia agido estranho ou diferente, mas nada lhe vinha... Shisui tinha optado esconder aquilo dele, e isso doía.

Não era apenas uma questão de confiança, ia um pouco além porque se sentia um livro aberto para o primo. Mesmo que Shisui lhe dissesse nunca saber o que passava em sua cabeça, duvidava, sempre tinha sido sincero com ele, permitia-se chorar na presença dele e nem mesmo o repelia quando era repreendido (e ele odiava quando chamavam sua atenção!). Por que então não recebia o mesmo em troca? Por que deixava todos seus medos, preocupações e sentimentos nas mãos de Shisui quando ele não o achava digno para fazer o mesmo?

Parou no meio do caminho para o rio Nakano. Olhou adiante com o coração batendo mais rápido que antes, uma sensação de aperto no peito e a garganta querendo se fechar. Era inteligente, sabia reconhecer que aquilo era porque estava triste. Só não entendia por que… Não era para estar tão magoado, era? Olhou mais uma vez o caminho que fazia e então se desviou dele, Shisui o acharia fácil se fosse para o lugar de sempre e não queria encontrar o primo tão cedo.

Afastado de todos, sentou-se no galho de uma árvore alta, escondido pelas folhas e os frutos que começavam a aparecer. Fechou os olhos e abraçou os joelhos em silêncio. Precisava se acalmar, entender sua mágoa e só então falar com Shisui porque, sim!, ele o questionaria sobre aquilo… queria respostas, queria entender, mas queria, mais que tudo, que Shisui dissesse que tudo ficaria bem e levasse embora aquele sentimento horrível e desconfortável em seu peito.

* * *

Shisui franziu o cenho, o silêncio de Itachi era… incômodo, mesmo que soubesse que o primo era por natureza mais quieto e calmo que ele. Ainda assim, era aniversário de Sasuke, Itachi costumava ficar mais alegre muito mais receptivo naquela data. Estreitou o olhar, atento, enquanto Sasuke puxava o irmão pela mão para lhe mostrar algo.

Será que tinha feito algo? Não se lembrava… Da última vez que ganhara aquele tratamento de silêncio tinha sido no ano anterior quando tivera a brilhante ideia de esconder de Itachi sua sexualidade e, para piorar, que estava saindo com um dos membros de seu time. Recordava-se claramente de como havia sido horrível sentir o olhar indiferente de Itachi quando fora procurá-lo, as palavras duras que teve que ouvir ainda ressoavam em sua mente sempre que cogitava não lhe contar alguma coisa e então o coagiam a falar tudo…

Itachi era excepcional… de um jeito ou de outro, sempre conseguia o que queria. Como alguém de quatorze anos conseguia exercer um controle tão grande sobre ele? Shisui não sabia. A verdade era que sempre cedia a Itachi não importava o motivo, e isso só o deixava mais curioso para tentar entender o que teria feito de errado daquela vez.

Arqueou a sobrancelha quando percebeu que Itachi o analisava. Aquilo vinha se repetindo nos últimos três meses, era fácil encontrar Itachi o observando, principalmente quando estavam nas reuniões de família. E nunca deixava de ser estranho… Não sabia interpretar o outro, Itachi tinha o mesmo olhar sereno de sempre, mas as testas se franziam de vez em quando, como se algum pensamento estranho lhe tivesse cruzado a mente, e ele crispava os lábios antes de balançar a cabeça em negação e olhar para outro ponto qualquer. Era sempre o mesmo ritual, como se Itachi buscasse nele alguma resposta, tentasse enxergar através dele algo que Shisui não fazia ideia do que podia ser. Contudo, a pior parte era ver o modo consternado com que ele desistia e desviava sua atenção.

Algo estava errado, e já havia até mesmo perguntado a Itachi o que era, mas tudo o que tinha recebido fora:

— Por enquanto nada. Não se preocupe, vou te contar quando se acontecer alguma coisa.

Ah, e ali estava o pequeno gênio Uchiha… Shisui odiava como Itachi falava aquilo de uma maneira tão pacífica quando ambos sabiam que ele se referia ao seu pequeno deslize no ano anterior.

Dessa vez, encarou de volta, como se pedisse para Itachi compartilhar seus pensamentos consigo e, para sua surpresa, dessa vez Itachi não fugiu ou fingiu indiferença; pelo contrário, ele estava expressivo, o suficiente para um bom leitor como Shisui. Os olhos negros de Itachi se arregalaram ligeiramente, e os lábios se entreabriram como se em surpresa à medida que ele parecia buscar uma rota de fuga.

Tinha algo muito errado ali, Shisui notou, Itachi nunca tinha fugido daquela forma e soava até mesmo assustador ver o prodígio do clã abaixar a cabeça e sair pela casa ocupando-se sempre com uma nova desculpa qualquer para evitá-lo.

