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hozuki hozuki

{sooxing + shortfic + repostagem} Zhang Yixing, no auge da sua adolescência, conhece Do Kyungsoo, um mecânico nada convencional e cheio dos charmes para cima de si. Em meio aos conflitos comuns da juventude e o descobrimento de uma traição, Kyungsoo seria capaz de fisgar o peixão que era aquele chinês?


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18. © Fanfiction postada originalmente no Spirit Fanfics

#drama #comédia #exo #smut #sexing #sooxing #laysoo #mençãochanhun #mençãoxiuhan #mençãotaesoo
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Sobre cantadas, ex-namorados e beijos não dados

1.

 

Sabe aquele clichê de pessoas de cidades pequenas, que sempre desejam fugir delas e correr para a capital, viverem seus sonhos juvenis? Bom, não me enquadro nesse padrão, na verdade. E desde que me mudei para essa cidade pequena, penso que viveria aqui por toda uma eternidade. É um lugar pacato, com seus quinze mil habitantes, há apenas alguns quilômetros do litoral. Tem um frescor inigualável, uma leveza que é impossível de se encontrar nas capitais — e digo por experiência própria, obviamente.

Há somente um colégio na região, juntamente com um par de avenidas principais que movimentam o comércio local, servindo de abrigo para  universitários na maior parte do tempo. Não nasci nesta beldade de lugar, sou fruto da cidade grande, daquela selva de concreto que muitos aqui almejam. Um lugar deprimente, sinceramente. Ninguém conhece ninguém. É algo incrível como, onde estou, conheço as muitas faces que vejo todos os dias. Chega a ser reconfortante, na menor das hipóteses.

— Ouvi dizer que o primo de Baekhyun mudou para cá... — Jongin murmurou em seu tom entediado, folheando aquele mangá que com certeza já havia lido dezenas de vezes.

— Coisa boa é que não é. — Respondi, enquanto balançava os pés do lado de fora da janela.

Byun Baekhyun era um cara um tanto quanto peculiar, diga-se de passagem. Diziam até que ele tinha ficha na polícia — e eu não duvidava nada daqueles boatos. Era animado demais, porém tinha aquela aura ameaçadora sobre si, coisa que caia muito bem naquele conjunto dark dele de ser — com piercing nos lábios, roupas pretas e coturnos. Já ouvi chamarem-no de vampiro, aliás. O que não mudava o fato de que o cara era gente boa, na maioria das vezes. Um ótimo fornecedor, diga-se de passagem.

O primo não podia ser muito diferente.

E voltando às minhas reflexões sobre minha cidade, posso afirmar que sou feliz aqui. Posso pegar minha bike e em poucos minutos chegar ao cobertor de areia, podendo desfrutar da brisa noturna do mar. Era uma sensação acolhedora, algo que raramente era encontrado na capital de onde vim. A sensação da liberdade era inigualável, não temia me perder em nenhum beco ou viela, porque já conhecia todas aquelas ruas de cor e salteado.

Conheci Kim Jongin apenas uns dias após me mudar, dez anos atrás. Ele era um pirralho introvertido, tímido à beça e um tanto quanto ranzinza. Nossas mães tornaram-se amigas, assim como nossos pais e, consequentemente, nós dois. A senhora Kim faz a melhor torta de maçã que já experimentei — Nini sente ciúmes quando digo isso a ela. Nossa amizade é daquelas em que, até mesmo nos piores dias, conseguimos nos divertir, seja olhando um para a cara do outro e rindo ou fazendo alguma besteira típica de adolescentes desocupados.

O Ensino Superior é algo além das expectativas. É óbvio que rola uns clichês norte-americanos vez ou outra, só que é o seguinte: ou você mata — as matérias, claro —, ou morre. O primeiro ano — aquele no qual eu estranhamente estava — me enganou somente nas primeiras duas semanas. Por algum motivo além da razão, optei pelo curso de Engenharia da Computação. Oras, sempre fui bom em exatas, e minha paixão por tecnologia apenas ressaltou ainda mais meu interesse naquela área. Deu boa? Ainda não tenho certeza, porém seguimos.

Aliás, além da computação, dançar é o outro amor da minha vida. Posso alimentar meu próprio ego e dizer que sou bom no que faço? Posso. Praticar aquela arte estava muito além de um exercício físico diário para queimar calorias e manter um corpo em forma. Era a minha maneira de sair do estresse cotidiano gerado pela Universidade.

E, por fim — não exatamente fim —, temos Oh Sehun.

O nome do cara chega a causar arrepios nas garotas — e garotos. Sempre existe aquele menino popularzinho, cheio de carisma, crushado por todos. E Sehun é exatamente esse cara. Não que as pessoas tenham uma visão errada sobre ele, muito pelo contrário, o desgraçado é uma pessoa boa, no geral. Não havia um único defeito naquele maldito homem; seja na aparência, seja na personalidade — ou eu ao menos julgava não ter, afinal, o amor costumava deixar as pessoas cegas, não é? É meu namorado, óbvio.

Jongin costumava brincar, dizendo que pareço a ladyzinha dos filmes americanos, aquela que namora o macho popular do colégio. Em horas assim ele leva alguns tapas, consequentemente. Essa relação tem pouco mais de um ano, nos conhecemos no clube de dança. Sehun dança bem, e bem ainda é pouco. É como se seu corpo houvesse sido feito exclusivamente para tal coisa. Um pecado ambulante, ninguém estava são e salvo quando o desgraçado resolvia colocar todo seu empenho em alguma coreografia absurdamente sensual.

Quando o apresentei à minha mãe, semanas após começarmos o namoro, pensei nas piores coisas possíveis, cogitando até mesmo ser expulso de casa. Porque, vejam só: a questão da sexualidade já é uma coisa complicada por si só — não que me rotule como homossexual, até porque, evito rótulos —, agora, imagine para minha mãe? A bomba foi que, de certa forma, ela aceitou e praticamente adotou aquele merdinha como filho, às vezes tratando-o melhor do que a mim, seu amado filho único.

Sehun não é só beleza e sedução, quando meu pai veio a falecer, meses atrás, foi meu maior suporte. Ainda dói chegar em casa e não encontrar mais o velho vendo TV e comendo amendoim, mas há coisas na vida que não duram para sempre, incluindo ela mesma. E, acho que ele tenha tido uma vida boa, principalmente após virmos morar por essas bandas.

E tratando-se da parte sexual da relação, simplesmente não há do que reclamar. Oh beija bem, e fode muito bem. É um pervertido, na verdade. Porém, não há nenhuma objeção contra tal coisa.

— Nos vemos amanhã, Xing — Nini falou, deixando aquele selar carinhoso sobre minha testa, antes de pegar sua mochila e arrastar-se para fora do meu quarto. Ainda ouvi-o conversar com minha mãe, antes de sair.

. . .

Embora eu fosse pró-positividade full time, haviam dias que as coisas simplesmente não aconteciam da mesma maneira.

Como naquela segunda, por exemplo.

Não que eu tenha aqueles sentimentos de ódio infundado pelas segundas, é apenas mais um dia qualquer na semana, coisa inevitável. Mas naquele dia, as coisas não estavam legais. Na verdade, estavam péssimas. Além de descobrir que o pneu da bike estava furado, havia metido as chaves do carro em algum lugar e não conseguia encontrá-las em lugar nenhum. Ir a pé para a Universidade é uma caminhada e tanto, principalmente quando minha mãe não está para dar uma carona. E correr às 8 horas da manhã, não era lá minha atividade física favorita, assim como chegar atrasado na aula de Fundamentos da Programação I.

Até aí, as coisas estavam ótimas, ao meu ver. Talvez não fosse lá um dia maravilhoso, onde haveriam dois períodos de FDP I, seguidos por dois de Cálculo Integral — vale ressaltar que nutro um pequeno ódio pelo professor de cálculo e seu péssimo hábito de não disfarçar o quanto cobiça as alunas. Seriam apenas algumas horas ruins, coisa que logo sumiria quando me encontrasse com Sehun e por fim, matássemos pelo menos duas aulas trocando saliva no vestiário.

Mas óbvio, nunca dá para se pensar que não há como piorar.

Havia Sehun.

Havia Chanyeol.

Haviam mãos, beijos e coisas bem além disso.

Talvez tenha sido uma cena um tanto quanto traumatizante. Digo, entrar na enfermaria em busca de um bandaid e encontrar o namorado praticamente transando com o quarterback do time de futebol americano da Universidade. Minha aversão por Park Filho da Puta Chanyeol talvez tenha aumentado ainda mais naquele instante. Quer dizer, que merda estava acontecendo?

Ou seja, agora não havia mais Sehun. Puta que me pariu, o que é que estava acontecendo ali?

