Amor inusitado Seguir historia

lady_giovanni Lady Giovanni

"Assim como muitos confundem minha amizade com Oga, a maioria também falava sobre seu suposto caso com Milo de escorpião. Não sei de onde tiravam tais coisas… tudo não passava de meras especulações. E nesse caso, até fico feliz. Milo não era pra ele mesmo. Aliás, não achava que ninguém fosse, além de mim. É isso mesmo. Eu tenho uma paixão, ou “crush”, como dizem por aí, por Camus de aquário, mas o senpai não me nota."


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Todos os direitos reservados.

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Cuento corto
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Meu amor por Aquário

Era mais um dia comum entre nós cavaleiros, quando fui notificado através de uma mensagem sobre um suposto convite de uma festa no santuário.


Festa? — indaguei mentalmente.


Bem, isso é um tanto incomum e até estranho, diga-se de passagem, já que sempre estamos ocupado com missões importantes envolvendo, quase sempre, nossa deusa Atena.


Guardei o celular e fui até a janela de meu quarto, de onde pude ter a visão da casa de leão mais abaixo. Ah, sim. Para que conste, desde a ressurreição dos cavaleiros de ouro, nós cinco estamos morando em algumas das casas zodiacais. Eu, em virgem, Oga em Aquário, Seiya em Sagitário, Shiryu em Libra e meu irmão em leão.


E o que tem demais nisso? Diria tudo. Tudo mudou depois que os deuses deram uma trégua e não fizeram mais nenhum tipo de ataque ou sequestro envolvendo a deusa. Um alívio.


Caminhei até a entrada, pensando se faria uma visita para meu irmão, mas conhecendo como eu o conheço, provavelmente não estaria ali. Nada mudou a respeito disso. Ele ainda dá suas sumidas e aparece “sem mais, nem menos”, quando a gente menos espera.


Suspirei e voltei para o interior da casa, sentindo-me um pouco entediado. Queria poder ter Shaka de companhia para uma possível meditação, o que ele sempre sugeria para mim em casos assim, mas ele havia saído em uma missão para sua terra natal. Hoje completou uma semana, desde que partiu pra lá.


Parei no meio do salão inquieto e pensei em visitar Oga, já que éramos mais próximos, o que até gerava certos boatos ao nosso respeito. Sempre fomos bons amigos, mas o fato mesmo é que, diferente do que diziam, eu possuía uma certa atração não por ele, mas por seu mestre: Camus de aquário.


De todos os doze, achava ele o mais interessante, inteligente. Com um olhar intrigante e extremamente irresistível, ao meu ver. Sem falar, noutras coisas...


Procurava sempre ser discreto quando o via, mas às vezes, parecia mais difícil do que parecia. Era inevitável. Ainda mais, quando o via depois dos treinamentos com Oga. Zeus, era pra matar.


Assim como muitos confundem minha amizade com Oga, a maioria também falava sobre seu suposto caso com Milo de escorpião. Não sei de onde tiravam tais coisas… tudo não passava de meras especulações. E nesse caso, até fico feliz. Milo não era pra ele mesmo. Aliás, não achava que ninguém fosse, além de mim. É isso mesmo. Eu tenho uma paixão, ou “crush”, como dizem por aí, por Camus de aquário, mas o senpai não me nota. Triste.


Ainda pensativo, resolvi arriscar e ir até lá. Aproveitaria o momento e ainda teria o simples prazer de vê-lo lá. E ele sempre era uma boa companhia. Agradável e amável. Tão cortês. Tudo que queria é ficar a sós com ele, mas nunca tive chance.


Subi as próximas casas, até que avistei de capricórnio, a casa de aquário. Já sentia a mudança de temperatura no ar, só de me aproximar, mas não era lá muita diferença. Apenas uma brisa leve e refrescante.


Continuei subindo, até que cheguei próximo da entrada, vendo a silhueta de alguém se aproximando. Parei para aguardá-lo e senti seu perfume ser trazido para mim. Fechei os olhos por um instante, e vi os fios ruivos brilharem em contato com o sol. Sua beleza resplandecia como sua armadura. O achava lindo.


— Bom dia, Shun.

— Bom dia, Camus. Oga está? — perguntei e sorri.

— Ele está no banho. Chegou agora do treinamento.

— Ah, sim. Bom, não quero atrapalhar. Eu volto depois. — me virei, esperando seu convite para entrar e desci alguns degraus. Logo parei quando ouvi sua voz. Isso sempre funcionava.