— O que fez dessa vez? — Kagami perguntou depois de Itachi dar um jeito de ir ajudar a mãe com Sasuke e Naruto.

— Não tenho ideia — respondeu com sinceridade, os olhos gritando por socorro para o pai.

— Alguma coisa você fez, Sui. Mas deixa, vamos beber, vem. Quando ele quiser, ele vem falar; sabe que Itachi não guarda segredos para você.

Shisui concordou a contragosto, seguiu o pai e se sentou com suas tias enquanto lhe permitiam algumas doses de sakê mesmo sem ter a idade necessária para isso. Não gostava muito da bebida, tomava apenas pela tradição e porque parecia que o álcool o ajudava a não pensar muito, principalmente em Itachi, mas sabia que a estratégia tinha um tempo limitado, alguém, uma hora ou outra, citaria o primo, afinal, era o prodígio do clã, não era?

Tinha sorte por gostar de Itachi, por se darem bem, porque, se o odiasse, o clã Uchiha seria o pior lugar do mundo para morar. Era impossível virar a esquina sem que alguém lhe perguntasse se Itachi estava em missão de novo ou ressaltasse uma das mil qualidades dele ou então reforçasse o quão orgulhoso o clã estava por ter alguém tão habilidoso e forte entre os seus. Para piorar, tinha parte de culpa também, não conseguia controlar a língua quando falavam de Itachi… era ouvir o nome do primo que seu peito se enchia de uma alegria súbita que o fazia querer mostrar a todos o quão maravilhoso Itachi era e o quanto ficava feliz por cada conquista dele.

Adorava-o, mais do que a qualquer outro! Importava-se com Itachi como se ele fosse uma parte essencial para que seu dia fosse perfeito e lhe queria bem, bem e por perto, sempre por perto… Ergueu-se após algumas doses, rindo de Kagami que babava sobre a mesa, e sentiu o rosto quente pela bebida. Riu, constrangido, mas tentou andar ignorando a falsa sensação de leveza que o álcool dava ao corpo, mas sem conseguir com a mente ébria frear o coração que lhe mandava para a parte de trás da casa, onde tinha certeza que Itachi estaria observando as estrelas.

Achou-o, como esperado, deitado na grama enquanto olhava para o céu e o ignorava. O jardim de sua tia ficava ali, um pouco depois de onde Itachi estava deitado. Dois degraus separavam aquela área do corredor coberto onde Shisu estava, as colunas de madeira sustentavam a cobertura e ele apoiou o ombro e a cabeça numa delas enquanto o sorriso lhe roubava os lábios.

Itachi tinha os olhos fechados, talvez esperando enganá-lo fingindo estar dormindo, mas precisaria de mais que aquilo para enganar Shisui, mesmo um pouco bêbado. Conhecia cada detalhe do primo, até mesmo o ritmo suave e agradável da respiração dele ao adormecer, o modo como o rosto perdia a tensão que o obrigava a fingir seriedade na frente da família, a boca que desenhava um sorriso singelo, o subir e descer harmonioso do peito. Itachi precisaria se esforçar muito mais para conseguir mentir para ele porque com certeza não havia mais ninguém no mundo que o conhecesse e lesse tão bem.

Entretanto, se Itachi não queria falar consigo a ponto de mentir, tudo bem, respeitaria essa decisão e esperaria pacientemente. Tinha outros problemas para lidar, outros mais urgentes, a começar pelo coração embriagado que lhe gritava sem pudor algum aquilo que vinha tentando negar toda vez que se pegava admirando demais o primo.

* * *

Itachi não era uma criança, mas ele também não era um adulto, e parecia que só Shisui enxergava isso! Itachi era membro da anbu desde os treze anos, vinha fazendo todos os tipos de missões possíveis que lhe mandavam naqueles três anos, possuía uma inteligência, uma força e uma habilidade que ninguém no clã ousava contestar, e isso fazia com que todos, até mesmo aqueles velhos do conselho, achassem que Itachi podia lidar com tudo e qualquer coisa sozinho. Só se esqueciam de um detalhe: Itachi tinha apenas dezesseis anos!

Quando tinha sido o último festival da primavera que Itachi tinha podido comparecer? Quando tinha sido a última vez que puderam sair pela vila pelo simples prazer de ficar andando pelas ruas e parando para comer algo diferente? Por Kami, Itachi não conseguia mais nem treinar direito com Sasuke porque o pai já lhe puxava para explicar como o clã funcionava e a importância da polícia Uchiha.

Estava farto, e com saudades, queria o primo de volta a ponto de até mesmo concordar com Sasuke quando o ouviu reclamar para Itachi que ele estava se afastando (e para ele concordar em alguma coisa com Sasuke…). Era por isso que agora andava estava ali, dentro do quarto de Itachi, deitado na cama dele enquanto girava a kunai no dedo.

