O Caso do Adversário Misterioso Seguir historia

zephirat Andre Tornado

Num sonho intenso, o príncipe guerreiro dos saiya-jin enfrenta-se a um misterioso adversário, que não consegue reconhecer. Se aquele monstro não fez parte do seu passado... fará parte do futuro?


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18. © Dragon Ball não me pertence. História escrita de fã para fã.

#Sonho #Futuro #Dragon Ball #Vegeta #Bulma #Combate #Saiyajin #Pesadelo #Gripe #Monstro #Desafio
Cuento corto
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Capítulo Único


O instinto fazia-o aguentar firme, esmagando medo e dúvidas.


Estava escuro, como numa tempestade inesperada. O céu exibia-se prenhe de nuvens cinzentas e baixas carregadas de chuva, estalavam relâmpagos e rugiam trovões, a terra tremia em convulsões repentinas.


Mas ele aguentava firme, fixando o adversário.


Sentia-se envolver pela energia imensa do super saiya-jin, mas era mais do que ele tinha experimentado quando se enfrentara ao monstro biónico Cell. Era muito mais. Havia fogo e luz a correr-lhe nas veias, misturado com o sangue.


Continuava firme.


O adversário era inédito, nunca o tinha visto antes. Não fazia parte do grupo de fantasmas que gostavam de o assombrar quando, em momentos melancólicos, a mente se lhe fugia para lembranças do passado que ele odiava convocar. Não fazia parte seguramente de nenhum inimigo novo e todos aqueles que lhe poderiam guardar algum tipo de rancor estavam mortos, desintegrados no pó da galáxia. Mas o que mais lhe causava impressão era não saber como fora ali parar, naquele cenário rochoso e sombrio, onde duas forças gigantescas se aprestavam para medir forças.


Reuniu o ki e soltou um brado que desfez pedregulhos e penedos. As rochas rolando, o pó a saturar o cenário e a tempestade iminente criavam o ambiente propício dos grandes combates.


Ele iria combater e acolhia esse destino com uma alegria feroz.


Mesmo que tivesse jurado que não iria, nunca mais, combater, após a humilhação sofrida no Cell Games.


Iria combater e estava preparado para enfrentar o adversário desconhecido.


O fogo e a luz alimentavam-lhe a vontade.


Atacou, a concentrar todo o seu poder no punho direito enluvado. A mão afundou-se em algo mole, esponjoso, mas ele não se acanhou. Recuou ligeiramente e desferiu um pontapé, novamente com todo o seu poder, na mesma coisa mole. Deu um mortal invertido e afastou-se, a tentar visualizar o que estava a acontecer. Mas não conseguiu distinguir detalhes e enfureceu-se.


Soava-lhe a nova humilhação e ele não iria tolerar isso.


Saltou. Enquanto se impulsionava, lançou uma saraivada de disparos energéticos que rebentaram sobre o adversário. Havia ali energia suficiente para desfazer metade do planeta, mas o outro aguentou o embate, absorvendo-o.


Tentava vê-lo, mas continuava a ser impossível. Sabia que ele estava ali, que era uma coisa mole, que não lhe conhecia a identidade, mas não ia para além disso. Semicerrou os olhos, a verificar os estragos. Concluiu que não tinha havido alterações no status do combate. Continuavam estranhamente empatados, apesar de ele estar a empenhar-se.


O que fazia ele ali? E por que razão combatia?


Recordava-se de berraria e de dor, recordava-se de uma garra esquelética a rasgar-lhe a alma, de um deus que se punha de permeio e depois recordava-se de Kakaroto. Mas se o maldito estava morto…


O adversário olhava para os braços, a comprovar que ainda estava inteiro. Tinha uma expressão indolente e asquerosa, uma criatura grande e gorda que lhe infundia mais estranheza que respeito. Mas era o seu adversário e sabia-o, algo no seu íntimo lhe dizia em aflição, que deveria destruí-lo e quanto mais rapidamente, melhor.


Conseguia, por fim, vê-lo. E classificou-o com o desdém que lhe era típico: uma massa balofa cor-de-rosa.


Mesmo tendo agora contacto visual, continuava a não reconhecê-lo e seria capaz de o reconhecer se tivesse sido algum dos miseráveis alienígenas que se tinham cruzado com ele no seu passado, pois jamais olvidaria alguém tão feio. E poderoso.


Mais do que Freeza. A ironia fê-lo retrair-se. No seu passado, não havia ninguém mais forte do que Freeza… Se não era o passado, seria o futuro? Ficou zonzo.


Ele atacou uma segunda vez. Um par de murros, uma cotovelada sobre o peito ou o que seria o peito, posicionado naquele torso amplo e desprotegido. O outro caiu para trás. Ele assentou as pernas no solo, afastadas para suster o impacto do próximo disparo. Esticou um braço, uniu os dedos da mão.


- Big Bang Atack!!


A sua voz veio de muito longe, afunilada, em câmara lenta.


Enviou o ataque energético que explodiu com violência sobre o adversário.


