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celeno pink coffee

Você já se sentiu confuso sobre seus sentimentos? Sobre seu futuro, seus relacionamentos... Amizades, amores e família? Eu estava perto do fim do meu último ano antes de uma das maiores mudanças da minha vida, logo os cortes em cabelos de bonecas, as fases difíceis de passar nos videogames, os chutes errados nos gols do próprio time, os capítulos jamais finalizados e todos aqueles minutos que passei organizando minha estante de livros pareciam problemas tão relativos (mas que ainda assim davam uma baita dor de cabeça). Finalmente estou ciente de que já não sou mais a mesma do começo do ano, ou até mesmo de ontem, ou dois segundos atrás... Essa é a história de alguém que descobriu a si mesmo. Essa é a minha história, e será um prazer contá-la.


LGBT+ No para niños menores de 13.

#lgbtq #sliceoflife #258
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Prólogo

A luz do sol que atravessava o vidro da janela acordou-me por completo.

Enquanto meu corpo fazia questão de continuar completamente parado na cama, coberto por toda aquela pilha de lençóis, minha mente voava por aí, como sempre. Imaginando o que me esperaria naquele dia. As férias do meio do ano acabaram, era hora de voltar ao trabalho.

E como já era esperado, minha avó entrou no quarto segurando seu smartphone e olhou para mim com seriedade.

ㅡ Você não vai levantar não, menina? ‘Tá quase na hora. Já é praticamente meio-dia!

Observei-a deixar-me sozinha novamente, seguindo pelo pequeno corredor que ligava todos os cômodos do apartamento. No auge dos seus sessenta anos, alguns fios de cabelo branco voltavam a aparecer na cabeça de minha avó, mesmo depois de pintados.

Ela esbanjava aquilo que posso chamar de vitalidade, coisa que poucos têm.

Quando decidi finalmente levantar e ir tomar banho, um questionamento inundou meus pensamentos.

Eu não devia estar ansiosa pela volta às aulas? Por que tudo parece cinza? As férias deixaram uma marca estranha em meu coração, eu só não queria ter que me lembrar disso a todos os momentos. Só que sem aquela dor, o mundo perdia a cor completamente e os meus dias pareciam seguir a mesma linha, apesar de sempre serem divergentes em algum aspecto.

Continuei pensando sobre isso no chuveiro, quando escovei os dentes e coloquei o uniforme da escola. Blusa branca com o detalhe da logo da instituição em amarelo e cinza, calças cinzas e tênis.

Atravessei o corredor até a sala e sentei à mesa para almoçar. Quando terminei, escovei os dentes novamente, peguei minha bolsa e parti para a escola.

(...)

E tudo continuava o mesmo.

Quando pisei nos dois primeiros degraus cinzentos e quando o porteiro disse “Boa tarde” com um ar pouco animado, a sensação de estar novamente em um lugar que me proporcionou tantas lembranças boas e ruins… Eu decidi ignorá-las e focar.

A entrada possuía uma escada até a minha ala e uma porta para a biblioteca logo de cara, e esta também se estendia até um corredor estreito que levava ao pátio e à quadra poliesportiva. Mais atrás, escadas para outras salas, um depósito improvisado e uma área aberta antes da antiga sala de vídeo escondida no topo de mais escadas.

Adolescentes e crianças se cruzavam no meio de toda aquela confusão que eu conhecia bem. O turno da tarde comportava poucos alunos, mas a animação do primeiro dia transformava até os mais quietos em máquinas de confusão e falação.

Muitas novidades.

Muitos problemas.

ㅡ Faz muito tempo mesmo! ㅡ Tina exclamou sorrindo abertamente, já sem o aparelho nos dentes. Seus cachos haviam crescido consideravelmente desde a última vez que nos vimos, mas ela continuava linda como sempre. Por diversas vezes me peguei querendo ser como ela.

ㅡ Olá ㅡ Thalia Calvet trazia sua mochila vermelha e branca nas costas. Ela sorria daquela maneira tranquila que só ela tinha. Arrumou os óculos no rosto e passou por mim, indo sentar-se em um banco próximo de onde estávamos. Ela pegou seu fone e plugou, mas deixou de colocar um dos lados para ouvir a conversa que aconteceria ali.

ㅡ E aí, galera? ㅡ ativei o modo otimista e alegre que desenvolvi para sobreviver ao fim do fundamental e ao resto da minha vida ㅡ o que vocês fizeram nas férias?

ㅡ Eu só viajei para o meu interior mesmo ㅡ Tina assentiu, colocando sua bolsa ao lado de Thalia.

ㅡ Eu não fiz nada, só fiquei em casa ㅡ a morena encostou a cabeça na parede atrás de si.

