Bolinho de arroz Seguir historia

lady_giovanni Lady Giovanni

Após sair da casa de seu melhor amigo, Afrodite é surpreendido pelo guardião de libra, que lhe fará um pedido inusitado em sua casa. O que seria?


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Todos os direitos reservados.

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Cuento corto
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Pedido

Afrodite observava seu melhor amigo concentrado numa partida de carteado, enquanto degustava uma taça do bom vinho que ele havia lhe servido mais cedo. Levou a outra mão que segurava o cigarro até a boca e tragou lentamente, ainda com o olhar fixo na reação dos jogadores, soltando um leve sorriso de canto, pois havia aprendido algumas artimanhas sobre o jogo em questão com seu amigo italiano.


Inconformado com mais uma partida perdida, Kanon jogou as cartas na mesa e bufou irritado,desconfiado do cavaleiro a sua frente, que exibia aquele velho sorriso sacana nos lábios. Sabia que ele não era nada bobo e se houvesse alguma coisa errada, não deixaria por menos, pois não admitia ser passado para trás.


— Tem alguma coisa errada aqui… — comentou, despertando a atenção de Afrodite que olhava pensativo para o copo que segurava.

— Sì. Sua cara de quem non admite uma derrota. — disse e soltou um riso, mas logo parou ao ver o outro se levantar irritado.

— Eu não admito uma derrota, ou você que não sabe jogar limpo e vive fazendo os outros de trouxa?


Afrodite revirou os olhos e tragou novamente, já sabendo bem o que estaria para acontecer e não entendia como aqueles dois podiam se dar bem, se qualquer motivo idiota era pretexto para brigarem. Inclinou a cabeça levemente, soltando a fumaça para cima e voltou a bebericar do vinho, vendo Kanon ter a voz mais ativa, como sempre, e esperando apenas o momento certo que seu amigo daria um basta naquilo. Máscara da morte, tinha sangue italiano nas veias e por mais que se mantivesse indiferente numa discussão, sua raiva aumentava gradativamente a cada palavra cuspida em sua cara. Seus olhos o denunciavam.


— Eu não sei porque ainda insisto nessa porcaria! Eu deveria mesmo ter ouvido Saga e não ter me metido com você! Milo jamais me trataria como você me trata, porque diferente de você, não é um filho da puta, ordinário! — disse e viu Máscara da morte se aproximar perigosamente, encarando-o face a face.


Afrodite novamente revirou os olhos e se levantou, vendo os dois discutindo cada vez mais alto e parou diante deles, olhando-os com seriedade.


— Por que os dois pombinhos não resolvem isso entre quatro paredes, ao invés de ficarem perdendo tempo com essa discussão ridícula? — perguntou e viu os dois pararem de falar e olharem para ele surpresos. — Quer saber? Que se danem vocês dois. — disse e deu as costas, dando alguns passos até a saída. — Eu nunca vou entender mesmo o que se passa… o sexo deve compensar. É a única explicação pra isso. — resmungou e saiu da casa, olhando para a escadaria a sua frente, tendo que enfrentar várias delas até chegar até o seu templo.


Agora isso… maldito seja, Giovanni! Eu não estou com paciência pra subir isso tudo no meu estado, mas ter que aturar mais uma briga entre você e o Kanon é demais pra mim. Não aguento mais.


Ao continuar seus passos até peixes, pensou no quanto se sentia sozinho ultimamente, desde que seu amigo havia engatado um namoro com Kanon de gêmeos. Sentia falta das conversas, das saídas para Rodorio às escondidas, ou até mesmo, de eventualmente se reunirem na casa de um ou de outro para conversar e tomar umas cervejas.


Parou, agora encarando o templo a sua frente e se comunicou pelo cosmo com o guardião para conseguir a permissão para passagem:


— Sei que velhos dormem cedo, mas se, porventura, ainda estiver acordado, me concederia passagem pela sua casa, mestre Yoda?

— Vai pra puta que pariu com essa piadinha sobre velho! Eu sou jovem! Muito jovem! Até mais do que você! — respondeu mau humorado, arrancando um riso do pisciano.

— Nossa, mas quanta hostilidade com um companheiro de armas. Foi só uma brincadeirinha.

— Passe logo e pare de me azucrinar! — respondeu rispidamente, após arruinar sua terceira tentativa de cozinhar arroz no fogão, pois estava enjoado de comer comida feita no microondas.


Afrodite soltou um riso e entrou no templo de libra, sentindo o cheiro forte de comida queimada e cobriu a boca para não passar pela casa do chinês aos risos. Assim que pôs um pé pra fora da saída, escutou a voz do libriano ecoar pelo salão ao chamar seu nome algumas vezes e se virou.


— Afrodite! Afrodite… — ofegou à sua frente, chamando a atenção do cavaleiro de peixes por estar vestindo apenas um avental preto – desbotado – por cima da cueca boxer de cor branca.

— Mas o que é isso? — riu ao encarar o olhar sisudo do outro. — Nunca imaginei você assim nesses trajes. — apontou e voltou a rir.