— Non vai ficar pra esperá-lo?


Non. Ah, Zeus… como eu adoro esse sotaque.


Parei onde estava e soltei um sorriso. Havia dado certo. Me virei e olhei para ele, fingindo surpresa.


— Eu não quero atrapalhar…

— Você sabe que non atrapalha. Entre. — disse e entrou em sua casa.


Olhei para ele se afastando e o segui logo atrás, analisando-o. Bem que ele poderia me convidar assim também, quando o Oga não estivesse. Um sonho meu, eu sei.


Fomos até sua sala particular e me sentei, quando ele fez menção com a mão para que eu me sentasse.


— Quer beber alguma coisa?


Olhei para ele e diferente das outras vezes, resolvi aceitar.


— Quero.

— Certo. Vou preparar um suco pra você e já volto. — disse e se virou, mas me antecipei. Não perderia aquela chance por nada.

— Posso ir com você?

— Comigo?

— É.

— Ah… — o vi ficar pensativo e tive receio, mas para minha sorte, ele apenas assentiu e continuou seus passos até lá.


O segui até a cozinha e parei próximo da mesa com os braços cruzados, enquanto ele ia até a geladeira pra pegar as frutas para fazer o suco.


Assim que se virou, olhou para mim e me causou um certo rubor. Senti meu rosto esquentar e disfarcei puxando papo.


— Quem diria… eu não imaginava você fazendo coisas assim, Camus. — soltei um riso.


Ele se aproximou de mim, depois de lavar as frutas e as colocou sobre a mesa junto da faca que iria usar.


— Non? Por quê? Acha que eu non sou capaz de fazer um mero suco? — olhou para mim seriamente.


Sem graça, tirei o sorriso dos lábios e vi que havia ficado chateado com meu comentário.


— Gomen... Não quis dizer… eu…


Camus fechou os olhos e voltou ao que estava fazendo antes e ficou em silêncio. Confesso que havia ficado extremamente chateado comigo mesmo. Eu deveria medir minha língua antes de falar as coisas. Até Shaka já havia comentado isso comigo, apesar de não dar muita bola pra todas coisas que ele via de “errado” em mim. Agora, sabia que essa havia certamente me prejudicado. O que ele estaria pensando de mim, agora? Pensei e tentei “quebrar o gelo”, usando o convite como desculpa.


— Ficou sabendo da festa?

— Oui. — respondeu seco e direto, sem falar mais nada depois. Soltei um suspiro e pensei em sair dali, vendo que aquilo poderia piorar, mas não. Algo me dizia pra ficar.

— Hum. Eu vim falar com o Oga sobre isso. Então, é verdade mesmo. — coloquei o dedo sobre o queixo. — Ele comentou algo?

— Non.


Olhei para ele, vendo-o espremer as laranjas e baixei os olhar. Com certeza, não havia nada que eu pudesse fazer naquele momento. Já havia arruinado meu plano de jogar charme, por mais que não tivesse tantas esperanças em relação a isso.


— Com licença. — disse e saí dali de volta para a sala. Sem dúvidas, as chances de reverter aquilo eram nulas. E não estava errado.


Alguns minutos depois, Oga apareceu na sala usando apenas uma bermuda e chinelos e se sentou ao meu lado, me cumprimentando com um bater de mãos.


— Que faz aqui?

— Esperando você. Ficou sabendo da festa?

— Eu fiquei sim, mas…


Fomos interrompidos por ele. Novamente lá estava o ruivo com a bandeja na mão, junto a jarra e três copos servidos. Parou em nossa frente, oferecendo e peguei o meu, agradecendo a ele, enquanto olhava profundamente para aqueles olhos avermelhados.


Por um instante, senti ele retribuir o olhar e logo se voltou para o Oga, alcançando o suco para ele.


— Não precisava se incomodar, mestre. Eu já ia fazer e…

— Non me custa.— disse e colocou a bandeja sobre a mesinha, pegando o último copo e sorvendo um gole da bebida.


Voltei a falar com Oga sobre a festa e vez ou outra, olhava para seu mestre discretamente. Percebia o quanto estava interessado, pois diferente das outras não parecia “ligar” para as coisas que falávamos. Claro que aquilo havia mexido comigo, ainda que não soubesse os reais motivos dele insistir ficar ali conosco.


