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lady_giovanni Lady Giovanni

Radamanthys sempre foi tido como um homem sem sentimentos, mas isso está para mudar ao receber uma missão que será decisiva para ele.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 21 (adultos). © Todos os direitos reservados.

#romance #yaoi #lemon #cdz #saint-seiya #minos #radamanthys #Minos-Radamanthys
Cuento corto
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More than a feeling

Sentado em uma das salas que havia no castelo de Hades, Radamanthys rodava o copo de whisky, enquanto olhava para o grande quadro da família Heinstein que havia ali pendurado.


Antes de mandar o conteúdo pra dentro, ouviu alguns passos e supôs ser um dos espectros se aproximando. Fez pouco caso daquilo e olhou para o sorriso de Pandora no quadro. Engoliu a bebida rapidamente e bateu com o fundo na mesa. Aquele era o oitavo copo.


A porta se abriu em seguida e, por ela surgiu Zeros. O espectro retirou o elmo em sinal de respeito ao juiz e o observou fitando a obra pendurada na parede.


— Senhor Radamanthys…

— O que é, Zeros? — perguntou e ouviu algumas risadas vindas do espectro.

— A senhorita Pandora ordenou para que eu viesse até aqui e chamá-lo para ir até o encontro dela no grande salão infernal. — disse e sorriu maliciosamente.

— Hum.


Radamanthys apertou o copo na mão, exercendo uma certa força a ponto de trincá-lo e claro que aquilo não passou despercebido do menor. Não era a primeira vez que o via daquele jeito.


— Diga a ela que estou indo. — disse e fez um sinal para que saísse dali.

— Sim, senhor. — disse e tornou a sair por onde entrou, fechando a porta. Ainda dos corredores, pôde ouvir os risos típicos daquele espectro debochado.


Radamanthys encarou o elmo de sua armadura que repousava na mesa, junto da garrafa que estava pela metade e se levantou.


O que ela quer comigo dessa vez? — se perguntou e levou a mão até o elmo para levá-lo junto.


Saiu dali e entrou no corredor que levava até o grande salão e conforme se aproximava dele, pôde ouvir a melodia da harpa que ela costumava tocar. Aquilo foi diminuindo o ritmo de seus passos, pois era agradável ao seus ouvidos, assim como a presença daquela mulher.


A senhora do inferno, Pandora, apesar de aparentar uma certa fragilidade certas vezes, possuía uma grande imponência. Os juízes a obedeciam, mas apenas um com tanta veemência. Radamanthys a amava em segredo.


Finalmente após passar pelo longo corredor, surgiu ali, prostrando-se diante dela com a cabeça baixa e com o elmo apoiado sobre o joelho.


— Senhora Pandora? Recebi a mensagem de Zeros. A senhora queria falar comigo?


A mulher de cabelos negros continuava concentrada tocando sua harpa, passando os dedos suavemente pelas cordas e as puxando com delicadeza, porém intensificando a melodia, o que chamou a atenção do juiz.


Ele se atreveu a admirá-la por um instante, quando o som da melodia abruptamente parou ao partir de uma das cordas.


— Radamanthys!


Ele voltou a abaixar o olhar e fitar o chão, já pronto para o que quer que fosse designado.


— Sim, senhora Pandora. Estou aqui.


Ela o fitou próximo da porta e se virou no banco que sentava, repousando as mãos sobre seu colo.


— Preciso que vigie uma pessoa e descubra tudo o que ela anda fazendo ultimamente.

— Uma pessoa? — olhou para ela um tanto ofendido com aquele pedido. Vigiar não era algo cabível ao seu posto de juiz. Que deixasse aquilo para os espectros de posto menor. Pelo menos, era o que pensava.

— Sim. E preciso que comece já. Não há mais tempo! E não quero que o meu senhor se decepcione comigo por causa de um de vocês.


Ao ouvi-la se referindo daquele jeito ao soberano do inferno, apertou de leve o punho, sentindo algo correndo em suas veias. Raiva, despeito... ciúmes? Não sabia o que sentia, mas também sabia que não podia continuar com aquilo. Servia a um deus e teria que ser fiel a ele acima de tudo.


— Mas, senhora Pandora… eu não entendo. Por que eu? Qualquer um dos outros poderiam...

