Horse´s Blue Seguir historia

mayonnaiseket Agatha Christine

Um internato no interior da Suécia, pessoas esnobes, ricas, rebeldes e sem senso do comum. Kim Taehyung teria que aguentar tudo isto, se quisesse continuar suprindo sua paixão pela equitação, uma das classes extras do local onde estudaria. Ele só não esperava encontrar uma das pessoas rebeldes sem senso e ainda manter contato com ela dentro da academia, pois não imaginava que o seu “domador de lobos” fosse ser o melhor cavaleiro da classe.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Trotes

   O vidro do carro estava carregado de gotículas de água, devido a corrente chuva que inundava a pequena cidade. As montanhas, pouco visíveis devido a neblina, eram tão empoderadas que suas presenças se tornavam intimidantes, mais encantadoras, para alguém que antes morava em uma cidade repleta de prédios, arranha-céus, e tecnologias, pouco acostumado a tudo isso. Não estava reclamando, eu adorava estar perto da natureza, além de que aquela paisagem seria mais que perfeita para as caminhadas diárias de cavalo que eu já há anos planejava fazer.

   Eu citei cidade, mas na verdade, todo o espaço daquele local era preenchido inteiramente por um enorme internato, qual neste eu passaria dois anos estudando. Vindo de berço de ouro, porém de pais humildes e de berços opostos ao meu, o único luxo que realmente iria receber deles, seria este. Eles conseguiam ser bastante rígidos na minha educação, além da importância, que costumavam frisar sempre comigo, sobre o gasto indevido do dinheiro. Por isso, eles conseguiam ser a segunda família mais influente da Coréia do Sul.

   Só haviam me dado este tipo de privilégio, pois sabiam o quão talentoso eu era no que gostava de fazer. E apesar da rigidez, eles nunca iriam exigir que eu seguisse suas carreiras, eram gentis demais para desrespeitarem meus verdadeiros anseios.

   E equitação era uma carreira que queria seguir, e eu possuía quase a certeza de que alcançaria o sucesso estudando no melhor estabelecimento do mundo na área. A academia Marie Hooker não era brincadeira, suas matérias eram ampliadas três vezes em fundamentos e dificuldades, além de que as aulas extras, como equitação, eram obrigatórias no currículo escolar. Então, eu estudaria em triplo, além de que teria que me esforçar a mesma porcentagem na montaria. Seria complicado, mas eu sempre fora um aluno aplicado, divergente a distrações, conseguiria passar tranquilo pelas minhas dificuldades.

   O problema seria a minha escolha de cavalo. Eu nunca tive um oficial antes, sempre usava os que o campo onde antes frequentava, nos proporcionava nas aulas, e todos os cavalos eram diferentes, além de que nenhum deles havia conseguido chamar minha atenção de fato. E na academia, a compra e escolha do seu próprio cavalo era obrigatória, ou seja, eu precisava comprar um o mais rápido possível, antes do começo das aulas.

   Na realidade, já devia ter o feito há muito tempo, mas minha indecisão sobre o assunto era tanta, que não contive deixá-lo um pouco de lado. O dinheiro não seria problema, pois meus pais estavam cientes do assunto e me dariam a quantia necessária para tal ação.

   A chuva ainda caia mórbida lá fora, e a dificuldade para que eu saísse do carro, sem me molhar foi estupidamente desnecessária, pois era só água no final das contas, não entendia o excesso de preocupação que meu motorista possuía com aquilo.

   — Jun-ho, ficará tudo bem, está certo? Avise ao pai, que cheguei bem e que aparentemente, me tornei açúcar desde que pisei os pés no aeroporto. – brinquei, com um sorriso bobo e ele me respondeu com um olhar rígido, só que desta vez com um ar mais melancólico que o normal.

   Ele sentiria minha falta.

   — Sentirei sua falta, Tae. – murmurou, na informalidade obrigatória imposta por mim. Nos conhecíamos há anos, não gostava de manter este tipo de distância entre nós, por isso o apelido.

   — Eu também, hyung. Mas eu estarei sempre mantendo contato, o lugar é remoto, mas a escola é mais rica que toda a Europa junta. O Wi-Fi daqui deve ser ótimo. – dou um riso leve e o abraço, me despedindo. As minhas malas já haviam chegado, em outro carro, então assim que dei tchau ao meu amigo, me virei de costas, dando um passo para frente, para que pudesse me deleitar com a chuva.