Fechei sutilmente a porta da enfermaria e fingi que não havia visto nada — poderia ser só uma alucinação da mente cansada de um universitário, não é? Quando Jongin perguntou-me se estava tudo bem, apenas assenti. Veja só, não é todo dia que se encontra seu namorado o traindo assim, com um playboyzinho de merda como era Park Chanyeol. Na verdade, não dava para acreditar em uma situação como aquela. Surreal demais, amigos. Não parecia condizer em nada com a realidade. Porra.

Na teoria, eu deveria meter-me em um banheiro e chorar até desidratar e virar pó de macarrão instantâneo. No entanto, convenhamos que desde sempre nunca fui lá alguém normal. Não havia dor, na real. Só havia... nada. Um nada muito grande. Tão grande quanto minha vontade de que o dia acabasse logo. Tão grande quanto a vontade de voltar naquela enfermaria e enfiar o soco na cara daqueles dois filhos da puta.

E não poupei de inventar uma mentira descarada para não aparecer no treino aquele dia. Aproveitando o fluxo da desgraça, fui a pé, embaixo da garoa fina até o restaurante da minha mãe, onde eu fazia aquele famigerado bico. Tirei o casaco molhado, joguei a mochila embaixo do balcão e vesti o avental, lotando minha cabeça com os pedidos dos universitários e senhoras que costumavam passar a tarde lá. Mamãe ainda foi gentil o suficiente para ir embora antes, me deixando sozinho para fechar o restaurante e sem carona — provavelmente achando que eu estaria com a bike, como de costume. Não que fosse um lugar perigoso, muito pelo contrário, os índices de segurança pública da cidade eram ótimos. Entretanto...

Agora, lá estava a minha pessoa, trancando as portas e suspirando como um velho com problemas na coluna — o que não chegava a ser mentira naquela altura do campeonato, o dia havia sido exaustivo. Uma caminhada de meia hora até em casa, na playlist mais bad que o Spotify poderia propor, naquela garoa maligna. Esse era meu plano, até aquela criatura demoníaca enviada diretamente das profundezas do sétimo inferno gelado aparecer.

— Hey, Xing! Jongin me disse que você não estava bem... — Sehun falou, naquele tom tão natural e despreocupado de si. Acho que a indignação na minha face não havia sido o suficiente para ele entender que as coisas não estavam nada bem para mim. Quer dizer, um cego teria notado que ele tinha tomado uma péssima decisão.

Ri, irônico, checando se a porta da frente estava bem fechada antes de dar as costas e dar dois passos, antes de ser interceptado novamente.

— Hey, amor. Aconteceu alguma coisa?

Talvez ânsia tenha sido a menor das minhas reações naquele instante. Respirei fundo e fechei os olhos, porque chilique não era comigo. Todavia, sempre havia uma primeira vez para tudo, não é?

— Ah, vai se foder, Sehun! Volte para a enfermaria e empine essa bunda enorme para o Chanyeol que você ganha mais. — Não era a minha intenção ofender a bunda magnifica dele, mas acabou saindo. A julgar pela cara de bosta que ele fez, não estava esperando ser descoberto assim, muito menos que eu gritasse, coisa que não era do meu feitio. — Puta que pariu, que merda você tem na cabeça?! Me diz, porra! Olha a bosta que você fez, mano! Você me traiu, Sehun!

E como não houve resposta, coisa que obviamente não seria necessária, continuei meu caminho por mais dois passos, até sentir seus dedos prenderem meu antebraço. Sabe, minha mãe fazia yoga e me ensinou algumas coisas bem úteis para manter a calma e não assassinar ninguém em um momento de ódio, coisa que estava sendo bem útil ali. O que não significava que aquilo duraria para sempre, no entanto.

— Xing... eu posso explicar...

— Explicar o que? O quão bom é transar na enfermaria? Não precisa me dizer, Sehun. Até porque convenhamos, já fizemos isso lá. — Cortei, puxando meu braço e agradecendo que a rua estava deserta àquela hora. — Amanhã devolvo suas coisas, agora siga o rumo para o inferno, por favor. — Apontei para a direção onde levava à sua casa.

Deveria ter lembrado que Sehun é ariano e que nada de bom surge quando se irrita arianos. Porém, mesmo após ele tornar a me puxar, desta vez nem tão carinhoso, as coisas não passaram dos limites.

— Ow, ow, ow... É falta de educação puxar as pessoas assim, garoto. — Passado aquele pequeno furacão, percebi que Sehun estava alguns metros afastado, e que tinha um cara com a mão espalmada no peito dele. O homem não era lá muito alto, considerando que tínhamos uma altura semelhante, contrastando com o poste fodido que Sehun é. — Por que você não vai para casa, hm? É perigoso ficar andando na rua por essas horas... — O timbre rouco parecia ameaçador demais, coisa que me fez ficar arrepiado. E Sehun não parecia nada feliz, na verdade, aquela situação conseguiu arrancar um sorriso vingativo dos meus lábios.

— Também é perigoso se meter nos assuntos dos outros, cara. — Sehun rebateu ao estranho, que riu baixo, de uma maneira sombria demais. E puta merda, aquilo deu medo.

— Realmente, garoto. Mas já havia prometido carona ao china aqui, seria falta de educação a minha não interferir. — E, desta vez, Sehun arqueou as sobrancelhas e me encarou com todo o ódio que aquela criatura de bunda grande poderia ter. E eu lá conhecia aquele maluco? — O carro está ali, pode entrar. — O estranho gesticulou, para o outro lado da rua.

Convenhamos que não é nada inteligente da minha parte entrar no veículo de um desconhecido. Entretanto, naquele instante, eu estava dando tudo para ver Sehun continuar com aquela cara de cu. Aproveitei para mostrar o dedo médio, enquanto atravessava a rua e entrava no carro que estava estacionado em frente à oficina de que tinha em frente ao restaurante. E entrei no veículo, sentando no banco do passageiro. Não demorou muito para Sehun ir embora e o cara entrar no carro também.

Okay.

Tudo bem.

Tudo ótimo.

Era bizarro demais estar em um carro com um homem estranho, mesmo que o desgraçado fosse lindo pra caralho. Quer dizer, ele vestia-se como um arruaceiro e tinha um carro antigo — vale ressaltar que tenho uma queda por modelos mais velhos —, mas tinha a maior pinta de ser bandidão. Puta que pariu. Disfarçadamente, peguei meu celular e digitei o 190. Apenas por precaução, uma pessoa precavida vale por duas, não é mesmo?

— Desculpe interferir assim, mas saquei que ele tava’ forçando à barra. — Desta vez, ele sorriu de um jeito suave, falando em tom tranquilo, sem um pingo do deboche de antes. Putz, que homão.

— Bom... obrigado, acho. — Falei, ficando o mais perto possível da porta, caso fosse necessário sair correndo ou algo do gênero. O cara riu, um som bonito demais para meu gosto, exibindo os dentinhos branquinhos e alinhados.

— Me chamo Do Kyungsoo, aliás. Trabalho na oficina, tava’ saindo quando ouvi a discussão. — Apresentou-se, dando partida no carro.

E então eu saquei e fiquei boquiaberto. Era o cretino que tinha me mandando uma cantata através do guardanapo semana passada. Tinha vários memes salvos no celular para uma ocasião como aquela, porém só fiquei encarando-o por longos segundos. Era um stalker, só podia ser. Não dava mais para confiar em um rostinho bonito, sinceramente. E, mano, de onde é que ele tinha tirado uma cantada tão ruim como aquela? Caralho.

— Não vou de estuprar nem nada, garoto. Só te vi em uma encrenca e, mesmo não crendo em Deus, acho que seria um pecado deixá-lo com um babaca daqueles. — E ele riu, provavelmente notando o pânico estampado no meu rosto abatido pelo ódio e pelo cansaço.

Acabei por suspirar, dando os ombros e me sentando de maneira correta no banco. Kyungsoo tinha ido semana passada no restaurante, e não vou negar, fiquei olhando sim o cretino. O cara é bonito e porra, lançava cada sorriso que era difícil de lidar. Antes de sair, após pagar a conta, deixou uma cantadinha escrota em um guardanapo e me entregou. Ri, muito.

— Zhang Yixing. E obrigado por... ajudar. — Murmurei, fazendo-o sorrir mais uma vez e me lançar uma piscadinha cúmplice.

— Que nada, amor. Então, vai me dizer onde mora ou prefere ir para minha casa?

Really nigga?

E quando ele gargalhou, tive certeza que estava mesmo com a cara de "puta merda vai se foder caralho liga pra polícia". O que dizer desse mecânico que mal conheço e já está fazendo piadinha comigo? Tenho certeza que a sua sugestão não era  brincadeira. Quer dizer, pô, acabei de mandar meu namorado para puta que pariu, junto com o merda do Chanyeol, entrei no carro de um estranho e ainda descubro que o mesmo é um pervertido que manda cantadas bizarras e que é lindo pra porra. Chupa essa, clichês norte-americanos. Quer uma reviravolta como essa? Não? Pois bem, eu também não queria.