— Silêncio!! — alterou o tom de voz.


O louro imediato acatou a ordem e se calou. Detestava vê-la tratando-o daquele jeito, mas por pior que aquilo pudesse parecer, até sentia algo prazeroso quando isso acontecia. Em seu mais profundo íntimo, fantasiava tomá-la em seus braços, fazendo-a se arrepender por cada olhar, ou a cada grito que ouvia dela. Mas sabia que Pandora não era assim tão fácil de dominar. Não ela.


— Por acaso, está querendo ir contra as ordens de seu senhor Hades? — questionou, agora mais calma.

— Não, senhora. Me perdoe.

— Pois bem… — disse e se levantou, passando a apoiar a mão sobre o instrumento e deslizar as pontas dos dedos sobre ele. — O senhor Hades sente um certo cheiro de traição entre seus espectros.


O juiz olhou surpreso com aquilo e continuou ouvindo em silêncio. Jamais poderia imaginar tal coisa vinda dos cento e oito espectros, mas também sabia que aquilo não podia ser uma mera suposição do imperador do mundo dos mortos.


— Confio em você para tal missão. Ninguém melhor do que um juiz, para descobrir uma possível traição de outro.


Radamanthys arregalou os olhos, se perguntando qual deles fariam tal coisa com seu mestre, mas logo foi interrompido pela voz da mulher.


— Espero que não decepcione.

— Não! Não irei de forma alguma, mas eu preciso saber...

— Minos! — interrompeu e voltou a se sentar. — É ele quem deve vigiar.

— Minos… — disse baixinho, olhando para o chão incrédulo.

— Descubra tudo e espero não esconder nada de mim. Você sabe que ao contrário do imperador do inferno, não sou clemente, muito menos piedosa.

— Sim, senhora Pandora. Pode confiar em mim.

— É bom mesmo. — olhou de soslaio. — Ou terei de condená-lo por traição também.

— Sim.

— Já pode ir. Vá!


O louro se levantou e acenou com a cabeça. Voltou a sair pelos portões e pensou em como faria para descobrir o que Minos fazia as escondidas. Os três juízes não eram próximos e raramente se viam. Se encontravam quando havia necessidade, mas, ainda assim era raro.


Entrou em seu aposento e ficou lá andando de um lado para o outro pensativo. Não queria decepcionar seu deus, contudo, se importava mais com o que Pandora faria, se ele não cumprisse as ordens dadas e falhasse nessa missão.


Foi até a janela do quarto e, por acaso, viu Minos se aproximando do acesso que dava ao castelo. Parecia um tanto cansado, o que fez o juiz se perguntar de onde o outro vinha para estar daquela forma.


Radamanthys, sem exitar, saiu dali e foi até as imediações do grande salão. Queria ver Minos de perto e tentar descobrir alguma pista do paradeiro e com isso, bolar um jeito de poder segui-lo no próximo dia. Isso, se ele saísse.


Ao espreitá-lo do andar de cima, pôde vê-lo caminhando com o elmo de sua armadura em uma das mãos até o acesso das escadarias, e para evitar ser descoberto, o juíz procurou entrar em uma das salas e esperar até que o outro passasse para vê-lo de perto.


Radamanthys acabou ouvindo alguns gemidos baixos de dentro daquela sala e aquilo tirou o foco de sua atenção. Se virou, olhando para a cortina grossa de veludo vermelho que cobria outra porta e se aproximou devagar, ouvindo os gemidos ficarem um pouco mais altos.


Mas quem…? — se perguntou e parou bem próximo.


A princípio, achava ser Aiacos se divertindo às escondidas, como já havia visto uma vez, mas não. Ao puxar uma fresta da cortina, arregalou os olhos. Ao contrário do que pensava, Aiacos estava se divertindo sim, mas com outra pessoa: Lune de Balron, a estrela celeste da eminência.


Mas o que é isso? — se perguntou e viu Aiacos puxar o chicote de Lune contra o pescoço dele e aumentar a intensidade das investidas sobre o albino.


O espectro que estava com parte de sua toga erguida, se segurava na mesa e gemia mais alto, conforme as estocadas aumentavam de ritmo, deixando-o em pleno êxtase.


