Incertezas Nebulosas Seguir historia

rasui_yoon

O amor como toda palavra tem sua força própria, mas o que fazemos quando o sentido se perde e as ações se transformam contra tudo aquilo que um dia acreditamos ser o certo. As juras se perdem com um sopro do vento, e as certezas são cobertas pelas falsas e incertas nuvens do desespero. Você nunca me amou, pois não sabia como amar alguém.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#lemon #superação #RelacionamentoAbusivo #yaoi #Agressão #violencia #chanbaek #exo
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Meu ódio disfarçado de amor.

Ele sempre se achou melhor que todos, inclusive a mim. No final eu ainda me perguntava o porquê de ele ter me escolhido. O que ele viu em mim? Eu costumava ser tão antipático e introvertido na maior parte do tempo que me questionava como alguém conseguia ficar perto de mim sem me mandar para aquele lugar.

Mas o que me impressionou de início é como ele foi persistente, e depois de tudo conseguiu a única coisa que ninguém além de minha falecida mãe tinha conseguido: ele me fez o amar. Não daquele jeito em que não se vive sem a pessoa, o meu amar era estranho assim como eu. Eu o queria longe quando estava perto, e o queria perto quando estava longe, e embora pensasse em inúmeras palavras de afeto para dizer, apenas palavras rudes saíam naturalmente. Eu nutria amor disfarçado de ódio e sabia muito bem disso.

Entretanto, esse era eu até um tempo atrás. Quando finalmente me vi livre de Park ChanYeol, percebi que era um ser humano melhor sem ele, consegui ser a pessoa que sempre sonhei, alguém que, depois de um longo tempo nublado, agora podia sorrir novamente para a chuva.

A curiosidade deve estar aumentando aí, certo? Não vou me tardar em dizer a razão de odiar o fato de ele me amar, lamentações nunca me livraram de levar outra surra, não importa quantos hematomas estivessem cobrindo minha pele, estes nunca doeriam mais que meu coração.

Minha suposta “história de amor” começou como um bom clichê estudantil, eu era aquele antissocial excluído, e ele não era o cara popular, mas, sim, a encrenca boa que todos uma vez na vida gostariam de se envolver, mesmo que fosse apenas para saber qual era a sensação de se queimar.

Ele chegou como uma brisa fraca, daquelas em que se fecha os olhos para apreciar antes de vir uma enorme tempestade. Não posso negar que já o tinha notado, não me entendam mal, eu notava a todos que estavam ao meu redor, e ele era apenas mais um, sem qualquer interesse particular envolvido, nem ao menos seu nome era de meu conhecimento, mas seu rosto era inconfundível entre os demais. E em um dia qualquer, vi o meu cantinho secreto sendo invadido por um ser escroto e desengonçado. Eu o odiei tanto quanto odeio agora. Ele arrancou a minha paz fingida, e isso eu nunca vou perdoar.

O Início

O sinal do término do intervalo me fez bufar, não queria voltar para uma aula chata com pessoas desprezíveis. O pensamento de matar as últimas aulas me ganhou, mesmo que eu soubesse que apenas ficar ali parado e deixar todo e qualquer tipo de confusão existente passar pela minha cabeça não seria bom, as opções eram escassas, pelo menos o calar das vozes e o som do vento poderiam me ajudar a relaxar.

Tudo ia bem até o estrondo da porta do terraço sendo fechada cortar meus ouvidos, fazendo meu corpo saltar em espanto. Logo a cabeleira negra entrou em meu campo de visão, seus olhos não demonstraram surpresa em me ver ali, mas eu sabia que os meus o interrogavam com uma cara nada amigável.

- Então a boneca estava aqui o tempo todo? – Instintivamente levantei uma de minhas sobrancelhas em descrença. O que esse indivíduo tinha acabado de falar?

- O que você disse, seu merda? – Não me contive ao deixar toda a minha insatisfação explícita em minha voz. Sua expressão surpresa me deixou mais irritado, como se ele não esperasse nada vindo de mim.

- Nossa, pra quê toda essa hostilidade, gata? – Não hesitou em invadir meu espaço pessoal, sentando-se ao meu lado e se recostando na parede, próximo a mim.

Eu sentia meu sangue ferver, queria tanto dar um soco naquele rosto e tirar aquele sorriso presunçoso de sua cara, mas antes que eu revidasse com algum outro xingamento ele sacou um cigarro e o acendeu.

- Quer um? – Voltou seus olhos pra mim, soprando a fumaça para cima.

Neguei-me a responder. Levantei com a expressão mais irritada que conseguia, me dirigindo para a saída, não era obrigado a aturar uma pessoa cretina falando besteira no meu ouvido. Os movimentos dele também não me passaram despercebidos.

- Já vai, boneca? – E lá estava o sorriso novamente, agora bloqueando meu caminho – Por que tão rápido? Não gosta da minha companhia? – Ele tentou tocar meu rosto, levando um tapa hostil de minha parte em sua mão atrevida.

- Na realidade eu não dou a mínima de você ficar aqui, desde que eu não esteja perto. E sim, eu já vou, porque um certo ser inconveniente insiste em ficar me chamando de garota, seu déspota. – O empurrei levemente, tirando-o da frente.

Na realidade, eu esperava que sendo tão desagradável ele não fosse querer cruzar comigo nunca mais, como em muitos casos anteriores em que tive sucesso nesse feito, mas não, o aperto em meu braço deixou mais do que claro que me livrar desse não seria tão simples assim.

Dirigi o olhar para os dedos longos que me impediam de sair dali. Um desconforto no local devido à força aplicada para me conter, fez meu rosto arder em chamas de tanta raiva que sentia no momento. Dei um puxão na esperança de não ter de dirigir mais nenhuma palavra àquele cretino e simplesmente me livrar dele, entretanto nada nunca conspirou a meu favor, e assim mais um ato foi em vão.

- Será que dá pra me soltar ou você não percebe que ninguém te quer aqui?! – Não queria olhar para aquela cara que era o alvo tão desejado por meus punhos, por isso me mantive de costas apenas sentindo o aperto em meu braço aumentar.

- Qual é, gracinha, olha pra mim que eu te solto. – Sua voz me irritava, eu nem o conhecia e apenas o fato dele respirar me dava asco.

Puxei o máximo de ar para meus pulmões, orando por paciência para qualquer ser divino que quisesse me ouvir, e bruscamente me virei tentando passar toda minha insatisfação através de meus olhos que o fuzilavam.

- Você fica mais bonito sorrindo do que com essa cara toda bravinha. Se bem que ainda continua uma graça. – E lá estava a mão atrevida que tentava tocar meu rosto novamente.

Em seu momento de distração, me esquivei usando toda minha força para me soltar de seu aperto. Andei quase correndo para a porta e depois disso não parei até que me encontrasse na minha sala. Não me importei com a bronca levada pelo professor, tal qual não durou muito, afinal ninguém gosta de brigar sozinho, sendo ignorado como se seus chiliques não estivessem ocorrendo.

Passei o resto das aulas dormindo. Quem liga pra essa merda toda de Aristóteles e Platão? Apenas esperei que os vândalos saíssem correndo, e logo me retirei da sala apenas sonhando com a maratona de filmes que me esperava no meu pequeno-quase-minúsculo quarto no sótão da minha odiável tia.