— Na entrada para o litoral, dois quilômetros daqui. — Respondi, colocando o cinto e mantendo-me à uma distância segura dele.

— Okay, vamos lá.

Kyungsoo não parecia tão ameaçador, na verdade. Era engraçado, mesmo que ainda houvesse aquela aura assustadora sobre si. Era possível ver algumas tatuagens saindo dos seus braços e pescoço, que eram cobertas pelas mangas da camisa que ele usava. Jesus Cristo, não tenho nenhum gosto definido para homens, só que me amarro num vagabundo com cara de ex presidiário como aquele.

— Faz só algumas semanas que me mudei, vim morar com meu primo, para ajudar a gerenciar a oficina. — Comentou, enquanto tentava aliviar aquele clima bizarro dentro do carro. Ele era aparentemente um cara legal, embora o risco dele ser um psicopata ainda fosse grande. Pelo menos era engraçado, e um tanto quanto idiota.

— É uma cidade legal, fez uma boa escolha. — Murmurei, olhando-o de soslaio, até porque, não queria parecer obcecado por seu rosto bonito demais.

— Na real, não foi escolha minha. — E torceu o nariz, prestando atenção enquanto fazia aquela curva perigosa, próxima à minha casa. — Baekhyun praticamente me obrigou a vir morar com ele.

Ih, fodeu. Ligando os pontinhos agora e assemelhando os dois, consegui perceber que já era hora de ligar para a polícia. Porque Byun Baekhyun cheirava à confusão e Do Kyungsoo não era lá muito diferente, ao meu ponto de vista. Porra, farinha do mesmo saco. O Byun já era meio perturbado das ideias, o que é que aquele primo dele poderia ser? Será que manjava dos tráficos também? Ou trabalhava com coisas mais pesadas tipo assassinato? Deus me ajude.

— Não me olhe assim! O Baekkie é um pouco problemático, mas é um cara legal. — E riu, me fazendo arquear a sobrancelhas. O que não era mentira, mesmo, Baekhyun é um cara legal, só meio... perturbador. — Bom, chegamos. E você não precisou ligar para os tiras. — Falou, debochado, ao estacionar em frente à minha casa.

— A vontade é grande, admito. — Respondi, tirando o cinto. Mordi os lábios. Pô, era falta de educação da minha parte tratar mal o cara que me livrou de Sehun, mas esse mesmo cara também poderia ser um serial killer ou coisa do gênero, sem contar que tinha o mesmo sangue que Byun Baekhyun em suas veias. — Obrigado, por agora a pouco e pela carona... sério mesmo, Sehun poderia ir parar no hospital e eu em cana se ele continuasse a me encher.

Kyungsoo riu, de um jeito gostosinho de se ouvir, lambendo aqueles lábios lindinhos após terminar. Amigo, não faça isso novamente, por gentileza.

— Já falei que não foi nada, bebê... — Falou, sorrindo de um jeito nada seguro para minha sanidade. — Mas pode me retribuir com um beijo, estou aceitando. — E, naquele instante, saquei que Kyungsoo era um bosta. Precisei revirar os olhos e suspirei, ele e o primo obviamente tinham muitas coisas em comum. — Ou... podemos sair em um encontro. — Sugeriu, me lançando um sorrisinho sacana.

— Vou pensar no seu caso. — Murmurei, dando os ombros, abrindo a porta do carro e saindo, mas colocando a cabeça para dentro novamente pouco depois. — Na verdade, pode vir almoçar amanhã lá no restaurante, vou conseguir me defender caso tente alguma gracinha. — E ele riu novamente, umedecendo os lábios com a pontinha da língua, coisa que só podia ser um hábito muito cruel.

— Nos vemos amanhã então, gatinho.

. . .

Quando entrei em casa, naquela noite, mamãe não estava, mas tinha deixado aquele bilhetinho dizendo que estaria na casa da senhora Wu e que não tinha hora para voltar. Uma coisa bem interessante sobre a minha vida, é que minha mãe tem uma vida social bem melhor do que a minha, aliás. Não podia julgá-la, até porque, ela fazia mais do que certo em sair para se divertir com as amigas.

Mas estar sozinho, era uma coisa boa. O silêncio dos cômodos, a escuridão parcial de tudo, aquele vazio que mostrava o quanto doía ter um membro à menos da família. Comecei a chorar antes mesmo de terminar de trancar a porta e, ao chegar no quarto, meu rosto já estava molhado, assim como sentia o nariz escorrer.

Se, nada de toda aquela bosta não houvesse acontecido, provavelmente Sehun estaria aqui. Estaríamos no sofá, trocando uns amassos, iriamos para o quarto em meio aos tropeços e transaríamos no chão mesmo, de tão afobados. No dia seguinte, ele levantaria cedo e todo manhoso, iria pedir por comida. E no fim, iriamos para a Universidade, de mãos dadas, como vínhamos fazendo no último ano.

O que dói, mesmo, é não entender o motivo disso. Estava me considerando um bom namorado, de verdade. Nunca sequer cogitei trair Sehun, até mesmo quando recebi aquela cantada bizarra de Kyungsoo. Porém, ele fez aquilo parecer tão fácil, tão natural, como se não fosse a primeira vez. O mesmo sorriso que me direcionava, quando estávamos brincando um com o outro, era o que lançava para Chanyeol com tanta facilidade.

E agora, olhando-me no espelho às 7 horas da manhã, percebo o quão deprimente é minha situação agora. Poderia ser pior, claro, mas meus olhos já são minúsculos, e estar com eles inchados torna isso ainda mais ridículo. Ainda chovia lá fora, o que cortava minhas esperanças de usar a bike hoje e diminuía a minha vontade de dirigir. Após tomar banho e chorar mais um pouquinho, como se ainda houvesse água o suficiente no meu corpo para isso, mandei uma mensagem para Jongin, pedindo carona.

 

[07:12] layixing: Nini, preciso de uma carona.
[07:16] jonginho: Ainda nem sai da cama, lek.
[07:16] jonginho: Me dê 15 minutos e já chego aí.
[07:16] layixing: Feshow.

 

Quando desci para a cozinha, em busca de um gole de café, lidei com a enxurrada de perguntas vindas da mamãe, questionando-me sobre o motivo da minha cara de merda, se eu estava bem, se tinha comido e dormido direito, se estava com dor de barriga ou qualquer outra coisa.

—Terminei com Sehun, só isso. — Murmurei, bebericando o café recém-saído da cafeteira.

— Oh, bebê... E por quê? Achei que gostasse dele...— A dona Meixing é carinhosa demais, para meu gosto. Porém, sempre fui uma criança carente e mesmo com quase 19 anos na fuça, era sempre bom ser abraçado e apertado por ela.

Foi inevitável o choro, porque me sentia como uma garota na TPM em que, apenas ao ver uma formiguinha morrer, já é a causa dos meus prantos — é claro que a TPM é uma situação muito mais complexa, mas é a única analogia que realmente se encaixa aqui. Agarrei-me à minha mãe como se meu mundo inteiro estivesse ali, voltando a chorar como na noite passada, ouvindo suas palavras carinhosas e me afundando nos seus chamegos. Não notei quando Jongin chegou, no entanto, quando mamãe se afastou, o senti se aproximar e me abraçar, cheirando àquela sua colônia gostosa demais e deixando alguns selares por todo meu rosto, passando as pontinhas dos dedos por minhas bochechas.

— Hey, Xing... não acha melhor ficar em casa hoje? Posso pegar as anotações com seus colegas de classe e te entrego depois... — Nini perguntou, naquele tom suave e baixinho, me fazendo fungar e negar.

— Não vou ficar em casa e chorar até virar uma uva passa. — Murmurei, encontrando minha bolsa em um canto do corredor e indo pegá-la, enquanto ouvia um suspiro vindo do moreno.

— Me ligue se precisar ir embora mais cedo, bebê. — Mamãe falou, abraçando-me mais um pouquinho e deixando dois selares no meu rosto, um em cada bochecha. — Não precisa aparecer no restaurante hoje, okay? Venha para casa e descanse, vou fazer seu prato favorito hoje à noite.

Jongin despediu-se de mamãe e jogou seu braço sobre meus ombros, enquanto andávamos sob à garoa até seu carro. Já lá dentro, ajeitei-me no banco do passageiro, colocando o cinto e encolhendo-me no calor agradável do veículo.

— Quer conversar sobre isso, Xing? Cheguei na hora do terminei com Sehun... — Delicadeza era uma das qualidades de Jongin, porque ele esperou alguns minutos para abrir a boca. Acabei por suspirar, embaçando um pouco mais o vidro da janela.

— Ele estava me traindo com Chanyeol. — Falei, cuspindo as palavras. E Jongin quase bateu o carro. Jesus, eu estava na merda mas não queria morrer tão cedo assim.

— Tá' falando sério? Com Chanyeol? Tem certeza? — Ele estacionou no estacionamento da Universidade, me encarando de boca aberta. Assenti, dando os ombros e suspirando. — Não acredito nisso... como ficou sabendo?