Aiacos parecia se divertir ao ver o outro submisso a ele e fazia questão de torturá-lo, ao bater, morder e puxar seus cabelos, assim como o chicote que estava preso em uma das mãos.


Radamanthys olhou perplexo para a cena, mas por mais estranho que aquilo pudesse parecer, ao olhos dele, não soube explicar a excitação que aquilo estava o provocando.


Fechou os olhos e se imaginou do lugar de Aiacos e no lugar de Lune, sua senhora Pandora. O juiz sentiu o falo enrijecer e tocou a intimidade por baixo da saia da armadura, passando a se estimular lentamente e morder o lábio com os gemidos que arrancava da representante em sua fantasia.


O que ele não sabia é que estava sendo observado por alguém e que este, se divertia ao ver o juíz naquela situação por conta da transa dos dois ali presentes.


— Vamos… agora ajoelhe e abra essa boca pra mim.

— Sim, senhor Aiacos. — se ajoelhou e obedeceu ao outro, fazendo Radamanthys imaginar o mesmo com sua amada Pandora.

— Isso… bem assim. — acariciou a face alva de Lune e tocou os lábios rosados, enquanto se estimulava.


Lune passou a língua sobre os lábios, o que fez Aiacos se despejar por completo na boca dele. O substituto de Minos engoliu boa parte do sêmen e passou os dedos nos lábios, enquanto via seu amante ofegante diante dele. O juíz o pegou pelo braço e o levantou, passando a beijá-lo depois do ato, o que fez Radamanthys sentir o seu gozo próximo, senão fosse pela aproximação da pessoa que lhe observava em silêncio.


— Ora… não sabia que gostava de homens também, meu caro Radamanthys… — sussurrou em seu ouvido, fazendo-o tirar a mão rapidamente da intimidade e se virar para ele assustado.

— Você? — disse alto, alarmando os outros dois e tendo seu braço puxado para fora dali, antes que os vissem espionando.


Radamanthys só se deixou ser puxado e seguiu até a próxima sala. Viu o outro encostado contra a porta rindo baixinho e corou diante do ato. Se virou, escondendo a humilhação que estava sentindo e pensou sobre o que diria. Ele que sempre se mostrou sério diante dos outros dois, agora estava se sentindo patético. Ser pêgo naquele ato, ao espionar a transa entre dois espectros, não era nada bom.


— Cala a boca!

— Sinto muito, meu caro… — continuou a rir. — Não posso evitar, diante do que os meus olhos acabaram de ver. — riu. — Radamanthys, a estrela celeste da fúria… tão manso, eu diria, ao se tocar tão deliberadamente com a foda de Aiacos… é surpreendente. — falou debochadamente, despertando ainda mais a ira do outro.


Radamanthys o pegou pelo pescoço, erguendo-o contra a porta e apertou, fazendo pressão com sua mão. O outro não abandonou o olhar debochado, contudo, sentiu o ar lhe abandonar os pulmões aos poucos.


— Eu disse pra você calar essa sua boca… — apertou mais uma vez e o deixou cair no chão, revelando algo suspeito.


O juiz olhou para a pétala de rosa vermelha que havia se soltado do corpo do outro e se inclinou para pegá-la. Minos ainda caído no chão, olhou para ele e se levantou, arrancando-a da mãos do louro.


— Fique longe de mim! — disse seriamente e saiu dali deixando-o sozinho.


Desconfiado daquela súbita mudança de humor, Radamanthys pôs a mão sobre o queixo e saiu dali para seu quarto. Pegou a garrafa de whisky do aparador, junto do copo, e sentou-se em sua cama para beber mais um pouco. Colocou a garrafa sobre o criado e tomou um gole, recordando o momento em que Minos havia caído no chão e soltado aquela pétala de rosa.


O que significava aquilo, afinal? Se perguntou inúmeras vezes, até que se lembrou de algo que havia se passado na última guerra santa.


Não pode ser… mas aquele? Ele morreu naquela luta, mas se não é… o que significa? — indagou e tomou a dose, servindo outra em seguida.


Depois de tomar algumas doses de whisky, acabou caindo na cama, entregue ao cansaço que ela havia proporcionado. Fechou os olhos e acabou se rendendo ao sono.