Andava como sempre, vagarosamente sem ser percebido. Eu era tão estranho que passava a ser normal, com minha franja meio comprida caindo sobre os olhos, a cara sempre fechada, fazendo com que assim as pessoas não chegassem perto, as roupas desleixadas e de aparência velha, porque realmente estas eram.

Havia alcançado minha vitória. Finalmente fora desses portões eu poderia perder mais trinta minutos caminhando e logo estaria onde deveria estar: escondido do mundo.

- Ei, princesa! Nem me esperou. – Aquela voz. O que eu, em nome de Atenas, tinha feito para merecer esse encosto?

Seu braço atrevido estava pousado em meu ombro, invadindo novamente meu espaço pessoal, eu odiava que se encostassem a mim, e isso só provava como eu conseguia ser antissocial na vida. Essa espontaneidade com a qual ele se aproximava me deixava super irado, mas ao mesmo tempo fazia com que uma curiosidade nascesse. Esse acéfalo queria o quê comigo?

- Olha aqui, garoto... – Retirei delicadamente seu braço dos meus ombros, mantive a calmaria antes da tempestade que estava por vir. – O quê diabos você quer? Não enxerga que eu não te quero por perto? Porra, eu nem te conheço e você vem como se tivesse a maior intimidade comigo, o quê, no caso, você não tem! – Dei uma leve pausa para respirar, pois sentia meu rosto vermelho e isso nunca era um bom sinal – Então se toca de uma vez e some da minha frente, seu orelhudo idiota! E vê se para de me chamar desses apelidinhos escrotos, porque, não sei se você notou ou é só cego mesmo, eu tenho um pênis, caralho! Bem no meio das pernas! O quê, logicamente, me torna um homem! Mas que saco viu! – E lá estava minha outra pausa.

Não me lembrava de ter dado um ataque tão grande há muito tempo, normalmente eu conseguia apenas mandar um foda-se e estava tudo bem, mas o que eu tinha acabado de fazer só ocorria nas situações mais extremas. Podia começar a sentir o ar faltando, o quê deixa mais que explícito que eu precisava dar o fora dali o mais rápido possível.

A cara daquele ainda na minha frente apenas permanecia congelada com as sobrancelhas levantadas como se não houvesse gostado dos meus ditos, então não me contive. Mesmo sem ar eu corri o mais longe que conseguia com o pouco que me restava.

Não sabia o que esperar do dia seguinte, mas um pressentimento nada bom me tomou quando, pela manhã, perto do portão, a imagem do corpo alto me deixou apreensivo, e sabia que o pior estava por vir quando aqueles olhos, agora não mais tão infantis, me miravam como alvo.


(Um mês depois)

- Eu não mandei você me esperar? – Não queria ver a cara de pau dele, se fazendo de inocente, como se não tivesse feito nada. Eu queria jogar tudo para o alto e ir embora sem nenhum remorso, mas sabia que não ficaria apenas nisso.

- A aula foi super cansativa hoje, ChanYeol, e eu não tô no clima para suas gracinhas. – Agora o mirava enquanto esse ao meu lado me seguia rumo à minha casa – Então, só hoje, será que dá pra esquecer que eu existo? – Respirei fundo esperando a voz alterada que eu sabia que viria.

No início era quase impossível aguentar a perseguição constante que ele me impunha, contudo com o tempo fui me acostumando com sua presença indesejada, e sem eu notar ele começou a me domar. Fui domesticado ao modo ChanYeol. Eu já não gritava tanto e nem o xingava como antes, não depois de levar o primeiro tapa. Claro que ele diz se arrepender, mas eu pude ver a satisfação em seus olhos. Ele não gritava sempre, mas sua paciência nas primeiras semanas mostrou ser muito bem fingida, sempre tentando me agradar mesmo quando eu o negava.

- Por que todo esse estresse? – Não o respondi, sua voz já estava mais áspera. Cretino. Não conseguia nem aguentar uma simples oposição que ficava na defensiva – Vai me ignorar, BaekHyun? – A força aplicada em meu braço para me virar em sua direção e impedir que eu continuasse andando fez um leve gemido de dor sair pela minha boca – Tá se achando de mais Baek, cuidado.

- Você acha que eu sou burro, ChanYeol? – Sua postura sarcástica me disse tudo – Não precisa responder. – O impedi antes que palavras ácidas que me magoariam fossem proferidas. – Eu vi você aos pegas com aquela putinha atrás da escola. Você acha mesmo que eu vou deixar que encoste em mim depois disso? Se pensa que seu dia vai acabar aos solavancos na minha cama está muito enganado. Não quero sofrer de humilhação por ficar conhecido como o corno que sabe que é traído e não faz nada! – Me soltei andando na frente, pois o quê eu vi no seu rosto depois de minhas palavras falava que coisa boa não ia vir.

Andei o mais rápido que conseguia sem chamar atenção, precisava de alguma coisa sólida entre nós dois, só assim me sentiria seguro. Eu olhava para trás e ele ainda estava parado me mirando ir embora, e foi quando nossos olhares se cruzaram que ele disparou em passos rápidos e pesados em minha direção. Seu rosto estava vermelho e pela primeira vez eu senti medo de verdade, como se ChanYeol realmente pudesse me machucar feio se me alcançasse. Então corri até o ar faltar e só parei quando estava trancado no meu sótão.

Mal pude me recompor quando as vozes abaixo me deixaram alerta. Eu não conseguia acreditar que ele tinha me seguido até ali, e claro que minha tia idiota que pouco se importava para o que eu fazia o deixou entrar. O som dos passos subindo a pequena escada de madeira fez meu coração acelerar, droga, uma porta velha não seria o suficiente.

- Abre essa porta, BaekHyun. – Sua voz irritada me dizia tudo sobre seu estado, e eu me vi dividido entre me resolver com ele ou simplesmente deixar as coisas piorarem. – Olha, eu não vou te machucar, só vamos conversar. – Mesmo sabendo que era a mais pura mentira, eu cedi.

Abri vagarosamente a porta, mantive a cabeça baixa sem o encarar. Ele entrou de modo grosseiro, me empurrando, e fechou a porta, passando a chave nesta. Eu podia sentir meu corpo começar a tremer levemente, não sabia o que aconteceria. Com um simples levantar de mão, eu me encolhi. Sabia que ele se divertia me vendo tão coagido, mas o leve carinho em minha bochecha me assustou. Olhei-o, e a calma do início estava ali. A carícia foi o pretexto usado para sua aproximação, e como sempre eu deixei que ele me beijasse.

Fui guiado contra a parede, sua outra mão me apalpava e eu não me detive em o puxar contra mim. Sua mão agora deslizava pelo meu queixo, e quando me dei conta estava sobre meu pescoço. A força imposta ali para nos separar me engasgou, levei à garganta minhas mãos tentando tirar a dele dali, mas o aperto se intensificou me prendendo mais a parede conforme seus olhos raivosos se abaixavam até alcançar a mesma altura que os meus.