Itachi chegaria em breve, logo após dar seu relatório para o Hogake, e Shisui o esperaria, decidido a arrastá-lo à força se preciso de volta a uma coisa chamada “vida”. Queria que Itachi relaxasse, pelo menos um pouco, e, também, ansiava por alguns minutos ao lado dele… a simples ideia já o fazia sorrir, tão perdido em pensamentos e fantasias que não percebeu quando Itachi entrou pela janela do quarto.

— Shisui?

O tom da voz era surpreso, Shisui também viu a confusão na face de Itachi antes de se levantar. Ele estava sem a máscara anbu, vestia ainda a armadura de combate e tinha um pequeno curativo no braço esquerdo que fez Shisui ficar sério enquanto se aproximava para analisá-lo.

— Você está bem? — a preocupação na sua voz era sincera e carregava tantas outras perguntas que nem se podia contar.

— Foi só um corte, está tudo bem — Itachi respondeu e esperou que Shisui soltasse seu braço, mas ele não o fez. — Sui?

— Vem comigo.

— Pra onde? — Itachi arqueou a sobrancelha, desconfiado. Não que a visita fosse inesperada, sabia que não conseguiria manter Shisui e Sasuke sob controle por muito tempo, eles eram as pessoas que mais amava afinal, com quem mais passava seu tempo, era óbvio que sentiriam a mudança brusca que a anbu causava em sua vida. Contudo, ainda assim, Shisui não parecia somente chateado como ele havia imaginado que aconteceria, seu primo parecia irritado, verdadeiramente frustrado.

— Nakano. É verão, me deu vontade de nadar para espairecer um pouco.

— Não somos mais crianças, Sui — brincou e retirou o colete de armas para jogá-lo sobre a cama.

Esperava que Shisui o respondesse com uma provocação ou uma piada, como era de costume, mas se virou para encará-lo quando não obteve nenhuma resposta. Encontrou-o sério, tão sério como quase nunca o via, ele suspirou de forma pesada e andou em sua direção com a mão erguida. Piscou confuso quando sentiu dois dedos baterem contra sua testa e levou a mão ao local enquanto Shisui lhe dava um sorriso cansado.

— Eu vou nadar. Vá dar um oi pro pirralho do Sasuke e vou te esperar no rio.

Itachi chegou a cogitar negar, estava cansado mesmo e tudo o que mais queria era deitar-se e poder fechar os olhos antes que seu pai chegasse à noite com questões do clã. Entretanto, Shisui já havia deixado seu quarto e o sentimento de culpa caído com peso sobre seus ombros. Soltou o cabelo preso e massageou a nuca respirando fundo, afrouxando as roupas que o apertavam. Demorou-se de propósito em casa, precisava ficar um pouco com Sasuke e garantir ao irmão que voltaria para que passassem um tempo maior juntos. Depois disso, foi como se a mente traísse o corpo cansado, como toda santa vez que Shisui lhe pedia algo ou solicitava sua presença. Era como um ímã, como se Shisui fosse um grande e poderoso ímã e ele um pedaço de metal qualquer arrastado à sua bel vontade.

Amava os momentos com Shisui, amava o rio Nakano, amava o bem-estar que o atingia, mas odiava com todas as forças como seu controle escorria por entre seus dedos assim como as águas fluentes do rio. Era algo que não compreendia e que, por consequência, assustava-o.

Era inteligente o suficiente para compreender o que se passava, mas imaturo demais para saber como lidar e, por isso, ainda hesitava ao ver Shisui emergir justo onde o rio deixava as cadeias rochosas que o cercavam de ambos os lados para se aproximar das planícies, onde as margens se estendiam para que pudessem se aproximar e desfrutar das águas.

— Você demorou — Shisui acusou.

— Mas eu vim. — Virou-se de costas para retirar as vestes e então entrar no rio.

— O que o grande conselho Uchiha e o tio Fagaku pensariam se vissem o prodígio Itachi nadando nu no Nakano? — provocou, e Itachi riu anasalado.

— Que você é uma péssima influência — Itachi respondeu antes de mergulhar, e Shisui sorriu abertamente quando o viu emergir de olhos fechados e com uma expressão satisfeita no rosto.

Ah, sim, Itachi tinha se esquecido de como era bom sentir as águas geladas do rio em contraste com o calor morno que o sol do fim de tarde trazia.

— Está se esforçando demais, Itachi… — apontou, sincero, ao se aproximar. — Sasuke está passando mais tempo comigo que com você, e isso é alarmante.

— Você sabe o que querem de mim, Sui.

— O que querem de você? — Shisui tombou a cabeça para o lado ao arquear a sobrancelha. — Como assim?

