ANARQUIA Seguir historia

jssuparmy Amanda Sheila Machanguana

"É muito fácil julgar-me pelo meu passado, fingir que foi tudo culpa minha, ignorar meus sentimentos. Mas a anarquia...ninguém consegue ignorar. Lei da minha vida e razão de continuar aqui, viva, minha única salvação e meu chão." Drinakieya foi acusada de ser responsável da maior tragédia que aconteceu no Olimpo, milénios atrás. Em punição, deve carregar um dos génios mais incontroláveis: anarquia. Dona de um centro de pessoas que sofreram o mesmo destino que o seu, vê sua vida adoptar a natureza do seu génio, criando uma série de acontecimentos que mudarão a sua vida. Filhos bastardos, diários pessoais e um humano que lhe provoca sensações há muito esquecidas, descobre que não é só de anarquia e caos que pode viver e que existem segredos capazes de mudar uma toda história.


Paranormal No para niños menores de 13.

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PRÓLOGO

Devon, Olimpo, 5000 anos atrás


– Mais rápido, Shiver, ou vais acabar por perder a cabeça!


Gritei para a minha protegida, enquanto ela balançava a espada lentamente pelo campo de treinos de Devon e balancei a cabeça em exasperação. Sabia que não deveria colocar muita pressão sobre ela, por ela ser novata, mas estando a poucos dias da competição de Deuses e Guerreiros do Olimpo, tinha que conseguir o melhor dela ou acabaria ficando em último lugar...novamente.


– Vamos lá. Quando for atacar, não curve o corpo ou não terá tempo de reacção quando tiver que recuar!


Com um suspiro de cansaço, Shiver cravou a espada no chão e me lençou um olhar raivoso.


– Eu sei disso tudo, Dryna, mas se me deixasses praticar em silêncio, talvez pudesse mostrar-te isso.

– Não precisas ficar nervosa.

– Eu não estou nervosa. Simplesmente não consigo concentrar-me contigo a gritar no meu ouvido a cada 5 minutos.


Franzi a testa.


– Eu não...

– Percebeste o que quis dizer. Agora, se me deres licença, vou me refrescar um pouco e descansar – com aquelas palavras, ela endireitou-se e foi embora.


Senti meu corpo aquecer pela raiva por causa do desrespeito que ela havia demonstrado mas respirei fundo para me acalmar, porque não era uma boa ideia deixar a deusa da anarquia nervosa, mas pelo nível de insolência que Shiver devia ter no corpo, provavelmente não se importava com aquilo.


Abanei a cabeça, e quando me senti em condições novamente, me afastei do campo de treinos e fui andando em direcção a grande casa onde os deuses se reuniam e encontrei Zeus e Cronus a conversarem em voz baixa.


– Desculpa incomodar – disse ao entrar e pretendia passar rapidamente por eles mas fui parada por uma mão no meu pulso.

– Minha querida Dryna, o que se passa? Consigo sentir o teu descontentamento em ondas – Zeus disse num tom calmo, talvez para não me enervar, já que bastava alguém accionar o meu temperamento que uma palavra, por mais que fosse simpática, dita no tom errado fosse suficiente para que eu ferrar com tudo.


Olhei para Zeus e Cronus, que me olhavam fixamente, a espera da minha resposta. Talvez o olhar combinado deles me fizesse tremer mas sendo quase tão velha quanto eles (com umas míseras diferenças de 700 anos ou menos), ficava somente entediada.


– É a minha protegida, Shiver. Anda a ter comportamentos que não me agradam em nada – disse rapidamente, me arrependendo de ter falado. Não gostava nada de expôr a minha incapacidade de controlar os meus protegidos.

– Shiver, não é? – Cronus perguntou, seu tom de voz tão desinteressado quanto a sua cara. – Pensei que fossem se dar muito bem, já que ambas tem o mesmo gênio.


Olhei para Cronus, controlando a minha vontade de criar uma guerra entre os protegidos dele ou qualquer outro caos que pudesse ser associado ao meu nome, porque desde que recusara ser mais uma na cama dele, o grande líder dos Titãs fazia de tudo para infernizar a minha vida e me expulsar do Olimpo. Continue a tentar, querido.


