Urticária Aquagênica Seguir historia

callmetrouxiane Larissa Gabrielli

Eu, Jeon Jeongguk, sou diferente. Eu nasci destinado para em uma certa idade perder o que eu achava ser minha única paz. São tantas coisas sentidas e guardadas apenas para mim, que eu nem pensei em procurar minha paz em outro lugar, outra coisa, outro ser.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#vkook #fluffy #slash #Alergia-de-água #Urticária #bts #jeon-jungkook #kim-taehyung #taekook #bangtan-boys
Cuento corto
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Minha Paz.

Fechei os olhos assim que senti a textura de centenas de grãos de areia em contato direto com meus pés, logo após tirar meus tênis e dar o primeiro passo na praia. O cheiro de maresia me deixava embriagado; o barulho de cada onda, que se quebravam nas pedras espalhadas ali, me enchia de alegria; o vento mediano, que balançava meus fios, ao mesmo tempo, que me trazia aquele cheiro de mar, acalentava calmamente minha alma.

Fazia anos que não pisava no meu refúgio, fazia anos que eu não tinha contato com a praia. Com o meu mar. A sensação de estar em casa, de estar em um lugar onde você sabe que pode ser você mesmo, um sentimento de calmaria tomava meu corpo junto da paz, que aquele lugar me trazia, tudo isso era indescritível.

Todo aquele sentimento de nostalgia, saudade e impossibilidade tomava conta do meu ser, e eu não saberia, ao menos, dizer se ter tomado aquela decisão ido à praia — escondido de meus pais — estaria sendo algo bom ou ruim para mim. Eu não tinha noção — até aquele momento — de como a saudade, que senti durante todos os três anos sem sair de casa, era tão grande assim. Tudo o que eu estava sentindo naquele momento era intenso demais, eu tinha medo de abrir os olhos e ainda estar no meu quarto, em minha cama, em uma daquelas vezes, que eu me imaginava indo reencontrar a minha verdadeira paz.

Uma vontade de chorar me atingiu em cheio, mas sabia, se caso o fizesse, a dor que me atingiria iria ser gigantesca, então, me contia ao máximo. Aquele cheiro característico do mar me levava para um outro tempo, tudo ali estava me fazendo relembrar e até mesmo reviver lembranças, que existiam naquela mesma praia, uns oito anos atrás.

Tinha quase certeza, que se abrisse os olhos poderia me ver ali, correndo para o mar e sentando na areia só para sentir as ondas quebrarem minimamente em mim para, logo em seguida, voltar ao meio do mar com a correnteza. Eu amava aquilo. Sentir a água, pouca coisa mais densa que uma água doce, justamente pelo sal, beijar cada cantinho da minha pele.

Era estranho ver uma criança de uns dez, onze anos sentada perto demais do mar só esperando as ondas calmas virem batendo na altura de sua cintura. Mas era assim que eu sentia toda a minha solidão ser preenchida de alguma forma. Fazia isso toda vez que chegava na praia, corria só para me sentar ali e me sentir completo, para logo depois ir procurar bichinhos em quase todas aquelas dezenas de pequenas piscinas, que existiam na praia. Logo mais, ia sempre procurar pelas mais diversas conchinhas com meu pai, para dar a mais colorida e bonita à mamãe e, por fim, eu nadava. Podia ser uma criança, mas sabia muito bem que sensação era aquela toda vez que nadava no mar, era muito diferente de uma piscina com limitações. Eu podia nadar para todo lado, eu nunca via um fim, não existia grade ou parede para me limitar. Eu me sentia liberto.

Como um complemento, à sensação de solidão preenchida, logo que chegava à praia, era um complemento para fechar com chave de ouro. Toda vez que nadava era como se eu fosse livre, como se não tivesse limitações. E sonhar em ser um biólogo marinho ou um nadador, fazia parte do meu dia à dia, pelo menos até meus quinze anos…

Sou interrompido de minhas lembranças por uma bola, não me atingiu a cabeça ou qualquer outra parte do meu corpo, me ferindo, não. Eu senti algo rolar até meus pés, me fazendo abrir os olhos e constatar que era uma bola. Agachei-me para alcançá-la, logo levantando e olhando para meu lado direito — que foi da direção em que ela veio — vendo um rapaz correndo até mim. Ele era ruivo, mas não um ruivo natural, alaranjado. Seus cabelos eram vermelhos como o mais maduro morango, seus fios balançavam conforme ele corria, fazendo alguns grudarem em sua testa por conta do suor. Usava um óculos espelhado, que realçava seu nariz, que de longe se via que era retinho, assimétrico, combinava perfeitamente com seu sorriso singular, retangular, era bonito demais, para não falar lindo.