— Fui buscar um bandaid na enfermaria, quando cortei o dedo naquela hora... eles estavam transando lá, ou quase isso... — Contei, tirando o cinto. Jongin me olhava pasmo, provavelmente com a mesma cara que fiquei quando vi a cena. Nojo.

 Filho da puta. — Xingou e, não era nada legal ver Kim Jongin puto. — Acho que precisamos raspar as sobrancelhas dele, só acho.

E imaginar Oh Sehun sem sobrancelhas causou uma crise incontrolável de risadas em dois jovens que já estavam relativamente atrasados para as suas respectivas aulas. Ri até meu estômago começar a doer e minhas bochechas arderem. Jongin parecia uma foca, dando tapas na própria coxa e tentando ficar quieto; um fato muito curioso é que aquela peste tornava tudo mais engraçado quando começava a rir, era escandaloso demais.

— Acho que ele precisa ir pra’ puta que pariu, junto com aquele orelhudo escroto. — Suspirei, após recuperar um pouco do ar dos pulmões. Jongin riu, desta vez de maneira compreensiva.

— Você vai superar isso, Xing. Tem uma penca de gente que te crusha nesse campus, já jáseu coraçãozinho libriano se apaixona por alguém. — Nini deixou um selar na minha bochecha, antes de sairmos do carro.

— Ih, Jongin! Nem começa. Pretendo manter-me em uma posição assexual depois desse trauma. — Fechei a porta do passageiro após sair, pendurando a mochila em um dos ombros. — Se você não fosse capricorniano, poderíamos nos casar. — Provoquei, vendo-o me lançar aquele olhar indignado, pondo a mão no peito, todo dramático.

— Zhang Yixing! Você sabe muito bem que sou completamente diferente de todos os capricornianos existentes nesse mundo! Toda regra tem sua exceção e eu sou uma! Sou um amorzinho e não dou patada em ninguém! — Argumentou, em tom fingido de ofensa, me fazendo rir, todo falso.

— Nini, por favor, quem não te conhece que te compre. Você acorda pistola todos os dias e se comunica através de patadas. É um milagre que ainda sejamos amigos — Retruquei, vendo-o revirar os olhos e seguir em frente.

É claro, entrei atrasado na primeira aula do dia, porém o professor apenas me encarou por de trás daqueles óculos redondos, mandando-me sentar e não atrapalhar a turma. Bom, o dia seria longo.

. . .

Fico perguntando-me o que caralhos eu fiz para ter que aguentar toda essa merda. Sehun fazia questão de estar em todos os cantos, e puta que pariu, minha vontade era de socar a cara desse merda, arrastá-la pelo asfalto e depois encher de beijinhos para ele melhorar — porque sou um trouxa que ama esse merda, mesmo ele sendo um canalha. Estava precisando urgentemente de uma consulta com algum psiquiatra porque aquilo não podia ser normal, minha gente.

Evitei o clube de dança pelo segundo dia consecutivo e o treinador provavelmente devoraria minha alma quando voltasse para lá. Jongin deu uma desculpa esfarrapada para ir embora junto comigo e, enquanto íamos para casa, obriguei-o a parar em frente à uma farmácia. Nini ficou me enchendo de perguntas enquanto passeávamos pelos corredores, ficando quieto quando chegamos na sessão de cosméticos. Aparentemente ele também quis entrar nessa brincadeira, e quando olhei o que tinha em suas mãos, ele simplesmente deu os ombros e me seguiu para o caixa.

— Tem certeza que sabe fazer isso, Yixing? E se eu acabar careca? Juro que arranco seu pau fora e te fodo com ele. — Era a terceira vez em menos de dois minutos que Jongin reclamava e duvidava dos meus dotes em cuidar de cabelos. Revirei os olhos, segurando a vontade de enfiar a água oxigenada goela abaixo dele.

— Sim, Jongin, eu sei o que estou fazendo. Então cala a boca e fica quieto. — Respondi, terminando de preparar a mistura para descolorir seus cabelos, enquanto deixava o descolorante agir sobre o meu. O maldito soltou um risinho debochado e, quando olhei novamente em sua direção, a câmera de seu celular estava apontada em minha direção. — Você tá' muito fodido na minha mão se mandar isso pra' alguém, Jongin.

A tarde passou naquele ritmo devagarinho e tranquilo, Jongin fazendo piadinhas toscas sobre o meu cabelo e reclamando que sentia a cabeça coçar por causa do descolorante. E acho que eu merecia um diploma por ouvir as reclamações de Kim Jongin. Era um inferno, um saco e minha vontade de matá-lo sufocado com uma sacola plástica era enorme. No entanto, valia a pena, porque era o humor bizarro dele que me fazia rir e não pensar no que poderia estar fazendo com o bosta do Sehun naquele instante.

Nini queria deixar o cabelo em um tom meio apagado de rosa e depois de muito trabalho, descoloração, paciência e uma tarde inteira, consegui realizar tal feito. Era impossível deixar aquele filho da puta mais lindo do que ele já era, entretanto, consegui tal proeza e acho que deveria receber mais um diploma, por tal ato. Ele ficou encarando-se no espelho, brincando com as madeixas rosadas. Porra, aquilo tinha ficado lindo demais nele. Alguém, por gentileza, coloca esse pau no cu como capa da Vogue logo.

Já sobre mim, deixei meu cabelo em um tom loiro, bem clarinho, de maneira que fizesse um conjunto bacana e bonitinho com a pele de porcelana que os genes dos meus pais me deram. E vocês acham que ser bonito é fácil? Não, galerinha, não é nada fácil não. A beleza natural precisa ser cultivada sempre que possível, para que não se transforme me uma mesmice sem graça mais tarde.

— Me diz, Nini. Por que rosa? É bem chamativo, e porra, você já é chamativo por natureza. — Perguntei, enquanto estávamos jogados na minha cama, fitando o teto.

— Para chamar a atenção do crush. — Confessou, em tom baixo, me fazendo rir.

— Ai, Jongin, me poupe. Você é o tipo de pessoa que é crushado por todos. Quem é o cara? — Questionei, interessado e ele sabia que não tinha sido uma ideia muito boa abrir o bico, já que obviamente eu o faria falar.

— Yixing... não é bem assim... — Murmurou e suspirando, meio derrotado e meio cansado, mordendo o lábio, daquele jeitinho que sempre fazia quando tinha feito alguma merda e estava com medo de assumir. Gesticulei para que ele continuasse a falar, arqueando as sobrancelhas. Não podia ser tão ruim assim. — É o Baekhyun.

Oh, holy shit.

Retirando meus pensamentos anteriores, era muito ruim sim. Quer dizer, não conhecia Baekhyun tão bem assim à ponto de dizer que era o maior erro da história da humanidade ter um crush nele. Bom, Byun é bonito pra caralho, até dá para entender quem tem uma quedinha por ele, mas o cara exalava perigo, uma coisa que obviamente não fazia bem para meu menino Jonginho. Não que em questões físicas o maloqueiro viesse a ser decepcionante — até porque  não era, e eu tinha a mim mesmo como fonte para aquelas informações.

— Para de me olhar com essa cara de merda, Yixing! Eu sei que é ridículo... — Reclamou e, resmungou a última parte, ficando com um bico nos lábios cheinhos.

E, pensar em Baekhyun me fez pensar que ele tinha um primo.

O que me levou a pensar nesse primo.

E que eu tinha um almoço com esse mesmo cara hoje.

Risos.

— Yixing, agora você está me assustando. — Nini me acordou dos devaneios da vida, mas ainda estava pensando sobre o bolo que dei sem querer em Do Kyungsoo. — Sei que Baekhyun não é a melhor pessoa do mundo para se apaixonar, mas ele...

— Eu entendi, Nini, relaxa. — Interferi, rindo e jogando um travesseiro em si. — Se Byun ainda não te notou, agora ele com certeza vai notar e bom, você estará encrencado. — Provoquei, lançando um sorriso safado e vendo-o revirar os olhos, atacando o travesseiro novamente em mim.

— E então, voltamos amanhã para o clube?

. . .

A bem da verdade, meu ânimo nos últimos dias andava tão baixo quanto minha vontade de viver, ou seja, bem nulo. E isso era a mesma coisa em relação ao meu desejo de voltar para o clube de dança. Três dias afastado e eu tinha certeza que Taemin estava louco para me esfolar sem piedade. Principalmente quando a semana de integração cultural estava tão próxima. Seria meu sonho finalmente ter uma apresentação solo? Seria meu sonho não ser mais a dupla de Oh Sehun? Seria, produção? Seria, Lee Taemin?

Quando entrei na sala de prática, junto com Jongin, Taemin não estava à vista, coisa que durou por míseros segundos, como se ele farejasse minha presença no ar. Aquele sorrisinho de modelo dele não era capaz de me enganar. E não demorou para os outros alunos do clube chegassem, incluindo Sehun. Senti uma súbita vontade de bater a cara dele contra os espelhos até desfigurá-lo inteirinho. Porém, com a educação que meus pais me deram, continuei em silêncio.

