Fly to me Seguir historia

nathymaki Nathy Maki

"Sempre achei que o azul do céu fosse a coisa mais inexpressiva e, contraditoriamente, cheio de sentimentos ocultos. Ao menos até ver aqueles olhos, sensíveis, que ardiam com uma chama oculta, destacados no rosto de boneca. Eles me fizeram lembrar... lembrar do sentimento puro e inebriante que era voar."


Fanfiction Anime/Manga Todo público.

#drama #música #angst #inkdisney #violet #evergarden #violet-evergarden #TinkerBell
Cuento corto
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Capítulo Único - Voe pro seu...

Música escolhida: "Voe pro seu coração" do filme TinkerBell


Nota inicial: Por questões de se situar no tempo para quem já assistiu o anime, considere esta história acontecendo quando a Violet ainda não possuía um desenvolvimento completo nem havia descoberto sobre o Major, no caso como se o final do episódio 7 não houvesse acontecido. Mas, para quem nunca assistiu ou nunca ouviu falar, apenas aproveite!



"Sempre achei que o azul do céu fosse a coisa mais inexpressiva e, contraditoriamente, cheio de sentimentos ocultos. Ao menos até ver aqueles olhos, sensíveis, que ardiam com uma chama oculta, destacados no rosto de boneca. Eles me fizeram lembrar... lembrar do sentimento puro e inebriante que era voar."


A paisagem vista através da janela do trem parecia correr, mas, nem por isso, se tornava indistinta ou menos bela. Os imensos campos se estendiam até onde a vista alcançava, por vezes pontilhados de brotos recém-nascidos que insistiam em tentar competir, com suas singelas cores, com a vastidão verdejante que recobria o solo. A primavera anunciava seus tons nas folhas das árvores e no leve frio que permeava o ar. Em breve as cerejeiras floresceriam e as pessoas se reuniriam para comemorar o findar da guerra.

No interior do vagão, uma jovem se encontrava sentada a acariciar distraidamente o broche preso em seu pescoço. Violet se perguntava que tipo de trabalho a aguardava dessa vez. A convocação não lhe dera muitas informações quanto ao que esperar, sabia apenas se tratar de um velho piloto militar que agora se encontrava aposentado e morava sozinho em uma casa isolada no campo. Sendo uma veterana de guerra, ela podia entender a necessidade das demais pessoas de se isolar ou se afastar de tudo que pudesse reviver memórias que gostariam que fossem esquecidas, como o próprio Presidente da Companhia Postal C.H havia feito, começando um novo negócio em uma tentativa de trazer algum benefício para o mundo após todo o mal que ajudara a causar.

Sentiu a velocidade do trem diminuir conforme os freios eram acionados e pôde ver a plataforma de desembarque se aproximando. A locomotiva parou por completo, liberando espessas nuvens de fumaça branca que logo se dissiparam no ar. Violet retirou a mala do compartimento de bagagem e pegou a sombrinha que se encontrava ao seu lado no banco, dirigindo-se para o corredor e se juntando aos demais passageiros que desembarcavam. Não havia muitos, apenas uma senhora de idade sendo ajudada por uma moça, a qual provavelmente deveria ser sua filha, e um garoto jovem cujo braço se encontrava pendurado em uma tipoia. Pisou com cuidado nos degraus e desceu para a plataforma da Estação.

Era um local simples, típico de áreas rurais, aberto e arejado. As colunas de pedra seguravam um telhado já desgastado pelo tempo e os bancos de espera se encontravam vazios. Encaminhou-se para a saída e se viu diante da paisagem verde que observara através da janela do trem. O sol da manhã incidia sobre a vegetação, parecendo acentuar ainda mais suas cores e uma brisa corria tranquila e preguiçosamente, fazendo a grama ondular de forma suave e sendo a responsável pelo balançar de suas saias. Uma estrada de terra batida começava ao fim dos degraus que demarcavam a entrada da Estação e foi por ela que, após abrir a sombrinha e a apoiar sobre um dos ombros, Violet seguiu, levando a mala bem segura em uma das mãos. Andar não era problema, estava acostumada a longas marchas, e a caminhada pelos campos era agradável. Tocou o broche, um gesto que fazia quase inconsciente, e se pegou pensando no Major. Ele apreciaria a vista, com certeza. Suas palavras ecoaram novamente dentro de si, envoltas por camadas de significado que ainda não eram totalmente compreensíveis para ela, mas que, com o tempo e a experiência adquirida como Boneca de Memórias Automáticas, tinha esperança de entender por completo. O coração apertou e a sensação de solidão voltou a lhe assolar. Por vezes, pensava que nomear as sensações e os sentimentos era incômodo e desnecessário. Cada vez que entendia uma nova, alguma parte de si parecia corresponder a descoberta latejando de forma dolorosa, queimando com uma chama que ela não conseguia apagar. Crescer. Amadurecer. Não tivera essas oportunidades sendo criada no exército e agora, com as últimas palavras do Major o Eu te amo dito naquele momento tão crucial a lhe assolarem os pensamentos, estava fazendo o possível para compreendê-las. E o processo era longo e doloroso.