O rapaz continuou o caminho até onde eu estava, ainda com o sorriso no rosto, era um sorriso realmente bonito de se ver, se ele não sorrisse com frequência, deveria, pois era um sorriso encantadoramente singular. Completou o caminho que faltava para chegar até minha pessoa, enquanto estava lhe admirando, descaradamente. Parabéns, Jeongguk, agora o garoto vai achar que você está flertando com ele! Ok, nem eu mesmo sei minha sexualidade — por questões óbvias, não convivi com terceiros tempo o suficiente, para —, mas é falta de senso ser tão descarado assim!

— Hm… — o garoto olhou para bola e logo depois para mim, ainda sorrindo — Me desculpe, sabe, pela bola. Eu só a chutei um pouco forte demais… — ele parecia nervoso, como se não soubesse o quê dizer ao certo, dei uma risadinha da situação para lhe mostrar que não precisava daquele nervosismo.

— Tudo bem… — comecei, mas logo lhe lancei um olhar de: “eu não sei seu nome, então será que você poderia me dizer, rapidinho”.

— Ah, claro, Taehyung. Kim Taehyung, e você é o… ? — falou bem mais relaxado do que anteriormente, fazia tempo que eu também não falava com alguém diferente de meus pais e os professores que me davam aulas particulares. Aquilo seria legal, pelo menos ele estava sendo educado, porque não dialogar?

— Jeon Jeongguk, e está realmente tudo bem pela bola, ela veio rolando devagarinho até encostar no meu pé — me antecipei a desculpá-lo, não havia sido nada de mais — Pode ficar tranquilo, Taehyung-ssi.

O mesmo parecia mais interessado em analisar cada traço do meu rosto, já iria perguntar se estava tudo bem ou se havia algo em minha cara para ele olhar tanto, quando ele me lançou um sorriso muito, mas muito bonito para logo depois indagar.

— Fico mais tranquilo assim, Jeongguk-ah. E sei lá, você não quer vir jogar com a gente? São só eu e meus amigos — completou apontando para onde estavam cinco rapazes, que pareciam conversar animadamente. — Nós vimos você aí e pensamos, por que não?

Antes de obviamente negar, olhei para os rapazes novamente e um dos mais baixos — já que haviam dois quase da mesma altura, mas a diferença mais distinta entre eles, eram os cabelos, um tinha os fios de um preto bem escuro, quando já o outro, tinha os fios tingidos de um verde desbotado —, o moreno, olhava em minha direção junto do mais — aparentemente — alto de todos, o loiro. Estavam olhando para mim e o amigo deles, provavelmente para saber o porquê de tanta demora mas, acabaram acenando discretamente para mim quando viram que os olhava e, mesmo acanhado por estar sendo observado, devolvi gentilmente o aceno.

— Eu bem que queria jogar algo com vocês mas, não dá, eu não posso. — falei finalmente voltando o olhar para o rapaz ruivo em minha frente.

— Por que? Você está machucado ou algo do tipo? — após ditar bem repentinamente a resposta em questionamentos, arregalou levemente os olhos, acho que acabou percebendo, que por não me conhecer, estava sendo um tanto quanto invasivo, mas eu realmente não liguei — Quer dizer, não que seja da minha conta, mas eu só queria saber o porquê de você está na praia, no final do verão, se não veio praticar algum esporte ou nadar, sabe? Normalmente, as pessoas só vão à praia para admirar sua beleza no inverno.

Não que eu fosse um bobo na mão das pessoas, eu só não estava nada acostumado aquela atenção toda vindo de alguém que não me conhece, então, eu estava achando toda curiosidade de Taehyung-ssi muito divertida. Além do modo como ele estava se comportando depois de completar sua fala, estava um pouco nervoso era nítido e deveras interessante também.

— Eu não posso mesmo, Taehyung-ssi. — e antes que ele pudesse me questionar o porquê de novo, resolvi dizer o motivo para o mesmo — Eu tenho urticária aquagênica. E antes que você me pergunte do que se trata, já que pouquíssimas pessoas têm a consciência dessa alergia existir, eu falo. — lhe olhei e vi toda a curiosidade reluzir em seus olhos, achei melhor sentar sob a areia fofa, já que estava me cansando ficar de pé — Sente-se também, Taehyung-ssi, assim você não se cansa e depois já pode voltar para o seu jogo.