Passado duas horas, me despedi de Oga e segui para virgem. Camus havia ficado boa parte da conversa, mas logo saiu dali com a desculpa que iria até escorpião tratar assuntos inacabados com Milo. Até aí, tudo bem. Como havia dito, não havia o porquê de pensar outra coisa, já que Oga sempre me garantiu que os dois não tinham nada, contudo…


Ao me anunciar pelo cosmo, Milo demorou para responder e quando ouvi sua voz um tanto estranha me responder de um jeito mais estranho ainda, não tive dúvidas. Algo estava acontecendo lá. E, Camus também estava lá. Seu cosmo era tão claro, quanto do escorpiano e não faziam nem questão de esconder.


Não preciso falar que sai dali muito, mas muito puto. Sempre fui educado com todos, mas naquele caso, não. Muito pelo contrário. O xinguei mentalmente. Xinguei os dois. Sem razão alguma, pois Camus não era nada meu, mas quem disse que o amor nos deixam racionais?


Segui para virgem e me encerrei dentro de meu quarto. Não conseguia me acalmar diante de meus ciúmes e não achei outra alternativa para aquilo que não fosse tentar meditar. Pois bem, eu tentei. Consegui? Nada.


O dia passou rápido e quando vi, já era manhã do outro. Acordei com os raios invadindo o cômodo, até atingirem meus olhos de forma certeira. Quando os abri, tomei um susto ao ver Shaka ali.


— Zeus! Que susto! Você sempre faz isso. — disse e coloquei a mão sobre o peito, sentindo as batidas aceleradas.


O vi soltar um riso e fiz um bico, procurando me ajeitar melhor na cama.


— Não tem graça, sabia?

— Sei que não… — voltou a postura séria, ainda de olhos fechados.

— Que coisa. Eu pensei que voltaria na segunda. — comentei e passei as mãos sobre o rosto, ainda me sentindo um pouco sonolento.

— Sim. Eu ia, mas senti que deveria voltar e olhando você desse jeito, só agora percebi que fiz a coisa certa.


Olhei ele de lado e cruzei meus braços. Duvido que eu fosse a razão de sua volta. Poderiam me julgar pela minha ingenuidade e inocência, em alguns casos, mas nesse aí… definitivamente não. Ele não me convenceu.


— Sei. Ficou sabendo da festa, né?

— Festa? — pude até ver um falso espanto ali.

— Ora… todos foram avisados. Não tente me enganar assim. Me sinto um idiota.


Ele ficou alguns instantes em silêncio e logo tocou minha mão, o que fez com que eu o olhasse.


— Desculpe, mas preciso que acredite que me importo com você, pois é a verdade.

— Sei. Voltou pelo leão que eu sei. — aumentei o bico.


Vi seus olhos arregalarem e logo soltou uma gargalhada. Estranhei aquilo e só fechei ainda mais a cara.


— Agora estou me sentindo um perfeito idiota. Obrigado, Shaka.


Ele parou de rir e logo se recompôs, notando o quanto eu estava chateado.


— Não sei de onde tirou isso. Eu nem sequer sou assim tão próximo de Aiolia. Somos apenas companheiros de armas, Shun.

— Pois você deveria ver a cara de bobo quando você está perto dele. — disse e o vi desviar o olhar sem jeito.

— Está vendo coisas… e além do mais, está se esquivando do real assunto. O que aconteceu? Eu prometi ao seu irmão que o cuidaria quando ele não estivesse aqui.

— Eu sei e não precisa se preocupar. É sério. Não aconteceu nada.

— Certo. Quando quiser conversar, sabe que pode me procurar.

— Certo. — baixei o olhar e o vi se levantar.

— Bom, vou para meu quarto. Preciso de um banho e depois descansar um pouco antes de meditar. — disse e seguiu até a porta.

— E a festa? Esqueceu? Como pode pensar em meditação, diante de um acontecimento desses? É praticamente um milagre por aqui. — disse e o vi parado em silêncio por poucos segundos.

— Não esqueci e devia saber que não sou adepto de tais comemorações sem motivo algum.

— Ok.


Nossa, que chato. — pensei e me virei na cama, pensando sobre mais tarde.