Demorou cerca de uma hora e meia para encontrar o destino final, e, quando o fez, parou na curva da estrada para observar a construção. Com toda certeza, aquilo não era uma casa de campo típica. Estava mais para um velho sobrado que fora expandido com o tempo até se transformar em um armazém vários metros maior e mais largo que a estrutura original. Se alguém de fora avistasse a construção achá-la-ia um tanto quanto excêntrica, mas, para Violet, parecia mais um refúgio. Com leveza, encaminhou-se para a entrada, fechando a sombrinha no processo de subir os degraus para a varanda pintada de branco e de aparência antiga.

- Quem está aí? - Uma voz bruta inquiriu do interior. Um rangido de rodas arrastando-se pela madeira acompanhou a pergunta e, passando pela porta com dificuldade, um homem apareceu. Não era exatamente um velho como dizia a convocação, aparentava não passar dos 40 anos, com espessos cabelos castanhos - embora estes já apresentassem fios brancos nas raízes. As linhas duras do rosto e o olhar firme traziam um ar autoritário e a pele, queimada pelo sol, era salpicada de manchas. As roupas eram comuns da área rural, uma calça marrom fina e um colete com vários bolsos sobre uma blusa branca de mangas compridas. - Quem é você? - Ele encarou a garota que não esboçou nenhuma reação ao vê-lo parar a cadeira de rodas à sua frente.

- Se um cliente pede, iremos a qualquer lugar. - Ela depositou a mala no chão e se inclinou em uma graciosa reverência. O vestido ondulou com o vento que soprava, levando também as fitas vermelhas presas em seu cabelo cor de ouro. - Representando o serviço de Bonecas de Memórias Automatizadas, eu sou Violet Evergarden. - O homem observou estupefato enquanto ela se erguia novamente e encarou os olhos que agora o fitavam. Não houve segundo olhar ou surpresa naqueles orbes azuis profundos, fato que o surpreendeu, acostumado aos olhares de pena ou até mesmo de zombaria que lhe dirigiam ao ver sua situação. Porém, aquela garota o olhava como se fosse qualquer outra pessoa.

- Demorou bastante, huh. - Ele ergueu a coluna e se ajustou na cadeira, pigarreando para manter o mesmo tom. - Sou Friederick Hellissart.

- É um prazer conhecê-lo, Senhor.

- Huh, acredito.... Venha, não fique parada aí, entre. Poderemos trabalhar na área dos fundos. - Violet o seguiu para o interior do sobrado. A decoração era simples e rústica, parecia combinar com a personalidade do seu cliente. Nas paredes haviam algumas fotos de aviões e, entre estas, uma que parecia reunir vários pilotos em uma cerimônia para receber uma premiação.

Passaram pela cozinha, onde pratos sujos se encontravam espalhados pela pia e atravessaram a porta que se abria para uma área nos fundos. Violet tentou ajudá-lo a passar pela porta, mas ele dispensou-a com um gesto irritado.

- Não preciso de ajuda. - Retrucou rudemente.

- Como queira, Senhor.

Pararam a borda de uma mesa no canto e Violet pôde ver marcas circulares de xícaras de café na superfície. À direita havia um par de portas, que no momento se encontravam trancadas com pesados cadeados, e levavam à construção que lembrava um armazém. Ele notou a direção do olhar dela e o seguiu.

- Quer saber o que tem lá? - Violet nada disse, percebendo que ele falaria de toda forma, independente ou não dela se pronunciar. - Já deve saber que eu era um piloto durante a guerra e é ali que guardo o meu velho bimotor. Não se fazem mais aviões como os de antigamente... - Ele pareceu menos rabugento ao enumerar as qualidades do seu avião e o modo como ele deslizava suavemente por entre as nuvens, levando-o a todos os lugares. Então, a realidade o atingiu e sua expressão retornou a carranca que lhe era habitual.

- Se gosta tanto de voar, por que não destranca a porta e liga mais uma vez os motores? - Ela perguntou, não entendendo o porquê dos cadeados se o dono era tão afeiçoado ao avião.

Ele bateu nas traves da cadeira de rodas, mal-humorado.