Me olhou de cima, analisando cada expressão minha e eu quase soltei aquela frase clichê dos filmes de romance: “um beijo pelos seus pensamentos”, ri desse meu pensamento — já que realmente estava curioso para saber o quê se passava em sua cabeça —, fazendo-lhe despertar do transe que estava, enquanto olhava para mim, se sentando ao meu lado em seguida.

— Você… você tem alergia à água, Jeongguk-ssi? — ditou me surpreendendo, afinal muita gente era extremamente leigo nesse assunto, não sabendo o que seria minha alergia — Eu vi um vídeo, na verdade, um documentário sobre. Eu sei só o básico e, por favor, mesmo eu “sabendo” do que se trata, poderia me explicar melhor?

Mesmo com ele fazendo aspas com os dedos quando disse que sabia, insinuando que sabia realmente pouquíssimo sobre, eu estava surpreso. Estava realmente surpreso, tinha certeza que era notório até mesmo em minha expressão. Balancei negativamente a cabeça, para ver se acordava daquela recente surpresinha — que para muitos não seria nada, mas vejam, eu nunca mais dialoguei com ninguém, além de meus pais, médicos e professores, esses últimos não eram nada além do profissional. Era um choque para mim à primeira pessoa desconhecida saber pelo menos o que era urticária aquagênica — para logo em seguida começar a falar.

— Sim, é alergia a água, mas não é algo tão complicado, é complexo, pois nem a ciência sabe muito sobre… — não desviei o olhar do outro e nem ele do meu, estava sendo a primeira vez que explicava a alguém isso e de certo, era algo novo que eu queria ver a reação dele às minhas palavras — Normalmente se descobre na puberdade, quando algumas outras glândulas, hormônios e coisas novas começam a trabalhar em nosso corpo. Eu descobri um pouco depois do meu aniversário de quinze anos, nessa praia para ser mais exato. — Suspirei ao lembrar de toda felicidade, que eu sentia morrer aos poucos, assim que coloquei os pés na areia úmida e a primeira onda quebrou em meus pés — Foi horrível, nunca havia sentido dor como aquela, a água parecia ácido ou facilmente comparada, ironicamente, com fogo. Queimava, ardia e parecia pior por ter sido no susto, sabe? Eu não esperava, achava que seria como as outras milhões de vezes que vim a praia, que assim que colocasse os pés na água, toda minha insegurança, timidez fluísse para fora de meu corpo para dar espaço à toda liberdade e paz que sentia em contato com o mar. — ri soprado sem humor algum, era a primeira vez que contava isso a alguém, ele estava percebendo isso, pois estava atento e sendo sinceramente curioso, e era mais diferente do que imaginei quando precisasse explicar a alguém.

— Meus pais ficaram tão ou mais assustados do que eu, já que eu realmente os gritei logo depois caindo na areia, me arrastando para longe da minha paz… Estava doendo, eu estava confuso, só queria que aquilo parasse e saber o porquê do mar ter me causado tanta dor.

Corremos para o hospital mais próximo daqui mas, não sabíamos o que dizer, como dizer o quê aconteceu aos médicos. Meus pés ficaram inchados, vermelhos e sensíveis, a ardência que sentia podia facilmente ser comparada a de uma queimadura de, talvez, segundo grau.

Um dos médicos — depois de algum tempo ali sendo examinado por quase todos os médicos presentes —, um dermatologista, apareceu falando que talvez, poderia saber do quê se tratará. Me levou para sua sala — ainda na maca, já que todos estavam com medo de que se eu andasse viesse a piorar —, me fez algumas perguntas, que já tinham sido respondidas por mim, me analisou e passou um tempo em seu computador. Tudo isso durou mais ou menos, uma hora e meia, e pude notar que, por volta de cinquenta minutos desde que havia chego no hospital, meu pé foi desinchando e parando de arder.

Mais alguns minutos e a resposta — que no começo me trouxe mais confusão e estranheza, afinal, eu não fazia ideia que alergia seria essa — veio simples com um quê de dúvida ainda, seguida de uma rápida explicação. Ele começou falando que para um afirmação do que achava que era precisaríamos fazer exames e, que era a primeira vez que via essa alergia na prática, era algo raro, obviamente, tinha lido e estudado sobre isso, mas não era nada com extrema exatidão, não era especialista nisso também, entretanto, podíamos nos informar com o que sabia. E que depois de nos explicar devidamente, iríamos fazer os exames para termos, então, ter a certeza se eu realmente possuía urticária aquagênica — alergia à água.