— Olha, eu não chamei você para ficar ouvindo suas piadinhas, Afrodite de peixes.

— Ah, não? — cruzou os braços e sorriu de canto como Máscara da morte faria se estivesse ali. Até alguns de seus trejeitos havia pego por convivência. — Está bem. Do que precisa, então?

— Ah… — engoliu seco e encarou o chão sem jeito, o que fez Afrodite erguer uma sobrancelha.


Tô achando isso muito estranho… será que esse velho tá querendo me comer? Só que faltava.


— Fale, logo! Não faça rodeios! — insistiu e viu o mais velho lhe encarar de volta.

— É que não é tão fácil assim…


Puta que pariu… Eu vou embora. Se ele tá achando que a casa dele vai me influenciar de alguma forma, ele tá redondamente enganado.


— Bom, sendo assim… boa noite, Dohko de libra. — voltou a girar em direção a saída e parou ao ouvi-lo novamente:

— Arroz!


Arroz? Mas o que diabos ele quer, afinal?


Afrodite se virou com um olhar confuso, não menos desconfiado, e voltou a cruzar os braços.


— Que história é essa de arroz? — perguntou, vendo-o arregalar os olhos e soltar um sorriso quase infantil, ao mesmo tempo que coçou algumas vezes.

— É… eu não consigo cozinhar no fogão. — forçou mais o sorriso, vendo o outro recuar a cabeça para trás com uma cara de que não estava entendo nada.

— E você me chamou aqui para…

— Isso aí? Você vai cozinhar arroz pra mim! — fechou os olhos e empinou o nariz orgulhoso por finalmente ter dito o que tanto queria.


Afrodite piscou os olhos algumas vezes, crendo que aquilo só podia ser alguma brincadeira de mau gosto ou, talvez tivesse bebido demais e estivesse tendo algum tipo de pesadelo bizarro. De qualquer jeito, soltou uma gargalhada, deixando o outro surpreso e tocou a mão sobre o ombro dele.


— Tá bom. Boa noite, Dohko. — disse e se virou para sair dali e sentiu seu braço ser puxado, de modo que se virasse bruscamente para ele. Encarou os olhos de perto, sentindo o rosto esquentar ligeiramente e engoliu seco. — O que está fazendo?


— Eu estou falando sério. Quero meu arroz! — encarou os olhos azuis, destemido como um tigre e logo foi afastado pelo maior.

— O que pensa que está fazendo? — perguntou e ajeitou a camisa que havia sido puxada para fora da calça e suspirou, vendo que havia perdido um botão dela. — Que saco! Olha o que você fez? Eu nem sei costurar, droga! O que você andou fumando hein, seu velho idiota?


Dohko chegou a franzir o cenho, irritado com insinuação e, também, pela falta de sensibilidade do outro, ao vê-lo desesperado por um pouco de arroz. Contudo, Afrodite parecia irredutível em não colaborar e isso, só deixou sua noite ainda mais desanimadora. Já até considerava pular a refeição.


Afrodite vendo o desânimo do outro, levou a mão até o queixo e o analisou. Em que momento, Dohko havia mudado tanto a ponto de agir como os jovens cavaleiros de bronze? Se perguntou e respirou fundo, antes de tomar uma decisão.


— Dohko… eu não sou a melhor pessoa pra ajudar você na cozinha…

— Tudo bem. Eu entendo. Obrigado. — disse e se virou desanimado, pegando o caminho para o interior de sua casa e ouviu a voz do louro:

— Mas eu posso ajudá-lo. Eu acho. — tocou o indicador sobre a bochecha e viu o moreno se virar com um sorriso nos lábios.

— Mesmo? — perguntou empolgado e Afrodite segurou o riso com a expressão moleca que Dohko continha no rosto.


Afrodite mal teve para responder e foi puxado até a cozinha, soltando alguns risos no caminho. Parecia até ter voltado a sua adolescência. Assim que entrou na cozinha, sentiu o cheiro de queimado e fez uma careta, fazendo Dohko sorrir sem graça.


— Eu tava tentando.

— Tô vendo. Você tentou muito, né? — perguntou ao olhar a quantidade de bacias e panelas sujas espalhadas pela cozinha. — Bom… acho melhor começar pela limpeza. Não dá pra cozinhar com um monte de coisa suja, ocupando espaço.

— É. Tem razão… mas deixa isso comigo.

— Tá.


Afrodite se aproximou do fogão para ver o que tinha dentro daquelas panelas e viu as três,contendo apenas arroz. Olhou para o escorredor de louça, vendo uma colher de pau e alcançou para raspar o arroz que tinha por cima para provar.


— Hum… não está tão ruim. — comentou e Dohko olhou para ele curioso.

— Não? Mas tá queimado.

— Olha, não estou sentindo o gosto de queimado, o que é uma boa coisa, mas está com pouco sal.

— Ah… é que eu não sei a quantidade certa. — Abriu um sorriso e levou a mão até a nuca.

— Uhum. Bom, acho que podemos fazer algo para não haver desperdício.

— Algo?

