(2018) Aquilo que faz o coração bater de novo Seguir historia

alicealamo Alice Alamo

Ela tinha os cabelos negros, os olhos eram iguais aos de Sasuke, da mesma cor, e era quieta, serena. Ela era filha de Sasuke. O que ele pensaria se a visse? Com certeza seria o pai mais coruja de todos! Seria Sasuke o primeiro a se levantar se ela chorasse à noite, ele também contaria histórias para ela dormir. Talvez, fosse ele quem a ensinaria as primeiras letras, a ler. E Naruto... bem, ele seria quem faria o chocolate quente para Sasuke depois que ele a colocasse para dormir, quem os cobriria quando percebesse que eles tinham adormecido no meio de mais uma leitura, quem repreenderia Sasuke quando ele exigisse demais da pequena... Mas isso tudo era o famoso futuro do pretérito, um futuro não mais possível, um futuro de que Sasuke não fazia mais parte...


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#ua #naruto #naruto-sasuke #sasunaru #drama
Cuento corto
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Capítulo Único


Ela era parecida com ele, esse foi o único pensamento que lhe ocorreu ao entrar na pequena área de recreação onde várias crianças corriam e colocar os olhos na pequena Sarada.

Ao seu lado, a diretora do orfanato falava sobre todos os problemas que o local sofria e como era importante as doações que recebiam, na tentativa de que ele também virasse um bem feitor. Mas ele não seria... Para ser sincero, só havia um motivo para Naruto estar ali: Sasuke.

Sasuke e ele eram parte do exército, recrutados sempre que havia uma missão difícil demais para as tropas normais, eles eram o trunfo, a carta na manga para invasões e missões impossíveis. Duzentas e quarenta e nove missões bem-sucedidas, um fracasso, um único maldito fracasso que havia custado mais do que Naruto podia imaginar.

Ainda tinha pesadelos à noite, via Sasuke o empurrando para à direita e recebendo o tiro no peito em seu lugar. Os malditos inimigos usavam armamento pesado, a bala atravessou não só o colete de Sasuke como o corpo dele inteiro, parando somente na parede atrás deles. Naruto se abaixou na hora, segurou o corpo do marido enquanto gritava e ouvia as ordens no rádio. Os olhos de Sasuke continuavam abertos, paralisados...

A morte havia sido rápida, mas a dor acompanhou Naruto pelo resto dos dias, dos meses... Toda vez que fechava os olhos, Sasuke caía ao chão ferido, e Naruto abria os olhos desesperado e aos girtos para não ter que encarar novamente a face inerte de quem tanto amava... Havia perdido não só Sasuke, mas também sua sanidade, seu coração.

Tinha sido dispensado, a guerra havia acabado. Enterrou Sasuke e foi no enterro que recebeu a notícia: Sasuke tinha uma filha. Itachi, o irmão mais velho de Sasuke, tinha se aproximado com cautela, esperado até o fim da cerimônia para então lhe contar. O caso era que Sasuke, como Naruto já sabia, tinha sido casado anteriormente com Sakura, e eles haviam tentado por algum tempo engravidar, mas ela não conseguia, por isso, haviam congelado espermatozoides para uma futura inseminação. O divórcio, contudo, veio antes, mas Sakura, mesmo anos depois, ainda queria um filho e fez a inseminação no momento em que ele e Naruto partiram para a guerra.

— Ela morreu no parto, Naruto — Itachi explicou, como se aquilo bastasse para que ele entendesse onde queria chegar com aquela conversa. — Não contamos nada a vocês porque... bem, eu soube há uma semana, e os pais de Sakura nunca gostaram de Sasuke.

Naruto piscou e encheu um copo de plástico com água enquanto a mão tremia.

Sasuke tinha uma filha, uma filha órfã.

— Onde? — foi o que conseguiu perguntar ao se deixar escorregar pela parede.