Disse que se já era uma condição rara, em homens era duas vezes mais raro de se acontecer, mas infelizmente o meu corpo resolveu ser um desses extremos raros. Era uma doença descoberta recentemente — não tinha mais de 64 anos de descoberta — e como era de se esperar não tínhamos mais que apenas especulações e hipóteses a respeito do porquê dela se desenvolver, já que registrados havia menos de 100 casos.

Ele deu esperanças — na verdade, foi somente aos meus pais, por motivos óbvios que vocês já irão entender — de que podia não ser de todo ruim, me contou que existiam pacientes que apresentavam reações à salinidade da água, tanto a falta como a presença do sal. Ou seja, existiam pessoas que apresentavam os sintomas em contato com: água de torneira, neve, água doce, porém podiam nadar tranquilamente na água do mar sem desenvolver nenhum dos sintomas da urticária. Outrora, também existiam pessoas que apenas em contato com águas salgadas, apresentavam os sintomas da alergia — e era aí que meus pais estavam confiantes e eu com todo o receio do mundo.

Explicou que se caso tudo se confirmasse, mesmo sem a cura, eu viveria o mais perto do normal com tratamentos e terapias, e o mais importante, não havia nenhuma hipótese de, na hora que eu fosse ingerir à água, apresentar algum dos sintomas da urticária, já que a mesma apenas atacava quando a água entrava em contato com a pele. De alguma forma, minha pele — podia estar, já que ainda não era nada exato — liberando histamina, mas não sabem ao certo o porquê dessa deliberação de histamina, apenas que ela era uma das mais — apenas não falou “a mais” pois haviam outras hipóteses que não a envolviam — apontadas para ser a causa exata da alergia.”

Pausei a história para verdadeiramente lhe olhar — já que estava mais divagando em lembranças, tinha de lhe olhar para saber se ele estava dormindo, de tanto que eu havia lhe dito, o sucumbindo em tédio.

— Você queria saber como é a alergia e eu acabei lhe contando mais como a descobri do quê dela em si. — suspirei rindo fraco, eu não sabia que precisava tanto contar a alguém até começar a falar sobre para Taehyung-ssi — Você deve estar com sono de tanto escutar essa história desinteres-…

— Não! Não, Jeongguk-ah — antes que eu pudesse terminar a sentença, o ruivo me interrompeu, chacoalhando suas mãos em sinal de negativo, enquanto continuava — Eu realmente estava, na verdade, estou entretido com o que você está me contando. E além do mais, você parece falar como se fosse a primeira vez contando, como se necessitasse falar. Eu não me importo de ser seu ouvinte. Afinal, eu quero realmente saber.

Me surpreendi com isso, afinal, pensei que apenas eu que estava além de envolvido com a história — na verdade, lembrança — e tivesse percebido que precisava colocar para fora aquilo, mas pelo visto, estava enganado. Taehyung-ssi realmente estava querendo que eu colocasse para fora aquilo, estava de certa forma querendo me ajudar, mas por quê?

— Certo. — suspirei, antes de voltar para a parte que eu lhe contava — Fizemos exames, na verdade, foi um único exame em que ele pegou um pano, molhou com água, o torceu para que ficasse apenas úmido e avisou que precisaria colocar em minha coxa esquerda.

“Eu ainda estava com as roupa de praia — uma regata vermelha e minha bermuda bem larga —, então, não precisaria tirar a peça de baixo. Ele apenas levantou a barra e colocou o pano ali.

No começo, eu sentia apenas o gelado do mesmo, mas quando a umidade começou a passar lentamente para minha coxa eu soube que minha vida tinha acabado. Começou uma pequena ardência, parecia mais uma coceira do quê uma queimação, de fato, mas não deixou de ser incômodo. E quanto mais esperávamos, mais ardia de verdade.

O doutor me perguntou se estava bem, lhe disse que estava ardendo, menos do que ardeu com a água do mar, mas levamos em consideração que ali era apenas um pano úmido e não encharcado de água. Fiquei vinte minutos fazendo aquele exame, ou melhor, sentindo minha pele arder à cada minuto com o maldito pano nela.

O médico no começo ficou extremamente abismado — acho que por diagnosticar alguém com essa alergia raríssima pela primeira vez —, diria que estava, até mesmo, encantado com tudo aquilo. Me explicou que eu teria um tratamento à base de remédios, cremes que serviriam como uma espécie de barreira entre minha pele e a água — e, uma terapia ou se eu gostasse, fototerapia poderia ser muito boa na ajuda da melhora. Como o doutor não era um especialista no assunto não poderia me indicar nada mais além do quê o número de um conhecido seu, médico especialista — coisa que meus pais logo foram atrás, mas isso não tem tanta importância agora — para ter mais detalhes e para que pudesse passar os remédios e explicações exatas.