— É. — disse e pegou uma bacia limpa que Dohko recém havia lavado. — Onde tem ovos? Você tem cheiro verde?

— Na geladeira.

— Está bem.


Afrodite deixou a bacia sobre o balcão e tirou uma borrachinha do bolso para prender seus cabelos. Após fazer um coque, foi até o moreno e colocou as mãos sobre o laço, dizendo quase ao pé de seu ouvido que precisaria da peça, o que o deixou arrepiado. Assim que puxou uma ponta, tirou a peça com cuidado e se afastou para vesti-la, antes de lavar as mãos.


— Preciso lavar as mãos.

— A vontade. — deu espaço, observando o louro de lado, notando o quanto Afrodite parecia diferente estando de perto. Não possuía o corpo tão esguio quanto achava que tinha, sem falar no cheiro. Nunca foi tão próximo do pisciano, mas imaginava que o mesmo vivia perfumado como as rosas contidas de sua casa. Porém, estava enganado. Seu cheiro era discreto e nada floral ou doce. O cheiro se assemelhava muito com algum perfume que havia usado no passado. Com toda certeza, amadeirado.


Afrodite sentiu o olhar do menor para si e olhou para ele, vendo-o ficar completamente sem graça. Voltou o olhar para o pano e secou as mãos, saindo dali para o fogão.


Estranho. Agora sinto ele me olhar diferente. O que será que ele tá querendo agora?


— Bom, acho que dá pra fazer uns bolinhos de arroz com o que tem aqui.


Dohko largou a esponja na pia ao ouvir aquilo e olhou para Afrodite mais feliz do que nunca. Fazia algum tempo que não comia bolinho de arroz e pelo capricho que o outro estava mostrando na cozinha, aquilo só poderia resultar em coisa boa.


No entanto…


Uma hora após preparar e fritar a massa, Afrodite colocou o prato na mesa e suspirou, sentindo o cansaço lhe atingir em cheio. Fazia algum tempo que não preparava nada frito e só de sentir o cheiro de gordura no ar, acabou por perder toda a fome.


Dohko olhou para a pirâmide de bolinhos e abriu um sorriso, parecendo os velhos lobos de desenho animado, quando estavam prestes a devorar algo e levou as duas mãos ao prato. Parou ao ver Afrodite lhe encarando e sorriu, girando as mãos, como se estivesse oferecendo.


— Pega! Nada mais justo que você prove o primeiro.


Afrodite olhou para o guardanapo úmido do óleo da fritura e balançou a cabeça para os lados. Se só o cheiro já estava lhe deixando enjoado, imagine o gosto.


— Pode comer. Eu estou sem fome.


Ótimo. Sobra mais pra mim.


Sem cerimônias, Dohko avançou no prato, enfiando dois bolos de uma vez na boca e parou de mastigar.


Afrodite arregalou os olhos, temendo pelo pior e já se aproximou, chacoalhando o outro.


— Cospe! Eu vou ajudar você!


Dohko até tentou sinalizar que não havia engasgado, mas era tarde. O tapa que recebeu nas costas foi tão grande que o fez expulsar os bolinhos e mergulhar a cara no prata de bolinhos.


— Ah, acho que exagerei. — sorriu sem graça.

— Porra! Que patada… ai. — apertou os olhos. — Credo, Afrodite, não achava que era tão forte assim. Ai, minhas costas. — levou as mãos na lombar.

— Nossa, mas nem foi tão forte assim… imagina se tivesse usado toda minha força. — comentou e deu de ombros quando Dohko estreitou o olhar. — É, ué.

— Da próxima vez, não deixo você chegar perto de mim. — retrucou e pegou um guardanapo pra passar no rosto.

— Ora, foi você quem me chamou e deveria ser grato a mim, ou sabe lá o que teria acontecido com sua casa. Não sei como não explodiu tudo. — disse e Dohko revirou os olhos para seu comentário.

— Grande coisa. — deu de ombros. — E nem ficou lá essa maravilha toda. — falou de birra e viu o outro tirar o avental e jogar a peça praticamente em sua cara.

— Da próxima vez, mande o seu capacho de dragão vir cozinhar pra você, seu ingrato duma figa!


Dohko baixou o olhar, vendo o prato de bolinhos a sua frente e suspirou. Havia exagerado, é claro. Não foram os melhores bolinhos que já comeu em sua vida, mas estavam bons e teve um grande diferencial por terem sido feitos de bom grado pela pessoa mais improvável a lhe fazer um favor no santuário.


Já Afrodite, caminhava a duros passos pelo salão de libra até a saída, desejando que Dohko tivesse uma bela dor de barriga por aquela desfeita. Saiu da casa em direção a escadaria e viu um clarão iluminar a casa seguinte, seguido do barulho do trovão, anunciando a chuva que se aproximava.


— Era só que me faltava. — resmungou e apressou os passos até escorpião para pedir passagem para Milo.


Dohko saiu de sua casa no exato momento em que a chuva começou a cair e já na metade da escadaria, sentiu o corpo gelar com a chuva que havia lhe encharcado por completo.


