lady_giovanni Lady Giovanni

Após achar alguns diários esquecido em um baú, Albafica questiona seu mestre sobre a origem deles. O que ele não sabe, é que aqueles diários contam muito mais do que apenas o cotidiano de seu mestre.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13. © Todos os direitos reservados.

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De volta ao passado

Rugonis preparava o jantar, quando foi abordado pelo seu pupilo após o mesmo ter achado alguns diários em um baú velho e esquecido.


— Mestre! Mestre! Olha!


O ruivo limpou as mãos e se virou para o pequeno, vendo que segurava alguns livros junto ao corpo. Voltou o olhar para seus olhos azuis e viu que não teria como fugir de uma possível explicação, pois muito de seu passado estava gravado naqueles livros também.


— Alba, eu disse a você para ficar longe daquele quarto. — disse e viu seu olhar mudar, passando a encarar o chão envergonhado.


— Me desculpe. Eu prometo nunca mais desobedecê-lo.


Rugonis deu um passo em direção ao menor e levantou seu rosto, passando a mão por ele.


— Me desculpe. Não quis ser rude.


— Não! — balançou a cabeça para os lados. — O senhor não foi rude. Tem toda razão de brigar comigo. Eu errei.


O ruivo levou a mão até o topo da cabeça dele e bagunçou os fios azulados, soltando um sorriso. Apesar de não poder ter uma infância como as outras crianças, Alba possuía a mesma inocência e curiosidade que qualquer outra de sua idade. Não o culpava por qualquer deslize, já que seu mundo girava ao redor dos jardim de peixes e já tinha um certo medo de se aproximar para não causar dano em quem quer que fosse.


— Está tudo bem. Agora, leve os diários de volta para onde estavam e não mexa mais sem falar comigo antes, está bem?


— Sim, senhor. — disse e saiu para fazer o ordenado, voltando não muito tempo depois.


Rugonis voltou a temperar os peixes e notou pelo cosmo do menor o quanto estava ansioso. Se virou, limpando novamente suas mãos e viu através daqueles olhos, algo lhe remeteu uma pessoa em especial: seu irmão mais novo, Ruco.


— Alba…


— Mestre… — respirou fundo. — Eu sei que não deveria perguntar ao senhor sobre as coisas escritas naquele diário, mas eu não consigo evitar. Eu vi que um deles pertencia ao senhor e…


— Está certo. — suspirou. — Eu vou contar um pouco sobre o que escrevi em meus diários…


Albafica assentiu e o aguardou, enquanto seu mestre colocava os peixes para assar. Rugonis lavou as mãos e as secou, se juntando ao menor na mesa, ficando de frente para ele.


— Bom, talvez seja melhor eu lhe contar sobre o início...


— Como quiser, mestre.


"Tudo começou há muitos anos atrás. Eu não era nascido ainda, mas minha mãe me contava sobre o passado de nossa aldeia e suas origens.


Os membros da vila eram todos pescadores e residiam às margens da costa no Equador. Basicamente dependiam da pesca e artesanato para sobreviverem, mas nem sempre isso era o suficiente, pois a pobreza assolava nosso vilarejo.


Dentre todas as famílias, uma em particular, era conhecida por uma história um tanto triste, marcada pela ignorância e preconceito com seus próprios familiares. Eram seis no total, contando o patriarca, a matriarca e seus quatro filhos. Todos regulavam de idade e aguardavam ansiosos pela chegada da última que seria minha mãe.


Ela nasceu em uma noite quando a lua não se fazia presente no céu. Era muito pequena e tinha algum incomum: Possuía cabelos ruivos. Minha avó lhe deu o nome de rosa pela tonalidade rosada de sua pele. Era diferente de todos da família e após seu nascimento, os problemas já começaram a surgir por causa disso.


Meu avô, em sua ignorância e falta de discernimento, a julgou falando que aquilo era fruto de uma traição. Aos prantos, minha avó tentou se explicar, dizendo não saber o porquê de minha mãe ter nascido daquele jeito, mas foi em vão. Para ele, era inegável não questionar, já que o casal possuía cabelos e olhos escuros e, a filha, ruiva e de olhos claros.


Renegada pelo casal, devido a sua condição genética herdada pelo bisavô (o que era desconhecido por eles), minha mãe teve um tratamento diferente de seus outros irmãos mais velhos. As crianças tinham medo dela e a ignorância e preconceito das pessoas que viviam na mesma vila só tornavam as coisas ainda piores.


Desde pequena, passou a realizar os serviços de casa e ajudava sua mãe com as tarefas mais pesadas, devido à uma doença que a deixou debilitada. Com o tempo, a saúde de minha avó foi piorando e as expectativas sobre ela não eram nada boas.


Seus irmãos mais velhos já não viviam mais sobre o mesmo teto e tudo recaiu sobre as costas de minha mãe. Foi então, que ela passou a cuidar diariamente de minha avó que ficou de cama por longos e tortuosos seis meses. No final do sexto mês a piora foi derradeira e provocou sua morte prematura no auge dos seus trinta e dois anos.