- Da próxima vez que você falar comigo daquele jeito, eu juro, BaekHyun, eu vou quebrar todos os dentes dessa sua boca! – E era a primeira vez que eu chorava por causa dele. Eu queria que ele fosse como antes, tão cativante e carinhoso, e apenas esses pensamentos me faziam chorar mais.

O aperto foi afrouxando, e logo os dedos que me sufocavam buscavam limpar as lágrimas do meu rosto. Lá estava o aconchego falso de seus braços que tentavam acalentar meu choro, esses mesmos braços que sempre ameaçavam me machucar, mas mesmo assim eu sempre fugia de volta para eles.

O Meio

A sensação era boa. Minha visão rodava e junto dela eu via fleches daquele rosto que eu sabia ser o culpado pelo meu estado. Levei minha mão frente ao rosto, tentando de alguma forma ver o que refletia de algum lugar e atrapalhava minha visão. A mão grande que completou a minha me deixava mais nostálgico. Ainda meio entorpecido, percorri com o olhar a extensão dos braços ligados à mão que prendia a minha e encontrei olhos tão nublados quanto os meus me encarando daquele jeito que só ele sabia.

A fraqueza foi me dominando e tudo ficando mais escuro, e assim, novamente, me deixei levar pela leveza que sentia em meu corpo e pelos braços quentes que me envolviam. Embora eu soubesse que segurança era a última coisa que me proporcionariam, eu ainda os queria por perto.

O cheiro forte me acordou. Ainda sentia minha cabeça rodar, e aos poucos meus olhos se acostumavam com a luz do quarto. Ele estava como foi deixado por nós dois, com roupas, restos de comidas e quaisquer outras coisas que não me orgulho espalhadas pelo chão.

- Tava demorando pra acordar, amorzinho. – Me levantei precariamente percebendo que minhas roupas estavam mal colocadas. A dor em minhas partes inferiores demonstrava que ele havia feito de novo.

Procurei a origem da voz, vendo este sentado na beira da cama bagunçada cobrindo apenas as partes intimas com uma boxer que claramente era para estar em mim. Identifiquei o cheiro forte que me perturbava em sua mão: um cigarro aceso junto com uma garrafa de whisky pela metade.

- ChanYeol, eu já não pedi pra você esperar eu acordar. Você me deixou todo fodido, seu merda! – Rangi os dentes não só de raiva, mas de dor ao me colocar de pé.

- E quem disse que eu preciso esperar você acordar? E olha como fala comigo, viu, sua puta! – Me encolhi antes mesmo de dar algum passo, pois esse se colocou de pé e veio em minha direção como um raio. – Ta achando que manda em alguma coisa aqui? Cuidado, viu, não quero ter que machucar essa carinha linda de novo. – Tive o rosto agarrado bruscamente, onde seus dedos me machucavam ao espremerem minhas bochechas com força.

Um leve beijo foi depositado no bico que meus lábios formavam, eu queria tanto o bater e xingar naquele momento, mas só eu sabia o quanto ia doer depois quando ele resolvesse revidar. Não sabia o porquê de eu simplesmente deixar que aquela situação continuasse, eu poderia ir embora como muitas vezes ele jogou na minha cara, entretanto ele sempre acertava depois quando falava que eu era um desgraçado masoquista que não conseguiria mais viver sem ele.

Eu sabia que isso não era amor, afinal amor tinha que ser como aqueles filmes românticos onde a mocinha era tratada com respeito e cuidado e o cara a protegia de todos, a fazendo feliz, não onde ele só sabia gritar e se divertia vendo a dor dela. Isso não era amor, sem sombra de dúvidas. Talvez a necessidade de não ficar só era maior por minha parte. Sempre quis ter alguém em quem eu pudesse me apoiar, e de um jeito meio torto ChanYeol conseguiu ser essa pessoa. Sabia que essa obsessão por poder não era boa, principalmente para o meu lado, mas só o fato de não ter que tomar decisões ou me proteger dos outros sendo tão agressivo, me deixa de um modo tão dominado que eu não ligava de ele me usar como boneco, desde que não deixasse de me usar.

- BaekHyun, vem aqui. – A voz meio mole por conta do excesso de bebida chamou minha atenção da sala.

Onde morávamos não era muito grande, uma casa pequena deixada para o maior por sua avó. Não tinha luz direito, e embora a água faltasse às vezes também, isso não impedia que levássemos uma vida normal, pois era a única que eu conhecia.

Não demorei para me dirigir ao local onde o outro estava. As cobertas ainda estavam jogadas no chão onde eu me deitava às vezes a noite quando tentava fugir de suas mãos bêbadas, o quê infelizmente parecia ser o caso. Detestava finais de semana porque era quando ele estava em casa, e isso em sua mente era como se fosse os dias de diversão, onde bebidas e drogas não paravam de ser ingeridas. Eu não gostava muito dessas coisas, mas quando ele queria que eu tomasse, negar era a última coisa que eu faria.

- Vem cá, chega mais perto. – Em passos lentos me aproximei. Sabia que ele estava sobre os efeitos das bebidas fortes que tanto gostava, então eu tentava ser o mais cuidadoso possível. – Anda logo, Baek, vem aqui. – Ele me chamava com a mão e conforme eu me aproximava eu via aquele sorriso na minha visão maléfico ir aumentando.

Segurei sua mão estendida e me deixei ser sentado entre suas pernas no chão. Mantinha-me imóvel, podia sentir suas mãos grandes me acariciando com certa força, e logo beijos e chupões eram distribuídos pelo meu pescoço. Ele tentava aspirar o cheiro que alegava só pertencer a mim, impregnando em minha pele. Em pouco tempo, seu pênis já duro roçava em minhas costas.

O puxão brusco em meus cabelos me fez levantar levemente, seguindo para onde aquelas mãos me guiavam, e mais uma vez estava no chão com aquele corpo sobre o meu. Meus lábios agora atacados não deixavam de revidar, e eu puxava seus cabelos, não com a mesma intensidade com a qual os meus eram segurados contra o chão.

Meu corpo reagia a seus toques bruscos e que rapidamente estavam desesperados para me ver nu. O tom avermelhado tomava minha pele sobre os roxos já amarelados de dias atrás. Seu corpo roçava ao meu, tentando a todo custo alcançar o máximo de contato que conseguisse, e eu gostava. Gostava de ter peito com peito colados, a sensação das peles febris juntas, as línguas em uma dança incansável por mais, onde ele a deslizava pelos lugares do meu corpo que sua boca conseguia atingir. Podia sentir o reflexo da minha mente pedindo mais através das vibrações que me faziam arrepiar com suas mãos afoitas.

Eu adorava quando ele apertava minha carne como estava fazendo nesse momento. Sua mão em minha nádega a esmagava com tanta força, tentando impulsionar minha pélvis contra a sua, enquanto sua outra mão, agora em meu pescoço, tentava me manter parado. E ali, naquele chão, eu sentia o tesão me dominar. Eu só queria o sentir indo bem fundo, e arrancando sangue de mim.

