Desesperança Seguir historia

ocarina Ocarina

Para todos, Katniss Everdeen foi o símbolo da esperança. No entanto, para ela, a esperança de uma vida melhor estava enterrada no campo de batalha de Panem, junto aos restos mortais de sua irmã.



Fanfiction Libros No para niños menores de 13.

#angst #HungerGames #drama #Peeta #Katniss #fanfic #livro #Jogosvorazes #inkdisney #disney
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O Jardim de Prímulas


Olá pra quem chega! Essa fic foi feita para o desafio Inkdisney, onde tínhamos que escrever uma história com base numa música da Disney. Eu escolhi o “Encanto da Cura” de “Enrolados”.

Pra quem não sabe, nesse filme existe uma flor mágica capaz de curar feridas, doenças, rejuvenescer pessoas, etc.

Tive a ideia de usá-la nessa fic de “Jogos Vorazes”, pois toda a saga está muito relacionada à diversos tipos de plantas, inclusive os nomes de muitos personagens remetem à plantas específicas, incluindo o da protagonista.

Aqui focarei na prímula, uma planta conhecida por suas propriedades medicinais (fato verídico). Em inglês ela é chamada de primrose (exatamente, esse é o nome da irmã da Katniss).

Essa história se passa após o término da saga. Explicações necessárias para o entendimento do contexto da obra estarão nas notas finais!

Boa leitura!

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Brilha linda flor

Teu poder venceu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu


Como de costume, Peeta brincava com os seus filhos do lado de fora da casa, enquanto Katniss os observava num misto contraditório de ternura e tristeza. Mesmo depois de tantos anos, ela ainda sentia-se incapaz de fazer parte de um momento alegre como aquele. Em sua concepção, jamais seria merecedora de estar ali com a sua família, vivendo tranquilamente como se nada tivesse acontecido.

Seus pesadelos ainda a atormentavam constantemente, e o simples fato de ter dado à luz a duas crianças felizes e saudáveis a fazia recordar das mortes que presenciou no passado, fosse daqueles que ela matou com as suas próprias mãos ou daqueles que morreram por sua culpa.

— Prim — inconscientemente, ela balbuciou o nome em voz alta.

A lembrança foi inevitável. A perda de sua irmã a perturbava todos os dias de sua miserável vida.

“A culpa é sua, somente sua Katniss.”

O mostro que habitava em seu interior disse aos sussurros, deixando-a completamente desnorteada.

“Você deveria estar morta, não ela.”

Katniss sentiu seu estômago se revirar em náuseas e o seu ritmo cardíaco acelerar. Suando frio, precisou respirar fundo para não dar atenção à voz que diariamente a perturbava com aquelas verdades tão dolorosas. Desviou a atenção para o jardim de prímulas noturnas que Peeta havia plantado quando a guerra terminou. Lentamente caminhou até elas e se ajoelhou ali, contemplando o brilho das belas e delicadas pétalas sob a luz do sol.

De alguma forma, elas acalmavam seu coração e, por mais estranho que aquilo pudesse parecer, também fazia sentido. Afinal, não havia maneira melhor de sentir-se perto de sua irmã, senão estando junto à planta que deu nome à ela.

As duas eram muito parecidas. A cor amarela das pétalas a fazia recordar das lindas tranças douradas de Prim, e a simplicidade de sua anatomia remetia à inocência da mesma. Aquelas flores lhe transmitiam paz e lhe davam suporte para continuar vivendo, tal como Primrose Everdeen costumava fazer nos tempos sombrios de Panem.

Para todos, Katniss foi o símbolo da esperança, no entanto, para ela, a esperança era Prim. Por sua irmã, Katniss participou de um jogo de vida ou morte e saiu como vencedora. Pela força que ela lhe deu, Katniss foi capaz de mentir, matar, liderar uma rebelião e até mesmo trair quem lhe depositou confiança. Foi tudo por ela. Tudo por Prim.

“Mas foi tudo em vão.”

O monstro voltou a incomodá-la e Katniss sentiu um nó de formar em sua garganta. Seu desejo de oferecer uma vida digna à sua irmã jamais se concretizaria. Todas as suas ações tiveram a pior das consequências.

“Você é a culpada, Katniss.”


Cura o que se feriu

Salva o que se perdeu

Traz de volta já

O que uma vez foi meu

Uma vez foi meu


O aroma fresco do pão recém saído do forno agitava as crianças famintas sentadas ao redor da mesa de jantar. Perdida em seu próprio mundo, Katniss organizava os pratos e talheres, enquanto Peeta preparava um chá quente para aquecê-los naquela noite fria.