— Querem me fazer Hokage… — comentou em tom baixo e preocupado, e a cautela se mostrou válida quando viu Shisui perder de vez o riso e estreitar o olhar perigosamente.

— Como é?

— Por isso as reuniões e as disc-

— Você tem dezesseis anos — Shisui o cortou em voz alta, e a rispidez fez Itachi engolir em seco por um segundo.

— Disseram que é para o bem do clã, ajudaria a não termos mais desentendimentos com a vila. Isso evitaria guerras — Itachi tentou explicar, repetindo o mesmo discurso que o conselho lhe falava, mas Shisui chegou ainda mais perto, o dedo erguido em sua direção e a expressão nada contente.

— Você tem dezesseis anos, Itachi! Mas que porra esses velhos estão pensando? — exaltou-se. — Não, Itachi, não! Você… por Kami! Você aceitou isso?

— Não é questão de aceitar, mas de fazê-los acreditar que sim. Não tenho intenção alguma de me voltar contra Konoha, sou leal à vila, mas amo meu clã. Enquanto me quiserem nisso, farei o jogo e isso evitará que coloquem outra pessoa no lugar, uma que talvez não seja contra uma guerra.

Shisui se moveu, inquieto, as mãos passando pelos cabelos enquanto olhava de forma exasperada para o primo. Aquilo não estava certo, aquilo não deveria ser preocupação de Itachi! Simplesmente não deveria!

— Sui — chamou, mas Shisui ergueu a mão em pedido de silêncio enquanto balançava a cabeça. — Shisui…

— Nós não estamos em guerra, Itachi! Você está na anbu e já faz mais do que o esperado por qualquer um, não deveria ter que carregar mais isso! Não é justo! Não é certo! — gritou, e Itachi passou as mãos pelo rosto. — Você só tem dezesseis!

— Idade não significa nada para nós, sabe disso, é um número sem valor — respondeu, sério, o tom sóbrio com uma pontada de indignação claro o bastante para Shisui se calar e ouvir até o final. — Sou da anbu desde os treze e, antes disso, já vi mais do que deveria nas missões, no meu antigo time, você sabe disso. Já matei, mais do que gostaria, então não diga que não tenho idade para tentar impedir que mais mortes ocorram, não me subestime assim.

Shisui piscou, confuso, e então se aproximou, segurou o rosto de Itachi entre suas mãos e mirou-o nos olhos.

— Subestimar você? — perguntou, indignado, os olhos correndo por todo o rosto de Itachi antes de se fixarem novamente nos olhos dele. — Itachi, eu nunca subestimei você. Jamais! Você é excepcional, eu já disse isso e repito quantas vezes forem necessárias, eu tenho orgulho de você, mais do que imagina! Eu nunca te subestimaria! Nunca!

— Então…

— Não tem a ver com a sua capacidade, Itachi! Tem a ver com a sua vida! Você não é uma arma, uma ferramenta, você é uma pessoa e precisa viver! Você tem dezesseis anos e precisa viver, Itachi, aproveitar a sua vida e saber que existe mais que morte e missões no mundo! Você… por Kami, o que mais eles querem de você??

Itachi arregalou os olhos, o choque estampado na face sem que ele conseguisse esconder ou tivesse condições para isso. As mãos de Shisui seguravam seu rosto, sentia-as trêmulas, a voz do primo estava alterada também, nervosa como pouco havia visto em toda sua vida. Entendia-o, mas nunca tinha imaginado que Shisui estava preocupado logo com aquilo. Era verdade que sentia falta de viver, falta de se sentir apenas mais um dentre os prodígios do clã… mas não podia deixar isso claro, não era o que esperavam de si, não era o que traçavam para ele. E ver que Shisui não tinha deixado isso passar e que ainda se preocupava com que para muitos seriam meros detalhes fazia toda sua irritação inicial desaparecer.

Tocou o rosto de Shisui com carinho e atraiu os olhos negros para si.

— Está tudo bem, Sui, eu estou bem.

Mentira, era o que Shisui queria gritar, era o que estava na ponta da língua para disparar aos quatro ventos, mas não o fez. Não falou, não pensou, estava agitado demais para qualquer uma dessas coisas e, em vez disso, as mãos agiram antes de qualquer inibição, e ele não se arrependeu nem um pouco de ter puxado Itachi para si enquanto a boca buscava a dele.

Um beijo, inesperado para as duas partes, mas, de certa forma, nem tanto… Embora nunca tivessem tido tal tipo de contato, embora nunca as palavras tenham expressado o que levavam dentro do peito, as bocas pareciam pertencer uma à outra, como se o encaixe fosse nada menos que o esperado. E não houve vergonha, não houve estranhamento, era repentino, mas tão certo que as bocas simplesmente deslizavam uma pela outra, clamavam pelo beijo como os pulmões pelo ar.