Não sei quando o pouco de roupa que nos vestia tinha sumido, mas eu apenas sabia o quê ele queria quando parou de me tocar e se pôs de joelhos. Não demorei em engoli-lo de uma vez só. Eu queria que ele me rasgasse ao meio se fosse necessário, só queria ser dominado logo e com a força mais cruel possível. O ter entre os lábios era um privilégio, eu engasgava naquele falo com as veias pulsando contra minha língua, com os gemidos roucos e as estocadas fortes e rápidas contra meus lábios machucados. Ele me xingava com palavras chulas que faziam meu pênis já gotejante saltar, mas eu não me tocaria. Eu o queria me envolvendo, me esmagando entre seus dedos.

- Essa sua boquinha me deixa muito louco pra foder esse rabo. – Com brutalidade fui jogado de quatro, levando um tapa em uma das nádegas que com certeza deixaria mais um roxo para minha coleção. – Empina bem gostoso. Isso, assim. – Suas mãos em minha cintura me deixa ansioso pela dor que viria.

Ele me abria tanto com as mãos que podia sentir meu ânus piscando. Não contive um gemido engasgado quando aquela língua molhada me tocou, a sensação quase me fez gozar. Logo algo maior me penetrou, a ardência me fez gritar, lágrimas se acumularam em meus olhos, e eu gemi. Gemi por conta daquele prazer incontrolável que se mesclava com a dor alucinante ao ser preenchido de uma vez e ser fodido com tanta rapidez e força.

Minhas pernas tremiam a cada solavanco que era chocado contra mim. Suas bolas batiam em minhas nádegas me deixando louco para me esfregar nele. Não tinha mais controle sobre meu corpo que se movia o mais rápido que conseguia, rebolando sem ritmo algum, desesperado por mais contato. Suas unhas curtas que me arranhavam causando uma ardência gostosa, eu podia sentir o sangue escorrer levemente por minhas coxas, mas eu não ligava, era ele ali me dominando como ninguém nunca havia conseguido.

O calor era intenso naquele espaço pequeno, nossos corpos suados deslizavam um contra o outro. Adorava quando ele se inclinava sobre mim e deixava seu peito pouco definido tocando minhas costas. Eu queria ser dele de todos os jeitos possíveis. Na sua aflição, fui virado de frente tendo as pernas agarradas e abertas, podendo me colar mais ainda a ele. Seu rosto estava de frente ao meu e, embora não conseguisse permanecer muito tempo com os olhos abertos, o pouco que conseguia eu admirava sua face imersa no prazer que eu lhe proporcionava.

Sentia meu ponto sensível ser estimulado vezes seguidas e com isso o comprimia dentro de mim. Eu estava quase lá, e, como sempre, tive meu pênis agarrado, me impedindo de gozar. Isso me enlouquecia completamente. Por falta de onde descontar minha frustração, meus lábios há tanto maltratados agora também sangravam por conta de meus dentes. Eu sabia que ele também estava quase lá, seu ritmo aumentava e sua respiração começava a falhar. Inclinou-se novamente nobre mim, agora começando a me estimular rapidamente junto com seu desespero de se enterrar em mim, e quando ele explodiu, eu fui junto, me permitindo gemer o mais alto que minha voz conseguia.

Meu lábio cortado era sugado, enquanto seus movimentos cessavam, e logo sua respiração começava a ficar ofegante como a minha. Como se não estivesse dado por satisfeito, ainda dentro de mim, rolou, me deixando sentado sobre sua pélvis.

- Anda, mexe essa bunda gostosa. – Eu poderia estar cansado, mas se ele mandava, eu obedecia.

E mesmo doendo eu rebolei, o mais rápido que eu conseguia. A sensação de tê-lo crescendo de novo dentro de mim, conseguiu me excitar, e novamente eu me permiti levar pelas suas mãos, seus beijos, seus toques, e conforme eu o deixava me dominar de novo, bem ali, naquele chão, eu esperava que ele estivesse me amando. Embora eu soubesse que me iludia, era a única ilusão que eu me permitia ter.

Eu só me levantei do chão quando ele finalmente adormeceu depois de todo o esforço e bebedeira. Mesmo com muita dor, fui me apoiando nas paredes até chegar ao pequeno banheiro. Liguei a água, esta que estava constantemente fria, e me joguei debaixo deixando ser anestesiado. Eu via o sangue misturado à água escorrer pelo ralo. Estiquei minha mão ao pequeno pedaço de sabão já gasto e pus-me a me limpar como podia, passando sabão com delicadeza aonde eu tinha certeza que iria ficar roxo no dia seguinte. Não permaneci por muito na água fria, sabendo que poderia ficar doente. Sequei-me parcialmente com uma toalha ainda úmida e me dirigi ao quarto para colocar uma roupa.

Vesti-me o mais coberto possível, tentando mão incitar ChanYeol quando esse acordasse sabe-se lá quando, eu não aguentaria mais nenhuma onda de desejos igual aquela por uma semana, mesmo sabendo que o máximo que o conseguiria evitar seriam dois dias. Coloquei-me em baixo das cobertas com o cheiro característico de pó, há tempos nada era lavado e eu não me via na disposição para tal.

E assim me acomodei em uma posição onde nada doesse, e adormeci com a mesma perspectiva desse dia para o dia seguinte, ou seja, nenhuma, pois eu não vivia a minha vida, eu vivia a que ele quisesse que eu vivesse.

E Finalmente o Meu Grande Final

Não conseguia entender se eu era apenas lerdo ou só burro mesmo. Não sei como consegui permanecer tanto tempo nesse rolo que nem de relacionamento pode ser chamado. Meu despertar para toda essa merda de vida que me submeti por causa dele foi tão de repente que não quis dar o devido crédito.

O dia em que caí em mim foi mais um daqueles que ele tentava convencer alguém a comprar meu corpo em troca de dinheiro para as drogas. Eu não estava ali para ser tocado por outro, só queria você, ChanYeol, e na minha leve lucidez de toda a droga que me obrigava a usar, eu notei que estava farto de ser só um mero fantoche. Eu poderia ser diferente, mas teria que abrir mão do que mais me prejudicava e me atirava toda vez ao fundo do poço sempre que eu via algum resquício do horizonte. E isso era você, ChanYeol.

Virei-me de costas, deixando-o para trás enquanto tentava discutir ainda o meu preço com algum sádico nojento, e me pus a andar o mais rápido que eu conseguia para longe dele. Queria apenas ir recolher minhas poucas coisas e sumir antes que ele voltasse e tentasse me envolver em suas loucuras novamente. Não faltava muito para chegar ao que eu chamava de casa, mas eu tinha tanta adrenalina correndo em minhas veias pela pressa de ir embora, que não sei quando comecei a correr. Meus ossos fracos e corpo quase anêmico imploravam por misericórdia, eu os ignorei e continuei correndo.

Não esperei para recobrar o fôlego, apenas entrei nos cômodos forrados com lixos pelo chão e sem luz e recolhi tudo que julgasse meu e útil. Minha velha mochila serviu muito bem mesmo depois desses anos. Não me permitia pensar sobre meus atos, apenas agi mantendo o foco de ir mais rápido, e apenas me permiti recobrar os sentidos quando já virava a esquina de minha agora antiga rua, indo para um futuro incerto sem rumo algum.