– Eu não sou arrogante e insolente, Cronus.

– Me permita discordar disso, minha cara Drynakiea – me encolhi quando escutei o meu nome completo. Odiava o meu nome completo, por isso obrigava os outros a usarem o apelido. – Tudo em ti grita arrogância e insolência.

– Olha, Cronus...

– Dryna, chega! – Zeus disse em tom duro, talvez cansado de presidir as minhas discussões com Cronus. – Voltando ao assunto da tua protegida, queres que te atribua outra, já que preferes não trabalhar com homens?

– Acho melhor não – respondi rapidamente, apesar da proposta dele soar muito atractiva. – Já estou habituada com ela e não teria tempo de treinar outra a tempo da competição. – Essa tua insistência é pura perca de tempo. Todo Olimpo sabe que vais acabar perdendo...de novo.


Não mate o Cronus. Não mate o Cronus. Não mate o Cronus. Por mais que ele seja um pé na minha bunda e se ele morresse ninguém choraria por ele, não vale a pena passar anos no Tártarus por causa dele então Dryna NÃO MATE O CRONUS!


– Poderia comentar isso, mas acho melhor guardar as minhas respostas para alguém que realmente as entenda – disse entredentes, respirando fundo várias vezes.

– Cronus, meu caro – Zeus disse com um pequeno sorriso – acho melhor continuarmos a nossa reunião em outra hora.

– Também acho. O ar aqui ficou pesado – com uma pose altiva, Cronus olhou para mim antes de sair da casa.

– Dryna, minha querida, até quando vais deixar Cronus testar os teus nervos? Sabes muito bem qual é o objectivo dele ao fazer isso e não estou com muita vontade de perder a minha companheira de batalha.

– Eu sei, mas fica muito difícil controlar o meu temperamento quando ele começa a agir feito um imbecil comigo.

– Ignora-o. Vais a festa de abertura da competição?


Abanei a cabeça.


– Não fui nem na cerimônia, vontade de ir a festa não tenho. Vou ficar a descansar no meu quarto, porque para aguentar Shiver tenho que estar bem relaxada ou vou acabar deixando a população de deusas-menores com um elemento a menos.

– Tu e os teus dramas. Bem, vou me despedir aqui porque tenho uma reunião para terminar. Até amanhã, querida.


Me despedi de Zeus e fui até o meu quarto, que ficava na mesma ala que dos deuses guerreiros, mesmo que não fosse uma, mas Zeus havia me posto lá e na época não estava em condições de recusar porque precisava de protecção contra Cronus e ali era o único lugar onde o líder dos Titãs não entraria sem permissão. Claro que surgiram rumores que diziam que estava ali porque era amante de Zeus, mas como ele não se importava e muito menos eu, ignoramos tudo e continuamos a viver.


Entrei no meu quarto, que era o único da área que estava decorado com cores claras, e me joguei na cama, suspirando ao sentir a suavidade do meu colchão. Lembrei-me que precisava tomar um banho, pois havia passado a tarde inteira debaixo do sol e suado muito, mas o mero pensamento de me levantar colocava preguiça em mim, então resolvi deixar para depois. Me pus mais confortável e segundos depois já estava a dormir.


************************


Acordei com o som de um gemido e peguei a faca que deixava debaixo do meu travesseiro, ficando totalmente alerta. Sabia que não havia dormido muito, pois do lado de fora continuava escuro como breu, então me levantei com cuidado, para não fazer nenhum ruído e saí do quarto.


Podia escutar as respirações pesadas das pessoas à medida em que passava dos quartos e, por um momento, me perguntei se o gemido que havia escutado não passou de imaginação minha, mas eu tinha uma óptima audição e um sono super pesado então o gemido tinha que ser real para ter me acordado.