   A sensação era incrível, o frio se chocando com a calidez de meu corpo, a estrutura daquela academia, que era tão grande que assim que pousei os olhos nela, me surpreendi com o seu tamanho, mesmo que já imaginasse que ela seria assim, exagerada. Seus muros, eram coloridos de um roxo escuro, de degradê azul de mesma tonalidade no final. Os portões eram rústicos, de amarelo ouro, possuindo quase o mesmo tamanho dos paredões azuis.

   A entrada, seguida de uma pequena avenida coberta de altas árvores, era escorrida de grama verde e fresca, de cheiro fantástico, que agradou em um tanto minhas narinas. A porta que me levaria para dentro do prédio principal, onde ficavam as salas de aula, ficava em frente a aquele grande pátio gramado. Os prédios seguiam um mesmo padrão, segundo as fotos que havia visto antes no computador, eles eram rústicos e gigantescos, toda a academia era dividida em pavilhões, e eram tantos, que eu só conhecia os que realmente importavam para mim.

   O prédio dos dormitórios masculinos, que ficavam seguindo a avenida sul, do lado direito ao portão principal, e os estábulos de equitação, este do outro lado do internato. Seria uma longa caminhada todos os dias, aquele lugar era uma cidade estudantil, então eu esperava conseguir ao menos uma bicicleta para que eu pudesse me locomover melhor por ali.

   Enquanto caminhava pela grama, embaixo da chuva, consigo observar alguns alunos correndo redondo, ao redor da “rua” em frente aonde eu estava. Mesmo sendo cedo, o céu permanecia escuro, porém não me surpreende conseguir ver tantas pessoas praticando exercícios a essa hora, o choque maior foi eles estarem fazendo aquilo no meio da chuva. Sentei na grama, que pinicava minhas pernas ensopadas dentro da calça, e os observei, tentando entender o motivo deles estarem fazendo aquilo.

   E bem, quando um adulto passou na frente deles, gritando bem alto com seu apito, pude na hora raciocinar que aquilo deveria ser algum tipo de exercício de resistência.

   Que loucura, aquele colégio era mesmo uma coisa de outro mundo, e se os alunos ficassem doentes?

   Minha garganta tossiu, ao final do meu raciocínio e praguejei baixinho, dificilmente eu pegaria uma febre, mas acredito que gripado eu iria ficar, e pelo menos por dois dias, se ainda desse sorte.

   Bendita imunidade.

   Já ia me levantando, perdido sobre onde ir primeiro, ainda mais estando molhado daquele jeito. Procuraria a direção, se minha situação não fosse tão imprudente. Devia ter escutado o Jun-ho, ele era o mais velho de nossa relação por um motivo. Suspirar não adiantaria de nada, mas mesmo assim o fiz, rindo da minha imbecilidade.

   Olhei ao redor, ainda escutando os apitos do professor de longe, me perguntando o porquê de não ter notado o barulho antes, então lembro de ter lido em algum lugar, que o cérebro ignorava sons que não estivessem no nosso foco real, como cigarras próximas a uma roda de fogueira em um acampamento, mas depois percebi que apenas estava divagando novamente.

   Dei sorte de um aluno ruivo, que havia aberto ruidosamente a porta do primeiro prédio, tomando toda a atenção para si, ter vindo em minha direção, com um guarda-chuva, parecendo muito irritado com algo.

   Na verdade, comigo.

   — No que estava pensando, Kim Taehyung? – pronunciou na língua local e eu soltei uma risada baixa, segurando a gargalhada. Ele ter me repreendido enquanto me chamava pelo nome completo, em tamanha formalidade, foi uma contradição interessante. Não consigo segurar a língua.

   — A chuva é uma coisa doce, não acha ruivo desconhecido? – digo na mesma língua, com a boca virada para o céu, enquanto parava o passo que antes dávamos em direção a porta.

   Mas o outro me arrastou pelo braço, ainda irritado com a minha pessoa. Me pergunto de onde ele me conhecia, mas apenas dou de ombros em seguida, não importava, contanto que ele me ajudasse a me situar naquela cidade enorme.

   — Eu sou Park Jimin, seu colega de quarto – diz com as duas mãos estendidas para mim, parecendo receoso com algo. Dou outra risada, aperto as duas mãos, ainda rindo, e paro para observar o local por dentro. Além das escadas, o teto decorado com pinturas de época, o enorme lustre posto no centro, e as pilastras das mesmas cores dos muros da academia estarem distribuídas em simetria pelo espaço, era um salão bem simples até.