— Ah, droga…


Afrodite ouviu um resmungo e se virou, vendo Dohko completamente encharcado da chuva. Soltou um riso, achando pouco ainda pelo que havia feito mais cedo e cruzou os braços.


Dohko se aproximou dele, abraçando o próprio corpo do frio que sentia e tremeu de leve ao lhe olhar.


Droga… deveria ter pego um guarda chuva antes de sair.


— Não tem graça, sabia? — disse e apertou o abraço, sentindo que iria espirrar. — Atchim! Ai, droga…


Ainda com seu sorriso triunfante nos lábios, Afrodite olhou o menor dos pés a cabeça e balançou a cabeça para os lados. Sem dúvidas havia ficado com pena do pobre infeliz por vê-lo naquele estado, vestindo apenas uma cueca e até pensou em ajudá-lo, mas ainda não estava convicto de que seria uma boa idéia.


— Pra mim tem. — respondeu e materializou uma rosa, levando-a até o nariz para sentir o perfume.

— Ora… quanta insensibilidade, Afrodite de peixes. — disse ao mesmo tempo que tremia e o outro deu de ombros, fechando os olhos.

— Ah, sim… porque você é o mestre quando se trata disso. Eu vi isso lá na sua casa.


Ao sentir os cosmos do lado de fora de sua casa, Milo resolveu ir até lá para averiguar. Após ver que se tratavam de seus companheiros, ocultou o cosmo e ficou por perto, ouvindo a conversa dos dois.


O que será que tá acontecendo?


— Queria o que? Você quase me faz vomitar meus dois pulmões com aquela porrada nas costas. — reclamou indignado, mas Afrodite parecia pouco ligar.

— Pena que isso não aconteceu. Me pouparia de ter ouvido aquelas coisas que você disse depois… sem falar nisso. — apontou para o corpo do libriano. — Eu sou homem, mas isso não quer dizer que seja obrigado a ver você praticamente nu. Até o Giovanni é menos sem noção do que você.


Nu? — Milo indagou mentalmente e deu uma espiadinha, contendo o riso com a mão. — Esse Dohko é uma parada. Não é atoa que Shiryu vive tirando a roupa também. Tal mestre, tal discípulo.


— Eu tava na minha casa. Minha casa! — enfatizou e Afrodite afastou a rosa do nariz, apertando de leve o cabo.

— Mas quem ficou enchendo a saco por causa de comida foi quem? Quem? Ah, claro… — soltou um sorriso e logo ficou sério. — O senhor que não tem vergonha na cara pra comprar uma porra de livro de receitas pra aprender a cozinhar.

— Ah, tá… falou o exímio cozinheiro. — debochou e viu o outro partir a rosa do cabo de raiva.

— Ora, seu…

— O que está acontecendo aqui?


Ambos deixaram de se encarar e viram o cavaleiro de escorpião parado junto da porta com aquele olhar sério, digno quase de um Camus de Aquário.


— Não tá acontecendo nada. Eu só queria sua permissão pra passar, mas o velho tigre veio bater boca sem motivo.

— Sem motivo é meu ovo! Você sabe bem por que eu vim! — rebateu furioso.

— Não sei do que você tá falando. — disse e olhou para Milo. — Eu vou passar, você autorizando ou não. Até mais ver. — disse e deixou os dois para trás e sumiu dentro do salão.

— Afrodite! Eu não acabei! Eu… ah, que droga! Essa Barbie idiota! — resmungou e viu Milo lhe encarar com seu típico sorriso de canto. — Que foi, hein?

— Vocês dois… parece até que tavam numa DR. — soltou um riso.

— Ah, não enche! — respondeu e deu as costas, saindo dali de volta para sua casa.

— Ele tem razão! Ninguém é obrigado a ver a sua bunda de fora! — falou e gargalhou com o dedo do meio que o outro mandou de resposta.


Isso aí ainda vai dar coisa. — pensou e voltou para sua casa.



No dia seguinte...


Após aquela noite, Dohko acordou com o corpo dolorido e se virou na cama para pegar seu celular. Assim que viu as horas, arregalou os olhos e se levantou o mais rápido que pode para poder se arrumar antes de sair.


Ao se aproximar do armário, sentiu uma leve tontura e teve de se segurar nas prateleiras para não desabar no chão. Estranhou aquela súbita fraqueza e se forçou a caminhar de volta para a cama até que se sentisse um pouco melhor.


Droga… eu não deveria ter saído naquela chuva. — pensou.


Já Afrodite, havia acordado melhor do que nunca e seguiu para a cozinha para preparar algo rápido antes de sair. Assim que entrou, olhou para cesta de frutas e separou algumas para fazer um suco nutritivo. Após espremer as frutas, jogou as cascas no lixo e limpou o que havia sujado para não deixar nada para quando voltasse. Olhou para a jarra, lembrando do chinês de repente e ergueu a sobrancelha.


O que é isso, agora? Isso, definitivamente, é novo. Eu pensando no velho… você deve estar maluco, Afrodite. Definitivamente, perturbado das idéias. Depois de ontem, quero mais é distância daquela casa. — pensou e serviu um copo com o suco.