Itachi suspirou. Naruto estava acabado, nem sombra do que já tinha sido um dia. Os olhos azuis, antes tão brilhantes e cheios de vida, estavam vazios, frios, como se cada dia fosse um tormento, a barba estava por fazer, e as olheiras eram tão fundas que se perguntava se não seria melhor forçá-lo a tomar um calmante ou qualquer coisa que o obrigasse a dormir. Por um momento, repensou sua decisão, Naruto não podia cuidar de uma criança se não conseguia nem cuidar de si mesmo, mas... por algum motivo, talvez loucura, era o que lhe parecia certo, o que Sasuke aprovaria.

— No orfanato, o mesmo em que você cresceu.

— Por que ela está lá? — Naruto franziu o cenho ao lhe encarar, havia um tom de indignação em sua voz.

— Os pais de Sakura não a quiseram, ninguém manifestou interesse pela guarda. Ela tem um ano e sete meses, fará oito no próximo dia dez.

— Por que está me dizendo isso, Itachi? — Naruto afundou a cabeça nas mãos, a voz não passou de um sussurro, e Itachi apoiou as mãos na cintura ao encarar o chão.

— Ela é filha dele, Naruto, e eu sei o quanto você o amava. Quero que me diga se vai querer a guarda dessa criança.

Naruto riu, amargo, e os olhos se encheram pelas lágrimas teimosas. Apertou o terno com força e bateu a cabeça contra a parede enquanto sentia o rastro quente que as lágrimas deixavam por sua pele.

Sasuke queria filhos. Lembrava-se tão claramente como se a conversa tivesse ocorrido no dia anterior. Sempre achara Sasuke fechado, sério, tão perfeito que esquecia que ele também tinha dúvidas sobre o futuro, então, quando deu nove horas da manhã e ele ainda estava na cama encarando o teto, entranhou.

— Sasuke, você está bem? — provocou ao subir na cama, engatinhando até ficar com o corpo sobre o dele. Passou a mão pelo rosto dele, sentindo que já era hora de Sasuke fazer a barba, e beijou-lhe o queixo antes de subir até os lábios e selá-los com calma.

Sentiu-o suspirar, as mãos o seguraram com certa hesitação e, quando se separaram, Naruto percebeu os olhos negros do marido se desviarem dos seus em fuga.

— Aconteceu alguma coisa, Sasuke?

— Só pensando — ele respondeu, evasivo.

— Em quê? — insistiu e deitou-se ao lado dele, com a cabeça apoiada em seu peito.

— Naruto...

— Sim?

— O que você acha de... filhos? — perguntou, a última parte tão baixa que Naruto ergueu a cabeça, confuso e incerto sobre o que havia ouvido.

Apoiou nos cotovelos e encarou Sasuke.

— Filhos? — repetiu, o cenho franzido e a voz surpresa.

— É...

— Você. Quer. Filhos? — perguntou pausadamente, ainda tentando assimilar a ideia de um Sasuke com crianças ao seu redor.

Sasuke revirou os olhos e bufou.

— Deixa pra lá.

Naruto arregalou os olhos e observou Sasuke se levantar da cama, visivelmente frustrado. Ok, aquilo era sério, meu Deus, Sasuke estava mesmo falando em ter filhos! Levantou-se, como um tufão, e correu até a porta do quarto antes que Sasuke saísse, bloqueando-a.

— Você quer ter filhos? — repetiu, o sorriso em seu rosto era tão grande que não sabia nem mesmo o motivo da felicidade.

— Talvez... — Sasuke coçou a nuca.

Não, talvez não, Naruto sabia lê-lo, compreendia Sasuke melhor que a si mesmo! Os olhos negros o encaravam com expectativa e aflição, as mãos inquietas iam do cabelo à camiseta, brincavam com o elástico da calça, e Sasuke então estalava a língua no céu da boca, impaciente pela resposta.