As mãos não demoraram a achar o caminho certo, e Shisui suspirou deliciado quando os dedos sentiram os cabelos úmidos de Itachi entre eles, quando o primo tombou a cabeça em sua mão deixando-o conduzir e deslizar a língua pela sua. Não havia qualquer disputa, não tinha por que, as bocas desejavam se conhecer, explorar, sentir o gosto de cada nova sensação.

Itachi não sabia como agir, e isso o assustava por um lado. Já havia beijado antes, não porque quisesse, mas certas missões lhe cobravam isso, não era inexperiente, mas, com Shisui, parecia que seu conhecimento se escondia, deixando-o vulnerável. Seu coração batia forte e ele tinha certeza que nunca o havia sentido daquele jeito em qualquer outro beijo. Sua pele se arrepiava, uma vibração gostosa e desconhecida o havia feito suspirar quando Shisui o puxou para mais perto, colando o peito ao dele e pedindo mais de seus lábios.

Pela primeira vez na vida, se fez consciente do que era abaixar totalmente a guarda, como era estar alheio ao mundo à volta e se concentrar única e exclusivamente em uma pessoa e no quão bem ela lhe fazia sentir. Não ouvia o rio, as quedas d’água ao longe, os animais nas árvores, o vento a sacudir as copas, não via o sol descendo cada vez mais ao horizonte nem a maravilhosa troca de cores que ocorria no céu, não sabia de mais nada a não ser o gosto doce de Shisui em seus lábios, a pressão das mãos dele em suas costas e nuca, o calor da pele contra a sua e que estava apaixonado, irremediavelmente apaixonado…

Shisui suspirou, tão satisfeito e contente que Itachi sorriu contra a boca dele. Encostaram as testas, os olhos se abrindo lânguidos como se despertassem do mais perfeito sonho. Itachi ergueu uma das mãos, pousou os dedos sobre os lábios de Shisui e os acariciou em adoração. Parou o indicador sobre eles quando viu Shisui encher o peito de ar para dizer alguma coisa e negou com a cabeça.

— Prometeu nunca mais me esconder algo importante, Sui — alertou com seriedade ao mirar os olhos negros tão parecidos com os seus. — Se quebrar essa promessa agora, não vou te perdoar.

Shisui arregalou os olhos e respirou fundo ao desviá-los de Itachi. Ele queria a verdade, aquela que Shisui não queria contar e que estava, sim, pensando em esconder atrás de uma desculpa qualquer para o beijo. Entretanto, a ideia de Itachi nunca mais o perdoar significava demais para si, nada no mundo valia aquilo.

— Eu…

— Eu amo você — Itachi afirmou, sem qualquer dúvida ou hesitação. Embora nunca antes tivesse parado para pensar naquilo, as palavras vieram como uma das mais profundas certezas que seu coração guardava, como se aquela verdade sempre tivesse estado ali em sua boca e o toque dos lábios de Shisui nos seus fosse a chave para que pudesse revelá-la.

E talvez fosse aquela sinceridade ingênua de Itachi que o encantava, aquela pureza em alguém que tinha tudo para não possuir nenhuma gota mais dela. Itachi era moldado por batalhas, estava no meio de artimanhas e esquemas, lutava não só por sua segurança, como a de Sasuke, a do clã, a da vila! E, ainda assim, trazia um coração inocente, um que Shisui desejava ardentemente tomar para si e que Itachi depositava em suas mãos esperando que fizesse o mesmo.

E como podia recusar? Como podia dizer não quando sua boca já buscava a de Itachi e suas mãos não só aceitavam o coração dele como prometiam nunca mais o soltar? Itachi era seu, assim como sabia que era e para sempre seria dele e, por hora, aquela verdade bastava.

* * *

Itachi respirou fundo, o riso vindo fácil sem precisar da bebida como todos os outros do recinto. Não precisava disso, ter Shisui, Sasuke, e até mesmo o namorado do irmão mais novo, consigo para comemorar seu aniversário de dezoito anos bastava. Não estavam em casa, podia até dizer que estavam longe e de propósito, sem clã, sem regras, sem pressão alguma. O restaurante era simples, as pessoas não os olhavam nem pareciam saber quem eram, e Shisui sabia o quanto isso fazia bem a Itachi. Ali, Sasuke podia rir abertamente, beber mesmo sem idade para tal e se deixar beijar pelo namorado sem que o olhassem atravessado, e Shisui conhecia Itachi bem demais para entender o quanto a felicidade do irmão mais novo lhe era importante.

— Ele está bêbado. — Shisui riu, baixo, quando Sasuke cambaleou pelo estabelecimento até os banheiros. — Os dois estão podres de bêbados — acrescentou com uma gargalhada quando Naruto bateu a testa na mesa ao cair para frente.