— Seja bem-vindo de volta, Yixing, saiba que os treinos são um porre sem você por perto. — Taemin caçoou, com uma prancheta nas mãos. Todos estavam sentadinhos bonitinhos no piso, aguardando as instruções para as apresentações que teríamos dali dois meses. — Muito bem, como todos estão aqui e como consegui organizar, junto com Jonghyun, vou passar as funções de vocês nos eventos. Não quero ouvir reclamações, e não haverá troca, sob nenhuma circunstância.

Nunca fui uma pessoa crente, mas naqueles instantes, estava rezando e fazendo mil e uma promessas para não ficar com Sehun sob nenhuma hipótese. O cretino não estava muito longe e estava com aquele péssimo hábito de me encarar, esperando por alguma coisa — provavelmente pelos tapas que ele tanto merece e que eu estava prestes a distribuir. Respirei fundo e Jongin, ao meu lado, riu baixinho, fazendo um carinho sútil em meu joelho.

— Na apresentação em trio, teremos Luhan, Jongin e Minseok. No quarteto, serão Yixing, Luhan, Jongin e Sehun. — Taemin ergueu os olhos de sua prancheta, me fitando brevemente, por de trás de seus óculos, antes de voltar ao trabalho. — A apresentação em dupla será Jongin e Sehun. O primeiro solo do dia, Luhan. — Mais uma pausa, para olhar para todos nós. Era simplesmente a apresentação mais importante e... — O último solo é do Yixing, obviamente. Isso é só, galerinha, levantem essas bundas secas do chão e comessem o ensaio.

Jongin estava gritando ao meu lado, junto com Luhan e eu estava pasmo enquanto os dois estavam fodidamente animados ao meu lado. É decepcionante ter que dançar com Sehun e, pior ainda, lembrar-se que nos últimos dois anos, fazíamos as apresentações em duplas. Não preciso pensar demais para saber que Nini provavelmente conversou com Taemin sobre a minha situação indelicada com o ex, fazendo-o mexer os pauzinhos e mudar a situação. Kim Jongin era um deus, merecia um beijo até.

Contudo, era a primeira vez que eu ganhava um solo assim, fora das competições.

— Aloco Xing, bora sarrar no chão! — Luhan já estava praticamente saltitando de felicidade por toda a sala, enquanto eu ainda estava sentado no mesmo lugar.

E, boa parte da tarde, passamos conversando com Taemin sobre como seriam as apresentações, as ordens e as coreografias que seriam passadas na próxima semana, por Jonghyun. Jongin me deu aquela carona marota até o restaurante da mamãe, avisando que sexta e sábado estaria disponível para fazer o bico de sempre ali — coisa que fazia quando queria arrumar uma graninha extra e dar um apoio —, já que eram os piores dias da semana. E após entrar, guardar a mochila e arrumar o avental, ouvir mais uma piadinha sobre meu cabelo gema de ovo por parte da minha progenitora, peguei a caderneta e fui anotar os pedidos.

E, naquela mesa, pertinho da janela, na maior serenidade do mundo, estava Do Kyungsoo. Óbvio que não poderia ignorar o homem, mas eu tinha a sensação de que ele era um leão e eu um pequeno coelho que seria devorado muito, mas muito, em breve, pela maneira como ele me olhava e sorria. Puta merda, não que eu estivesse com medo nem nada — jamais! —, porém, havia esquecido completamente de que tínhamos um compromisso.

— O que vai querer? — Questionei, recostando o quadril na mesa e aguardando seu pedido.

— Você, se for o especial do dia. E mais tarde posso pedir algo mais. — Provocou, levantando os olhos do cardápio.

— Você é ridículo, Kyungsoo. — Revirei os olhos, batendo a caneta no caderninho. — E me desculpe por ontem, acabei me esquecendo e...

— Sem problemas, gatinho. Saquei que você iria precisar de um tempo. — Interferiu, lançando-me aquele sorriso maldosamente bonito. Quer dizer, Kyungsoo, na luz do dia, sem parecer um bandidão, era fodidamente mais lindo. Ele tinha aquele cabelo preto e curtinho, lábios cheinhos e convidativos demais, ainda se vestia como um badboy e puta merda, aquilo era um conjunto lindo em excesso. — E vou querer o especial do dia, sem refrigerante. Prefiro o suco natural, por favor.

— Pode deixar. — Murmurei, anotando seu pedido. — Sobremesa? — Questionei e, quando nossos olhares se encontraram novamente, percebi aquele sorriso safado e respirei fundo. — Poupe-me. — Resmunguei, ouvindo sua risada após dar as costas e esgueirar-me para a cozinha, deixando seu pedido lá e voltando para o balcão, ajudando a mamãe ao receber os pagamentos e organizar tudinho.

Sabe, às vezes penso que, se existe uma entidade superior, um deus ou seja lá o que for, essa criatura com toda a certeza não vai com a minha cara. Pensa só, Oh Sehun entrando no restaurante, com Kim Junmyeon e Kim Jongdae. Seria hoje o dia que três adolescentes seriam mortos em um restaurante familiar? Não que eu odiasse Jongdae e Junmyeon, mas a existência deles era tão desnecessária quanto a de Sehun atualmente e tinha certeza que aquele grupo de playboyzinhos não estava ali somente para comer.

E como minha mãezinha já estava belamente ocupada no caixa e gritando com o pessoal da cozinha, sobrava para mim, anotar os pedidos. Reuni todos os pontos acumulados de paciência que eu ainda tinha e me arrastei até aquela mesa. Sebastian Michaelis teria inveja da minha falsidade e serenidade, quem era ele na fila do pão ao precisar enfrentar aquele trio de otários condecorados?

— O que vão querer? — Questionei, com uma calma que obviamente não pertencia ao meu ser, naquele instante.

— Vou querer um x-salada e refrigerante, uma porção de batatas também e... sem alface no sanduíche, por favor. — Junmyeon falou, depois de demorar dois minutos olhando o cardápio. Anotei seu pedido, esperando que Jongdae e Sehun abrissem a boca.

— Uma pena Chanyeol estar ocupado com os treinos, aposto que ele iria adorar comer aqui. — Jongdae murmurou, entediado, lançando aquele olhar preguiçoso sobre mim. Ah, mas vá tomar no cu. Nesse instante, a Duny me representaria com produção trás a faca por favor.

— Vou querer o de sempre, Xing. — Sehun falou tranquilo. E não vou mentir, aquele misto entre querer beijá-lo e socá-lo por conta daquele tom tão gostoso de voz que usava, quase me fez chorar. — E o mesmo para Jongdae.

Também estava com uma puta vontade jogar chumbinho na comida dos três, porém a vigilância sanitária proíbe o porte de tal substancia em estabelecimentos de alimentação. Uma pena, mesmo. Deixei os pedidos para o cozinheiro, enquanto buscava os que já estavam prontos e distribuía nas mesas.

— Hey, Xing... você está bem? — Kyungsoo segurou meu pulso de maneira suave, assim que deixei seu pedido sobre a mesa. Não havia aquela falsidade ou malícia no olhar, suas sobrancelhas formavam uma expressão preocupada, que se completava com os olhos escuros focados em mim.

— Você por um acaso tem chumbinho aí? — Perguntei, retoricamente, observando-o ficar confuso. — Estou bem, não há com o que se preocupar. — Respondi, enquanto ele arqueava as sobrancelhas e voltava com sinais daquele sorrisinho cafajeste.

— Já sei o que vou querer de sobremesa, aliás. — Comentou, enquanto seus dedos escorregavam até a minha mão, aproximando a mesma até seus lábios e beijando dedo a dedo.

Aquilo trouxe-me uma série de sensações que iam da vergonha extrema até a vontade de socar o desgraçado. Respirei fundo, puxando minha mão e deixando-a fora do seu alcance. Kyungsoo era um maníaco sexual, não dava para confiar nas suas intenções ou nas suas expressões friamente calculadas para me seduzir.

— E o que vai querer? — Cruzei os braços e o fitei, esperando por sua resposta. Ele coçou o queixo, lambeu os lábios e também acabou por cruzar os braços.

— Disseram-me que a torta alemã daqui é a melhor de toda a cidade, estou querendo descobrir se é verdade ou não. — Falou, com um sorriso cruelmente sexy.

— É óbvio que é a melhor, sou eu quem faz. — Rebati, anotando o pedido.

—É o que vamos ver, bebê.

Estaria Do Kyungsoo desconfiando dos meus dotes culinários? Estreitei os olhos, acatando seu desafio e de maneira bem infantil, mostrei-lhe a língua, dando as costas e indo buscar os pedidos que já estavam prontos. E foi maravilhosa a sensação de conseguir ignorar com sucesso à existência de Oh Sehun e sua trupe. Deixei os pedidos deles na mesa em que estavam além de entregar a conta.

