A Perfeita Arte de Ser Louca Seguir historia

izzy_treet Izzy Treet

Ana vive em uma cidade pequena onde os princípios antigos e tabus sociais de relacionamento são levados a serio, modos esses que não faz parte da jovem moça que é muito mal falada, pelo seu modo de vida aberto, de sair com muitos homens, frequentar a noite e não ter uma família provindo de um casamento. Cansada dessa vida noturna e solitária, Ana pensa em mudar e levar uma vida sossegada, se apaixonar ou até se casar, porém, terá que lutar contra sua má fama e o preconceito formado sobre sua pessoa.


Erótico Sólo para mayores de 18.

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Vadia sim, hipócrita não.

Eu era bem danada quando mais nova. Eu era o tipo de garota, que gostava de se divertir com os rapazes. Eu era o tipo de garota, que amava sair com qualquer pessoa, gostava de beber, fumar, dançar, transar, sorrir e cantar no chuveiro. Era livre, independente e solitária.

Eu era muito conhecida na cidade. Sabe como é, cidade pequena e poucas pessoas. Todo mundo conhece a vida de todo mundo, mas nenhum conhece o seu interior. Ninguém pergunta como você está, ninguém pergunta como vai o seu dia, ou se precisa de ajuda, mas na hora de te julgar. Aí sim, é a hora que sabem o seu nome.

Eu era conhecida por muitos nomes, desde o mais baixo para o considerado “fofinho”. – Baconzinho. Não sei se vão entender o motivo, eu não era gorda.

É claro! Ninguém falava isso na minha frente, alguns rapazes até se arriscavam a me chamar de alguma coisa, mas sabiam que sairiam perdendo caso eu me ofendesse. Então baconzinho ficou menos ofensivo, só comecei a me ofender quando entendi o significado, mas aí já era tarde para reclamar.

Toda noite era um cara diferente, se o cara fosse muito bom de cama, eu saia com ele mais de uma vez, se não, passava para o próximo. É, eu era assim. Uma vadia mesmo, como minhas “amigas” gostavam de dizer.

O tempo foi passando, e eu comecei a invejar minhas amigas. Por que? Bom, eu estava no auge dos 20 poucos para os 30 anos, já tinha me divertido tudo o que eu podia, já estava saturada de ser solitária. Acho que comecei a sentir que estava na hora de deixar a mãe natureza comandar minha vida. Sim, eu queria me casar, queria alguém pra compartilhar o cobertor, queria alguém pra amar e ser amada, mas a minha fama não deixou que as coisas acontecesse da forma que eu queria.

Alice estava noiva de um playboy da cidade e Paula estava grávida do segundo filho.

— Você devia mesmo parar de sair com esses caras, se não, nunca vai se casar. — Alice falou para mim, se olhando no espelho e reparando nos detalhes de seu vestido de noiva. Já era a terceira troca dela, estava indecisa sobre o vestido: 1 hiper rodado de princesa debutante, 2 hiper simples com muita renda, parecia vestido de velha viúva que vivia na igreja, mas a lojista jurava que estava igual à Angelina Julie. Não sei de onde ela tirou essa ideia. Alice era uma loira pálida, magricela de olhos cor de mel e nunca chegou nem perto de uma academia, não era nenhuma gostosa e nem tinha lábios carnudos.

— Nenhum homem nesta cidade presta! — reclamei, deitada de barriga para cima em uma almofada gigantesca. Comecei a folhear a revista de noivas. — Acho que eu nunca vou me casar.

— Você sai com um homem por dia, como acha que vai encontrar um cara que queira se casar com você?

— Você é muito falada na cidade. — Falou a Lojista que eu não fazia questão de saber o nome ajeitando o vestido horroroso na Alice.

— Ninguém te perguntou nada. Volte ao seu trabalho e não se meta na conversa das pessoas. — Exclamei, ainda folheando a revista lançando um breve olhar de desaprovação aquela nojenta gorda. Ela me lançou uma cara de descontente por eu ter a reprendido e foi até a mesa dos fundos para organizar as coisas.

— Eu sei que você ficou brava, mas ela tem razão.

— Razão? E quanto a você que só está se casando porque está grávida? Pelo visto você não se comportou, né, Alice?

— Shiiu, vê se não espalha pra meio mundo. Se você gosta de ficar falada na cidade problema é seu, mas eu não, e não tô a fim de fuder a minha vida por causa de uma transa sem sentido.