Após tomar uns goles, voltou a pensar no cavaleiro e afastou o copo de sua boca.


De novo? Mas que diabo é isso?


Voltou o olhar para a jarra de suco e lembrou que Dohko havia pego toda aquela chuva fria no corpo. Poderia ter ficado resfriado e nada melhor do que um bom suco regado a vitamina C pela manhã para prevenir que algo pudesse lhe acontecer. Se pegou sorrindo animado com aquela ideia e acabou soltando o copo no chão, vendo-o se partir em alguns pedaços.


— Droga! Que merda! O que você quer pensar naquele velho num corpo de moleque? O que? — resmungou e se agachou para recolher os cacos.


Após limpar o chão sujo do suco, lavou as mãos e voltou a olhar para a jarra. Bateu com a mão sobre a pia, tentando entender porque estava tão preocupado com uma pessoa que nunca deu a mínima e acabou colocando o suco dentro de uma garrafa térmica para levar para ele. Afinal, não havia nada demais em ajudar uma pessoa, depois de vê-la tomando um banho de chuva, praticamente pelada, em pleno outono. Era preocupação é nada mais do que isso. Pensou e acabou preparando alguns sanduíches para levar também.


A cada minuto que passava, Dohko se sentia pior e resmungava o tempo todo por causa da dor, sem falar no frio. Puxou as cobertas até a cabeça e rolou para o lado, soltando um gemido de dor. Queria poder chamar alguém para ajudá-lo, mas depois da noite anterior, seu orgulho falou mais alto e só aguardava a dor diminuir para tomar as providências por ele mesmo.


Afrodite já havia passado por algumas casas, mas ainda havia mais uma antes de chegar aonde queria. Parou em frente a porta, sentindo o cosmo do cavaleiro próximo dela e não precisou sequer o contatar pelo cosmo, pois o mesmo logo apareceu com um sorriso no rosto.


— Bom dia, rosa.

— Bom dia, Milo. Posso passar? Eu tô com pressa.


Milo notou que o louro carregava algo com ele e voltou o olhar para ele. Pensou primeiramente que deveria estar indo para câncer, mas como nunca havia visto o cavaleiro carregar nada consigo para lá, achou aquilo estranho. Isso, sem falar que DM era praticamente o “masterchef” do santuário.


— O que tá levando aí? — perguntou e levou a mão até a cesta, mas Afrodite beliscou a costa da mão dele. — Ai, qual é? — fez uma careta emburrada.

— Qual é, nada! Deixa de ser enxerido! Tô passando. — disse e passou pelo grego, mas logo parou ao ouvir sua voz:

— Ora! Não lembro de ter dado permissão — disse e Afrodite revirou os olhos.


Mas que curioso… pobre da pessoa que casar com ele.


— Azar o seu e vê se arruma algo pra fazer, antes de meter o bedelho na vida alheia! Não tô com saco de entrar em luta de mil dias por causa de um sanduíche. Faça-me o favor! — resmungou e continuou andando.


Milo deixou o cavaleiro sair de sua casa e foi correndo até a porta para ver aonde o outro iria parar. Assim que o viu entrar em Libra e seu cosmo ficar por lá por mais uns instantes, soltou um sorriso de canto e colocou as mãos no bolso, seguindo para seu quarto.


Como eu pensava… essa casa de libra é fogo mesmo. Tenho que falar com o velho pra me dar umas dicas e emprestar ela pra mim.


Como o cosmo de Dohko parecia um pouco fraco, resolveu entrar sem sua permissão e seguiu até seus aposentos rapidamente. Ao se aproximar do quarto e ouvir alguns gemidos, levou a mão até a maçaneta e abriu a porta. O viu se mexendo inquieto sobre a cama e arregalou os olhos, deixando a cesta cair no chão para ajudá-lo. Se aproximou, vendo-o suando e tocou a mão sobre a testa para ter a confirmação de que o chinês estava ardendo em febre.


— Dohko… eu… eu vou ajudar você. — olhou de um lado para o outro sem saber ao certo o que faria direito e foi até o banheiro.


Assim que entrou, abriu a torneira da pia, mergulhando a toalha de rosto sobre a cuba e abriu as gavetas para ver se encontrava algum remédio.


— Droga, Dohko! Você não compra remédio, não? — resmungou em voz alta e continuou procurando, até que achou uma caixinha guardada dentro do armário abaixo da pia. — Por favor, esteja aqui… — disse e abriu a caixa, vendo uma cartela de comprimidos. — Isso!


Afrodite se levantou para fechar a torneira e torceu a toalha antes de voltar para o quarto e ajudar o chinês. Assim que se aproximou, sentou ao lado e dobrou a toalha antes de colocá-la sobre a testa do enfermo. Olhou para a cesta caída no chão e foi até lá, trazendo-a para perto da cama. Assim que tirou o comprimido da cartela, ajeitou Dohko para não se engasgar com o remédio e pôs o comprimido em sua boca. Estendeu a mão para fazê-lo beber o suco e voltou a acomodá-lo na cama.