— Não há problema aqui — Itachi respondeu enquanto comia mais dos dangos que haviam comprado no caminho. — E não há perigo também.

— Sei que não. — Shisui sorriu e se inclinou para afastar o cabelo de Itachi do rosto dele, colocando a mecha atrás da orelha de que se aproximava para sussurrar — Também não há perigo para nós… podemos ficar até amanhã...

Itachi sorriu de canto, a voz arrastada de Shisui arrepiava sua pele enquanto a promessa implícita fazia bem mais do que apenas arrepiá-lo.

— Há uma hospedaria aqui perto… com dois quartos reservados — Itachi comeu outro dango, os olhos subiram lentamente para o primo ao lado enquanto sorria e dava de ombros. — Não podemos voltar para o clã com esses dois assim tão bêbados.

Shisui soltou outra gargalhada, Itachi sabia ser incrivelmente dissimulado quando queria. Apoiou Naruto enquanto Itachi ria com as palavras embriagadas e os tropeços de Sasuke no caminho da hospedaria. Largaram os dois em um dos quartos, e não houve palavras ou risos depois disso, não houve tempo perdido, houve apenas pressa. Havia urgência em se empurrarem para o outro quarto, em cada peça de roupa arrancada como se os segundos lhes cobrassem mais ação.

Itachi sorriu entre os beijos estalados e as mãos exigentes que lhe despiam, arfou com as unhas curtas de Shisui se arrastando por suas costas enquanto o empurrava para trás até que caísse sentado na cama. A noite quente facilitava as coisas, os escondia de todos e tornava ainda maior a necessidade de se livrarem das vestes.

Sentou-se sobre as coxas do primo, os joelhos apoiados na cama enquanto as mãos puxavam para trás os cabelos de Shisui a fim de aprofundar o beijo como queria. Amava a possessividade com que era tocado, sentia com extremo deleite os apertos em seus ombros, costas, cintura e enfim glúteos. Não tinha vergonha alguma em gemer e mostrar o quanto apreciava aquele prazer; já viviam sob regras e limitações demais dentro do clã, não havia motivos para que isso se estendesse quando estavam a sós. Jogou a cabeça para trás, a voz rouca arranhou a garganta e ecoou em sua própria boca à medida que rebolava sobre a ereção entre suas nádegas e sentia os dentes de Shisui em seu pescoço.

Queriam-se, mais do que poderiam um dia explicar, Shisui desejava Itachi como talvez ninguém mais compreendesse. Segurou-o melhor antes de jogá-lo na cama e se ajoelhar entre as pernas abertas do primo, afastou-se apenas para abrir o fecho da calça e seu coração falhou uma batida quando Itachi se sentou e o puxou pelo quadril para frente, os dentes arranhando seu abdômen e a língua demorando-se ao redor do umbigo e nas cicatrizes mais antigas enquanto as mãos desciam sua calça.

— Quero você — Itachi demandou assim que Shisui jogou as vestes longe e voltou a se ajoelhar na posição de antes.

Shisui sorriu, a malícia mais que evidente nos olhos escuros enquanto a mão se fechava em torno do membro endurecido. Segurou o queixo de Itachi entre o indicador e o polegar, lambeu os lábios diante da expressão decidida e suspirou em deleite quanto Itachi abriu a boca para receber seus dedos, provocando-o. Segurou a ereção, passou-a entre os lábios de Itachi e riu excitado.

— Todo seu, amor…

Itachi balançou a cabeça, a língua rodeou a glande e a boca acolheu o membro ereto sem demora. Os olhos permaneceram em Shisui, sem perder o momento em que o primo abriu a boca em êxtase, piscando ébrio antes de jogar a cabeça para trás e levar ambas as mãos aos seus cabelos. Gemeu com o aperto, os dedos de Shisui acariciando seu couro cabeludo com certa força à medida que aumentava a velocidade com que o chupava.

Havia um prazer especial em satisfazer o outro daquela forma, a forma como Shisui respondia aos estímulos era intensa, desde o tremer dos músculos firmes das coxas aos movimentos irregulares dos quadris quando ele tentava se arremeter contra sua boca. Os gemidos vinham baixos, mas sinceros, os suspiros lhe contavam mais, como se Shisui desistisse pouco a pouco de tentar resistir e aceitasse o prazer que se alastrava pelo corpo e nublava a mente.

Itachi suspirou, apertou as coxas de Shisui quando o primo puxou seu cabelo e o sugou com mais força.

— Tachi… ah… pera — Shisui gemeu, e Itachi sorriu com a boca cheia enquanto se inclinava à medida que Shisui cedia por completo e se sentava sobre os calcanhares.