Para o infortúnio de minha mãe, aquela perda lhe trouxe ainda mais problemas. Meu avô acabou encontrando um jeito de aliviar a dor da perda de sua finada esposa e saía para beber todas as noites. As coisas foram piorando e saíram de controle, tornando-o um alcoólatra.


Completamente atordoado pelos efeitos que a bebida lhe proporcionava, ele chorava e se lamentava pelos cantos da casa. Minha mãe ainda era muito jovem e não sabia o que fazer, pois se sentia impotente por não poder ajudar seu pai da forma que queria. A cada dia, seu declínio aumentava a ponto de definhar.


Meses depois, o destino novamente havia lhe pregado outra peça: Para seu desespero, seu pai foi encontrado morto na beira da praia.


Minha mãe, agora sozinha, passou a procurar qualquer emprego que lhe garantisse pelo menos o que comer no fim do dia. Ela se dedicou a aprender artesanato com as mulheres da vila e com o tempo, passou a ganhar algum dinheiro com cada peça que customizava.


E foi em meio a uma de suas entregas que ela conheceu José, meu pai. Diferente de minha mãe, ele perdeu seus pais quando recém havia dado seus primeiros passos. Após isso, passou a morar com um e outro, até que tivesse idade e condições de se manter sozinho. E foi muito admirado por isso.


A vida trágica que levaram serviu como um elo para os unir. Diante de tanta tristeza que compartilharam, eles descobriram o amor juntos. Como eram muito jovens e não tinham família, resolveram se casar para não partilharem mais da solidão que os acompanhavam.


Depois de um ano de casados, foram abençoados com o primogênito: Eu. Acabei herdando a genética exótica de minha mãe. Toda vez que eu teimava com algo, ela me dizia que meu temperamento era herança de meu pai. Eu achava graça.


Ao falar nele, sempre fui muito apegado e o admirava, tendo-o como meu herói. Eu tentava ao máximo copiá-lo e meu maior sonho era poder crescer e se tornar como ele.


Após três anos, tivemos uma nova surpresa: minha mãe descobriu que estava grávida novamente. Meu pai ao saber da notícia, distribuiu todo fruto de uma noite de pescaria para os moradores da vila. Vi toda a atenção dele voltada para seu irmão e confesso que tive um pouco de ciúmes, mas eu não via a hora dele nascer para ter uma companhia.


Com a vinda de meu irmão, alguns problemas surgiram e trouxeram complicações para minha mãe. O parto se dificultou e devido a exaustão das várias tentativas de parir o bebê, minha mãe estava prestes a morrer.


A parteira já não tinha esperanças de que aquilo pudesse se reverter, então comunicou a meu pai, em particular, que tivesse fé e somente por um milagre os dois sobreviveriam.


Ouvi seu choro da sala e fui espiar, vendo-o de joelhos. Fiquei preocupado sem saber o que fazer, então resolvi ficar ao seu lado. Ainda que eu não tivesse idade o suficiente para compreender, fiz apenas o que havia me sido ensinado por minha mãe em um momento de dificuldade. Conheci um deus ocidental pelo nome de “papai do céu”. Não sabia o certo quem ele era, mas rezávamos por ele e eventualmente éramos atendidos.


Ao ver meu pai sofrendo, lembro de ter ficado de joelhos e juntar minhas mãos para fazer uma prece. Pedi com muita fé que minha mãe e meu irmão ficassem bem. Sabia que não poderia ofertar nada, mas se tivesse que dar minha vida pra não ver minha mãe mal novamente, eu faria. E foi o que fiz.


Acabei dormindo nos braços de meu pai e quando os raios de sol entraram pela janela, um milagre aconteceu: Ruco nasceu. Abri os olhos, ouvindo seu choro e abracei meu pai de felicidade.


Entramos às pressas no quarto e vi Ruco nos braços de minha mãe. Exausta, ela repetia em meio as lágrimas que aquilo tinha sido um milagre divino.


Me aproximei para ver meu irmão e senti um sensação estranha, mas guardei aquilo pra mim. Após muitos anos, eu entendo o porquê sentir aquilo."


Céus… Eu não fazia idéia de como a vida do mestre Rugonis fosse tão difícil. — pensou Albafica.


Ao ouvir os relatos sobre a vida das últimas gerações da família de seu mestre, Albafica reforçou ainda mais sua convicção de que teria feito a coisa certa ao fazer o elo carmesim. A única pessoa que lhe importava no mundo, estava em sua frente: Seu mestre que era como um pai para ele.


Rugonis olhou para o menor e o viu em silêncio, após ouvir um pouco sobre sua história, resolvendo encerrar aquela conversa por ora. Sabia, que se continuasse ali, mais questões iriam surgir e se levantou, chamando a atenção do menor.


— Alba, vamos até o jardim. Tenho que lhe contar algumas coisas sobre as rosas.


— Ah, mestre… mas já? — perguntou ao fazer um pequeno bico de insatisfação.