- Vê essas pernas inúteis, garota? Presente de um maldito inimigo. Até onde acha que eu consigo ir com elas? - Dizendo isso, apoiou-se pesadamente na cadeira, indicando com um gesto rígido para que Violet também se sentasse. - Cartas voam mais rápido que pessoas aleijadas, seja aonde for eu sei que as palavras alcançarão. - A garota o observou contemplar o gramado, perdido em recordações passadas. Quase lhe pareceu uma pessoa diferente, mas, ao se voltar novamente para ela, a expressão permanecia inalterada. - Irá escrever a carta para mim ou não? - Inquiriu.

- É claro que irei, Senhor. Perdoe-me se fui rude e me intrometi em assuntos delicados. - Desculpou-se, inclinando levemente a cabeça.

- Huh. - Ele bufou. - Muito bem. - Observou enquanto Violet montava a máquina de escrever e colocava o papel no lugar adequado, testando a fluidez e a funcionalidade das teclas. Friederick não pôde conter a exclamação surpresa que saiu de seus lábios ao vê-la retirar as luvas, exibindo as próteses de metal no lugar da pele macia das mãos. Sentiu-se envergonhado. Reagira exatamente igual a como sempre detestava ser tratado. Pensou em argumentar um pedido de desculpas, porém, ela mal parecia ter notado, ou talvez, já estivesse tão acostumada quanto ele. Calou-se.

- Tudo pronto, Senhor. - Disse ao terminar todos os preparativos. - Que tipo de carta iremos escrever?

- Uma carta para alguém que eu abandonei há algum tempo... - Sua voz se perdeu em meio à dança das folhas das árvores. Violet desviou os olhos do papel em branco à sua frente e os pousou no cliente. Ele parecia alheio ao mundo e ao fato que, enquanto mergulhado em pensamentos, puxava um pedaço de papel e um pacote de fumo de um dos bolsos do colete e começava a enrolar um cigarro. Sem esperar que ele puxasse o isqueiro e o acendesse, Violet retirou o rolinho de sua mão e o guardou no próprio bolso.

- Por favor, Senhor, mesmo não tendo o direito, eu gostaria de pedir que não fumasse enquanto trabalhamos. - Pediu sem alterar a expressão. - Além disso, essa prática não traz nenhum benefício ao Senhor.

- Huh! E acha que não sei? Mas como espera que eu pense em algo para escrever sem estar devidamente relaxado? - Ele puxou novamente o pacote de fumo do bolso. - E quem você acha que é para me dizer se eu devo ou não fumar?

- Mas que teimoso... - Violet suspirou enquanto o assistia enrolar outro cigarro e o acender, dando uma tragada profunda e soltando um suspiro satisfeito enquanto observava a fumaça branca se dispersar pelo ar.

- Se não pode escrever sem fazer perguntas, então eu não deveria tê-la chamado! - Dizendo isso, afastou-se, bufando irritado.

O tempo passou sem que eles trocassem uma sequer palavra. Enquanto Friederick se mantinha em um silêncio tempestuoso, Violet cuidou da louça que se acumulava na pia e limpou as marcas de café da mesa, deixando o ambiente limpo e organizado para que o trabalho pudesse ser feito de forma mais eficiente, sem distrações.

As horas transcorreram tranquilas e, após um simples jantar constituído de um ralo ensopado - ambos comeram em silêncio, porém, Friederick lançava olhares ocasionais a garota que permanecia com a expressão serena e imperturbável o que contribuía para deixá-lo mais irritado e, talvez, um pouco curioso. Será que nada poderia romper aquelas barreiras? - Violet foi para o quarto que lhe havia sido designado e trocou de roupas, desfazendo as tranças e deixando os cabelos loiros caírem em cascatas pelas costas. O quarto era modesto e um pouco apertado, não tinha cortinas nem tapetes ou quadros, apenas a cama coberta por lençóis azuis, uma cômoda de madeira clara e uma janela que não passava de um minúsculo vitrô. Há algum tempo, presenciara a passagem de um cometa o qual só aparecia a cada 200 anos. Desde então, passara a apreciar bastante observar as estrelas à noite. Do seu quarto, era possível vê-las nitidamente, porém, da janela desse que se encontrava, isso não acontecia. Portanto, dirigiu-se à varanda onde uma boa visão seria garantida. Uma leve brisa soprava, mas ela não sentia frio ao levantar o rosto e pregar os olhos no céu. Passou algum tempo assim até que pôde ouvir o som da aproximação das rodas, rangendo contra o piso, antes mesmo que Friederick aparecesse a soleira da porta.

- O que está fazendo? - O tom irritado nunca parecia abandonar a voz, mas, naquele momento, pareceu ainda mais pronunciado e amargurado. As sobrancelhas estavam franzidas, como se ele não entendesse aquela atitude.