E, enquanto anotava os outros pedidos, vez ou outra, encontrava-me com o olhar de Kyungsoo, sempre acompanhado daquele sorriso bonito. Tudo bem que ele parecia e agia como um stalker, mas o cara era legal, até. Tinha me livrado vários problemas, aliás. E isso já era muito. E, aquilo era estranho demais.

— Aqui está, por conta da casa. — Deixei o pratinho à sua frente, enquanto tirava o avental e me sentava no banco livre da mesa, de frente para si, também com um pedaço de torta.

— Não tem que trabalhar? — Kyungsoo arqueou as sobrancelhas, revezando seu olhar entre mim e a torta.

— Folga. Mamãe me liberou por alguns minutinhos. — Respondi, começando a comer.

O moreno alternou novamente seu olhar entre mim e a comida, somente para sorrir mais uma vez e começar a provar dos meus magníficos dotes culinários. Pois é, galerinha, posso ser um inútil em várias coisas, mas ninguém bate de frente com meu talento na cozinha. Apenas a mamãe Zhang, é claro.

— Aquele cara ficou me encarando desde que chegou, devo me preocupar? — Questionou, em um tom de deboche, gesticulando para o outro canto do restaurante. Virei-me no banco para pescar o alvo e encontrei Sehun, com a maior cara de cu que poderia ter.

— Nha, não. — Dei os ombros, voltando minha atenção a comida.

— Se precisar de ajuda com ele, já sabe para quem ligar. — Brincou, dando uma piscadinha.

— Para a polícia ou para a emergência? — Brinquei, rindo junto com o moreno e lambendo os lábios para tirar o excesso de cobertura dos mesmos.

E fiquei indignado quando Kyungsoo ousou avançar sobre o meu pedaço de torta. Quer dizer, ele tinha limpado o prato dele em um piscar de olhos e atacou o meu, roubando uma garfada descaradamente e me lançando um sorriso sacana. Estreitei os olhos, desafiando-o a repetir aquilo e o maldito teve a audácia de fazer. E acabei por rir, na verdade, empurrando meu prato em sua direção, vendo-o parecer uma criança realizada ao receber mais um pedaço de bolo.

— Eu disse que era a melhor. — Falei, vitorioso, pegando um último pedacinho para mim.

— E o que vai querer de recompensa? Posso te dar uns beijos, aí todo mundo sai feliz. — Sugeriu, balançando as sobrancelhas de um jeitinho sugestivo, me fazendo rir.

— Vai ter que fazer melhor do que isso para ganhar algo de mim, Kyungsoo. — Digo, levantando e colocando o avental novamente, arrumando os pratos, o copo e os talheres, empilhando-os certinhos para levá-los para a cozinha e lavá-los. Do pegou a carteira, coisa que me fez rir, mais uma vez. — Por conta da casa, cara.

. . .

Fugir dos treinos não era lá muito inteligente. E faltando apenas dois meses para a semana de integração cultural, não poderia me dar ao luxo de cabular as práticas; tanto por precisar praticar, quanto por medo de ser degolado por Lee Taemin e Kim Jonghyun. Então, me restava aceitar que tinha que aguentar ver a cara de Sehun boa parte da tarde, e tinha que ter uma paciência absurda para ignorar suas investidas nada sutis em busca de perdão.

Já fazia pouco mais de duas semanas que havíamos terminado, e embora vez ou outra eu chorasse pelos cantos, não me sentia tão ruim — mesmo que ainda desejasse socar a cara de Sehun e Chanyeol. Na verdade, a situação me cansava demais. Porque, quando esbarrava com o ex no corredor, ele tinha a audácia de tentar me puxar para conversar, e quando topava com Park, o mesmo me dava aquele sorrisinho metido. Bom, não foram uma ou duas as vezes que Jongin precisou me segurar.

E não vou mentir, doía ver os dois juntos, andando para cima e para baixo colados um no outro, como se fossem o casal sensação do colégio. Contudo, entretanto, todavia, ainda tinha meus amigos, a galerinha que, de repente, havia pegado um desgosto anormal por Oh Sehun — ouvi boatos que até mandingas foram feitas, uma pena, já que nem Iemanjá quer uma oferenda como essa ou como Park Chanyeol.

Nini merecia o prêmio de melhor amigo do mundo, por me aguentar reclamando, surtando e chorando; ainda lidava com a minha carência e me tratava como uma criança que precisasse de bastante mimo — não vou mentir, ficava assim mesmo quando a bad batia e a mamãe não estava perto para me consolar. Porém, fiquei sabendo que tinha admiradores no campus, já que passei a receber algumas cartinhas e chocolates, que eram constantemente deixados através dos meus amigos ou no meu armário no vestiário.

— Jongin, cuida aqui do balcão! Vou anotar os pedidos! — Pedi, em voz alta, já que dentro da cozinha estava uma baderna, coisa comum nas sextas feiras.

Arrumei o avental e peguei o bloquinho de notas e a caneta, me preparando psicologicamente para a noite agitada, já que a maioria dos universitários da região vinham para a cidade aproveitar a noite e acabavam parando no restaurante, consequentemente, lotando-o.

Novamente, acho que existe algum tipo de entidade suprema no universo que me detesta ao ponto de mandar o meu belíssimo ex aparecer no restaurante, juntamente com a aberração orelhuda popularmente conhecida como Park Chanyeol. Se isso não era uma provocação, então nem queria saber o que era. Nini me olhou no balcão, de imediato, como se estivesse lendo meus pensamentos homicidas do momento — e ele tinha razão em se preocupar, minha vontade de cometer um crime de ódio naquele instante era surreal, e Jongin ainda não estava formado como advogado para me livrar da cadeia.

— O que vão querer? — Perguntei, fingindo desinteresse. Jongdae, Junmyeon e Zitao estavam ali; não poderia existir um grupinho mais escroto do que aquele, no momento. A dupla Kim fez o favor de enrolar para fazerem os pedidos, obviamente interessados em me fazer perder a paciência.

— Eu vou querer o que o Sehunnie pedir. — Chanyeol falou, em um tom absurdamente meloso que me causou náuseas; controlei a vontade de revirar os olhos, anotando os pedidos de Junmyeon e Jongdae, que tinham decidido que queriam o prato do dia. O cretino ainda teve a audácia de jogar um de seus braços sobre os ombros de Sehun, me lançando aquele olhar de deboche.

— Vou querer o mesmo de sempre, Xing. E peça para não colocarem cebolas no lanche do Chanyeol. — Sehun pediu, deixando o cardápio de lado.

— Yixing. Pra você é Yixing. — Corrigi, da maneira mais indiferente possível, anotando os pedidos e pulando para as próximas mesas. Ao fundo, deveria tocar alguma música clichê sobre pisotear ex namorado babaca.

E ignorei o fato que o lugar estava lotado e que os pedidos provavelmente demorariam um pouco mais para ficarem prontos; fiz questão de dar atenção aos outros clientes, deixando o daquela mesa escrotinha por último, na hora de entregar aos cozinheiros.

Mas talvez a mesma divindade onipresente e onisciente que implique comigo tenha decidido ser gentil — de maneira bem mesquinha, entretanto.

Kyungsoo tinha acabado de entrar no restaurante, acompanhado de seu primo. E conseguiram uma mesa para se sentarem. Mais uma vez, meu olhar se encontrou com o de Jongin e pude jurar que vi desespero em seus olhos, quando ele mirou Baekhyun. Não vou negar, quis rir. Dei-lhe uma piscadinha, após deixar os novos pedidos na cozinha e seguir para anotar o dos recém-chegados.

— Já disse o quanto gostei do seu cabelo assim, Xing? — Byun questionou, com aquele sorrisinho sacana nos lábios. Respirei fundo, haja paciência para lidar com Byun Baekhyun.

— Já, Baek. Quinze vezes, aliás. — Respondi, pegando a caderneta. — O que vão querer?

— O especial da casa, com suco de limão com gelo, por favor. — Baek pediu, enquanto vasculhava o cardápio; ele geralmente comia muito, então tinha certeza que ele estava checando suas próximas opções.

— Vou querer o mesmo de sempre, gatinho. — Kyungsoo disse, me dando aquele sorriso arrebatador. Amigo, para. Por favor.

— Suco de laranja?

— Suco de laranja. — Confirmou, assentindo logo em seguida, me fazendo sorrir para si.

A questão era que Kyungsoo aparecia quase todos os dias no restaurante e tinha me dado carona mais algumas vezes, quando fui abandonado pela mamãe após fecharmos — tinha leves suspeitas de que ela tinha arrumado um namorado, aliás. E, mesmo que ele sempre viesse com piadinhas ou cantas bizarras, não tentava nada além disso. Me provocava, obviamente, mas conseguia melhorar meu humor nos dias mais merdas.