Ao levar a xícara à boca pela primeira vez, Katniss de imediato estranhou o sabor ligeiramente amargo da bebida fumegante. Tentou reconhecer quais ingredientes Peeta havia usado em seu preparo, mas foi inútil. Ela não tinha um paladar apurado para esse tipo de coisa, até porque no passado a comida tinha unicamente a função de mantê-la viva. Jamais se deu ao luxo de apreciar a fundo os sabores daquilo que experimentava.

— Do que é esse chá, Peeta? — perguntou por fim, mais curiosa do que deveria.

— Raizes de prímulas.

Ela emudeceu por alguns instantes, antes de conseguir formular uma nova pergunta.

— De prímulas?

— Sim. Eu as colhi hoje cedo no jardim.

— De onde tirou a ideia de usá-las?

— Descobri que essa é uma planta medicinal. Ela cura doenças e ferimentos. Dizem por aí que ela é capaz de aliviar qualquer tipo de transtorno.

Katniss perdeu completamente o fôlego, como se alguém tivesse lhe desferido um golpe na altura do estômago. Além de ter o mesmo nome de sua irmã, a planta também era medicinal? Aquilo era coincidência demais para um único dia.

Lembrou-se de imediato do sonho perdido de Prim em tornar-se médica. Mesmo quando criança, ela fora uma pessoa gentil e amável, sempre preocupada com a saúde e o bem-estar daqueles à sua volta. Morreu enquanto tentava salvar vidas, ou melhor, foi assassinada. Talvez, se não se preocupasse tanto com os outros, não estaria presente durante aquele bombardeio. Se não sonhasse em ser médica, provavelmente hoje estaria vivendo ao seu lado.

Ao fechar os olhos, Katniss conseguiu ouvir o som da explosão que deu fim à vida de sua querida irmã. Aquela era uma memória dolorosa demais, quase insuportável.

— Eu achei que nos faria bem, entende? Deve ajudar com as dores de cabeça — Peeta disse ao notar que o corpo de Katniss havia enrijecido de tensão.

Irritada, ela inspirou fundo prestes a atacá-lo com as mais duras palavras de seu vocabulário, sem compreender como Peeta pôde ser capaz de acreditar que chá estúpido traria milagrosamente de volta a sanidade mental que ambos perderam naqueles dias infernais. No entanto, desistiu de falar no momento em que o encarou, assustada pela forma com que ele a observava. Aqueles não eram mais os olhos do doce Peeta que ela conheceu um dia, mas sim os olhos perturbados do garoto que foi torturado pela Capital. Os olhos de quem um dia tentou matá-la.

“Você sabe que ele ficou assim por sua culpa, não é Katniss?”

Ela ignorou o monstro, desviando sua atenção para as crianças sentadas no lado oposto da mesa, completamente alheias para o que estava acontecendo ali.

— Foi uma boa ideia, Peeta — disse por fim acariciando a mão dele na tentativa de fazê-lo voltar à realidade — Melhor beber o seu chá antes que esfrie.

Seguindo o seu próprio conselho, ela engoliu de uma só vez todo o conteúdo de sua xícara e, embora soubesse que uma simples planta jamais seria capaz de curar todas as feridas que carregava tanto em sua mente, quanto em seu coração, ainda lhe restava a esperança de que aquilo pudesse ao menos silenciar o seu monstro interior para sempre.


~*~*~


Naquela noite, após se certificar de que as crianças estavam dormindo, Katniss enfim repousou a cabeça em seu travesseiro, encolhendo-se na cama da casal que há anos compartilhava com Peeta. Por força do hábito, ele a abraçou por trás, ciente de ser a única pessoa capaz de aliviar os pesadelos diários que atormentavam a sua parceira.

Grata por aquele dia enfim ter terminado, Katniss suspirou cansada. Fechou os olhos lembrando-se do semblante assustador de Peeta durante o jantar e estremeceu num impulso. Naquele instante, lamentou profundamente que as propriedades milagrosas do chá de prímula fossem apenas uma lenda. Lamentou por Peeta, por ela e por todos aqueles que perderam suas vidas na guerra. Imaginou como seria bom curar todos os seus transtornos num passe de mágica. Como seria maravilhoso se uma simples planta realmente pudesse lhe devolver tudo aquilo que lhe fazia falta: seus companheiros, sua saúde e sua família.