- Observando as estrelas. Estão lindas esta noite. - Ela respondeu tranquilamente. Friederick estreitou os olhos, suspeito, antes de voltá-los para o céu. As estrelas estavam realmente lindas. Rodeavam a Lua e pontilhavam o azul-escuro com seu brilho, cobrindo cada centímetro do manto celeste. - Órion está brilhante hoje.

- Sim. - Friederick concordou. O seu tom, mais ameno e diferente do usual, fez com que Violet virasse a cabeça para encará-lo e o encontrou com os olhos fixos em algum ponto distante no céu, e, seguindo a direção do seu olhar, o ponto distante logo se mostrou ser duas estrelas mais afastadas das demais. Não chamavam tanta atenção quanto as pertencentes às outras constelações que pareciam, por si só, traçar os desenhos e formas no céu. Porém, a sua maneira, possuíam beleza própria. - Melissa... - O nome saiu em um suspiro doloroso, os "s" sendo pronunciados suavemente como uma música, na primeira demonstração de carinho que ele emitia.

- Ela é a mulher para quem o Senhor deseja escrever?

- Era... não, é minha esposa. - Ele não sabia o que o levara a contar tal fato, talvez o momento ou talvez fosse a calma inabalável naqueles olhos azuis ou a simples visão do céu estrelado o estivesse deixando nostálgico, reavivando seus arrependimentos.

- Ela foi embora e o deixou?

- Pelo contrário, garota. Eu quem a abandonei. E pelo quê? Uma guerra estúpida que acabou levando metade de mim! - Podia sentir a culpa se retorcer novamente em seu interior. Cerrou os dentes, sufocando os sentimentos que ameaçavam implodir e os trancou no lugar escondido onde eles haviam sido mantidos pelo último ano. - Devido à morte dos meus pais, fiquei sem lugar para morar - nossa casa era um empréstimo gentil de um amigo da família que pouco depois também veio a falecer, deixando o local para os filhos -  e, por isso, acabei entrando no exército. Eu a conheci durante o treinamento para pilotos. Ela era enfermeira e eu apenas um iniciante. Isso foi bem antes dessa guerra eclodir. E então, aconteceu. O avião estúpido explodiu depois de ser atingido durante uma invasão e eu caí em meio ao campo de batalha, levei um maldito tiro enquanto tentava fugir e acabei assim. – Ele respirou profundamente, como se o discurso estivesse consumindo todas as suas forças, mas, mesmo assim, prosseguiu. Ela supôs que, após tanto tempo, a necessidade de contar o que acontecera para alguém fosse mais forte que o sentimento de apenas esconder tudo em seu interior. – Durante o tempo que passei no hospital, procurei de todos os modos conseguir notícias dela e acabei descobrindo que havia sido dispensada e agora se encontrava morando na antiga casa dos pais. Isso me deixou mais tranquilo e ansioso para reencontrá-la novamente, porém, quando os médicos me disseram o resultado, que eu não poderia voltar a andar e muito menos pilotar, decidi que seria melhor para ela pensar que eu estava morto...

Violet nada disse, apenas continuou a observá-lo. Os olhos azuis reluziram em um tom profundo, escondendo os pensamentos e deixando à mostra as emoções, embora ele não pudesse decifrá-las.

- Você me acha um tolo por ter fugido das minhas responsabilidades dessa forma só por uma lesão de guerra? - Questionou, incisivo.

- Não. - Ela balançou a cabeça, os cabelos soltos ondulando às costas e brilhando sob o luar. - Acho que só está com medo, escondendo-se das coisas desagradáveis que podem vir a acontecer. Se pudesse, não gostaria de voar novamente com o vento, contemplar os campos floridos lá do alto, sentir o seu sonho se erguer junto ao avião e se perder no céu? - Por um segundo, ele se calou diante aquela afronta que lhe encurralava, mas logo se recuperou e partiu para o contra-ataque.

- E você, garota, não tem um lugar para o qual deseja voar?

- Um lugar para voar... - A mão voltou a tocar o broche, o pensamento vendo aqueles olhos verdes lhe encararem enigmáticos e em sofrimento, mas, na época, ela não sabia disso. "Será que tenho um lugar para o qual desejo voltar?" Perguntou-se.

- Se não consegue me dar uma resposta, então não deve aconselhar as pessoas a tentar. - Dizendo isso, ele se retirou novamente para o interior, deixando Violet na varanda a fitar o céu estrelado.

- Major...

***

Friederick acordou com o som de ferramentas caindo. Ergueu o tronco, surpreso, a sonolência ainda turvando seu julgamento. O momento passou e ele despertou por completo, seu pensamento logo se voltou para o avião guardado no armazém. Alguém devia ter entrado lá. Puxou a cadeira para mais perto da cama e, apoiando os braços seguramente nas laterais, içou-se para o assento. Passou as mãos nas rodas, imprimindo o máximo de força que conseguia na ânsia de chegar logo e ver se algo acontecera com o seu precioso bimotor.