   — Já vejo que é uma pessoa risonha, sim? – Jimin era alguém bem engraçado, seu jeito rápido e afobado de falar, era algo fofo e cativante. Ele também não parecia muito esnobe, como eu imaginava que as pessoas daqui seriam, ele na verdade passava uma áurea modesta de superioridade. Como se ele conquistasse as pessoas pelo seu jeito, não apenas pelo seu cachê pessoal.

   — Já percebo que é uma pessoa ansiosa, sim? – ralhei, enquanto observava seus braços e pernas se movendo constantemente ao lado de seu corpo magro.

   — É só meu jeito, Kim Taehyung. Terá que se acostumar com ele, pois iremos morar juntos por dois anos em um dormitório, suas malas chegaram antes que você no nosso estabelecimento e espero que sejamos companheiros suportáveis, ao menos, eu não costumo ter muitos amigos aqui, só o Yoongi, para falar a verdade, ele nem é um amigo, é apenas uma ouvinte, já que ele não fala nada, só escuta. Ele é da classe de instrumentos clássicos, eu sou de dança clássica, somos vizinhos, por isso mantemos contato, você deve ser muito rico, já que entrou aqui no segundo ano e sem passar pelo teste inicial, as pessoas daqui não irão gostar nadinha de você. – ouvi o ruivo dizer, em um único fôlego, enquanto me arrastava para as portas do fundo, que nos ligava para o “centro” da cidade, segundo o mesmo.

   Pelo que Jimin pode me explicar, na mesma velocidade de antes, foi que o centro interligava todas as avenidas, de todos os pavilhões. Eram muitos, não consegui acompanhar os listados pelo baixinho, então eu apenas consigo me lembrar o de esportes, o meu claro, e o dele, que era o pavilhão clássico, dividido em três prédios pequenos.

   Aquele lugar era uma loucura, completamente insano, e apesar dele ter me dito que eu me acostumaria com aquilo, duvidei muito de que fosse me habituar a tamanho exagero. Eles deviam pagar uma nota para estudarem ali, e eu achei estranho terem tantas pessoas, já que não deviam existir tantos ricos assim no mundo, mas Jimin insistiu em me explicar aquilo também.

   — Eles aceitam bolsistas parciais, que são classes um pouco mais baixas que as das nossas. Eles possuem menos privilégio, e muitos trabalham como monitores no final do expediente, ou seja, eles trabalham dobrado. – me explicou, um pouco menos ansioso que antes. Suas mãos, essas tão pequenas quanto seu corpo, ainda se mexiam contra suas coxas, de cima para baixo, mas notei que aquilo era uma característica sua, qual tinha sua frequência reduzida com de acordo ao humor do ruivo.

   Realmente, dei muita sorte de encontrar alguém tão único e amigável quanto Jimin, mesmo que ele tenha me falado que seu jeito elétrico afastasse as pessoas, eu o respondi que não me importaria nenhum pouco com aquilo. Eu gostava de pessoas diferentes, e já não via hora de conhecer Yoongi, o único outro garoto que o Park considerava naquele lugar, e que aparentemente, não dizia uma única palavra.

   Ele parecia tão divergente quanto ele, e não possuía nada mais curioso e cativante que pessoas assim.


(...)


   Nosso dormitório era do tamanho de um apartamento, as camas eram separadas, tínhamos closets, closets!, pessoais e ainda uma cômoda ao lado da cama. Jimin já havia decorado sua parte do quarto com cartazes de recitais de danças clássicas, que poucos ali eu conseguia identificar, e os lençóis da sua cama eram uma mistura de preto e branco, cores também clássicas. Ele disse que as aulas da parte da manhã já tinham começado, achei cedo demais mas tudo bem, e que eu poderia passar esse horário arrumando minhas coisas, e o resto do dia descansando. Agradeci a ele pela gentileza de ter me guiado até ali, e prometi fazer tudo que ele havia pedido para mim.

   Fiz tudo muito rápido, apenas coloquei todas as roupas no cabide, larguei os sapatos no chão do closet e organizei os livros dentro da cômoda. Não possuía nenhuma escolha elaborada de lençol, então deixei ela como estava, com cobertas das cores que representavam a escola, e corri para o banheiro, que aliás, eram dois, cada um ao lado da cama, e após isso, liguei o celular no carregador.

   Queria falar com meus pais, e o mais importante, pesquisar sobre como conseguir comprar o cavalo certo. Mas me saiu tão errado pensar assim.

   Cavalos não são objetos, não são algo qualquer que eu deveria sair pegando por aí, eles eram seres vivos, e apesar de eu ainda não ter conseguido me tornar vegetariano, continuo achando injusto trata-los assim.