Acordou não muito tempo depois, sendo puxado por alguém que não soube identificar, só vendo o seu rosto depois que entraram na mesma sala que havia entrado na noite anterior.


A misteriosa pessoa passou pela cortina e aquilo serviu para alimentar ainda mais a sua curiosidade a respeito dela. Se aproximou do tecido e o puxou, vendo-o de costas, enquanto desabotoava, de costas, a roupa preta que usava.


Radamanthys entreabriu os lábios quando viu a peça cair, revelando toda nudez daquele corpo alvo, juntamente do olhar luxurioso que o mesmo carregava ao olhá-lo por detrás dos ombros.


O albino jogou a cascata prateada para trás e se apoiou sobre a mesa de um jeito convidativo ao seu espectador. Radamanthys olhou para a cena estupefato, mas ao mesmo tempo que estava surpreso, sentia vontade de ver no que aquilo iria dar.


Se aproximou devagar do juiz e assim que estava prestes a tocá-lo, sentiu os braços serem puxados no alto da cabeça e soltou um gemido, quando os mesmos começaram a estalar.


— A-ahh! Ahh! — gemeu e apertou os dentes com aquela dor lancinante que ia aumentando, conforme Minos movia seus dedos. — Ahhh!

— Você não vai mover um dedo, se eu não quiser… — disse e se virou, encarando-o de forma sarcástica.

— Minos… — chamou e ofegou, tentando não mexer os braços.

— Muito bom, meu caro Radamanthys… — se aproximou e tocou as mãos sobre o peito dele e as deslizou até o falo. — Hum… bem grandinho para um pau que não está duro… — disse e o encarou com luxúria, ao mesmo tempo que passava a língua sobre os lábios.

— Minos… — arfou e fechou os olhos, sentindo-se estranhamente excitado.

— Vou proporcionar a você o melhor boquete da sua vida. — sorriu de canto e puxou o tecido da toga, fazendo ela se abrir e saltar alguns botões para longe.


Radamanthys tentou se mexer para se libertar daqueles fios, mas foi em vão. Tudo que fez foi fechar os olhos e sentir as mãos de Minos passearem pelo seu abdômen até o falo. Ele o agarrou com firmeza, arrancando-lhe um gemido rouco e passou a língua nos lábios.


— Minos… — arfou e deixou a cabeça pender para trás, quando sentiu praticamente engolido pelo outro.


Mordeu o lábio, os lambeu. A cada chupada, sentia que estava ora nos elísios, ora no cocytos. Estava perdido nas mãos daquele homem e quando se deu por conta, já movimentava os quadris contra aquela boca, estocando-a e ouvindo-o gemer e babar seu falo todo com aquela felação gostosa. Já estava em seu limite, quando ouviu a voz de Zeros lhe chamar pelo nome:


— Senhor Radamanthys! Senhor Radamanthys! O senhor está aí?


Ele logo despertou e viu que tudo aquilo não havia passado de um sonho. Passou as mãos sobre o rosto suado e viu que estava duro pelos efeitos provocados pelo sonho que havia tido com Minos. Ouviu as batidas novamente e gritou com o espectro para que fizesse silêncio.


— Já vou, porra!!! Para de bater essa merda! — disse alterado e viu que o outro havia parado com aquilo, porém, o mesmo continuou aos risos.


Maldito imbecil.


Esperou uns instantes para se levantar e foi até a porta para falar com o menor.


— O que você quer agora? — disse e o encarou com a cara de poucos amigos.


Zeros soltou alguns risos ao ver o estado do outro e sorriu de canto, porque a língua estava coçando para contar o que havia descoberto.


— Senhor Radamanthys… — se aproximou e falou em um tom de voz mais baixa. — Ele já está se preparando para sair.

— Ele? — olhou curioso. — de quem está falando?

— Do senhor Minos, a estrela celeste da nobreza.


Radamanthys ficou surpreso, mas logo voltou a encarar o outro seriamente.


— E o que tem isso? Veio até aqui pra perturbar meu sono pra falar do Minos? Da próxima vez, pense antes de bater, ou pode ser esmagado como um inseto. — disse e deu passo para trás para fechar a porta.