Parou a porta, encontrando-a entreaberta e os cadeados abertos no chão, e sentiu o coração saltar no peito, não tinha mais dúvidas: alguém havia entrado. Puxando uma das metades e abrindo-a por completo, adentrou o local, gritando:

- Quem está aí? - A princípio, não viu ninguém em nenhum lugar, até que uma voz baixa lhe respondeu:

- É a segunda vez que me faz essa pergunta, Senhor. - O rosto de Violet surgiu em meio ao motor cuja capota se encontrava aberta. Ela se encontrava de pé no degrau mais alto da escada apoiada na fuselagem do avião. Havia fuligem nas roupas e graxa em uma das bochechas bem como misturada aos fios loiros do cabelo.

- Você! - A surpresa o deixou mudo por um instante. - O que faz aqui? Ainda por cima mexendo no meu avião?! - Irritou-se ao vê-la continuar calma, como se nada pudesse lhe abalar. - Não te disse para ir embora? Não tem o direito de falar para as pessoas voarem em direção aos seus sonhos, não enquanto você própria nem ao menos sabe qual o seu!

- Eu sei! - A voz dela se ergueu. Nos olhos ele pôde ver um brilho resoluto e uma enxurrada de sentimentos ocultos tomar conta daquele azul que antes era tão sereno. Agora, eles pareciam arder. Incitavam sua alma adormecida a tentar galgar novamente as alturas, a seguir o coração e voltar para os braços e o amor de Melissa. - Se a mim fosse dada a chance, eu voltaria para o lado do Major que é o meu lugar. Mas eu não posso fazer isso, não enquanto não entender o que significam aquelas palavras que ele me disse. Se voltar agora não poderei lhe dar uma resposta. - Ela fechou o motor e saltou graciosamente do alto da escada para o chão, caindo com leveza e equilíbrio. - Mas você pode! Nada lhe impede de voltar!

- Eu não posso voltar! Não posso! - Friederick gritou, impulsionando a cadeira para a frente, tentando chegar até ela e sacudi-la até que entendesse o que sentia. - Não posso voltar e ser aquele dependente de cuidados, aquele que precisa de atenção, que recebe os olhares de pena. Não posso envergonhar minha família, trair o amor que eles ainda podem nutrir por mim chegando lá desonrado e quebrado dessa forma!

- Não há desonra nenhuma em se ferir na guerra. Eu perdi os meus braços, mas isso não me impediu de fazer todo o possível para retornar, para provar que ainda era útil para o Major, que ainda podia continuar ao seu lado... - ele percebeu os olhos dela marejarem e uma única lágrima solitária escorreu pela bochecha. Aquilo o chocou e o fez calar. Sentiu o próprio peito doer e os olhos arderem ao ouvir as palavras que, por tanto tempo, precisava escutar. - Sua família não se importará se está aleijado ou se não é honrado, ela apenas ficará feliz pela sua volta e agradecerá todos os dias por estar vivo. - Violet viu novamente as lágrimas caírem pelo rosto do irmão de Luculia ao ler a carta que lhe entregara em nome dela. Às vezes, um simples obrigado significava mais do que qualquer texto longo que pudesse ter escrito. - Então, se ela ainda é importante para si, voe para o lugar que tanto deseja o seu coração! - Terminou apontando para o avião atrás de si.

- O que você fez? - Ele pareceu relembrar por qual razão se encontrava ali.

- Apenas alguns ajustes nos motores e nos comandos. Com alguma ajuda, você poderá voar novamente e, se assim desejar, até o lugar no qual realmente quer estar.

Mudo de espanto e com o coração batendo acelerado no peito, Friederick experimentou uma sensação que há muito não sentia: gratidão.

***

Os preparativos para a viagem começaram. Primeiramente, ele precisaria se reacostumar a pilotar, uma vez que, após algum tempo e dada sua atual condição, poderia encontrar alguma dificuldade e abrir espaço para possíveis complicações. Não foi exatamente o que ocorreu. A sensação inebriante de estar de volta ao ar era incentivo mais que suficiente para reavivar o seu piloto interior e fazer seu sangue correr mais rápido pelas veias. Era aquilo que buscava: liberdade. Vida. Porém, algo ainda faltava. Mas, pela primeira a vez em muito tempo, ele não se sentiu melancólico ou irritado e sem saída. Sentiu esperança.

Enfim, eles sentaram-se na a varanda e trabalharam na carta que seria entregue a Melissa, dessa vez, pessoalmente e não através dos serviços postais da C.H. Violet não sabia se tal atitude se caracterizaria como uma afronta ao código da Companhia, mas sentia que era a atitude correta a ser feita. Horas mais tarde com a carta já escrita e selada, guardada junto ao peito de Friederick, sob o casaco durante o jantar, Violet anunciou:

- Todos os preparativos prontos para a decolagem amanhã.