— Qual o problema? Vai se casar com o cara que nem gosta porque ficou buchuda? Se eu fosse você continuava solteira e cuidava de seu filho, não há necessidade de ter um macho na sua vida, somos muito mais do que isso.

— Você não entende nada sobre o mundo, né. — Ela disse se virando suspirando fungo.

— Espero mesmo que seja feliz, Alice. E boa sorte também. — eu disse incrédula, afastando a revista de meus olhos para encarar a cara feia de Alice.

— Amiga, homens se sentem inseguros, com mulheres que tem vários relacionamentos. Eles pensam que nós vamos trai-los. — Paula tentou me explicar. Acariciando a barriga ainda minúscula, sentada ao meu lado, as pernas cruzadas fazendo gestos para Alice desaprovando o vestido.

— Então está na hora de mudarmos isso, não? Por que sou uma vadia? É porque saio com mais de um homem? E eles são o que?

— Eles são homens. — disse Alice se despindo do vestido. — Infelizmente vivemos em um mundo machista, vai demorar para mudar a mente de todo mundo. Por enquanto, vamos ter que aceitar.

— Isso... é... ridículo... Eu não tenho que aceitar nada. — pronunciei bem devagar para que elas entendessem, mas estavam certas. Vivemos em um mundo machista e mudar isso será uma tarefa muito difícil, porém não impossível e eu não tinha que abaixar minha cabeça e aceitar como se fosse algo lindo. E eu não acho justo não poder sair com quem eu quero, quantos eu quisesse, enquanto que os homens podem ficar com várias em uma noite só e são os garanhões.

— Você aceitando ou não a vida é assim. Você vai precisar mudar, se não, continuará sendo chamada de bacon pelo o resto da vida, ou enquanto continuar gostosa. — Alice pronunciou as palavras de uma forma bruta. Colocou a roupa que chegou a loja e estava pronta para ir em outro lugar. Seu casamento seria em dois meses e ela queria que tudo estivesse perfeito.

— Se quer saber, hoje em dia nem homem está sendo mais o garanhão pegando várias. É assim que acabamos com o machismo aos poucos, condenando os homens também, se toda mulher fazer sua parte não teremos mais nenhum garanhão pegando várias por aí. — pensou Paula.

— Ainda sim, não tem a mesma força que tem contra nós mulheres, então... é só se comportar. — disse Alice.

Ridículas. Como podem ter um pensamento tão machista e aceitar numa boa?

O que tinham de ridículas tinham de hipócritas. Alice irá se casar grávida de uma cara que nem gosta porque foi burra demais em aceitar transar sem camisinha. Paula era outra nojenta que metia mais chifre no marido do tudo e agora, estava grávida do segundo filho sem nem ter certeza se era dele ou dos outros três amantes. A única diferença delas para mim é que eu não tinha vergonha do que fazia, eu não era comprometida e não transava sem camisinha. Eu tenho amor a minha saúde. Estou com todos os exames em dia, então, porque não me divertir um pouco. Eu era danada, mas tinha consciência, então nada de transar sem camisinha e nem sair com caras casados. E cidade pequena era bom por causa disso. Eu sabia quem era casado e quem não era e sempre evitei confusão desnecessária.

Antes de sair da loja Alice insistiu que eu fosse sua madrinha de casamento, mas eu sinceramente não queria participar. Amava festas, porém estava começando a me sentir mal. Os rapazes me olhavam como se eu fosse um pedaço de carne no açougue, falavam comigo como se eu fosse prostituta e isso me fazia sentir que estava mais longe de uma vidinha comum. Pela primeira vez comecei a sentir o verdadeiro peso de minhas atitudes quando mais jovem.

Tudo o que eu queria era ser feliz, encontrar um cara legal que me amasse do jeito que eu sou, sem se incomodar com o meu passado. Será que era tão difícil de entender que eu respeito a pessoa com quem eu me relaciono?

É claro que ela insistiu, e eu não pude negar aquele olhar de cachorro sem dono.

Fomos direto para frente da loja e Alice olhou para os lados como se procurasse alguma coisa. Paula ajeitava a bolsa no ombro e também sem entender olhava para os lados.

Cruzei os braços contra o peito e bufei ao notar uma figura apressada vindo em nossa direção. Josh lançou um sorriso aos nos ver. Ele era alto, magrelo, não tinha muitos músculos. Cabelos e olhos castanhos.