— Por que teve que sair daquele jeito, hein? — perguntou baixinho e virou o pano, vendo o cavaleiro estremecer com o toque.

— Frio… — murmurou.

— Eu sei. É a febre... Já vai passar, tá? — respondeu e o cobriu, tirando alguns fios grudados no rosto.

— Frio… Afrodite… — virou o rosto de um lado para o outro. — eu vim… eu vim…

— Shh… Não se esforce.


Inquieto, Dohko continuou se mexendo na cama, deixando o louro cada vez mais preocupado. Como o remédio custava um pouco para fazer efeito, achou melhor esperar para depois tirar uma conclusão se precisaria ou não levá-lo até um médico.


Espero que não seja nada grave… — pensou e tocou de leve no rosto dele, sentindo-o transpirar levemente. — Creio que logo estará de pé… afinal, você possui a força e o vigor de um tigre. Melhore logo. — suspirou e tirou a toalha para novamente umedecê-la com água fresca.



Horas depois…


Dohko abriu os olhos, após passar algum tempo em repouso por causa da febre e olhou para o lado, vendo Máscara da morte ao seu lado. Franziu o cenho, tentando entender porque ele estava ali e sentou na cama, notando que estava de pijama.


— Mas… o que é isso? — puxou a blusa de leve e Máscara soltou um riso.

— Desconfortável por estar vestido? Se non tivesse saído pelado de tua casa, non teria ficado doente. — respondeu e viu o outro passar as mãos sobre o rosto, seguido de um suspiro.

— Tá. Não vou discutir isso como você também. Por que está aqui? — voltou o olhar para ele.

— Ma che… non posso cuidar de um amigo se ele precisar de me? — perguntou e viu o outro lhe olhando seriamente e ambos caíram na risada em seguida.

— Só você pra me fazer rir mesmo, italiano.

— Ora… non deveria duvidar de mia sinceridade. Non sou só um cavaleiro que gosta de beber e jogar. Também sei ser útil quando é preciso.

— Tá bem. Me desculpe. Enfim, ainda não me respondeu a pergunta… não me leve a mal, mas é que não somos tão próximos e você sabe o porquê.

— Mamma mia… vai começar a lembrar do passado agora, caspita?

— Eu não. — cruzou os braços e fechou os olhos. — Quem vive de passado é museu.

— Certo.

— Tá. Não enrola. Por que está aqui?

— Ora, vai dizer que non sabe… — disse e viu o outro revirar os olhos.

— Cara, não enrola.

— Vá bene. — respirou fundo e juntou as palmas das mãos. — Estou aqui perche Afrodite me pediu. — Dohko olhou surpreso com aquela revelação e mergulhou em seus pensamentos, pois não conseguia acreditar que aquilo pudesse ser verdade.


Afrodite? Pediu para Máscara me ajudar? Mas que conversa é essa? Isso tá muito mal contado.


Ei, vecchio… se non se importa, eu vou indo. Você parece bem agora. — disse e se levantou, tocando no ombro do menor que despertou de seus pensamentos.

— Hein? O que?

— Tô indo nessa. Arrivederci. — acenou e deu alguns passos em direção a porta.

— Espera aí! Me explica isso!


Máscara da morte parou e olhou por cima dos ombros com um sorriso de canto.


— Non é a mim que deve exigir explicações. — piscou o olho. — Aliás, nunca vi Afrodite se importar tanto com alguém. O que andou fazendo, hein? — soltou um riso e viu o chinês olhar para ele envergonhado.

— Cale essa boca! — retrucou e voltou a cruzar os braços emburrado. — E fecha a porta quando… — ouviu o barulho e se calou.


E agora? Eu devo procurá-lo?



Dois meses haviam se passado sem que Dohko e Afrodite voltassem a conversar, mantendo a mesma relação que tinham antes daquela noite no templo de libra. O fato, é que ambos não sabiam muito bem como lidar com o que sentiam e como não tinham certeza se aquilo seria recíproco, resolveram guardar aquilo para si. Pelo menos, isso tinham em comum.


Certo dia, Dohko descansava na arquibancada da arena, quando viu o louro surgir na companhia de Máscara da morte e Kanon. Tirou as ataduras, olhando discretamente para o trio e assim que notou que o pisciano havia olhado para ele, tratou logo de disfarçar ao levantar para alongar os braços.


Droga, Dohko. Você dá muita bandeira. Se liga.


Afrodite abaixou a cabeça, segurando o riso e voltou o olhar para os amigos para continuar a conversa. Volta e meia olhava para o chinês, sentindo uma grande vontade de falar com ele, mas acabou tirando aquilo de sua cabeça como das outras vezes.


Dali, Dohko seguiu para a saída da arena para se distrair um pouco, visto que Afrodite havia lhe roubado toda sua atenção. Ao ver a casa de Áries próximo de onde estava, olhou para o outro lado e achou melhor ir até Rodorio. Afinal, lá poderia encontrar a solução para que afastasse, mesmo que temporariamente, Afrodite de seus pensamentos.


