Um Horizonte Maior Seguir historia

zephirat Andre Tornado

A Estrela da Morte, a poderosa arma do Império Galáctico, foi destruída e a Aliança para a Restauração da República celebra esse importante triunfo com uma merecida homenagem aos heróis do momento, Luke Skywalker e Han Solo. Mas entre as sombras o Imperador Palpatine está atento, não vai tolerar que a Rebelião assuma a vantagem na guerra civil e prepara o contra-ataque. Para isso incumbe Darth Vader de perseguir sem descanso os inimigos do Império e de trazer à sua presença o desconhecido piloto rebelde que criou um desequilíbrio na Força. Entretanto, na companhia dos seus novos amigos, Luke Skywalker empenha-se na causa da Aliança e participa ativamente na luta para restaurar a liberdade à galáxia…


Fanfiction Películas Sólo para mayores de 18. © Star Wars não me pertence. História escrita de fã para fã.

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I - Momentos de Descontração


“Pela primeira vez em milhares de anos, aquela câmara espaçosa estava cheia. Centenas de soldados rebeldes e técnicos estavam de pé no velho chão de pedra (…)”

In A Guerra das Estrelas, LUCAS, George, Publicações Europa-América



A medalha dourada balançava diante dos seus olhos, presa na fita larga que ele segurava no braço esticado, elevando-o para poder admirar o prémio, embora pouco houvesse para contemplar. Era uma condecoração simples, com desenhos geométricos estilizados na forma circular – como todas as medalhas, era redonda – traços gravados de uma elegância minimalista que, naquele conjunto em específico, faziam-lhe lembrar a Estrela da Morte. Até existia a depressão côncava de onde partiam os mortíferos disparos laser com o poder suficiente para rebentar com um planeta de dimensões médias bastante populoso. Mas aquela medalha, que reconhecia a mais alta coragem de quem combatia pela Rebelião, não pretendia emular a infame estação especial que terminara, muito apropriadamente e antes de atingir a base rebelde da quarta lua de Yavin, em destroços metálicos nas profundezas do espaço. Representava, isso sim, a instalação da esperança no coração daqueles que combatiam pela liberdade em nome da Aliança contra o Império Galáctico, simbolizada pelo sol nascente que se erguia no horizonte desenhado no centro da peça.


Ele semicerrou os olhos. Se fizesse um esforço conseguia ver naquele meio círculo estriado os raios de um sol nascente, mas continuava a parecer-lhe o olho monstruoso e destruidor da Estrela da Morte, o prato do seu superlaser. Ou a conduta de exaustão que ele atingira com o seu disparo certeiro dos torpedos de protões do X-Wing que pilotava para desatar a tal reação em cadeia que levara à desintegração do pequeno planeta artificial que albergava um grande contingente de tropas imperiais – exército, marinha, stormtroopers, incluindo o governador imperial das regiões remotas da galáxia, Grand Moff Tarkin.


Podia ser um sol, perfeitamente, ele compreendia o simbolismo daquela medalha que tinha sido criada pouco antes da cerimónia oficial que a entregava, pela primeira vez, imaginada a partir de um antigo emblema da Velha República que representava uma flor em traços simples. Mas era mais divertido ver na imaculada superfície amarela a malograda Estrela da Morte.


Incluindo o lorde negro, Darth Vader.


Experimentou um estremecimento.


- Não precisas de vigiá-la tão de perto. Acredito que não te vai morder!


Baixou o braço e a medalha caiu-lhe numa das coxas. Sentava-se num cadeirão confortável, com as duas pernas sobre um dos braços, encostado ao outro, numa posição descontraída e pouco ortodoxa. Relaxava após a tensão da cerimónia oficial que tinha acontecido no Salão Principal de Audiências da base rebelde de Yavin, implantada secretamente – não por muito tempo, infelizmente para ele, pois achava aquela lua aprazível, de clima agradável, paisagens verdejantes como nunca antes vira – na quarta lua que orbitava o planeta principal do sistema.


Reparou na medalha sobre o peito do amigo. Não queria parecer demasiado ávido, reação exagerada de quem nunca tinha tido muita coisa na vida, e por isso encolheu os ombros, fingindo desinteresse naquilo que estivera a analisar minuciosamente. Por outro lado, ainda não sabia muito bem como reagir ao sarcasmo de Han Solo, contrabandista corelliano e homem bem mais experimentado do que ele.


- Eu sei que não me vai morder.


Disse-o num registo baixo, arrependendo-se a seguir da resposta tão infantil. Han não se importou com a frase pouco inspirada, aliás pareceu até que nem sequer a escutou convenientemente; ou as palavras teriam sido infelizes o bastante para que as ignorasse por completo.