Não sabia para onde diabos eu iria, não tinha amigos e muito menos uma família com a qual pudesse contar. Com uma ajudinha do destino, gotas grossas e gélidas começaram a cair me atingindo sem piedade. Eu não me desesperei como as pessoas ao meu redor, amava a chuva e nunca vi problema algum em ser molhado por ela. Em todos os momentos mais marcantes de minha vida choveu, e isso para mim só significava que alguém lá em cima me mandava um sinal de que tudo a partir dali iria dar certo.

Minha mente se tornou tranquila com o som das gotas se chocando com o chão, pude pensar melhor e coloquei-a para trabalhar a mil tentando encontrar opções viáveis para minhas noites agora solitárias. Em meio à bagunça de pensamentos, fui agarrado bruscamente, perdendo o equilíbrio. Meu susto foi tão grande que um quase grito escapou por meus lábios, não precisava o mirar para saber que ChanYeol estava na minha frente com um olhar raivoso me fitando.

- Que porra você pensa que tá fazendo saindo assim? Eu não te deixei sair! – Um passo dele em minha direção me fez recuar temendo algum contato que com certeza não seria agradável.

- Eu não preciso da sua permissão. E já que está aqui, ao invés de dar uma de louco como sempre, por que não se despede de mim como alguém normal? – Eu queria que ele entendesse o quê estava acontecendo, não queria simplesmente falar que o estava deixando, ou melhor, fugindo dele.

Seu olhar talvez um pouco espantado não se deixou abater. Encarando-me de modo sarcástico de cima a baixo, tomou uma postura defensiva, cruzando os braços rentes ao peito, fazendo com que as gotas que nos atacavam acumulassem em pequenas poças nas dobras de sua roupa sobre os braços. Essa era minha hora. Eu não deixaria ele me encurralar novamente, diria o que há muito deveria ter sido dito, mas que por medo fora esquecido e deixado de lado.

- E por que eu teria que fazer isso? Não é como se você fosse ficar muito tempo sem voltar pra mim. – Aquela risada, há tempos não a via, como se me julgasse incapaz. Eu sempre odiei isso nele.

Eu ri na cara dele como há muito me policiava para não fazer porque sabia que o irritava, mas naquele momento isso não importava mais. Eu lhe lancei um dos meus olhares antigos de sarcasmo, eu estava cansado de fingir ser quem eu não era apenas para agradá-lo. Sabia pela vermelhidão em seu rosto que este se continha para não me surrar no meio da rua, e então eu ri mais, com vontade e em bom tom para todos ao nosso redor ouvissem.

- Eu sinto muito, mas dessa vez, não sei se você notou, eu não vou voltar, ChanYeol. Não tenho motivos para que isso aconteça. – Me tornei sério enquanto via aos poucos a barreira de pedra que ele tinha construído ruir através de seus olhos quando chocada contra a realidade que eu estava impondo. – Você só me deu dias nublados sem chuva, entende? E agora olhe. Finalmente voltou a chover, e eu não quero que pare novamente. Você, ChanYeol, foi apenas uma brisa leve que demorou demais para se dissipar. – Não esperei que ele entendesse de imediato e nem que pedisse para que lhe explicasse, e me peguei andando, sem olhar para trás.

- BaekHyun! Volta aqui, agora! – Sua voz me alcançou entre o som estridente das gotas contra o chão e meu próprio corpo, mas eu não parei – Baek, por favor! Pelo menos prometa que vai voltar! – Eu não me virei, sabia que ele apenas gritava sem se mexer, sempre tão orgulhoso. – Não me deixe, eu te amo! – E eu virei a esquina impedindo que mais das suas súplicas falsas alcançassem meus ouvidos.

Não ousei chorar por palavras que sabia serem vazias, mas enquanto isso eu podia sentir algo dentro de mim se partir e a sensação de leveza me tomou por completo, fazendo que, com a cabeça erguida e sem temor algum de me expor ao ridículo, eu abrisse os braços como se pudesse abraçar a minha tão esperada chuva.

Alguns meses depois...

Aquele trabalho me deixava completamente acabado no final do dia, mas embora meu corpo reclamasse, eu sabia que minha recompensa viria no final do mês. Como em todos os outros dias, só queria chegar logo na minha casa, mais conhecida como um quarto minúsculo aos fundos de uma casa velha. Mesmo que fosse bem ruim, era tudo o que eu tinha e estava bem melhor do que morar na rua como no primeiro mês onde não sabia para que lugar ir.

Com o pouco que eu tinha conquistado em um espaço tão pequeno de tempo, eu agradecia todos os dias para qualquer divindade que quisesse aceitar as minhas preces. Achar alguém que contratasse um morador de rua não tinha sido fácil, mas por algum milagre uma alma bondosa me aceitou como garçom logo quando estava prestes a começar a vender meu corpo para não morrer de fome.

- Baek, a gente vai sair pra beber, dessa vez você vem? – Me virei para meu quase amigo. Não conseguia confiar mais tão facilmente nas pessoas, mas KyungSoo estava conseguindo me ganhar aos poucos.

- Desculpa Kyung, eu to esgotado, talvez uma próxima. – Sorri para a cara amarrada do outro em minha direção.

- Você fala isso toda vez, BaekHyun. Na próxima eu não vou perguntar, você irá por bem ou por mal. – Não me contive e ri da saída trágica de meu amigo pela porta, com aqueles enormes olhos me fitando seriamente enquanto vagarosamente passa pela porta.

Voltei a me concentrar em arrumar minha roupa de trabalho dentro da mochila e antes de sair cumprimentei o gerente que arrumava o caixa para poder fechar as portas do restaurante. Lá estava a noite fria que sempre me acompanhava para casa, o caminho não costumava ser tão longo, tanto que o fazia a pé, durando no máximo uns quarenta minutos.

Minha distração com o céu nublado me impediu de notar a leve garoa que começou a cair. Com as roupas parcialmente úmidas, meu corpo começou a sentir as consequências do ar gelado que passava por estas. Aumentei a velocidade dos passos pensando no quentinho de minhas cobertas, estas que estavam agora apenas cinco minutos de distância. E foi nesse pequeno percurso que de longe pude avistar uma silhueta caída perto do pequeno portão que levava para os fundos daquela casa onde meu tão aconchegante quartinho aguardava.

Cautelosamente fui me aproximando, chegando à conclusão de que pela falta de movimento o indivíduo deveria estar inconsciente. Quando estava perto o suficiente para ver seu rosto, a luminosidade não colaborou com o feito, me levando ao ponto de pegar o celular para iluminar a cara deste, e nesse ato meu celular foi ao chão. Eu não via aquele rosto há algum tempo e quando estava conseguindo não pensar mais nele, lá estava, ChanYeol jogado em minha porta.

Não poderia ser coincidência, mas eu não conseguia imaginar como ele poderia ter me achado. Dentre toda aquela cidade enorme, como ele conseguiu me encontrar estando do outro lado, e tão longe? Pensei em entrar e deixar ele ali, uma hora teria que ir embora mesmo, entretanto quando estava prestes a fechar o portão às minhas costas minha consciência maldita me fez voltar.