Sorriu, com tanto carinho e de forma tão apaixonada que Sasuke corou ao perceber. Aproximou-se, puxando-o devagar pela camiseta até que pudesse abraçá-lo pela cintura e enterrar o rosto na curva do pescoço dele.

— Sim — respondeu, rindo.

— Sim o que, Dobe? — Sasuke o abraçou de volta e o afastou somente para que pudessem se olhar.

— Quantos você quiser, Sasuke — sussurrou e sorriu, passando os lábios pela bochecha do marido antes de suspirar. — Teremos quantos você quiser, Teme...

Que ironia... Na época, discutiram os orfanatos e decidiram que iriam adotar logo que voltassem da guerra porque era óbvio que voltariam! Os dois! Vivos!

Naruto riu, o choro se confundindo com o riso desesperado. Itachi parou ao lado dele, e Naruto quis gritar que ele fosse embora, tudo do que menos precisava era vê-lo ali, encarar alguém tão estupidamente parecido com Sasuke!

— Me diga até o fim da semana o que decidir, está bem? — Itachi estendeu um cartão para ele. — Aqui tem todos os meus telefones. Por favor, me ligue com a sua decisão.

Naruto pegou o cartão e assentiu, limpando o rosto na manga da camisa.

— O que vai acontecer se eu não quiser a guarda?

— Não vou deixar minha sobrinha num orfanato — Itachi garantiu. — Se você não quiser a guarda, vou criá-la, ela é meu sangue afinal, única filha do meu irmão, a única coisa que ele deixou para nós além das lembranças. Eu ia fazer isso semana passada mesmo, quase o fiz — admitiu e deu de ombros, inconformado. — Mas eu a vi, lá... Ela é cara dele. — Riu. — E isso me lembrou de que talvez não fosse esse o desejo de Sasuke, você era família dele, era com você que ele queria criar os filhos.

Naruto fechou os olhos, apertado. Não ouviu o que Itachi disse depois, simplesmente deixou-o ir e só se levantou quando a senhora responsável pela limpeza do local colocou a mão em seu ombro perguntando se precisava de ajuda. Sim, ele precisava! Ele precisava de toda ajuda do mundo, mas sabia que estava sozinho, literalmente sozinho. Seus pais haviam morrido, Sasuke era sua única família e também havia lhe deixado, a quem podia pedir ajuda?

Não ligou para Itachi naquele dia nem no dia seguinte. O prazo estava quase acabando quando decidiu ir ao orfanato, talvez ver a filha de Sasuke o ajudasse a se decidir, quer dizer, não era se decidir o problema, ele já havia se decidido: Itachi teria a guarda. Quem era ele para criar uma criança? Quem era ele para criar e cuidar de uma criança sem Sasuke ao seu lado para garantir que daria tudo certo, que tudo ficaria bem? Não tinha como e não queria falhar, não com a filha da pessoa que mais amava, não podia falhar logo com ela! Entretanto, como se pudesse ouvir a voz de Sasuke atrás de si, foi ao orfanato na última tentativa de seu subconsciente de mudar de ideia.

Parado na entrada da área de recreação, sentiu um soco no estômago quando viu uma das mulheres que trabalhavam ali segurando no colo Sarada, a filha de Sasuke.

Ela tinha os cabelos negros, os olhos eram iguais aos de Sasuke, da mesma cor, e era quieta, serena. Olhar para aquela criança era como olhar para uma foto de Sasuke na mesma época, entendia perfeitamente o que Itachi havia dito, e isso o fez recuar. A diretora do local percebeu e perguntou se ele precisava de alguma coisa, se estava bem. Só pode balançar a cabeça em silêncio, passando a mão pelo nariz e pela boca, acuado. A diretora sinalizou para que a assistente se aproximasse, e Naruto viu, em câmera lenta, a criança chegar cada vez mais perto de si.

— Esta é a única criança que se encaixa na descrição que procura, senhor Uchiha — ela pareceu contente em lhe dizer isso. — É uma menina muito quieta, mas bastante esperta!