Passado algumas horas, fomos avisados que o evento seria realizado no salão da casa de Afrodite. Festeiro que só ele, não perderia a oportunidade de ceder sua casa para coisas que lhe beneficiassem. Sempre adorou ser anfitrião de várias reuniões particulares e constantemente via o italiano carrancudo subir quase todas as noites até lá. Afrodite raramente descia, mas descia. Os dois eram feitos “unha e carne” e como não precisava muito para boatos surgirem, o deles, sem dúvidas, era o mais forte. E pouco ligavam pra isso. Talvez fosse verdade. Quem vai saber…


Me arrumei e assim que estava prestes a ir, fui até Shaka, perguntar novamente se ele iria mesmo perder aquilo. Custava a acreditar, mas o conhecia um pouco e era bem capaz de não ir mesmo.


— Licença… Shaka? — entrei e o vi meditando no salão concentrado.

— Sim?

— Eu...Estou indo. Você vai ficar aí mesmo?

— Pensei que naquela hora havia deixado bem claro pra você que não.

— Nossa. Tá bom. Foi mal. — disse e saí dali em direção à saída de virgem.


Parei novamente, olhando as casa acima e soltei um suspiro. Será que ele estaria lá? E se estivesse com aquele metido do Milo? Poxa, queria realmente ter alguma esperança, mas tava difícil.


Depois de abrir aquele mundaréu de degraus até peixes, eis que encontro Afrodite na porta recebendo os convidados. Me aproximei e o fitei seriamente, parando em sua frente.


— Boa noite, Afrodite.

— Ora, ora… senão é o próximo virgem que chegou. — revirei os olhos com a piadinha — Onde está, Shaka? Não me diga que ele fez uma desfeita dessas pra mim?

— Próximo virgem… — estreitei o olhar. — Tenho nome, peixes. É Shun. Ou esqueceu daquele que lhe derrotou aqui mesmo no seu humilde templo? — disse provocando, porque “quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

— Mas que menino mais audacioso. — tocou meu queixo e sorriu daquele jeito malicioso que ele tinha ao natural.

— Não sou menino. — tirei sua mão e olhei sério. — E não. Shaka não vem. Nem espere que ele vá mudar de idéia.

— Certo. — me mediu de cima a baixo e fez sinal com a cabeça para que eu entrasse. — Se divirta, querido. Não é sempre que convido crianças para as minhas festas. — disse e soltou um riso debochado.


Revirei os olhos diante de sua provocação e fui atrás de meus amigos. Era só o que eu precisava no momento. Me sentir confortável perto de quem gosta de minha companhia.


Andei pelo salão, olhando de um lado para outro, até que vi Oga conversando com Shiryu. Me aproximei dos dois e os cumprimentei com um aceno.


— Olá! É bom ver vocês aqui.

— Nem fale… eu esperava mais dessa festa. — disse Oga ao beber um gole da bebida que segurava.

— É verdade. Pensei que viria bem mais gente. — comentou Shiryu, olhando ao redor.

— Ainda é cedo. Logo, chegam os outros.

— É. Meu mestre ainda não deu as caras. Ficou lá um tempão resolvendo as coisas com Milo e depois foi para o quarto dele.

— Ah, pois é. Que coisa… — respondi um pouco desanimado e já agarrei uma taça, assim que uma criada passou servindo.

— Meu mestre não vai vir. Saiu para resolver umas coisas em Rozan e até me avisou pelo cosmo que voltaria daqui uns dias.

— Shaka voltou hoje… mas também disse que não viria. — comentei.

— Cara, nossos mestres parecem até velhos… credo!

— O seu é né, Shiryu? — soltei um riso, mexendo com ele.

— Engraçadinho. — soltou um sorriso e sorveu um gole da bebida.


Ficamos ali, tentando nos animar com aquela festa que tava mais pra lá do que pra cá, quando vi Milo entrar no salão. Como o esperado, Camus vinha logo atrás e passaram a cumprimentar os outros por onde passavam. Rezei aos deuses para que não nos vissem ali, mas aconteceu o contrário. Ainda mais com o salão vazio do jeito que estava.


— Boa noite, cavaleiros de bronze.

— Boa noite. — respondemos cada um ao seu tempo e olhei para ele indiferentemente.

— Bonsoir. — Camus cumprimentou logo atrás, parando ao lado dele.


Olhei para ele e acenei com a cabeça, tornando a beber o champanhe, quando Camus arrancou a taça de minha mão.


— Non deveria beber isso.


Olhei para ele surpreso, assim como os outros e lhe encarei.


— Como é?

— Você ainda é menor de idade. Não pode beber. — colocou a taça sobre a bandeja de uma das criadas que passaram ali e continuou me fitando seriamente.