   10% de bateria.

   Seria o suficiente, minha ansiedade estava quase tão absurda quanto a de Jimin naquela hora, e esperar meu celular carregar completamente, não seria uma opção que meu coração suportaria aguentar. Sorri ao ligar o mesmo, e encontrar uma foto de um shipp do meu anime favorito como wallpaper de fundo, veria um episódio dele após ligar para os meus pais e conectar o Wi-Fi, qual eu já sabia a senha.

   E sim, não iria comprar um cavalo avulso pela internet, esta opção me deixava apreensivo, e nada confortável, então decidi respeitar a mim mesmo naquilo, mesmo que levasse bronca da escola por estar sendo tão irresponsável com algo que eles achariam a maior imbecilidade.

   — Senhor Kim… discando… tuuu….tuuu...tuuu...este número não está disponível no momento, deixe uma mensagem na caixa postal. – imito meu celular, conformado pela resposta decepcionante. Era óbvio que eles estariam ocupados, minha mãe nem se fala.

   A mesma estava em uma turnê de negócios, a empresa que ela ordenava estava montando um novo comeback dos idol’s mais populares dela. Um hit que renderia bilhões, como sempre.

   Suspirei, e deixei uma tosse fugir traiçoeira da garganta. Uma rajada fria de vento percorreu meu corpo. Quem havia aberto a janela, de qualquer maneira? Andei até ela, tendo que passar pela cama do ruivinho, e observei o céu, que nublava os raios de s. Aquela era uma área fria, que nem mesmo o horário alto da manhã a amornava, e eu, gostava disto.

   Me passava uma sensação de paz, e apesar de eu não conseguir observar as montanhas dali, pois a escola ficava na direção contrária, quase acopladas a elas, a vista era incrível. Estava feliz de estar ali, algo muito bom, e libertador me esperava, podia sentir isso.

   Outra tosse, o vento estava forte, fechei a janela e apaguei a luz, deixando apenas a pouca claridade de fora iluminar o quarto. Me enrolei nos cobertores quentinhos e arfei satisfeito, minha gripe não duraria quase nada, se eu continuasse ali dentro de tamanho conforto.

   Meus olhos pesaram, a academia ficava bem longe do aeroporto, então o cansaço somado ao sono da viagem de avião, me fez ficar exausto, o que me fez dormir em apenas dois segundos.

   Ainda de longe, consegui escutar meu celular tocar, antes de adormecer, mas já era tarde demais, não me levantaria daquela cama por nada que fosse nesse mundo.

   Senhor Kim teria que esperar um pouco.


(...)


   16 chamadas perdidas e mais de 36 mensagens.

   Não era para esse tanto, meu pai pareceu realmente preocupado, ligaria para ele, só precisava lavar o rosto, ainda estava meio grogue por conta do sono. Olhei para a janela, me surpreendendo ao ver que a noite já havia chegado.

   Ela estava aberta novamente. Dei de ombros, Jimin poderia ter passado aqui e a aberto, nada muito fora do comum. Assim que lavei o rosto, peguei o celular e fui para a frente da janela, apoiando meus ombros nela, enquanto digitava para os meus pais. Expliquei a eles que estava tudo bem, não estavam online, então ligar seria inútil. Respirei o ar fundo no peito, relaxando ao sentir o cheiro da natureza tão pertinho de mim, estava escuro, mas ainda sim a enxergava, e a escutava.

   Grilos, mosquitos, trotes de cavalo, grilos, trotes de cavalo, mosquitos, trotes de cavalo, trotes de cavalo, trotes de cavalo. Arregalei os olhos, o caminhar do animal estava ressoando tão alto em minha cabeça, que fiquei tonto por alguns segundos. Quando recobrei a estabilidade, e olhei para fora novamente, uma luz forte e incessante de azul claro me cegou ao longe. Me virei para trás, encarei a luz novamente, e com as mãos agitadas no ar, após um grito frustrado de desistência, decidi descobrir o que porcaria era aquilo.

   Usava apenas uma roupa fina, imprudência, o frio me tomava por inteiro, mas eu continuava seguindo a luz pelas ruas mal iluminadas dos prédios ao redor, e constatei que a área de dormitórios devia ser a maior, sem dúvida.

   Parei o passo ao realmente me situar onde estava, quase fora dos limites da academia, mas a luz se agitou e brilhou ainda mais quando fiz aquilo. O azul queria que eu fosse até o bosque, onde Jimin havia me explicado anteriormente, que possuía trilhas, que os professores de esporte utilizavam em suas aulas de descida de paredões.