Eu sempre digo a Alice que seu futuro marido não vai demorar para virar um balofo, já que morre de preguiça de se exercitar. Sem contar que era um cara completamente brega. Ele estava usando calça jeans azul claro hiper apertado, dava para ver a marca das bolas dele na calça, meias marrons, porque dava para ver que a barra da calça estava meio levantada, o tênis era branco. Para piorar, usava uma camisa listrada amarela com uma outra camisa de manga comprida amarrada na cintura, vermelha e xadrez.

— Olá meninas! Baconzinho. — falou o renomado noivo, sorrindo com maldade. Olhei de cara feia para ele, queria que entendesse que este apelido já estava me irritando a muito tempo.

— Respeita minha amiga, Josh. — Falou Alice, beijando seus lábios.

— Mas eu respeito. — falou ele com ironia, e eu fingi ignorar, mas a real é que me incomodava muito.

— Vamos embora, eu estou cansada de procurar vestidos. Amanhã será outro dia, e eu quero escolher um vestido lindo.

— Você já é linda, meu amor. — falou Josh esfregando o nariz no dela. Que coisa ridícula, meu Deus.

Cheguei em casa exausta morrendo de fome e louca para tomar banho, perambulamos o dia inteiro e não encontramos nada do bendito vestido e tudo o que eu precisava aquele momento era de um descanso.

Tomei um banho bem quente e demorado, cantei um “Let it go” ou pensei que cantei, enfiei um pijama de moletom e me joguei debaixo das cobertas, estava fazendo um friozinho razoável, liguei a TV e lá estava minha linda Netflix, era hora de por minhas series em dia, até que meu celular começou a “dançar” em cima da mesa de centro. Olhei para a tela do smartphone e a foto do Pedro com seu nome encheu a tela. Pensei em não atender, mas a curiosidade em saber o que o gostosão queria era maior.

— Oi Pedro! — falei toda animada, não era pra menos o cara era muito gostoso. Pelo menos na aparência. Ele era negro, alto, malhado e tinha um charme que deixava as mulheres malucas.

— Oi minha linda. — Eu já sabia o que ele queria só pelas palavras e tom de voz. Ele sempre me chamava de linda quando queria sexo. Não foi a primeira tentativa dele, mas eu estava disposta a mudar de verdade. — Vamos sair hoje? Sacudir as paredes do “Vem cá que te quero”. — Isso era o motel, ele sempre me chamava pra ir, sabia que ser direto comigo era mais fácil. Era isso que me chamava atenção em Pedro, ele era direto e falava sobre suas intenções sem frescura, sem charme. Eu conhecia muito bem a planta do imóvel, e toda vez que a decoração mudava eu sabia, “Vem cá que te quero” era como uma segunda casa eu tinha até um quarto especial por ser cliente frequente. Engraçado é que o dono achava que eu realmente era prostituta de tantas vezes que já passei a noite lá em meus inúmeros encontros.

— Aí, Pedro. Acho que hoje não vai rolar. — Eu adoro fazer um charme. — Tenho muito trabalho pra fazer, e daqui duas semanas vou viajar a trabalho, já tinha dito isso a você.

Eu já sai com Pedro algumas vezes, mas nunca fomos para os finalmente, quando eu transava a adoidado eu gostava de me fazer de difícil para tornar mais interessante a paquera, tanto para mim quanto para os caras com quem eu saia, mas Pedro foi azarado, porque depois de um tempo enrolando para transar com ele, eu realmente decidi mudar o meu jeito, e comecei a sentir que podíamos ter algo a mais. Ele era sincero, bonitão, amigável, gentil, era um sonho de consumo para qualquer mulher em todos os aspectos, e eu estava na esperança de ter um relacionamento mais sério. Ele comentou comigo uma vez que eu estava me fazendo de hiper difícil, mas que gostava do meu jeito. O problema era totalmente ao contrário, eu queria muito mais do que só uma transa e queria que ele entendesse isso. Só não sabia como fazer.

— Ô, Linda. Não faz isso comigo não, vamos... Certeza que você tá doidinha pra balançar aquelas paredes comigo. — Eu tava ficando molhada só de ouvir aquela voz. Pedro era de fato muito gostoso, mas algo me incomodou e me chamou a atenção e eu broxei na hora. Era provável que ele estava no viva-vos pelo eco que as suas palavras soavam através do fone e alguém no fundo me chamou de vadia. Claro que foi baixo, mas eu consegui ouvir.