Eu, logicamente, estava assustado, em estado de choque, parecia como se alguém tivesse puxado o chão de meus pés, não sabia como agir. E nesse misto de emoções, escutei o médico falando que provavelmente eu teria reações em contato com a minha própria água, ou seja, eu não poderia mais se quer chorar e muito menos fazer algum esforço que me levasse a soar. E tive a resposta de que tudo era realmente verdade assim que a primeira lágrima escorreu, causando uma ardência por todo o caminho onde passava.”

Um silêncio — diria que até mesmo confortável — pairou no ar assim, que terminei de contar. Taehyung-ssi não olhava mais para mim, seus olhos observavam o sol e o céu alaranjado, queria saber o quê ele achou de tudo aquilo. Queria dizer que não precisava ter pena de mim, pois eu já havia me acostumado. Mas nada disse, fitei o sol junto dele, até ele finalmente se pronunciar.

— Mas, Jeongguk-ah, você ainda sente dor? Como você faz para não a sentir? Os remédios junto dos cremes que você passa ajudam, não ajudam? — assim que me questionou virou o rosto em minha direção. E logo que escutei à primeira palavra sair de sua boca retornei meus olhos para si, sendo assim, naquele momento eu tinha a visão de suas orbes escuras me encarando, demonstrando toda a curiosidade, que ainda existia sobre a alergia. Me perguntava como alguém poderia achar isso interessante, realmente, existe louco para tudo nesse mundo.

— Os remédios e cremes ajudam um pouco sim… mas eu não paro e nunca irei parar de sentir, Taehyung-ssi — ditei voltando a olhar o mar, tendo a visão do final de tarde ali em minha frente, o sol pertinho do mar, faltava poucos minutos para o pôr-do-sol — Eu convivo com ela todo dia, sou obrigado a aprender a lidar com ela. Não existe remédio que faça para de doer toda vez que eu tomo banho; toda vez que respinga água de chuva nas mínimas gotas de minha janela; toda vez que eu sinto o suor em mim, simplesmente por estar calor; quando choro, pelo mais doloroso motivo. — suspirei ao lembrar de cada ardência, cada inchaço, cada vermelhidão que aparece com o mínimo contato com a água

— Não existe remédio que cure a dor psicológica e sentimental que isso me trás. Não existe remédio que me deixe chorar, sem sentir todo o meu rosto queimar e eu possa liberar todos os sentimentos, que eu quiser em grossas lágrimas. — falei sentindo meus olhos arderem, eu não estava acostumado a desabafar com alguém o que eu sentia, eu só queria poder esquecer aquilo um segundo — Não existe remédio que possa curar toda a saudade do mar, que eu sinto. Eu tenho que saber lidar com isso, eu tive de aprender à lidar com essa merda. Eu tive de deixar o meu mar, pois, ao mesmo tempo que ele era minha liberdade, era minha paz, ele se tornou a coisa mais dolorosa que eu sou capaz de sentir, fisicamente.

Por mais que eu soubesse que chorar nada mudaria naquilo, nada mudaria minha dor sentimental — que verbalizei toda ela, para um completo estranho, espontaneamente —, eu fui fraco, e deixei uma lágrima grossa escorrer de meu olho esquerdo, me causando uma ardência descomunal por onde percorria, doía, me causava uma maior vontade de derrubar mais delas por doer tanto, mas apenas doeria mais, me limitei a apenas deixá-la morrer na gola de minha blusa. Não passei a mão para limpar, me deixei sentir à dor, para me lembrar que aquilo era real e me restava apenas aceitar.

O silêncio estranho pairava entre mim e o garoto bonito, eu sentia que se abrisse mais a boca, sairiam mais dores em formas de palavras e, a última coisa que eu queria, era aumentar aquele caminho inchado, vermelho e que ainda queimava em minha face, para um rosto completamente dolorido, vermelho e inchado após uma crise de choro, depois de três anos segurando.

— Sabe, Jeongguk-ah, você falar e afirmar que lidar com isso seja doloroso, porque lá são sua paz e liberdade, não te impede de ser feliz ou ter paz na vida. — lhe olhei confuso, afinal eu havia acabado de falar que minha verdadeira alegria era o mar e eu tinha alergia de água, como eu poderia ser feliz se meu próprio corpo me impede disso? Antes mesmo de conseguir verbalizar o pensamento de que ele estava errado, o mesmo tomou fôlego para continuar — Lidar com essa dor e com o fardo de que você nunca mais terá a paz dentro do mar, não te impede de encontrar a paz em outra coisa, já pensou nisso?

