Ainda que eu falasse a língua dos anjos... Seguir historia

takkano Takkano

Eu até tinha o poder de curar a carne, mas somente ele poderia salvar a minha alma.


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#médico #padre #lemon #traição #tragédia #original #drama #romance
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Um gesto de humildade.

Aquilo era ridículo, pensava eu enquanto subia os degraus da grande construção a minha frente.

Ainda na escadaria de mármore, eu olhava de longe as enormes portas de carvalho se abrindo enquanto Agnes passava sonhadora por elas. A mulher dos meus sonhos parecia como aquelas princesas dos contos de fadas.

Antes de entrar, lhe lancei um último olhar receoso, na esperança de que Agnes viesse correndo me abraçar e dizer que não havia realmente a necessidade disso.

Doce ilusão! Tudo o que eu recebi foi um sorriso encorajador (só que não!) da bela moça de olhos azuis e pele alva, parada a porta me esperando.

Aquele lugar me causava um grande desconforto. Era enorme, vazio e frio.

Como poderia um lugar tão famoso por acolher aqueles mais necessitados, ser assim, tão desolado?

E aqui estou eu, provando a ela que estou disposto a abandonar todo o meu passado e me arrepender literalmente dos meus pecados; indo me confessar. Iríamos nos casar, e isso era só o começo. Mas era um sacrifício do qual eu estava disposto a pagar.

Aquilo seria uma verdadeira tortura.

Primeiro, eu era ateu, embora nunca tivesse falado aquilo a ninguém. Tenho certeza que ela não aceitaria um ateu por nada nesse mundo. Segundo, eu tinha vontade de cometer um pecado terrível toda vez que via o tio dela. O Sr. Hudson era um homem hipócrita e desagradável, e eu sabia que ele vivia envenenando Agnes contra mim.

Entrei devagar sentindo o tédio que aquele lugar me causava. Quando me dei conta, tinha perdido Agnes de vista, mas, de qualquer forma, eu sabia o que tinha que fazer.

— Com licença, senhora. - cutuquei “gentilmente” uma daquelas mulheres que provavelmente frequentavam igrejas todos os dias. A única coisa que me pareceu um puco fora do normal, é que a mulher estava bem perfumada para a ocasião. – Poderia me dizer onde posso bater um papo com o padre?

A mulher me lançou um olhar indignado e fez o nome do pai. Me segurei para não começar a rir.

— Você quer dizer se confessar? - o cinismo em sua voz foi evidente.

— Ah claro pode ser!

Vi o senhor Hudson vir apressado em minha direção.

— Maurici! - e olha lá aquele sorriso sádico dele.

— Sr. Hudson! Eu vim me confessar…? - disse inseguro olhando para a mulher ali ajoelhada que revirou os olhos descrente daquele meu ato de humildade.

— Oh, que milagre! Acho que hoje, o teto dessa igreja cai. - “Matar alguém dentro da igreja seria um duplo pecado?” eu pensei. – Mas, se for verdade, temo que não poderei ouvir sua confissão, estou com um pouco de pressa hoje, e eu sei que você vai demorar muito lá. - “e se essa pessoa for o padre, o pecado é triplo?”

Ignorei o as brincadeirinhas do Sr. Hudson, e para a sorte dele, a voz na minha mente.

— Oh, que pena, justo hoje que eu estava tão arrependido, mas tudo bem então, fica para uma próxima vez.

Antes que eu pudesse procurar Agnes e dar o fora dali, senti a mão pesada do padre Hudson sob meu ombro.

— Que isso Maurici! Parece que hoje Deus está com você, pois temos um novo padre aqui conosco, e tenho certeza de que ele está pronto para alguém como você. – Juro que desta vez o sorriso do Sr. Hudson foi maldoso; ele queria apenas me ferrar. – Não se preocupe vou falar para Agnes que você está se esforçando.

Não tinha mais como rebater o assunto. Teria que seguir adiante.

Com um aceno me despedi daqueles dois fanáticos e segui até o confessionário.

Entrei no local com certa violência devido ao meu mau humor um tanto infantil. Pude escutar alguém se acomodando através das cortinas. Elas foram abertas e, mesmo no escuro, eu pude distinguir uma silhueta do outro lado da grade.