— Nossa! Está um pouco de barulho aí, onde você está?

— Ah eu tô em casa. É a minha mãe na cozinha, ela veio passar um tempo comigo. — Ouvi mais risadas zombeteiras e abafadas no fundo.

— Entendi. Sério, eu preciso mesmo terminar meus trabalhos. É importante e você sabe. Quem sabe outro dia. — eu estava começando a sentir as lágrimas cair, pois conseguia ouvir os outros rapazes zombar.

— Ô Linda, faz isso não, posso fazer um nheco-nheco gostoso, certeza que vai gostar. — Nheco-nheco? Que diabos é isso?

— Pedro, sabe o que é? É que... ouvi dizer que... eu não queria te magoar, mas seu pau é pequeno, você é lerdo, não mexe nada gostoso e é super fru-fru. Isso é coisa de viado, cara. Então sai do meu pé. Não quero nada com você, e diz aos seus amigos, principalmente ao Josh que ele na cama é igual a uma gazela no cio, geme mais do que mulher, e eu ainda não contei a Alice, Josh, você chora depois de gozar. E seu pé fede a queijo, e olha que não sou a única que mencionei isso. Sorte sua que a Alice resolveu casar virgem, mas não garanto que seu casamento vá durar mais do que a lua de mel. — eu tive que dizer isso porque ninguém mais além de mim e Paula sabia sobre o filho deles.

— Você é uma vadia!

Eu nem sei exatamente quem me xingou, desliguei o telefone antes que ele pudesse me elogiar ainda mais. Eu pisei no calo deles, não sabia o que viria depois, mas ao ouvir seus amigos zombando de mim no fundo da ligação, senti que não era obrigada a ouvir aquilo e depositei toda a minha raiva. Tudo bem, acho que piorei a situação, porque sei muito bem do que o homem é capaz de fazer para humilhar uma mulher, mas eu não estava me importando com isso neste momento. E meu sonho de um dia me casar com o Pedro gostoso foi por água a baixo. A imagem de Pedro que foi construída, foi destruída naquela maldita ligação. Não consegui me conter e chorei horrores, eles conseguiram estragar minha noite.

Eu não via a hora de viajar a trabalho e ficar bem longe dali por um bom tempo.

As semanas voou como eu esperava, tentei ao máximo evitar contato com as pessoas indesejáveis daquela cidade insuportável, principalmente o Pedro e Josh. Pior que, o que eu temia aconteceu. Caiu nos ouvidos da jumentinha chamada Alice. Josh inventou toda uma história para me prejudicar. “Eu tinha dado em cima dele e insinuado que ele devia trair a minha amiga comigo”. Meus Deus! Como foi que um dia eu tive coragem de transar com aquele cara? Queria enfiar minha cabeça dentro da terra igual a um avestruz.

Obvio que ela me ligou me xingando de um monte de coisa, até que eu contei para ela o que aconteceu, porém... ela fingiu que acreditar. Talvez ela não queira estragar seu casamento já que eu era a madrinha, mas tenho certeza que em seu tom de voz ela não acreditou nenhum pouco, mas como não tinha outras pessoas que pudesse ocupar o meu lugar como vela, então suportou.

Graças a Deus meu voou para Nova York era às 10h da manhã e eu estava toda animada. O bom da cidade ser pequena é que o aeroporto era em outra cidade, então eu teria que levantar mais cedo para sair de lá o quanto antes para então pegar o avião. Eu trabalhava, ou melhor, ainda trabalho com comércio de exteriores e teria uma reunião importante com clientes e meu chefe. Estava muito animada, finalmente estava sendo reconhecida. Pela primeira vez na vida que realmente estava focada em meu trabalho e não em homens e festas e isso estava me deixando muito feliz, além de me dar ótimos resultados e aquela viagem além de ser importante para a empresa era importante para minha carreira. Decidi me focar ao máximo.

Meu chefe era outro gostoso, loiro dos cabelos sedosos, alto, magro, um sorriso branco de dentes alinhados. Todas as meninas que eu conhecia se derretiam por ele. Nos dávamos muito bem, e por isso, todo mundo achava que eu dava pro cara, não que eu não tivesse vontade, mas nunca tive coragem de sair com o chefe, colegas de trabalho sim, mas o chefe não. O cara tinha uma voz de locutor de radio e deixava todo mundo melado, acho que até os homens se excitavam com ele, mas eu acreditava que ele era viado, ele tinha um jeito estranho, então, eu tirei essa conclusão, mas não tinha certeza, então guardei a informação para mim.