— Eu não faria isso, senhor Radamanthys… — Sei bem mais do que o senhor imagina…


Radamanthys parou e pensou que o espectro estivesse sabendo de alguma coisa e o pegou com violência, jogando-o para dentro do quarto. Fechou a porta e antes que Zeros fugisse, pisou sobre suas costas com força, fazendo-o soltar um gemido de dor.


— Senhor...Rada…

— Se limite a responder o que eu vou perguntar.

— S-sim… senhor.

— O que sabe? Você não veio até aqui apenas para me falar de Minos se não soubesse de algo. Vamos, me diga. — pisou mais forte.

— Ah! — gemeu. — Sei de alguma coisas…

— Então diga tudo que sabe, ou arrancarei muito mais do que essa sua língua nojenta.


O espectro engoliu seco e assentiu com a cabeça.


— Ouvi a sua conversa com a senhora Pandora ontem e pensei que poderia ajudá-lo com sua missão.


O juiz soltou um riso e voltou a pisar sobre as costas do espectro que começava a expelir sangue pela boca.


— Quanta presunção achar que preciso da sua ajuda para cumprir minhas missões.

— M-me desculpe… eu não quis subestimá-lo, senhor… é que eu sei de algumas coisas que poderiam agilizar mais e…

— Que coisas? — interrompeu.


Zeros voltou a engolir seco e olhou para o juiz um pouco receoso.


— Sei onde o senhor Minos vai todos os dias…


Radamanthys afrouxou o pé nas costas do outro e pensou por uns segundos.


— E o que ganha me ajudando? Qual seu propósito por trás disso tudo?

— Nada, senhor…

— Não minta, Zeros ou…

— Eu… eu… não estou mentindo.

— Espero que esteja mesmo falando a verdade. - tirou o pé e se afastou dele. — O que sabe sobre Minos?


O espectro passou a língua no canto da boca para retirar o próprio sangue e soltou uma risada.


— Sei tudo que ele faz às escondidas. Se a senhora Pandora sabe disso, com certeza o puniria severamente por tais atos de traição. — disse e viu o louro pensativo.


Então ele está realmente traindo vossa soberania. Não. Não posso acreditar. Preciso ver isso de perto o quanto antes... — pensou e voltou a olhar para o espectro.


— Me diga tudo que sabe e se abrir essa sua boca para alguém, o imperador Hades terá baixa em seu exército. Entendeu?

— S-sim.


Depois de Zeros contar tudo que sabia sobre Minos e suas saídas repentinas até um certo lugar, resolveu averiguar a veracidade naquele mesmo dia.


Após o albino sair do castelo, o seguiu de longe, ocultando sua presença para que não houvesse desconfianças.


Depois de pegar alguns caminho com o objetivo de despistar qualquer um que o seguisse, Minos foi até o mundo dos vivos e seguiu até os limites do santuário.


Chegando próximo de uma caverna, olhou para os lados e saiu de lá minutos depois com uma capa. Colocou o capuz para que não fosse identificado por ninguém e seguiu rumo ao caminho que levava até o cemitério do santuário.


Radamanthys continuou seguindo de longe, também disfarçado, e se escondeu quando viu Minos parar próximo de uma lápide e passar as mãos sobre ela.


Mas então… Minos, o que pensa que está fazendo? — pensou e viu o juiz tirar uma única rosa vermelha da capa e beijá-la antes de colocar sobre o túmulo.


O juiz viu o albino se levantar pra sair dali e permaneceu no mesmo lugar, esperando que o outro voltasse para o mundo dos mortos. Esperou alguns minutos e foi até a lápide onde Minos havia depositado a rosa. Viu o nome talhado na pedra com as inscrições grega e confirmou suas suspeitas.


"Albafica de peixes"


— Então era você mesmo que ele vinha ver todo esse tempo? Não sabia que havia mexido tanto com a cabeça dele. Um juiz do inferno. Albafica… você deve ter sido um adversário e tanto para ele… tanto que não o esqueceu depois de quase dois séculos e meio passados… o que você tinha de tão especial, cavaleiro? — perguntou e se agachou para pegar a rosa.


Sentiu o cheiro dela e a apertou em sua mão, deixando que a brisa levasse as pétalas para longe. Contudo, uma pétala permaneceu junto da palma de sua mão e resolveu guardá-la. Dali, partiu rumo ao inferno com aquilo em sua mente.