- E nem estava a olhar assim há tanto tempo – emendou. Voltou a arrepender-se. Soara a queixume mimado.


- Vai hipnotizar-te, se não a largares... E vai fazer-te pensar que é o melhor que alguma vez conseguirás fazer, que não vais superar este momento. Não é verdade. Se foste corajoso naquele dia impossível, vais voltar a sê-lo. Haverá outros dias impossíveis. Tens muito potencial, miúdo!


Sorriu para Han, desconcertado com aquela declaração que demonstrava, sem equívocos, que não se enganara quando decidira considerar aquele contrabandista egoísta e de coração duro como seu amigo. Fora Han Solo que o salvara, naquele momento em suspensão no tempo, antes de ele disparar os torpedos de protões, quando o seu X-Wing estava na mira de um caça imperial. Fora Han Solo que possibilitara a destruição da Estrela da Morte, em última análise, ao livrá-lo da ameaça que pendia sobre si na retaguarda, sem Artoo, sozinho, sem computador auxiliar, sozinho mas na companhia da Força, em busca do seu alvo, da libertação, do fim... Por isso, Han Solo também tinha sido condecorado, ao seu lado, na mesma cerimónia.


- Obrigado! – agradeceu, comovido e feliz.


Mas a seguir voltou a ironia que arrasava com qualquer outra consideração mais abonatória feita ao carácter do contrabandista, a uma primeira avaliação, a quente, baseada nas primeiras observações.


Han segurou na medalha com dois dedos, levantando-a ligeiramente para que pudesse vislumbrá-la, largando-a de seguida. Esta balançou até se imobilizar sobre o seu peito largo.


- E nem sequer é bonita. O que há para admirar numa coisa banal? – exclamou provocador. – O Império tem condecorações militares mais impressionantes.


Definitivamente, Han Solo não existia para ser compreendido.


Ele levantou-se do cadeirão com um salto ágil, colocou a fita ao pescoço, sentiu o peso da medalha a pressionar-lhe levemente a nuca. Lembrou-se do perfume da princesa, inclinado sobre ele, a colocar-lhe aquela fita, o mesmo peso. Uma satisfação tão grande que ele tinha suspirado, nervoso, aliviado, encantado. Perguntou para apagar aquela imagem da sua mente, para não suspirar com a recordação:


- Estás assim tão bem informado sobre as condecorações militares do Império?


Um sorriso torto surgiu no rosto do contrabandista.


- Tenho os meus segredos, miúdo!


- Grandes segredos.


- Vai com calma, miúdo... Nada de perguntas difíceis nesta altura.


- Não vou perguntar-te nada.


- Nem te iria responder!


- Talvez um dia venha a saber, mesmo sem tu me contares...


- Duvido!


Riram-se os dois, os heróis do ataque à Estrela da Morte.


De repente, Han colocou as mãos na cintura, espetando os cotovelos. Declarou, sério:


- Sempre trabalhei sozinho. Ao ter-me juntado à Rebelião foi uma grande mudança para mim. Ainda estou a adaptar-me. Quando me ponho a pensar nesta decisão... acredita, tenho vontade de fugir. Não sei se vou conseguir estar à altura do que esperam de mim e depois disto... – Relanceou o olhar pela medalha. – Acredita, miúdo, vão esperar grandes coisas. Estou preparado, podes crer que não vou recuar depois de me ter comprometido. Mas estar preparado não é o mesmo que estar à altura... A desilusão que vês nos olhos dos outros pode destruir-te, se não fores suficientemente forte.


Ele replicou, tentando soar animador:


- Ei... Acredito em ti, Han! Como me disseste, haverá outros dias impossíveis.


- Obrigado, miúdo...


- De nada. Nesses dias, vais estar ao meu lado. Tu e o Chewie.


A enorme criatura peluda, que tinha entrado na sala atrás do contrabandista e que se postava ligeiramente atrás deste, regougou aceitando o repto, o acordo tácito, sem hesitação. Ele compreendia a razão indelével que fazia daquele wookie de personalidade vincada e modos brutos o companheiro fiel de Han Solo. Chewbacca nunca iria falhar num qualquer momento importante. Estava no assento do copiloto da Millenium Falcon quando a nave disparara os tiros decisivos que levaram ao desfecho almejado da destruição da Estrela da Morte e àquela vitória estupenda da Aliança. Também tinha sido um herói.