— Você ainda me ama. Verdadeiro ou falso? — Peeta sussurrou em seu ouvido, levando-a de volta para a dura realidade, onde qualquer traço de alegria não passava de uma mera ilusão.

Uma lágrima silenciosa rolou pelo seu rosto, molhando o tecido sobre o qual ela estava deitada. Infelizmente, a única flor capaz de salvá-la daquele estado lastimável não estava presente em seu jardim de prímulas, mas sim enterrada no campo de batalha de Panem.

“Falso.”

— Verdadeiro.


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Notas finais:


É bom lembrar que a morte da Prim deixa a Katniss completamente maluca e acabada! Afinal, tudo começou por causa da Prim, já que Katniss se voluntariou pra ir aos Jogos Vorazes no lugar da irmã. 

Peeta também ficou louco, pois passou por sessões de tortura na Capital (ele foi capturado). Aos poucos ele retoma um pouco da sua sanidade, mas sempre tem uns surtos. Além disso, ele não sabe quais das suas memórias são verdadeiras ou não. Por isso, sempre pergunta “Verdadeiro ou falso?” para a Katniss, já que ele tem dúvidas sobre tudo. Inclusive, no epílogo do livro a última coisa que ele pergunta a Katniss é se ela o ama. Ela responde com “verdadeiro”.

Enfim, de qualquer forma, os dois terminam juntos e tem dois filhos, embora o final não seja nada feliz.


Qualquer semelhança, não é mera coincidência. As semelhanças de Prim com a planta prímula foram propositais. A menina queria ser médica, pois isso é uma característica da planta em que a personagem foi baseada. Usei esse fato a meu favor na história, fingindo que era uma coincidência.

30 de Mayo de 2018 a las 21:08 12 Reporte Insertar 4
Fin

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Ocarina Uma bióloga que curte assistir uns animes, ler e escrever umas fanfics e por aí vai... (escrevo também no Nyah! Fanfiction, AO3 e Fanfiction.net)

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Olá! Usar a flor com o nome da Prim como referência para a fic foi uma sacada genial e casou perfeitamente com a musica que você escolheu. Todos que assistiram os filmes e/ou leram os livros lamentam muito os traumas que a Katniss e o Peeta adquiriram por causa dos jogos e da guerra e você abordar isso isso na fic foi uma facada no coração dos leitores - que má. A morte da Prim certamente foi o que mais desconcertou a Katniss durante os filmes, afinal ela entrou nos jogos e virou um simbolo de esperança por causa dela. Você descreveu muito bem os sentimentos de culpa e trauma da Katniss, o que deixou a historia bem construída. Você desenvolveu todos os personagens de acordo com o canon e deu pra sentir todo o amor que a nossa Everdeen tem pelos filhos em certos momentos da fic. No final você deixou bem claro que a Katniss não ama mais o Peeta - lágrimas - e que tudo que ela sente por ele é mais como um companheirismo por toda a história delas, além de mostrar que aquele homem que foi torturado pela capital ainda existe dentro do Peeta - alguém bota ele em um potinho e protege! - deixando tudo mais triste ainda, mas ficou tragicamente lindo. Seria bom se você desse um revisão mais aprofundada na fic, ela tem alguns erros ortográficos que passaram batido pela sua primeira revisão. A história está bem simples e foi bem gostosa de ler. Parabéns por cumprir o desafio e compartilhar a sua historia com a gente, ela está ótima! <3
23 de Junio de 2018 a las 11:46

  • Ocarina Ocarina
    Olá pessoal do Ink Escrita! Antes de tudo, obrigada pelos elogios! Saber que acharam uma sacada genial o uso da flor prímula pra casar com a música e com a situação da Katniss me deixa muito feliz! Particularmente amei escrever essa história (muito mesmo), então ler isso me deixa extremamente satisfeita. Haha sim, fui meio malvada mesmo, pois cutuquei a ferida de todos os fãs de Hunger Games, incluindo eu mesma hahaha. Na verdade, foi bem doloroso escrever essa fic, pois shippo Peeta e Katniss loucamente, então não foi fácil fazer esse final trágico xD. Obrigada pelos elogios! Quanto aos erros ortográficos, poxa... que droga! Eu reviso minhas histórias várias vezes antes de postar, sinto muito que tenham passado alguns. Talvez sejam alguns que eu até desconheça, mas depois confiro melhor ^^ Obrigada pelos parabéns <3 Beijos! 4 de Julio de 2018 a las 13:11
Lory Cake Lory Cake
Eu to mt triste mds do céu, eu achei que já tinha sido esmurrada o suficiente PORQQQQ? FICOU LINDO
19 de Junio de 2018 a las 21:44