O chefe gostoso mandou um SMS dizendo que ia chegar um pouco atrasado ao nosso combinado. Passou a noite em claro. Já até imagino por quê. E estava terminando de arrumar as malas. Achei estranha a mensagem porque nosso voo era às 10h, se ele se atrasasse não pegaria o avião, mas quando olhei no relógio ainda eram 7h30. Céus, eu realmente estava ansiosa.

Ok. Eu tinha algumas opções para passar o tempo, já tinha me organizado por inteira e precisava comer alguma coisa. Tinha algumas opções a escolher. Poderia escolher entre pagar supercaro na Casa de Pão de Queijo, ou pagar absurdamente caro em uma lanchonete chique do aeroporto. Cacete! 10 conto em 10 bolinhas de pão de queijo? Ok, se for pra pagar caro, vou numa loja mais chique, pelo menos assim eu tenho desculpa melhor para aceitar o assalto. Entrei em uma cafeteria chamada Bagelstein, cafeteria francesa. Eu nem sei como se pronuncia isso. Paguei absurdamente caro no cappuccino e lanche natural, mas pelo menos era uma loja que talvez valesse mais apena, afinal o atendimento era maravilhoso, o ambiente lindo, com detalhes rústicos e cheio da ambientação francesa, posso me arriscar a dizer que me senti em um pedacinho daquele lindo país. Tomei apenas aquilo mesmo, afinal não estava nadando em dinheiro ainda.

Já havia passado duas horas e nada do poderoso chefão chegar. Bom, ele disse que se atrasaria um pouco. Comecei a vasculhar a bolsa a procura dos relatórios que eu estava projetando, tudo para que a reunião fosse um sucesso. Precisava verificar se tudo ia sair conforme o planejado e quem sabe garantir uma promoção em meu retorno.

A garçonete serviu mais um pouco da bebida como cortesia, agradeci e voltei aos projetos. Na mesa um pouco mais afastada da minha havia sentado quatro rapazes, eu não parei para prestar muita atenção neles, mas sei que eram dois loiros, um moreno e outro negro. Eles conversavam entre eles e sorriam, estavam felizes com alguma coisa, aquela hora da manhã. Bom, eu também estava, eu ia viajar, porém superconcentrada em meus afazeres. Eles conversavam alto, mas não dava pra entender o assunto, sabem quando as pessoas falam ao mesmo tempo e fica aquela salada de palavras que ninguém entende nada, pois é. Eu não resisti e dei algumas espiadas de vez em quando. A conversa estava animada pelo visto, eles gargalhavam e gesticulavam. Um dos loiros estava sentado de costas para mim e aparentava disfarçar sua indignação a respeito do comportamento dos demais.

Não dava para ouvir a conversa, então dei mais algumas espiadas discretas e meus olhos foi de encontro com o outro loiro que estava de frente, ele sorriu pra mim, e eu fiquei sem reação. Ai... Meu... Deus...! O que é aquele sorriso? De onde esse homem veio? Qual mulher abençoada conseguiu parir essa criatura divina? Sossega piriquita! Tudo bem, vamos disfarçar e voltar aos projetos, mas eu já tinha perdido toda a minha concentração, eu estava encantada e curiosa sobre o que eles falavam, mas algo me fez aquietar. As piadas maldosas que vieram à tona de Pedro e seus amigos. Como os rapazes conversavam e riam, além de me olhar de vez em quando eu estava desconfortável com a situação, comecei a colocar na cabeça milhões de abobrinhas e estava crente que eles me conheciam e falavam de mim. Se esse fosse o caso, seria somente mais quatro que adorariam me jogar na cama e fazer o que quisesse, depois me deixariam de escanteio se gabando como se eu fosse qualquer coisa. Juro, aquilo me entristeceu na hora. Eu até pensei em sair dali, mas não sei porque não sai.

Triste e com a cabeça pesada de uma possibilidade que eu não tinha certeza, tentei voltar aos projetos. O problema é que a presença dos quatro estava me incomodando demais, e comecei a sentir as lágrimas querendo aparecer, aquela angustia de ter a possibilidade do meu nome estar na roda em uma outra cidade me entristecia, era como se eu jamais pudesse ser feliz e ter uma vida normal, por causa do passado e que não era nenhum pecado, mas eu fiz as lágrimas voltarem ao lugar e disse a mim mesma. Não! Você não vai chorar, você não os conhece, eles não conhecem você e não, eles não estão falando de você. Me recuso a chorar por causa de macho babaca.