— Sim. Fiz você perder muito tempo ao contar sobre meu passado e você está aqui com outros propósitos. Você tem que se tornar forte, se quiser um dia ser meu sucessor. — disse seriamente.


Albafica assentiu com a cabeça positivamente, embora discordasse do seu mestre. Não achava perda de tempo ficar ouvindo, muito pelo contrário, tudo que lhe foi contado, só lhe deu mais forças para continuar com seu árduo treinamento. Muitas vezes, passava mal por conta da troca de sangue, mas era persistente. Ele tinha de ser. Agora, mais do que tudo, queria lhe dar orgulho. E faria o que fosse para tornar isso real.


Dias depois...


Rugonis preparava o jantar em silêncio, enquanto Albafica o observava calado, tendo em mãos algumas folhas e uma pena. Olhou para o tubo de tinta à sua frente e começou a fazer algumas anotações do que seu mestre havia lhe contado, mais cedo sobre as rosas.


O ruivo olhou por cima dos ombros e sorriu, vendo o quanto o garoto era dedicado com seus estudos. Apesar da pouca idade, não era como os outros aspirantes do santuário. Albafica era maduro e isso devia ao fato de conviver mais com seu ele do que com os outros. Rugonis não exigia isso dele, mas o mais novo sempre ressaltou que preferia a sua companhia. Até lembrou do seu finado pai.


Albafica continuava escrevendo, quando teve uma idéia. Apoiou a mão que segurava a pena sobre a bochecha e mordeu o lábio, receoso do que tinha em mente.


E, se ele descobrir sobre meu plano de criar uma nova rosa? O que eu devo fazer? — pensou e tomou um susto, quando o ruivo lhe chamou pelo nome:


— Albafica!


Alba arregalou os olhos azuis, sentindo seu coração disparar e Rugonis ficou desconfiado da reação do menor, se aproximando.


— Sim, mestre.


— O jantar está pronto. — fingiu não notar o estado do menor e deu uma olhada nas folhas rapidamente.


Anotações… Albafica não costuma ser distraído assim. No que será que pensava? — pensou consigo, enquanto se afastava para pegar os pratos.


O pequeno respirou aliviado e guardou as folhas, junto com a pena e o tubo, levando tudo para o seu quarto. Ao voltar, se sentou na mesa com seu mestre e o viu colocar um pedaço de peixe em seu prato. O menor sentiu o cheirinho no ar e pegou algumas batatas do outro prato.


— Humm! — deu uma garfada no peixe e fechou os olhos ao sentir o gosto temperado. — Está tão bom! Hum!Hum! — continuou comendo.


Rugonis sorriu em resposta ao comentário de seu pupilo e continuou comendo em silêncio. De repente, sentiu uma tontura forte e deixou os talheres caírem de suas mãos.


Albafica olhou assustado e se levantou rapidamente, preocupado com seu mestre. A visão de Rugonis foi ficando turva e tudo o que pôde ouvir antes de perder seus sentidos, foi o grito de Albafica.


— Mestre!!!!


O pequeno se levantou rapidamente e correu até o ruivo, se apoiando sobre seu peito em meio ao choro.


— Mestre!!! Mestre, não me deixe!!! — suplicou em desespero com medo de perdê-lo.


Albafica deitou o corpo de Rugonis com cuidado e partiu o mais rápido que pôde até o templo do grande mestre. Chegando lá, ignorou os guardas que guardavam os portões e gritou desesperadamente pelo nome de Sage. Quando o mais velho surgiu, o garoto já estava sendo arrastado pelos homens para fora do templo.


— Esperem! — disse ele ao chamar a atenção dos guardas.


— Mestre!! — tentou se desvencilhar dos braços dos homens.


Um dos guardas arregalou os olhos, ao ver o outro sangrar pelo nariz e soltou o pequeno.


— O que é isso?


— Fiquem longe dele! E você, venha até aqui. — fez sinal para que se aproximasse.


— Mestre! Não há tempo! Por favor! Meu pai! Meu pai está morrendo… — disse e o puxou pela mão.


Rugonis...


Horas mais tarde…


O ruivo descansava após ser socorrido por alguns de seus companheiros, que deixaram a casa de peixes com remorso do pequeno Albafica.


Ílias foi o mais comovido por ser o único que tinha tido um filho e acompanhou o patriarca até seu templo.


Exausto com os cuidados que for necessários para cuidar de Rugonis, sentiu que seu sangue já começava a dar indícios de seu enfraquecimento. Olhou para o cavaleiro de leão e notou o quanto havia ficado abalado pelo menino.


— Descanse. Já está tudo sob controle.


— Mestre, se me permite falar… eu queria lhe perguntar o que vai ser feito quando Rugonis não estiver mais entre nós.


Sage juntou as mãos, apoiando o queixo sobre os dedos e ficou em silêncio por alguns segundos. Olhou para o cavaleiro que estava com o olhar baixo e lhe respondeu:


— O menino estará preparado para substituir seu mestre. Ele será... Albafica de peixes.

30 de Marzo de 2018 a las 16:45 0 Reporte Insertar Seguir historia
2
Fin

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