Minha triste imperfeição Seguir historia

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Ainda estava escuro quando Ino convenceu Sai que pegar a moto e sair sem rumo era uma boa idéia. O relógio no pulso do moreno marcava 4:36 e o frio congelava os ossos, mas ela ainda sorria abertamente, como se a brisa fosse apenas refrescante.


Fanfiction No para niños menores de 13.

#songfic #sai #Ino-Yamanaka #saiino #Projeto-Rosa-de-Saron
Cuento corto
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Único

Notas

— Primeira one-short do Projeto Rosa de Saron, que foi criado por mim e pela @equinocio.

— Betado por @bdamas do Animes Design. Obrigada, fada. Tu é um anjinho na minha vida.

— Songfic da música Minha Triste Imperfeição (Rosa de Saron)


⊱ • ❀ • ⊰


• Minha triste imperfeição •

Capítulo Único
r e t r i v e


   Ainda estava escuro quando Ino convenceu Sai que pegar a moto e sair sem rumo era uma boa idéia. O relógio no pulso do moreno marcava 4:36 e o frio congelava os ossos, mas ela ainda sorria abertamente, como se a brisa fosse apenas refrescante.

   A pista vazia e a certeza de que o sol logo nasceria deu ao moreno a ideia louca de subir o pequeno monte de cidade, na tentativa de ver um amanhecer de tirar o fôlego ao lado da mulher que amava.

   Ao lado da mulher que ainda estava ali, mesmo depois de tudo.

   O rapaz estava longe de ser perfeito, em diversos sentidos. Não se considerava o homem mais lindo do mundo e odiava sua própria palidez; não suportava seus monótonos olhos pretos que seguiam a mesma cor que o cabelo.

   Mas não era apenas a aparência que era imperfeita. Sua personalidade em si era um saco, e Sai sabia que era o pior em todo o mundo.

   Esse era o problema. Ino ressaltava que a única coisa desagradável em Sai era sua falta de personalidade e sempre querer ser como os outros. E ela, como sempre, tinha total razão.

   Quando conheceu Yamanaka, o rapaz estava no meio de milhares de problemas emocionais em busca de respostas sobre si mesmo. Havia perdido o irmão mais velho e, junto com o luto, a crise de personalidade tomou conta dele por inteiro.

     Era um dos caras que fazia merda sem nem notar.

   Sua busca pela personalidade que agradava a todos só rendeu problemas para ele e qualquer pessoa importante ao seu redor. Sai era quase tóxico, e Ino se afogava cada vez mais no negro mistério que emanava dele.

   Não se afogava nele por querer. Na verdade, estar perto dele machucava, mas não podia evitar. Conseguia ver naqueles olhos escuros algo que valia à pena lutar, algo que poderia ser salvo.

     Só que machucava demais receber qualquer coisa que vinha dele.

   Ele era inocente em um nível que chegava a ser irreal. Sua falta de exemplos só ajudavam a intensificar uma personalidade instável e extremamente problemática.

   Não sabia sorrir verdadeiramente e não usava as palavras mágicas em seu dia a dia. A tentativa falha de agradar seus falsos amigos só servia para intensificar ainda mais a grosseria presente.

   Influenciável. Extremamente influenciável.

   Era influenciado pelos amigos, pelo que achava certo após assistir algum filme sem sentido com violência desnecessária. Mas no fundo, ele só queria ser perfeito, ser aceito.

   Todas as noites, as lágrimas incontroláveis e a solidão eram as únicas coisas que ele possuía. Não conseguia entender os motivos para não ser aceito se sempre fazia o possível para agradar os outros.

   Já não conseguia mais se reconhecer quando se olhava no espelho. Não possuía mais sua própria identidade, se perdendo cada vez mais naquela pessoa que ele se transformou, sem nem parecer que havia perdido o controle.

   Com olhos vermelhos e o rosto inchado, Sai só queria gritar. Pedir socorro e achar a si mesmo.

   Não era capaz de informar quando Ino se tornou algo presente em seu cotidiano, mas sabia exatamente quando ele começou a contaminá-la com todos os seus problemas.

   A primeira vez foi quando notou que a loira sentia algo por ele. Tirar uma vantagem sobre isso com os amigos não seria ruim, certo? Talvez ganhasse algum título com o fato. Não estava ofendendo e nem espalhando uma mentira, mas começou um boato mentiroso e nojento que dizia que ela era uma vadia ofensiva.

   Aquilo se espalhou como fogo e queimou Ino por dentro. Mas, mesmo com esse primeiro erro, ela não desistiu. Queria mostrar que ele podia ser mais que aquilo, mesmo com tudo e todos dizendo o oposto.

   A segunda foi quando concordou que, mesmo não achando tão correto, fotografar a primeira vez deles seria algo divertido.

   Yamanaka ganhou má fama e ele virou motivo para piada entre os rapazes. Mas estava tudo certo, pelo menos ele finalmente era notado.

   E novamente ela continuou. Tentando intensificar a relação e mostrando que eles seriam capazes de conquistar o mundo se estivessem juntos. Tentando provar que nada daquilo era necessário.

   Uma relação estranha ganhou forma. Juntos, ele podia ser ele mesmo por alguns instantes e conseguia mostrar suas qualidades sem filtro algum.

   Sai se viu inteiramente louco por ela. Entregou tudo aquilo que havia de bom nele apenas para ela, e a fez feliz por um determinado tempo.

   A amava, mas ainda possuía sua maior e mais triste imperfeição: ainda possuía a necessidade de agradar a todos, sem medir as malditas consequências.