Abri a porta e parei quando escutei outro gemido, daquela vez mais fraco e senti meu corpo se mover involuntariamente em direcção ao som. Andei e andei o que me pareceram horas mas provavelmente foram minutos, e quando me apercebi estava no campo de treinos novamente, só que mal dava para ver um palmo a frente do meu nariz de tão escuro que estava; parei novamente e me concentrei em escutar somente, na esperança de que meus ouvidos capturariam algo mas depois de um bom tempo, só o silêncio parecia me rodear.


Me virei para ir embora, convencida de que daquela vez fora enganada pelos meus ouvidos mas parei novamente quando senti uma mão no meu tornozelo, num aperto firme.


– O que raios...? – me perguntei enquanto me abaixava e como se tivesse pedido luz, as nuvens abriram espaço para a lua brilhar e vi um homem, que mais parecia um rapaz, deitado no chão, todo ensanguentado e com as roupas rasgadas.

– Por favor... – ele gemeu. – Me ajude.


Fiquei sem reacção durante algum tempo, enquanto me perguntava o que fazia uma pessoa no campo de treinamento numa hora daquelas, no total escuro e se eu não sofreria nenhuma represália por ajudá-lo, já que ele era um estranho e eu não sabia de onde vinha.


Deixa ele aí, meu instinto sussurrou, deixa ele, dá meia volta e vai dormir. Vai ser melhor para ti.


Franzi a testa ao pensar naquilo. Não era meu feitio abandonar pessoas sem ajuda, principalmente no estado em que estavam, mas eu nunca havia duvidado dos meus instintos (já que eles me salvaram a vida milhares de vezes) e aquela sensação de desconforto era algo que fazia eu me afastar de algumas situações, mas eu não podia, em sã consciência, deixar aquele homem alí, sozinho, ferido e no escuro, totalmente exposto.


Dane-se o instinto, pensei.


Ainda vais te arrepender, foi a resposta que recebi mas preferi ignorar.


Com cuidado, pus os meus braços debaixo do corpo do homem e levantei-o, me surpreendendo com a leveza dele. Podia muito bem caminhar com ele até o meu quarto, já que ele não era muito pesado, mas corria o risco de me cruzar com alguém e não estava pronta para responder a questionários enquanto não soubesss quem ele era, então escolhi me teletransportar até o meu quarto; me senti um pouco tonta porque não fazia aquilo há um bom tempo e deixei o estranho na minha cama, correndo até o banheiro para molhar uma toalha e então voltar para o quarto.

Passei a toalha lentamente pelo rosto dele, limpando todos os vestígios de sangue e depois de resmungar de dor algumas vezes, o estranho abriu os olhos.


– Oi – disse num tom calmo e baixo, tentando não assustá-lo.

– Oi – ele disse num tom de voz quebrado, talvez por causa da dor. – Onde estou?

– No meu quarto, na ala oeste do Olimpo – respondi, passando a toalha pelos braços dele distraidamente.

– Na zona dos gregos?

– Sim. Porquê, és Titã? – perguntei com a testa franzida, pela forma que ele havia falado.

– Sou mais um renegado, por assim dizer – ele tentou se endireitar mas desistiu com uma careta de dor.

– Renegado? O que um titã renegado faz fora de Alcatraz?


Alcatraz era uma espécie de zona de contenção, para onde Cronus mandava todos os deuses que ele achava que já não serviam o seu propósito ou àqueles que se recusavam a seguir as suas ordens mirabolantes. Zeus havia tentado, mais de uma vez, tirar todos os titãs renegados daquele lugar, mas como a última tentativa havia terminado em uma guerra um pouco sangrenta, acabou desistindo da ideia, para evitar mais conflitos entre os gregos e os titãs.


– Tento escapar do inferno que é viver lá. Mas antes de conseguir sair, tive que enfrentar os guardas que ele pôs lá – apontou para si mesmo – e terminei deste jeito.

– E porquê não te teletransportaste?

– Cronus retira todos os poderes a todos que são enfiados naquele buraco. Diz que quer evitar brigas entre nós mas quer mais é evitar uma revolução.

– Soa muito como ele. Maldito desgraçado – sussurrei.

– É.