Ele riu de nervosismo para a surpresa dela, não bastasse a aparência, Sarada também puxaria o gênio de Sasuke? Estava perdido...

O som de sua risada chamou a atenção dos pequenos olhos negros, que passaram a fitá-lo com curiosidade. Naruto percebeu e foi impossível conter a dor, o nó na garganta e a vontade de chorar. Segurou-se, limpou a garganta, mas os olhos ainda estavam úmidos, as mãos tremiam tanto que a diretora pensou duas vezes quando ele pediu:

— Posso segurá-la?

Ele estendeu os braços, sem conseguir desviar a atenção de Sarada, e a assistente colocou-a em suas mãos, ajudando-o a deitá-la em seus braços.

Sarada fez uma careta, uma parecida demais com a que Sasuke lhe fazia quando desaprovava alguma de suas ações, um pequeno bico se formou na clara intenção de choro, e Naruto a embalou, de um jeito torto e desajeitado, mas o suficiente para que ela não chorasse.

Ela era filha de Sasuke. O que ele pensaria se a visse? Com certeza seria o pai mais coruja de todos, Naruto podia apostar naquilo! Seria Sasuke o primeiro a se levantar se ela chorasse à noite, ele também contaria histórias para ela dormir, ah, sim... ele amava ler, ele a viciaria também naquele hobby! Talvez, fosse ele quem a ensinaria as primeiras letras, a ler. E Naruto... bem, ele seria quem faria o chocolate quente para Sasuke depois que ele a colocasse para dormir, quem os cobriria quando percebesse que eles tinham adormecido no meio de mais uma leitura, quem repreenderia Sasuke quando ele exigisse demais da pequena...

Mas isso tudo era o famoso futuro do pretérito, um futuro não mais possível, um futuro de que Sasuke não fazia mais parte.

Com cuidado, ergueu-a na altura de seus olhos e então a trouxe para o peito. A cabeça dela repousou no seu ombro, a mão dele nas costas dela a mantinha segura ali, e ele fechou os olhos por um momento enquanto sentia o coração dela bater rápido e forte. Ah, era bom abraçá-la, era quente e confortável, como uma boa dose de morfina.

— Senhor Uchiha? — a diretora o chamou quando notou que ele chorava em silêncio. — Sente-se, senhor, aqui, por favor. — Ela puxou uma cadeira, e Naruto sentou-se. — O senhor está bem?

Ele engoliu em seco e sorriu ao passar os dedos pela cabeça de Sarada.

— Sim. Eu só... encontrei... — sussurrou, mais para si do que para ela.

— Encontrou?

— Meu coração. — Riu, incrédulo, e Sarada se remexeu, curiosa.

A diretora sorriu em compreensão e sinalizou para que a assistente os deixasse.

— Te daremos alguns minutos a sós com ela — explicou, e Naruto agradeceu, vendo que a assistente permaneceria a alguns metros.

Não fez nada, manteve-se parado enquanto os dedos corriam pelos cabelos negros e lisos de Sarada, e ele ouvia a respiração dela perto de seu ouvido. Tão pequena... A mão dela passava pelo seu queixo, na barba rala por fazer, e os olhos, era como olhar para Sasuke, como olhar para ele vivo! Não havia tiro, queda, a expressão inerte, nada! Sarada parecia apagar aquilo da sua memória, invadindo sua mente e ocupando-a por completo.

Pegou o celular no bolso da calça e digitou o número salvo de Itachi. Engoliu em seco enquanto a ligação chamava e hesitou quando ouviu a voz do outro. Que Sasuke o ajudasse, olhasse por ele, o que fosse! Aquela era filha dele, deles, sua!

— Itachi, é o Naruto — disse, rapidamente, nervoso, decidido. — Eu quero a guarda.

3 de Marzo de 2018 a las 15:17 0 Reporte Insertar 6
Fin

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Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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