— Ui, e esse cheirão de tinta que tá' aqui? — Baekhyun debochou, me fazendo revirar os olhos.

— Vou levar os pedidos para a cozinha, talvez demore um pouco devido a agitação de hoje. — Falei, ignorando os sorrisinhos cúmplices que os primos trocavam entre si, antes de ir em direção à cozinha.

Nini estava no caixa, aguentando as insinuações de universitárias que enrolavam para pagar a conta, era uma cena lamentável, mas era engraçada; o olhar dele praticamente implorava por socorro e infelizmente, eu não poderia ajudá-lo, não enquanto estivesse entregando os pedidos. Mamãe tinha dado uma certa aliviada para os ouvidos do pessoal da cozinha e estava me ajudando a distribuir os pedidos.

— Uma pena não ter chumbinho aqui. — Jongin murmurou para mim, assim que deixou o caixa com a mamãe e se colocou a me ajudar com os pedidos.

— Uma pena mesmo. — Concordei em um suspiro, pegando os pedidos da mesa dos abutres.

E ignorei as provocações de Jongdae, assim como ignorei os deboches e o jeito como Chanyeol se esfregava em Sehun, quando deixei os pedidos dos mesmos na mesa. Se eles quisessem sobremesa, que chamassem novamente. Cumprimentei algumas das universitárias, que costumavam aparecer por ali, assim como alguns universitários também, que eram cheios de gracinhas.

— Você vai ficar contente quando descobrir o que consegui na minha última viagem, Xing. — Baekhyun comentou, assim que deixei seu pedido na mesa, junto com o de Kyungsoo. Arqueei a sobrancelha, cruzando os braços em cima do peito.

— E o que você conseguiu, Baek?

— Aquilo que consegue te deixar bem adorável comigo, Xing. — Contou, com aquele sorrisinho sacana e acabei rindo. — É um baita problema andar com aquilo, mas fiz um esforcinhopra você.

— Sobre o que estão falando? — Kyungsoo interviu, bebericando seu suco de laranja.

— Da Maria, Soo. — O primo respondeu, deixando ainda mais evidente a confusão do outro.

— Joana. — Completei, rindo baixinho e, as expressões de confusão de Kyungsoo acabaram transformando-se em surpresa. — Pode passar lá em casa mais tarde e me entregar?

— Opa, claro.

— Devo admitir que não suspeitava que você usasse essas coisas, cara... — Kyungsoo falou, ainda meio surpreso, enquanto comia.

Olha, não me levem a mal, mas um baseado é sempre bem-vindo. Certo, não incentivava que ninguém usasse, contudo, não conseguia ficar sem fumar um de vez em quando. Não matava, e servia para aliviar todo o estresse causado pela Universidade e pela pressão das provas de fim de semestre que se aproximavam.

— Uso muitas coisas, mas você não precisa saber de todas. — Rebati, fazendo Byun gargalhar e Kyungsoo me fitar de sobrancelhas arqueadas, com aquele sorrisinho safado rotineiro. — Tudo bem, já sabem o que vão querer de sobremesa? E nem venha com isso, Kyungsoo. — Bati nele com a caderneta, antes que viesse mais uma de suas cantadas absurdas, assim que o vi mexer as sobrancelhas de maneira sugestiva.

E só não continuei espancando-o com o caderninho — e cabulando um pouco do meu trabalho — porque uma onda de aplausos e gritinhos soou pelo restaurante. Não era um lugar pequeno, assim como também não era enorme e a casa estava cheia; e realmente pensei que fossem alguns universitários exagerando nas cervejas e fazendo brincadeiras toscas. Mas não eram eles.

Era Chanyeol e Sehun se agarrando ali, como se estivessem na enfermaria, sozinhos. Talvez a minha vontade de morrer tenha aumentado um pouco tipo muito, principalmente por ver que Sehun não ter consideração nenhuma pelo fato de que, semanas antes, éramos nós dois ali, e que estavam no restaurante da minha mãe, e que eu estava de serviço naquela noite. Pau no cu desse filho da puta.

— Licença. — Murmurei, antes de dar as coisas.

Na verdade, não fiz muito estardalhaço. Apenas joguei a caderneta e a caneta sobre o balcão onde Jongin estava e sai pelos fundos do restaurante, após atravessar a cozinha. E, do lado de fora, caía aquela garoa fina, que sempre vinha aparecendo nas noites das últimas semanas.

E eu não achava que aquilo ainda doesse tanto.

Não importa à quantas aulas de yoga fosse com minha mãe, quantos mantras tentasse repetir ou quantas vezes tentasse fingir que não sentia mais nada. E foi uma completa idiotice socar a parede de tijolos, porque não demorou meio segundo para que meus dedos começassem a doer. Ou era a parede, ou era a mim mesmo.

— Ôh merda... — grunhi.

Okay, fingir que não via as brincadeirinhas entre Sehun e Chanyeol era fácil; ignorar a troca de chamegos deles era simples, assim como também era normal não dar atenção alguma às provocações de ambos. Mas era uma bosta ver o rosto de Sehun e lembrar de tudo aquilo que tivemos e que ele tratou tudo aquilo como nada demais. Tem que ter uma puta cara de pau para namorar com uma pessoa há mais de um ano e traí-la com tanta facilidade, não é?

E mais uma vez eu estava em algum canto, com os olhos ardendo e com as bochechas molhadas — não que fosse escolha própria, claro. Queria entender o porquê de aquilo doer tanto, queria saber o motivo de não conseguir deixar essa merda toda de lado e simplesmente fingir que nada aconteceu. E chegava a ser engraçado, tentar respirar fundo para tentar me acalmar, porque isso só me fazia chorar mais ainda.

Deprimente, a cena. Minha mãe provavelmente me daria uns tapas, me consolando só mais tarde. Afinal, ela não me criou para ficar chorando por causa de um pinto como Oh Sehun.

— Caralho!

E Kyungsoo se afastou rápido, erguendo ambas as mãos em sinal de rendição. Sabe aquele momento que passa um milhão de coisas por sua mente, mas que a única coisa em que consegue ter certeza é do micão que está pagando? Pois bem. Acabei suspirando, enxugando — tentanto — os olhos e limpando a garganta. Que deplorável, Zhang Yixing.

— Não queria te assustar, só vim checar se estava tudo bem. — Informou, voltando a se agachar na minha frente.

— Está tudo ótimo, obrigado. — Murmurei, suspirando.

— Sério? Se isto é o seu ótimo, não quero nem saber o que é o péssimo. — Riu, me fazendo rolar os olhos.

— É bom que não queira saber. — Respondi, me levantando e suspirando pela segunda vez.

Kyungsoo até tinha aquela pose de badboy e arrisco-me a dizer que ele realmente era um, mas seus atos — pelo menos comigo — não condiziam em nada com a sua aparência. Poxa, o cara me deu carona várias vezes e parecia ter um sensor para saber quando meu humor estava ruim, já que sempre fazia algumas piadinhas ou brincadeirinhas que, de uma maneira ou de outra, animavam meu dia.

— Hey, vem aqui, Yixing. — Kyungsoo chamou, segurando gentilmente em meu braço, me impedindo de retornar para dentro do restaurante. E embora eu não estivesse com vontade alguma de entrar lá novamente, não podia simplesmente deixar minha mãe, Jongin e os outros garçons na mão. Do me virou para si novamente, levando suas mãos quentinhas até meu rosto e com toda a delicadeza do mundo, pôs-se a enxugar as minhas bochechas com seus dedos. — Por que não fica mais um pouquinho aqui, hm? Sua mãe disse que não havia problema algum em tirar alguns minutos de descanso.

E, pela terceira vez, suspirei e assenti, me recostando em uma das paredes. Notei, também, que mesmo sendo mecânico, Kyungsoo tinha toques suaves e gentis. E ele era quentinho — muito bizarro isso, mas era a verdade. Tinha, algumas vezes, ações brutas, mas não perdia a elegância em momento algum. Quando ele me tocava, restava apenas a gentileza. Não era forçado, parecia ser natural de si.

— Vai me considerar um louco se eu disser que estou te achando absurdamente lindo com essas bochechas vermelhas e olhos inchados? — Provocou e me fez rir, também levando-o a rir baixinho.

— Você não perde uma, não é?

— Quem deixa passar é catraca, bebê.

— Quem tem limite é município, né.

— E quem tem dó é violão, é exatamente assim. — Gargalhou, fazendo um carinho muito gostoso na minha nuca, deixando que seus dedos se enrolassem em meus cabelos e os acariciassem daquele jeitinho muito agradável.

— Você está bem?

— Vou ficar, se fingir que não me viu chorando. — Murmurei, fazendo-o rir soprado e concordar, seu tom preocupado me fez sentir algo absurdamente bom.

— Não está com frio? — Questionou, e só depois disso, notei que estava morrendo de frio. Tinha saído tão rápido de dentro do restaurante, que sequer me dei ao trabalho de pegar uma blusa. E bom, estava garoando daquele jeitinho chato.