– Qual o teu nome? – agora que eu já sabia de onde ele aparecera, precisava saber quem ele era.

– Ah, desculpe – ele estendeu o braço que não estava muito machucado. – Meu nome é Rhaven.


Rhaven. Franzi a testa, procurando um registo de qualquer deus titã com aquele nome e senti os meus instintos chutarem quando não me apareceu nada na mente.


– Não me lembro de ter ouvido falar de ti – disse num tom desconfiado, buscando por qualquer reacção estranha da parte dele.

– Nunca fui de me socializar e não tenho muito carisma para ser realmente importante. As pessoas, normalmente, só passam a conhecer-me depois que descobrem que estou em Alcatraz.

– Possivelmente – abanei a cabeça distraidamente e me levantei da cama rapidamente quando um alarme estridente soou.

– Alarme de fuga – Rhaven disse num tom frio. – Papai Cronus já deve ter descoberto que escapei.

– E agora?

– Agora, eu me levanto e dou o fora daqui o mais rápido possível – ele respondeu, tentando se levantar, mas impedi-o pondo uma mão no peito dele. Senti uma descarga eléctrica percorrer o meu corpo mas ignorei a reacção por conta da situação na qual me encontrava.


– Não precisas te preocupar. Ninguém entra no meu quarto sem a minha autorização, então podes ficar aqui mesmo.


Rhaven encarou-me durante algum tempo antes de olhar para mim surpreso.


– Tu és a Dryna.

– Sim, sou – disse, sem entender porquê que ele havia soado tão surpreso ao dizer aquelas palavras.

– A amante de Zeus.


Soltei uma risada.


– Não exactamente. Somos mais amigos que outra coisa mas como nunca nos importamos muito com esses rumores, resolvemos deixá-los exactamente da forma que foram criados.

– Hum...bom saber.


Franzi a testa.


– Bom saber? – perguntei confusa.

– Sim. Isso significa que não vou entrar em nenhum problema se estiver aqui contigo.

– Claro que não. Eu e Zeus somos bons amigos.


Rhaven riu antes de soltar um gemido de dor.


– Não era desse tipo de problemas que estava a falar.


Franzi a testa.


– Então de que tipo estavas a...? – antes que terminasse de falar, ele pôs a mão na minha nuca e beijou-me.


Fiquei estática por um momento, mas depois pude sentir os meus lábios moverem-se no mesmo rítmo que os dele. Como aquele era o meu primeiro beijo (algo que ninguém para além de mim e Zeus sabia), eram movimentos estranhos e ao mesmo tempo instintivos. Depois de alguns segundos, nos separamos.


– Certo... – disse e parei porque, honestamente, não havia nada para falar.

– Isso foi muito bom – Rhaven disse com um sorriso fraco e envergonhado. – E depois de tanto tempo de espera, realmente libertador.

– Tempo de espera?

– Dryna é um nome que escuto desde que me conheço por gente e teve uma vez que vi-te parada ao lado de Zeus e achei que eras a mulher mais bonita que havia visto na minha vida e que não faria nada mal beijar-te, nem que fossem por cinco segundos.

– Uau. Sinto-me lisonjeada...acho.


Ficamos a conversar durante algum tempo até que os ferimentos cobraram o preço no corpo de Rhaven e este dormiu. Por mais que me sentisse feliz por tê-lo ajudado, havia ainda uma parte de mim que estava com um pé atras, que não confiava totalmente nele, o que me fez dormir durante a noite, literalmente, com um olho aberto.


Os dias que antecederam a competição deveriam ter me deixado tensa e cheia de stress mas a companhia de Rhaven no meu quarto (mesmo que ele tivesse que ficar escondido, para que os guardas de Cronus não o encontrassem) era o antídoto perfeito para sentimentos negativos. Nem mesmo a insolência de Shiver nos treinos e as insinuações sarcásticas de Cronus eram capazes de destruir a nuvem de felicidade que me rodeava.


Pela minha experiência de vida, aquilo deveria ser o aviso que eu precisava para saber que alguma coisa daria errado.