Esperei que ele se manifestasse primeiro, mas tudo o que o homem fazia era pigarrear e tossir nervoso.

— Padre, o senhor precisa de ajuda?

— Perdão, só um pouco nervoso… é a minha primeira vez com um fiel.

— Ah tudo bem, então o senhor pode começar.

— O quê?

— A confissão!

— Mas é o senhor quem começa.

— Foi mal padre, tá sentado?

— Sim.

— Então se prepara!

Contei tudo, desde a época da escola até o real motivo para que eu estivesse ali hoje.

Às vezes o padre me incentivava a continuar, mas, às vezes, ele insistia para que eu desse menos detalhes de alguns fatos.

— O senhor quer dizer que veio aqui hoje apenas para satisfazer a vontade da sua amada?

— Tudo por um lindo par de olhos azuis! Mas eu vou me casar, então, me confessar está incluído no pacote.- eu disse de forma desdenhosa.

— Não posso te conceder o perdão de Deus; preciso que você ao menos se arrependa de seus pecados.

— Não padre, é sério! Estou muito arrependido! É justamente por isso que estou aqui hoje. Eu quero uma nova vida e apesar da minha falta de fé, eu acredito mesmo que eu possa levar algo de bom disso.

Senti que pela primeira vez na vida, eu realmente me arrependia de algo. Eu só esperava que o padre tivesse a sensibilidade necessária para sentir o mesmo.

— Você promete deixar aquele seu eu para trás e começar de novo?

— Sim padre, eu prometo.

— Vou te dar o Ato de Contrição.

— Que isso padre? - me assustei com aquela palavra estranha.

— É uma oração, pode começar quando estiver pronto.

— Perdão padre, mas vou ficar devendo, é que eu não sei rezar, e…

— Meu Deus, porque sois infinitamente bom,… - olhei para ele através da escuridão da grade – Não se preocupe, é só me repetir.

Repeti toda a oração me sentindo constrangido pela minha total falta de fé.

— Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

— Amém! - eu estava aliviado que tivesse acabado. – Muito obrigado padre, por me ouvir e ser paciente comigo. Sei que não é de praxe, mas, por favor me deixe beijar sua mão; é apenas um gesto de humildade de um ateu. Acredite eu jamais pediria isso se fosse o padre Hudson.

— O padre Hudson é bem severo. Não há necessidade, não é um hábito mais usual, mas, se isso o fará se sentir melhor, não tenho porque negá-lo.

Através da pequena janela, pude ver o padre se levantar. A maçaneta girou e a porta finalmente se abriu.

De tudo o que eu esperava, aquilo era o de menos.

Um homem pouco mais alto que eu, também mais forte, e com certeza, alguns anos mais velho, apareceu na minha frente. Usava a costumeira batina negra de manga longa que lhe cobria até o pescoço. Seus cabelos eram loiros e ligeiramente compridos, formando uma espécie de chanel, bem penteados para trás. A pele era tão leitosa quanto a de Agnes, assim como os olhos; que eram de um azul intenso.

Ele sorriu e se aproximou. Não sei o que aconteceu mas, eu senti um grande frio na barriga ao segurar sua mão e levá-la aos lábios. Beijei-a suavemente enquanto o olhava nos olhos. Vi o sorriso do padre ser rapidamente substituído por uma expressão de constrangimento e vergonha.

Talvez fosse pelo fato de que eu me esqueci de soltar a sua mão e continuava a encará-lo?

— Vá com Deus e fique em paz! - ele recolheu sua mão com toda a educação, antes de me lançar um último olhar.

Eu não pude responder, apenas fiz um gesto com a cabeça enquanto via o padre voltar ao confessionário, se sentando novamente lá dentro. Ele ficou olhando para um ponto qualquer que não fosse em minha direção.

Sai o mais rápido possível dali.

Mas uma coisa era certa, minha paz parecia ter ficado lá na Igreja, no confessionário; nas mãos daquele homem.

7 de Abril de 2018 a las 11:50 0 Reporte Insertar 1
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