Chegando lá, passou por algumas banquinhas e encontrou uma que lhe chamou atenção pelo cheirinho gostoso. A simpática senhora vendia alguns bolinhos fritos, feitos na hora, e quando viu, já estava comendo ali mesmo.


Dohko olhou para o prato de bolinhos e acabou perdendo a fome, pois aquilo acabou lhe lembrando daquela noite. Soltou um suspiro, enrolando o bolinho para comer mais tarde e olhou para a dona da banca um pouco desanimado.


— Estavam ótimos, senhora. Até logo.

— Até. Volte sempre, cavaleiro. — sorriu e viu o moreno se afastando dali.


Dohko andou alguns passos, chutando uma pedrinha que havia no caminho e logo parou. Levou a mão até o queixo, pensando se a ideia que havia tido poderia ser um pequeno passo para um avanço e voltou para a banquinha.


A doce senhora abriu um sorriso ao ver o cavaleiro retornar e ficou surpresa de ouvir seu pedido inusitado, decidindo, por fim, ajudá-lo, afinal era uma boa causa.


Após algum tempo, Dohko partiu dali para comprar o que faltava e partiu de volta para sua casa. Ao chegar lá, começou a preparar tudo, conforme ela havia lhe ensinado e deixou o prato dentro do forno para não esfriar tão rápido.


Saiu apressado para tomar um banho e se arrumou com uma roupa que costumava guardar para ocasiões especiais para recebê-lo. Após se vestir, passou a escova nos cabelos lisos e soltou um sorriso. Estava mais do que eufórico pelo reencontro, no entanto, a insegurança bateu forte e pensou que talvez aquilo tudo pudesse ser em vão. E se ele não aceitasse? E se ele aceitasse e não gostasse? Foram tantas as perguntas, que acabou ficando um pouco desanimado de seguir com o plano.


Dohko suspirou profundamente e desistiu da idéia, levando as pontas dos dedos até os primeiros botões da camisa para tirar aquela roupa. Após abrir os dois primeiros botões, sentiu uma presença em sua casa e parou.


Mas…


O moreno saiu dali apressado até o salão e como imaginava, lá estava ele. Afrodite de peixes, olhando para as peças chinesas que decoravam o salão de libra.


O louro afastou a rosa que segurava próxima de seu rosto e se virou, tirando os belos olhos castanhos do menor. Deixou a mão pender com a rosa, rente a lateral do corpo e sentiu seu peito apertar. Estava cansado de esperar por alguma atitude do cavaleiro e resolveu, ele mesmo, dar o primeiro passo ao procurá-lo em sua casa, pois foi lá onde tudo começou.


— Boa noite. — sorriu timidamente.

— Afrodite… é… boa noite. — desviou o olhar sem jeito e o louro acabou por notar as roupas de Dohko, supondo que ele tinha um encontro.

— Ah, eu… estava de passagem. Eu… eu entrei sem pedir, desculpe. Eu vou seguir meu caminho. — disse e acenou, passando por ele com aquele mesmo perfume de que havia sentido dois meses antes.


Já próximo da saída, Dohko entrou em um dilema infernal que, por fim, foi solucionado ao chamar pelo nome do pisciano. Nada daquilo poderia ser por um mero acaso.


— Afrodite!


O louro parou a um passo de sair de libra e se virou, olhando para o menor.


— Sim? — perguntou, vendo Dohko se aproximar dele e sentiu que seu coração parecia até ter vida própria ao bater forte dentro de seu peito, a ponto de fazê-lo pensar que o mesmo lhe abandonaria a qualquer momento.


— Afrodite… eu… — olhou sem jeito e abaixou a cabeça, coçando a nuca algumas vezes.

— Você?

— Eu… — olhou para ele e engoliu seco. — Eu preciso que venha. P-por favor.


Afrodite olhou em silêncio, tentando decifrar o que ele tanto tinha para lhe falar e acabou por concordar em segui-lo para onde fosse. Não sabia ainda qual intuito daquilo, mas preferiu ouvir sua intuição. Ele não fugiria dessa vez.


— Venha comigo. — disse e o conduziu até a cozinha, onde estava tudo devidamente arrumado em seus lugares.


Afrodite olhou em volta, soltando um sorriso com a visão daquela cozinha tão limpa e organizada, diferente da que havia visto da última vez em libra e voltou o olhar para o chinês.


— Está tudo tão…

— Limpo? Organizado? É. Eu sei. — soltou um sorriso sem jeito. — Eu aprendi algumas coisas nesse meio tempo, sabe. Uma delas, é que não devo descuidar das coisas que são importantes para mim.

— Faz bem. Você está certo. — sorriu e se aproximou da mesa, levando a mão até às margaridas que haviam dentro do vaso sobre a mesa. — Margaridas… gosto delas.

— Mesmo? — arregalou os olhos.

— Mesmo. — olhou para ele e sorriu, aumentando ainda mais a vontade de Dohko tomar aqueles lábios para si.

— Bom… — bateu uma palma. — Tem outra coisa. Sente-se.