  • Ocarina Ocarina
    Ouun obrigada <3 fico feliz que tenha gostado, ainda que tenha sido triste hehe Obrigada pelo elogio e pelo comentário! Beijos <3 19 de Junio de 2018 a las 22:31
E C E C
Eu estou muito feliz de encontra uma fic da saga, eu que sempre fui apaixonada por todo esse enredo sempre busquei mais. Sobre a relação das irmãs, realmente é muito forte, Katniss fez absolutamente tudo por causa da Prim, ela não só sacrificio seu corpo, mas seu espirito e mente. Meu deus ela só se ferrou e ainda perdeu a irmã. Não tem como se recuperar disso e mais, você escrever perfeitamente porque é exatamente assim que imagino como ela viveria daquele dia em diante. Não tem como engolir que ela conseguiria seguir "normalmente". Amei a leitura <3
18 de Junio de 2018 a las 19:17

  • Ocarina Ocarina
    Oie! Que bom que ficou feliz em encontrar minha fic, pois eu fiquei feliz com seu comentário <3 Fico muito satisfeita em saber que gostou da minha escrita e que acertei em cheio na maneira como você imagina que seria o futuro da Katniss! Também acho que ela jamais seguiria normalmente. A vida dela jamais seria q mesma dali em diante né? Pobre Katniss, pobre Prim...pobre todo mundo que morreu injustamente :( Obrigada pela leitura e pelo comentário! Beijos! 19 de Junio de 2018 a las 22:27
Mori Katsu Mori Katsu
A perda da Prim de um golpe dificil até pra gente. Ela lutou tanto e no final não conseguiu salvar a razão pela qual ela lutava. Triste.
12 de Junio de 2018 a las 09:22

  • Ocarina Ocarina
    Oie! Nossa nem me fale! A perda da Prim foi muito difícil de lidar! Eu até hoje não me recuperei :( Obrigada pela leitura e pelo comentário! Beijos! 12 de Junio de 2018 a las 22:12
Isis Isis
Oi, obrigada por me fazer chorar na fila do dentista -q. Sério, isso foi tão triste. Mas tão real. Faz sentido demais, já pode mandar pra Suzanne anexar como epílogo. Me doeu um bocado o "falso"/verdadeiro do fim. E ah, quem dera algo pudesse nos curar milagrosamente dos nossos monstros... quem dera...
11 de Junio de 2018 a las 07:48

  • Ocarina Ocarina
    Oie! Sinto muito por te fazer chorar, mas meio que era essa a intenção haha :P Fico feliz que tenha gostado dessa one e achado ela fiel à obra original! Seria lindo se eu pudesse enviá-la pra Suzanne. Sonhooo hehe Pois é. Quem dera se todos nós pudéssemos nos livrar de nossos monstros milagrosamente :( E também doeu em mim escrever esse final. Doeu muito mesmo!! Obrigada pela leitura e pelo comentário! Beijos! 11 de Junio de 2018 a las 13:36
Luisa Poison Luisa Poison
Demorei, mas cá estou eu xD. Então, eu não li o livro, mas me senti bem situada em relação a história. Coitada da Katniss. O remorso é doloroso e, para ela é pior porque se tratava da irmã. Ainda bem que de certa forma ela encontra forças nos filhos. Ah, e amei a referência que tu fez com a flor. Eu estava ansiosa pela tua fic e como sempre tu me surpreendeu. Sou tua fã e sempre falei isso e não é puxa saquismo kkkkk. Beijos.
31 de Mayo de 2018 a las 18:17

  • Ocarina Ocarina
    Oie! Que bom que veio <3 Fico feliz que tenha gostado de ler, ainda que não conheça a história hehe E sim, coitada da Katniss! Enfrentou uma guerra e perdeu a maior parte de seus companheiros, incluindo a sua irmã. Uma dó :( Ahh que bom que gostou do link com a flor. Eu achei ela perfeita pra usar na história haha eu adorei fazer essa conexão! E agora fiquei encabulada com seu elogio fofíssimo! Sua linda <3 Agora quero ver a sua heim? :P Beijos! 1 de Junio de 2018 a las 08:30
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