Ele recordou-se do que lhe pareceu, desde que tinha sabido das condecorações e da cerimónia que se preparava, uma injustiça. E, pela primeira vez, disse-o em voz alta:


- Ainda não percebi por que razão não deram uma medalha destas ao Chewie. Ele arriscou o pescoço como nós e estava contigo, quando me ajudaste a rebentar com aquela maldita estação espacial.


O wookie grunhiu brevemente, como que zangado. Ele arqueou as sobrancelhas. Percebera o seu desagrado, não pelo facto de não ter sido agraciado, afinal percorrera a mesma passadeira que eles, acompanhara-os no desfile que os levara ao palco onde a princesa lhes tinha entregado as medalhas, no meio de uma congregação impressionante de pessoal da Aliança, incluindo os mais altos comandantes daquela base rebelde, mas pelo facto de aquilo estar novamente a ser mencionado. Chewbacca julgava que tudo tinha ficado esclarecido de antemão e considerava que, uma vez o assunto encerrado, era improdutivo estar a repisar no mesmo. Ele não gostou da reprovação do wookie instável.


Han Solo, por sua vez, fez um esgar, ainda de cotovelos espetados.


- Os wookies não gostam de prémios – explicou enfastiado, porque para o contrabandista também era assunto discutido, esclarecido e encerrado. – A coragem não se mede com objetos, mas sim com gestos. Para o Chewie tudo aconteceu no instante em que estava a ajudar-me a pilotar a Falcon. Fez o que lhe estava a ser exigido, portou-se com valor, recebeu a sua quota-parte de felicitações e não precisa de mais reconhecimento do que aquele que lhe foi feito nas pistas do hangar, quando aterrámos depois de termos provocado aquele lindo fogo-de-artifício. Por isso, ele recusou a medalha que lhe queriam dar.


Chewbacca rugiu longamente, corroborando as palavras do companheiro.


- Quiseram dar-te uma medalha... e tu recusaste? – perguntou surpreendido. Desconhecia esse detalhe.


Um rugido afirmativo foi a resposta. O wookie cruzou os braços peludos e afivelou uma expressão petulante no rosto tão peludo quando os braços e o resto do seu corpo castanho. Fazia sentido, contudo. Consentira em acompanhá-los na cerimónia e não lhe parecera, em abono da verdade, contrariado, irritado ou mesmo desiludido.


- Não sabia dessa...


Han Solo encolheu os ombros num gesto exagerado. Ele percebeu que fora uma espécie de “não sabes sempre tudo, miúdo, mesmo que tenhas sido tu a explodires com a Estrela da Morte, sem computador auxiliar, sabe-se lá como conseguiste acertar naquele buraco de exaustão minúsculo, a alta velocidade, com a pressão da galáxia sobre os ombros”. Outra das características de Han Solo era a de colocar tudo a um nível prático, vulgar. Terraplanar as montanhas absurdas de qualquer orgulho, por mais gigantesco que fosse. Ele sentiu-se estúpido.


- Não volto a falar disso, Chewie – acrescentou. – Prometido!


A sala onde se encontravam a descansar, minutos depois da entrega das medalhas, era um anexo dos aposentos do general rebelde Jan Dodonna. Tinham-lhes pedido que esperassem ali pelo general e pelos restantes comandantes rebeldes que tinham presidido à cerimónia de homenagem, para as felicitações particulares, e ele ali aguardava, juntamente com Han e Chewbacca. O ambiente que se respirava naquele compartimento era agradável e reconfortante, mesmo que a decoração transmitisse a sobriedade do seu habitual morador. O mobiliário em tons cinzentos compunha-se por alguns cadeirões, um sofá, uma mesa central redonda baixa, um móvel auxiliar também baixo, com duas prateleiras, completamente vazio. Não havia outros objetos para além dos móveis, nada a enfeitar o que quer que fosse. Numa das paredes existia uma janela envidraçada estreita que mostrava a floresta verde do exterior.


O edifício maior ao qual pertencia aquela sala e outras acomodações diversas como quartos privados e camaratas, uma sala de comando, um salão cerimonial e um enorme hangar onde estacionava a frota rebelde, era um templo muito antigo, construído em pedra sólida havia eras incontáveis pela raça dos Massassi, entretanto extinta, que tinha sido escrava dos Sith. Albergava agora a Base Um da Aliança, um local secreto que servia de plataforma para os ataques principais contra o Império. A floresta circundante ocultava a estrutura, para além de existirem outras, semelhantes mas não com a mesma imponência, onde operavam emissores destinados a enviar sinais confusos, para impedir a descoberta daquele local secreto de operações clandestinas. Não que importasse muito, agora. O Imperador dentro em breve tomaria conhecimento do sucedido à Estrela da Morte e enviaria uma expedição para conquistar aquele sítio. Se possível, capturar alguns rebeldes, vingar a afronta cometida por ousarem ter atentado contra o poderio imperial.