— Um pouco talvez muito. — Respondi, cruzando os braços sobre o peito e tentando repetir aquele mantra sobre o frio ser psicológico. Kyungsoo franziu o cenho, começando a tirar a própria jaqueta. — Hey! Não, não! Não vou usar a sua jaqueta, pode parar. — Interferi, fazendo-o parar de tirá-la e me olhar como se eu fosse algum tipo de louco. — Você já está deixando seu jantar de lado para estar aqui, não quero que fique com frio também.

Kyungsoo riu, daquele jeito bonito — o que nele não era bonito? —, arrumando sua jaqueta novamente no lugar e apoiou ambas as mãos na cintura, enquanto me encarava com um sorrisinho esperto nos lábios.

— Não posso te deixar com frio, pode pegar uma pneumonia mais tarde e então não vou ter mais o motivo especial para vir comer aqui todos os dias. — Falou, se aproximando um pouquinho mais de mim, com aquele sorrisinho dele que estava me deixando com medo.

— Então vamos entrar, lá dentro está ótimo.

— Sua mãe vai te expulsar lá de dentro se você entrar lá com essa carinha de choro.

— Desde quando você é tão íntimo assim da minha mainha? — Inquiri, arqueando as sobrancelhas, me recostando na parede novamente. Ele estava perto demais e suas mãos estavam apoiadas na parede atrás de mim. Porra, homem. Não faça isso. — Vai me assediar justo agora, Kyungsoo? Isso é muito errado, sabia?

— Não estou te assediando, vou sugerir que você me abrace, calor corporal sempre é ótimo e muito bem-vindo. — Respondeu, com o típico sorrisinho sacana em seu rosto, me fazendo franzir o cenho. — E, respondendo à pergunta anterior, sua mãe é adorável demais, sempre me atende quando venho para o almoço, consequentemente, ela se gaba horrores do filho único e maravilhoso dela. É uma mulher gentil.

E eu estava com frio, ele era quentinho, seria muito errado querer se grudar ao homem como se não houvesse um amanhã? Colar nele como um carrapato? Porque o filho da puta estava tão perto, que eu conseguia sentir o seu perfume e aquilo estava me deixando com uma puta vontade de meter o rosto em seu pescoço e me esbaldar naquele cheiro bom — fingindo que era apenas aquilo e que eu não tinha nenhum interesse secundário ao ficar com o corpo coladinho ao de um homem tão gostoso como aquele.

Acabei suspirando e rindo, primeiramente brincando com a barra de sua camisa, antes de puxá-lo para mais perto e abraçá-lo pela cintura, afundando meu rosto na curva do seu pescoço. Ouvi-o rir baixinho, também senti seus dedos voltaram a brincar com meus cabelos, enquanto que sua outra mão fazia um carinho no meu braço.

— Uma tática muito boa, diga-se de passagem. — Comentei, com a voz abafada, me sentindo infinitamente mais aconchegante e quente assim, sem contar que poderia abusar daquele perfume gostoso sem restrições.

Puta, que homão da porra.

— Eu sei, estava esperando o momento certo para usá-la.

— Você é um canalha, minha nossa.

— Posso ser o seu canalha, se quiser.

— Não, obrigado, já deve ter percebido que estourei minha cota de canalhas para a vida toda com Sehun.

— Mas ainda posso ser seu, Xing.

E precisei rir baixinho, apertando-o um pouco mais e sentindo-o deixar um selar próximo ao meu ouvido. Não sabia bem se era tudo uma brincadeirinha para ele, se o cara estava apenas querendo uma foda boa, ou se ele realmente estava interessado. Kyungsoo conseguia me deixar confuso até demais, fosse com seus atos gentis ou com essas palavras ambíguas.

— Não fica quieto assim, me sinto envergonhado. — Reclamou, em um tom divertido, me fazendo rir novamente. Kyungsoo, constrangido? Algo de errado não estava certo ali. Logo ele, mestre em cantadas ruins? Certo, certo.

— E quem vê pensa você tem algum pingo de vergonha nesse corpo.

— Posso sobreviver das cantadas uso para tentar te conquistar, mas não quer dizer que eu não sinta vergonha com algumas coisas. — Resmungou, perto demais do meu ouvido, me causando aqueles arrepios gostosos. Acabei suspirando e deixei sutilmente, um selar em seu pescoço descoberto.

E ouvi um fucking suspiro dele.

Meu coração começou a bater rápido demais, para meu próprio gosto. Fechei os olhos e repeti o que tinha feito — não por maldade, jamais, apenas para fins puramente científicos, como por exemplo, gravar na minha mente o aquele som fodidamente gostoso.

— Yixing, se você continuar, eu vou te beijar. — Kyungsoo praticamente rosnou contra meu ouvido, e não pude evitar o sorriso. Ora, ora, ele tinha um ponto fraco, então?

— Isso não me parece com uma ameaça. — Provoquei, ouvindo-o grunhir, coisa que me deixou bem satisfeito. Era muito bom ser aquele que provoca, vez ou outra, mesmo que isso pudesse ter um preço caro, mais tarde.

— Olha, eu realmente estou tentando me controlar aqui para não te agarrar desde a primeira vez que te vi, então colabora um pouco com a minha sanidade, por favor. — Falou, me fazendo erguer o rosto e rir. Do Kyungsoo era sensacional.

E ele realmente estava perto — muito perto. Incrível como o maldito conseguia ficar lindo em todo tipo de ambiente e em todas as situações possíveis; também era absurda a capacidade que ele tinha de me fazer esquecer algumas coisas — Sehun e Chanyeol — sem tanto esforço, como se elas jamais houvessem existido. Não dava para entender o porquê daquilo tudo.

— É bom saber que é fácil de te provocar, Soo. — Sussurrei, bem baixinho, vendo-o fechar os olhos e respirar fundo. Ele realmente parecia estar se controlando e não vou negar, sua boca me parecia bem convidativa sim. — E se você me beijasse agora, talvez eu não ficasse tão bravo assim.

Então ele riu, aquele riso gostoso de sempre, abrindo os olhos em seguida, me olhando daquele jeitinho unicamente seu.

— Acabei de descobrir que também estou correndo perigo ao estar perto demais de você, Xing. — Disse, molhando os lábios com a pontinha da língua. — Não quero apanhar caso me arrisque a te beijar assim.

— Faça direitinho e talvez eu não te espanque, o que acha?

— Acho muito bom, bom demais.

Kyungsoo sorriu e senti seus dedos acariciarem meu rosto. E ele parecia feliz, de um jeito muito fofo e acabei rindo — de puro nervosismo, confesso. Ele estava tão perto, seus lábios estavam tão pertos, que quase berrei quando ouvi o som da porta sendo escancarada sem aviso algum. Puta merda, estava prestes a enfiar a língua na garganta daquele homem.

— Mas que bonito, ein? Será que estou atrapalhando o casalzinho aí? — Mamãe apareceu e Soo riu, contrastando com a minha vontade absurda de me matar de vergonha. — Yixing, não te criei pra você ficar dando uns amassos com o peguete em horário de trabalho. Quero essa cabecinha linda anotando os pedidos. Anda, anda, garoto. — mandou, com as mãos na cintura e alternando seus olhares entre mim e o moreno. — E você vá terminar sua janta! É muito feio desperdiçar comida, Kyung.

— Kyung é? Quanta intimidade... — debochei, vendo-o rir e fazendo mamãe revirar os olhos.

— Não sinta ciúmes, gato. Só tenho olhos para você.

— Credo, esses casais de hoje em dia são melosos demais, eu ein. — Mamãe resmungou, assim que passamos por ela e entramos no restaurante novamente. — É melhor parar de enrolar, antes que eu comece a descontar do seu salário barra mesada.

— Tá' bom! Já estou indo! Calminha aí dona Meixing, cê anda muito mão de vaca comigo ultimamente, mainha.

— Trabalho, Yixing, trabalho. — Mamãe me ignorou, voltando a gritar com a galera da cozinha.

E, após rolar os olhos, senti os dedos de Kyungsoo brincarem com a minha mão, e não me importei quando nossos dedos se entrelaçaram, de um jeito muito... natural? Ele me olhava e estava com um sorriso bonito demais — não dá para não enaltecer a beleza desse homem —, certamente, quase me fazendo suspirar. Precisei ir até o caixa e pegar a caderneta e a caneta novamente; Soo deixou um selar na minha bochecha, antes de dar aquela piscadinha cúmplice e voltar para sua mesa, com Baekhyun, que não parecia nada feliz em ter sido deixado sozinho.

— Sei um lugar bacana para desovar dois cadáveres. — Jongin comentou, dando-me um sorrisinho maroto e me fazendo rir. — Você está bem?

 — Estou ótimo, Nini.

1 de Febrero de 2019 a las 18:06 0 Reporte Insertar 1
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