A situação estava tão estranha que eu comecei a arrumar as minhas coisas para sair dali. Quando um garçom me levou uma taça com uma sobremesa. Eu nem sabia exatamente o que era, parecia um banana Split com caramelo e mais algumas coisas, provavelmente era algum doce francês, mas eu não tinha pedido aquilo.

— Moço, desculpe, mas eu não pedi isso. — falei para o garçom antes que ele se afastasse.

— Ah não se preocupe, é cortesia do rapaz da outra mesa. — Eu fiquei sem reação. Como assim?

Olhei para a mesa onde os rapazes estavam e eles empurravam e dava pequenos socos no ombro do cara que estava de costas para mim, enquanto os demais sorriam e olhavam a minha reação de confusão. O rapaz enfiou o rosto na mão que se apoiava sobre o cotovelo em cima da mesa evitando olhar para trás. Pensei que estava com vergonha ou achando a situação bem engraçada. Afinal, pagar uma bebida ou doce para chamar a atenção de uma mulher era um truque muito antigo. Olhei novamente para o garçom e discretamente pedi que ele me trouxesse outra colher. Bom, se eu ganhei o doce eu vou comer. O problema é que o doce era meio grande demais para a minha fome no momento e com toda a certeza do mundo eu não comeria tudo.

Lancei alguns olhares novamente para a mesa dos rapazes, e percebi que estava caçoando do que estava de costas para mim. Depois de muito relutar contra o grupo ele virou o rosto um pouco e me encarou, seu rosto estava vermelho pimentão e eu estava quase certa que estava morrendo de vergonha, não era atoa que os demais estavam gargalhando. Eu lancei um sorriso e disse um “obrigado” mudo e ele retribuiu sorrindo, eu também me divertia com a situação. Desculpe, mas nunca tinha passado por isso, e era engraçado.

O garçom voltou com a colher, lancei mais um olhar para o tímido rapaz e ele ainda me olhava de esguelha tentando esconder o rosto com a mão. Achei a situação muito fofa e não pude evitar de sorrir, percebi que ele também sorriu, então empurrei com o pé a cadeira que estava ao meu lado em minha mesa e indiquei com a cabeça e olhar para que ele viesse se sentar comigo.

Os amigos sorriram e empurraram ele para fora da cadeira com olhares vitoriosos e sem pressa o rapaz se levantou ficando ainda mais vermelho e se direcionou em minha direção.

Puta... que... pariu... Quem foi a mulher que projetou esses caras? Olhando ele novamente, percebi que era mais bonito do que o primeiro loiro que eu vi. Ai caramba! A mãe desse cara merece um trono no céu pelo maravilhoso trabalho. Ele parecia aqueles modelos dos comerciais de perfume francês que desejamos conhecer, mas sempre acreditamos que é puro photoshop. Pois é, o cara era um deus. Ele era bem alto, os cabelos loiros e curtos, olhos azuis, lábios pouco carnudos o sorriso Colgate igual as dos comerciais. Ele usava roupa social sem o paletó e gravata. Era incrivelmente bonito. Ele se sentou na cadeira que eu indiquei e disse um oi muito sutil e que voz era aquela. Ai céus... Se comporta piriquita. Agora não é hora disso!

— Você não achou que eu ia conseguir comer isso sozinha, né? — lhe entreguei a colher que pedi ao garçom. Peguei a outra que vinha junto com o prato do doce e comecei a beliscar, ele fez o mesmo.

— Espero que seja de seu agrado. — Ele disse tirando um pedaço. — É o meu preferido.

— Desculpa, eu não sou tão chique quanto você. Não precisa ser formal comigo.

— Não estou sendo formal. — ele franziu o cenho achando estranho meu comentário.

— “Que seja de seu agrado”. Isso pra mim soa muito formal. — Eu disse sorrindo para não parecer que estava sendo antipática, só queria mostrar que não precisava bancar o príncipe encantado comigo.

— Ok. Perdão, ou melhor... Desculpa. Sou Erick, Erick Robson. — Ele lançou um sorriso novamente e tudo que eu conseguia prestar atenção era naquele maravilhoso dentes perfeitos.

— Ana. Ana Lucia. 

23 de Junio de 2018 a las 00:44 0 Reporte Insertar 2
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