Por mais lógico que fosse eu procurar paz ao invés de apenas me lamentar, eu nunca o fiz… Ainda olhando para seu rosto, seus olhos me fitavam com certa expectativa, esperando eu esboçar alguma reação depois de sua fala, um sorriso começou a brincar em meus lábios, afinal ele estava certo. Nunca pensei que pudesse sentir o que sinto nadando no mar, em outra coisa. Eu fazia coisas para passar o tempo, mas nunca pensei em achar algo. Mas pensando bem, eu realmente já fiz tudo possível para mim, para me distrair nesses três anos, e nunca nada me trouxe esse sentimento.

Com esse pensamento meu sorriso foi morrendo, aos poucos eu via o semblante do ruivo em minha frente mudar também, algo como confusão e certa tristeza, certamente por pensar que sua ideia não tenha sido boa. Queria lhe dizer que foi, foi uma ideia boa, mas que infelizmente não havia nada que eu não tenha feito ainda, e tudo o que já fiz não me trouxe sentimento algum, mas era melhor eu simplesmente encerrar o assunto por ali e ir para casa. O sol já tinha se posto, já devia ser umas sete e trinta, meus pais logo chegavam, era melhor eu ir.

— Ah — pigarreei para continuar, logo depois desviando o olhar para o lugar onde o sol se encontrava há uns minutos atrás, agora já podia se ver algumas estrelas surgindo — Ah, Taehyung-ssi, melhor eu ir, como eu disse, meus pais não sabem que eu estou aqui. — lhe olhei de volta, dando um riso sem humor sobre o assunto de meus pais — Eles realmente me matam se descobrirem que eu vim à praia, então, hm, melhor eu ir.

Lhe dei o mais sincero sorriso que podia dar a alguém, depois de nem tanto tempo assim, ganhando um sorriso lindo e sincero de volta, quase instantaneamente. Ele era à primeira pessoa diferente que eu conheci nesses três anos, que não era um médico. Era apenas um adolescente, como eu, que me escutou com interesse verídico, eu realmente estava sendo sincero lhe dando o meu melhor sorriso.

— Sim, sim, eu entendendo, Jeongguk-ah. Hm, eu posso te chamar só de Guk? Sabe… É, um apelido… Ah deixa, vamos… esquecer isso — disse demonstrando, pela primeira vez, timidez. Riu baixinho com isso, oras, não teria motivos para ficar tímido comigo. Eu sou apenas o adolescente que ficou três anos trancado em casa, depois que descobriu possuir urticária aquagênica!

— Pode sim, Taehyung hyung. — rimos de como já sabíamos que iria ficar, se eu pronunciasse o honorífico junto de seu nome, como se tivesse um eco. Olhei novamente para o céu, dessa vez mostrando uma preocupação de fato, já que meus pais poderiam sair mais cedo e não me ver em casa. E eu estaria frito.

— Só hyung, é melhor. Ah, você precisa ir, né? — ditou pegando o celular de seu bolso, notando minha preocupação, que realmente deveria ter transparecido, naquele momento, me estendeu o celular e antes que eu pudesse questionar, continuou — Aqui, marque seu número e por favor, me dê o seu para eu marcar o meu também.

Estendi o celular em sua direção, após raciocinar, que uma pessoa realmente pediu meu número, sendo assim, ele queria manter algum contato, certo? Era a primeira vez que me acontecia.

— Eu vou indo. Tchau, hyung, você não sabe como me ajudou hoje, obrigado e desculpe pelo incômodo. — sorriu um tanto quanto tímido, andando em direção ao calçadão da praia. Olhei para trás e o vi sorrindo para mim, tomei coragem para acenar, ganhando um aceno e um grito distante de algo como “tchau, Guk-ah”.

Caminhei até um ponto de táxi pertinho dali, logo pegando um e seguindo para minha casa. À praia não era longe, no máximo quinze minutos dali, sendo assim, cheguei rapidamente em casa, sendo recepcionado pelo silêncio, que pela primeira vez estava começando a achar desnecessário. Subi para meu quarto, para esperar meus pais chegarem, como sempre. Tirei meu tênis olhando para os grãos de areia que caíram em meu piso, passei um pano em meus pés, tirando todo resquício de algo que pudesse me lembrar o mar, de todo o resquício de meu lugar de paz.

Jantei após meus pais chegarem, o quê não demorou mais de vinte minutos depois que cheguei, desejei boa noite à eles, apenas — já que não teríamos o que falar a mais na mesa, além de escutar eles falando do dia no trabalho — e subir para meu quarto.