Alguns outros alunos chegaram, entre eles estavam os irmãos gêmeos Jordan e Chris, junto deles estava Liana. Mais atrás Moab e Mariah acenaram para nós. Ela com um sorriso e ele com aquele seu ar indiferente de sempre.

Moab abraçou todo mundo e até mesmo a mim, logo depositando um beijo na minha testa. Eu repeti a pergunta de antes e todo mundo começou a contar o que fez nas férias.

ㅡ E tu, o que fez? ㅡ Thalia questionou.

ㅡ Eu sofri ㅡ ri baixinho e levantei quando a coordenadora da escola mandou que fôssemos para a nossa sala.

Certo. Eu nunca fui popular, nem a garota mais bonita, ou a mais inteligente… Eu era só a Bianca Martins. A menina normal.

Sempre me esforcei em todas as coisas, eu queria que as pessoas vissem o meu valor e não só aquela adolescente acima do peso que era engraçadinha. Eu queria ser mais do que isso.

Quando comecei a me sentir sozinha na antiga sala em que eu estudava, decidi mudar de turno para ver se aquela solidão iria embora. Ela foi, eu achei um lugar legal para ficar até o fim do último ano. As pessoas espalhadas na sala agora faziam parte da minha história, e eu provavelmente jamais esqueceria delas.

Em um instante uma mão atingiu minha mesa e fez um som horrível que assustou-me completamente. Pulei da cadeira e olhei para cima, encontrando os olhos de Sarah.

ㅡ Nem para me chamar em casa, né? Palhaçada ㅡ a morena franziu o cenho e exibiu uma expressão quase ameaçadora.

ㅡ Desculpa, eu meio que achei que você não estivesse lá ㅡ acabei rindo porque ela também o fez.

ㅡ Pode me chamar, eu sempre ‘tô em casa antes das doze e meia. Hm… E sobre aquele assunto… Como você ‘tá? ㅡ ela questionou, sua voz soava preocupada.

ㅡ Eu já disse que estou bem ㅡ rebati rapidamente ㅡ aquela história passou, e nem é como se eu me importasse. Foi só uma “tragédia de verão” ㅡ fiz aspas com os dedos.

ㅡ Uma tragédia de verão?

Valentina Vitória, uma das minhas grandes amigas, enfiou-se entre Sarah e eu. Ela sorria abertamente, mas havia curiosidade além da espontaneidade habitual em seus olhos.

ㅡ Oi Val ㅡ encostei a cabeça na parede, segurando o riso. Sim, Val era muito bonita. Os olhos castanhos e a cabeleira loira cheia de cachinhos que ela prendia em um coque enquanto ainda não ligavam o ar-condicionado eram o ponto forte dela, fora os cílios longos e o fato de ela ser uma das meninas mais baixas que eu tive o prazer de conhecer.

Ela ficou com mais caras do que eu já falei em toda a minha vida, e eu a admirava por isso, já que Val também não se importava com nada que dissessem sobre ela.

Valentina possuía uma irmã gêmea, a Valentine. Elas eram muito parecidas, mas também muito diferentes. Enquanto Val tingira seus cachos de loiro, os de Tine continuavam intactos e castanhos.

ㅡ É uma história idiota, vamos só esquecer ela ㅡ soltei uma risada sem graça e emoção.

ㅡ Você parece mal… E eu nem te vi depois do primeiro dia de férias.

ㅡ Eu precisei ficar em casa porque… Adoeci depois da resenha, sabe? Foi uma merda, mas agora eu 'tô aqui.

(...)

O meu celular vibrava enlouquecidamente em cima da escrivaninha, ao lado de alguns livros abertos e de um copo vazio. Estendi a mão para pegá-lo.

Brendman:

“Queria que você estivesse aqui...”

Nice:

“Eu também :3”

KayKay:

“Eu amo ser vela, nossa…”

Brendman:

“Rato”

KayKay:

“Rato?”

Brendman:

“Ratomanocu.”

Eu:

“Que isso, gente?”

KayKay:

“Biaaaaaaaaa, ainda bem! Não tô mais segurando vela sozinha.”

Eu:

“Vocês têm problemas, Deuses.

Deixei minha risada ecoar pelo quarto, observando a conversa se desenrolar sozinha. Um sorriso tomou conta dos meus lábios quando as meninas começaram a contar sobre o que haviam feito em suas respectivas cidades. Vitória e Brenda trocavam mensagens melosas e Kay apenas conversava comigo sobre o dia em que nos encontraríamos.

Enquanto discutíamos sobre diversas coisas, minha mãe abriu a porta do quarto e disse algo sobre a pizza já ter chegado. Uma pequena analogia boba surgiu em meus pensamentos.

A vida é uma pizza que tem algumas partes mais cruas do que outras.

Idiota, eu sei... Mas tinha lá seu pingo de verdade.

5 de Julio de 2018 a las 01:04 0 Reporte Insertar 0
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