Olhei para o restante que, ou estava surpreso com aquela atitude dele, ou tentava conter o riso diante de minha situação. Baixei os olhos, sentindo até uma certa raiva e voltei a olhar para ele.


— Deveria se importar com Oga, não comigo. Estou longe de ser seu pupilo.

— Vou reportar esse seu mau comportamento para Shaka.

— Faça o que quiser, igual, não devo satisfações pra você. — disse e saí dali, mas não sem antes ouvir o veneno do outro. Sempre era assim.

— Deixa ele, Camus… deve estar emburradinho por causa de uma certa pessoa. — soltou um riso.


Senti um frio na barriga ao ouvir aquilo e cheguei a parar, mas logo continuei sem olhar pra trás. Certamente desconfiava de algo, mas toda aquela exposição que Camus me fez passar diante dos meus amigos e seu amigo colorido ridículo, me fez tacar um “foda-se” para tudo. Procurei não pensar mais naquilo. Na verdade, estava mal mesmo pelo fato de Camus me enxergar como uma criança. Aquilo doeu profundamente.


Achei um canto para me sentar e me acomodei no chão mesmo, surrupiando duas taças da bebida mais forte que estavam servindo ali e virei as duas em sequência. Larguei as taças ao lado e fechei os olhos, deixando a cabeça pender contra meus joelhos. Já começava a me arrepender de ter vindo, mas aquilo parecia estar longe de terminar.


Ouvi alguns passos e os ignorei, só notando que haviam parado, quando se aproximou consideravelmente de mim. Senti um perfume amadeirado no ar e levantei o rosto, vendo DM parado ali, enquanto segurava uma garrafa de alguma bebida.


— O que você quer? — fechei meus olhos.

— Niente. Apenas curioso de ver alguém como você aqui sozinho.

— Alguém como eu?

— É. No faz o tipo que faz esse tipo de cosa…

— Me deixe em paz… — abri os olhos e vi que ele estava sentado ao meu lado. Que ótimo.

— Non sei o que aconteceu a você, ragazzo… mas creio que só há uma cosa que vá fazer você esquecer tuos problemas…

— Que coisa? — olhei pra ele.

— Esto. — levantou a garrafa e sorriu de canto, passando a tomar alguns goles da garrafa.


Como já estava puto, chateado, com raiva e mais pra lá do que pra cá com o que havia tomado, tomei-lhe o frasco das mãos e sorvi de alguns goles generosos. Devolvi a garrafa e fiz uma careta. Aquilo desceu ardendo. A sensação é que estavam rasgando minha garganta por dentro. Que negócio forte.


Escutei ele soltando alguns risos e fechei minha cara. E daí que eu não sabia beber? Não precisava ninguém ficar rindo da minha desgraça. Que cara xarope.


— Para de rir. Não tem graça. — cruzei os braços, enfezado.

— Scusa. No consigo. — voltou a rir.


Me virei pra ele e soquei seu braço, mas todo aquele acúmulo de energia que havia depositado no golpe, me fez ficar mole e acabei caindo em seus braços.


— Ei! Ma che fraco, questo ragazzo… — voltou a rir e me segurou firme pelos ombros.

— Larga ele, DM.


Levantei o rosto e logo vi de quem se tratava. De novo. O que ele queria afinal? Me diminuir diante do santuário todo?


— Sai daqui! — disse com a fala arrastada, o que piorou ainda mais a situação.

— O que você fez, cacamano? Onde está com a cabeça pra oferecer bebida a ele? — escutei aquilo e senti seus braços me segurarem.

— O que io fiz? Só estava tentando ajudar o bambino. Parecia mal e…

— Guarde suas especulações pra você! — disse em um tom de voz meio alto e abri os olhos, vendo que estava em seu colo.


Dali em diante, não consegui ver mais nada. Só sentia que ele me carregava pra algum lugar e logo parou, passando a falar com alguém.


— O que está fazendo, Camus? Pra onde vai levar esse moleque?

— Pra minha casa. Por quê?

— Pra sua casa? Por que não deixa ele em virgem? Isso ainda vai te causar uma dor de cabeça.

— Non se intrometa na minha vida, Milo! Eu vou fazer o certo e dane-se se alguém vier me criticar. Non vou deixá-lo sozinho ou empurrar a responsabilidade pra outra pessoa, se eu mesmo posso ajudar.