   Bom, não teria problema eu seguir ela, era seguro e eu já estava aqui de qualquer forma e além de que minhas unhas estavam roídas de curiosidade a respeito de quem poderia ser o dono daquela luz incessante.

   — Olá… ? Quem está aí, com essa coisa azul? – perguntei, em um tom mais alto que o comum e apenas recebi uma forte rajada de vento como resposta. Agora eu não conseguia enxergar nada, a luz tinha se apagado mas porém, o desespero se acendeu em mim.

   — Ótimo, primeiro você me arrasta até aqui, e depois apenas me larga no meio do nada, no escuro. – me abraço na tentativa falha de me livrar do frio, mas encolhi meu corpo ao escutar grunhidos e rangidas de dente se aproximarem de mim. Dou dois passos para trás, afim de me proteger, e acabo caindo ao tropeçar em uma rocha.

   Típico.

   Não conseguia acreditar que na Suécia, possuía lobos nos arredores, ainda mais perto de uma escola tão mesquinha e segura quanto a aquela. Quis gritar, mas a voz estava presa na garganta, nada conseguia sair, apenas a minha respiração alta e arrastada pelo frio e temor de acabar sendo morto por aquelas criaturas nada amigáveis.

   Porém, eu estava enganado, os lobos não me atacavam, eles ficaram em posição, mas não partiram para cima de mim. E já havia se passado tantos minutos que estávamos ali, na mesma posição, que eu apenas sentei de pernas cruzadas, não temendo mais a aquelas criaturas, mentira, ainda sentia um pouquinho de medo, por isso me mantive parado e em uma distância segura.

   — Se eu não sirvo como janta para vocês, então por que não me deixam ir embora? – perguntei avulso, não esperando por uma resposta.

   — Porque eles o respeitam, por algum motivo. – pronunciou em voz baixa, um garoto um pouco mais alto que eu, de cabelos escuros e longos, que cobriam seus olhos. Ele segurava um lampião nas mãos, este próximo ao seu rosto quase completamente coberto pelos fios pretos.

   — O que estava fazendo aqui, aluno novo? – me perguntou, colocando o lampião apoiado em cima de um galho de árvore, e acariciando um dos lobos em seguida. Não pude segurar deixar meu queixo cair, desacreditado.

   — Você está mimando um lobo? Um lobo!!? – exclamei, totalmente boquiaberto.

   — Sim, eu sou o alfa deles. Eu os respeito, então eles também fazem o mesmo por mim. Só não entendi o porquê de terem feito o mesmo por alguém como você – falou, em um tom mais baixo, mas ainda audível, enquanto fazia alguns sinais com os dedos, que fez com que os animais, antes todos ao seu redor, se deslocassem para adentro do bosque.

   — O que fazia aqui, novato? – perguntou novamente, desta vez em um tom severo de autoridade.

   — Eu estava seguindo uma luz azul… – suspirei ao me dar conta – que estúpido, não? Mas ela era tão linda, que não evitei minha curiosidade e corri para cá, a fim de descobrir o que ela era. Você a viu por aí?

   — Uma luz azul? Ótimo, isso tinha que acontecer, não é mesmo? – falou consigo mesmo, parecendo chateado com algo. Desejei poder enxergar seus olhos, me perguntando a profundidade que eles deviam conseguir passar. O garoto parecia um tanto intimidante, meu corpo tremia só de imaginar.

   — Você sabe o que ela é?

   — Sei, mas isso não vem ao caso. Pelo menos não agora – suspirou, passando as mãos ao lado do corpo, como o Park havia feito hoje mais cedo. Estranho, isso era algum costume regional? – Tome aqui o lampião, eu não preciso dele, então apenas volte para o dormitório.

   Ele o pegou do galho, andou até mim, parecendo tomar cuidado para não se aproximar demais do meu corpo, e me entregou o lampião nas mãos, sem tocá-las com os seus dedos, que se arrastaram rapidamente nos meus. Um choque se apoderou de meu corpo, e quando olhei ao redor, percebi que o garoto já não estava mais lá.

   Era apenas eu e o vento, que em mais uma forte rajada, como se quisesse explicar a mim, que seria perigoso caso eu continuasse ali, me fez virar os pés e voltar para o dormitório, ainda aturdido com tudo que havia visto e escutado naquele bosque.

   Só sabia que ainda desejava ver aquele garoto de novo.

24 de Junio de 2018 a las 16:01 0 Reporte Insertar 0
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