Acordei no dia da competição, não com o barulho das cornetas ou dos gritos de animação dos participantes ou ainda de Zeus a mandar-me acordar, mas sim com um silêncio tão pesado que até me sentia sufocada. Olhei para o lado esquerdo, que era o lado no qual Rhaven vinha dormindo nos últimos dias, e fiquei imediatamente alarmada quando não o vi e notei que a porta do meu quarto estava aberta; me levantei, pus a minha roupa e sai rapidamente do quarto, me sentindo cada vez mais confusa e consciente de que algo estava errado quando não escutei nada, numa hora que era suposto a casa estar cheia de pessoas, principalmente por causa da competição.


Quando sai da casa, a respiração falhou-me e fiquei completamente imóvel, a tentar convencer-me que aquilo que estava a ver era imaginação minha.


Haviam muitos corpos espalhados, alguns sem cabeças, outros com partes do corpo em falta e outros divididos pela metade. O cheiro acobreado de sangue permeava o ar e deixava-me nauseada. Olhei ao redor, para tentar encontrar o autor daquela carnificina, e meu mundo caiu quando vi Rhaven parado ao lado de Zeus, com uma espada no pescoço do mesmo.


– Rhaven, o que estás a fazer? – perguntei-o.


Zeus franziu a testa.


– Dryna, meu doce, tu conheces este homem? – Zeus perguntou num tom surpreso.


Rhaven riu.


– Eu disse que ela me conhecia – sorriu maliciosamente. – Na verdade, foi ela quem me deu todas as informações que eu precisava pra hoje.

– Informações? – agora era a minha vez de ficar confusa. – Do que estás a falar?

– Da competição, é claro. Eu precisava de alguém que me dissesse tudo sobre a competição, sobre os concorrentes, sobre a moradia de Zeus e daquele desgraçado maldito do Cronus. Especialmente do maldito Cronus.

– Isso tudo é por causa do Cronus?

– Não, meu doce – Rhaven usou o apelido de Zeus. – Isto tudo é por causa de vocês, deuses de meia tigela, que acham que podem passar por cima de nós e que tudo vai ficar por baixo do tapete e que ninguém vai descobrir.


Soltei uma respiração e fechei os olhos, me perguntando o que raios estava a acontecer.


– Rhaven, eu não entendo...

– Claro que não. Mas um dia vais e quando o fizeres... – Rhaven soltou Zeus e se aproximou rapidamente de mim, cravando as unhas no meu pulso –...vai ficar tudo claro para ti.


Fechando os olhos, ele recitou algo em esperanto (uma língua muito antiga, que era praticamente considerada como uma língua morta) e onde as unhas dele entravam em contacto com a minha pele começava a sentir formigamentos e em seguida uma dor muito forte a se espalhar pelo meu braço. Eu queria gritar mas a dor ia ficando cada vez mais forte, e quando já não aguentava mais, senti o meu corpo fraquejar e cai no chão.


A última coisa que vi foi o sorriso frio de Rhaven e fechei os olhos, totalmente fraca.

**************************************************

Quando abri os olhos, estava amarrada a uma cadeira, vestida de negro e rodeada de pessoas, que me olhavam com expressões desaprovadoras. Tentei me soltar mas estava demasiado fraca para o fazer por isso parei de tentar e tratei de analisar o local onde estava.


Olhei ao redor, vendo paredes de tijolos, sem nenhuma janela e uma grande mesa no centro, com doze cadeiras e cada uma delas estava ocupada por um deus, em que o último de todos era Zeus e do lado dele Cronus.


– Agora que a deusa acordou, podemos começar o julgamento.


Julgamento? O que raios...?


– Julgamento porquê?


Cronus olhou para Zeus antes de sorrir ladino.


– Por teres causado o massacre dos deuses do Olimpo.


Então tudo voltou à minha mente. A minha preocupação com Rhaven ao não vê-lo do meu lado, os corpos dos deuses espalhados e desmembrados, a história estranha que ele me contara, a dor excruciante que senti quando ele começou a falar o que quer que fosse em esperanto...