— Ok. Não falo mais nada. Boa sorte.


Ouvi aquilo e novamente comecei a ser carregado até onde ele disse que me levaria: sua casa.


Chegando lá, me colocou sobre uma cama que não pude identificar se era dele ou de Oga, mas me deixei ser cuidado.


Tive alguns pequenos apagões e tenho certeza que havia dado trabalho a ele, mas não havia o que fazer, a não ser procurar nunca mais beber daquela forma.



Já era dia, quando acordei e abri meus olhos devagar. Olhei para o lado e o vi ali dormindo sentado em uma cadeira. Parecia um tanto cansado, o que me fez sentir ainda mais culpado de tudo.


Ao me sentar na cama, ele acabou acordando e me olhou preocupado.


— Como está? Se sente melhor? — disse e se levantou, sentando ao meu lado.

— É. Já tive dias melhores…

— Certo. — se levantou. — Eu vou preparar algo pra você e…

— Camus. — peguei sua mão e segurei firme. — Eu... queria falar um instante com você. — disse e encarei seus olhos, enquanto sentia meu peito apertar com aquela proximidade.

— Oui… — voltou a se sentar e olhou para mim.

— Eu… queria pedir desculpas por todo transtorno que causei a você ontem. — baixei o olhar. — Isso não vai mais se repetir. — juntei as mãos sobre meu colo e senti sua mão tocar meu rosto e incliná-lo.


Olhei pra ele corado e se já estava difícil me conter antes, agora havia piorado de vez.


— Non me deu trabalho algum. Me senti culpado por ter agido daquela forma com você lá. Quando fui procurá-lo, não achei em parte alguma, foi quando o achei com DM.

— Me lembro de pouca coisa…

— Melhor nem lembrar. Ainda bem que pelo menos non tentou abusar de você.


Entreabri os lábios com aquele comentário e voltei a encarar minhas mãos envergonhado.


— Mesmo assim… eu não deveria ter bebido e desrespeitei você. Eu não queria ter…

— Non fale mais nada.


Olhei para ele e assenti com a cabeça. O vi saindo do quarto e coloquei as mãos sobre o rosto, pensando que minhas chances com ele diminuíram ainda mais. O que ele poderia ver em mim, além do que já estava bem óbvio? Faltou ele me chamar com todas as letras que eu era uma criança ao seu ver.


Chateado e com a cabeça cheia, resolvi sair dali, ocultando meu cosmo e voltei para virgem. Quando pus meus pés lá, tive a surpresa de encontrar meu irmão bem próximo de Shaka. Próximo a ponto de ficarem constrangidos com a minha presença.


— Irmão! — ele me chamou e fui até seu encontro ainda estranhando aquela cena.

— Oi, Ikki. Como está?

— Bem. E você? Shaka estava me contando o que aconteceu…

— Não quero falar sobre isso e se me permitem, quero ficar sozinho.

— Está bem.


Continuei o caminho até meu quarto e me tranquei lá na esperança de poder esquecer tudo que minha cabeça ainda processava sobre o dia anterior. O fato é que não conseguia esquecer o ato de Camus. Ele me ajudou por pena, arrependimento? Não sabia se eu estava me enganando, mas se fosse, sabia que era uma ilusão. Mas havia algo em seu olhar. Só queria descobrir o que era.


Depois de alguns dias, resolvi me afastar do santuário. Aceitei uma missão junto a Shaka e depois de sua volta ao santuário, resolvi ficar mais alguns meses por lá e exercitar tudo que ele havia me ensinado nos últimos treinamentos.


Mais um verão se passou e quando estava prestes a fazer dezenove anos, resolvi voltar. Tanta coisa havia mudado em mim e procurei manter o mínimo de contato possível no tempo que fiquei fora do santuário. E foi o melhor que fiz.


Quando finalmente voltei para a Grécia, os deuses me concederam o melhor dia para me receber no santuário. Chovia tanto. Tanto. Nos anos que havia morado lá, nunca havia visto tanta chuva cair em um dia e não achei ruim. Antigamente acharia aquilo nada bom, mas agora via sentido em tudo.


Segui até a entrada do santuário e vi alguém ao longe, sentado nas escadarias de Áries. Coloquei a mão rente a testa na tentativa de descobrir de quem se tratava, mas a chuva caía forte e isso dificultou um pouco minha visão.