Chegando lá, Radamanthys esperou um tempo até Minos entrar no castelo e entrou depois, seguindo para seu quarto. Serviu uma dose de whisky assim que entrou e fechou os olhos recordando daquela cena no cemitério.


Minos… você é bem mais maluco do que eu imaginava. — pensou e virou o copo da bebida.


Colocou o copo sobre o criado e se deitou na cama, encostando a cabeça apoiada sobre os braços cruzados para trás da nuca.


Fechou os olhos e lembrou do sonho, o que lhe deixou um tanto confuso. Lembrou dos olhos de Minos sobre os seus e levou as mãos até o rosto, passando-as algumas vezes sobre ele.


Mas… o que está acontecendo comigo? — se perguntou e levou a mão ao lado para pegar a bebida de volta. Tomou alguns goles do líquido e voltou a fechar os olhos. Queria tirar aquela imagem de sua cabeça.


— Senhora… Pan-dora. — disse baixinho e novamente acabou caindo no sono.


Ouviu o barulho da porta de seu quarto abrir devagar e abriu os olhos atento àquilo. Ninguém jamais havia entrado sem o seu consentimento e com toda certeza, o pobre infeliz iria sofrer as consequências daquilo. Porém, algo o fez desistir de qualquer atitude. Ou melhor, alguém.


Minos abriu uma fresta da porta, parecendo um tanto tímido, mas logo adentrou no cômodo e olhou em volta, ignorando a presença do louro, que o olhava muito surpreso com aquela súbita aparição.


— Mas… o que… — falou baixo sem despertar a atenção do outro que continuava explorar aquele local, como se estivesse conhecendo-o.


Minos passou a mão por alguns móveis e analisou algumas peças de decoração, deixando a cama por último. Assim que se virou, Radamanthys olhou para ele diretamente e tentou falar algo, no entanto, não conseguiu pronunciar uma palavra.


O juiz continuou o caminho até ele e sentou quase ao lado, passando as mãos sobre o lençol fino branco. Levantou o olhar contra o seu, deixando-o ainda mais desconfortável do que se sentia com aquilo, e apertou o lençol.


— Rada…

— Minos… o que…

— Já faz algum tempo. Desde aquele fatídico dia… — disse e abaixou a cabeça, apertando mais o lençol.

— Minos… do que está falando?


O juiz levantou o rosto, olhando para outro ponto e se levantou. Ajnda confuso, Radamanthys tentou impedi-lo de sair, porém este último ato foi conclusivo.Estranhamente sua mão havia atravessado o braço de Minos.


— Mas o que… Minos… Minos… Minooooos! — gritou e abriu os olhos, constatando que havia tido outro pesadelo.


O que está acontecendo comigo… O que? — indagou e passou as mãos sobre o rosto suado, tentando entender o porquê do juiz lhe invadir seus pensamentos e até mesmo seus sonhos.


Passado algumas semanas após o ocorrido, Pandora já havia chamado o juiz algumas vezes para saber o andamento de sua missão. Porém, a cada dia que passava, estava mais convicto de que o que importava era prorrogar o que havia descoberto, ao invés de confirmar as suspeitas da senhora do submundo.


Radamanthys desconfiava do porquê, no entanto, ainda estava resistente, pois desconfiava estar atraído por Minos.


O que não contava, é que algo maior estaria para acontecer. Uma nova guerra santa estaria por vir com o despertar de seu mestre e por mais confiança que pudesse ter a respeito do exército de Hades, no fundo algo lhe dizia que tinha pouco tempo pra tomar uma decisão.


Certa noite, depois de ter derrotado alguns cavaleiros de ouro, resolveu relaxar um pouco e beber em seu quarto. Depois de virar algumas doses, sentou sobre a mesinha que havia em seu quarto e pegou um pedaço de papel e caneta.


Escreveu tudo que não havia dito para o juíz até aquele momento, e acabou se descuidando ao derrubar a bebida sobre o papel.


Na tentativa de consertar o que havia feito, conseguiu só piorar e ver as letras borradas. Em um misto de raiva e frustração, amassou o papel e o jogou longe dali. Virou o restante da bebida, depois de encará-la por alguns minutos e caiu no sono sentado.