Estava inquieto, certamente a praia me fez ficar assim, já que geralmente costumo dormir logo após jantar. Estava estranho, eu queria conversar, eu estava animado. Depois de anos, eu estava animado novamente, queria ir à praia novamente, afinal, foi diferente do que eu pensei que seria. Olhar para o mar, não me trouxe apenas tristeza. Me trouxe calmaria, não diria que pude sentir a paz apenas ao olhá-lo, mas eu fiquei bem, depois da saudade e de todos os sentimentos me atingirem intensa e rapidamente como um coco de pombo. Tá, não foi uma comparação muito boa, entretanto, eu não soube com o quê comparar.

Alguns minutos — talvez horas — se passaram, e nada do sono vir, eu já estava me irritando. Meu cérebro queria que eu fosse sentir o que o mar me trouxe, meu cérebro queria pelo menos, uma paz momentânea novamente. Mas toda vez que eu pensava nisso, minha mente trazia, instantaneamente, Taehyung-ssi me questionando o porquê eu não procurar paz em outros lugares. E com o pensamento de que na manhã seguinte eu iria sim tentar procurar algo, que peguei no sono, o mais profundo e calmo que já tive, foi até mesmo sem sonhos.

[...]

Acordei no mesmo horário de sempre, às oito horas da manhã em ponto. Bom, por mais estranho que fosse acordar cedo apenas para sucumbir no tédio de todas as atividades que já me viraram rotineiras, eu sempre pensei que, é melhor fazer nada de dia, do quê de madrugada quando todos estão num sono profundo e gostosinho.

Levantei e fiz exatamente tudo igual aos outros dias, fiz minhas higienes, tomei meu café — que nada mais é do que tudo à base de leite — e, aí veio a questão maravilhosa de todos os dias: …

O que caralhos eu irei fazer?

Sim, a ideia de encontrar minha paz continuava tão viva quanto eu. Entretanto, eu não sabia como e com o quê eu deveria começar. Pensei em pintar, fazia tempo, que eu não focava no sentimento, que a pintura me trazia, ultimamente eu só pensava em sair do tédio. Pensando nisso, resolvi ir para o quarto de hóspedes — onde, na verdade, eu guardava absolutamente tudo o quê poderia me distrair, era quase um quartinho anti-tédio — para começar a procurar minha paz, se não fosse com a pintura seria com outra coisa, ali mesmo naquele quarto.

Lá passei a manhã toda — sai apenas porque minha mãe ligou para mim em seu horário de almoço, para mim não esquecer de almoçar. Primeiro, foquei em sentir o quê à pintura me trazia, eu conseguiria sentir minha paz pintado em uma tela? À resposta veio seca ao terminar a única tela que trabalhei e perceber que não consegui sentir nada em nenhum momento, não senti nem mesmo tédio. Foi como se não tivesse feito diferença ter pintado ou não.

Olhei ao redor, não queria me sentir frustrado ainda, faltava muitas — talvez nem tantas — coisas que eu ainda poderia fazer. Sem perder mais tempo, olhei ali ao redor, vendo todo o quarto meticulosamente arrumado — talvez eu tenha desenvolvido algum dos tipos de toc ao longo desses três anos “trancafiado”, mas só talvez — havia alguns cadernos sob a escrivaninha. Talvez eu devesse escrever?

É, escrever talvez pudesse me trazer algum sentimento, já que estaria colocando os meus no papel. Me sentei ali, pensando no que deveria colocar e nada. Absolutamente nada me vinha. Eu não sabia sobre o quê eu deveria escrever. Talvez começar uma pequena poesia? Uma estória? Tentar criar uma fábula? Eu não fazia ideia, talvez escrever sobre meus sentimentos… entretanto, eles eram muito monótonos. Só se eu fosse escrever sobre o dia único que vive nesses três anos, que foi o anterior.

E escrever o que senti no momento, talvez, fosse me ajudar a medir meus sentimentos e achar algo que me traga paz mais fácil. Colocar no papel não era a coisa mais fácil do mundo, percebi isso no momento em que travei, não soube como começar, como retratar as emoções. Sei lá, sentimentos são complexos demais para conseguir descrevê-los em simples palavras, mas não iria desistir. Eu não podia desistir.

Talvez pensar primeiro, relembrar todo o dia anterior fosse mais fácil, poderia me dar uma base de como começar.