- Ei! ChanYeol! – Chutei sua perna tentando acordá-lo, e nada – Vamos, grandão, acorda! – Abaixei-me e comecei a balança-lo. Foi aí que notei o suor em seu rosto, este que mesmo com pouca luz pude notar que estava pálido e, com certeza, mais magro do que eu me lembrava.

Depois de um tempo entrei em desespero, pois ele não acordava de jeito nenhum, e entre o levar para dentro e para o hospital, optei pelo hospital, não o queria no meu canto para que estragasse de novo.

Quando a ambulância chegou não me dei ao trabalho de acompanhá-lo, apenas o deixei com os paramédicos e, quando iria voltar a ignorar sua existência voltando para casa, fui avisado que deveria deixar algum contato, e não importou o quanto eu falasse que não o conhecia, por fim conseguiram arrancar meu telefone como contato.

Eu fiquei esperando uma ligação, mesmo torcendo para que ela não acontecesse, e depois de dois dias, a voz suave através do telefone me avisava que eu precisava comparecer ao hospital. Eu estava fulo da vida, tive que pedir para um dos garotos me cobrir e pedir permissão para sair, e fiquei mais irritado ainda quando descobri que seria descontado do meu salário.

Ainda bufando peguei um táxi e me dirigi ao hospital indicado. Quando cheguei lá esperava que não tivesse que entrar em contato algum com ChanYeol, então evitei falar o nome deste, como se realmente não o conhecesse.

- O paciente se chama Park ChanYeol e está internado na ala B, quarto 104. Se o senhor puder assinar aqui como o responsável pelo paciente ele poderá ser liberado assim que acordar e o médico der alta. – A atendente falava tantas coisas ao mesmo tempo que eu não conseguia compreender ao certo o porquê de eu estar ali.

- Olha, eu não posso ser o responsável dele, eu nem o conheço, a senhora entende? – Eu tentei me justificar, mas por fim tive que assinar, e mesmo não querendo o ver, tive que ir até seu quarto.

Não sei quanto tempo fiquei sentado no corredor em frente à porta sem entrar, e quando estava preste a cair no sono uma pessoa bem alta vestida de branco pigarreou chamando minha atenção.

- Você é o Sr. Byun responsável pelo paciente Park ChanYeol? – Me levantei de súbito tentando limpar discretamente a baba que eu sabia estar no canto de minha boca.

- Sim, sou eu. – Respirei fundo focando no rosto do médico que parecia estar na faixa dos cinquenta.

- Então Sr. Byun, o caso do Sr. Park é algo comum de ocorrer entre os usuários de drogas, mas o que me deixa preocupado é que pelo registro de outros hospitais essa é segunda overdose dele e o estado parece pior dessa vez, já que ele passou grande parte do tempo depois do desmaio na rua sobre uma leve chuva, o que agravou sua situação. No momento estamos aguardando que este acorde, para poder avaliar seu estado psicológico e se nada foi comprometido. – Eu não conseguia acreditar e muito menos raciocinar sobre o que estava acontecendo. ChanYeol nunca tinha tido uma overdose quando estava comigo, então me perguntei qual deveria ser o estado da sua vida agora, se estava se alimentando, limpando a casa, trabalhando ou apenas usando drogas.

- Eu não imaginava que o estado dele fosse tão ruim. Ele costumava se cuidar, não sei como chegou a este estado. – Eu focava na parede atrás do médico, estava tão perdido em pensamentos que não notei a besteira que tinha acabado de dizer.

- O senhor não disse que não conhecia o paciente? Estou confuso. – Quando me toquei era tarde, minha cara deveria estar engraçada, pois um pequeno sorriso surgiu no rosto do médico.

- Eu não conheço, eu só... – Não tinha como explicar, e tentar arrumar alguma desculpa só me deixaria parecendo mais estúpido.

- Eu não sei o que levou você a não conhecê-lo, mas acho que depois disso o Sr. Park vai precisar de ajuda, mesmo que for de um, agora, desconhecido. – E ele simplesmente saiu, me deixando apenas perdido no sentido daquelas palavras.

Eu teria que o ajudar, e novamente ele conseguiria destruir tudo o quê eu tinha conseguido e me tornado. Queria poder voltar no tempo e tê-lo deixado morrer em frente à minha porta, mas eu era bom demais para deixá-lo morrer. No fundo meu coração, não suportaria o perder de verdade.

Os dias foram passando e nenhuma ligação do hospital. Por um momento, mesmo sabendo que ele não merecia, comecei a me preocupar com essa demora toda dele para acordar. Não voltei ao hospital e também não o tinha visto, não sabia como estava seu rosto ou quantos fios estavam ligados a ele, eu só não queria me envolver de novo. Sabia que no momento que tivesse qualquer contato que seja com ChanYeol, eu estaria inclinado a me envolver, afundando tudo o que eu tinha me tornado.

Eu era feliz na minha vida corrida e sem cor. Saía quando queria mesmo sem companhia, comprava o que eu queria e quando queria, tinha minha cama confortável e água quente no banheiro, comia de tudo o que gostava, conseguia sorrir mais sem as manchas constantes que agora não habitavam mais meu corpo, e embora as lágrimas ainda viessem de modo inconveniente, eu as domava com um bom filme de ação para me distrair. Também não era mais tão magro, e meus ossos não sobressaltavam da pele. Até minha aparência tinha mudado: o cabelo antes cumprido e descuidado, estava curto e brilhoso, as roupas sempre pretas deram lugar a peças coloridas. Cada dia eu tentava tornar melhor que o anterior, estava correndo atrás do tempo perdido.

- Vamos, Baek. Se arrume que estamos saindo. – Virei-me para um KyungSoo que possuía um sorriso presunçoso na cara.

- O quê? – eu realmente não tinha entendido aonde ele queria chegar com aquela ideia de que eu iria junto com eles beber.

- Isso mesmo que você ouviu, Baek. Eu avisei que você ia querendo ou não. – Com passos rápidos tive minha mochila tomada de minhas mãos e o restante das minhas coisas jogadas lá dentro de qualquer jeito – Anda, estão esperando a gente. – Não tive tempo de reagir enquanto estava sendo arrastado pelo braço porta a fora.

Só paramos quando estávamos fora do restaurante junto com os outros. A surpresa de me ver ali era notável no rosto de todos, mas logo fui muito bem acolhido. Não demoramos a chegar a um barzinho que eu nunca tinha ido antes. Na realidade eu estava me divertindo, talvez a minha apatia e a barreira que criei para afastar todos me impedisse de ver que esse tempo todo eu estava cercado de pessoas incríveis.

Como sempre fui muito fraco para bebidas, logo ria mais do que o meu comum. Eu conseguia conversar mais e, por incrível que pareça, acabava sendo até uma pessoa engraçada. Alguns deles já mais alterados aos poucos foram indo embora, por fim deixando apenas eu, KyungSoo e YiXing. Eu começava a sentir uma leve sonolência e estava quase adapto a me retirar também, se não fosse o caso do meu celular tocar.

Amaldiçoei até a última geração de quem estava me ligando à uma hora dessas, eu só queria chegar em casa e dormir, mas ao visualizar o nome do hospital um certo desespero me tomou.