Continuei os passos, até ver a pessoa que parecia estar me aguardando lá. Era ele, Camus de aquário. E a medida que me aproximava dele, mais sentia o velho sentimento retornar com força dentro de mim. Nostálgico.


Parei em sua frente, vendo o quanto me observava com as roupas típicas indianas e veio em minha direção.


— Era mesmo verdade…


Olhei para ele imaginando o que se passava e acenei com a cabeça.


— Sim. Estou de volta, Camus. É muito bom ver você depois de quase dois anos fora daqui. — disse e olhei para ele serenamente.

— Você… está tão…

— Mudado? Eu sei. Já não sou mais o mesmo pelo que pode ver. — sorri.

— Estou vendo. Bom, eu…

— Camus…

— Oui?

— Por que veio até aqui?


Ele abaixou sua cabeça, claramente perdido em seus pensamentos. Via em seu olhar que tentava encontrar as palavras certas, mas dessa vez, ao contrário das outras, Camus havia ficado sem elas.


— Ah… eu vim… vim…

— Veio pra me receber, eu sei.

— Oui, mas… bom. É melhor subirmos. O acompanharei até virgem.

— Está bem. — sorri. — Vamos, então.


E assim, seguimos pelas casas, trocando algumas palavras, mais do tipo trivial mesmo. Sem muita significância.


Ao paramos na entrada de virgem, pude notar o quão ansioso estava para me dizer algo, mas estava sem jeito para começar, então resolvi dar o primeiro passo.


— Creio que tenha que me despedir agora, Camus. Preciso rever meu mestre ainda, e descansar um pouco da viagem.

— Eu...Eu entendo. Eu já vou indo, então. Bonjour, Shun. — disse e o vi dar alguns passos, impedindo-o de continuar ao pronunciar algumas palavras.

— Mais tarde quero voltar a vê-lo. Passarei em aquário para ver meu amigo e aproveitarei para falar mais com você.


Ainda de costas, agora parado, apenas me olhou por cima dos ombros e assentiu com a cabeça.


— Até lá. — sorri e acenei para ele, vendo-o sair em seguida.


Segui com o planejado e fiquei algum tempo contando sobre as coisas que haviam acontecido lá, mas o que não contava, é que Camus virasse o assunto principal de nossa conversa.


— Se você soubesse o quanto tive de despistá-lo para não saber ao seu respeito… — disse e tragou ao puxar o fumo da narguilé.

— Entendo. — suspirei e peguei a outra ponta, puxando também. — Como ele soube que eu chegaria hoje?

— Seu irmão. — soltou a fumaça e olhou para mim.

— Ikki. — suspirou. — Eu disse a ele que mantivesse segredo. Não queria ser visto quando chegasse.

— Eu sei, mas você conhece seu irmão.

— É. Eu o conheço muito bem. Só não entendo o porquê desse interesse todo dele. — disse e voltei a tragar, vendo um pequeno sorriso nos lábios de Shaka. — Você sabe de algo, não sabe?

— Eu sei que o amor nos faz tolos às vezes, meu jovem pupilo.


Olhei para ele surpreso e acabei me afogando com a fumaça.


— Não disse? — soltou um riso e balançou a cabeça para os lados.

— Isso não tem graça.

— Sei que não, mas sei o quanto está relutante quanto aos seus sentimentos.

— Como? — olhei perplexo.


O vi se levantar e continuei confuso com suas palavras.


— Mestre… eu não entendo.


Ele parou próximo da porta e me olhou por cima dos ombros, soltando um pequeno sorriso.


— Terá que descobrir por si só. — disse e saiu, me deixando com a cabeça cheia de dúvidas. — Ótimo. Ao invés de me ajudar, conseguiu piorar tudo. Obrigado, mestre. — resmunguei em voz baixa e continuei ali pensando no que faria.


Fui até meu quarto e fiquei pensando nas palavras de Shaka e no momento em que vi Camus em Áries. Aquilo não saia de minha cabeça e misturado junto ao meu cansaço, acabei me entregando ao sono.


Acordei algum tempo depois e me sentei na cama, sentindo ainda sinais de sonolência. Me sentia um pouco melhor, mas ainda estava cansado.


Fui até a janela e só então me dei por conta que era noite. Estava tudo em silêncio, o que me fez crer que era tarde. Suspirei e olhei para a casa de aquário, vendo uma luz fraca vinda de dentro dela. Pensei se seria uma boa ir até lá, considerando que era tarde mesmo, mas resolvi arriscar.