Tudo o que eu senti foi diferente de antes. Assim que pisei na praia pude sentir a saudade ser preenchida de forma massacrante em meu peito, eu me senti bem como nunca nesses anos. Senti a nostalgia se apossar de meu corpo de forma absurda, relembrar de coisas vividas naquele local doeu, mas foi diferente, eu não sei explicar. Olhar aquela imensidão de água sem poder tocar, era triste e relembrando disso, o que eu senti naquele reencontro com a praia foi doloroso e não bom, não me trouxe a paz, a liberdade de antigamente.

Lembrei do que senti assim que vi Taehyung, foi uma curiosidade genuína quando começamos a conversar, pude lembrar de um sentimento estranho, talvez, pudesse se encaixar em liberdade, eu não sei. Talvez o fato de eu estar desabafando ali, para ele me trouxe aquilo, como se tivesse tirado todo o peso de minhas costas. Talvez fosse…

Bloqueie esse pensamento, era muito invasivo. Eu não podia cogitar aquilo. Era apenas para pensar sobre o que eu senti no dia anterior, para me expressar adequadamente no papel. Eu me fechei de vez quando soube da urticária, me privei de tudo e todos, mas no fundo, bem lá no fundo, talvez, eu soubesse. Talvez, estivesse com medo de ser exatamente aquilo. Mas de alguma forma eu sabia…

De alguma forma, podia sentir dentro de mim, que aquilo era o certo, sabia de algum modo que aquilo seria o que me traria a paz. Era incerto? Com toda certeza, eu não tinha nada além de metade, metade. Sim ou não. Não tinha como eu prever o que poderia vir a acontecer ao certo, mas o que quer que fosse, era puro, era algo natural por mais estranho que isso soasse.

Sem mais delongas, decidi subir rapidamente até meu quarto, estava ansioso, estava nervoso, estava com medo. Mas o que eu iria fazer se não tentar? Não tinha mais nada a ser feito por mim, e como eu já ouvi muitas pessoas aleatórias falando por aí: “o não você já tem”, vamos ver se surpreendentemente eu consigo o “sim”.

Talvez fosse invasivo. Talvez fosse até mesmo falta de modos o que eu iria fazer, mas no momento a última coisa que eu pensava era sobre ter toda educação que foi me ensinada.

Peguei o quê era preciso, com os dedos trêmulos procurei, até encontrar o que eu queria. Era minha paz em jogo. Uma paz que eu me privei por puro desleixo por três longos anos. Uma pessoa sem paz é praticamente uma casca vazia. Uma pessoa sem paz dificilmente encontra felicidade, harmonia, gosto na vida.

Mas eu estava bem nervoso, por mais que estivesse decidido, era um nervosismo grande que eu sentia. Para ser sincero, procurar minha paz em atividades aleatórios era bem menos intimidante do que estar esperando finalmente parar de escutar aquele som contínuo.

Até que finalmente pude escutar sua respiração calma e, antes mesmo de lhe dar tempo de questionar-me ou até mesmo falar um simples “boa noite”, indaguei, com uma certeza que até então era desconhecida por mim.

— Taehyung-ssi, você poderia me ajudar? Eu sei que é estranho, muito estranho por sinal, mas, eu senti uma paz ontem… foi diferente, mais leve. Foi boa… — eu não sabia como dizer, estava claro, e antes que eu encontrasse as palavras certas para continuar, ele me interrompeu.

— Oi! Guk-ah! — indagou muito mais animado do que eu estava esperando, eu apenas esperei, até ele continuar — Mas essa paz já era de se esperar, você mesmo me disse que o mar te trás-

— Não, Taehyung-ssi, essa paz foi diferente, em muitos sentidos — lhe interrompi num fôlego só, continuando antes que ele me interrompesse, entendesse errado e, toda minha coragem fosse para o brejo — E o principal e mais estranho deles, foi que... não foi o mar que me trouxe essa paz… foi você. — suspirei escutando apenas sua respiração, agora nem tão calma, como resposta, eu não sabia em que sentido seria aquela indagação, não estava sabendo lidar, porque foi natural, apenas saiu sem ser devidamente filtrada.

O silêncio tomou conta da linha, o silêncio estava começando a me deixar nervoso novamente. E em outro impulso, indaguei sem nem filtrar direito minhas palavras.

— Hyung, você quer ser minha paz?

28 de Junio de 2018 a las 18:55 0 Reporte Insertar 1
Fin

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Larissa Gabrielli Eu sou cinza. Amo absolutamente todos os shipps dentro do Bangtan, eu vejo intera��o e amor exalando em todos os sete. otp's: Yoonmin, 2seok, Hopekook, Minjoon e Vmin.

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