   A terceira vez que a machucou foi quando ele desviou o olhar do que de fato era importante e fechou os olhos para ela. Chamou a loira de vadia fútil pelas costas, mesmo com todo o caso de amor que construíram.

   Não tinha essa opinião a respeito dela, mas talvez poderia ser aceito se agisse como os outros. Ela nunca saberia, certo? Falar isso uma vez não mataria ninguém.

   Mas ela soube. O mal que havia nele a machucou de uma forma profunda demais, e ela teve certeza que aquela relação só existia para machucá-la.

   Sai errou tentando acertar com as pessoas erradas. Foi o maior burro de toda a história e afastou dele a única capaz de aceitá-lo sem a necessidade de uma máscara.

   Apenas quando Ino esteve longe que ele foi capaz de entender que sempre teve tudo que desejava. Ela o aceitava e não exigia que ele mudasse nem um fio de cabelo. Ter o carinho verdadeiro dela era a única coisa que importava, mas ele não descobriu na hora certa.

   Sai descobriu que o sentimento por ela foi real quando a viu nos braços de outro, mesmo que ela não quisesse verdadeiramente estar lá.

   Ele soube naquele dia que a sede que havia causado em Ino o afogaria cada dia mais.

   Ao ver a loira limpar os lábios após beijar o homem e se afastar com os olhos marejados, ele teve certeza que, mesmo com todos os pecados cometidos, tinha uma maldita chance.

   A segurou pelo braço, mas não exagerou na força.

   — Eu realmente amei você. Ainda amo.

   — E eu sou a Pucca.

   — Você não está feliz.

   — Como se isso fosse de fato importante para você.

  — Sei que não parece, mas não tem um só dia em que eu não pense em todas essas merdas. Eu te entreguei tudo, Ino. Sei que não parece, pois esse mal que existe em mim só te machucou nos últimos meses, mas eu amo você.

   A risada debochada e tapa estalado eram as respostas que ele merecia.

   Sai era o pior homem.

   Mas Ino ainda sentia o peito apertar toda vez que via o quanto ele era vulnerável; toda vez que observava de longe alguém abusar da inocência dele, o fazendo de alvo de chacotas. Mesmo com total convicção de que seria trouxa se aceitasse as desculpas, ela tentou compreender e calcular as chances que poderiam ter se tentassem de novo.

   Quando Sai sumiu da faculdade por duas semanas e não atendeu as ligações dela, a loira soube que algo estava errado.

   Ino não se importou consigo mesma quando correu até a casa dele; não teve um raciocínio lógico quando o encontrou acabado e trancado no quarto. Não estava bêbado, muito menos drogado: era a própria culpa e dor que o corroía de dentro para fora, sem a menor piedade.

   Foi naquele cenário dramático que ele jurou que nunca mais machucaria o coração dela, e que iria tirar todas as pedras do caminho deles.

   Mesmo desconfiada e quebrada, Ino aceitou cada pedido de desculpas. A última segunda chance depois de tantas.

   Sai prometeu que faria da Yamanaka sua rainha e cumpriu. Deixou de ser tóxico quando finalmente entendeu que verdadeiros amigos não se importam com aparências.

   Talvez seus erros do passado para com ela fossem um dos motivos para ele topar, sem hesitar, sair às 4 da manhã sem rumo.

   Olhando para a loira iluminada pela luz do sol que nascia, ele teve certeza que a amava.

   Os cabelos ficavam ainda mais dourados e os olhos quase refletiam à luz alaranjada, como um perfeito espelho. Ele tinha bem ao seu lado a primeira maravilha do mundo moderno.

   A grama estava úmida pelo sereno matutino, mas Ino nunca teve frescura. Não hesitou em deitar e fechar os olhos, aproveitando o clima temperado que quase beirava à perfeição; o equilíbrio entre o frescor do chão e o calor dos primeiros raios de sol.

   A loira era perfeita. Até os defeitos dela eram sublimes e encantadores. Já Sai, afogava-se em uma imperfeição infinita.

   Deitou-se ao lado dela e admirou de perto enquanto ela parecia dormir. As pequenas sardas no nariz, a sobrancelha bem feita e os cílios naturalmente longos. Não era a luz natural que a deixava bela, era ela que embelezava a paisagem.

   Ino era uma pintura impressionista pintada por Pierre-Auguste Renoir. Não… ela era ainda mais bela; uma peça única, que nenhum artista, nem mesmo ele, poderia se capaz de pintar.

   Prometeu pela milésima vez para o sol que nascia que nunca mais a machucaria. Que cuidaria de Yamanaka da mesma forma que ela cuidava das flores.

   — Obrigada. – encarou o rapaz, mordendo os lábios com um leve sorriso.

   — Pelo quê?

   — Por me fazer feliz, verdadeiramente. Por se fazer feliz e finalmente entender que só temos que agradar a nós mesmos.

   — Então sou eu que tenho que agradecer, lindinha. – sorriu de lado e acariciou as bochechas rosadas salpicadas pelas pequenas sardas –Eu amo você.

   Ele aprendeu a cumprir promessas e, depois de notar sua própria triste imperfeição, só permitiu que Ino chorasse de felicidade.

   Ino transformou Sai na melhor versão dele mesmo, preenchendo o vazio que existia nele; tornando a triste imperfeição dele em uma lembrança cada vez mais distante.

5 de Mayo de 2018 a las 03:35 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

retrive geibi Ficwritter e designer nas horas vagas. 18 anos, criatividade demais para pouco tempo e muita preguiça. Mama da maravilhosa Igreja Arte do SaiIno Entrano

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