O meu braço! Lembrei-me com um sobressalto e olhei para o mesmo, vendo linhas pretas interligadas e a formarem um desenho desconhecido para mim, mas que não me parecia muito bom.


– E porque é que eu é tenho que ser julgada? O culpado desta história toda não sou eu.

– Aí é que te enganas, minha querida. Pelo que o meu caro amigo Zeus me disse que escutou enquanto era ameaçado com uma espada, é que o tal Rhaven disse que tu lhe forneceste informações que lhe permitiram matar quase metade da população olímpica.

– Eu não me lembro de ter feito isso.

– O que te lembras ou não aqui não tem peso. Neste tribunal o que conta são os factos e os factos não te ajudam lá muito – Cronus se levantou e começou a caminhar pela sala. – Deste abrigo a um fugitivo de Alcatraz...

– Ele disse que estava a fugir do inferno que é viver lá!

– E tu caíste nessa. Por isso que as mulheres deveriam vir com um dispositivo de eliminação de sentimentos porque esses só estragam a vossa vida.

– Me poupe dos teus discursos, Cronus – uma das deusas que alí estava disse com uma expressão raivosa.

– Que seja, Artemis. Voltando ao principal, acolheste um fugitivo muito perigoso, não avisaste a nenhum de nós sobre isso, expuseste a ele quaisquer que fossem os segredos, e essas acções mal calculadas resultaram num massacre – uma pausa dramática. – Ainda achas que não existe razão para seres julgada?


Sendo teimosa como sou, a minha resposta foi:


– Sim.

– Claro que achas. Mas aqui o teu pensamento não vale e sim as nossas decisões. Meu caro Zeus, tens alguma coisa a acrescentar antes do veredicto?

– Sim, tenho – Zeus se levantou e parou do lado de Cronus. – Espero que as vossas decisões não sejam influenciadas pelas palavras odiosas de Cronus – ele parecia cansado e via-se pelas linhas que apareciam no seu rosto.

– Não serão, isso posso te garantir.


Senti o olhar de Zeus em mim mas mantive o meu olhar baixo porque não queria ver qualquer que fosse a emoção que estivesse neles. Me movi na cadeira, sentindo o meu braço coçar e fiquei irritada por não poder me mover, o que me fez eu me perguntar...


– Porque raios estou amarrada?


Cronus riu.


– Ah, sim, isso. É somente precaução para evitar quaisquer danos que possas vir a causar.

– Danos?

– Sim. Por causa do teu veredicto.


Franzi a testa, começando a me sentir desconfortável.


– Pensei que ainda iriam pensar no meu veredicto, já que só acordei agora.

– Não, meu doce – Zeus disse com o mesmo tom cansado. – O teu veredicto foi decidido logo que te trouxeram para aqui.

– Então aquilo tudo foi um espectáculo para compensar a tua falta de cérebro, Cronus? – deuses, odiava a necessidade que aquele idiota tinha de se sentir superior.

– Talvez, Dryna. Talvez – Cronus sorriu ao usar o meu apelido. – Mas estou muito feliz neste momento para sentir-me atingido pelas tuas palavras.

– Certo. Qual é o maldito veredicto?

– Decidido pelo conselho de deuses do Olimpo, a tua sentença, Drynakiea é a de teres que ser emparelhada com um génio.


Senti a minha respiração falhar ao escutar aquilo. Um génio era uma espécie de "alma" andante, sem um hospedeiro disponível, porque todos os génios eram difíceis de serem domados e a constante luta de vontades entre um génio e o hospedeiro geralmente terminava em morte.


Então, basicamente, a minha sentença não era ser emparelhada (lê-se amaldiçoada) com um génio e sim a morte.


– Só podes estar a brincar comigo.

– Jamais brincaríamos com algo tão sério quanto isso – Mnemosyne, outra deusa que estava alí, disse cruzando os braços. – Um génio é um assunto muito sério.

– Acredita, querida, eu sei disso. E me preocupa muito que terei que passar a dor de ser emparelhada com um só para depois morrer.