Dava tudo o que tinha, o que não era pouco. Tinha fogo e luz no sangue, um poder incrível, maior ainda do que aquele convocado pela raiva do ­super saiya-jin. Se ele tivesse aquele nível de força durante o Cell Games, teria destruído o monstro como se fosse uma brincadeira.


Ele sorriu. Sentia-se incrivelmente poderoso, mais ainda do que Kakaroto.


Ele gargalhou. Muito mais do que o fedelho filho de Kakaroto que tinha destruído Cell até ao mais minúsculo dos átomos, até à ulterior desintegração.


Mas aquela massa balofa cor-de-rosa que enfrentava era muito superior a Cell, muito superior, portanto, a Kakaroto e ao fedelho filho de Kakaroto. Era um monstro indestrutível, para além de disforme.


Mas ele tinha de o enfrentar, por causa da berraria e da dor e não sabia muito bem explicar a razão. Havia um estádio, um odor a queimado, uma lembrança esquiva como uma serpente. Novamente no futuro, não no passado.


E tinha de o enfrentar também porque ele era o príncipe dos saiya-jin e a sua honra, mesmo após todas as humilhações e reviravoltas, continuava intacta e imaculada.


Respirou fundo, a observar o adversário a reconstruir-se e a reorganizar-se. Provocou-o com um dos seus típicos sorrisos enviesados, chamando-o com a mesma mão com que disparara o Big Bang Attack. A massa balofa cor-de-rosa enfureceu-se e expeliu, pelos orifícios que tinha numa espécie de crânio, um fumo branco como vapor de água. Agora parecia um bebé maléfico irritado, uma criação diabólica de uma mente tortuosa para aterrorizar criancinhas.


Ele era o príncipe dos saiya-jin, todavia, não era nenhuma criancinha e não se deixava aterrorizar assim tão facilmente.


De súbito, um repuxão na consciência roubou-lhe toda a concentração.


Por que estaria ele a lutar contra aquela aberração?


E onde estava antes de começar a lutar?


Experimentou um peso nos membros, uma paralisia temporária.


Quando o outro tentou atingi-lo com um murro na testa, esquivou-se no último instante e foi capaz de ripostar com alguns socos e um pontapé à meia-volta que fez aquela massa balofa cor-de-rosa abrir um rego chão afora, criando um caminho fundo na paisagem rochosa.


Expulsou o ar dos pulmões. As chispas crepitavam em redor dos seus músculos, duros como aço, preparados horas a fio, pacientemente, a mais de quatrocentas gravidades, na câmara vermelha, o seu refúgio. Mas apesar de todo o treino, sabia que o adversário superava-o, enormemente, sem hipótese de esperança ou de vitória, e sentiu um ódio amargo porque aquela coisa não parecia nada um guerreiro invencível, das lendas esquecidas do Universo.


Fez nova investida, transtornado e sedento de resultados. Os dentes cerrados, os punhos crispados, o coração a galopar e imprimiu ainda mais força e ainda mais poder nos golpes, numa chuvada de raios que despejou sobre o adversário, separando a massa balofa cor-de-rosa em pedaços gelatinosos. Estava ofegante quando contemplou o espetáculo seguinte, os pedaços reunindo-se, reerguendo a massa balofa cor-de-rosa. A energia que estava a utilizar, simplesmente, não era a suficiente.


Saltou. Abriu os braços. Gritou até o peito lhe doer.


A frustração fazia-o perigoso, irascível, imparável.


Alçou os braços por cima da cabeça, encheu uma esfera azul com toda a energia que conseguiu dispensar. Com um grito breve, arranhado da garganta ensanguentada, enviou a esfera que se afundou no solo, tragando no seu calor mortífero a massa balofa cor-de-rosa. Uma explosão maior que as demais nivelou o terreno em redor.


Havia agora fogo e luz no mundo e não apenas nas suas veias.


Ele respirou fundo.


Nada. O adversário, apesar de desintegrado, voltava a juntar-se. E, ao reconstruir-se, daquela vez, mostrou-lhe um sorriso patético.


A massa balofa cor-de-rosa contra-atacou com uma violência inesperada e uma força brutal. Ele caiu, atropelado pelo ímpeto daquela coisa, os ossos todos estalaram quando foi imobilizado por um rolo da mesma matéria de que era feito o imortal adversário. Estava todo enrolado, braços e pernas atados, à sua mercê. Foi esmurrado sem piedade na cabeça, sangrou copiosamente.


Ele começou a duvidar da sua firmeza e da sua coragem.


Mas não iria desistir. Tudo dependia dele naquele momento.


Sentiu uma grande tranquilidade ao tomar a decisão de se sacrificar – via nisso a única solução. Recordou-se da mulher e do filho. Recordou-se do inimigo. Disse-lhes o nome, como o anestésico doce que tomava voluntariamente para suportar a derradeira dor.


Bulma. Trunks. Kakaroto.