- Huh. - Ele fez, pousando a colher e observando os olhos azuis que agora, em vez de vazios, pareciam vívidos e ardentes, queimando com uma chama lenta, porém firme e determinada. Chama essa que trazia à tona de seu interior sensações e lembranças há muito enterradas e esquecidas. - Não espere que eu agradeça.

- Não espero, Senhor. - Violet sorriu discretamente, de forma que um parco observador não perceberia se tratar de um sorriso.

O dia seguinte chegou depressa. Logo eles se encontravam parados às portas do celeiro observando o avião brilhar, agora limpo, a primeira luz da manhã. Não houve necessidade de se trocar palavras. Violet o ajudou a se acomodar no assento do piloto e guardou a cadeira de rodas na estrutura lateral que havia montado especialmente para ela. Após verificar se tudo estava no devidamente regulado, ela sentou-se no seu lugar e aguardou.

No assento do piloto, Friederick sentia a agitação se espalhar pelo seu corpo. Era isso. Estava mesmo acontecendo. Engoliu as dúvidas que ameaçavam tomar conta de si e acionou o motor. O avião tremeu e as hélices começaram a girar, incitando-o a ir em frente e percorrer os metros que faltavam para sair do armazém. Naqueles últimos segundos, apenas durante o tempo necessário para as rodas deixarem de tocar o solo e passarem para o ar, ele sentiu a certeza se consolidar. Agora não havia mais volta.

***

Minha amada Melissa,

Lembra-se do dia em que escrevemos nossos nomes nas estrelas do céu? A sua era aquela menor, mais afastada das demais e que brilhava mais singelamente que as outras. Você me disse que aquela estrela te representava no céu e tudo que eu queria era subir até lá e pegá-la para ti, de forma que ela não ficasse mais tão solitária lá em cima. Então, na noite seguinte, uma nova estrela se encontrava ao lado da sua. Não tinha um brilho tão belo, mas a companhia deixava sua estrela ainda mais bela. Você brincou dizendo que aquela estrela me representava e eu soube, naquele momento, que desejava passar o resto dos meus dias junto a ti.

Melissa, você é a minha estrela, o meu condão, o meu desejo que se realizou por mágica. É o lugar para o qual o meu coração sempre deseja voar. E espero que, ao fazer realmente isso, você possa me perdoar por tudo: por ter ido para a guerra e ter escrito tão pouco, por ter desaparecido sem dar notícias, por temer que fosse me rejeitar se voltasse para casa aleijado e aos pedaços, por tê-la feito sofrer e derramar lágrimas.... De coração, eu sinto muito.

Espero que essas palavras possam te alcançar enquanto eu luto com tudo o que sonhei pelo ar. Que esses sonhos, ao seu lado, ainda possam, um dia, se realizar.

Com esperança e amor, Friederick.

***

Melissa se encontrava, tranquilamente, a estender as roupas no varal para que estas secassem com o vento que soprava. Abaixou-se para a cesta que depositara a seus pés e pegou mais um lençol, afastando os cabelos escuros para longe do rosto, e sacudindo-o antes de repetir o procedimento que vinha fazendo. Ao longe, um som cortante atraiu sua atenção, fazendo-a erguer a cabeça para o céu e estreitar os olhos à procura. Sabia muito bem do que se tratava e estava curiosa sobre o motivo que levaria um avião a um lugar tão afastado.

Então, ao norte, ela o avistou. Observou, surpresa, a fuselagem cinza e vermelha descer cada vez mais, preparando-se para o pouso pouco conveniente em meio a grama verde que cobria o solo. Se a presença de um avião naquela região era surpreendente, o fato daquele se preparar para pousar ali era ainda mais chocante. Agarrou mais forte o lençol em seus braços, segurando também o vestido, enquanto o avião pousava perto do local em que se encontrava.

O barulho do motor e a rotação das hélices diminuíram gradualmente e, logo, já era possível ver quem ocupava o assento do piloto. Seu coração descompassou e atrasou alguns batimentos, mas, após alguns instantes, voltou a bater duplamente acelerado. Melissa não podia acreditar no que estava vendo, aquele não poderia ser ele. Seu Friederick havia desaparecido na guerra. Ela chorara amargas lágrimas ao receber a notícia, portanto, aquele não poderia ser ele. Tudo que pôde fazer foi observar, estarrecida, enquanto uma garota pulava do segundo assento e caminhava em sua direção.