Por enquanto, era tempo de festejos e essa preocupação estaria longe de todos, naquele dia.


A porta dupla deslizou e ele ficou em sentido. Esperava ansioso pelos líderes militares da Aliança, queria despachar depressa a parte oficial daquele longo acontecimento, o maior, claramente, da sua jovem vida. No entanto, quem passou pelo umbral foram os dois androides, See-Threepio e Artoo-Detoo. Os seus androides!


- Artoo! – exclamou e aproximou-se do pequeno astromec que brilhava como novo.


O androide apresentava-se totalmente renovado. Estava mesmo novo, portanto. Durante o ataque à Estrela da Morte fizera equipa com ele, no seu X-Wing. Um disparo laser de um caça TIE apanhara-o em cheio. Escutara-lhe o apito desesperado quando se desligara, com os circuitos esturricados. Estivera nas oficinas, fora vê-lo uma vez, obrigaram-no a sair, disseram-lhe que não estava a fazer nada ali, que só atrapalhava. Perguntara se era possível recuperá-lo totalmente, ele acreditava que sim, que Artoo iria ficar bem, não lhe responderam e continuaram a enxotá-lo. Durante a cerimónia, o androide surgiu com a sua habitual alegria, oscilando nas patas metálicas. Fizeram-lhe essa surpresa. Ainda não tinha tido oportunidade de reencontrar o companheiro artificial. Acontecia agora.


- Artoo! Estás magnífico! – exclamou. – Sabia que iriam fazer um excelente trabalho contigo.


O astromec emitiu vários silvos de contentamento.


- Menino Luke, muitos parabéns pela condecoração – disse Threepio cordial. O androide protocolar também estava com um aspeto impecável, polido e mais dourado do que ele se lembrava. Conseguira ver o seu brilho ao longe à medida que percorria o longo Salão Principal de Audiências, era um ponto de referência e acalmava-lhe a ansiedade. Mas depois lembrava-se de a ter visto, ela brilhava mais do que o androide e deixou-se encantar por essa visão...


- Obrigado, Threepio – respondeu sorrindo.


- As minhas felicitações também vão para si, capitão Solo. E para o Chewbacca – volveu Threepio com uma simpatia educada, mas o corelliano revirou os olhos.


- Sim, claro... Sim. Obrigado – suspirou Han, parecendo aborrecido por ter de emitir uma resposta a uma máquina. Não gostava de androides, era notório. Outro dos seus grandes segredos.


- Eu e o Artoo estamos muito orgulhosos do reconhecimento das vossas ações heroicas, que beneficiaram a luta pela liberdade da galáxia e que salvaram tantas vidas inocentes – prosseguiu o androide protocolar, solene. – Sentimo-nos privilegiados por estarmos ao vosso serviço e queremos anunciar que é uma honra se continuarem a requisitar-nos para prestarmos o nosso auxílio e utilizarmos o nosso humilde conhecimento em qualquer tarefa que vos seja incumbida.


- Threepio, tornaste-te indispensável. Já não passamos sem ti – respondeu divertido com as caretas de Han e os rugidos admirados de Chewie.


Artoo piou.


- Nem sem ti, Artoo.


- O que querem daqui?


- Han! – censurou. – Eles vieram cumprimentar-nos!


- E já cumprimentaram. Mas há mais... Certo, lata?


As articulações metálicas de Threepio rangeram, brevemente, de indignação.


- Oh… – deixou escapar.


- Han, por favor...


- O que foi que eu disse?!


- Menino Luke, o capitão Solo tem razão.


Ele olhou espantado para o rosto inexpressivo do androide, que completou:


- Estamos aqui para entregar uma mensagem.


- Uma mensagem?


Threepio deu uma palmada na cúpula de Artoo.


- Vamos, faz o que tens a fazer, balde de parafusos! O capitão Solo está impaciente e não nos podemos demorar. O general Dodonna já está a caminho e não vamos atrapalhá-lo, nem embaraçar os homenageados, com a nossa presença.


Ele franziu a testa, intrigado com o teor dessa inesperada mensagem. Por seu turno, Han não se mostrava coisa alguma, pelos vistos não sentia qualquer curiosidade em relação à missão do par de androides.