Coloquei as sandálias e vesti o sari e fui pra lá. Ao chegar próximo da saída de virgem, parei. Pensei que não teria como passar sem o consentimento dos guardiões e essa ação com certeza me denunciaria diante de todos outros, sem falar que o exporia também.


Suspirei profundamente e quando me virei para voltar para o corredor, senti aquela velha brisa refrescante. Parei e fechei meus olhos com um sorriso nos lábios, contente por senti-la novamente depois desses longos meses.


A brisa ficou um pouco mais forte e mais gelada do que o habitual. Com ela, trouxe também algo um tanto particular: Um pequeno floco de gelo que repousou sobre meu nariz.


O peguei com cuidado, vendo-o se desfazer sobre minhas mãos e escutei uma voz grave, da qual me fez arrepiar dos pés a cabeça.


— Shun!


Me virei e o vi parado na saída da casa com aquele velho olhar sério e enigmático de sempre. Lá estava a causa de toda minha mudança e crescimento. Lá estava a única pessoa da qual me despertou algo que eu jamais havia sentido por alguém em toda minha vida. Lá estava meu amado, Camus.


Não sabia direito o que faria naquele momento, mas quando ele deu os primeiros passos em minha direção, resolvi ficar.


Quando ele parou à minha frente, pude compreender um pouco a respeito do que Shaka havia me dito mais cedo. Me senti um tolo diante dele. Tão vulnerável, quanto aquele floco de gelo que se desfez somente com o toque de minhas mãos. Eu era um floco de gelo diante das suas.


— Camus…

— Shun… Pardon. Eu non pude esperar até o outro dia… eu…


Olhei para ele e toquei em seu rosto, antes que concluísse o que estava tentando me dizer.


— Shun…

— Eu… senti tanto sua falta. — disse com os olhos marejados.


Ele tocou a mão sobre a minha e colocou a outra sobre meu rosto da mesma forma.


— Eu também senti. Quando soube que havia saído em missão, tentei saber mais sobre você, mas…

— Eu sei. — toquei sua mão e olhei para ele. — Eu pedi. Eu quis assim, Camus.


Ele me olhou por alguns segundos, como se tentasse me entender e tudo que fiz foi simplesmente abraçá-lo. Meu coração palpitou no mesmo instante e pude sentir com toda certeza que meu amor não havia acabado. Agora estava em um nível maior. A paixão havia se tornado amor.


Depois de ter sentido seu abraço e seu cheiro arrebatar meus sentidos, fui levado a conhecer outro nível desconhecido por mim até então: O doce gosto de seu beijo.


Assim que nos afastamos, sua mão subiu pelo meu pescoço e senti o arrepio do toque que me fez fechar os olhos. Os dedos percorreram meu rosto e depois deslizaram devagar pela minha boca. Seus lábios encostaram nos meus e me senti no céu.


Toquei as mãos em seu pescoço e senti o beijo intensificar ainda mais. Trocamos carícias e mais beijos e quando dei por mim, já o estava guiando a caminho de meu quarto.


Nos desfizemos de nossas roupas, assim que entramos e fomos aos beijos para minha cama. Queria me entregar para ele e já não havia mais barreiras, incertezas ou medo. Tinha convicção de que ele me amava e era só o que me interessava no momento.


Camus era perfeito em todos os sentidos. Era nobre, inteligente, cortês… e agora mostrava outro lado que não conhecia: Era amável.


Tão gentil em todo cuidado para não me machucar, soube me tratar com carinho e respeito. Soube me deixar confortável a ponto de quase não sentir dor. Quando vi, estava sobre ele, aproveitando todo prazer do que sempre ouvia os outros falarem.


Chegamos ao ápice quase juntos. Abraçados. Nos olhamos, compartilhando da mesma respiração descompassada. Sorri para ele, afastando a franja ruiva de sua testa suada e a beijei.


— Te amo, Camus.


Ele puxou meu rosto, beijou minha testa e depois meus lábios. Sorri e continuei acariciando seu rosto.


— Também o amo.


O abracei forte e encostei o rosto em seu peito, convicto de que aquele amor não era um carma. Nosso amor estava selado não só na carne, como em nossas almas. Já estávamos destinados um ao outro e onde fosse, sei que seria assim para todo sempre. 

6 de Abril de 2018 a las 00:15 0 Reporte Insertar 1
Fin

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