- Senhora Hellissart? - Violet perguntou. Melissa levou a mão ao peito, havia muito tempo que não era chamada assim, e assentiu fracamente. - Sou Violet Evergarden. - Curvou-se em uma graciosa reverência e, após se erguer, pegou a carta que trazia consigo e a estendeu para a mulher que ainda a encarava em choque.  - Tenho uma carta para a Senhora.

Melissa forçou o corpo a se mover e estendeu as mãos para receber o envelope que lhe era apresentado. Abriu o lacre com os dedos trêmulos e puxou a carta do interior. Enquanto ela lia, Violet voltou ao avião e ajudou Friederick a descer do seu assento e se instalar mais uma vez na cadeira de rodas. Pela primeira vez, ele não reclamou por ela o ajudar a empurrar a cadeira através da grama. Toda a sua atenção estava voltada para Melissa. Violet parou a uma curta distância dela e aguardou.

Correndo os olhos pela última linha, sentiu seus joelhos tremerem e cederem sobre o peso do corpo. Ali, ajoelhada na grama, Melissa levou a carta ao peito e a abraçou. O coração pulsava forte no peito, reavivando a esperança que há muito havia perdido, e lágrimas caíam de seus olhos para a grama viva. Friederick hesitou, também tomado pela emoção do momento, mas logo fez correr as rodas da cadeira para mais perto dela e estendeu os dedos, trêmulos, passando a acariciar suas costas enquanto ela chorava. Sentiu as próprias lágrimas o traírem e se juntarem as dela, molhando a terra sob eles.

Violet observou de longe as mãos se entrelaçarem e palavras serem trocadas as quais logo se tornaram abraços de saudade e beijos de reencontro. Desviou os olhos, não querendo se intrometer no que era um momento íntimo para os dois, e fitou a grama a seus pés onde uma pequena violeta brotava do solo. O vento soprou, fazendo a grama dançar e as saias balançarem. Violet ergueu o rosto a tempo de ver a carta escrita, que já cumprira seu propósito de unir, ser carregada junto as pétalas róseas, de volta para o lugar do qual viera: voando através do céu.

***

A garota se encontrava na estrada em frente à casa, a mala em uma das mãos e a sombrinha já aberta sobre o ombro. À sua frente, Melissa e Friederick pararam para se despedir, ambos gratos a ela por ter lhes dado mais uma chance de felicidade.

- Obrigada por chamar o Serviço de Bonecas de Memória Automatizadas. Espero que o meu trabalho tenha sido do seu agrado, Senhor.

- Sim, foi um excelente trabalho. - O rosto dele se abriu em um sorriso. - Espero que, um dia, também possa voar para onde o seu coração deseja, Violet Evergarden.

Com uma última reverência ao casal que agora se abraçava feliz, ela partiu.