Nos dias que se passaram em meio a perdas dos dois lados, tanto do exército de Athena, quanto ao de Hades, Radamanthys também sucumbiu junto ao cavaleiro de gêmeos Kanon.


Sabendo do ocorrido, Minos subiu as escadas para seu quarto e passou pelo corredor, notando que a porta do quarto do juíz estava entreaberta.


Olhou para os lados para ver se havia alguém ali e entrou no quarto. Olhou ao redor. Fechou a porta, passando a observar a decoração do quarto e passou a mão sobre o aparador, vendo a garrafa de whisky pela metade e o copo que Radamanthys costumava usar para beber.


Olhou para a cama vazia e olhou para ela, imaginando o louro ali. Deu alguns passos até ela e se sentou, passando as mãos sobre o lençol branco e apertando-o entre o dedos.


— Rada… já faz algum tempo, desde aquele fatídico dia… — disse e apertou o lençol.


Minos soltou um suspiro e se levantou da cama para sair dali. Sentiu um arrepio, o que o fez desviar o olhar para uma bola de papel caída no chão e ficou curioso.


Deu alguns passos e se agachou, tirando a bola de papel ali e a abriu, vendo que se tratava de uma carta. Teve um pouco de dificuldade em decifrar algumas palavras, devido a bebida que foi derramada por cima do papel e após alguns minutos, conseguiu entender tudo que ela dizia.


“Queria ter mais tempo para pensar em algo melhor pra escrever, mas a verdade é que ainda não sei ao certo o que pensar sobre o que estou sentindo.

Pensei que o mais próximo de afeição que poderia sentir por alguém era o que tinha pela senhora Pandora, mas me enganei. Ao ver você se arriscando todos os dias para visitar aquele túmulo, pude perceber que aquilo estava mais próximo do que os humanos costumam sentir uns pelos outros, do que minha obsessão por ela.

Eu nunca soube o que era ter sentimentos. Sempre foi mais carnal do que qualquer outra coisa que já havia ouvido falar, mas você mudou isso, Minos de Griffon.

Bom… o que eu estou tentando lhe dizer no fim das contas, era o quanto…”


Minos leu aquela última frase algumas vezes, até que resolveu sair dali. Levantou da cadeira e notou a pequena gaveta da mesa entreaberta. Se aproximou e a puxou, deixando-o surpreso com que havia dentro. Levou os dedos até sentir duas pétalas de rosa secas e voltou a abrir a carta, colocando-as no meio dela.


Saiu e logo foi avisado sobre a invasão na Giudecca E colocou a carta rapidamente no bolso. Foi às pressas de encontro ao seu destino, convicto de que um dia encontraria Radamanthys e exigiria dele as palavras finais daquela carta incompleta. 

13 de Abril de 2018 a las 21:45 2 Reporte Insertar 3
Fin

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kamerom Versalles kamerom Versalles
Recordo a primeira vez que li esta ficc. fiquei boquiaberta. Algo que nunca imaginei Radhazinho e Minus. É tão comovente e humana, triste. O juiz tão seguidor de Pandora se apaixona pelo irmão de armas ao reconhecer o quanto ele se arriscava para homenagear um amor falecido. Isso muda seu coração e destino. Seu sonho, não. Ele estava morto e viu o juiz de Griffon entrar em seus aposentos. Ele de certa forma também o admirava e após ler os rabiscos daquele papel amassado, tudo fica Claro. eles teriam um reencontro e colocariam os pontos finais desejados. Parabéns Lady, vc é espetaculosa. Sem falar a coparticipação de Aiacos e Lune... uau amei.
14 de Abril de 2018 a las 09:25

  • Lady Giovanni Lady Giovanni
    Own, meu amor *-* Então, Rada foi incumbido para uma missão e isso já foi o começo pra ele perceber o quanto Minos era diferente e também tinha um lado que ng conhecia. É um shipp um tanto inusitado, mas eles combinaram certinho, né? Eu amo os juízes. Aiacos e Lune tiveram seu momento tb. Que delícia esses dois. Haha Muito obrigada por comentar, linda! Beijos 14 de Abril de 2018 a las 09:48
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