Itachi soltou o membro ereto com um barulho estalado, Shisui gemeu lânguido ao encará-lo. Itachi tinha um sorriso discreto, a boca vermelha, apoiado nos joelhos e com as mãos em suas coxas, deslizando-as até seus quadris para abraçar seu corpo enquanto novamente se inclinava para continuar a chupá-lo. Os cabelos negros caíam pelas costas, e a vontade de livrar Itachi das calças que ele ainda vestia quase o fizeram se afastar. Quase… Em vez disso, gemeu, alto, as mãos indo para trás do corpo, na cama, buscando apoiá-lo enquanto o coração marcava os segundos que lhe restavam tal qual um relógio.

— Não para, por favor, não para… — pediu, os olhos fixos no teto, mas turvos pelas sensações que tencionavam os músculos e o faziam apertar os lençóis.

Era quente, a boca de Itachi era sempre sedutora e quente, convidativa, parecia sugar até a última gota de sua alma. A língua era a melhor parte certamente, seu corpo tremia toda vez que ela passava pela glande e brincava com o pequeno orifício da ponta, como se convidasse o prazer a se libertar. E daquela vez não houve impedimentos… Shisui só teve tempo de abrir os olhos e agarrar os cabelos de Itachi enquanto podia jurar que o maldito sorria. O gemido veio alto, mais do que seu orgulho gostaria, entretanto, ele não se envergonhava como Itachi; pelo contrário, o gozo vinha acompanhado do riso enquanto os quadris se arremetiam preguiçosamente contra a boca do amante.

Itachi se afastou lambendo os lábios, e Shisui sorriu ao puxá-lo para si acariciar-lhe o rosto.

— Eu nunca… jamais… vou me arrepender de ter te ensinado isso — provocou risonho e não deu tempo de Itachi lhe responder antes de beijá-lo.

Mas Itachi já o conhecia, sabia interpretar a urgência do beijo e o modo como Shisui se inclinava sobre si, obrigando-o a se deitar no colchão e recebê-lo entre suas pernas.

Queria-o. Não havia mentido quando tinha dito isso, não havia escolhido passar seu aniversário longe nem reservado aquele quarto na hospedaria por nada! Queria-o, uma inexplicável vontade de tocar e ser tocado que só surgia quando estava com Shisui, somente com ele e por ele! Seu corpo queimava, pulsava, a cada toque de Shisui para retirar o restante de suas roupas, a cada beijo em sua pele. O rastro de fogo que a língua deixava por seu peito fazia-o arquear as costas e morder os lábios para conter a voz, a mão de Shisui em sua ereção abria suas pernas dando total acesso a seu corpo…

Não existia tempo, a consciência de uma realidade que não fosse a dos corpos deslizando um sobre o outro não importava. Era perigoso, permitir-se se perder daquela forma o deixava vulnerável, mas confiava em Shisui, já havia dado seu coração a ele, o corpo lhe era o de menos.

— Vire-se… — Shisui sussurrou, as mãos na cintura de Itachi e nos cabelos dele à medida que o ajudava a deitar-se de bruços.

Itachi gemeu, o peso do corpo quente sobre o seu o excitava, a ereção latejava enquanto sentia Shisui se deitar em suas costas e esfregar o membro entre suas nádegas. A língua correu seu pescoço, os dentes marcaram seus ombros, os dedos beliscaram sua pele, e a mão envolveu sua ereção enquanto empinava seu quadril. Gemeu, perdido, entregue, o suor escorrendo por seu pescoço e costas.

— Ah, Tachi… eu te quero tanto…

E essa era provavelmente uma das maiores verdades de sua vida. Itachi fazia seu coração bater, seu sangue ferver, o gosto da pele de Itachi era viciante, os gemidos sôfregos compunham uma sinfonia que Shisui nunca se cansaria de ouvir e o prender da respiração quando finalmente se completavam era simplesmente a entrada de seu nirvana pessoal. A pressão era deliciosa e, quando Itachi finalmente relaxava, acolhendo-o por completo, era simplesmente inexplicável.

— Sui…

— Não estamos em casa, não vão… te ouvir — gemeu, a mão sobre a de Itachi entrelaçando os dedos aos dele antes de sair e voltar com mais força. — Me deixa te ouvir, Tachi...

— Ah, Sui! — Itachi apertou os lençóis, os olhos revirando-se enquanto os joelhos se arrastavam na cama para que empinasse ainda mais os quadris. — Mais rápido…

Era uma ordem, Itachi não pedia, e Shisui sabia disso, não era da personalidade deles pedir o que quer que fosse numa hora daquelas, não quando a razão já se deixava eclipsar pela insanidade que era a intensidade dos desejos Uchihas. O som do choque dos corpos os excitavam em igual, mas Shisui tinha certeza de que Itachi era quem mais gostava de quando o caos de fato se instaurava, de quando as vozes se perdiam pelo quarto em exigências confusas e gemidos desconexos. Era delicioso vê-lo se entregar, mas era ainda melhor senti-lo se contrair, o corpo se arremetendo contra sua mão e rebolando contra sua ereção de maneira sôfrega e desordenada.