— Outra? Interessante. Está bem, cavaleiro. — puxou a cadeira e se sentou.

— Melhor ainda se fechar seus olhos. — disse e viu outro sorriso se abrir e o obedeceu, fechando os olhos.


Dohko abriu o forno, tirando o prato de bolinhos e o colocou no centro da mesa, deixando Afrodite ainda mais curioso.


— Hum.estou sentindo um cheirinho. Posso abrir?

— Ainda não. — respondeu e foi até a geladeira para pegar a jarra com suco de uva e serviu dois copos. Deixou a peça próxima do prato e se acomodou do outro lado da mesa. — Agora pode.


Afrodite abriu os olhos, vendo os bolinhos diante dele e soltou um riso. Jamais pensou que aquele mistério todo fosse em torno daquilo e não conseguiu parar de sorrir. Aquilo só podia ser um sinal.


— Você aprendeu, então… — comentou e passou a ponta dos dedos nos cantos dos olhos para impedir que sua emoção aflorasse de vez.

— Sim. — olhou para os olhos azuis e deslizou a mão pela mesa em direção a dele. — Eu… eu tinha um plano e confesso que quase desisti dele até você aparecer. Creio que tenha sido um sinal.


Um sinal. Essa palavra. Ele… ele sente o mesmo?


Afrodite voltou a sorrir, entrelaçando os dedos com os do libriano e beijou a costa de sua mão.


— Dohko, me desculpe por ter deixado você aquele dia… eu fui chamado de repente e pedi para que o Giovanni continuasse de olho em você.

— Então foi…

— Sim. Eu fiquei do seu lado até aquela febre passar. Eu me senti culpado por ter deixado e depois… — abaixou a cabeça. — Eu não tive coragem de procurar você.


Dohko colocou a outra mão por cima da do louro e a acariciou com um sorriso no rosto. Sabia de alguma forma que aquilo tudo não podia ser obra de Máscara da morte, mas não quis confirmar. Também não teve coragem de descobrir.


— Fico feliz por ouvir isso.

— Não mais do que eu… — sorriu e sentiu os olhos marejarem. — Por que está tão longe? Senta aqui comigo. — pediu de um jeito manhoso, sendo atendido prontamente pelo cavaleiro.


Assim que se aproximou, Afrodite se levantou e inclinou a cabeça levemente para baixo para olhar naqueles olhos de cor tão peculiar. Levou as duas mãos até o rosto de seu amado e segurou, selando os lábios nos dele. Se abraçaram, provando mais dos beijos que trocaram por alguns minutos e se afastaram mantendo o abraço.


— Eu te amo, Afrodite. — disse baixinho e Afrodite voltou a afastar o corpo para olhar para ele.

— Amo você também, meu pequeno. — acariciou o rosto dele e deu um selinho.


Dohko sorriu entre o beijo e acomodou a cadeira pertinho da do cavaleiro para sentar junto dele. Levou a mão até o guardanapo para pegar um bolinho e levou até a boca do louro para ver se ele havia sido aprovado.


Afrodite deu uma mordida no bolinho, oferecendo outro para ele e logo limpou a boca para dar seu veredito final:


— Olha… devo dizer que… — fez uma pausa, aumentando o suspense. — Já provei coisa melhor.


Dohko tirou o sorriso dos lábios, desapontado por ter falhado na receita e um pouco chateado pela sinceridade de seu amado, mas logo voltou a olhar para ele, assim que sentiu a mão macia sobre seu rosto.


— Ora, não faça essa cara… seu bolinho ficou em segundo lugar. O primeiro fica por conta do seu beijo.

— Você… — apontou para ele e o viu soltando um riso divertido. — Você me enganou, seu peixe safadinho. Acho que vou fazer greve de beijo. — fechou os olhos e empinou o nariz.

— Ah, não! Isso não. — disse e puxou o menor para seu colo. — Não vou sobreviver sem esses beijinhos deliciosos. Você não vai fazer isso comigo, vai? — apertou a cintura dele e o viu ficar pensativo.

— Talvez… — disse e teve seus lábios tomados novamente, se rendendo a ele. Afastou logo em seguida, beijando a ponta abaixo de seu olho e lhe deu um selinho. — Te amo.

— Também te amo, meu bolinho.

— Bolinho? — perguntou e viu o outro rir.

— É assim que vou chamar você, pois por causa deles, estamos aqui juntos… apaixonados.

— Sim. Nada é por acaso, meu anjo. Nada.


Afrodite sorriu, tendo a mesma certeza de seu cavaleiro e o abraçou, feliz por finalmente ter encontrado o que achava impossível. Não existe improbabilidade para o destino. Mesmo em situações inusitadas, como a deles, mostra como o destino pode unir duas pessoas diferentes. E, isso… Isso se chama amor.

3 de Mayo de 2018 a las 22:49 1 Reporte Insertar 2
Fin

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Diana  Borges Diana Borges
Li em outro site e adorei de verdade essa fanfic, e agora a encontra aqui, muito bom, beijos
29 de Octubre de 2018 a las 08:26
~