Do óculo de Artoo saiu um feixe de partículas azuis e, no final do cone luminoso, uma figura tremeluziu para se transformar num holograma de alguém. Isso fê-lo lembrar-se. A recordação encheu-o por dentro, penetrando em cada fibra, cada célula, tornando-o quente e etéreo, construído da mesma matéria leve daquela memória, do feixe de partículas. Sentiu-se transportado para um outro mundo, para um outro tempo – e não tinha sido assim há tanto tempo...


Ajuda-me, Obi-Wan Kenobi. És a minha única esperança!


Estava na sua casa, em Tatooine, os dois androides estavam com ele, acabados de comprar aos negociantes Jawa. Limpava-os, reparava-os, havia demasiada areia por ali. O deserto vermelho era incomodativo para os forasteiros. Para os indígenas, também... Uma imensa prisão monótona de areia. Nisto, um feixe de partículas azuis, uma imagem de uma alvura celestial, uma mulher linda, em perigo, que pedia ajuda.


Pestanejou e dissipou dos seus olhos húmidos essa memória.


De regresso ao presente, longe da areia de Tatooine, numa sala do Templo de Massassi, o holograma que Artoo projetava representava a mesma mulher linda, vestida do mesmo branco mas, sem o perigo na postura e no apelo. O sorriso dela era luminoso e ele sentiu o coração acelerar.


- “Meus amigos” – começou ela –, “hoje é um dia muito especial. Pela primeira vez, estamos juntos em condições mais agradáveis do que aquelas em que nos conhecemos. Está a ser preparada uma festa para o final desta tarde, no Salão de Audiências, e quero convidar-vos pessoalmente para participarem em mais essa celebração, que pretende realçar a primeira grande vitória da Aliança sobre o Império. Conto com a vossa presença e tenho a certeza de que passaremos uma noite muito divertida! Até logo, meus queridos.


O feixe apagou-se.


De braços cruzados, Han sorria. Ele apercebeu-se de que estava a corar e olhou para a biqueira das botas. A mensagem não lhe fora dirigida, em particular, mas ele sentiu-se lisonjeado ao ser tratado por “querido”. Não significava nada de especial... Mas o seu coração insistia em bater mais fortemente. De facto, não significava mesmo nada de especial. A mensagem fora para ele, para Han e para Chewie. Ela nunca lhe tinha enviado nenhuma mensagem. Nem aquela de Tatooine lhe era dirigida. Ele tinha, apenas, tropeçado na transmissão escondida no astromec...


- Vamos, Artoo.


Threepio encaminhou-se para a saída, depois de chamar pelo companheiro. Sem mais explicações ou despedidas, os dois androides saíram da sala e a porta dupla fechou-se. A mensagem fora entregue, a missão cumprida e não eram mais necessários.


- A princesa enviou-nos um convite pessoal para a festa de hoje – comentou Han surpreendido, naquele tom brincalhão que podia significar ironia ou troça. – Muito interessante! Claro que vamos aparecer... não é, miúdo?


Ele forçou-se a respirar fundo para se acalmar.


- Existe outra alternativa? Claro que vamos...


- Não perdia essa festa por nada desta galáxia. Espero que haja bebida à descrição... Estou a precisar de beber um copo.


Chewbacca rosnou um aviso.


- Vou ter atenção! – respondeu Han indignado. – Sei onde estou. E não quero que a princesa pense mal de mim.


Ele espreitou o contrabandista, que lhe passou um braço pelos ombros.


- Vamos beber um copo juntos, hum? Um brinde às vitórias! É melhor comemorarmos enquanto podemos.


- Não sejas tão pessimista – pediu-lhe, divertido.


- Sou realista.


- Pensava que nunca querias que te dessem as probabilidades.


Han Solo soltou uma gargalhada.


A porta dupla voltou a abrir-se. Jan Dodonna passou por esta num passo seguro, avançando rapidamente. Atrás dele seguia a pequena comitiva de comandantes militares que lideravam a Base Um da Aliança. Han Solo endireitou as costas, compôs um sorriso diplomático. Foi a ele que o general se dirigiu primeiro, de braço estendido, a preparar o cumprimento.


- Capitão Solo!


Ele inspirou, prendeu o ar no peito. Agarrou na medalha, pousando-a na palma da mão direita. Passou o polegar pela sua superfície gravada, a tal flor com o sol nascente, a Estrela da Morte, ou o que quer que fosse.


- Bem, Luke Skywalker – disse de si para si, em surdina, com uma ponta de vaidade –, a tua vida mudou para sempre. Tatooine ficou demasiado longe...


Dodonna dirigiu-se-lhe, a seguir.

14 de Mayo de 2018 a las 14:40 0 Reporte Insertar 2
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