— Ah, mais… Shisui!

Shisui riu, rouco. Itachi era lindo, a imagem do primo afogado naquele prazer lhe seguia todos os dias, toda as noites. Se achava que Itachi já era belo antes, tudo mudou quando o viu em meio ao sexo. Nada sabia sobre beleza, e aceitava que Itachi sempre o surpreenderia. O rubor nas maçãs do rosto combinavam com o sharingan ativado, o vermelho em Itachi era erótico, lhe coloria os olhos, as bochechas, os lábios, a pele em cada lugar que Shisui tinha apertado, mordido ou chupado. Seu membro pulsava diante da visão, seu corpo queimava como se o vermelho em Itachi fossem a chama de seu desejo por possui-lo.

Ouviu-o engasgar entre os gemidos, prendeu o cabelo dele com força para virar-lhe o rosto para o lado e não perdeu tempo antes de beijá-lo.

— Toque-se, Itachi. — Deslizou a língua pelo pescoço até a nuca dele, onde mordeu. Deixou que a mão de Itachi substituísse a sua na masturbação e apertou-lhe a garganta com pouca pressão, a boca voltando a colar-se no ouvido dele quando reconheceu o limite próximo. — Vem, Tachi, vem, goza! Goza comigo…

A voz de Shisui ecoou em sua mente mais algumas vezes antes que Itachi permitisse que o corpo fosse tomado pelo ápice. A corrente elétrica que o percorreu o fez gritar extasiado, o coração saltando à boca, difícil de ser contido enquanto se derramava em sua mão e sentia a de Shisui apertar-lhe mais o pescoço.

Sorriu, o pós orgasmo deixando o corpo à mercê de Shisui. Mordeu o lábio inferior, os gemidos de Shisui depositados em seu ouvido o faziam sorrir, o braço se erguendo para trás para que pudesse segurar a cabeça dele exatamente onde estava. Amava demais ouvi-lo gozar…

Arrepiou-se, o corpo ainda tremia com as investidas e ele lambeu os lábios quando Shisui o apertou desesperadamente quando o clímax enfim também o arrebatou.

E então vinha a letargia… não tinham pressa daquela vez, não havia uma missão para qual deveriam sair em minutos, nem a chance de serem pegos, nada. Os corpos puderam relaxar sem que a adrenalina os obrigasse a fugir para não serem flagrados, Shisui podia se dar ao luxo de demorar-se no corpo de Itachi, deitando sobre ele enquanto beijava com lentidão cada marca de mordida que deixara nas costas, ombros e pescoço dele. O sorriso orgulhoso era inevitável, ainda mais quando assistia novamente o corpo alheio responder aos estímulos e Itachi lhe espiar com malícia e fome.

Afastou-se, ajoelhou na cama apenas para ver Itachi se sentando e então virando de frente para si. Riu baixo, estendendo a mão enquanto se deitava e puxava Itachi para cima de seu corpo.

— Quero você — Itachi repetiu ao chupar seu lábio inferior.

— Já disse — Shisui sussurrou ao abrir as pernas e acomodar melhor o corpo do outro. — Sou todo seu.... completamente seu, de corpo e alma, sem reservas… Eu te amo tanto...

Itachi sorriu, mais que satisfeito com a resposta. Contornou os lábios de Shisui com a ponta dos dedos, esculpindo na memória seu formato, relembrando o gosto, a textura… Os olhos de Shisui brilhavam e quis saber se os seus também conseguiam refletir o quanto o amava.

— Amo você, Sui — afirmou, apenas para o caso dos olhos terem falhado.

Shisui sorriu, apaixonado. Itachi era transparente para si, e o esforço dele em lhe garantir o quanto o correspondia era adorável. Não resistiu e o puxou, palavras eram desnecessárias, não havia nada que elas lhes revelassem que os corações batendo em sincronia e os corpos fundindo-se já não tivesse feito.

Completavam-se, entendiam-se, amavam-se, como sempre havia sido, mesmo na época quando não compreendiam por completo a necessidade de estarem juntos e conectados. E estava tudo bem, ambos sabiam que, enquanto estivessem ali um pelo outro, enquanto confiassem os corações um ao outro, tudo estaria e permaneceria bem...

10 de Julio de 2018 a las 22:17 1 Reporte Insertar 10
Fin

Conoce al autor

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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ML Mimi Lana
Me gusto. Muy tierno
2 de Agosto de 2019 a las 23:55
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