– Ninguém vai morrer aqui! – Zeus berrou.

– Tu não podes me garantir isso.

– Eu posso – Cronus se manifestou novamente.

– Como?

– Fiz questão de escolher a dedo um génio que tenho a certeza de que combinará muito contigo e será um castigo a altura do teu erro colossal.


A sala ficou silenciosa.


– Qual?


O sorriso de Cronus só poderia ser descrito como animal.


– Anarquia.

– Nem pensar!

– Eu não acho que tenhas uma escolha aqui. – Nem pensar!

– Meu doce...

– Nem. Pensar!

– Drynakiea, não há nada que possas fazer agora, senão aceitar o teu destino.

– Não posso – comecei a sentir lágrimas a cairem pelo meu rosto. – Zeus, por favor...

– Desta vez, ninguém vai poder te ajudar

– Zeus... – implorei novamente.

– Desculpa, meu doce – Zeus disse e se virou antes de sair da sala. Talvez para não me ver morrer.

– Eu te odeio, Cronus.

– Não mais do que eu, Dryna. Não mais do que eu – ele respondeu secamente. – Então, vamos começar?

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30 de Junio de 2018 a las 22:15 3 Reporte Insertar 1
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Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história está Em Revisão pelos seguintes apontamentos: 1)Falta de vírgula em alguns vocativos, como em "Mais rápido, Shilver ou vais acabar por perder a cabeça" em vez de "Mais rápido, Shilver, ou vais acabar por perder a cabeça". 2)Falta de vírgula em termos explicativos e antes de conjunções, como a adversativa "mas"; falta de vírgulas em orações invertidas, como "se me deixasses praticar em silêncio talvez pudesse mostrar-te isso" em vez de "se me deixasses praticar em silêncio, talvez pudesse mostrar-te isso". 3)Falta de acentuação em casos como "sai" em vez de "saí" e "a medida" em vez de "à medida". 4)Uso de "mesmo" em vez de "ele" ou "dele" além do uso de hífen no lugar que devia ser do travessão. Também há certos momentos em que a narração sai do pretérito e vai para o presente, como em "Senti uma descarga eléctrica percorrer meu corpo mas ignoro..." em vez de "Senti uma descarga elétrica percorrer meu corpo, mas ignorei..." 5)Falta de acento grave quando necessário, como em "Então tudo voltou a minha mente" em vez de "Então tudo voltou à minha mente". Aconselho que busque um beta reader para ajudá-la. Quando a revisão for feita, peço para que responda esta mensagem, então poderei refazer a verificação da sua história. Fora isso, devo dizer que Anarquia me encantou pelo enredo e personagens esplendidos. Certamente a acompanharei. Beijos!
13 de Febrero de 2019 a las 18:27

  • Amanda Sheila Machanguana Amanda Sheila Machanguana
    Boa noite. Desculpa a demora para responder esta mensagem, mas estava a tentar retificar os erros que foram apontados e a editar outras partes que achei que fossem necessárias mudar também. Espero ter coberto tudo aquilo que tinha de errado e por favor, não hesite em dizer se existe mais alguma coisa que deva ser retificada. E muito obrigada por gostar da história e se disponibilizar a acompanhar ela, esse tipo de comentário me deixa muito satisfeita. 3 weeks ago
  • Karimy Karimy
    Olá, querida autora. Refiz sua verificação, mas ainda encontrei alguns erros que são recorrentes na história, como: "me lençou um olhar raivoso" em vez de "me lançou um olhar raivoso". Falta de vírgula antes da conjunção adversativa "mas". Falta de crase em "em direção a grande casa" em vez de "em direção à grande casa" — a casa não é dela, portanto a crase se faz neessária. Falta de concordância em "ambas tem" em vez de "ambas têm". Acento incorreto em "expôr" em vez de "expor". Busque pelos betas do site, tenho certeza de que vai gostar. Além de ajudar com a gramática, as meninas também apontam os pontos fortes da história. Quando tiver feito uma nova verificação, basta me avisar. 3 weeks ago
~

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