Soube que iria fazer tudo o que estava ao seu alcance. Haveria de obliterar a massa balofa cor-de-rosa que zombava do seu sangue combativo, da sua herança real. Apesar da derrota, do sacrifício e da morte, ele sabia que estava a proceder com honra. E sorriu.


Naquele dia de tempestade, em que havia fogo e luz à mistura com o seu sangue, em que enfrentava um adversário misterioso, voltava a ser o grande príncipe dos saiya-jin, juras de abandono esquecidas, regressado à ribalta dos grandes palcos onde se decidia os destinos do Universo na ponta dos punhos.


Gritou. Todo o poder que acumulava no corpo irradiou numa explosão brilhante que submergiu tudo em volta num mar de brilho incandescente.


Depois foi um vazio e um desamparo.


Sentiu-se empapado em suor.


Ao abrir as pálpebras pesadas, a imagem diante dele focou-se lentamente e encontrou Bulma debruçada sobre ele.


A excitação do combate, o fogo e a luz no sangue, sumiram-se num arrepio que lhe massacrou o corpo, a recuperar das lembranças recentes. Tinha sido… um sonho. Estava num quarto aquecido, deitado numa cama, no conforto da sua casa. Ou de uma espécie de casa, um lugar que tomara emprestado, atabalhoadamente.


Fechou os olhos com um suspiro, amolecendo a cabeça no travesseiro.


- O que é que me estás a fazer, mulher?


- Estou a ver se estás melhor.


- Eu não tenho nada.


- Estás doente.


- Sou um saiya-jin e os saiya-jin


- Também adoecem e tu estás doente – interrompeu ela, mas sem ser brusca. – Há dois dias que não sais deste quarto.


Ele arreganhou os dentes e ela brindou-o com um magnífico e ternurento olhar azul. Explicou, sentando-se na cama:


- Estás com gripe. É uma doença infeciosa muito comum, provocada por um vírus chamado influenza. Os sintomas geralmente são dores no corpo, arrepios incontroláveis, nariz entupido, tosse, febre. Com a medicação adequada e alguns dias de recolhimento, a doença é curada. E acredito que os saiya-jin são tão vulneráveis ao vírus quanto os chikiyuu-jin. Aliás, acho que há um livro muito famoso de ficção científica que conta como os extraterrestres que invadiam a Terra foram derrotados pelo vírus da gripe.


E soltou uma risada divertida. Devia ter achado graça à analogia, mas ele detestou-a.


Ela pousou a mão macia na testa dele. Estava fria. Ou seria ele que estava quente, depois de tanto fogo e luz no sangue.


- Hum… Parece-me que a febre está a voltar.


Ele desviou a cara. Estava a sentir-se péssimo, fraco, um miserável de um estúpido chikiyuu-jin doente, atacado por um qualquer vírus idiota.


Mas o certo era que se sentia doente e todo desmanchado, não somente por causa desse tal vírus, mas como se tivesse combatido a sério e não apenas num sonho estranho sobre um momento que poderia acontecer no futuro. E ficou incomodado com a premonição.


A mão dela fez-lhe uma carícia junto à linha dos cabelos.


- Estavas a ter um pesadelo.


- Não… Um sonho – corrigiu ele depressa.


Porque ele era saiya-jin e combater estava-lhe na alma.


Mesmo que tivesse jurado outra coisa. Mesmo que tivesse anulado essa sua parte de si próprio naqueles últimos três anos para poder inventar uma vida normal naquele planeta que ele, um dia, visitara para arrasar e vender em leilão pela mais alta oferta. Combater era como…


- Um sonho? Mas estavas tão agitado…


- Nunca me lembro de ter tido sonhos calmos.


- Ah, percebo… Memórias antigas. O teu passado não é muito tranquilo, é verdade.


- Memórias do futuro.


- O que disseste?


Ele olhou para aquela mulher de cabelos e olhos azuis. Tinha dito o nome dela no sonho.


- Bulma…


- Vegeta?


Fez passar o som novamente pelos lábios secos, muito devagar:


- Bul-ma.


O sorriso dela ficou turvo, pois ele mergulhava no estado febril. Ela enfiou-lhe um comprimido na boca e obrigou-o a beber água. Ele já não tinha forças para rejeitar o que quer que fosse.


Tentou regressar ao sonho, mas não conseguiu.


A estranha massa balofa cor-de-rosa foi classificada sumariamente como um pigmento disforme causado pela febre e que lhe tinha invadido o mundo onírico sem pedir licença. Ele esqueceu-a, porque nem tudo merecia ser lembrado pelo príncipe guerreiro dos saiya-jin. Nem mesmo o seu passado rico de acontecimentos e personagens marcantes.


Nunca mais regressou àquele sonho, nem este o voltou a visitar.


O fogo e a luz nunca mais moraram nas suas veias e Vegeta regressou à sua vida confortável na Capsule Corporation, depois de ter derrotado um dos maiores adversários que havia conhecido: o vírus influenza.

24 de Marzo de 2018 a las 17:24 0 Reporte Insertar 6
Fin

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Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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