26 de Mayo de 2018 a las 17:14 7 Reporte Insertar 10
Fin

Conoce al autor

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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Vany-chan 734 Vany-chan 734
Oiii, em geral eu gostei muito da fic. Não assisto a animes, então não sei muito do que se tratava Violet Evergarden, no entanto, mesmo assim deu pra entender a história sem problemas - eu li como se fosse uma original, to usando essa estratégia pro desafio hahahah Bom, eu gostei desse velho amargurado/rabugente, que na verdade tinha uma história e seus motivos para ser assim, adorei a Violet o ajudando a criar vergonha na cara para voar (e uau, olha a referencia de tinker bell hahah) e voltar para o amor do passado. Ainda assim, ressalvo alguns pontos que me 'desagradaram', mas que vc pode ignorar completamente UHSAUSHAU, eu achei as descrições das cenas/lugares muito longas e isso pra mim, é cansativo; fora isso diria o final, foi um final muito feliz SHAUSHASU eu to com a vibe do angst, tava esperando algo como: Melissa ter se casado com outro e tals. Enfim, é só isso mesmo. Parabens pelo top 10 <3
1 de Julio de 2018 a las 17:18
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Que historia linda, nossa! Eu achei incrível o desenvolvimento do Friederick, um rabugento no inicio, mas que depois descobrimos ser, na verdade, apaixonado. E não foi feito de maneira forçada, foi naturalmente, até porque faz sentido ele ser mais "casca dura", por assim dizer, devido à guerra, ao ferimento e sequelas que deixou na vida dele e tudo o mais, mas nós vimos também esse lado mais sensível dele, a parte insegura que ele tenta tanto cobrir. E o melhor é a Violet também ver isso e conseguir lidar com ele sem desrespeita-lo ou ferir o orgulho dele hahaha. Você usou a música de um jeito maravilhoso, usando o paralelo do avião e fazendo ele LITERALMENTE voar em direção ao que o coração dele buscava. Outra relação que foi muito legal foi do Friederick com a Melissa e as estrelas, por que no filme da Tinker Bell pra ir ao mundo dela tem que seguir a segunda estrela a direita, e bom eles são duas estrelinhas hahaha achei interessante esse paralelo. A descrição do cenário no começo também foi incrível, quase como se estivesse assistindo a cena acontecer diante dos meus olhos, e não foi exagerada ou desnecessária, ela te coloca no ‘clima’ da história, passa uma sensação de calma. Foi uma história muito delicada e bonita de ler, você consegue fazer o leitor ficar tocado pelo jeito que usa as palavras, de verdade. Parabéns por essa belíssima história e obrigada por ter participado do desafio <3
24 de Junio de 2018 a las 10:06
Ocarina Ocarina
Nossa que incrível história! Me apaixonei por ela. Violet está muito fiel à obra original e toda a mensagem passada por ela foi envolvente e emocionante. Eu me senti assistindo um episódio do anime, sabe? Sua narrativa foi ótima e eu consegui imaginar cada cena perfeitamente! Estou aqui sem palavras...isso foi simplesmente lindo! Parabéns por concluir esse desafio com maestria! Beijos!
13 de Junio de 2018 a las 08:11
Marina Tavares Marina Tavares
Gente, que história linda. Deu até vontade de chorar e de assistir Violet Evergarden de novo. A escrita e o desenvolvimento estão muito bons. Parabéns!!!!!!!!!!!
1 de Junio de 2018 a las 10:19
Luisa Poison Luisa Poison
Nossa, estou chocada e encantada com tua fic. E, tua estória pode ser perfeitamente encaixada no anime tamanha é a fidelidade da tua fic com o anime. É sério, eu pude visualizar toda a estória. E isso é maravilhoso!!! Moça, tu está de parabéns. Não só pela belíssima escrita, mas pela fic em si. Eu, estou sem palavras para poder expressar devidamente o quanto gostei dessa one. Então só direi, parabéns! E que que tu possa seguir nos proporcionando belíssimas estórias como essa. Beijos.
28 de Mayo de 2018 a las 23:46
Nanahoshi G Nanahoshi G
MEU DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUS EU TO CHORAAAAAAAAAANDOOOOOOOO!!!! Menina tu é maravilhosaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa Eu consegui visualizar muito bem essa história com os traços do anime (eu assisti até o episodio 4 hue) E MANO A VIOLET TÁ LEGITIMA!! EU TENHO UM RESPEITO GIGANTESCO E INFINITO POR PESSOAS QUE ESTUDAM O PERSONAGEM PRA FAZER FANFICS LEGITIMAS QUE A GENTE CONSEGUE IMAGINAR ACONTECENDO NA HISTÓRIA ORIGINAL!! Vc foi impecável nessa parte. Em relação ao plot (eu não sei quanto dele realmente está no anime) mas eu claramente imaginei essa história 100% sendo um dos episódios, FORA QUE CASOU LINDAMENTE COM A MÚSICA!!! Achei a melodia da música bastante compatível com o ar do anime *u* sua escolha não poderia ter sido mais acertada!! MENINA EU TÔ NO CHÃÃÃO com sua escrita. Meu Deus esse povo do Inkspired grazadeus é um povo diferenciado com MUITA QUALIDADE PRA DAR PRA NÓS! sua escrita é estupenda, eu fiquei presa até o final, e um dos motivos foi o jeito de vc escrever!! Ainda bem que eu não sou jurada desse desafio do Inkdisney PQ TÁ DIFÍCIL! Uma história melhor que a outra AAAAAAAAAAAAAAAAA!! Menina vc arrasa!! EU AMEI <3 Beijos da Nana-chan!!
26 de Mayo de 2018 a las 18:06

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Ai, pera, que quem chorou fui eu. OLHA ESSE COMENTÁRIO, MEUS DEUSES! Primeiramente muitíssimo obrigada por ler ♡ Eu realmente me esforcei bastante para que a personagem não fugisse do que ela é originalmente, dá uma sensação tão gostosa quando o que você lê encaixa com o que você assistiu, e eu realmente queria que as pessoas sentisse isso. Em segundo lugar, continua assistindo! Pelo menos até o episódio 9 que é maravilhoso! Não digo mais nada 🙊 Eu sempre amei esaa música da TinkerBell e ouvindo ela de novo esses dias veio a ideia de inventar um personagem totalmente novo para interagir com a Violet. No caso, o Friederick não aparece no anime já que foi invenção minha, mas eu me baseei bastante no modo como os episódios decorriam. Fico muito feliz que tenha ficado tão parecido e tenha combinado com a música! Muito obrigada pelos elogios a escrita, não sabe o quanto isso me deixa dando pulinhos de alegria ♡ Muito obrigada de novo! BEIJINHOS ^3^ 26 de Mayo de 2018 a las 20:15
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