- Alô? – atendi receoso, não sabia o que esperar, e eu não deveria ostentar uma cara nada boa, já que os outros dois não riam mais para prestar atenção em mim.

- Byun BaekHyun? Nós queríamos avisar que o Sr. Park acordou hoje, e que precisamos que o senhor compareça ao hospital o mais rápido possível. – Eu não ouvia mais nada, desliguei o telefone sem querer na cara da atendente, me arrependi de ser tão mal educado com esta.

- Eu preciso ir, até amanhã. – Não dei brechas para perguntas nem parei para explicar mesmo depois de me chamarem aos berros.

Eu queria correr o mais rápido que eu conseguia por conta da ansiedade tremenda que me tomava, mas estava muito longe e demoraria de mais, então optei por um táxi e em menos de meia hora já adentrava o hospital.

Eu tentava parecer o mais calmo possível, tinha que demonstrar que não o conhecia e nem me importava, pois era o que deveria acontecer realmente, mas sempre fui deveras fraco quando se tratava dele.

Fui guiado ao quarto pelo médico que cuidava de seu estado atual, mas quando a porta foi aberta e a passagem liberada para mim, meu corpo travou, eu nem ao menos queria olhar para dentro do quarto com medo de o ver. Percebendo meu estado, o médico voltou a fechar a porta.

- Sr. Byun, eu realmente não sei sua “não-história” com esse desconhecido, mas o senhor tem que fazer uma escolha. Você está preparado para isso ou prefere fingir que nunca aconteceu? Independente de qual você escolha, consegue arcar com as consequências depois? – E novamente ele me colocava em um estado de reflexão e aos poucos meus olhos foram inundando ao ponto que transbordaram em lágrimas grossas.

Eu sentia meu coração pulsar loucamente, doía tanto, mas eu sabia o quê teria de enfrentar se entrasse por aquela porta, e se não entrasse seria um mistério a encarar. E eu, como um bom covarde, optei pelo mistério do amanhã.

- Eu sinto muito ChanYeol. – sussurrei para mim mesmo e dei as costas, novamente correndo dele.

Não vou negar que passei a noite toda chorando. Eu me sentia culpado por deixar que ele acordasse sozinho depois de um leve coma, mas eu tinha que me proteger ou meu coração mole iria me trair novamente. Podia sentir como se tivesse sido uma segunda despedida que nunca deveria ter acontecido, mas eu não me arrependia, me negava a dar isso a ele.

Levantar para trabalhar foi uma tarefa difícil, meus olhos estavam extremamente inchados, sem contar a enorme dor de cabeça que me tomava. Arrumei-me como pude e sem comer nada pela falta de fome, me dirigi para mais uma jornada cansativa de doze horas de trabalho perambulando entre mesas e clientes enjoados.

- Baek, aconteceu alguma coisa? – Fui parado ainda no vestiário por um KyungSoo preocupado.

- Não, por quê? – Tentei fazer a melhor cara de desentendido que eu conseguia, mas infelizmente eu deveria estar horrível, pois não deu resultado algum.

KyungSoo encostou a porta e vagarosamente foi se aproximando até estar sentado ao meu lado com um olhar solidário que eu há muito não via dirigido a mim. Assustei-me quando este pegou uma de minhas mãos a envolvendo com as suas.

- Está na sua cara o quanto você está péssimo, Baek. Você pode contar comigo se estiver precisando de algo ou passando por um momento difícil. Eu estou aqui, fala comigo. – Não consegui me segurar diante de tanta preocupação voltada pra mim, eu sentia que poderia confiar nele, então desabafei.

Logo lágrimas jorravam e soluços faziam meu corpo tremer. Não disse nenhuma palavra, e braços carinhosos me abraçaram. Eu me senti tão bem, como se estivesse sendo abraçado pela minha mãe novamente, e isso só fazia meu choro aumentar. Então eu falei, contei tudo desde o início, o quanto eu sofri quando minha mãe morreu e eu só tinha nove anos, sobre o ódio que eu recebia desde cedo da família da minha tia, como eu fui dominado quando ChanYeol entrou na minha vida e o quanto ele conseguiu me destruir e ainda pisar em cima dos cacos que tinham sobrado. Contei das surras, das traições, das brigas e das drogas, da separação e o motivo do meu lapso de realidade, do sofrimento na rua e quando cheguei na parte que me atormentava agora, eu via a raiva nos olhos de meu amigo.

- Eu nem conheço esse cara, mas se ele aparecesse na minha frente, eu desfigurava a cara dele. Que ódio que eu tô sentindo! – Eu consegui rir entre as lágrimas. Finalmente alguém me entendia.

- As coisas não são assim Kyung. Eu o odeio também, mas ao mesmo tempo eu ainda o amo, e não sei se o que fiz foi certo, abandonando ele no hospital. Eu não sei o que fazer. – Me encolhi tapando o rosto com as mãos.

- Como depois de tudo você ainda consegue amar esse monstro? Você fez o certo, Baek. Se ele voltasse seria como você disse, ele iria destruir tudo o que você conquistou, pensa nisso. – Não sei quanto tempo ficamos ali conversando, mas quando nosso gerente veio irritado nos chamar, percebemos que foi tempo demais.

O dia corria mais lento que o comum, e a cada instante que olhava para meu amigo, ele me lançava um sorriso compreensivo me encorajando. Meus olhos agora pouco inchados não chamavam mais tanta atenção, e quando eu estava me recuperando e pronto pra outro, ele parecia sempre voltar na minha mente. Eu me distraia na cozinha secando algumas louças enquanto conversava com um dos meus colegas de trabalho, quando um número desconhecido me ligou. Sabia que era errado atender ligações no trabalho, mas a curiosidade me tomou.

- Baek? – Me arrependi de ter atendido. Aquela voz grossa me deixou sem reação. – BaekHyun? Por favor, fala comigo! – Desliguei.

Eu não conseguia me mexer, novamente paralisado. O copo que eu secava junto com meu celular foram ao chão. Eu não entedia como ele tinha me achado, e a lembrança de encontrá-lo em frente à minha casa me fez tremer. O medo de poder topar com ele ao ir embora me perturbava.

Então eu sai procurando o único que me entenderia. Eu não estava mais sozinho, poderia contar com alguém. Quando KyungSoo ouviu o que tinha acontecido, eu via fogo em seus olhos.

- Eu vou embora com você hoje, e se ele estiver lá, eu prometo que não vou deixar ele se aproximar. – Tive medo de que meu amigo saísse machucado, o quê eu tinha certeza que iria acontecer se ele contrariasse ChanYeol.

Eu estava tão nervoso que estava trocando as mesas quando ia entregar os pratos. Não importava quantas broncas eu levava por isso, minha mente estava viajando para a briga que teria de enfrentar.

Quando o final do expediente chegou eu tremia dos pés à cabeça. Estava cogitando a possibilidade de nunca mais voltar para aquele quarto que eu chamava de casa e simplesmente ir morar com o Kyung, mas ele me abraçou pelos ombros e assim fomos o caminho inteiro até minha casa.

Antes de entrar em minha rua, eu procura em todos os cantos a chance de alguém estar à espreita, e conforme me aproximava e via que não tinha nenhum tipo de vida além de nós dois ali, comecei a me acalmar.

- Viu, Baek? Isso dele saber onde você mora é paranoia sua, não tem ninguém aqui. – Eu apenas agradeci pela companhia e o apoio e fiquei observando enquanto ele descia minha rua para o mesmo lado que tínhamos vindo.

Respirei fundo aliviado por estar sozinho naquela rua, me deixei relaxar olhando para o céu parcialmente nublado que deixava poucas estrelas amostra através das nuvens cinza, me virei para entrar em casa, mas um movimento atrás de mim me parou.

- Você é rápido pra alguém que dizia me amar. – O tremor voltou, e estava tão forte que as chaves de casa caíram de minha mão. Eu não quis me virar, eu não podia virar. – Não vai olhar pra mim? Sabe que não gosto quando você me ignora. – Segurei as lágrimas que queriam descer, e, juntando toda coragem que ainda restava em mim, eu o olhei.

Mirei seus olhos que ainda eram os mesmos, frios. Seus cabelos negros estavam mais compridos e sua pele mais pálida, a sua magreza era evidente através da blusa fina que vestia. Eu percebia que ele também me analisava, e apenas ter seus olhos sobre mim novamente fazia um sentimento estranho crescer, algo que eu não conseguia descrever como bom ou ruim. Algo novo. Saudade, talvez.

- O que você quer, ChanYeol? Por que veio aqui? – Eu tinha de mostrar que tinha voltado a ser o eu de antes, aquele que era forte e indomado. O BaekHyun que ele tinha destruído. Eu me senti como na primeira vez, quando ele me seguiu até o telhado, mas infelizmente aquele eu não existia mais.

- Como assim o que eu vim fazer aqui? Eu vim buscar você. Não acha que essa birra durou tempo demais? Me largar no hospital e ir embora BaekHyun? Não acha muito feio da sua parte?! – Eu sabia o quê ele estava tentando fazer, queria me intimidar. Ele conseguia ser uma pessoa tão diferente pessoalmente, que nem parecia o mesmo que pediu para que eu voltasse ou falasse com ele, sempre tão egoísta e orgulhoso.

- Eu acho que você não entendeu a situação, eu não voltar! Nunca existiu nós para você vir aqui cobrar alguma coisa de mim. E, sim, eu te larguei no hospital. Porque eu simplesmente não quero mais você na minha vida. Eu deveria ter deixado você morrendo na rua, mas, pra sua sorte, não sou igual a você! – gritei. Não me importei se alguém estava dormindo ou ouvindo, eu queria extravasar essa raiva que foi acumulada por tanto tempo.

- Pelo jeito a boneca esqueceu quem manda, não é? Mas vou deixar essa passar desde que você pare com esse showzinho e volte logo pra mim, que é o seu lugar. – Ele estava irritado e eu sabia. Pelos seus olhos eu conseguia ver a raiva, pois era o mesmo olhar que eu via antes de seu punho vir em minha direção.

Se eu pudesse deixaria ele ali e entraria, mas sabia que não importava o quê eu fizesse, se não colocasse um fim de uma vez por todas nisso que possuíamos, ele nunca ia me deixar em paz.

- Sabe, ChanYeol, se ao invés de você vir aqui e me ameaçar, você dissesse pelo menos uma vez que me ama ou me abraçasse sem querer nada em troca depois, se você não fosse você desse jeito, mas um você diferente, eu teria te amado até depois de você não estar mais aqui, mas, Chan, você conseguiu fazer esse amor virar tanto ódio que hoje eu só vou ser feliz sem você. – Eu chorava. Chorava porque eu estava finalmente colocando em palavras tudo o que eu pensava e sentia. Eu queria que as coisas fossem diferentes, mas elas não eram. – Então eu te imploro, se alguma vez você gostou o mínimo que fosse de mim, ou se já se importou comigo, não volte aqui, não fale comigo e nunca mais me procure, porque amar você doí muito, tanto que sinto que posso morrer. Eu te peço, me deixe ir.

Não sabia o que esperar depois disso, não conseguia mais olhá-lo, apenas via minhas lágrimas caindo ao chão. Queria me encolher e chorar até que não tivesse mais forças para isso. Eu estava uma confusão, e, em meio a esta, ele me deixou ainda mais perdido quando vagarosamente se aproximou. Seu toque foi diferente quando encostou em meu queixo, levantando minha cabeça. Seus olhos brilhavam como se quisessem chorar junto aos meus. Ele analisava cada canto do meu rosto com uma fascinação enorme, e pela primeira vez uma lágrima caiu em seu rosto.

- Eu sempre te amei. – E então ele me beijou. Não foi como todas as outras vezes. Não havia agressividade ou línguas se esfregando enquanto escorria saliva, o toque sutil dos lábios me anestesiou, não conseguia nem ao menos fechar os olhos. Então notei que ali eu só conseguia sentir carinho e um cuidado nunca demonstrado antes – Adeus, meu amor. – E tão rápido quanto chegou, se foi na escuridão da rua, me deixando para trás com as gotas de chuva que começavam a cair.

Eu o odiei naquele momento, pois, por mais que agora eu soubesse a verdade, eu queria fingir que era mentira. Ele se foi, mas conseguira deixar uma parte dele impregnada em mim mesmo depois de sumir. Esse amor agora tão destruído ainda tentava se reerguer por contas das palavras ditas, e eu entendi que ele apenas não conseguiria carregar aquilo sozinho para o resto da vida, e agradeci por ele simplesmente me deixar ir.

Park ChanYeol nunca mais me procurou. Eu não sabia como ele estava, nem onde estava. Eu podia me sentir observado, mas nunca saberia ao certo se isso tinha algo a ver com ele. Segui minha vida, às vezes ainda pensava no passado tão tortuoso que passei, tentava pensar apenas nos momentos bons que ele me proporcionou, mesmo que não tiveram sido muitos. Conheci pessoas novas, me apaixonei, mas nunca conseguia os amar e isso levava ao término como sempre. Agora eu era uma pessoa feliz e conseguia dizer a quem quisesse ouvir que eu era livre.

Em todas as partes importantes de minha vida choveu. Choveu quando meu primeiro dente caiu, quando minha mãe morreu, em minha primeira briga na escola, no primeiro dia do meu primeiro trabalho, quando eu quebrei as regras e fugi da escola, quando eu beijei pela primeira vez e quando transei também, quando eu tive medo de ChanYeol e ele me bateu. Choveu quando ele me drogou e estuprou depois, quando ele vendeu meu corpo e eu fui usado por outra pessoa. Choveu mais ainda quando eu fui embora, e choveu por dias depois que ele foi embora e nunca mais voltou.

Mas em todas as vezes que eu julgava algo marcante, a única vez que não choveu foi quando Park ChanYeol chegou. Nenhuma gota caiu, o quê para mim significou que ele nunca deveria ter permanecido.

Eu amei algo que não sabia amar, e mesmo depois de tantos anos meu telefone ainda tocava uma vez por semana, no mesmo dia e na mesma hora, mas toda vez que eu atendia, nunca tinha ninguém do outro lado da linha.

4 de Julio de 2018 a las 02:15 0 Reporte Insertar 0
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